Domingo, Julho 19, 2009

Percorro...

Percorro o teu corpo
Deslizo os meus dedos
Um pouco por todos os cantos que encontro
Encontro as tuas mãos que me seduzem
Deslizam devagar pelo meu corpo
Como mais ninguém alguma vez o fez
Às vezes, tornam-se mais firmes
Sinal de que estás comunicando comigo
Hoje, sinto saudades das tuas mãos, da tua voz,
Até do teu olhar de menino
Sinto falta de quase tudo…

C.P.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Poemas para nada (2)

Sei que já deves estar farta
que te dedique poemas.
Sei que é inútil o meu esforço
para sensibilizar teu coração.
Mesmo assim, devo tentar,
devo mostrar-te esta força
que me impele para ti.

Se achas estranho
que te dedique estes poemas,
imagina a sensação
que será, fundado no que sinto por ti,
criá-los.

José Pedro Cadima

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Cheguei ao fim do dia bastante cansado. A noite de ontem também não foi particularmente boa. Espero sentir-me melhor amanhã.
Que me digas que não és uma fanática das noitadas ainda admito, agora dizeres-me que estás com saudades minhas depois do desgaste que foi para ti os dias que passámos juntos só pode ser por gozo. Eu já me contento que me digas que a minha companhia não foi tão penosa quanto estimavas.
Lamento não te ter levado a um sítio para dançares. Se o tivesse identificado, ter-te-ia levado, embora fosse seguro que me viesse a arrepender disso. Aí sim, terias oportunidade de me ver em agonia...
Um beijo grande,

José Cadima

Terça-feira, Julho 14, 2009

Monstros

- Monstros perseguem-me.
Vê-los? Ouve-los?
-Não?
-Mas, sente-los?
-Sinto!
Mas, diz-me:
porque te perseguem?
- Tu persegues-me.
Tu és o monstro!
Tu me falas.
Responde tu a essa pergunta.

José Pedro Cadima

Sábado, Julho 11, 2009

A meu lado

Pressinto-te
a meu lado,
sei-te a meu lado
e estranho saber-te
tão perto.
É estranha
a forma como a distância
nos torna próximos,
algumas vezes,
ontem, hoje, amanhã, talvez.
Dormes? Sonhas?
Eu também sonho, por vezes,
raramente.
Vezes há, até,
que sonho contigo, creio;
creio que sonho contigo,
digo.
Tão perto…

José Cadima

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Procura de um esconderijo

Eu esmago quando beijo;
eu enforco quando abraço;
procuro meu esconderijo,
onde me desfaço.

E à procura dele já fui longe,
para um sítio distante;
atrás dele fui longe,
não olhei para trás um instante.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 41)

Terça-feira, Julho 07, 2009

Minha Querida Cláudinha

Estas notas são tiradas do teu diário ou da tua memória, propriamente dita? Se são da tua memória, fico profundamente impressionado, não só pela memória dos detalhes como pela forma como viveste e planeaste este teu dia.
Mais uma vez, fico sem saber o que dizer-te, aparte algumas coisas que te digo algumas vezes e que tu não gostas que eu te diga. Preferia dizer-te que te acho um encanto, uma "teenager" que merece que tudo lhe corra bem, uma Cláudinha que me deixa desamparado porque nunca me ocorreu que me aparecesse pela frente a dizer-me que gosta um bocadinho de mim.
Evita atormentar-me mais. Não sei se consigo resistir. É que, por vezes, sinto-me profundamente frágil.
Quando partimos à aventura, precisamos sempre de boa sorte. Aliás, precisamos de boa sorte mesmo quando não partimos. Concluo que a tua amiga acompanhou todos os teus passos. Nem sempre isso é bom. Eu prefiro reservar essa informação para mim, a da aventura, digo.
Está a ser um dia de revelações para mim e um dia de intensas memórias para ti, deduzo. Vamos ver se o final do dia está à altura do que foi emergindo no seu decorrer. Depois de tanta expectativa ...
Um beijo muito grande,

José Cadima