sexta-feira, junho 19, 2026

Diário de Bordo, 7 de junho de 2026

 

Sigo nesta ocasião num voo da Ryanair com destino a Estocolmo (Arlanda). Tenho a ideia que será a 5ª vez que me desloco à Suécia. Desta vez, não viajo em trabalho e, apesar de segui sozinho no banco, a minha mulher, Paula Cadima Remoaldo, segue no mesmo voo, alguns lugares maia a traz. Esta e uma das maravilhas destes voos “low cost”, em que, se queremos ter a nossa mulher sentada junto de nós, temos que pagar para isso.

Viajo há pouco mais de 2 horas e já estou saturado e desconfortável no meu banco. Por cortesia para com a minha mulher, aceitei acompanhá-la neste voo na visita que vai fazer à filha. Quis ter esse gesto para com ela, se bem que, aquando da reserva e depois, já no processo de obtenção dos “cartões de embarque”, me tenha questionado múltiplas vezes sobre se não teria sido preferível ficar em braga/Ponte de Lima, acompanhando o Fera. Sei que vai sentir muito a minha falta, e eu também vou sentir muito a falta dele e, sobretudo, preocupa-me o seu conforto. Infelizmente, ainda faltará mais de 1 hora para chegarmos ao aeroporto de destino.

À medida que o tempo passa, a viagem vai tornando-se mais penosa. E eu que, durante muitos anos, adorava viajar e fazer dessas deslocações momentos de vasão e descontração do meu quotidiano de trabalho. Como se pode hoje em dia, voando em companhias aéreas como a Ryanair, sentir conforto, descontração e ansiar a oportunidade de um próximo voo? Embora nada me tenha sido oferecido, passaram, entretanto, pelo corredor funcionários vendendo sandes e bebidas, primeiro, café, chás e outras bebidas, depois, e, num terceiro momento, bilhetes de lotaria. E eu que desejava sentir-me menos apertado e mais confortável no meu banco de avião.

Os funcionários parecem simpáticos e, obviamente, têm que fazer pela vida, mas não será excessivo pedir-lhes todos estes fretes? As pessoas acostumam-se, dir-se-á. Entretanto, eu é que sinto mais dificuldade em acostumar-me a tais modelos de viagem, tanto mais que há muitos anos que deixei de fazer viagens longas em autocarro. O comboio proporciona-me bastante mais espaço para estar e para me movimentar pelos corredores, se necessário.

Assiste-me a dúvida sobre o tipo de companheiros de viagem que tenho. Aparentemente, muitos são portugueses, jovens ou de meia-idade. Estarei entre os viajantes de mais idade. Haverá, seguramente, alguns que serão emigrantes, mas não sou capaz de discernir quais.

Há suecos a bordo e há, também, pessoas de outras nacionalidades. Duas mulheres jovens serão japonesas ou coreanas. Depois de visitarem o Porto, presumo, estarão em visita a paragens mais a norte, na Europa? Também percebi a presença de agentes comerciais na porta de embarque, ainda no aeroporto de partida. Fiquei com a ideia de que seriam representantes de alguma empresa de confeções ou de têxteis.  E os demais? Haverá muitos turistas portugueses rumando à Escandinávia?

Saí de casa, desta vez, sem grandes preocupações com o trabalho que tenho por fazer. Na verdade, procurarei que isso não acontecesse, planeando assumir as tarefas que tenho “em carteira” depois do meu retorno a Portugal. Vamos ver como as coisas correm até lá.

Enquanto tomava estes apontamentos, os funcionários de bordo tiveram a oportunidade de percorrer o corredor do avião mais uma vez “oferecendo” perfumes e outras lembranças ditas “duty free”. Algum tempo depois o comandante do avião anunciou, em bom português, que noa prestávamos para chegar. Alegra-me isso, isto é, esse foi um dos momentos mais ansiados deste voo. Ainda bem que o próximo voo é só daqui a 8 dias. Tentarei entretanto recuperar deste e preparar-me melhor para esse.

José Cadima Ribeiro


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