O tempo passa, as pessoas passam,
algumas em passo mais apressado, e eu vou ficando, por enquanto. Virá o meu
tempo de partir, também. Nessa altura, serão outros que, porventura, repararão
no passo que tomarei. Porventura…
Os semblantes são os mais
diversos. As silhuetas diversas são, embora de perfil predominantemente
europeu, apesar de estarmos em pleno Brasil. Quem diria?!
Não é esta a imagem que as nossas
mentes têm gravada, registada em muitos momentos de observação da televisão,
recriada pelas nossas mentes, que invocam morenas que caminham pela rua
bamboleando-se, negras de saia rodada, bailarinas em pleno sambódromo.
Entretanto, não é disso que se
preenche este aeroporto. Não são esses os sons que se escutam nem é esse o
ondular de quem passa, alguns de passo mais apressado, outros que fazem horas,
como eu.
Prefiro esta pausa à correria a
que estas viagens nos impelem, amiúde, por força de horários inter-voos
apertados ou de voos que se atrasam, o que acontece com demasiada frequência.
Prefiro esta deambulação da mente, este tempo para a deambulação mental, neste
cenário agitado, de aeroporto.
Mais tarde estarei de volta à
cidade, de retorno às rotinas de trabalho, em tempo dito de férias. Mais logo,
digo, retomarei o passo apressado que me trouxe até aqui e que não sei onde me levará,
ainda.
Na frente, o quiosque de livros e
jornais. Na frente, a “paneria” que noutros lugares seriam “lanchonete” e
noutros, ainda, pastelaria ou, quiçá, café. Por agora, olho quem passa. Por
agora, Portugal permanece distante, e longe está, até, o lugar que nesta altura
“me espera”.
O aeroporto é isso: lugar de
passagem; ponto de encontro; um intervalo nas nossas vidas, onde, nalgumas
ocasiões, encontramos tempo para olhar os transeuntes e, até, para deixar a
nossa mente deambular.
O som dos altifalantes chamando
gente para o próximo voo irrompe na sala de espera de quanto em quando. No
entretanto, permanece um ruído de fundo, construído de centenas de vozes
imperceptíveis e ruídos exteriores de máquinas em movimento.
Saído dos altifalantes, aguardo o
anúncio do nome de um lugar que me soe “familiar”. Será o meu próximo destino,
ainda longe do instante do regresso às origens.
José
Cadima
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