Imagina só poderes ver os meus sonhos no meu reflexo. "Jornal de Parede" de José Pedro Cadima e de José Cadima
quarta-feira, março 24, 2010
Ontem (2)
senti vontade de te abraçar,
de te sentir ainda mais próximo de mim.
Faz-me falta ouvir-te respirar,
ver-te emaranhada em fios de computador
e em pensamentos de esperança.
O mundo, este mundo que é a nossa aldeia,
parece-me então menos mesquinho,
mais sensível a valores nobres,
mais desperto para o respeito pelos outros
e para o amor.
Ontem, anteontem,
apeteceu-me perder-me nos teus braços,
entrelaçar-me em ti
como se fossemos raízes de uma árvore.
Não sei se é porque a Primavera
já por aí se anuncia,
se é porque as árvores
estão na emergência de florir.
Só sei que, ontem, anteontem,
sonhei esquecer nos teus braços
tantos dias fatigantes,
desencantados que me têm fustigado.
Ontem, anteontem,
quis ter-te mais, muito mais perto de mim.
José Cadima
segunda-feira, março 22, 2010
sábado, março 20, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
A alma que o diabo tentou comprar
- Qual seria o preço da tua alma? O que queres tu por ela?
As lágrimas vieram-me aos olhos. Senti pena deste pobre demónio. Então respondi, alto e bom som:
- Para que queres tu a minha alma? Para a amar? Para a chorar? Para sentir tudo aquilo que sinto e sofri, pois sinto com mil vezes mais força que muitos outros dores, mágoas e repreensões, e até um “não” me faz chorar? Se a tiveres, aviso-te que terás dor, choro e desespero, tal como eu tive. Mas, se a queres, fica com ela! Achas que eu a quero?! Mil “nãos” recebi e cada um deles eu chorei. Fica com ela! Serei eu a beneficiar, e tu chorarás e inundarás o teu inferno de lágrimas que apagarão todos os fogos.
Desci a cabeça. Parei de olhar o diabo nos olhos. As lágrimas desceram na minha face. Foi então que murmurei:
- Fica com ela, por favor!
O diabo afastou-se, entrando na escuridão. No meu último olhar já não o vi. Só vi uma lágrima cair, salpicando o chão.
José Pedro Cadima
quarta-feira, março 17, 2010
Memória: Ó mar salgado…(2)
sei-te bem para lá do dobrar da rua, hoje,
mas nem por isso te pressinto longe.
Perto, perto tive-te ontem,
ao mesmo tempo salgado e doce,
como mo sugeriram os teus lábios
Ameaçado?
Ameaçado, sim, de certo modo,
por saber não serem suficientemente altas
as trincheiras que quis erguer
para me proteger
das tuas investidas
envoltas em veludo,
em abraços meigos,
em beijos que transpiram paixão.
Confesso-te: achaste-me impreparado
para uma luta
feita com tais armas.
Receio não me restar solução
outra que não seja render-me,
por mais que me custe,
por mais que, sem o querer,
querendo-o, me sinta fluir para ti.
José Cadima
domingo, março 14, 2010
O passo seguinte (2)
que se dá a nossa evolução.
Não é por apressarmos o passo
que vamos mais longe.
É porque imaginamos
o passo seguinte.
É porque projectamos
uma trajectória para diante.
Sentir medo
mas sentir-lhe o apelo;
ousar seguir caminho.
Materializado o primeiro passo,
está esboçada a oportunidade de dar outros.
Evoluímos quando somos capazes
de projectar o passo seguinte
ancorados na materialidade do passo antecedente.
José Pedro Cadima
quinta-feira, março 11, 2010
Querer mais
que não me deixa descansar.
Garanto-vos ver demónios
passearem-se por meus azares
e seus servos
por linhas do meu destino.
Será por eu querer demais?
É erro ter demais, sei-o.
Sei, também, que mais cansaço
traz mais aflição,
mas eu só corro por ti!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 101)
terça-feira, março 09, 2010
Ontem
pela noitinha,
senti vontade de voltar a sonhar.
o mundo, este mundo que é a nossa aldeia
pareceu-me menos mesquinho,
mais sensível a valores nobres
como a amizade, o respeito pelos outros, o amor.
Talvez tivesse sido o sonho
a ditar-me um tal sentimento.
Quis renascer outra vez!
Quis correr para os teus braços
e esquecer tantos dias fatigantes,
desencantados que me têm fustigado.
Quis…
Estranha, inesperadamente,
ao retornar hoje ao meu local de trabalho
encontrei uma planta florida,
como que a querer dizer-me que a Primavera está aí.
Estranhei o contraste,
Mirei demoradamente esta flor
que sei durar um só dia
e questionei-me sobre que sinal
quereria enviar-me.
Quis renascer outra vez, ontem…
José Cadima
sábado, março 06, 2010
Amoras não são “fruta”
2. Do que soube, retenho aqui particularmente a menção que me fez àquele que terá sido o texto que mais escândalo terá provocado nestes vários anos que o blogue em que publico este texto leva de edição (não, não foi nenhum das crónicas que assinei, para meu desconforto). Não me lembro do título do texto, creio até que se trata de um texto poético da autoria de uma colaboradora “recente”. O texto tem como elemento singular referir-se à colheita de amoras, aliás, daí a epígrafe que escolhi para esta crónica. E de onde resulta o escândalo? Pois, simplesmente, da ilação que alguns(as) leitores(as) fizeram de que o autor – neste caso, a autora – dizendo amoras, queria, na verdade, fazer alusão a “fruta”, isto é, terão os(as) caros(as) leitores(as) tomado amoras por “fruta” , madura, supõe-se. Em nenhum momento passou pelas brilhantes cabeças desses(as) leitores(as) que pudesse existir um fruto chamado amoras (mais silvestres ou menos silvestres) que pudesse ser colhido pelo(a) autor(a) do texto ou pelos meus estimados amigos editores do blogue.
3. Isto dizendo, que moral da história podemos retirar? Porventura, que os(as) caros(as) leitores(as) deste blogue (uma amostra seguramente representativa da sociedade portuguesa contemporânea), vêem televisão a rodos e seguem de perto a intriga quotidiana que se vive nos sub-mundos do futebol, da política, do poder judicial, etc. Na verdade, é disto que se vem alimentando a sociedade portuguesa nos últimos anos, à falta de pão, e de razão na gestão da coisa pública [escrito isto, ponho-me a imaginar o que ocorrerá à mente dos(as) ditos(as) leitores(as) quando “chocarem” com o termo “coisa pública”]. De “faces ocultas” ou com vozes distorcidas, imagino já os(as), apesar disso, meus(minhas) caros(as) leitores(as) corados(as) de vergonha, segredando no ouvido do(a) colega(a) ou amigo(a) a ousadia do cronista.
4. Pois é, a verdade é que o meu caro amigo José Cadima (pai) acabou sendo falado a propósito do que nunca imaginaria e viu o “jornal de parede” que edita com José Cadima (filho) alvo de inesperada publicidade, o que, contraditoriamente, nesta dimensão, acaba por ser coisa simpática. Ao que se sabe, os portadores de “boas notícias” quiseram mesmo ir além da cidade sede do blogue no espalhar da “boa nova”, sabendo-se que esta chegou a outras cidades deste lindo Portugal, como o Porto, por exemplo. O Porto não podia aliás escapar sabido que é daí originário o grande mestre vendedor de “fruta” do país, hoje em dia alvo de intensa imitação por fervorosos seguidores lisboetas, de cor “encarnada” ao peito.
5. Numa realidade social actual em que 60% dos portugueses inquiridos dão por seguro que Sócrates (o grande filósofo) é um grande mentiroso mas, na sua maioria, admitem continuar a votar nele (no filósofo, sem vergonha alguma), foi também sem grande surpresa que soube que entre os(as) grandes escandalizados(as) com os escritos divulgados pelos meus estimados amigos José Cadima e José Cadima se encontravam alguns(algumas) seus(suas) colegas de ofício. Entre eles, particularmente, alguns(as) membros de associações de famílias numerosas ou, quiçá, membros de várias famílias e muito estimados(as) maridos(esposas) a atravessar por ocasionais dificuldades conjugais, como é próprio das boas famílias. Amoras? Cartas de amor? Isso são coisas do domínio estritamente íntimo. Autênticas ou ficcionais, nunca, por nunca se vertem em jornais, e muito menos nestes jornais modernaços que nos chegam pela Internet quando sentimos um irresistível apelo a espreitar o que por aí vai! Vá lá, que se publiquem mas depois de mortos os seus autores. Cartas de amor, quem as não escreve…
6. Pois é, dizia, para quê ficção quando temos tantos “apitos dourados”, “faces ocultas”, “freeports” e não sei quantos casos mais tão reais, tão ali ao virar do ecran? Num tal caldo de cultura, podem lá existir amoras que não sejam “fruta”? Pode lá alguém escrever uma carta de amor ou um texto poético que não vá para lá de uma carta de amor ou de um texto lírico? Obviamente que não! Nem os(as) homens(mulheres) bem formados(as) e as famílias sólidas, coesas que temos ainda em abundância, felizmente, o permitiriam. Se algum dia as silvas vierem a dar amoras, pois que estas apodreçam no silvado. Colhê-las? Nunca! Para mau exemplo já temos o da Eva que, tendo o Adão todo para si, quis também ter a maçã.
J. C.
quinta-feira, março 04, 2010
Vejo-o em teus olhos
a próxima resposta.
Nem precisas de falar;
já está tudo dito!
Vejo o que estás a sentir.
Sei-o até melhor que tu.
Vejo o que estás a pensar.
Incrível, não é?
Dói-me ver a tua resposta,
e fico com medo de perguntar.
Dói-me saber em quem tu pensas;
dói-me saber que não é em mim.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 72)
segunda-feira, março 01, 2010
As leituras do cronista
2. Por simples acaso e oportunidade de circunstância, nestes derradeiros dias, acabei a dar alguma atenção a um ou outro texto que os meus bons amigos editores deste blogue se vão dando ao trabalho de produzir e, sobretudo, aos comentários que, em crescendo, lhe aparecem anexados. Isso fez-me descobrir quanta gente interessante e preocupada com o bem-estar do seu semelhante (ou diferente, quiçá) por aí anda e, também, gente (pressupostas mulheres) “raivosa” doutra gente, alguma mais raivosa que outra, está bom de ver. Ficou-me uma certa raiva, por assim dizer, de não ser o alvo da cobiça (pressuposta cobiça, se bem entendi).
3. Deixo claro que em tempos já longínquos, dava eu os primeiros passos como cronista, também fui alvo de algumas atenções femininas e até, confesso, de alguns olhares mais furtivos. Mas esse era tempo com outro recato. Só alguma leitora mais atrevidota me fazia chegar uma nota escrita (um bilhetinho) denunciando a atracção que eu, ou melhor, a minha escrita, lhe provocavam. A nenhuma lhe ocorreu vir para esta praça pública mostrar inveja dos sucessos amorosos do cronista ou daquelas que lhe roubavam o coração. Também é verdade que, nessa altura, a Internet navegava ainda por outras paragens, mas nem por isso deixa de ser uma menos retinta verdade o que digo.
4. Feito consultório sentimental ou divã de psiquiatra, acaba este blogue por adquirir uma dimensão que os seus editores, os meus bons amigos José Cadima e José Cadima, não tinham antecipado. Não é que a lógica de serviço público não estivesse no seu espírito. Foi, aliás, a este título que fui convidado para trazer o meu contributo. Mas consultório sentimental… Fico contente por assim ter acabado por resultar. Desse modo, satisfaz-se quem tem conselhos para dar e generosidade bastante para o fazer gratuitamente, e quem está carente de um conselho amigo (umas vezes mais amigo que outras) ou está necessitado de se acolher num divã de psiquiatra. Talvez se perca alguma da dimensão cultural inicialmente visada mas, como bem diz o povo, o óptimo é muitas vezes inimigo do bom.
5. Como dizia, gostei de ler os comentários. Sendo verdade que, por essa via, a ideia de ser eu a abrilhantar o blogue com as minhas crónicas de análise social cai em grande medida por terra, não deixa também de ser verdade que as sedes de interesse que assim se introduzem se amplificam imenso, com consequentes ganhos em matéria de número e variedade de leitores. Digo isto a pensar no sucesso do projecto dos meus bons amigos editores do blogue. Pessoalmente, já que escrevo sobretudo para mim, esse resultado acaba por se me sugerir embaraçoso. Todavia, atento ao compromisso que assumi, homem de palavra que sou, vou continuar por cá por algum tempo mais, fazendo figas, em todo o caso, para que os meus escritos passem tão discretos como sempre. Posto que preservarei o carácter episódico do registo, espero bem que assim resulte.
J. C.
sábado, fevereiro 27, 2010
30 dinheiros
Houve tempos em que olhei para o meio onde por opção profissional me movimento como um espaço privilegiado de partilha, de superação pessoal, de dedicação, de respeito pelos outros e pelo mundo. Hoje sei com mais segurança que nunca que os oásis são acidentes: estão condenados pela afirmação esmagadora da aridez, do vento agreste que empurra a areia para os lugares mais recônditos, logo que uma fresta fica aberta.
Resta-me deixar de olhar para o lado. Resta-me, simplesmente, seguir em frente. Hoje, como sempre, prefiro continuar só que estar mal acompanhado.
Foi-me penosa a semana, muito penosa. Custa-me que não subsista lugar para as pessoas, na sua individualidade, na sua ânsia de carinho e aspiração de felicidade, sempre precária.
Onde estão os momentos de convívio, as manifestações de amizade que nos reuniam algumas tardes em redor de um prato de rissóis? O caminho que percorremos fomos nós que o escolhemos ou alguém o decidiu por nós? E se o decidiu por nós, quais são os valores maiores, de humanidade, que o justificam?
Neste turbilhão de desumanidade, prefiro continuar caminho sozinho. Fico melhor só que mal acompanhado.
J. Cadima Ribeiro
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
domingo, fevereiro 21, 2010
Romagem de saudade
Estas visitas provocam-me sempre sentimentos múltipos, gratificantes uns, amargos outros. Gostei de reencontrar o meu irmão. Tive dificuldade em transmitir-lhe as palavras de ânimo de que porventura precisa e que tanto merece que lhe sejam ditas. Evitei cruzar-me com os poucos outros familiares que me inspiram boas recordações, talvez receando que me dessem notícias que se sugerissem também elas amargas.
Hei-de lá voltar com mais tempo e com espírito mais liberto, com mais força para combater os múltiplos fantasmas que me assaltam logo que paro o carro, e com maior vontade de trocar abraços com aqueles que estiveram ausentes desta visita. Quando será a próxima visita, não sei, mas hei-de lá voltar!
J. Cadima Ribeiro
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
O tempo (2)
Houve tempos em que o tempo saltitava. Às vezes, chegava até o tempo do amor. Esclareça-se: não era o tempo que amava!
José Pedro Cadima
terça-feira, fevereiro 16, 2010
domingo, fevereiro 14, 2010
O Dia dos Namorados
Em primeiro lugar, é um dia em que a maior parte dos casais tenta participar de uma forma ou de outra, sejam namorados recentes, acabadinhos de entrelaçar, sejam o Sr. José e a D. Maria que até já festejaram as bodas de ouro, ainda que a maior parte dos anos tenham discutido afincadamente … Nada que se compare ao dia internacional da mulher, ao dia da árvore ou mesmo da SIDA. Não, o envolvimento no Dia dos Namorados só é comparável à comemoração do Carnaval.
Na realidade, o assédio comercial é tão grande, que é muito difícil não querermos participar num dia que apela ao amor e que relembra o gorduchinho Cúpido, com ar de maroto a atirar flechas que nos acertam em parte conveniente e que passam a química necessária para nos babarmos e passarmos a idolatrar alguém.
Mas, sinceramente, ou é porque já estou a ficar velha ou então o tal Dia tem vindo a perder a piada… Digam-me se não tenho razão! Depois de o cavalheiro ir a correr (se for num dia da semana – felizmente não precisarão de correr hoje, domingo) comprar uma simples flor ou um ramo à florista mais próxima, para a versão mais “pobre” em termos comerciais, claro está, eis que depois do reencontro depara o cavalheiro e a cavalheira com um restaurante (escolhido a dedo e que garantia grande intimidade) cheio de cavalheiros e cavalheiros que procuraram o mesmo. A desilusão só pode ser grande!
Há uns oito anos atrás estava em Lisboa, num destes Dias, e pude presenciar durante quase uma hora a correria em direcção a uma qualquer florista e depois a desilusão e o espreitar para as outras mesas, num restaurante de Lisboa, tentando ver se a prenda era melhor do que…
Mas no Dia de Namorados há várias situações que importa lembrar e sobre as quais não podemos falar de forma cientifica, não em relação a cada situação, mas sim à percentagem de casais que se enquadra em cada uma delas. Se não, vejamos:
1-Uma parte razoável (gosto desta palavra, pois “a maioria” não me parece que seja a realidade) efectivamente ao entregar uma rosa vermelha (alguns com ela cravada nos dentes, para parecer mais romântico) à sua amada e uma prenda qualquer estão na verdade a querer reafirmar o seu amor por outra pessoa.
2-Existirá uma outra parte, também razoável, que enquanto entregou uma rosa vermelha e um colarzito de pérolas à esposa, terá dado um de valor superior à sua amante, para a calar, pois não poderá passar a parte mais romântica do dia com ela ou porque efectivamente é a ela que ama mais…mas por uma qualquer razão pouco emocional não é com ela que estará naquele momento especial…
3-Há uma parcela minoritária que não gozará o Dia, mas que efectivamente não precisa de dias para comemorar o seu amor…
4-Há ainda uma outra parcela minoritária que não gozará o Dia, porque não tem dinheiro para o fazer e/ou porque já não tem nada para festejar e assume publicamente tal facto.
Para mim, o facto da minha filha querer fazer um jantar quase surpresa e querer deixar-me desfrutá-lo só com o meu namorad0 tem muito mais significado... Ainda não tenho a certeza se funcionará, mas revela, pelo menos, que outra pessoa repara e confirma o nosso amor…
sábado, fevereiro 13, 2010
Afinal, ler os jornais ainda vale a pena
Desfolhando fortuitamente o Jornal de Negócios de ontem, vejo agora ter sido pouco fundado o sentimento que alimentei sobre o que se escreve nos jornais ou, pelo menos, nalguns deles. Há, de facto, matéria que vale a nossa atenção e escritos que nos esclarecem e iluminam. É disso exemplo o texto de onde pude extrair passagens como as que reproduzo de seguida:
- “Cá por mim, sempre detestei pregadores moralistas, pelo que descansem os leitores que não vão gramar um sermão da montanha. Vão gramar, sim, o enjoo de quem está cansado de falta de saneamento básico, político-social, nestes tempos em que ´palavra de honra` já só é uma imprecação, não um juramento inabalável” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010);
- “Estamos cada um por si, excepto nas associações de pequenos interesses que é o máximo de agregação social que se consegue vislumbrar, e que tem por finalidade sacar o maior bocado a que se pode deitar mão” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010);
- “Não passam de gente de ejaculação precoce, num frenesim de parecer que chegaram ao fim, em auto-presumido sucesso” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010).
É verdade, trata-se tudo de passagens do mesmo texto. Daí pode inferir-se sobre a respectiva abrangência e riqueza analíticas. Não são sequer as passagens mais significativas posto que outras há que dizem que “Pergunto-me se muito não tem a ver com esses ´post-moderninhos`, de cabeça vazia ou tóxicos na mão que, curiosamente, se encontram em lugares de influência e até predominância […], com esses legisladores que evitam o erro ortográfico (graças ao ´word`), mas não o de sintaxe, e fazem jorrar reformas, leis confusas e contraditórias, sem sedimentação ou ajustamento social” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010).
Sendo um artigo de inquestionável interesse, como sublinho, em função da respectiva densidade, acaba por não ser um texto fácil. Essa dificuldade interpretativa sugere-se logo no início, como seguramente os(as) meus(minhas) queridos(as) leitores(as) terão percebido a partir dos excertos que retenho. Na verdade, se S. Agostinho tivesse feito os seus sermões aos peixes “da montanha”, seria muito duvidoso que estes o pudessem escutar. Por outro lado, permito-me também duvidar que o sujeito que sofre de “ejaculação precoce” se sinta satisfeito ou bem sucedido no quadro da cópula almejada. Pode até ejacular sem conseguir ultrapassar as primeiras defesas, o que, para além de frustrante, pode mesmo deixá-lo envergonhado perante a(o) parceira(o), tanto mais se esta(e) for fortuita(o).
Não sendo claros na generalidade dos casos os destinatários da crítica veiculada, de passagens como “fazem jorrar reformas, leis confusas e contraditórias, sem sedimentação ou ajustamento social”, pode inferir-se visar o analista o ministro Silva, ou o outro da justiça, cujo nome não me ocorre nesta ocasião, ou o ministro Gago, que se sabe ser especialista em fazer de conta que é um grande reformador e homem de ciência, ou, quem sabe… Entretanto, quando invoca “associações de pequenos interesses que é o máximo de agregação social que se consegue vislumbrar, e que tem por finalidade sacar o maior bocado a que se pode deitar mão”, será mais fácil perceber a ligação que visará estabelecer aos nomes de Sócrates, Ferreira Leite e Portas, em particular, que, para além de se arrastarem pelas cadeiras do poder há uma eternidade, são useiros e vezeiros em partilharem orçamentos de estado, submarinos e cavalos de Tróia, para além de lugares de administração em empresas públicas e aparentadas.
A passagem sobre os “´post-moderninhos`, de cabeça vazia ou tóxicos na mão” é, todavia, a que mais me intriga, já que não me ocorre quem são os fumadores que o governo ou a actual assembleia da República albergarão. Será o Alegre? Questiono-me porque, a ser fumador, vejo-o mais de charuto cubano na boca e, sendo cubano, não se lhe poderá chamar tóxico. Por sua vez, com todo aquele marketing do “jogging”, o Sócrates não deverá ser fumador, embora se possa admitir que sofra de ejaculação precoce, coitado.
Seja como for, o que importa mesmo aqui sublinhar é que ainda se faz boa análise social nos jornais. Apraz-me constatá-lo. Fico por isso confrontado com a necessidade de retomar velhos hábitos de leitura.
J. C.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
O ser que sou
Porque sou sincero e porque assumo os erros que cometo, sou eu quem erra.
Rejeito a hipocrisia. Não vou ser eu quem fará escolhas pela humanidade, embora as faça para mim. Rejeito quem se arroga decidir sobre a vida de outros quando nem a sua sabe gerir.
Não vou gritar nunca por utopias não realizáveis. Eu cá luto pelas minhas e faço-o em silêncio para ver se se concretizam.
Respeito todas as escolhas, desde que vos façam felizes. Não me obriguem é a aceitar as vossas, porque, como sabem, eu sou o que sou!
José Pedro Cadima
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Ser perfeito
Neste entretanto, pena tenho eu de não ser perfeito, o que torna isto de viver um grande desafio.
José Pedro Cadima
sábado, fevereiro 06, 2010
Fantasma (2)
vamos apertar-nos um contra o outro
de modo que possamos parecer um só,
mais robusto, mais forte.
Vejo, escondido na noite,
um fantasma
que desaparece por baixo de candeeiros
com formas humanas.
Intimidar-se-ão, também, os fantasmas?
José Pedro Cadima
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Resíduo
um elemento residual.
O que nos junta
é o vício e o conforto.
O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega,
esconde dor.
Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…
José Pedro Cadima
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Qual deles escolho?
Amar-te
Adorar-te
Qual deles escolho?
Todos envolvem Riscos
Riscos que quero Correr
Mas que não deixam de atemorizar-me
Correr até não poder mais
Parar para te Beijar
Beijar-te para Sentir-te
Sentir-te e …
Amar-te ou Adorar-te?
Lá estou eu outra vez...
Qual deles escolho?...
C.P.
sábado, janeiro 30, 2010
Espasmos ao primeiro raio de sol
Não sei se uma coisa tem que ver com a outra, embora desconfie que tenha, nalguma medida, mas registei com curiosidade o facto do ministro das finanças ter escolhido uma hora tardia, menos exposta à influência do sol, para fazer a apresentação pública do Orçamento de Estado para o presente ano. Porventura, deste modo, ficou muito melhor evidenciado o tom cinzento, quase fúnebre, da proposta. Podendo fazer todo o sentido que a conferência de imprensa em causa se iniciasse noite alta, como digo, esse talvez tenha sido, apesar de tudo, o elemento inovador deste orçamento de Estado, já que, em matéria de proposta económica e de políticas de preços e rendimentos e fiscal, tudo suou a mais do mesmo, com os resultados a nível de relançamento da economia portuguesa e de reequilíbrio orçamental que são bem conhecidos.
Face a esta realidade, pergunto: mas não haverá mesmo por aí alguém, professor de economia ou simples contabilista, com um pouco mais de imaginação que Teixeira dos Santos, e, já agora, mais “charmoso” e bem falante, de modo a ser capaz de angariar um pequeno clube feminino de “fans”, pelo menos? Não sei, talvez alguém como o Miguel Beleza ou um seu seguidor. Não é verdade que o povo costuma dizer que, se não tens cão, caça com gato? Deixo aqui a proposta à consideração do primeiro-ministro que, lá porque falhou uma primeira vez (que, por acaso, até foi a segunda), não tem que crer que falhará à segunda (que, por acaso, até será a terceira).
Todo este enredo me conduz, por outro lado, a inquirir se não é esta mesmíssima razão (o aparecimento do sol esta semana) que estará por detrás da decisão que o PSD terá tomado de secundar o governo português no apoio à candidatura de Vítor Constâncio a vice-governador do Banco Central Europeu, lugar para que esteve apontado há uns anos mas que recusou, peremptoriamente, na ocasião. Então, creio que não era comum fazer sol em Frankfurt, ao contrário do que acontece hoje em dia em que, ordinariamente, o sol rareia mais vezes em Portugal que na Alemanha; mas, está bom de ver, também é verdade que, por mau que seja o respectivo ministro das finanças, dificilmente poderá ser tão mau quanto Teixeira dos Santos.
Mau será, também, se se vier a saber que, para ocupar o lugar que possa ser liberto por Vítor Constâncio, acabe por ser nomeada uma figura já não cinzenta mas parda, oriunda do PSD. A ver vamos, como escrevia ainda há pouco tempo um caro amigo meu, por sinal amigo também do editor deste blogue.
Olhem: com mais ou menos sol, fiquem bem! Este é o voto que este vosso amigo vos quer endereçar neste Sábado, vésperas de um domingo que se acredita poder ser ensolarado, para benefício das mulheres e para regalo dos olhos dos homens.
J. C.
Esta paisagem polar
Fazem-me falta os teus braços e os teus xicorações!
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Alguma vez tinha que acontecer: aventuras e desventuras de um cidadão do mundo
José Cadima
domingo, janeiro 24, 2010
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Sight*
Tem momentos penosos esta aprendizagem. É o custo da aproximação que prossigo ao transcendente, que não é já ali, tanto quanto desejava que fosse.
Vou no bom caminho, acredito. Vale-me a crença!
José Pedro Cadima
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Vidência
As visões do futuro
fazem com que nos arrependamos
de acções do passado.
A inércia dos erros
corta-me a fome e tira-me o sono.
As capacidades que tenho de nada me servem.
Os meus movimentos sugerem-se presos, vazios,
falhos de eficácia.
Ensaio seguir caminho,
temeroso do futuro,
desencantado do passado.
Anseio voltar a experimentar o repouso
de uma noite tranquila.
José Pedro Cadima
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Minha Querida Cláudinha
Sabendo-te uma doçura, custa-me mais deixar-te entregue a ti mesma e a toda a hostilidade que por aí grassa. Esse é, provavelmente, o nosso maior problema ou, pelo menos, o meu. Por outro lado, não desejo que te convertas no sobrevivente em que me constitui, mesmo porque, por esse caminho, haverias de perder muita da doçura que me atrai em ti. Talvez o escuro, a solidão, a mesquinhez, o vento, a chuva te assustassem menos mas que aconteceria à tua doçura? Prefiro-te assim, mesmo sabendo que a tua doçura é, provavelmente...
Um xicoração,
José Cadima
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Mensagens curtas, endereçadas
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Choraste
Lá se foi toda a minha raiva
e as palavras cruéis
que tanto queria atirar-te.
Lá se foi o pânico
que me suscitava a ideia de perder-te.
Porque me sinto vivo
quando cuido de ti?
Porque sou eu segundo
neste mundo em que tu habitas?
José Pedro Cadima
segunda-feira, janeiro 11, 2010
O nosso jardim
É o teu jardim
É o nosso jardim
Onde não vamos saltar
Não andamos de baloiço
Muito menos jogamos à caçadinha
No nosso jardim
Aventuramo-nos a apanhar lagartixas
A alimentar porquinhos famintos
A cortar a relva manhosa
E a observar os pardalitos que por lá passam
E divertimo-nos, sobretudo, a mirar
A mirar as Nossas plantas e flores
Uma das minhas prendas para o ano de 2010
É oferecer-te um jardim
Cheio de coisas com significado
Onde poderás ser o que tu quiseres
Menino outra vez, talvez…
C.P.
domingo, janeiro 10, 2010
Doente
e nem sei bem que doença me aflige.
Será o meu mal-estar resultante das emoções
que vou experimentando quotidianamente,
amargas, muitas delas?
Será porque erro quando julgo estar próximo do sucesso?
Ou vem-me a dor de sentir-me dilacerado?
Que estou doente, isso é certo!
José Pedro Cadima
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Momentos felizes: quem os não tem em falta?
muitos momentos felizes.
É verdade que muita da minha tristeza
decorre da falta dos momentos
que simplesmente não tenho
e me fazem uma falta imensa.
Quando me arrependo
de não os ter,
faço mal a mim mesmo.
Faço mal a mim mesmo, digo,
por saber que tenho todos aqueles momentos
que a outros fazem realmente falta.
José Pedro Cadima
domingo, janeiro 03, 2010
Gargalhadas amargas
e o que eu mais quero é sossego.
Se a agitação é própria do prazer que é a vida,
a tranquilidade não o é menos.
Sentir, sofrer, amar!
Eu sou só um,
e se a agitação me estimula
também me embriaga
e me tortura.
Na mesma medida em que anseio o frémito
desta Terra de oportunidades,
rejeito-lhe a inequidade,
a mesquinhez que grassa.
Daí que sejam amargas
as gargalhadas que por vezes liberto.
José Pedro Cadima
sábado, janeiro 02, 2010
Olhem para mim!
Amanhã vou partir tudo.
Vou desfazer a própria instituição que vos come.
Comer-vos-ei eu!
Olhem para alguém
que nem sabe o que tem.
Vejam o paradoxo
de quem sabe do que precisa.
É preciso ultrapassar a convencionalidade,
abraçar doenças deste século
como se de amor se tratasse.
Não foram senão os doentes
quem criou tudo isto.
José Pedro Cadima
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Enfarte em pleno Natal
Eu própria quase que senti um e os “outdoors” espalhados pela cidade até me ajudaram a fazer o diagnóstico, pois desde dor no peito até náuseas e dormência no braço esquerdo eu senti tudo nos dias anteriores ao Natal.
Claro que a azáfama do Natal foi a principal determinante. A correr para ali para comprar a prenda para a Helena…a correr para acoli a comprar as prendas para os filhotes… e mais para não sei onde para comprar as prendas para a Lili, a Zuzu, a Pipi e a Matri.
Tudo para que o dia 24 de Dezembro, junto do nosso marido e filhos corresse da melhor forma. Impecável, sem uma migalha no chão e dando um ar de dona-de-casa com o qual não nascemos, mas que os homens gostam sempre que vá no pacote, quando transmitem aos nossos pais que os vão aliviar do fardo.
E tudo para um momento que dura 5 minutos, o da troca de prendas. Prendas que, soube este ano, acabam, em grande parte dos casos, por serem trocadas. No dia 26 de Dezembro telefonou-me uma amiga dizendo que estava num Centro Comercial com a filha a trocar prendas e que era uma multidão de pessoas e fazer o mesmo!... Ou seja, o relógio que dei à Lili acabou por ser trocado por uma pulseira… Bem poderei estar à procura do mesmo quando estiver com ela que jamais o encontrarei… E o colar que com tanto carinho dei à Matri, será que já foi substituído?
Será o Natal um fiasco? Pensando bem, não o é. O ser humano necessita de ter momentos predestinados em que tem que ser bonzinho, pensar nos outros e dizer-lhes que gosta deles. Se calhar é o último reduto dos períodos bons.
O meu Natal foi especial este ano, pois tive maridão (que conheço há muitos anos) e filhotes que não reivindicaram muito. Até ajudaram a fazer os mexidos (que iam saindo sem sabor) e as rabanadas. O maridão, que não está habituado a estas lides, foi para a cozinha supervisionar as batatas e o bacalhau.
Que mais se pode esperar do Natal, esse período mágico que só pode ser ultrapassado pela passagem do ano?... Sim, daqui a pouco libertaremos energias quando entrarmos no novo ano, que se espera melhor do que o que está a findar.
Depende muito de nós torná-lo melhor… Um excelente 2010 e não se esqueça de se ir lembrando dos “outros” antes do próximo Natal…
Leonor
2009
Das descobertas e aventuras
De sacho e serrote na mão
Descobri o quanto a natureza
Nos pode surpreender
E tu foste o elo de ligação
2009 foi ano
De grandes tristezas
Que consegui superar
Contigo do meu lado
Dando-me a mão
Quando muitos me empurravam
Para o fundo do poço
2009 foi o ano
Em que te conheci verdadeiramente
O ano em que desabrochaste
O ano em que te tornaste criança outra vez
O ano das grandes surpresas
O ano em que disseste que me amavas
C.P.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Balanço de um ano sem história
2. Sem histórias para relatar, como pode o cronista cumprir o ritual do balanço do ano? Diferente seria se o cronista vivesse em Itália, onde o 1º ministro, para além de televisões e de dinheiro, tem bom gosto. É verdade que houve quem não lhe gabasse o gosto, mas sabe-se como há gente invejosa em todo lado; homens e mulheres não são nisso muito diferentes, embora o sejam noutras coisas, sobretudo quando se apresentam ainda bem frescos(as). Não merecia o nosso país ter um 1º ministro assim? Claro que merecia … Um país com uma história tão grandiosa …
3. É triste, de facto, que o cronista se confronte com a realidade de um ano que não deixa que recordar. Obviamente, um cronista que se preze tem que recusar-se a admiti-lo e, à falta de objecto, resta-lhe objectar, nem que para tal tenha que presumir que, em Portugal, há árbitros que têm simpatias clubísticas que lhes vão saindo, raramente ao acaso, juntamente com o sopro do apito. Mais grave seria, todavia, que se reduzissem encargos com salários de funcionários públicos para contratar no sector privado serviços que importam em idêntico montante financeiro. Porém, sabe-se que isso não ocorre em Portugal, nem poderia alguma vez passar-se dada a pobridade de ministros e demais dignitários de Estado que, com alguma sorte, hão-de chegar a administradores de empresas públicas ou administradores de grupos privados que têm como principal cliente o Estado ou na respectiva administração gente de boas famílias, isto é, comprometida com Portugal.
4. Vergado pelo peso da evidência, na iminência de fracassar na nobre missão de elaborar o balanço de 2009, resta ao cronista equacionar se é hora de deitar a pena ao chão (neste caso, não é necessária a toalha porque a haver alguma coisa para limpar são suores frios, que usualmente correm com pouca abundância) ou se, num golpe de asa, consegue descortinar uma qualquer coligação negativa da oposição, apostada em fazer fracassar um governo que se pretende de homens bons, já que é difícil aplicar idêntico qualificativo às mulheres que circulam pelos gabinetes ministeriais. Tarde que seja para chegar a tempo com o balanço do ano, importa acreditar que a segunda opção seja materializável. Que o cronista sofre, isso não oferece dúvida!
J. C.
terça-feira, dezembro 29, 2009
Vermelho-consequência
cobre-se quem dá importância
à própria ilusão da imagem.
São seres marcados nas pernas
com queimaduras de cera
e com os braços cobertos
de pêlos grossos, lilases.
Confundem-se com o real!
Confundem o real.
São seres de olhos vermelho-verde,
de lábios vermelho-rosa,
de faces num tom vermelho-azul,
e sem noção da relação causa-consequência.
Confundem-se com o real!
José Pedro Cadima
domingo, dezembro 27, 2009
O preto
É a ausência dela.
Mais um retrato de perfeição!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 74)
sexta-feira, dezembro 25, 2009
Sem cor
como se estivesse impedido de sentir.
Queria compreender o porquê
de tanta coisa que não brilha.
Queria correr em busca da perfeição
que me desse o poder de cativar.
Por trás desta máscara,
finjo todos os dias
que sou alguém com luz própria,
mas apenas reflicto o que quero ver.
Escondendo a fragilidade
daquilo que sinto,
nem arrisco denunciá-lo.
Fico-me por uma contemplação silenciosa.
José Pedro Cadima
terça-feira, dezembro 22, 2009
Noites em claro
Não como.
Não durmo.
Não sinto, nem sonho.
Queimo as pontas dos pés.
Rasgo as costas
numa superfície áspera.
Não vivo.
Deambulo.
E na noite,
na noite que não durmo,
mato-me;
aos poucos, é certo, mas mato-me.
Arde-me o corpo.
São ácidos do passado.
É a embriaguez do futuro.
José Pedro Cadima
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Tons preto e branco
enquanto viver é intensidade!
Sente-se e não se entende
o porquê da música no ar!
Talvez seja só eu que entenda as coisas assim.
Vou aprendendo a abraçar as diversas almas
que me assombraram até aqui.
É dos olhos que tenho, porventura,
que, por serem tão escuros,
levam-me a que veja tudo ao som de música
e em tons preto e branco.
José Pedro Cadima
quarta-feira, dezembro 16, 2009
Tu e eu
tuas palavras, afónicas;
teu toque, inexistente…
Meu pensamento, frustrado;
minhas lágrimas, dolorosas;
meu sentimento, tristeza…
Tu e eu!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 67)
domingo, dezembro 13, 2009
Hora da escrita
comecei a escrever os meus textos
com horas de registo.
Não interessa, não importa
em que dia foi.
Não importa os dias já que são iguais,
um após outro.
Interessa-me sim a hora
porque, assim, lembrar-me-ei
aonde se situava o Sol e a Lua
no momento da escrita,
especialmente da Lua.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 89)
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Apreciação
Fecho os olhos para deixar o vento acarinhar-me!
Hoje não se encontram deuses ou deusas no céu...
Vou dormir sem pesadelos
porque as nuvens se enrolam
umas nas outras com naturalidade e paz.
Lá fora cheira a frio!
- como refresco de maus momentos.
No interior cheirará a quente,
como o próprio desejo.
Aproprio-me de um sorriso
que algum deus deixou para trás.
Ninguém pode roubar
a beleza simples da noite.
José Pedro Cadima
terça-feira, dezembro 08, 2009
Vontade
Desgraçadamente, vontade de escrever é coisa que não tenho. Pior: não tenho mesmo vontade de nada.
E vendo a vida correr, sobressaltado, dou um salto: tau – bato com a cabeça no céu.
De alguma forma, é como ter vontade de voar e não ter asas.
Entretanto, neste caso, isso pouco importa porque nem essa vontade me assiste.
José Pedro Cadima
sábado, dezembro 05, 2009
Erasmus Madrileño
A minha escolha foi a Universidade Carlos III, em Madrid (UC3M). Sem sombra de dúvidas, uma das Universidades mais prestigiadas e internacionais que um aluno de Economia da Universidade do Minho poderia escolher para fazer um intercâmbio Erasmus.
Dia 1 de Setembro saí de Braga, que possui 176 154 habitantes, e fui para Madrid, que possui 3 232 463 (tendo a província aproximadamente 6 milhões, no seu todo)! Caminhei pelo longo aeroporto para apanhar o metro, para poder de seguida apanhar um comboio que me levaria até ao autocarro que podia apanhar para, finalmente, ir até ao local onde iria viver durante o período de estudos em Madrid.
Dias depois realizava-se o evento de boas-vindas aos alunos Erasmus. Estava muito bem organizado. Aí foram distribuídos os documentos necessários, como o guia da instituição, documentos comprovativos do estatuto académico, formulário com o plano de estudos e o cartão de estudante. Seguimos logo após para uma sala onde nos explicaram todos os serviços que tínhamos ao nosso dispor, em caso de necessidade. Foi nessa ocasião, também, que nos inscrevemos para termos aulas de espanhol e que acedemos a alguns dados sobre a Universidade.
Ao que consta, a Carlos III enviou este ano, no âmbito do programa Erasmus, 600 alunos! E, pelo tamanho do auditório, recebia pelo menos uns 300. Depois do breve momento de saudação do Reitor, subiram a palco estudantes que faziam parte da ESN (Erasmus Student Network), que nos falaram um pouco dos seus Erasmus e de tudo o que iríamos ver e fazer com eles durante o semestre todo, incluindo as festas que organizavam.
Ao sair do auditório, fizeram-nos uma visita guiada, onde ninguém queria saber o que realmente estavam a dizer porque toda a gente dava preferência a travar conhecimento com os seus novos colegas internacionais: de onde vinham; porque tinham escolhido Madrid para fazer o seu Erasmus; em que curso estavam.
No contexto do intercâmbio Erasmus, toda a gente vem com vontade de conhecer novas pessoas. Basta meter conversa para descobrirmos o quão interessante pode ser a comunidade que nos rodeia. No fim-de-semana seguinte foi organizada uma “gincana” onde percorremos a cidade, competindo em diferentes provas e, claro, conhecendo mais e mais pessoas na mesma situação.
Desde então conheci muitos alunos que assistem às aulas comigo. Por outro lado, fui sempre conhecendo novas pessoas nas festas que ocorrem em metade dos dias da semana, e até conheci outros estudantes na própria cantina da Universidade. Devo até confessar que fiz bons amigos, dalguns dos quais vou sentir a falta quando regressar a Portugal. Entretanto, para que estes laços criados não se percam com a distância, combinámos já coisas para depois do términos do nosso programa Erasmus.
Aqui estão algumas ideias sobre aquilo que eu considero importante para quem está a pensar participar no programa Erasmus:
i) é importante escolher um sítio que nos fascine minimamente, isto é, que queiramos conhecer, para além de querer aprender a língua local;
ii) o grau de reconhecimento internacional da Universidade é igualmente de levar em linha de conta, porque há que lembrar que o período de estudos Erasmus faz parte do nosso plano de estudos e é preferível usar esta oportunidade para aprender com alguns dos maiores especialistas da área; faço notar que isso também terá peso no nosso curriculum;
iii) há que escolher uma cidade com alguma dimensão internacional, já que temos de aproveitar para conhecer uma quantidade vasta de culturas e pessoas com as mais variadas vivências;
iv) para enfrentar os desafios que nos coloca o programa Erasmus, é preciso sempre ter algum espírito aventureiro e ser sociável; isto vai permitir conhecer muita gente interessante, fazer amigos, ter experiências totalmente novas, propiciar diversão quanto baste e aprender alguma coisa!
José Pedro G. Cadima
quinta-feira, dezembro 03, 2009
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Voando sobre um ninho de "locos"
Já vai longe o tempo em que as viagens de avião eram sonhadas com algumas semanas de antecedência. Já vai longe o tempo em que a experiência de voar era excitante. Até o check-in se fazia de forma pausada e descontraída.
O que vos vou contar a seguir é, no mínimo, surrealista. E estou vivendo-o neste preciso momento. Estou fazendo uma viagem de avião de mais de 12 horas de voo no total. Primeiro reservaram-me uma belíssima surpresa quando ia embarcar de regresso a Portugal e, julgava eu, regressar para a minha adorável casinha. Depois de 3 horas na bicha para o check-in e de 5 horas sem comer, eis que fico a saber que sou a feliz contemplada com 600 euros, porque já não havia lugar no avião para mim. Não sei como reagirá uma mulher obesa a tamanha afirmação...
Eu, apenas perguntei como era possível saberem que havia peso a mais no avião! Responderam-me que os americanos levavam muita bagagem de regresso. Claro que era um dos muitos truques usados para não proferir a palavra "overbooking", tão em moda na actualidade e que revela uma dedicação muito sentimental da companhia aérea para com os passageiros...
Hoje, ao embarcar, depois de ter insistido que era umas das do "delay" de ontem, acabou ocorrendo o mesmo com vários outros estrangeiros. Um grupo de 27 franceses tinha sido separado, tendo ficado 10 deles em terra. Mais outro overbooking, mas desta vez fiquei sem saber se o problema seria do "peso" do avião. Engraçado foi ir de volta para o
mesmo hotel (a 20m do aeroporto) e ver as mesmas caras de 3 horas antes, desta vez, surpreendidas com o meu regresso.
O bónus foi de uma dormida, um pequeno-almoço e um almoço, pois voo só no dia seguinte, dali a 24 horas de distância.
São 22h30m do dia seguinte e depois de ter comido um requintado jantar a bordo, igual ao habitual (juro que já começo a ter um fetiche por estas comidas a bordo), eis que sou brindada com um ressonar, no quadrante sudoeste, que sei que me vai acompanhar até Madrid.
Olhando para o homem, juro que me apetece meter-lhe uma rolha naquela boca aberta, que vai manter desperta grande parte da gente que vai a bordo. Depois são as interessantes bichas para a casa-de-banho, pois ninguém quer fazer chichi nas calças em pleno voo e durante a noite.
Algum tempo após reparo nalgumas jovens alemãs, de pés ao alto e deslindo alguns olhares masculinos fixados nos pés descalços das mesmas. Até às 23h30m ainda achei graça a tanto entusiasmo, mal eu sabia do martírio a que estaria sujeita. Até às 3 e trinta da manhã passaram o tempo rindo, falando e andando… Depois de um “Shuuuu” que não deu resultado, eis que ganho coragem e vou ter com elas e, em tom ameaçador, digo-lhes para se calarem. Deu resultado, mas mal eu sabia que dali a 25m as hospedeiras iriam ligar as luzes, na sua maior intensidade, e perguntar-me que pequeno-almoço desejava. Dali a 1h30m chegaríamos a Madrid e teríamos que adiantar os relógios 7 horas. Que dizer? Nada, infelizmente não havia nada a fazer!... São os tempos pós-modernos que temos! As cobiças dos que vivem nos países menos desenvolvidos. "Carai", que também quero ser menos desenvolvida!...
Leonor
segunda-feira, novembro 30, 2009
Introspecções…
Entre sermos nós, autênticos, com as nossas qualidades e defeitos, ou sermos outros, para consumo externo, para sermos "agradáveis" e convenientes com terceiros, prefiro a primeira opção, sob pena de nos sentirmos insatisfeitos connosco, o que resulta na maior das amarguras que se pode enfrentar. Sendo assim, importa apenas que estejamos atentos à sensibilidade dos nossos interlocutores, sem deixar de sermos nós, o que é um exercício muito difícil.
José Cadima
domingo, novembro 29, 2009
Atitudes
com que cubro os meus defeitos,
a máscara que esconde quem verdadeiramente sou.
Viste a brincadeira que faço das coisas mais sérias
e me abstrai das muitas coisas que me magoam.
Porque faço de mim um ser descontraído
quando até no coração sinto um aperto?
Porque mostro tanta felicidade
mesmo quando estou deveras preocupado?
A resposta não me vem da mente
nem do coração.
É como um medo instintivo que não controlo.
Quero dizer coisas que não digo.
Quero não deixar transparecer impulsos que não controlo.
Quero alimentar impulsos que me protejam.
Ando a proteger-me de quê?
Do mundo? De ti? De mim?
José Pedro Cadima
sexta-feira, novembro 27, 2009
Já valeu a pena
E procuro os teus
Sinto-os no olhar de menino
Ainda tão presente em mim
Já valeu a pena
Sentir esse olhar
E olhá-lo com alegria
Já valeu a pena
Sentir as tuas mãos
Cada vez mais ousadas
Alimentando-se do meu corpo
Resgatando-o só para ti
Já valeu a pena
Cobrires-me de beijos
Sentir-me amada assim
A vida vale a pena
É pena é que tenha um fim
Saberia condimentá-la
Saberia conduzi-la
Até ao teu amor sem fim
Que tanto vale a pena...
C.P.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Será já amanhã!
pergunto ao silêncio que me rodeia,
por onde andas tu
que não te enchergo.
E o vento diz-me
que andas longe,
longe dos meus braços,
muito para lá da urgência
que tenho de te apertar contra o meu peito.
Escutando o silvo do vento que corre,
vem-me à lembrança
a tristeza do teu rosto
no instante do adeus,
que não era maior que a minha,
que talvez se sugerisse melhor escondida.
São as voltas das nossas vidas,
que nos juntam
mas também nos apartam, por vezes,
muitas vezes, mesmo quando achamos
que não é tempo de partir.
Fica-nos a esperança do regresso.
Fica-nos a ânsia de um abraço
e, sobretudo, dos teus abraços.
Será amanhã, meu amor,
já amanhã!
José Cadima
quarta-feira, novembro 25, 2009
Amo!
Amo!
E de repente todo o sangue,
todas as lágrimas
formam lindos rios
de palavras e frases
que até então eu não conhecia.
Os mortos já não andam...
Pelo menos, os mortos com coração,
pois sem coração todos andam,
até mesmo os mortos.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 51)
terça-feira, novembro 24, 2009
Naturalmente Seduzido (2)
O que tu vês é a imagem de alguém que não sou eu. Trata-se de uma máscara que criei e que nem aos que me estão próximos lhes permite entender o meu verdadeiro estado de espírito.
Sou capaz de tudo, a fingir, até que suporto a tua presença sem te desejar!
Vagueio com os olhos pelo espaço que me rodeia, tentando não me focar em ti, tentando não me relembrar do quanto gostava de contemplar os teus traços, os traços pelos quais realmente me tinha apaixonado e que nunca ousei confessar-te.
Perco-me nas palavras. Vou por caminhos que não existem. Tudo para não te dizer o que realmente quero dizer. Busco tema após tema. Finjo-me superior; finjo-me especial. É do nervosismo que me incutes.
Sou incapaz de te magoar. De ti, vinha-me uma paz que me deixava confortável. Porque achas que me conseguia manter calado e carinhoso quando estava na tua presença? Bastava-me um leve mimo teu para me dar conforto num mundo que eu encontro hostil e de que preciso proteger-me.
segunda-feira, novembro 23, 2009
Imagens de um passado tão longínquo que se duvida ter existido: Maio de 1974
?, ?, Gabriela Cadima, Rafaela Santos, José Cadima,?, Fernanda Gonçalves (Gita)
Fonte: http://semprealunosdeleiria.blogs.sapo.pt/
domingo, novembro 22, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
sexta-feira, novembro 20, 2009
Manual do Doentio
É cera quente que se deixa cair de velas acesas. São chapadas dadas na pele tenra. São as nódoas negras de socos nas costas. São marcas de cordas com que se envolvem os pulsos. Acresce o sangue que escorre de lábios mordidos, de agulhas espetadas nas solas dos pés. Soma-se, ainda, as coxas pisadas por joelhos de outros ou a água gelada vertida nos órgãos sexuais, capaz de levar às lágrimas. Soma-se um sem fim de coisas, de raízes de cabelo irritadas por puxões e outros maus-tratos até às privações de oxigénio, por asfixia.
Até que ponto pode ser-se…
José Pedro Cadima
quarta-feira, novembro 18, 2009
Novas de Madrid que não falam de Cristiano Ronaldo
Vou fazer uma viagem a Praga aproveitando um feriado de 2 dias que vai haver aqui em Espanha. No período de 2 a 8 de Dezembro, irei visitar uma amiga que está lá no programa Erasmus. Os gastos em que incorrerei serão mínimos.
Eu tenho 6 dias de fim-de-semana nessa semana! Nunca tenho aulas nas quintas e sextas. No sábado e domingo também não, e depois vêm os tais dois dias de feriado!
Vou praticamente a todas as aulas. Raras vezes falto.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
terça-feira, novembro 17, 2009
Adoro a chuva
Adoro escutar o som do metal
matraqueado pela água que cai.
Nestas semanas depressivas,
chorar acaba por trazer-me alívio;
chorar permite-me atirar para poças de água turva
os sentimentos que trago enrolados em mim.
É como aquelas músicas pesadas que nos embalam
e, ao mesmo tempo, nos levam para longe do conforto.
Adoro ouvir a chuva cair.
Nessa altura, o mundo lá fora
torna-se tão real quanto a dor que suportamos.
José Pedro Cadima
sábado, novembro 14, 2009
Histórias de carteiristas
“Um grande empresário português marca uma audiência com José Sócrates, na Residência Oficial do Primeiro-Ministro.
Enquanto aguarda, encontra Armando Vara que o recebe com muitos abraços.
Quando é recebido pelo Primeiro-Ministro, sente falta da carteira e resolve abordar o assunto com o PM:
- Não sei como lhe hei-de dizer, Senhor Primeiro-Ministro, mas a minha carteira acabou de desaparecer!
E continuou: …”.
2. Esta “estória” é elucidativa do sentido do humor de que falo, não é? Depois de escutá-la, quem não comungando da mesma idiossincrasia colectiva seria capaz de suspeitar que o PS foi ainda há poucas semanas o partido mais votado pelos eleitores nacionais? Concordo que a circunstância de o cidadão eleitor se confrontar com a alternativa de votar numa avozinha sem graça e sem sentido de humor também ajudou, mas que é preciso ser muito masoquista para rir com desgraça tamanha lá isso é.
3. É essa mesma peculiaridade de que vos falo que faz com que a comunicação social se refira a Teixeira dos Santos como constituindo um dos maiores “esteios” do governo em funções depois de não há muitos meses ter sido classificado pelo jornal “Finantial Times”, segundo creio, como um dos piores ministros das Finanças da União Europeia, e o pior da Zona Euro. Vale aqui o carácter independente da avaliação, porque se se fosse a atender aos 4 anos de discurso da tanga do dito e ao respectivo contributo para que a economia portuguesa mantivesse o rumo que lhe vinha de trás, desde os anos iniciais da década, de inquestionável anemia e ausência de orientação, a classificação do dito ministro só poderia ser bem pior; porventura, 69 lugares mais abaixo. Os portugueses são gente piedosa, entretanto, e dotada de um peculiar sentido de humor.
4. E já que falo de sentido de humor, deixem que vos conte uma “estória” que me chegou por via electrónica nos últimos dias e que fala de carteiristas. É assim:
“… Reconhecendo a sua carteira, o empresário comenta:
- Espero não ter causado nenhum problema pessoal entre o Senhor Primeiro-Ministro e o Dr. Armando Vara.
Ao que José Sócrates responde:
- Não se preocupe! Ele nem percebeu!...”
J. C.
sexta-feira, novembro 13, 2009
Mimo
Primeira tentativa: aproximo-me (dá-me um beijo!) e pouso a cabeça no teu ombro. Contorno os teus traços com uma mão, desviando com a outra o cabelo do teu pescoço. Beijo-o carinhosamente enquanto forço os teus lábios na minha direcção.
Não resulta. Para onde fugiste que não te consigo alcançar?! Não será por isso que desisto.
Segunda tentativa: encosto a minha face à tua. Sem abrir os olhos, dou-te um primeiro beijo na cara. O frio do meu nariz faz-te arrepiar. Mas o cristal dos teus olhos mantêm-se espelhando o meu olhar... (abraça-me!)
Terceira tentativa: sem desistir, interpelo-te pelo toque que me anuncia: sou eu e quero-te. Devagar, desço o meu dedo com um leve acarinhar na cana do teu nariz. Volto a aproximar os meus lábios de ti para um leve beijo na testa.
Tu acordas. Abres os teus olhos perfeitos - Que se passa?
- Nada meu amor, é só um mimo!
quinta-feira, novembro 12, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
Numa escala
quanto te assustaria
se te escrevesse um poema?
Achar-me-ias tolo?
Ver-me-ias como obsessivo
ou chamar-me-ias “poeta”?
Numa escala de zero a vinte,
quanto te afastarias
se te escrevesse um romance?
Incomodar-te-iam os meus mimos?
Ser-te-ia pesada a minha presença
ou acharias “romântico”?
Numa escala só tua,
quanto te intimida o meu contacto físico?
E quanto temes um beijo meu?
José Pedro Cadima
segunda-feira, novembro 09, 2009
Compreensão
pela simples repreensão dos meus actos.
A culpa que me é atribuída
envergonha-me.
Dá-me o desconforto de me olhar ao espelho
e não encontrar o que queria.
Sinto a dificuldade de deixar fluir os meus sentimentos
e, simultaneamente, alcançar a perfeição.
Nessa escolha,
vejo dois caminhos para a felicidade,
sem que compreenda
se realmente, nalgum momento,
serei capaz de olhar no espelho alguém feliz.
Desculpar-me pelo que sinto
não seria mais que cobardia.
Não posso moldar-me ao teu desejo
quando não existe compreensão na alma.
José Pedro Cadima
domingo, novembro 08, 2009
Pergunto e não encontro resposta
pergunto ao silêncio que me rodeia,
pergunto aos meus pensamentos que se atropelam
de tão velozes correrem,
porquê? Porquê? Porquê?
E como resposta recebo
o silvo do vento que corre,
o alvoroço do silêncio que me envolve,
um atropelo maior dos meus pensamentos.
De tão perto que quase lhe toco,
chega-me a tua angústia,
a tua dúvida de ser correspondida
num amor que te apanhou de surpresa,
mesmo se a tua surpresa
acabou por não exceder a minha.
Que fazer com esse amor?
Que fazer com este silêncio
que tantas vezes me acalma
e noutras se me oferece tão violento?
Pergunto ao vento que passa,
porquê? Porquê? Porquê?
E o vento não me dá resposta.
E o vento não me traz de volta
o amor sereno com que sonhei.
E o vento não te traz de volta para mim.
José Cadima
sexta-feira, novembro 06, 2009
O medo do desespero
e com ela afasta-se a sobriedade
de pensamentos.
O desespero
possui uma certa magia,
mas é como a água:
dela ninguém respira.
O que mete medo
é vir a sonhar com ele.
Será que serei eu quem sonha
ou será ele a sonhar comigo?
E quando me vir no sonho,
o desespero fugirá?
Sentirá o medo
que eu sinto dele?
José Pedro Cadima
quarta-feira, novembro 04, 2009
Dificuldade
que o poeta deseja sentir
é paixão.
O amor controla-se,
mas a paixão
queima até a ponta da caneta.
A última coisa
que o poeta deseja
é ser como pedra de calçada
em pleno inverno.
A última coisa
que o poeta deseja …
José Pedro Cadima
terça-feira, novembro 03, 2009
O bêbado telepata
um bêbado, aproximando-se, anuncia:
"A ela vou transmitir
pela minha boca os teus pensamentos".
Foi então que o bêbado
revelou mesmo o poder da telepatia:
com maior coragem que a minha,
declamou, com rigor e fluidez,
palavras que gostaria de te dizer.
O poema saía numa voz de experiência feita,
com um encadear de palavras quase perfeito.
E eu que nem sóbrio e apaixonado
passá-las da mente para a minha boca consigo.
José Pedro Cadima
sábado, outubro 31, 2009
Ingénuo
Reparo, em especial,
naquilo que não posso compreender
mas julgo entender o que é,
como funciona.
Mas sou ingénuo:
colocado que estou
do lado de fora da caixa,
ignoro por completo
a sua dimensão interior,
quer dizer,
a razão de ser das coisas.
José Pedro Cadima
quarta-feira, outubro 28, 2009
Demónio vazio
vazio,
retirada que me foi a alma
por uma queda dada de uma altura
que só de nela pensar já assusta.
Estou, assim, sem espaço
para sentir aquele sofrimento miúdo
que me podia despertar para a vida.
José Pedro Cadima
segunda-feira, outubro 26, 2009
Existência
que estou aqui e respiro.
Ela responde-me
que não sou ninguém.
Digo-lhe que em frente
sempre tenho caminho.
Ela diz-me que coragem
me falta para o percorrer.
- Pois então irei conquistá-la!
A existência admite:
- Pois, não tens nada a perder.
José Pedro Cadima
sábado, outubro 24, 2009
O silêncio
O silêncio pode marcar-nos
O silêncio pode deixar-nos confusos
O teu silêncio é atraente
Quando me beijas
Quando me seguras na mão
Quando me tocas
Mas o teu silêncio
Não me diz para onde queres ir
Não me diz que caminho queres trilhar
Gosto e não gosto do teu silêncio
Quando deixarás de ser tão silencioso?...
C.P.
quinta-feira, outubro 22, 2009
Andar
Um passo para a frente,
dois passos para trás.
O cansaço é uma constante,
sempre a baralhar-me o dia-a-dia,
distanciando-me de ser livre,
afastando-me do ser.
Cinquenta para a frente,
mil para trás,
maldita a hora em que comecei a andar!
José Pedro Cadima
Louco
Encontro-me perdido em Madrid
por alguém
que só por mero acaso conheci.
Não é normal
sentir este desejo:
querer agarrar-te pela cintura;
querer sentir-te contra mim...
Não me imaginava
a sentir nada disto.
Nem preparado vim:
deixei a coragem em casa.
José Pedro Cadima
terça-feira, outubro 20, 2009
A hell of a night
we do friends stuff.
When I was with my girlfriend,
we did relation stuff.
When I’m with you,
we don’t do nothing amazing:
we don’t fuck;
we don’t make love;
we just talk or dance.
But it’s always
a hell of a night!
José Pedro Cadima
domingo, outubro 18, 2009
O rosário e o santinho
José Cadima
sábado, outubro 17, 2009
Equivalência/Equilíbrio
A equivalência existe
e não se pode ter tudo.
É a justiça,
macabra, mas é.
Era viver para ti
ou viver por mim.
Ter memórias contigo
ou ter memórias próprias.
Atingir o caos
que é viver
ou saborear a paz
que é a inércia.
ou não fazer nada e ser feliz.
Ambas, presas a mim mesmo,
uma com vontade,
outra sem vontade.
Mas, com ou sem vontade,
há a equivalência da paz e do caos
e, no fundo, é só isso que eu sou.
José Pedro Cadima
sexta-feira, outubro 16, 2009
Quando a realidade ainda é capaz de surpreender
2. Falando-se do deitar por terra de “dinossauros”, o contraponto a Barcelos esteve num seu município vizinho, onde porventura a falta de uma barba de tonalidade branca poderá ter feito alguma diferença. As más companhias de que “o candidato da oposição” se rodeou também não terão ajudado muito. Permanece a esperança que a renovação dos modelos de governação e de construção de cidade não tenham que aguardar mais 4 anos. Confirma-se assim que o povo ser sereno nem sempre é uma grande virtude.
3. Um pouco mais acima, em Viana do Lima, que depois foi do Castelo (mesmo não o tendo), também houve mudança, felizmente. O que é curioso neste caso é que foi o partido do homem que estava no poder que não esteve mais para aturar as birras e o umbiguismo de quem havia colocado na Câmara Municipal há uns quantos anos. É a excepção que confirma a rega. A excepção exprimiu-se no gesto de bom-senso do partido, coisa que se sabe bem arredia da prática política das estruturas partidárias nacionais, de um modo geral.
4. Já fora do Minho, na sua fronteira sudeste, também houve novidade bastante: nada mais nada menos que a queda da Fátima de Felgueiras, especialista em sacos azuis, fugas para o Brasil e penteados armados (não confundir com armaduras). Era uma heroína “do povo”, verdadeira Maria da Fonte dos nossos tempos, armada de varapau e truques de magia. Ficou a saber-se que as heroínas também se abatem, à medida que, expostos ao sol, os sacos vão perdendo a sua tonalidade original e os penteados armados se vão desmanchando.
5. Dizem-me entretanto que a verdadeira festa está guardada para daqui a 4 anos, quando a lei do limite de mandatos começar a produzir os seus efeitos. Não sei se estarei cá para festejar, mas que gostava de festejar, gostava.
J. C.
quinta-feira, outubro 15, 2009
Os meus defeitos
que me colocaram neste pedestal,
olhando de cima o mundo.
E é dele que vos vejo a todos
aí, abaixo do que é a vida.
Pobres miseráveis
que se juntaram a Atlas!
José Pedro Cadima
quarta-feira, outubro 14, 2009
Ver-te partir
Faz-me sentir
Faz-me pensar
Faz-me calar
A vontade que eu tenho
Cada vez mais vontade
Uma vontade que não te conto
Mas que tu sentes em mim
Partes com um ar incomodado
Não sei se o entendo
Tens vontade de ficar, mas tens que partir?
Ou tens que partir, porque não queres ficar?...
C.P.
terça-feira, outubro 13, 2009
Ponderando movimentos
mas pondero o momento.
Sei o que sentes e compreendo-o.
Não faz muito tempo, sentia algo idêntico.
Por isso me demoro.
Demoro por saber que não te fará melhor
a entrada em palco
nesta história complicada.
Espécie de vidas “Shakespeareanas”,
repletas da tragédia de cada um:
tu presa numa paixão passada;
eu ponderando movimentos,
restringindo-me neste novo impulso,
abstenho-me de te dizer o quanto és especial.
José Pedro Cadima
domingo, outubro 11, 2009
Agora que a Manuela é já definitivamente passado
2. A invocação das figuras que indico terá ocorrido à mesa, no intervalo de umas provas académicas públicas em que participavam professores universitários de diversas proveniências do país, incluindo dois que terão sido alunos do Prof. Cavaco Silva na instituição em causa. O facto relevante a reter é que Cavaco Silva tinha na ocasião uma Assistente, que não era outra senão Manuela Ferreira Leite, que alguns/algumas recordarão por ter sido até há poucos dias, interinamente, presidente do PSD. E que tinha de especial nessa ocasião a dita senhora? Pois bem, segundo os dois ex-alunos do Prof. Cavaco Silva, distinguia-se por já então ser tão velha e tão feia quanto é hoje.
3. A conversa mantida à mesa, porventura estimulada pelo calor alentejano, que provocaria imensa sede, terá passado por outros temas. Um que valerá a pena invocar, igualmente, tem como protagonista um antigo reitor da Universidade da Madeira, que na altura se propunha assumir um lugar no quadro de professores catedráticos da Universidade de Évora, por transferência. No que a este tópico de conversa se oferece relevante contar é que o professor em causa estaria na cidade nesse dia, onde se deslocara para tomar posse do lugar. Essa posse acabou por não acontecer em razão de um pequeno detalhe: a oposição declarada da larga maioria dos professores da universidade da terra à decisão do reitor de atribuir o lugar da forma como se propunha fazê-lo. Supostamente, o conselho científico a quem cumpriria a decisão não havia sido consultado em devido tempo para o efeito.
4. A segunda dimensão curiosa deste episódio prendia-se com a circunstância do candidato a professor da Universidade de Évora se ter apresentado na cidade acompanhado pelo seu “lulu”. Ao que parece, era hábito daquele passear-se de cãozinho ao colo. O termo “lulu” prestava-se entretanto a outras interpretações, e daí que, na sequência do relato do caso, houvesse quem tivesse deixado escapar a dúvida se seria a cão ou a pessoa que o seu interlocutor estaria a referir-se.
5. É claro que Manuela Ferreira Leite não terá tido nada que ver com este último episódio, que porventura a deixaria chocada, mas que terá acabado por “conviver” com ele, isso terá sido um facto. Talvez daí derive a expressão popular bem conhecida “quem anda à chuva molha-se”, que só não se aplicaria aos militares, já que “chuva civil não molha militares”.
J. C.
sábado, outubro 10, 2009
Medo de ter medo
que ter medo é natural.
Basta que cruzes o teu olhar no meu
e me vejas pela transparência dos meus olhos.
Verás que não sou mais
do que o que te digo
ou do que te escrevo.
Verás que partilho
dos mesmos medos.
Madrid, 10 de Outubro
José Pedro Cadima
sexta-feira, outubro 09, 2009
Naturalmente seduzido
Disfarço o meu olhar mas continuo torcendo os olhos para contemplar esses teus lábios. A sua forma toma de surpresa a minha ilimitada imaginação, que sente desde o toque mais simples e puro até a imensidão de formas que um beijo pode tomar. De novo, estou a incomodar. Quererás realmente saber aquilo que me vai na mente? Pelas palavras que embalas na tua voz, diria que sim. Se ao menos tivesse eu voz que te conseguisse conquistar. A ser assim, diria que desejo provar o carinho que pressinto nesses olhos profundos, diria que desejo passar a ponta dos meus dedos e sentir esses teus traços, diria que estou louco por sentir o toque dos teus formosos lábios.
Gostaria de poder olhar para ti com este desejo sem que achasses que estava só a ser estranho. Porque me sinto atraído tão naturalmente como quando pousei a caneta para escrever esta confissão!
Madrid, 5 de Outubro de 2009
José Pedro Cadima
quarta-feira, outubro 07, 2009
Agora que a chuva chegou
O amor…
define-se facilmente.
É querer estar sempre contigo.
É querer partilhar muita coisa contigo.
É plantar flores e vê-las crescer estando tu a meu lado.
Pode ser uma palavra, um xi-coração
ou até um abraço muito forte,
que se dá apenas a quem queremos e desejamos.
O amor
tem sempre tempo,
se o quisermos…
Pode ser sempre,
se o desejarmos e alimentarmos.
Pode ser apenas momentos de felicidade,
mas que se eternizam.
Eu amo-te,
e sei definir o meu amor,
que não cabe nestas parcas palavras…
C.P.
terça-feira, outubro 06, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
segunda-feira, outubro 05, 2009
O amor (2)
não se define.
Pode ser um beijo,
uma palavra,
um abraço.
O amor
não tem tempo.
Pode ser num dia,
numa noite
ou - quem me dera – sempre!
José Pedro Cadima
domingo, outubro 04, 2009
Desapontamentos
Uma surpresa…ontem…
Ontem comunicaste tão bem comigo!...
Ontem entrelaçaste-te de surpresa
Ontem adormeceste-me e namoraste comigo
Ontem até a Lua decidiu ser uma surpresa!...
Ontem disseste “pronto, já passou”
Ontem senti-me ainda mais presa para minha surpresa
Ontem era quase Lua cheia
Ontem o nosso amor esteve perto da Lua
Ontem, Ontem, Ontem…
Parece que ainda estou tonta da surpresa…
Meu feiticeiro, foi tramada essa tua surpresa…
C.P.
sábado, outubro 03, 2009
Erasmus: percalços e atribulações
O plano de estudos original parece que se perdeu (o tal enviado pela
UMinho à Carlos III). Vou enviar uma cópia do original criado cá por fax ou por e-mail. O original será enviado por correio ou poderei até entregá-lo pessoalmente dentro de duas semanas.
José Pedro G. Cadima
sexta-feira, outubro 02, 2009
Misto-Vida
Quero passado e futuro.
Experimento rodopios embriagados
que atravessam o vento
e marcam as paredes.
Misto de vontade e de esforço;
misto de tinta e de sangue.
É o esforço que faço
para me erguer na escrita,
combatendo, penosamente, a preguiça.
José Pedro Cadima
