domingo, abril 26, 2009

“O liberalismo é o que está a dar - II”

“Falando-se de liberalismo económico, competitividade e vantagens do consumidor, sempre me ocorre o caso da banca em Portugal. Alguns de nós recordarão o fio condutor do argumento subjacente à privatização e abertura do sector à iniciativa privada: «da concorrência haveria de resultar maior eficiência e crédito mais barato».
Estranhamente, dez anos depois, assistimos à situação caricata dos ministros das finanças, ainda por cima conhecidos partidários da corrente neoclássica/liberal, surgirem a criticar o sistema bancário por praticar elevadas taxas de intermediação (quer dizer, elevadas taxas de juro activas).
Um outro exemplo, bem próximo de nós, é o da nossa querida televisão. Não serei o primeiro a afirmar a propósito que, após a entrada no sector de novos operadores, se assistiu, sucessivamente, i) à perda de pluralidade de programação e ii) à deterioração da qualidade dos programas.
Dir-se-ia mesmo que a actual programação tem como únicos destinatários os analfabetos e os atrasados mentais. Se assim é, fica-me entretanto a dúvida sobre a dimensão do mercado alvo. É que, das estatísticas oficiais, sabemos que os analfabetos são uma componente importante, ainda hoje, da população portuguesa, mas creio não existir uma avaliação rigorosa do número de atrasados mentais. É crível, no entanto, que a RTP1, a SIC e a TVI disponham dessa informação.”

J.C.

(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

1 comentário:

Anónimo disse...

Caro J.C.

Felizmente eu deixei de ver a quase totalidade dos programas televisivos, senão corria o risco de me rever nos "atrasados mentais" de que fala. Só consigo ver o programa "Não há crise" aos sábados, pois estão provados os benefícios em termos de saúde, quando nos rimos. Aconselho-o a experimentar.
Tem razão ao afirmar que assistimos à perda de pluralidade de programação televisiva e à deterioração da qualidade dos programas. E veja lá que na data em que escreveu esta crónica ainda não existiam os reality shows! Esses sim, foram desenhados para os verdadeiros atrasados mentais...
Ri-me que me fartei com a expressão "mas creio não existir uma avaliação rigorosa do número de atrasados mentais. É crível, no entanto, que a RTP1, a SIC e a TVI disponham dessa informação.” Esteve no seu melhor, J.C.