quinta-feira, dezembro 31, 2009

Enfarte em pleno Natal

O Natal é um bom período de escolha para se ter um enfarte. Já repararam que os enfartes e A.V.C. aumentam em Dezembro e Janeiro? Claro que as condições climáticas são importantes, mas será que chegam para explicar a situação? Não creio…
Eu própria quase que senti um e os “outdoors” espalhados pela cidade até me ajudaram a fazer o diagnóstico, pois desde dor no peito até náuseas e dormência no braço esquerdo eu senti tudo nos dias anteriores ao Natal.
Claro que a azáfama do Natal foi a principal determinante. A correr para ali para comprar a prenda para a Helena…a correr para acoli a comprar as prendas para os filhotes… e mais para não sei onde para comprar as prendas para a Lili, a Zuzu, a Pipi e a Matri.
Tudo para que o dia 24 de Dezembro, junto do nosso marido e filhos corresse da melhor forma. Impecável, sem uma migalha no chão e dando um ar de dona-de-casa com o qual não nascemos, mas que os homens gostam sempre que vá no pacote, quando transmitem aos nossos pais que os vão aliviar do fardo.
E tudo para um momento que dura 5 minutos, o da troca de prendas. Prendas que, soube este ano, acabam, em grande parte dos casos, por serem trocadas. No dia 26 de Dezembro telefonou-me uma amiga dizendo que estava num Centro Comercial com a filha a trocar prendas e que era uma multidão de pessoas e fazer o mesmo!... Ou seja, o relógio que dei à Lili acabou por ser trocado por uma pulseira… Bem poderei estar à procura do mesmo quando estiver com ela que jamais o encontrarei… E o colar que com tanto carinho dei à Matri, será que já foi substituído?
Será o Natal um fiasco? Pensando bem, não o é. O ser humano necessita de ter momentos predestinados em que tem que ser bonzinho, pensar nos outros e dizer-lhes que gosta deles. Se calhar é o último reduto dos períodos bons.
O meu Natal foi especial este ano, pois tive maridão (que conheço há muitos anos) e filhotes que não reivindicaram muito. Até ajudaram a fazer os mexidos (que iam saindo sem sabor) e as rabanadas. O maridão, que não está habituado a estas lides, foi para a cozinha supervisionar as batatas e o bacalhau.
Que mais se pode esperar do Natal, esse período mágico que só pode ser ultrapassado pela passagem do ano?... Sim, daqui a pouco libertaremos energias quando entrarmos no novo ano, que se espera melhor do que o que está a findar.
Depende muito de nós torná-lo melhor… Um excelente 2010 e não se esqueça de se ir lembrando dos “outros” antes do próximo Natal…

Leonor

2009

2009 foi o ano
Das descobertas e aventuras
De sacho e serrote na mão
Descobri o quanto a natureza
Nos pode surpreender
E tu foste o elo de ligação

2009 foi ano
De grandes tristezas
Que consegui superar
Contigo do meu lado
Dando-me a mão
Quando muitos me empurravam
Para o fundo do poço

2009 foi o ano
Em que te conheci verdadeiramente
O ano em que desabrochaste
O ano em que te tornaste criança outra vez
O ano das grandes surpresas
O ano em que disseste que me amavas


C.P.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Balanço de um ano sem história

1. É sempre complicada a vida de um cronista, mas é-o mais em Portugal, um país em que não se passa nada: nem escutas a telefones do 1º ministro; nem fugas para a comunicação social de informação relativa a processos em segredo de justiça; nem comércio de favores na arrematação de obras públicas; nem ministros que esboçam corninhos com os dedos como resposta às “provocações” da oposição; nem casos “Freeport”; nem ministros da educação e do ensino superior que nunca se enganam e raramente têm dúvidas; nem desencontros entre o Presidente da Republica e o Governo; nem conselheiros de Estado muito sérios que acabam por demitir-se por incapacidade de sustentar a tese de que nunca tinham visto os cheques e os contratos que assinaram; nem banqueiros muito respeitáveis que fazem doações de dinheiros do banco que administram a filhos em dificuldades; nem … Em tais circunstâncias, resta ao cronista inventar os enredos que vai relatar ou fazer como as televisões e escavar em cada dia os motivos de reportagem que vão encher a hora das notícias, nem que se tenha que ir para a rua em dia de aguaceiros entrevistar o polícia do trânsito.
2. Sem histórias para relatar, como pode o cronista cumprir o ritual do balanço do ano? Diferente seria se o cronista vivesse em Itália, onde o 1º ministro, para além de televisões e de dinheiro, tem bom gosto. É verdade que houve quem não lhe gabasse o gosto, mas sabe-se como há gente invejosa em todo lado; homens e mulheres não são nisso muito diferentes, embora o sejam noutras coisas, sobretudo quando se apresentam ainda bem frescos(as). Não merecia o nosso país ter um 1º ministro assim? Claro que merecia … Um país com uma história tão grandiosa …
3. É triste, de facto, que o cronista se confronte com a realidade de um ano que não deixa que recordar. Obviamente, um cronista que se preze tem que recusar-se a admiti-lo e, à falta de objecto, resta-lhe objectar, nem que para tal tenha que presumir que, em Portugal, há árbitros que têm simpatias clubísticas que lhes vão saindo, raramente ao acaso, juntamente com o sopro do apito. Mais grave seria, todavia, que se reduzissem encargos com salários de funcionários públicos para contratar no sector privado serviços que importam em idêntico montante financeiro. Porém, sabe-se que isso não ocorre em Portugal, nem poderia alguma vez passar-se dada a pobridade de ministros e demais dignitários de Estado que, com alguma sorte, hão-de chegar a administradores de empresas públicas ou administradores de grupos privados que têm como principal cliente o Estado ou na respectiva administração gente de boas famílias, isto é, comprometida com Portugal.
4. Vergado pelo peso da evidência, na iminência de fracassar na nobre missão de elaborar o balanço de 2009, resta ao cronista equacionar se é hora de deitar a pena ao chão (neste caso, não é necessária a toalha porque a haver alguma coisa para limpar são suores frios, que usualmente correm com pouca abundância) ou se, num golpe de asa, consegue descortinar uma qualquer coligação negativa da oposição, apostada em fazer fracassar um governo que se pretende de homens bons, já que é difícil aplicar idêntico qualificativo às mulheres que circulam pelos gabinetes ministeriais. Tarde que seja para chegar a tempo com o balanço do ano, importa acreditar que a segunda opção seja materializável. Que o cronista sofre, isso não oferece dúvida!

J. C.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Vermelho-consequência

De vermelho-consequência,
cobre-se quem dá importância
à própria ilusão da imagem.

São seres marcados nas pernas
com queimaduras de cera
e com os braços cobertos
de pêlos grossos, lilases.

Confundem-se com o real!
Confundem o real.

São seres de olhos vermelho-verde,
de lábios vermelho-rosa,
de faces num tom vermelho-azul,
e sem noção da relação causa-consequência.

Confundem-se com o real!

José Pedro Cadima

domingo, dezembro 27, 2009

O preto

O preto não é uma cor.
É a ausência dela.
Mais um retrato de perfeição!

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 74)

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Sem cor

Ando vestido de um sentimento sem cor,
como se estivesse impedido de sentir.

Queria compreender o porquê
de tanta coisa que não brilha.
Queria correr em busca da perfeição
que me desse o poder de cativar.

Por trás desta máscara,
finjo todos os dias
que sou alguém com luz própria,
mas apenas reflicto o que quero ver.

Escondendo a fragilidade
daquilo que sinto,
nem arrisco denunciá-lo.
Fico-me por uma contemplação silenciosa.

José Pedro Cadima

terça-feira, dezembro 22, 2009

Noites em claro

Que faço?
Não como.
Não durmo.
Não sinto, nem sonho.

Queimo as pontas dos pés.
Rasgo as costas
numa superfície áspera.

Não vivo.
Deambulo.

E na noite,
na noite que não durmo,
mato-me;
aos poucos, é certo, mas mato-me.

Arde-me o corpo.
São ácidos do passado.
É a embriaguez do futuro.

José Pedro Cadima

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Deixo-te a indicação que não tenciono procurar ninguém para me acompanhar, a Gdansk ou num outro qualquer percurso que tenha que fazer doravante. Se não puder contar com a tua companhia, terei que fazê-los só.
Não é nada porque não tenha passado antes, com a diferença que nesta altura já aceito que assim tenha que ser."
.
José Cadima

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Tons preto e branco

O crescimento é gradual,
enquanto viver é intensidade!

Sente-se e não se entende
o porquê da música no ar!

Talvez seja só eu que entenda as coisas assim.
Vou aprendendo a abraçar as diversas almas
que me assombraram até aqui.

É dos olhos que tenho, porventura,
que, por serem tão escuros,
levam-me a que veja tudo ao som de música
e em tons preto e branco.

José Pedro Cadima

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Tu e eu

Teu contacto era tão distante;
tuas palavras, afónicas;
teu toque, inexistente…

Meu pensamento, frustrado;
minhas lágrimas, dolorosas;
meu sentimento, tristeza…

Tu e eu!

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 67)

domingo, dezembro 13, 2009

Hora da escrita

Certo dia,
comecei a escrever os meus textos
com horas de registo.
Não interessa, não importa
em que dia foi.
Não importa os dias já que são iguais,
um após outro.
Interessa-me sim a hora
porque, assim, lembrar-me-ei
aonde se situava o Sol e a Lua
no momento da escrita,
especialmente da Lua.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 89)

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Apreciação

Olho a noite e mando um beijo para o ar.
Fecho os olhos para deixar o vento acarinhar-me!
Hoje não se encontram deuses ou deusas no céu...

Vou dormir sem pesadelos
porque as nuvens se enrolam
umas nas outras com naturalidade e paz.

Lá fora cheira a frio!
- como refresco de maus momentos.
No interior cheirará a quente,
como o próprio desejo.

Aproprio-me de um sorriso
que algum deus deixou para trás.
Ninguém pode roubar
a beleza simples da noite.

José Pedro Cadima

terça-feira, dezembro 08, 2009

Vontade

Vontade é: voltar a escrever; fugir à rotina.
Desgraçadamente, vontade de escrever é coisa que não tenho. Pior: não tenho mesmo vontade de nada.
E vendo a vida correr, sobressaltado, dou um salto: tau – bato com a cabeça no céu.
De alguma forma, é como ter vontade de voar e não ter asas.
Entretanto, neste caso, isso pouco importa porque nem essa vontade me assiste.

José Pedro Cadima

sábado, dezembro 05, 2009

Erasmus Madrileño

Aos amigos que fiz na U.Carlos III

A minha escolha foi a Universidade Carlos III, em Madrid (UC3M). Sem sombra de dúvidas, uma das Universidades mais prestigiadas e internacionais que um aluno de Economia da Universidade do Minho poderia escolher para fazer um intercâmbio Erasmus.
Dia 1 de Setembro saí de Braga, que possui 176 154 habitantes, e fui para Madrid, que possui 3 232 463 (tendo a província aproximadamente 6 milhões, no seu todo)! Caminhei pelo longo aeroporto para apanhar o metro, para poder de seguida apanhar um comboio que me levaria até ao autocarro que podia apanhar para, finalmente, ir até ao local onde iria viver durante o período de estudos em Madrid.
Dias depois realizava-se o evento de boas-vindas aos alunos Erasmus. Estava muito bem organizado. Aí foram distribuídos os documentos necessários, como o guia da instituição, documentos comprovativos do estatuto académico, formulário com o plano de estudos e o cartão de estudante. Seguimos logo após para uma sala onde nos explicaram todos os serviços que tínhamos ao nosso dispor, em caso de necessidade. Foi nessa ocasião, também, que nos inscrevemos para termos aulas de espanhol e que acedemos a alguns dados sobre a Universidade.
Ao que consta, a Carlos III enviou este ano, no âmbito do programa Erasmus, 600 alunos! E, pelo tamanho do auditório, recebia pelo menos uns 300. Depois do breve momento de saudação do Reitor, subiram a palco estudantes que faziam parte da ESN (Erasmus Student Network), que nos falaram um pouco dos seus Erasmus e de tudo o que iríamos ver e fazer com eles durante o semestre todo, incluindo as festas que organizavam.
Ao sair do auditório, fizeram-nos uma visita guiada, onde ninguém queria saber o que realmente estavam a dizer porque toda a gente dava preferência a travar conhecimento com os seus novos colegas internacionais: de onde vinham; porque tinham escolhido Madrid para fazer o seu Erasmus; em que curso estavam.
No contexto do intercâmbio Erasmus, toda a gente vem com vontade de conhecer novas pessoas. Basta meter conversa para descobrirmos o quão interessante pode ser a comunidade que nos rodeia. No fim-de-semana seguinte foi organizada uma “gincana” onde percorremos a cidade, competindo em diferentes provas e, claro, conhecendo mais e mais pessoas na mesma situação.
Desde então conheci muitos alunos que assistem às aulas comigo. Por outro lado, fui sempre conhecendo novas pessoas nas festas que ocorrem em metade dos dias da semana, e até conheci outros estudantes na própria cantina da Universidade. Devo até confessar que fiz bons amigos, dalguns dos quais vou sentir a falta quando regressar a Portugal. Entretanto, para que estes laços criados não se percam com a distância, combinámos já coisas para depois do términos do nosso programa Erasmus.

Aqui estão algumas ideias sobre aquilo que eu considero importante para quem está a pensar participar no programa Erasmus:
i) é importante escolher um sítio que nos fascine minimamente, isto é, que queiramos conhecer, para além de querer aprender a língua local;
ii) o grau de reconhecimento internacional da Universidade é igualmente de levar em linha de conta, porque há que lembrar que o período de estudos Erasmus faz parte do nosso plano de estudos e é preferível usar esta oportunidade para aprender com alguns dos maiores especialistas da área; faço notar que isso também terá peso no nosso curriculum;
iii) há que escolher uma cidade com alguma dimensão internacional, já que temos de aproveitar para conhecer uma quantidade vasta de culturas e pessoas com as mais variadas vivências;
iv) para enfrentar os desafios que nos coloca o programa Erasmus, é preciso sempre ter algum espírito aventureiro e ser sociável; isto vai permitir conhecer muita gente interessante, fazer amigos, ter experiências totalmente novas, propiciar diversão quanto baste e aprender alguma coisa!

José Pedro G. Cadima

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Voando sobre um ninho de "locos"

"Volando in Iberia se pude disfrutar de...". Ainda parece que ouço a gravação da senhorita da Iberia tentando convencer-me de que voar "pude ser un placer"...
Já vai longe o tempo em que as viagens de avião eram sonhadas com algumas semanas de antecedência. Já vai longe o tempo em que a experiência de voar era excitante. Até o check-in se fazia de forma pausada e descontraída.
O que vos vou contar a seguir é, no mínimo, surrealista. E estou vivendo-o neste preciso momento. Estou fazendo uma viagem de avião de mais de 12 horas de voo no total. Primeiro reservaram-me uma belíssima surpresa quando ia embarcar de regresso a Portugal e, julgava eu, regressar para a minha adorável casinha. Depois de 3 horas na bicha para o check-in e de 5 horas sem comer, eis que fico a saber que sou a feliz contemplada com 600 euros, porque já não havia lugar no avião para mim. Não sei como reagirá uma mulher obesa a tamanha afirmação...
Eu, apenas perguntei como era possível saberem que havia peso a mais no avião! Responderam-me que os americanos levavam muita bagagem de regresso. Claro que era um dos muitos truques usados para não proferir a palavra "overbooking", tão em moda na actualidade e que revela uma dedicação muito sentimental da companhia aérea para com os passageiros...
Hoje, ao embarcar, depois de ter insistido que era umas das do "delay" de ontem, acabou ocorrendo o mesmo com vários outros estrangeiros. Um grupo de 27 franceses tinha sido separado, tendo ficado 10 deles em terra. Mais outro overbooking, mas desta vez fiquei sem saber se o problema seria do "peso" do avião. Engraçado foi ir de volta para o
mesmo hotel (a 20m do aeroporto) e ver as mesmas caras de 3 horas antes, desta vez, surpreendidas com o meu regresso.
O bónus foi de uma dormida, um pequeno-almoço e um almoço, pois voo só no dia seguinte, dali a 24 horas de distância.
São 22h30m do dia seguinte e depois de ter comido um requintado jantar a bordo, igual ao habitual (juro que já começo a ter um fetiche por estas comidas a bordo), eis que sou brindada com um ressonar, no quadrante sudoeste, que sei que me vai acompanhar até Madrid.
Olhando para o homem, juro que me apetece meter-lhe uma rolha naquela boca aberta, que vai manter desperta grande parte da gente que vai a bordo. Depois são as interessantes bichas para a casa-de-banho, pois ninguém quer fazer chichi nas calças em pleno voo e durante a noite.
Algum tempo após reparo nalgumas jovens alemãs, de pés ao alto e deslindo alguns olhares masculinos fixados nos pés descalços das mesmas. Até às 23h30m ainda achei graça a tanto entusiasmo, mal eu sabia do martírio a que estaria sujeita. Até às 3 e trinta da manhã passaram o tempo rindo, falando e andando… Depois de um “Shuuuu” que não deu resultado, eis que ganho coragem e vou ter com elas e, em tom ameaçador, digo-lhes para se calarem. Deu resultado, mas mal eu sabia que dali a 25m as hospedeiras iriam ligar as luzes, na sua maior intensidade, e perguntar-me que pequeno-almoço desejava. Dali a 1h30m chegaríamos a Madrid e teríamos que adiantar os relógios 7 horas. Que dizer? Nada, infelizmente não havia nada a fazer!... São os tempos pós-modernos que temos! As cobiças dos que vivem nos países menos desenvolvidos. "Carai", que também quero ser menos desenvolvida!...

Leonor

segunda-feira, novembro 30, 2009

Introspecções…

Para nossa defesa, devemos evitar compromissos emocionais "excessivos", isto é, que nos esgotem e que tomemos como insubstituíveis (para mais, em certos contextos de definição de vida). Isso não impede que tenhamos uma vida afectiva satisfatória e procuremos alcançar "a nossa felicidade".
Entre sermos nós, autênticos, com as nossas qualidades e defeitos, ou sermos outros, para consumo externo, para sermos "agradáveis" e convenientes com terceiros, prefiro a primeira opção, sob pena de nos sentirmos insatisfeitos connosco, o que resulta na maior das amarguras que se pode enfrentar. Sendo assim, importa apenas que estejamos atentos à sensibilidade dos nossos interlocutores, sem deixar de sermos nós, o que é um exercício muito difícil.

José Cadima

domingo, novembro 29, 2009

Atitudes

Viste em mim a protecção
com que cubro os meus defeitos,
a máscara que esconde quem verdadeiramente sou.
Viste a brincadeira que faço das coisas mais sérias
e me abstrai das muitas coisas que me magoam.

Porque faço de mim um ser descontraído
quando até no coração sinto um aperto?
Porque mostro tanta felicidade
mesmo quando estou deveras preocupado?

A resposta não me vem da mente
nem do coração.
É como um medo instintivo que não controlo.

Quero dizer coisas que não digo.
Quero não deixar transparecer impulsos que não controlo.
Quero alimentar impulsos que me protejam.

Ando a proteger-me de quê?
Do mundo? De ti? De mim?

José Pedro Cadima

sexta-feira, novembro 27, 2009

Já valeu a pena

Fecho os meus olhos
E procuro os teus
Sinto-os no olhar de menino
Ainda tão presente em mim
Já valeu a pena
Sentir esse olhar
E olhá-lo com alegria
Já valeu a pena
Sentir as tuas mãos
Cada vez mais ousadas
Alimentando-se do meu corpo
Resgatando-o só para ti
Já valeu a pena
Cobrires-me de beijos
Sentir-me amada assim
A vida vale a pena
É pena é que tenha um fim
Saberia condimentá-la
Saberia conduzi-la
Até ao teu amor sem fim
Que tanto vale a pena...

C.P.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Será já amanhã!

Pergunto ao vento que passa,
pergunto ao silêncio que me rodeia,
por onde andas tu
que não te enchergo.
E o vento diz-me
que andas longe,
longe dos meus braços,
muito para lá da urgência
que tenho de te apertar contra o meu peito.
Escutando o silvo do vento que corre,
vem-me à lembrança
a tristeza do teu rosto
no instante do adeus,
que não era maior que a minha,
que talvez se sugerisse melhor escondida.
São as voltas das nossas vidas,
que nos juntam
mas também nos apartam, por vezes,
muitas vezes, mesmo quando achamos
que não é tempo de partir.
Fica-nos a esperança do regresso.
Fica-nos a ânsia de um abraço
e, sobretudo, dos teus abraços.
Será amanhã, meu amor,
já amanhã!

José Cadima

quarta-feira, novembro 25, 2009

Amo!

Adoro; adoro; adoro.
Amo!
E de repente todo o sangue,
todas as lágrimas
formam lindos rios
de palavras e frases
que até então eu não conhecia.

Os mortos já não andam...
Pelo menos, os mortos com coração,
pois sem coração todos andam,
até mesmo os mortos.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 51)

terça-feira, novembro 24, 2009

Naturalmente Seduzido (2)

Posso não parecer estar de joelhos na tua presença, mas estou!
O que tu vês é a imagem de alguém que não sou eu. Trata-se de uma máscara que criei e que nem aos que me estão próximos lhes permite entender o meu verdadeiro estado de espírito.
Sou capaz de tudo, a fingir, até que suporto a tua presença sem te desejar!
Vagueio com os olhos pelo espaço que me rodeia, tentando não me focar em ti, tentando não me relembrar do quanto gostava de contemplar os teus traços, os traços pelos quais realmente me tinha apaixonado e que nunca ousei confessar-te.
Perco-me nas palavras. Vou por caminhos que não existem. Tudo para não te dizer o que realmente quero dizer. Busco tema após tema. Finjo-me superior; finjo-me especial. É do nervosismo que me incutes.
Sou incapaz de te magoar. De ti, vinha-me uma paz que me deixava confortável. Porque achas que me conseguia manter calado e carinhoso quando estava na tua presença? Bastava-me um leve mimo teu para me dar conforto num mundo que eu encontro hostil e de que preciso proteger-me.
Afasto também da minha memória o sentimento que nutrias por mim.
.
José Pedro Cadima

domingo, novembro 22, 2009

sexta-feira, novembro 20, 2009

Manual do Doentio

Até que ponto pode ser-se doentio?
É cera quente que se deixa cair de velas acesas. São chapadas dadas na pele tenra. São as nódoas negras de socos nas costas. São marcas de cordas com que se envolvem os pulsos. Acresce o sangue que escorre de lábios mordidos, de agulhas espetadas nas solas dos pés. Soma-se, ainda, as coxas pisadas por joelhos de outros ou a água gelada vertida nos órgãos sexuais, capaz de levar às lágrimas. Soma-se um sem fim de coisas, de raízes de cabelo irritadas por puxões e outros maus-tratos até às privações de oxigénio, por asfixia.
Até que ponto pode ser-se…

José Pedro Cadima

quarta-feira, novembro 18, 2009

Novas de Madrid que não falam de Cristiano Ronaldo

Olá,
Vou fazer uma viagem a Praga aproveitando um feriado de 2 dias que vai haver aqui em Espanha. No período de 2 a 8 de Dezembro, irei visitar uma amiga que está lá no programa Erasmus. Os gastos em que incorrerei serão mínimos.
Eu tenho 6 dias de fim-de-semana nessa semana! Nunca tenho aulas nas quintas e sextas. No sábado e domingo também não, e depois vêm os tais dois dias de feriado!
Vou praticamente a todas as aulas. Raras vezes falto.
Um abraço,

José Pedro G. Cadima

terça-feira, novembro 17, 2009

Adoro a chuva

Adoro a chuva.
Adoro escutar o som do metal
matraqueado pela água que cai.

Nestas semanas depressivas,
chorar acaba por trazer-me alívio;
chorar permite-me atirar para poças de água turva
os sentimentos que trago enrolados em mim.
É como aquelas músicas pesadas que nos embalam
e, ao mesmo tempo, nos levam para longe do conforto.

Adoro ouvir a chuva cair.
Nessa altura, o mundo lá fora
torna-se tão real quanto a dor que suportamos.

José Pedro Cadima

sábado, novembro 14, 2009

Histórias de carteiristas

1. Com um sentido de humor que lhes é peculiar, os portugueses tentam amenizar os dias que correm fazendo humor com as próprias desgraças. A última história (estória) que me chegou fala de carteiristas; concretamente, reporta-se à visita que um empresário fez ao primeiro-ministro, acabando surpreendido pela falta da carteira depois de se ter cruzado com um amigo de José Sócrates, que o havia cumprimentado efusivamente momentos antes. Nos seus exactos termos, a “estória” é a seguinte:
“Um grande empresário português marca uma audiência com José Sócrates, na Residência Oficial do Primeiro-Ministro.
Enquanto aguarda, encontra Armando Vara que o recebe com muitos abraços.
Quando é recebido pelo Primeiro-Ministro, sente falta da carteira e resolve abordar o assunto com o PM:
- Não sei como lhe hei-de dizer, Senhor Primeiro-Ministro, mas a minha carteira acabou de desaparecer!
E continuou: …”.
2. Esta “estória” é elucidativa do sentido do humor de que falo, não é? Depois de escutá-la, quem não comungando da mesma idiossincrasia colectiva seria capaz de suspeitar que o PS foi ainda há poucas semanas o partido mais votado pelos eleitores nacionais? Concordo que a circunstância de o cidadão eleitor se confrontar com a alternativa de votar numa avozinha sem graça e sem sentido de humor também ajudou, mas que é preciso ser muito masoquista para rir com desgraça tamanha lá isso é.
3. É essa mesma peculiaridade de que vos falo que faz com que a comunicação social se refira a Teixeira dos Santos como constituindo um dos maiores “esteios” do governo em funções depois de não há muitos meses ter sido classificado pelo jornal “Finantial Times”, segundo creio, como um dos piores ministros das Finanças da União Europeia, e o pior da Zona Euro. Vale aqui o carácter independente da avaliação, porque se se fosse a atender aos 4 anos de discurso da tanga do dito e ao respectivo contributo para que a economia portuguesa mantivesse o rumo que lhe vinha de trás, desde os anos iniciais da década, de inquestionável anemia e ausência de orientação, a classificação do dito ministro só poderia ser bem pior; porventura, 69 lugares mais abaixo. Os portugueses são gente piedosa, entretanto, e dotada de um peculiar sentido de humor.
4. E já que falo de sentido de humor, deixem que vos conte uma “estória” que me chegou por via electrónica nos últimos dias e que fala de carteiristas. É assim:
“… Reconhecendo a sua carteira, o empresário comenta:
- Espero não ter causado nenhum problema pessoal entre o Senhor Primeiro-Ministro e o Dr. Armando Vara.
Ao que José Sócrates responde:
- Não se preocupe! Ele nem percebeu!...”

J. C.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Mimo

Não estás aqui! Vejo através dos teus olhos que te escondes do teu lado do Mundo. Mantenho-me a olhar-te fixamente. Não há reacção. Irei buscar-te a esse lado para que estejas comigo!

Primeira tentativa: aproximo-me (dá-me um beijo!) e pouso a cabeça no teu ombro. Contorno os teus traços com uma mão, desviando com a outra o cabelo do teu pescoço. Beijo-o carinhosamente enquanto forço os teus lábios na minha direcção.
Não resulta. Para onde fugiste que não te consigo alcançar?! Não será por isso que desisto.

Segunda tentativa: encosto a minha face à tua. Sem abrir os olhos, dou-te um primeiro beijo na cara. O frio do meu nariz faz-te arrepiar. Mas o cristal dos teus olhos mantêm-se espelhando o meu olhar... (abraça-me!)

Terceira tentativa: sem desistir, interpelo-te pelo toque que me anuncia: sou eu e quero-te. Devagar, desço o meu dedo com um leve acarinhar na cana do teu nariz. Volto a aproximar os meus lábios de ti para um leve beijo na testa.

Tu acordas. Abres os teus olhos perfeitos - Que se passa?
- Nada meu amor, é só um mimo!
.
José Pedro Cadima

quarta-feira, novembro 11, 2009

Numa escala

Numa escala de zero a dez,
quanto te assustaria
se te escrevesse um poema?

Achar-me-ias tolo?
Ver-me-ias como obsessivo
ou chamar-me-ias “poeta”?

Numa escala de zero a vinte,
quanto te afastarias
se te escrevesse um romance?

Incomodar-te-iam os meus mimos?
Ser-te-ia pesada a minha presença
ou acharias “romântico”?

Numa escala só tua,
quanto te intimida o meu contacto físico?
E quanto temes um beijo meu?

José Pedro Cadima

segunda-feira, novembro 09, 2009

Compreensão

É possível que esteja incomodado
pela simples repreensão dos meus actos.
A culpa que me é atribuída
envergonha-me.

Dá-me o desconforto de me olhar ao espelho
e não encontrar o que queria.
Sinto a dificuldade de deixar fluir os meus sentimentos
e, simultaneamente, alcançar a perfeição.

Nessa escolha,
vejo dois caminhos para a felicidade,
sem que compreenda
se realmente, nalgum momento,
serei capaz de olhar no espelho alguém feliz.

Desculpar-me pelo que sinto
não seria mais que cobardia.
Não posso moldar-me ao teu desejo
quando não existe compreensão na alma.

José Pedro Cadima

domingo, novembro 08, 2009

Pergunto e não encontro resposta

Pergunto ao vento que passa,
pergunto ao silêncio que me rodeia,
pergunto aos meus pensamentos que se atropelam
de tão velozes correrem,
porquê? Porquê? Porquê?
E como resposta recebo
o silvo do vento que corre,
o alvoroço do silêncio que me envolve,
um atropelo maior dos meus pensamentos.
De tão perto que quase lhe toco,
chega-me a tua angústia,
a tua dúvida de ser correspondida
num amor que te apanhou de surpresa,
mesmo se a tua surpresa
acabou por não exceder a minha.
Que fazer com esse amor?
Que fazer com este silêncio
que tantas vezes me acalma
e noutras se me oferece tão violento?
Pergunto ao vento que passa,
porquê? Porquê? Porquê?
E o vento não me dá resposta.
E o vento não me traz de volta
o amor sereno com que sonhei.
E o vento não te traz de volta para mim.

José Cadima

sexta-feira, novembro 06, 2009

O medo do desespero

Aproxima-se a meia-noite
e com ela afasta-se a sobriedade
de pensamentos.

O desespero
possui uma certa magia,
mas é como a água:
dela ninguém respira.

O que mete medo
é vir a sonhar com ele.
Será que serei eu quem sonha
ou será ele a sonhar comigo?

E quando me vir no sonho,
o desespero fugirá?
Sentirá o medo
que eu sinto dele?

José Pedro Cadima

quarta-feira, novembro 04, 2009

Dificuldade

A última coisa
que o poeta deseja sentir
é paixão.
O amor controla-se,
mas a paixão
queima até a ponta da caneta.

A última coisa
que o poeta deseja
é ser como pedra de calçada
em pleno inverno.

A última coisa
que o poeta deseja …

José Pedro Cadima

terça-feira, novembro 03, 2009

O bêbado telepata

Num incomum momento da noite,
um bêbado, aproximando-se, anuncia:
"A ela vou transmitir
pela minha boca os teus pensamentos".

Foi então que o bêbado
revelou mesmo o poder da telepatia:
com maior coragem que a minha,
declamou, com rigor e fluidez,
palavras que gostaria de te dizer.

O poema saía numa voz de experiência feita,
com um encadear de palavras quase perfeito.
E eu que nem sóbrio e apaixonado
passá-las da mente para a minha boca consigo.


José Pedro Cadima

sábado, outubro 31, 2009

Ingénuo

Observo aquilo que me rodeia.
Reparo, em especial,
naquilo que não posso compreender
mas julgo entender o que é,
como funciona.

Mas sou ingénuo:
colocado que estou
do lado de fora da caixa,
ignoro por completo
a sua dimensão interior,
quer dizer,
a razão de ser das coisas.

José Pedro Cadima

quarta-feira, outubro 28, 2009

Demónio vazio

Sou como que um demónio
vazio,
retirada que me foi a alma
por uma queda dada de uma altura
que só de nela pensar já assusta.

Estou, assim, sem espaço
para sentir aquele sofrimento miúdo
que me podia despertar para a vida.

José Pedro Cadima

segunda-feira, outubro 26, 2009

Existência

Comunico à existência
que estou aqui e respiro.
Ela responde-me
que não sou ninguém.

Digo-lhe que em frente
sempre tenho caminho.
Ela diz-me que coragem
me falta para o percorrer.

- Pois então irei conquistá-la!
A existência admite:
- Pois, não tens nada a perder.

José Pedro Cadima

sábado, outubro 24, 2009

O silêncio

O silêncio pode ter um poder demolidor
O silêncio pode marcar-nos
O silêncio pode deixar-nos confusos

O teu silêncio é atraente
Quando me beijas
Quando me seguras na mão
Quando me tocas

Mas o teu silêncio
Não me diz para onde queres ir
Não me diz que caminho queres trilhar

Gosto e não gosto do teu silêncio
Quando deixarás de ser tão silencioso?...

C.P.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Andar

Um passo para a frente,
dois passos para trás.

O cansaço é uma constante,
sempre a baralhar-me o dia-a-dia,
distanciando-me de ser livre,
afastando-me do ser.

Cinquenta para a frente,
mil para trás,
maldita a hora em que comecei a andar!

José Pedro Cadima

Louco

Estou louco!
Encontro-me perdido em Madrid
por alguém
que só por mero acaso conheci.

Não é normal
sentir este desejo:
querer agarrar-te pela cintura;
querer sentir-te contra mim...

Não me imaginava
a sentir nada disto.
Nem preparado vim:
deixei a coragem em casa.

José Pedro Cadima

terça-feira, outubro 20, 2009

A hell of a night

When I’m with my friends,
we do friends stuff.
When I was with my girlfriend,
we did relation stuff.

When I’m with you,
we don’t do nothing amazing:
we don’t fuck;
we don’t make love;
we just talk or dance.
But it’s always
a hell of a night!

José Pedro Cadima

domingo, outubro 18, 2009

O rosário e o santinho

“Não te preocupes mais com o rosário e com o santinho. Nesta altura não sou capaz de dar nada por muito certo.”

José Cadima

sábado, outubro 17, 2009

Equivalência/Equilíbrio

É o ying e o yang.
A equivalência existe
e não se pode ter tudo.
É a justiça,
macabra, mas é.

Era viver para ti
ou viver por mim.
Ter memórias contigo
ou ter memórias próprias.

Atingir o caos
que é viver
ou saborear a paz
que é a inércia.

É fazer tudo para ser feliz
ou não fazer nada e ser feliz.

Ambas, presas a mim mesmo,
uma com vontade,
outra sem vontade.

Mas, com ou sem vontade,
há a equivalência da paz e do caos
e, no fundo, é só isso que eu sou.


José Pedro Cadima

sexta-feira, outubro 16, 2009

Quando a realidade ainda é capaz de surpreender

1. Contrariando as expectativas, nem tudo foi mau nas eleições autárquicas do passado fim-de-semana. A melhor notícia surgida no Minho foi a queda de Fernando Reis, no poleiro, em Barcelos, há largos anos, com evidente prejuízo para o desenvolvimento do município que era suposto gerir. De Terras de Bouro e de Vieira do Minho, em particular, também veio indicação clara de que as rezas não bastam já para animar o povo.
2. Falando-se do deitar por terra de “dinossauros”, o contraponto a Barcelos esteve num seu município vizinho, onde porventura a falta de uma barba de tonalidade branca poderá ter feito alguma diferença. As más companhias de que “o candidato da oposição” se rodeou também não terão ajudado muito. Permanece a esperança que a renovação dos modelos de governação e de construção de cidade não tenham que aguardar mais 4 anos. Confirma-se assim que o povo ser sereno nem sempre é uma grande virtude.
3. Um pouco mais acima, em Viana do Lima, que depois foi do Castelo (mesmo não o tendo), também houve mudança, felizmente. O que é curioso neste caso é que foi o partido do homem que estava no poder que não esteve mais para aturar as birras e o umbiguismo de quem havia colocado na Câmara Municipal há uns quantos anos. É a excepção que confirma a rega. A excepção exprimiu-se no gesto de bom-senso do partido, coisa que se sabe bem arredia da prática política das estruturas partidárias nacionais, de um modo geral.
4. Já fora do Minho, na sua fronteira sudeste, também houve novidade bastante: nada mais nada menos que a queda da Fátima de Felgueiras, especialista em sacos azuis, fugas para o Brasil e penteados armados (não confundir com armaduras). Era uma heroína “do povo”, verdadeira Maria da Fonte dos nossos tempos, armada de varapau e truques de magia. Ficou a saber-se que as heroínas também se abatem, à medida que, expostos ao sol, os sacos vão perdendo a sua tonalidade original e os penteados armados se vão desmanchando.
5. Dizem-me entretanto que a verdadeira festa está guardada para daqui a 4 anos, quando a lei do limite de mandatos começar a produzir os seus efeitos. Não sei se estarei cá para festejar, mas que gostava de festejar, gostava.

J. C.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Os meus defeitos

E foram todos os meus defeitos
que me colocaram neste pedestal,
olhando de cima o mundo.

E é dele que vos vejo a todos
aí, abaixo do que é a vida.
Pobres miseráveis
que se juntaram a Atlas!

José Pedro Cadima

quarta-feira, outubro 14, 2009

Ver-te partir

Ver-te partir
Faz-me sentir
Faz-me pensar
Faz-me calar
A vontade que eu tenho
Cada vez mais vontade
Uma vontade que não te conto
Mas que tu sentes em mim

Partes com um ar incomodado
Não sei se o entendo
Tens vontade de ficar, mas tens que partir?
Ou tens que partir, porque não queres ficar?...

C.P.

terça-feira, outubro 13, 2009

Ponderando movimentos

Movo-me por impulsos,
mas pondero o momento.
Sei o que sentes e compreendo-o.
Não faz muito tempo, sentia algo idêntico.

Por isso me demoro.
Demoro por saber que não te fará melhor
a entrada em palco
nesta história complicada.

Espécie de vidas “Shakespeareanas”,
repletas da tragédia de cada um:
tu presa numa paixão passada;
eu ponderando movimentos,
restringindo-me neste novo impulso,
abstenho-me de te dizer o quanto és especial.

José Pedro Cadima

domingo, outubro 11, 2009

Agora que a Manuela é já definitivamente passado

1. Um amigo que é frequentador habitual do meio académico, por sinal amigo também de um dos editores deste jornal de parede, contou-me há algum tempo um episódio que não resisto a lembrar aqui. Faço-o só nesta altura porque se o tivesse feito antes corria o risco que me chamassem faccioso ou mal-intencionado, o que os meus/minhas caros(as) leitores(as) sabem que não sou nem um bocadinho. O episódio invoca as personagens de Manuela Ferreira Leite e do nosso muito estimado Prof. Aníbal Cavaco Silva, no tempo em que era mesmo professor, no Instituto Superior de Economia e Gestão (designação actual) da Universidade Técnica de Lisboa.
2. A invocação das figuras que indico terá ocorrido à mesa, no intervalo de umas provas académicas públicas em que participavam professores universitários de diversas proveniências do país, incluindo dois que terão sido alunos do Prof. Cavaco Silva na instituição em causa. O facto relevante a reter é que Cavaco Silva tinha na ocasião uma Assistente, que não era outra senão Manuela Ferreira Leite, que alguns/algumas recordarão por ter sido até há poucos dias, interinamente, presidente do PSD. E que tinha de especial nessa ocasião a dita senhora? Pois bem, segundo os dois ex-alunos do Prof. Cavaco Silva, distinguia-se por já então ser tão velha e tão feia quanto é hoje.
3. A conversa mantida à mesa, porventura estimulada pelo calor alentejano, que provocaria imensa sede, terá passado por outros temas. Um que valerá a pena invocar, igualmente, tem como protagonista um antigo reitor da Universidade da Madeira, que na altura se propunha assumir um lugar no quadro de professores catedráticos da Universidade de Évora, por transferência. No que a este tópico de conversa se oferece relevante contar é que o professor em causa estaria na cidade nesse dia, onde se deslocara para tomar posse do lugar. Essa posse acabou por não acontecer em razão de um pequeno detalhe: a oposição declarada da larga maioria dos professores da universidade da terra à decisão do reitor de atribuir o lugar da forma como se propunha fazê-lo. Supostamente, o conselho científico a quem cumpriria a decisão não havia sido consultado em devido tempo para o efeito.
4. A segunda dimensão curiosa deste episódio prendia-se com a circunstância do candidato a professor da Universidade de Évora se ter apresentado na cidade acompanhado pelo seu “lulu”. Ao que parece, era hábito daquele passear-se de cãozinho ao colo. O termo “lulu” prestava-se entretanto a outras interpretações, e daí que, na sequência do relato do caso, houvesse quem tivesse deixado escapar a dúvida se seria a cão ou a pessoa que o seu interlocutor estaria a referir-se.
5. É claro que Manuela Ferreira Leite não terá tido nada que ver com este último episódio, que porventura a deixaria chocada, mas que terá acabado por “conviver” com ele, isso terá sido um facto. Talvez daí derive a expressão popular bem conhecida “quem anda à chuva molha-se”, que só não se aplicaria aos militares, já que “chuva civil não molha militares”.

J. C.

sábado, outubro 10, 2009

Medo de ter medo

Não tenhas medo de ter medo
que ter medo é natural.

Basta que cruzes o teu olhar no meu
e me vejas pela transparência dos meus olhos.

Verás que não sou mais
do que o que te digo
ou do que te escrevo.

Verás que partilho
dos mesmos medos.

Madrid, 10 de Outubro

José Pedro Cadima

sexta-feira, outubro 09, 2009

Naturalmente seduzido

Fixo-me nos teus olhos profundos. Consigo ver como é o carinho que tu gostas de partilhar. Ao redor, vejo os teus traços faciais, a elegância de como apelam ao toque delicado que lhes desejo dar. Tu notas o meu deslumbramento e apresentas um ar inquisitivo. Detectas o meu fascínio. Faço de parvo por te olhar assim. Na verdade, repreendes-me sem o saber e acanho o meu espírito apaixonado.
Disfarço o meu olhar mas continuo torcendo os olhos para contemplar esses teus lábios. A sua forma toma de surpresa a minha ilimitada imaginação, que sente desde o toque mais simples e puro até a imensidão de formas que um beijo pode tomar. De novo, estou a incomodar. Quererás realmente saber aquilo que me vai na mente? Pelas palavras que embalas na tua voz, diria que sim. Se ao menos tivesse eu voz que te conseguisse conquistar. A ser assim, diria que desejo provar o carinho que pressinto nesses olhos profundos, diria que desejo passar a ponta dos meus dedos e sentir esses teus traços, diria que estou louco por sentir o toque dos teus formosos lábios.
Gostaria de poder olhar para ti com este desejo sem que achasses que estava só a ser estranho. Porque me sinto atraído tão naturalmente como quando pousei a caneta para escrever esta confissão!

Madrid, 5 de Outubro de 2009

José Pedro Cadima

quarta-feira, outubro 07, 2009

Agora que a chuva chegou

Agora que a chuva chegou, ocorre-me lembrar Ponte de Lima e os seus plátanos frondosos. Não é o caso daquele que aparece na foto. Porventura, lá há-de chegar.

José Cadima

O amor…

O amor
define-se facilmente.
É querer estar sempre contigo.
É querer partilhar muita coisa contigo.
É plantar flores e vê-las crescer estando tu a meu lado.
Pode ser uma palavra, um xi-coração
ou até um abraço muito forte,
que se dá apenas a quem queremos e desejamos.

O amor
tem sempre tempo,
se o quisermos…
Pode ser sempre,
se o desejarmos e alimentarmos.
Pode ser apenas momentos de felicidade,
mas que se eternizam.

Eu amo-te,
e sei definir o meu amor,
que não cabe nestas parcas palavras…

C.P.

terça-feira, outubro 06, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Lamento muito se não fores capaz de perdoar-me estas faltas graves, ainda que involuntárias! Tu ajuizarás o que achares mais adequado.

José Cadima

segunda-feira, outubro 05, 2009

O amor (2)

O amor
não se define.
Pode ser um beijo,
uma palavra,
um abraço.

O amor
não tem tempo.
Pode ser num dia,
numa noite
ou - quem me dera – sempre!

José Pedro Cadima

domingo, outubro 04, 2009

Desapontamentos

Estou desapontado: as previsões do tempo prometiam chuva intensa para hoje e só vi ainda uns chuviscos ontem à noite. Para desapontamento já me bastavam os resultados das recentes eleições para o parlamento nacional.
.
J. Cadima Ribeiro

Uma surpresa…ontem…

Ontem fizeste-me uma surpresa
Ontem comunicaste tão bem comigo!...
Ontem entrelaçaste-te de surpresa
Ontem adormeceste-me e namoraste comigo
Ontem até a Lua decidiu ser uma surpresa!...
Ontem disseste “pronto, já passou”
Ontem senti-me ainda mais presa para minha surpresa
Ontem era quase Lua cheia
Ontem o nosso amor esteve perto da Lua
Ontem, Ontem, Ontem…
Parece que ainda estou tonta da surpresa…
Meu feiticeiro, foi tramada essa tua surpresa…

C.P.

sábado, outubro 03, 2009

Erasmus: percalços e atribulações


Ocorreu mais uma alteração - juro por deus que esta é a última. (Isto de participar no Programa Erasmus é de loucos).
O plano de estudos original parece que se perdeu (o tal enviado pela
UMinho à Carlos III). Vou enviar uma cópia do original criado cá por fax ou por e-mail. O original será enviado por correio ou poderei até entregá-lo pessoalmente dentro de duas semanas.

José Pedro G. Cadima

sexta-feira, outubro 02, 2009

Misto-Vida

Quero paz e caos.
Quero passado e futuro.

Experimento rodopios embriagados
que atravessam o vento
e marcam as paredes.

Misto de vontade e de esforço;
misto de tinta e de sangue.

É o esforço que faço
para me erguer na escrita,
combatendo, penosamente, a preguiça.

José Pedro Cadima

quarta-feira, setembro 30, 2009

Here you have your fucking lesson

We live in a double capital system:
the one of those who know;
the one of those who have.

You can have always both
if you study to know,
if you work to have.

The way things work is simple:
you are the one
who needs to be smart.

José Pedro Cadima

domingo, setembro 27, 2009

sexta-feira, setembro 25, 2009

Madrid: posar para a foto num ambiente de "família"


As notícias que de Leiria chegam a Madrid

Porque raio me telefonou a tua mãe? Passo a citar:
"A Rita faz anos para a semana. Como já acabou o curso, telefono-lhe a dar-lhe os parabéns e a dizer-lhe que passo a dar-te a ti a mesada dela."
Permite-me chamar a isto, o verdadeiro sentido de oportunidade ou o melhor presente de sempre.
Se bem que eu goste de receber mais dinheiro, como toda a gente, nem sei bem o que lhe responder. Nao faço ideia do valor que será, mas suponho que a tua mãe o deveria usar para ir viajar e expandir um pouco horizontes, em vez de o querer dar ao neto. Além disso, vou COMEÇAR a receber uma mesada no último ano de curso?
Vá lá, tem uma certa piada. Dado que não vejo nem o meu primo nem o meu irmão a entrar para a Universidade tão cedo, ainda ficava a receber a tal mesada o resto da minha vida.
De qualquer forma, prefiro a nota de 50 euros (ou as três de 20, como parece ter sido o caso) quando a vou visitar. É algo mais informal, algo mais "coisa de avós".
Um abraço,

José Pedro G. Cadima

quinta-feira, setembro 24, 2009

Melhor é impossível…

Toco-te
Tocaste-me
Toquei-te
Muito fundo
Cada vez mais fundo
Hoje fomos
Mais uma vez
Almas gémeas
Melhor é impossível…

C.P.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Maré

Eras a maré
contra a qual tinha que lutar.

Uma força a remar
contra os meus maiores objectivos.

E, no entanto, ali estavas,
derradeiro tormento e prémio.

Estranguladora e libertadora,
eras a minha morte criativa,
a minha paz eterna.

José Pedro Cadima

Encantos e desencantos de Madrid

Apesar de vir para Madrid ter sido a melhor decisão que eu fiz na minha vida, ter escolhido vir para a Residência deve ser realmente a pior de sempre. Se eu sair de tarde para dar uma volta pelo centro da cidade, o mais provável é depois não chegar a tempo de conseguir jantar na cantina. Tenho de me levantar ás 6h30 da manhã para assistir às aulas das 9 horas!
Estou seriamente a pensar mudar-me porque fazer 3 horas em transporte público todos os dias é impossivel. Repara, isto não é Madrid. Isto é eu viver em Valença e estudar em Braga.
Acho que nem me importo de ir viver para debaixo de uma ponte no próximo mês só para poder acordar 1 hora antes das aulas começarem e para poder estar e conviver com os meus colegas Erasmus. Isso é algo que eu não estou a fazer porque moro a 60 km do meu campus.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima

segunda-feira, setembro 21, 2009

Os "Xulos" e os narizes de Palhaço

Nesta campanha eleitoral todos os principais partidos têm investido a fundo nos outdoors, de dimensões cada vez maiores... Tão grandes que a continuar assim ainda algum dia vou a fazer uma rotunda e cai-me um em cima do carro! Já lá vai o tempo em que se viam uns quantos a colar cartazes!!! Estão fora de moda! Agora o que está a dar são as caras dos candidatos em tamanho XXL que dificilmente nos podem passar despercebidas...
Mas o que parece ser novidade, é que alguém decidiu chamar de Xulos (leia-se Tchulos) a todos os candidatos às eleições. Penso que apenas acontecerá em Braga e de certeza que foi algum(a) homem/mulher do Norte, bem intencionado(a), pois como todos sabemos a palavra correcta é "Chulos". Só alguém com a pronúncia do Norte poderia ter sentido a certeza do que estava a escrever!...
Acredito que alguns até o devem ser, não no verdadeiro sentido da palavra, mas andarão por lá perto...
Mas o que me chamou mais a atenção e me parece ser mais subtil e corre menos riscos de se cometerem erros ortográficos, foi a dedicação de outro homem/mulher que resolveu decorar os narizes dos nossos políticos com a variante "Palhaço" na cidade do Porto. Provavelmente, alguém das Belas-Artes do Porto!
Na realidade o fim é o mesmo, mas menos "malcriado". Reparei que ficava muito bem o nariz de Palhaço ao Rui Rio e à Elisa Ferreira (encaixava-lhes mesmo bem, porque os cartazes eram mais pequenos), mas convenhamos, o mesmo não posso dizer do Sócrates. Depois de reflectir, percebi que o problema está no tamanhão da cara dele no outdoor e no tamanhão do respectivo nariz, facto que é incontornável. Caramba, e logo a ele que se esperava poder cair como uma luva!!Vamos esperar por domingo para ver se alguns se livram dos narizes de Palhaço... Boa sorte para todos os Palhaços!

Leonor

Madrid em imagens


domingo, setembro 20, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Também eu tenho vontade de te dar um abraço forte. Aliás, nesta altura estou a precisar muito disso."

José Cadima

Abdicar do que não temos

Amigos e todos quantos dizem que me querem bem,
olhem para mim, olhos nos olhos,
e digam-me friamente:
que querem de mim?
Digam-me o que querem que eu demonstre,
que devo fazer para ser melhor,
que querem que faça por vós.
Querem que abdique de quê?
Pois, bem me parecia…
Não posso abdicar de algo que não tenho,
algo como a felicidade.

José Pedro Cadima

sábado, setembro 19, 2009

Agora...

Cá estou por Leiria. Já fiz o que me trouxe a esta terra. A minha deslocação não era suposto ter significado especial. O único problema que tenho nesta altura é que não tenho nada mais para fazer aqui, isto é, agora resta-me aguardar pela hora de voltar a Braga.
.
José Cadima

quinta-feira, setembro 17, 2009

Fantasma

Vamos dar as mãos!
Vejo,
escondido na noite,
um fantasma
que desaparece
por baixo de candeeiros
com formas humanas.

José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 15, 2009

À chuva

Sempre a meu lado,
vais à chuva,
sempre à chuva!

E eu, pelo guarda-chuva
coberto e liberto
e, no entanto, preocupado.
Porque vais à chuva?

José Pedro Cadima

segunda-feira, setembro 14, 2009

Não sou dos que...

Não sou dos que, chegado Agosto, vai a correr fazer as malas e ruma ao Algarve. Em vez disso, aproveito para fazer as tarefas que ficaram para trás e correr menos. Assim, estou seguro de iniciar o ano funcional seguinte com a agenda em dia. Assim fazendo, liberto-me de filas de trânsito, de filas de gente nos restaurantes, de serviços de restauração de má qualidade e de muita outra confusão. Com mais tempo, posso olhar para o que vai ocorrendo e, mesmo, retornar a documentos que vou arquivando para memória futura.
.
J. Cadima Ribeiro

sábado, setembro 12, 2009

O passo seguinte

Não é por caminharmos
que se dá a nossa evolução.

É porque imaginamos
o passo seguinte.

Sentir medo
mas sentir-lhe o apelo.

Evoluímos
para poder dá-lo!

José Pedro Cadima

quarta-feira, setembro 09, 2009

Madrid: estou a gostar!

Estou a gostar imenso de Madrid.
A Carlos III é uma Universidade com 5000 alunos, mas envia como Erasmus 600 alunos e recebe pelo menos uns 300. Já conheço à volta de uns 50 e tenho convivido com alguns numa base diária.
As minhas aulas começam na segunda-feira e posso frequentar as disciplinas que desejar de forma a formar opinião sobre as mesmas.
Devido a alguns problemas na adaptação de Bolonha nesta universidade, terei de reescrever o plano de estudos. Irei marcar uma hora com a coordenadora Erasmus de Economia da Carlos III para melhor compreensão dos métodos de aprendizagem e para recolher informações sobre as cadeiras.
.
José Pedro G. Cadima

Quem era eu?

Lembraste de quem era eu?
Agora multiplica por dois
e saberás quem sou.

Vais olhar de longe
para ver um monte e um fosso,
duas vezes mais fundo,
duas vezes mais alto.

Sou duplamente livre,
com pensamento voador.
Mas sou o dobro do caos,
com chamas na água.

Possuo, em boa sorte,
dez vezes mais álcool,
quem sabe, duas vezes o vício
que representaste para mim.

José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 08, 2009

O nosso jardim

No nosso jardim
Cabem milhares de plantas
Algumas tuas primas directas
Outras encontradas por acaso
Falas com elas quase diariamente
São especiais as nossas plantas
Um loureiro que tenta fugir do sol
Um limoeiro que se aguenta firme
Um azevinho que dá luta ao sol
Uma alfazema muito viçosa...
E mais outras tantas senhoras plantas desconhecidas
Todas plantadas com o teu suor
Fazem-me reflectir
Fazem-me pensar
Nas flores espinhosas que tinha antes
Na dificuldade que tinha em vê-las crescer
O nosso jardim
Construído com amor e suor
Sabe ao melhor aroma
Sabe ao melhor cheiro
É o nosso jardim…

C. P.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Quem sou?

Em busca de tanto reconhecimento
sem nada ter feito.

Em busca de equiparação
estando já melhor.

Quero ser tanto na vida
que me esqueço quem sou.


José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 01, 2009

Madrid: chegada

Olá,
Comprei agora o cabo Ethernet e já posso estabelecer contacto por este meio.
No disco "Alternativo" do meu computador, dentro da Pasta "Escrita" ->"Poemas" -> "2009", estão os meus últimos poemas.
Procederei à criação de um blogue sem características literárias para descrever o meu percurso por Madrid.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima

O feitiço de um feiticeiro

Já me reportei recentemente, neste “Jornal de Parede”, ao efeito que os outdoors podem ter na imaginação das pessoas! E sobre a dedicação das “senhoras”ao nosso querido Sócrates!
Neste fim-de-semana constatei, para meu espanto, que a saga ainda está no início. E que promete até Outubro, até às nossas eleições!...
Não é que o outdoor que colocava o feiticeiro rodeado de jovens senhoras e outras menos jovens que mal se viam foi substituído por outro onde surge apenas o Sócrates (sempre com o e-mail para contacto, que deve deliciar qualquer senhora, mesmo as mais bem intencionadas e até alguns senhores), que quase se confunde com o Brad Pitt!... Confesso que, por momentos, fiquei desatenta da condução do veículo e que na segunda passagem até me pareceu que o homem me estava a tentar enfeitiçar, tal era o seu olhar penetrante! Não me pareceu ver as brancas no cabelo, mas os olhos de sedutor estavam lá e um sorriso que nunca lhe vi antes… Vejam lá os milagres que se conseguem fazer! E continua a dizer “Juntos vamos conseguir”, que me deixa sempre muito embaraçada!...
Quem o convenceu a parecer em tamanho XL, super retocado pelo Photoshop e com um olhar à matador, foi bem esperto(a). Será uma mulher que estará por detrás desta campanha?...
Quer queiramos ou não, o homem ficou bem na fotografia e, claro, a namorada de longa data deve andar muito apreensiva com os resultados que tal ousadia poderá vir a provocar!...

Leonor

sábado, agosto 29, 2009

Sinto-me assim (2)

Só.
Abandonado.
Amargurado.
Esmagado em tristeza,
sabendo-me não amado.
Sinto-me assim.
Só.

José Pedro Cadima

sexta-feira, agosto 28, 2009

Introspecção: notas soltas, que farão sentido ou não

O que escrevo é, muitas vezes, uma fuga à realidade, percebida a partir dessa mesma realidade complexa. Os textos que leste são, por isso, peças literárias. É a esse título que são peças públicas. Aliás, as personagens que aparecem no jornal de parede também o são, quero dizer, são personagens ficcionadas, aparte o José Pedro.
Não sou poeta. Gosto de poesia e escrevo pontualmente uns textos poéticos. O José Pedro é que, porventura, será um poeta, com todos os custos que isso tem.
Obviamente, todos cometemos erros. Há é erros que nos marcam para sempre. Eu convivo com dois ou três. Ainda agora, nestas últimas semanas, aconteceram coisas que não deviam ter acontecido. Falámos sobre algumas.
Numa coisa tens razão: a minha vida afectiva (e pessoal) tem sido um completo desastre. Nisso, os textos são boa ilustração, de uma forma ou de outra.
Como posso ser o porto de abrigo de alguém se há tantos anos vivo desabrigado. Quem julgas que sou? Alguém que sobrevive a todas as contrariedades, só, em alto mar? "O monstro também precisa de amigos!"
Se te refugiaste numa concha, eu tive que ir para o mar alto lutar, e estive quase sempre só, mesmo que, em muitas ocasiões, precisasse desesperadamente de apoio. Há muitos anos que vivo insatisfeito com a minha pessoal, como deixo dito. Cheguei aqui com muito esforço. Vou tentar seguir o meu caminho.

José Cadima

quarta-feira, agosto 26, 2009

Irra que são teimosos(as)!

1. Já há uns anos largos escrevi sobre isso mas parece que não me levam a sério: então, não é que continuam a confundir o autor destas humildes crónicas com um dos editores deste jornal de parede, tudo só porque se dá uma parecença muito parcial de assinaturas e porque, para maior coincidência, o dito faz o favor de ser meu amigo. De permeio, parece esquecido que este vosso servo anda nisto há década e meia e pela altura em que começou a publicar os seus textos no saudoso Notícias do Minho (nem sempre com grande conforto do respectivo director), a internet estava a dar os primeiros passos e não se falava de blogues, nem de “Gmails”, e muito menos de “Facebooks”, “Twitters” e quejandos. Jornais de parede havia, de facto, mas eram mesmo de parede, hoje dir-se-ia de “wall”, para os diferenciar de outras “walls”, mais conhecidas por ecrans de computador.
2. Esta coisa de nos confundirem tem, em todo o caso, vantagens e desvantagens: vantagens para o meu amigo, que percebido como “charmoso” passou a ter muito mais sorte com as “garotas”; desvantagens para mim, que o sendo de facto, conforme resulta óbvio do que deixei enunciado em crónica anterior, acabo sem os favores das queridas leitoras que tanto apreciam as minhas crónicas. Por sorte, tive a oportunidade de travar conhecimento ultimamente com uma caríssima leitora assídua, que se veio a revelar uma agradável surpresa. A princípio, suspeitei do seu empenho em esgrimir comigo razões, cara a cara. Face a tamanho empenho, imaginei-a um daqueles estafermos que se vê muito nesta altura por aí, nas praias, exibindo ousados biquínis, ou até nalguns cartazes de propaganda eleitoral. Para minha grande alegria, a caríssima leitora assídua revelou-se ser mesmo uma leitora muito interessante, tanto que até acordámos já trocar uns textos. Quero eu dizer, nem sempre as coisas são o que parecem à primeira vista.
3. Por falar em estafermos, não resisto a deixar de fazer aqui referência a um “objecto” insólito com que me deparei quando num destes dias quentes de Agosto, para desenfastiar, fui dar uma volta a pé pela Universidade do Minho, em Gualtar. Então, não é que me deparei lá com um Monstrengo, em construção adiantada. É mesmo ao Monstrengo dos Lusíadas que quero referir-me. Fiquei sem perceber o simbolismo da homenagem que seguramente se pretenderá fazer a Camões ou a alguém mais ou menos conhecido daquele, mas que apanhei um valente susto lá isso apanhei. Desta forma insólita, pude entender bem melhor o temor que os marinheiros portugueses dos Descobrimentos lhe tinham e, daí, a enorme ousadia do seu empreendimento. Bem hajam!

J. C.

Amesterdão: breve balanço de uma visita

Correu tudo bem. Realmente não deu para que trocasse mais mensagens porque o meu acesso à internet estava um bocado limitado. No entanto, isso ajudou-me a manter a distância a Braga e a tudo o que ela representa para mim.
Um Abraço,
.
José Pedro Cadima

terça-feira, agosto 25, 2009

Não sou o teu amor

Odeio-me!
Não sou o ser magnífico
que procuras.

Odeio-me!
Não sou o sonho
que buscas.

Odeio-me,
por não me amares!

José Pedro Cadima


(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 41)

domingo, agosto 23, 2009

Avançar com o PS – juntas, só nós e ele, vamos conseguir!

“Avançar Portugal” e “Juntos Conseguimos”, têm-me suscitado muito interesse. Claro que me estou a referir aos belíssimos e apelativos slogans dos outdoors que o PS tem espalhado por várias cidades de Portugal. Na de Braga, tenho que reconhecer, estão estrategicamente espalhados pela cidade! Mal viro uma esquina dou sempre de caras com um do tamanho do mundo!
São apelativos, pois ver o nosso querido Sócrates rodeado de, pelo menos, 5 mulheres (as que se conseguem contar, porque aparecem desfocadas na imagem para não ofuscarem o Mestre) é coisa muito bem preparada. É a chamada “caça ao eleitorado feminino”! As catraias e senhoras escolhidas estão muito sorridentes e todas à volta do Mestre e algumas delas até parece que estão com “um ar de malucas”, expressão que é usada frequentemente por um amigo meu, quando se quer referir às mulheres que, neste caso, esperam algo mais do Mestre do que simples promessas eleitorais e que estão prontas para soltar as garras se o Mestre assim o desejar!
O homem (o Sócrates) até está com ar um pouco tímido (só para disfarçar, porque até aparece o contacto dele logo por baixo, http://www.socrates2009.pt/, sítio onde surge muito bem retocado pelo Photoshop), mas não entendo a relação que haverá entre ele e estas mulheres e o “Avançar Portugal” ou o “Juntos conseguimos”! Será que, neste momento, depois de uns quatro anos miseráveis, cheios de arrogância e prepotência, haverá alguém que queira avançar mais com o PS?
Ainda entendo o “Juntos conseguimos”, e parece-me que o homem desta vez está a ser esperto, pois se todas as mulheres votarem naquele homem “charmoso”(?), que ainda corre e mostra as pernocas nas maratonas (eu ainda não tive oportunidade de as ver, mas parece que ainda mexem corações), deverá ter uma votação muito confortável.
É que as mulheres dificilmente votarão numa mulher e muito menos numa tão pouco interessante como a Manuela Ferreira Leite! As mulheres queixam-se muito que não as deixam chegar ao poder mas, na hora da verdade, grande parte das vezes, acabam por votar num homem, porque consideram que será mais competente. Se acrescentarmos que o homem em causa além de homem tem as pernas direitinhas e é “charmoso” (característica que eu não consigo descortinar, talvez porque não sou maluca!), o caldo está mesmo entornado para as mulheres concorrentes!

Leonor

sábado, agosto 22, 2009

O teu colinho

Ao fim de um dia esgotante
Dás-me o teu colinho
Pressiono as tuas pernas
E colo-me ao teu corpo
Sinto a tua mão deslizando nas minhas costas
E abraço-me a ti
De repente, avanço e devoro-te com beijos
Alguns que mais parecem de criança
De criança que pouco colinho teve
Mas que depressa aprendeu a querê-lo
Não te esqueças de me dar o teu colinho
Sempre ao fim de um dia
Esgotante ou não…

C.P.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Poema (2)

Não quero voltar a ler-te,
porque me fazes recordar
mágoas que calam fundo.
Tenho a opção de rasgar-te
que hesito tomar,
por seres memória
de momentos que também foram de felicidade.
Não quero mais ver-te,
nem ao longe,
senão queimo-te.
Meu nobre poema,
quão incertos são os nossos humores,
e, sobretudo, os amores.
Não te corrijo, senão perco-te.
Não volto a ler-te,
senão rasgo-te.

José Pedro Cadima

(texto de 2004, editado por José Cadima nesta data)

sábado, agosto 15, 2009

Crónicas de Maldizer: o benefício de ter uma leitora assídua (II)

Caro J.C.
Fiquei surpreendida por ter reagido ao meu comentário e muito mais por se ter sentido magoado com algumas das minhas palavras.
Claro que deveria ter dado o benefício da dúvida, relativamente ao altruismo, mas...
Mas, Altruista tem um significado muito próprio, relacionado com caridade, com a preocupação com o próximo...
É entendido como sinónimo de solidariedade e dedicação aos outros.
Ainda poderei entendê-lo, ao J.C., no domínio da solidariedade, mas no da dedicação aos outros...terei que comprovar, pois só pessoas como a Madre Teresa de Calcutá é que enveredaram por esse caminho...
Por este motivo e porque não quero de modo algum ser injusta para consigo, aceito o convite que me dirigiu para o conhecer pessoalmente. Fico dependente de um sinal seu...
Uma leitora assídua
***
Caríssima Leitora assídua,
Se era um privilégio tê-la como leitora, a minha admiração por si e o meu agradecimento saem significativamente acrescentados por se mostrar disponível para que lhe exponha pessoalmente as minhas razões. Se o exercício da escrita perde grande parte da sua razão de ser se lhe faltam os leitores, crónicas que versam a problemática complexa da sociedade actual, como as que escrevo, correm o risco de roçar a abstracção se não forem capazes de mexer com os eventuais leitores. É uma oportunidade com que não sonhava.
Interpretou que fiquei magoado consigo do que deixei dito sobre o altruísmo que me anima. Não diria tanto. Detentor de uma personalidade sensível, como terá entendido, fiquei sensibilizado, apenas. De outro modo, não faria justiça à atenção do comentário da caríssima Leitora assídua, agora reforçada com essa sua aceitação do convite que lhe fiz para que esclareçamos as nossas diferenças e, quiçá, aprofundemos eventuais comunhões de pensamento.
Sobre a Madre Teresa de Calcutá não acrescentarei nada, em respeito pela sua memória, aparte dizer-lhe que me condoía a sua fraca figura dos últimos tempos. Porventura, aquando do seu tempo de menina e moça, teria sido mais interessante. Pela irrequietude que deixa transparecer, pelo arrojo das observações que me fez chegar, estou seguro que a caríssima Leitora assídua não me desapontará também nessa dimensão. Note: não é que isso me levasse a menor abertura ao aprofundamento da nossa comunicação. Para mim, um(a) leitor(a) é um(a) leitor(a).
Como modo de agilizar o agendamento do nosso “brainstorming” (desculpe o recurso a este termo estrangeiro; falta-me nesta altura o seu correspondente em português), sugiro que me faça chegar o seu contacto pessoal para o endereço de correio electrónico de um dos editores do blogue. Dessa forma, preservamos ambos a nossa reserva, de que sou muito cioso, confesso-lhe (não gostaria de modo algum de ver cair no domínio público o meu número de telemóvel, particularmente nesta altura de agitação eleitoral; sabe-se lá se algum putativo candidato não tentaria recrutar-me para dar algum brilho à respectiva lista). Fico cheio de esperança de ter notícias suas a muito breve prazo.
Desculpar-me-á que tenha pedido aos editores deste jornal de parede para publicarem esta minha resposta ao seu comentário na página principal. Dada a respectiva extensão, involuntária, não cumpria os requisitos para aparecer como comentário, propriamente dito. Por uma questão de equidade de tratamento e de maior inteligibilidade por parte dos eventuais leitores, vi-me também na obrigação de recuperar para este mesmo espaço o comentário da minha caríssima Leitora assídua.

J. C.

Ps: não tome o que lhe digo acima como indicação de que não apreciarei a sua vinda a terreiro neste fórum, para comentar o que analiso ou outro tema de maior relevância social que deseje versar. Aliás, salvaguardei isso junto dos editores do blogue desde o primeiro momento.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Crónicas de Maldizer: o benefício de ter uma leitora

Caro J.C.
Nunca pensei que tivesse coragem para contar publicamente momentos tão íntimos da sua vida, que, pela leitura que faço, foi muito pouco interessante até há algum tempo atrás.
Muito menos o sabia altruista. A verdade é que o conheço muito mal, apenas das crónicas com que nos premeia, mas "altruismo" não parece casar com "mal dizer"! Não lhe parece?!... E altruistas há muito poucos neste mundo! Não concorda?
Quanto aos seus dotes intelectuais não dúvido nada deles. Mas quanto ao facto de se ter tornado interessante, não me poderei pronunciar, pois não é "visível" através da sua escrita, mas acredito que a escrita seja um dos seus maiores dotes e que o torna verdadeiramente interessante.
Fiquei, não obstante, admirada por ter tido (ter) interesses tão diversificados quando era mais jovem e mesmo nesta fase madura da sua vida. Não será uma mistura explosiva?! Louras, morenas e ruivas, ainda que pareça ter preferência pelas louras (louraças como as apelida).
Pois é bom que o avise que as louraças que vai vendo por aí, são falsas louras. Existem dois motivos para passarem, mais tarde ou mais cedo, a serem louraças:
1-Têm quase sempre sucesso assegurado junto dos homens, porque entre outros motivos, são a encarnação dos anjos que estão lá longe no céu;
2-Necessitam de encobrir as "brancas" que vão aparecendo um pouco por todo o cabelo e essa cor é seguramente a que melhor camufla as atrevidas "brancas".
Desculpe o meu atrevimento em lhe contar estas misérias, mas sendo eu morena por natureza, senti-me na obrigação de lhe contar!
Leitora assídua das suas crónicas
***
Comentário (breve):
i) Antes de produzir um breve comentário de reacção ao comentário da Leitora assídua das (minhas) crónicas, cumpre-me deixar-lhe um sentido agradecimento. Na verdade, poucas vezes o esforçado cronista tem o benefício de receber comentários dos seus leitores(as) ou sequer tem indicação de tê-los(as), isto é, leitores ou leitoras. Além disso, o comentário é lisongeiro para o esforçado cronista que, mesmo não sendo vaidoso, não deixa de ser sensível ao reconhecimento dos seus poucos méritos.
ii) Na componente reacção ao que a cara Leitora assídua das (minhas) crónicas releva, gostaria de lhe dizer que a minha vida sempre foi e continua a ser um livro aberto. Não é por isso grande ousadia deixar passar algum aspecto de reflexão mais intimista, aparte o facto de, tendo tão poucos(as) leitores(as), isso se oferecer mais como um desabafo para o próprio naqueles momentos pontuais que todos temos de avaliação crítica do que tem sido a nossa via. Admito que não terá dados para confirmar o meu altruísmo. Já me custa mais que deixa a pairar a dúvida sobre ter-me tornado um homem muito interessante. As minhas próprias crónicas, que teve a gentileza de vir comentar, não lhe deixam desde logo transparecer inequivocamente essa dimensão? Sei que não é revelador de humildade vir dizer uma tal coisa publicamente mas, por um lado, todos temos os nossos momentos de fraqueza e, por outro, conforme disse já, escrever neste jornal de parede é sobretudo um exercício íntimo, qual diário pessoal que nunca será publicitado. Foi ,aliás, a essa luz que aceitei o repto dos editores deste jornal de parede de, ocasionalmente, voltar a produzir umas crónicas para serem aqui publicadas.
iii) Termino, porque prometi um comentário breve, que já corre o risco de o não ser (os editores do blogue perdoar-me-ão, desta vez, a falta de parcimónia no uso do espaço): querida Leitora assídua das (minhas) crónicas - renovo agradecimentos pelo privilégio de ter um seu comentário, mesmo não me fazendo ele justiça; não quer fazer-me chegar entretanto o seu contacto pessoal? Terei todo o gosto de, em conversa pessoal, trocar consigo impressões sobre dimensões menos esclarecidas do modesto texto que teve a simpatia de comentar.
J.C.

terça-feira, agosto 11, 2009

As surpresas que nos esperam com o correr da vida

1. Descobri há poucos anos que sou um homem muito interessante, quer dizer, interessante para as mulheres, aparte todos os dotes intelectuais e o altruísmo com que a natureza me prendou, o que não me parece pretensiosismo admitir nesta hora. Os meus leitores e as minhas leitoras de crónicas passadas já sabiam destes últimos dotes mas talvez não suspeitassem do primeiro. Imaginem lá como me posso sentir eu nesta ocasião, convencido que sempre estivera de não deter atributos físicos que agarrassem as garotas por quem tanto tempo suspirei, louras, morenas, ruivas mas, sobretudo, autênticas gatas de garras afiadas. Vista a coisa agora, tenho que concluir que talvez o problema estivesse ainda assim em mim, ao não saber, digamos assim, segredar-lhes ao ouvido as palavras belas que mereciam escutar. Tenho, por outro lado, que verberar a educação que recebi, que não me preparou convenientemente para a vida, como agora sai provado, e chorar os afectos de que não beneficiei e que fizeram de mim o homem carente e triste em que me tornei, até recentemente, digo.
2. Ser um homem “charmoso”, mesmo não sendo o Cristiano Ronaldo, tem imensas coisas boas: alimenta-nos o ego, permite-nos fazer inveja a amigos, a conhecidos e a desconhecidos quando nos passeamos de louraça pela mão (com as morenas também resulta mas menos), e torna-nos muito mais queridos para outras louraças e, sobretudo, para morenas e ruivas (tanto mais quanto mais pesado tenham o respectivo rabo). Tem entretanto sérios inconvenientes, não querendo mesmo assim seguir o Cristiano Ronaldo na mania que tem de dar presentes caros às namoradas. Um dos maiores inconvenientes que venho sentindo resulta da obrigação de manter prestações impecáveis em todos os momentos, trate-se de levar o gato à rua, acompanhar as crianças ou as amigas da nossa “mais que tudo” ou fazer abdominais. É preciso também ter muito cuidado quando se bebe uma boa cerveja (e não abundam, as boas cervejas), não vá a espuma correr-nos pelo canto da boca ou, quando nos recostamos no sofá lá da casa, parecer que deixámos que se gerassem umas gorduritas na barriga. Tudo pesado, ainda assim vale a pena. Sabe bem voltar a ter um colo onde nos acolhermos.
3. Demorei um bocado a adaptar-me, isto é, a reconhecer-me no “gato” que afinal era sem disso me dar conta mas, como é sabido, é da nossa natureza ajustarmo-nos mais rapidamente às coisas boas que às menos boas. Se sempre me custou não me poder chegar às garotas que me alegravam a vista na minha passagem pelo liceu, em pouco tempo acabei por aceitar ser o alvo da cobiça de algumas delas mais sensíveis ao desgaste do tempo e das vidas menos recomendáveis porque enveredaram (professoras do ensino secundário, empregadas de escritório, donas de casa, mães de miúdos e garotas intratáveis, entre variadas profissões). Há ocasiões até em me custa já perceber como puderam aquelas minhas amigas de antanho resistir a todo o meu encanto. Vendo-as agora, no entanto, alegra-me constatar a força de vontade que me permitiu resistir aos seus cantos de sereia.

J. C.

domingo, agosto 09, 2009

Eclodir de dor (2)

Escrevo como modo de evasão;
escrevo para desabafar;
escrevo para dar notícia de protesto;
escrevo para me encontrar,
para te reencontrar, em memória fugidia.
Sim, porque o que vejo
me dá motivo que pensar,
falar, gritar,
lavrar o meu protesto,
correr ao teu encontro.
Escrevo para dizer o que sinto,
dizer a verdade ou, até, mentir,
mas, sobretudo, deixar sair tudo...
Só assim sou capaz de impedir
que a dor
ou o desejo de felicidade
ecludam dentro de mim.

José Pedro Cadima

sexta-feira, agosto 07, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Foi bom que tivesses podido ir às amoras ontem. Provavelmente, eu também estou a precisar de ir às amoras. Talvez o faça um destes dias."

José Cadima

quarta-feira, agosto 05, 2009

Ó mar salgado…(2)

Ó mar salgado
sei-te bem para lá do dobrar da rua, hoje,
mas nem por isso te pressinto longe.
Perto, perto tive-te ontem,
ao mesmo tempo salgado e doce,
como mo sugeriram os teus lábios
Ameaçado?
Ameaçado, sim, de certo modo,
por saber não serem suficientemente altas
as trincheiras que quis erguer
para me proteger
das tuas investidas
envoltas em veludo,
em abraços meigos,
em beijos que transpiram paixão.
Confesso-te: achaste-me impreparado
para uma luta
feita com tais armas.
Receio não me restar solução
outra que não seja render-me,
por mais que me custe,
por mais que, sem o querer,
querendo-o, me sinta fluir para ti.

José Cadima

segunda-feira, agosto 03, 2009

O presente que eu quero (2)

Daqui a algumas semanas faço anos
e quero um presente teu,
aquele que me negaste
no ano precedente:
sim, um, dois,
um milhão de beijos!
Se os mereço?
Pois claro que mereço:
não te dediquei eu
muitas dezenas de poemas?
Mais: para quem foi o meu pensamento
neste tempo todo de encontros
e de desencontros, também?
Será que é agora que sou capaz
de sensibilizar o teu coração,
na aparência duro como uma rocha?
Permites que alimente
essa esperança?
Permites que sonhe?
Se achas estranho
que te dedique tantos poemas,
porque não posso eu achar estranha
a tua forma de amar?

José Pedro Cadima

sábado, agosto 01, 2009

Minha Querida Cláudinha

Obrigado pelas tuas mensagens e pelo carinho com que me trataste nestes últimos dias. Fico contente com as notícias que me dás sobre as tuas coisas. Agradeço-te também, uma vez mais, a compreensão que revelaste no que respeita às minhas dificuldades. Não te peço que o sejas sempre, quero dizer, compreensiva.
Não sei quando terei condições para rever-te. Amanhã? 2ª feira? Seguramente, estarei contigo na 3ª feira pf. Dir-me-ás também que agenda tens para os dias seguintes.
Desculpa ter-te abandonado a partir de 4ª feira pf. Entendi que não podia deixar de vir a Braga. O resto não o previ.
Finalmente, agradeço as reflexões que produzistes sobre a minha vida pessoal. Num certo sentido, ajudam-me, mas não te esqueças que há coisas sobre que não gosto de falar e que saio sempre magoado dessas conversas (e normalmente não só eu).
Eu já te disse que és um amor?
Desejo-te um bom dia e um óptimo fim-de-semana.
Um beijo muito grande,

José Cadima