sábado, agosto 07, 2010

Há muitos dias à espera…(2)

Há dias
em que não te vejo.
São dias tristes.
Há dias
em que te vejo só de fugida.
São dias que valem a pena.
Há dias
em que te tenho por perto.
São dias felizes.
Há dias
em que não te beijo.
São dias de espera.

José Pedro Cadima

terça-feira, agosto 03, 2010

Caramba!

"Caramba! Adoras malucas e estão cheio(a)s de inveja!!!!", comentava-me alguém, não vai para muito tempo, confrontado(a) com as reacções que encontrou às últimas mensagens publicadas neste jornal de parede.
Mas, a ser inveja, seria inveja de quê? Afinal, trata-se de um modesto jornal de parede, este. Vaidosas são só as palmeiras apresentadas abaixo, e outras que reproduzirei em data futura.

José Cadima

quarta-feira, julho 28, 2010

A proximidade do mundo real

Queria ver-te,
na irracionalidade do ser
que sou, sem direito
de contemplação da mera imagem.

É tamanha a proximidade
que não te alcanço.

Repreendo-me de olhar
para o inalcançável.
É pena de tortura
auto-infligida.

Distancio-me do real,
para um mundo solitário.

Afasto-me alheio a quem sou,
atormentado da impotência
daquilo que sinto.

Afasto-me,
respondendo ao chamamento da arte,
lapidando o sentimento bruto.

José Pedro Cadima

Flores da Madeira: sumaúma




domingo, julho 25, 2010

2 dias, 2 anos, 20 anos

Os homens são todos iguais, dizem as mulheres.
Todos iguais, mas todos diferentes, digo eu,
que, sendo natureza, sou chuva, sou sol,
sou tempestade, sou brisa suave,
sou mar encapelado, sou…, conforme o dia.
Como eu, também cada dia é portador de singularidade,
mesmo parecendo igual a tantos outros.
Tal qual eu, assim cada dia,
sendo diferente dos demais,
também tem muito em comum com outros dias.
2 dias, 2 anos, 20 anos, sejam mais ou menos,
a vontade de prosseguir caminho
não há-de esmorecer,
como não esmoreceu o apelo que me trouxe até ti
há 2 dias, há 2 anos, há 20 anos, creio,
não estando seguro de crer bem,
mas dando por certo querer-te muito.
Dois dias, “dois anos e continuo a subir”.
“Perto do cume”, sentir-te-ás mais tu,
“mais mulher”, dizes.
Perto do cume, serei natureza mais agreste,
vento mais tumultuoso.
Perto do cume, far-te-ei rodopiar, esvoaçar,
para te deixar pousar, depois, suavemente,
nos meus lençóis feitos de neve.
A partir do cume, havemos de formar riacho,
depois rio,
para, finalmente, virarmos oceano.

K

quinta-feira, julho 22, 2010

Rachar lenha

"Quem está (de) fora racha lenha!"

(dito popular escutado no início da manhã de hoje algures, em Braga)

terça-feira, julho 20, 2010

Saudades…

Ainda há pouco partiste
e a saudade já me assiste,
insistente, penosa.
Não devia dizer-to.
Não mereces, sequer, saber-me em sofrimento.
Que dizer-te, alternativamente?
Melhor seria não dizer-te nada,
mas não sei, não o quis calar,
porque é da minha natureza
não dizer nem mais nem menos do que sinto;
e não consigo dizer algo que não sinto.
Sinto que devo brindar à vida.
Sinto que a vida faz(ia) sentido contigo.
Sinto que tu eras um desafio para mim,
algo por descobrir, algo que me desafiava
a embrenhar-me floresta adentro.
Sentia tanto…
que, nalgumas ocasiões, mais parecia um explorador
de novos mundos.
Partiste.
Coortas-te a minha avidez
de me aventurar por mundos nunca antes navegados.
Foste, porventura, mais “maluca” do que te imaginei.
Queria-te maluca por me beijar,
maluca por me abraçar.
Queria-te a Cláudinha com que sonhei,
maluca por mim.
Falo-te da minha saudade,
crente que a saudade de mim
acabará também por tocar-te,
cedo ou tarde,
mas seguramente tarde de mais.

José Cadima

segunda-feira, julho 19, 2010

Sinto …

Sinto que nada importa.
Sinto que tudo importa.
Sinto que te quis muito.
Sinto que já não te quero.
Sinto que a tua ausência me deixa mais desamparado.
Sinto que perdi algo que me era precioso.
Sinto que nada tenho.
Sinto que nada importa.
Sinto…

José Pedro Cadima

sábado, julho 17, 2010

terça-feira, julho 13, 2010

Paranóia

A paranóia pega-se
como uma doença infecciosa.
É surpreendente o receio que tens
de quem olha para ti,
de quem te vê como és.
No que me diz respeito, ver-te
é bastante para me inspirar
expressões de carinho,
para me levar a querer acariciar-te.

Mas a paranóia pega-se,
e o meu receio
não é o teu
mas sinto-o como tu.
Aquilo que imaginas dos outros
quando te olham sem sentir
vejo-o em mim
quando marcas o silêncio.
#
Urge que acredites
que o arco-iris é mais que ilusão óptica.
Distante que pareça,
é possível abraçá-lo.
.
José Pedro Cadima

segunda-feira, julho 05, 2010

Expectativas

Nesta madrugada de insónia,
o piar dos pássaros nocturnos
dá bem sinal do meu desespero.

Sei de um futuro que não é o meu.
Acobardo-me perante a paranóia
que me leva a ter medo de ti.

Sou assim pelo insucesso
ou o sucesso é que me faz assim?
Sou assim pelo mal que me faz
o medo que esta situação me traz.

Existirá responsabilidade
quando tenho mais medo
de fazer algo que me dá gozo
do que de dar-me a luxos?


José Pedro Cadima

domingo, julho 04, 2010

Que sentimento estranho!

Escrito no Preto
[Que sentimento estranho
este de, ao mesmo tempo,
querer apagar-te da memória
e desejar correr para os teus braços!]

José Pedro Cadima

quinta-feira, julho 01, 2010

A menina dos cachos

Vou aqui contar uma história que para ti aparecerá como ficção. Os personagens sou eu, tu e todos os que nos rodeiam, pois não queria que fosse uma história em que tudo fosse mera especulação.
#
A multidão é um corpo cinzento onde os gestos se repetem até à linha do horizonte. As mesmas vivencias são assuntos de conversa entre os mais variados grupos que se espalham pela avenida. E lá no fundo vai a menina dos cachos, que saltita alheia às repetitivas histórias contadas nas esplanadas da avenida.
Os seus cabelos negros encaracolados caem-lhe pelos ombros de forma doce e fazem perfeita sintonia com o ar jovial que transporta. O dia é de sol nos seus olhos, mesmo que não o seja no céu, e o seu sorriso é quase ingénuo, tamanha a graça que carrega consigo para onde quer que vá.
Quando a menina dos cachos vira para a direita no fim da avenida, um rapaz que saía do café reconhece-a ao longe. Apetece-lhe correr para ela. Não corre. Podia confrontar-se com a vergonha de ficar, sem palvras, à sua frente; podia correr o risco de não ser capaz de lhe dizer o que quer que fosse. E logo num dia como aquele, igualzinho aos outros, em que ela parecia ter decido que o dia seria perfeito.
A menina continuou o seu caminho. Apressando um pouco o passo, desiste de sujeitar-se a tamanha vergonha. Ela tinha desaparecido da sua vista e podia assumir que não a voltaria a encontrar. Chegado à curva, não a vê. Era como se nunca lá tivesse estado. Perdeu então a oportunidade de a ouvir dizer “olá”. O olá que ele mais desejava ouvir nesse dia. Voltou a correr pela rua. Continuou a não a ver.
A menina dos cachos tinha virado à direita para dentro de uma loja três números a seguir à morada da porta da esquina. Tinha entrado para comprar chá. Procurava uma infusão em particular, uma infusão de uma flor de sabor doce.
O rapaz voltou então para trás, desiludido com o objectivo inseguro que a si mesmo tinha proposto. E se o coração alguma vez tinha batido por ela, batia agora pela desesperada corrida que tinha feita até ao final da rua. Não a encontraria na sua saída da loja. Ele olhava para o chão e ela retomara o seu percurso, agora em direcção ao outro lado da avenida.
A menina dos cachos entraria logo depois noutra loja do outro lado. Tratava-se de uma pequena loja de chávenas, onde procurava um par, um par de chávenas bonito, rústico, característico do que é habitual encontrar num palacete, mas de traço simples. Enquanto as comprava ao balcão, o rapaz passava por essa mesma rua, não olhando senão para o chão, alheado das coisas que os outros faziam.
O rapaz virou à esquerda na esquina seguinte, descendo a rua mais calmamente. Parou para ver a montra de uma loja de roupa, roupa já de adulto. Afinal, a sua juventude aparente nas acções desta história provinha do sentimento e não da idade.
A menina dos cachos desceria entretanto a mesma rua sem o ver. A multidão cinzenta distrai-a. Cruzou-se com um amigo, e logo depois com outro. Vê meia dúzia de desconhecidos, no meio dos quais julga reconhecer alguém, mas não era o seu companheiro de carteira do infantário, não era o seu vizinho, não era ninguém que reconhecesse. Segue caminho sem reconhecer mais alguém. Volta a virar à esquerda para ver se costureira havia acabado o seu vestido.
O rapaz fazia entretanto o caminho inverso. Vai em direcção à avenida. Olha o sol que aponta para horas de retornar a casa. Está sem saudades de casa. Resolve então ir para um café a meio da avenida. Fica-se pela esplanada, aproveitando a brisa que passa.
Entretanto, a menina retoma também o caminho de retorno. Ao passar em frente da loja das chávenas, volta a olhar certificando-se da sua escolha e desce a avenida.
...
...
...

[Na lógica dos enredos dos filmes europeus de há uns tempos, deixo-te a escolha do final desta história]

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 28, 2010

Inconsciência

Caminho ziguezagueando por entre os corpos intoxicados da multidão. O cenário com que me deparo é sinistro. Cruzo-me com seres cheios de poucas boas intenções e com muita substância ilícita na mente, nos olhos e nos bolsos.
Vem-me à memória a pouca consciência de indivíduos que afogam a sua sobriedade numa toca longe deste local. São os habitantes desses buracos na terra que transportam a mágoa até outros indíviduos, seres perdidos na vida, à procura do seu passado, um passado sem drogas nem alucinações.
Sobressalta-me este pensamento. Questiono-me se dêvo vertê-lo aqui e, por essa via, levar o sobressalto a outros. Aproveitando sentir-me leve, transporto ainda mais coisas. Se calhar é nisso que falho. Deveria ter feito um buraco no jardim e deixado lá tudo quanto me atormenta. Terrível momento este. Como é que a inconsciência dos actos pode ser fonte de conforto?
.
José Pedro Cadima

Agradeço-te

Agradeço-te o carinho e compreensão com que me tens tratado. Sei que não sou capaz de competir nisso contigo, nem um bocadinho.

K

sexta-feira, junho 25, 2010

Querer

Se alguém está contigo
é porque quer estar.

Naquelas noites em que estive com alguém,
esse alguém esteve comigo
porque não teve ninguém melhor
com quem partilhar a cama.

Não há melhor razão
do que a de querer.
Quem quer porque quer
vai ainda mais além.


José Pedro Cadima

quarta-feira, junho 23, 2010

Pesos e distâncias

Carrego todos os teus erros.
Transporto a inconsciência dos teus actos,
que hipoteca qualquer futuro.

E cada razão que me dás
para de ti desconfiar
é mais um peso que se junta
ao fardo que carrego dia após dia.

Quando me dizias
algo com cheiro de verdade
era apenas perfume.

Encoberta estava uma hipocrisia
que me dava direito a sermão.
Agora digo-te sem mentira
o quão hipócrita sou.

Entre nós dois
há um enorme salto.
Se da hipocrisia fizéssemos combustível
eu teria descoberto a América
e tu dado o primeiro passo na Lua.


José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 21, 2010

Predestinar

Acreditava que o que nos unia
era tanto quanto a distância
que prescutavamos olhando o horizonte longinquo.
Acreditava que respirávamos como um só,
que o mesmo coração nos movia!

Agora que a nuvem
que me toldava a visão se afastou,
dou murros nas paredes
com a fúria do ódio
que sinto por mim.
Preferia ter queimado
estes olhos com que te vi.
Será o orgulho parvo
que te levará para longe de mim.

Nas estrelas não há mais eternidade
que pareça alcansável.
A escuridão do céus
delimita apenas o que podemos ver.


José Pedro Cadima

domingo, junho 20, 2010

Memória: saudades ...

"Como é que te podiam vir as saudades a meio da tarde se estavas no trabalho? Não seria fome, antes? Provavelmente, confundiste uma e outra coisas."
.
José Cadima

quinta-feira, junho 17, 2010

Espécime: apaixonado

Para um apaixonado,
os dias são tonturas,
deslumbramento
da quase-doença
que é a vida.

Veja-se no espécime
a esperança-desespero,
pão de cada dia,
um errante do destino
curvado por um peso
que carrega sem objectivo.
Comem-lhe as borboletas
de tudo o que se alimenta.
Não o visita o pestana
com medo que se pegue.

Seja ou não falha
na teoria da evolução,
o apaixonado ...
continua entre nós.


José Pedro Cadima

Lamento...

Lamento profundamente... Nunca tive uma vida fácil. Fui sobrevivendo com trabalho, muito esforço e espírito de sacrifício... Criei mecanismos de defesa. Obviamente que criei...
.
K

terça-feira, junho 15, 2010

Consciência

As tuas palavras de amor
são tudo aquilo
em que sou incapaz de acreditar.

Desejo levado ao coração
sem fundo de verdade.
Uma força de vontade
que ilude o julgamento.

Até o teu olá me soa a mentira.
Não tens consciência
do que dizes.


José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 11, 2010

Esperar

Mais um momento à espera.
Logo a mim cuja paciência
não me apareceu com a vida
nem há-de aparecer-me com a paixão!

Talvez não me fizesse falta.
Se não faltasses tu,
não me restaria ninguém por quem aguardar!

Poderia navegar nos pensamentos
(independentemente do poder fazer agora),
mas feitios são feitios
e eu não fui feito para esperar!


José Pedro Cadima

quinta-feira, junho 10, 2010

O poder da vuvuzela!?

Meus caros leitores, venho falar-vos da tão badalada vuvuzela… Sim, daquela que nos tem entrado pelos tímpanos dentro nas últimas semanas, sempre que ligamos os televisores. Sim, as vuvuzelas que também já vamos ouvindo, aqui e acolá, nas ruas!
Depois do Scolari, que tanto pediu aos portugueses para colocarem nas varandas e janelas das suas casas a bandeira portuguesa, e de vários milhares de mulheres terem, em 2006, batido um record num dos estádios portugueses construindo uma enorme bandeira humana, eis que chega a mais recente descoberta – a vuvuzela.
Nós já sabemos que os portugueses são muito amigos do futebol, mas o que não adivinhámos é que eles iriam adoptar uma invenção de há vários anos, dos Sul Africanos, e que iriam esquecer tão facilmente a bandeira portuguesa.
Convenhamos que o acenar com a bandeira sempre era mais patriótico, mais colorido e o tocar/cruzar de duas bandeiras poderia até revelar-se promissor de um namoro entre dois donos de bandeiras. É que o encontro de duas vuvuzelas, convenhamos, não causa grande ambiente de romance, pois pior do que uma vuvuzela, são duas vuvuzelas tentando cada uma “tocar” mais alto do que a outra.
Ora, ficámos a saber esta semana que as vuvuzelas, mais especificamente, o som emitido por elas (se é que algum som emitem), pode causar diminuição da capacidade auditiva e já vários jogadores afirmaram publicamente que sentiram dificuldade em perceber a informação passada pelos colegas de equipa devido, pasme-se, ao barulho das vuvuzelas em campo!
Enquanto tento escrever esta crónica, ouvi, entretanto, mais uma vuvuzela a tocar na televisão. Gostava mais das bandeiras a esvoaçar nas janelas das casas e algumas até colocadas nos telhados das mesmas. Ou até do Quim Barreiros ou o Roberto Leal a cantar!
Como é que vamos aturar as vuvuzelas até ao fim do Mundial de Futebol? E se todos fizerem como a Galp Energia, que tanto a apregoa na rádio e na televisão? Carregar bem na vuvuzela antes do início de cada jogo!?... Por favor tirem-me deste filme!...

Leonor

terça-feira, junho 08, 2010

(In)transparência

O meu verdadeiro medo
esconde-se para lá do que compreendo.
Vejo como se comportam
e detalho sinais do ser.

Cada gesto que analiso
é uma futura visão
de um acto que toma lugar
para lá do que o tempo deixa transparecer.

Não fosses tu
barreira a qualquer vidência,
podia aperceber-me
dos sinais que gostarias de enviar.


José Pedro Cadima

domingo, junho 06, 2010

Círculo de horizontes

Corre para mim
que ver-te no horizonte
por altura do sol nascente
só me faz confusão.

Estás tão longe
e, ainda assim, visível.

Atormentas-me, rapariga.
Moves-te em circunferência.
Por não tombares para um lado,
empurras-me para longe.

Anseio cair,
esperando que dês a volta
no teu circular caminho...
e me encontres,
no horizonte do sol poente.


José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 04, 2010

Um toque

Não tenho paz que me apazigúe a alma.
Resta-me esperar que me tragam algum conforto.

Por isso deambulo numa busca
de quem precise de ajuda.

Uso o tempo para encher de esperança
quem só dela se socorre.

Talvez um dia
me venham tocar na alma
e ela se transforme.


José Pedro Cadima

terça-feira, junho 01, 2010

domingo, maio 30, 2010

Raiva

Sinto…
Sinto que é raiva
o que corre me corre nas veias.
O sangue não corre assim.
Aonde esperaria encontrar amor,
encontro um turbilhão de sentimentos.
Sinto que…
Sinto que a raiva que me corre nas veias
alimenta malditas marés de sentimentos.
No seu caminhar tumultuoso,
vai afogando quaisquer traços de amor que subsistam.

José Pedro Cadima

quinta-feira, maio 27, 2010

Inspiração vinda de ti (2)

A inspiração esbarra em mim
como esbarra o vento:
como uma carícia, algumas vezes,
de forma agreste, outras.
Ao meu redor, à minha frente,
as folhas esvoaçam, rodopiam
ou agitam-se, simplesmente.
Serão poemas?
Serão os poemas de amor
que eu teria escrito …
se tu fosses minha?
Poemas não são, certamente...

José Pedro Cadima

sábado, maio 22, 2010

Madrid: a despedida (há 5 meses)

Me voy en 5 dias

Me voy para Portugal con ideas diferentes.
Me voy para el conforto de un de los pocos sitios donde me sinto confortable con el silencio.
Me voy para estar con las personas que simpre estubiran para mi y yo para ellas.
Me voy porque irá ser tiempo de me concentrar.
Me voy porque he tomado decisiones.
Me voy con ojos mayores de los que veni.
Me voy contente y triste, mas mejor.
Me voy recuerdando nuevos amigos y experiencias.

Vuelvo porque me gustó la ciudad.
Vuelvo porque aprendi muchas cosas.
Vuelvo porque todavia me quedan cosas por aprender.
Vuelvo porque creci.

Vuelvo porque tengo 4 examens para hacer y 1 trabajo para entregar!!! x)

quinta-feira, maio 20, 2010

Ontem (3)

Ontem, anteontem,
senti vontade de desaparecer,
mas desaparecer para sempre.
Não é a primeira vez que tal sentimento me anima.
Custa-me não ter tido a coragem do fazer.
Não são só os amores
e os desamores porque tenho passado
que me tiram a vontade
de continuar a luta sem quartel
que tenho mantido
contra a indiferença,
contra a mediocridade,
contra a injustiça de ver os outros julgados
pelas pobres referências
que nos foram dadas,
pelas pobres referências que vamos alimentando,
no contexto da nossa vida privada,
da nossa vida no local de trabalho,
das nossas vivências públicas quotidianas.
Dentro desse pano de fundo,
saber que há um abraço que sempre nos espera
é um sortilégio
mas é, também, pouco, isto é, é muito e é pouco.
Faz-me falta ouvir-te respirar,
mas não me faz menos falta respirar,
Faz-me falta libertar-me deste ar rarefeito
que insiste em ser o nosso dia-a-dia, cada vez mais.
Falha-me crescentemente a esperança.
Falha-me crescentemente a crença
que este mundo, este mundo que é a nossa aldeia,
se possa vir a converter em algo menos mesquinho,
mais desperto para o respeito pelos outros
e para o amor.
Ontem, anteontem,
Apetecei-me entrelaçar-me em ti
como se fossemos raízes de uma mesma árvore.
Ontem, anteontem,
senti vontade de desaparecer,
mas desaparecer para sempre.

José Cadima

terça-feira, maio 18, 2010

Gestos e obscenidades

1. Num gesto de grande magnanimidade, Pedro Passos Coelho, PC para os amigos, deu o seu assentimento à subida de impostos e redução de benefícios sociais recentemente decididos pelo (des)governo de José Sócrates, consequência directa do desastre que foram as políticas governamentais conduzidas nos últimos 10 anos da vida do país, quase metade dos quais tendo o dito ao leme. Foi um gesto bonito, de solidariedade para com um rival caído em desgraça, mesmo se maior desgraça é a do país que tem por primeiro-ministro tal personagem. Não falo dos restantes ministros para que não me acusem de usar este fórum público para veicular conteúdos de natureza obscena.
2. O que me deixou intrigado foi PC ter tido necessidade de, logo de seguida, ter ido para a comunicação social pedir perdão aos portugueses. Quererá isso dizer que a sua atitude resultou de uma decisão irreflectida? Mas, assim sendo, não questiona isso o carácter solidário do seu gesto? Ou quererá tal dizer, afinal, que o nosso amigo PC aceita que, da sua condição de político da boa cepa portuguesa, os cidadãos nacionais não devem esperar senão mais do mesmo, mais uma vez? Percebe-se que não convenha a Pedro Passos Coelho que o poder lhe caia no colo numa altura destas mas, se fosse verdadeiramente bom cristão, aceitaria carregar a cruz desde a viela onde a encontrou depositada e não apenas quando ela estiver junto ao altar. É que, deste modo, quem vai que ter que continuar a carregá-la são os portugueses, e não só os que votaram/votam em José Sócrates.
3. Por acaso ou por força do destino, os factos a que aludo coincidiram no tempo com a visita a Portugal do papa, um tal Bento XVI, que um meu amigo insiste em chamar de papa cestos, porventura em memória da passagem por Portugal de um outro papa, que era Paulo mas que também já era dos cestos, embora contando no seu rol com menos dez que o actual. Desse tempo, existem por aí estátuas e confrarias com o seu nome em número que mais nenhum repetiu. Talvez num futuro não distante isso deixe de ser verdade. Basta para tanto que o futuro beato impropriamente apelidado de Cónego Melo acabe por ver transformadas em estátuas as obras de que fez merecimento em vida.
4. Há quem diga até que a visita do papa foi combinada com Sócrates para ocorrer nesta altura para que tão gravosas e socialmente injustas medidas políticas do (des)governo fossem percebidas pelos portugueses como penitência por pecados mortais cometidos. Outro tanto, em sentido diverso, embora, haverá que dizer da vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol, sendo que, neste caso, os dirigentes do clube não se inibiram de desconfiar da virgem e, por causa das dúvidas, cedo trataram de constituir um segunda linha de segurança, mobilizando para o efeito uma boa meia dúzia de árbitros e dirigentes da liga de clubes e aparentados. Não admira, pois, que a festa tenha sido grande.

J. C.

sexta-feira, maio 14, 2010

Algo próprio de mim (2)

Além de repositório de poemas, tu passas a ser o meu nobre diário, onde anotarei as minhas dores, mágoas e alegrias, se ou quando as houver.
Já não escrevo há algum tempo. Sinto-me a rebentar. Preciso de encontrar algum modo de desabafar, e esse algo és tu.
Nesta ocasião, o que tenho para dizer é muito simples e próprio de mim: apenas, que ”voltei a amar”.

José Pedro Cadima

segunda-feira, maio 10, 2010

As mulheres que desencaminham homens (des)casados…

Pois é, a minha teoria é que as culpadas nesta Terra pelo mais baixo estatuto das mulheres são… as mulheres.
Caras leitoras: é verdade. Quem é que chama mais a si a educação dos filhos? Quem é que pede mais às filhas para trabalharem em casa e tende a poupar o filho, que pode, até, dar-se ao luxo de deixar o quarto, onde pretensamente habita, como uma pocilga?
Quando é que abrem os olhos e deixam de crucificar as mulheres (as suas colegas de trabalho, as suas pretensas amigas, as suas vizinhas, enfim, as mulheres dos outros)?... E, principalmente, aquelas que são solteiras ou divorciadas e andam com homens (des)casados!?
Gosto de ouvir as minhas colegas lá do lugar onde trabalho todos os dias botar boca na faladura e dizerem-me que fulana de tal anda com fulano de tal. Ele casado e ela, nalguns casos, solteira ou divorciada. Claro que, apesar de elas estarem descomprometidas, são sempre vistas como Satanás ou, na versão soft, desencaminhadoras de casamentos “sólidos”…
Mas a frase de que gosto mesmo de ouvir é: claro, ela meteu-se-lhe pelos olhos dentro!… Claro que o homem é sempre apontado como a vítima e o pobre coitado (porque lhe entraram pelos olhos dentro). Até ganha estatuto quando se lhe descobre a careca!...Dá para entender???!...
Também nunca entendi porque é que duas mulheres andam quase à porrada por causa de um homem e a esposa de um vai pedir explicações à pretensa desencaminhadora, alegando a “família e os bons costumes”! Não é ao marido que as deve pedir?
Nesse sentido, sempre senti que estava muito à frente da minha geração, embora de pouco me tenha valido até ao momento.

Leonor

sábado, maio 08, 2010

Mensagens curtas...

Não está no meu modo de ser fazer-te grandes declarações. Também não teria jeito para o fazer. Fico na esperança que me entendas, nos meus gestos.

José Cadima
(palavras escritas: memória)

quarta-feira, maio 05, 2010

Navegar

Navegar é preciso, dizes tu. Mas como queres que este meu barco navegue se o vento que o empurra(va) vai soprar para paragens longínquas?
Ainda não partiste e já morro de saudade. Que amores descortinas tu por detrás da alegria que a tua presença me traz(ia)? Faltam-me as forças para partir em busca de aventura. Desafio imenso já tu és/eras.
Ainda não partiste e já morro de saudade!

José Cadima

terça-feira, maio 04, 2010

Um adeus é sempre triste

Já há algum tempo que não te escrevo
Palavras simples de amor
Na altura do adeus
Sinto-me triste
Porque palavras de amor
Te sussurrei
E juras de amor te fiz
Que aconteceu ao nosso amor?
Findos meses de intenso amor
Um amor que parecia eterno
Sinto-o agora inatingível
Perdido no vento para lá das arábias
Outro amor desejaste e até encontraste
Tenho que voltar para lá do Atlântico
Para terras prometedoras
Ficas bem meu amor nesse teu novo amor?
A felicidade que vejo espelhada no teu rosto
Diz-me que sim
Eu regressarei para novos horizontes
Novas aventuras
Mas amor como o teu não sei
Se por outras terras encontrarei
Até sempre meu amor…

Cláudia P.

segunda-feira, maio 03, 2010

Bela solidão

Bela escuridão,
beleza quase pura
(pois nada há mais puro
que aquilo que não se consegue vislumbrar),
contai-me vosso segredo,
dizei-me qual o segredo da solidão
que não gera angústia
nem depressão.
Bela solidão,
partilhai comigo vosso segredo,
aquele que vos permite
viver assim, só.
Bela escuridão,
dá-me notícia do mundo novo
que pressinto para além dessa nuvem negra
que te cobre e me enleia.
Libertar-me-ei eu dela?
Libertar-se-á ela de mim?
Bela solidão, tão querida
e tão repudiada.
Bela…

José Pedro Cadima

segunda-feira, abril 26, 2010

sábado, abril 24, 2010

Quero ser poeta ...

"Quero ser poeta;
quero elevar-me ao Olimpo.
Quero escrever frases bonitas,
cheias de alma."
Quero fazer de conta
que este mundo cínico é mera fantasia.
Quero recuperar a liberdade
de ser eu, simplesmente,
triste, desencantado,
a maior parte das vezes,
esperançoso, de sorriso nos lábios,
de quando em quando.
Não, não relevam da realidade
que eu rejeito,
da dimensão da vida que me entristece
os ecos do mundo que me chegam.
Este é espaço de libertação.
Este é o refúgio inexpugnável em que me recolhi,
cujas muralhas continuarei a reforçar
para que seja cada vez mais inexpugnável.
Fora deste refúgio
nada existe,
toda a vida já se desvaneceu;
só fantasmas aí habitam,
cedentes de sangue.
"Quero ser poeta;
quero elevar-me ao Olimpo.
Quero escrever frases bonitas,
cheias de alma."

José Cadima

sexta-feira, abril 23, 2010

"Charme"

Quando se tem todo o "charme" que eu tenho é perfeitamente natural que receba múltiplas mensagens do teor das recentemente recebidas. Surprendente é não me terem chegado no passado.

José Cadima

quarta-feira, abril 21, 2010

Ser poeta (2)

Perdi um sonho,
ganhei outro:
quero ser poeta;
quero elevar-me ao Olimpo.
Quero escrever frases bonitas,
cheias de alma.
Quero olhar para mim
e orgulhar-me de comunicar algo.
Quero orgulhar-me de ser alguém,
alguém que ninguém vê,
ninguém conhece,
a ninguém interessa,
alguém que é feliz assim,
alguém que, como melhor amigo,
tem a inspiração
e, porventura, o seu cão.

José Pedro Cadima

segunda-feira, abril 19, 2010

Hoje, ...

Hoje, mais do que nunca, “tudo que é sólido se desmancha no ar”, conclui Dinizar Becker, seguindo M. Berman.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, abril 14, 2010

Alguém é sempre algo especial (2)

Preciso de algo;
necessito desesperadamente de algo especial:
preciso de alguém.
Alguém é sempre algo especial.
Careço de alguém para amar,
de alguém que me ame.
Preciso de alguém que se preocupe comigo
e por quem eu me preocupe.
Necessito de alguém que me dê carinho,
me afogue em beijos;
alguém que me faça sentir
quão difícil é conter o ciúme.
Preciso de alguém para amar,
embora tema a dor
e o choro que o amor
tantas vezes carrega consigo.

José Pedro Cadima

terça-feira, abril 06, 2010

Ponto de situação (2)

Faço um ponto de situação
de tudo o que faço
e de tudo o que fiz.
Talvez possa dizer ”sou feliz”
ou talvez não,
pois não tenho aquilo que mais quero.

Se tenho um sorriso,
é o meu próprio sorriso,
pois não tenho ninguém
a quem possa chamar meu sorriso.

José Pedro Cadima

domingo, abril 04, 2010

As notícias que nestes dias chegam de Itália (Roma)

Estou em Roma pelo menos até amanhã. Cheguei ao Hostel sem problema. Vim para Via Cola di Rienzo, que fica em frente ao Vaticano. Por isso não vou ter problemas. Foram amigos meus de Itália que me recomendaram que viesse para aqui.

José Pedro G. Cadima

sexta-feira, abril 02, 2010

Em tempo de Páscoa

1. Na Páscoa, faz todo o sentido falar de PECs e de outros pecadilhos, quer dizer, dos múltiplos pecados cometidos pelos mais deserdados dos portugueses, que vêm conduzindo o país à bancarrota e por isso merecem ser condenados a verem diminuídos os subsídios de emprego, as pensões de sobrevivência e os apoios à reinserção social a que podem habilitar-se mas a que, bem vistas as coisas, não têm direito. Andam os Srs. Jorges Jardins, os Srs. Joãos Rendeiros, os Srs. Manuéis Godinhos, os Srs. Armandos Varas, entre alguns poucos portugueses, a estafar-se a trabalhar para uns quantos milhares esbanjarem a alimentar as respectivas famílias e cães e a adquirirem apartamentos que, em vida, na melhor das hipóteses, nunca conseguirão pagar. Não o merecendo, porventura ganharão o céu, dado que Jesus Cristo é todo misericordioso.
2. Sendo Páscoa e, para mais, 6ª feira santa, há, por outro lado, que glorificar igualmente outros abnegados zeladores do bem-estar dos portugueses, como têm sido muitos dos protagonistas políticos da última década, de Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite a Santana Lopes e a Teixeira dos Santos e José Sócrates que, conforme sublinhava muito justamente ainda não há muitos dias Vítor Bento, foram/são representantes distintos das “forças políticas mais responsáveis, e que têm tido a principal responsabilidade no governo do actual regime político”. A eles, antes de a quaisquer outros, cumpria assegurar ao PEC recentemente em discussão, “o apoio necessário a garantir-lhe a credibilidade no exterior”, já que, internamente, em razão da liderança de tal gente, o dito PEC e os seus promotores não têm “chance” de reganhar qualquer credibilidade, a não ser junto daqueles portugueses que teimam em fazer caminho de olhos vendados, para não tomarem consciência do precipício para onde caminham.
3. No que me toca, pessoa pouco crente em que me converti, aparte comungar da ideia que “este não é o tempo dos Vencidos da Vida”, vou fugindo como posso ao purgatório das tardes e serões televisivos, onde se glorificam políticos medíocres e fugazes estrelas televisivas, de mais ou menos tenra idade, servidas em doses industriais. Nessa fuga, que já me foi muito mais penosa, ocorre-me recordar o tempo em que via televisão a rodos, onde ponteavam a Pantera Cor-de-Rosa, o Mister Magoo, o Coyote e várias outras personagens de banda desenhada que me deixaram uma enorme saudade; maior ainda quando confronto essas personagens com os bonecos japoneses que pululam nos ecrãs das televisões nas horas em que não passam as praças da alegria, os concursos e “realities shows” e as telenovelas que enxameiam as nossas televisões nos tempos que correm.
4. Falando-se de televisão, e não só, tempo houve em que se dizia que, para esquecer as tristezas quotidianas, os políticos mandavam a televisão servir-nos “fados, Fátimas e futebol”. Nesta altura, tenho como higiénico ver servido um bom jogo de futebol. A alienação aparece-nos bem melhor embalada em concursos de fazer “milionários de bolso” e em telenovelas onde as heroínas têm garantidos os seu príncipes, servidos no final com tostas mistas e “croissants”. Fados, também, se vierem arranjados por cantores e cantadeiras criativas e afinadas. Poderei estar enganado mas as Fátimas parecem-me vender cada vez menos, salvaguardado o caso da Fátima Lopes e de outras costureiras de ambos os géneros. Poderei estar enganado mas mecas sugerem-se-me de crescendo em crescendo os grandes “shoppings” que por aí abundam. Farão a sua época até outros templos lhes tomarem o lugar.
5. Esgotada que seja a época da Páscoa, interrogo-me sobre que outros PECs virão infernizar os cidadãos e cidadãs nacionais, dando por certo que, na religiosidade que os/as caracteriza, já não dispensam pena ou peregrinação. Vale-lhes (nos) os concursos televisivos e telenovelas, mais as praças da alegria, que, de tão tristes, só nos fazem chorar.

J. C.

quinta-feira, abril 01, 2010

As notícias que nestes dias chegam de Itália (Veneza)

Cheguei hoje a Veneza. É espectacular!
Fica-me mais caro viajar de comboio do que a viagem para cá de avião.
Estive hoje de manhã em Firenza (Florença) e achei que era um sítio demasiado turístico.
Não precisas de te preocupar tanto. Já não é a primeira vez que viajo. Estive sozinho em Manchester, Madrid, Praga, Amsterdão... E se queres saber, até hoje, a cidade mais perigosa em que estive foi Braga, onde os estudantes são assaltados diariamente.

José Pedro G. Cadima

A propósito de viagens e romagens: Leiria


[Foto da autoria de C.P.]

quarta-feira, março 31, 2010

As notícias que nestes dias chegam de Itália (Pisa)

Não trouxe o computador comigo por isso só posso aceder [à Internet] quando encontro um cyber café ou algo do género.
Está tudo bem e a correr normalmente.
*
José Pedro G. Cadima

domingo, março 28, 2010

Hoje

Hoje senti que corremos
No sentido da felicidade
Fugimos ao mundo em que vivemos
Por entre palavras cheias de simplicidade
Comprovei que será para sempre
O quê, perguntarás tu?
O abraçar-te
O tocar-te
O amar-te
O ser uma pequerrucha só para ti
Por onde andaste antes meu cavaleiro andante
Que tantas muralhas ergueste
E que acabaste rendido a uma simples navegante?
...

C.P.

quarta-feira, março 24, 2010

Ontem (2)

Ontem, anteontem,
senti vontade de te abraçar,
de te sentir ainda mais próximo de mim.
Faz-me falta ouvir-te respirar,
ver-te emaranhada em fios de computador
e em pensamentos de esperança.
O mundo, este mundo que é a nossa aldeia,
parece-me então menos mesquinho,
mais sensível a valores nobres,
mais desperto para o respeito pelos outros
e para o amor.
Ontem, anteontem,
apeteceu-me perder-me nos teus braços,
entrelaçar-me em ti
como se fossemos raízes de uma árvore.
Não sei se é porque a Primavera
já por aí se anuncia,
se é porque as árvores
estão na emergência de florir.
Só sei que, ontem, anteontem,
sonhei esquecer nos teus braços
tantos dias fatigantes,
desencantados que me têm fustigado.
Ontem, anteontem,
quis ter-te mais, muito mais perto de mim.

José Cadima

sábado, março 20, 2010

Agora que o Inverno está no fim...




Agora que o Inverno está no fim, talvez faça sentir mostrar imagens que recordam a neve que nos visitou (em Braga, digo), fortuitamente, há poucos meses.

sexta-feira, março 19, 2010

A alma que o diabo tentou comprar

O diabo perguntou-me:
- Qual seria o preço da tua alma? O que queres tu por ela?
As lágrimas vieram-me aos olhos. Senti pena deste pobre demónio. Então respondi, alto e bom som:
- Para que queres tu a minha alma? Para a amar? Para a chorar? Para sentir tudo aquilo que sinto e sofri, pois sinto com mil vezes mais força que muitos outros dores, mágoas e repreensões, e até um “não” me faz chorar? Se a tiveres, aviso-te que terás dor, choro e desespero, tal como eu tive. Mas, se a queres, fica com ela! Achas que eu a quero?! Mil “nãos” recebi e cada um deles eu chorei. Fica com ela! Serei eu a beneficiar, e tu chorarás e inundarás o teu inferno de lágrimas que apagarão todos os fogos.

Desci a cabeça. Parei de olhar o diabo nos olhos. As lágrimas desceram na minha face. Foi então que murmurei:
- Fica com ela, por favor!
O diabo afastou-se, entrando na escuridão. No meu último olhar já não o vi. Só vi uma lágrima cair, salpicando o chão.

José Pedro Cadima

quarta-feira, março 17, 2010

Memória: Ó mar salgado…(2)

Ó mar salgado
sei-te bem para lá do dobrar da rua, hoje,
mas nem por isso te pressinto longe.
Perto, perto tive-te ontem,
ao mesmo tempo salgado e doce,
como mo sugeriram os teus lábios
Ameaçado?
Ameaçado, sim, de certo modo,
por saber não serem suficientemente altas
as trincheiras que quis erguer
para me proteger
das tuas investidas
envoltas em veludo,
em abraços meigos,
em beijos que transpiram paixão.
Confesso-te: achaste-me impreparado
para uma luta
feita com tais armas.
Receio não me restar solução
outra que não seja render-me,
por mais que me custe,
por mais que, sem o querer,
querendo-o, me sinta fluir para ti.

José Cadima

domingo, março 14, 2010

O passo seguinte (2)

Não é por caminharmos
que se dá a nossa evolução.
Não é por apressarmos o passo
que vamos mais longe.

É porque imaginamos
o passo seguinte.
É porque projectamos
uma trajectória para diante.

Sentir medo
mas sentir-lhe o apelo;
ousar seguir caminho.

Materializado o primeiro passo,
está esboçada a oportunidade de dar outros.
Evoluímos quando somos capazes
de projectar o passo seguinte
ancorados na materialidade do passo antecedente.

José Pedro Cadima

quinta-feira, março 11, 2010

Querer mais

Há qualquer coisa
que não me deixa descansar.
Garanto-vos ver demónios
passearem-se por meus azares
e seus servos
por linhas do meu destino.
Será por eu querer demais?
É erro ter demais, sei-o.
Sei, também, que mais cansaço
traz mais aflição,
mas eu só corro por ti!

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 101)

terça-feira, março 09, 2010

Ontem

Ontem, anteontem,
pela noitinha,
senti vontade de voltar a sonhar.
o mundo, este mundo que é a nossa aldeia
pareceu-me menos mesquinho,
mais sensível a valores nobres
como a amizade, o respeito pelos outros, o amor.
Talvez tivesse sido o sonho
a ditar-me um tal sentimento.
Quis renascer outra vez!
Quis correr para os teus braços
e esquecer tantos dias fatigantes,
desencantados que me têm fustigado.
Quis…
Estranha, inesperadamente,
ao retornar hoje ao meu local de trabalho
encontrei uma planta florida,
como que a querer dizer-me que a Primavera está aí.
Estranhei o contraste,
Mirei demoradamente esta flor
que sei durar um só dia
e questionei-me sobre que sinal
quereria enviar-me.
Quis renascer outra vez, ontem…

José Cadima

sábado, março 06, 2010

Amoras não são “fruta”

1. O texto da minha última crónica teve um acolhimento muito curioso entre os(as) seus(suas) leitores(as): alguns(algumas) receberam-na em absoluto silêncio; outros(as) fizeram questão da comentar, mas recorrendo aos canais tradicionais, tipo bilhetinho postal ou conversa pessoal. Esse facto, conjugado com a relativa acalmia na vida turbulenta que tenho, deu-me pretexto para uma conversa, entre duas cervejas e um prato de tremoços, com o meu bom amigo José Cadima (pai) sobre as aventuras e desventuras de ser editor de “jornais de parede” que apelam a dimensões da vida subjectiva de cada um ou que mantêm uma abordagem mais ficcional e intimista do mundo. Acabei surpreendido por algumas coisas que me disse. Sublinho o termo surpreendido já que, amiúde, tenho dito que poucas coisas continuam a surpreender-me.
2. Do que soube, retenho aqui particularmente a menção que me fez àquele que terá sido o texto que mais escândalo terá provocado nestes vários anos que o blogue em que publico este texto leva de edição (não, não foi nenhum das crónicas que assinei, para meu desconforto). Não me lembro do título do texto, creio até que se trata de um texto poético da autoria de uma colaboradora “recente”. O texto tem como elemento singular referir-se à colheita de amoras, aliás, daí a epígrafe que escolhi para esta crónica. E de onde resulta o escândalo? Pois, simplesmente, da ilação que alguns(as) leitores(as) fizeram de que o autor – neste caso, a autora – dizendo amoras, queria, na verdade, fazer alusão a “fruta”, isto é, terão os(as) caros(as) leitores(as) tomado amoras por “fruta” , madura, supõe-se. Em nenhum momento passou pelas brilhantes cabeças desses(as) leitores(as) que pudesse existir um fruto chamado amoras (mais silvestres ou menos silvestres) que pudesse ser colhido pelo(a) autor(a) do texto ou pelos meus estimados amigos editores do blogue.
3. Isto dizendo, que moral da história podemos retirar? Porventura, que os(as) caros(as) leitores(as) deste blogue (uma amostra seguramente representativa da sociedade portuguesa contemporânea), vêem televisão a rodos e seguem de perto a intriga quotidiana que se vive nos sub-mundos do futebol, da política, do poder judicial, etc. Na verdade, é disto que se vem alimentando a sociedade portuguesa nos últimos anos, à falta de pão, e de razão na gestão da coisa pública [escrito isto, ponho-me a imaginar o que ocorrerá à mente dos(as) ditos(as) leitores(as) quando “chocarem” com o termo “coisa pública”]. De “faces ocultas” ou com vozes distorcidas, imagino já os(as), apesar disso, meus(minhas) caros(as) leitores(as) corados(as) de vergonha, segredando no ouvido do(a) colega(a) ou amigo(a) a ousadia do cronista.
4. Pois é, a verdade é que o meu caro amigo José Cadima (pai) acabou sendo falado a propósito do que nunca imaginaria e viu o “jornal de parede” que edita com José Cadima (filho) alvo de inesperada publicidade, o que, contraditoriamente, nesta dimensão, acaba por ser coisa simpática. Ao que se sabe, os portadores de “boas notícias” quiseram mesmo ir além da cidade sede do blogue no espalhar da “boa nova”, sabendo-se que esta chegou a outras cidades deste lindo Portugal, como o Porto, por exemplo. O Porto não podia aliás escapar sabido que é daí originário o grande mestre vendedor de “fruta” do país, hoje em dia alvo de intensa imitação por fervorosos seguidores lisboetas, de cor “encarnada” ao peito.
5. Numa realidade social actual em que 60% dos portugueses inquiridos dão por seguro que Sócrates (o grande filósofo) é um grande mentiroso mas, na sua maioria, admitem continuar a votar nele (no filósofo, sem vergonha alguma), foi também sem grande surpresa que soube que entre os(as) grandes escandalizados(as) com os escritos divulgados pelos meus estimados amigos José Cadima e José Cadima se encontravam alguns(algumas) seus(suas) colegas de ofício. Entre eles, particularmente, alguns(as) membros de associações de famílias numerosas ou, quiçá, membros de várias famílias e muito estimados(as) maridos(esposas) a atravessar por ocasionais dificuldades conjugais, como é próprio das boas famílias. Amoras? Cartas de amor? Isso são coisas do domínio estritamente íntimo. Autênticas ou ficcionais, nunca, por nunca se vertem em jornais, e muito menos nestes jornais modernaços que nos chegam pela Internet quando sentimos um irresistível apelo a espreitar o que por aí vai! Vá lá, que se publiquem mas depois de mortos os seus autores. Cartas de amor, quem as não escreve…
6. Pois é, dizia, para quê ficção quando temos tantos “apitos dourados”, “faces ocultas”, “freeports” e não sei quantos casos mais tão reais, tão ali ao virar do ecran? Num tal caldo de cultura, podem lá existir amoras que não sejam “fruta”? Pode lá alguém escrever uma carta de amor ou um texto poético que não vá para lá de uma carta de amor ou de um texto lírico? Obviamente que não! Nem os(as) homens(mulheres) bem formados(as) e as famílias sólidas, coesas que temos ainda em abundância, felizmente, o permitiriam. Se algum dia as silvas vierem a dar amoras, pois que estas apodreçam no silvado. Colhê-las? Nunca! Para mau exemplo já temos o da Eva que, tendo o Adão todo para si, quis também ter a maçã.

J. C.

quinta-feira, março 04, 2010

Vejo-o em teus olhos

Em teus olhos vejo
a próxima resposta.
Nem precisas de falar;
já está tudo dito!
Vejo o que estás a sentir.
Sei-o até melhor que tu.
Vejo o que estás a pensar.
Incrível, não é?
Dói-me ver a tua resposta,
e fico com medo de perguntar.
Dói-me saber em quem tu pensas;
dói-me saber que não é em mim.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 72)

segunda-feira, março 01, 2010

As leituras do cronista

1. A falta de tempo raramente me permite estar atento ao que se vai dizendo e escrevendo por aí. Mesmo quando episodicamente arranjo tempo para escrever uma das minhas crónicas, não raro pouco acompanhamento dou aos comentários que acabam por chegar. Dada a natureza das matérias que trato, também não seria expectável ter grandes reacções. Verdade seja dita que, ao contrário doutros que escrevem para ser falados, a mim pouca diferença me faz que comentem os meus textos, quero dizer, o que escrevo é sobretudo para mim, memória que gosto de fazer de emoções, factos e bizarrias do tempo que vivemos. Dessa forma, fico liberto da obrigação futura da escrita de livro de memórias.
2. Por simples acaso e oportunidade de circunstância, nestes derradeiros dias, acabei a dar alguma atenção a um ou outro texto que os meus bons amigos editores deste blogue se vão dando ao trabalho de produzir e, sobretudo, aos comentários que, em crescendo, lhe aparecem anexados. Isso fez-me descobrir quanta gente interessante e preocupada com o bem-estar do seu semelhante (ou diferente, quiçá) por aí anda e, também, gente (pressupostas mulheres) “raivosa” doutra gente, alguma mais raivosa que outra, está bom de ver. Ficou-me uma certa raiva, por assim dizer, de não ser o alvo da cobiça (pressuposta cobiça, se bem entendi).
3. Deixo claro que em tempos já longínquos, dava eu os primeiros passos como cronista, também fui alvo de algumas atenções femininas e até, confesso, de alguns olhares mais furtivos. Mas esse era tempo com outro recato. Só alguma leitora mais atrevidota me fazia chegar uma nota escrita (um bilhetinho) denunciando a atracção que eu, ou melhor, a minha escrita, lhe provocavam. A nenhuma lhe ocorreu vir para esta praça pública mostrar inveja dos sucessos amorosos do cronista ou daquelas que lhe roubavam o coração. Também é verdade que, nessa altura, a Internet navegava ainda por outras paragens, mas nem por isso deixa de ser uma menos retinta verdade o que digo.
4. Feito consultório sentimental ou divã de psiquiatra, acaba este blogue por adquirir uma dimensão que os seus editores, os meus bons amigos José Cadima e José Cadima, não tinham antecipado. Não é que a lógica de serviço público não estivesse no seu espírito. Foi, aliás, a este título que fui convidado para trazer o meu contributo. Mas consultório sentimental… Fico contente por assim ter acabado por resultar. Desse modo, satisfaz-se quem tem conselhos para dar e generosidade bastante para o fazer gratuitamente, e quem está carente de um conselho amigo (umas vezes mais amigo que outras) ou está necessitado de se acolher num divã de psiquiatra. Talvez se perca alguma da dimensão cultural inicialmente visada mas, como bem diz o povo, o óptimo é muitas vezes inimigo do bom.
5. Como dizia, gostei de ler os comentários. Sendo verdade que, por essa via, a ideia de ser eu a abrilhantar o blogue com as minhas crónicas de análise social cai em grande medida por terra, não deixa também de ser verdade que as sedes de interesse que assim se introduzem se amplificam imenso, com consequentes ganhos em matéria de número e variedade de leitores. Digo isto a pensar no sucesso do projecto dos meus bons amigos editores do blogue. Pessoalmente, já que escrevo sobretudo para mim, esse resultado acaba por se me sugerir embaraçoso. Todavia, atento ao compromisso que assumi, homem de palavra que sou, vou continuar por cá por algum tempo mais, fazendo figas, em todo o caso, para que os meus escritos passem tão discretos como sempre. Posto que preservarei o carácter episódico do registo, espero bem que assim resulte.

J. C.

sábado, fevereiro 27, 2010

30 dinheiros

Foi-me penosa a semana, muito penosa. Pese aquilo que já vi, nem mesmo assim me custa menos ver a facilidade com que alguns se vendem por 30 dinheiros, ou até menos.
Houve tempos em que olhei para o meio onde por opção profissional me movimento como um espaço privilegiado de partilha, de superação pessoal, de dedicação, de respeito pelos outros e pelo mundo. Hoje sei com mais segurança que nunca que os oásis são acidentes: estão condenados pela afirmação esmagadora da aridez, do vento agreste que empurra a areia para os lugares mais recônditos, logo que uma fresta fica aberta.
Resta-me deixar de olhar para o lado. Resta-me, simplesmente, seguir em frente. Hoje, como sempre, prefiro continuar só que estar mal acompanhado.
Foi-me penosa a semana, muito penosa. Custa-me que não subsista lugar para as pessoas, na sua individualidade, na sua ânsia de carinho e aspiração de felicidade, sempre precária.
Onde estão os momentos de convívio, as manifestações de amizade que nos reuniam algumas tardes em redor de um prato de rissóis? O caminho que percorremos fomos nós que o escolhemos ou alguém o decidiu por nós? E se o decidiu por nós, quais são os valores maiores, de humanidade, que o justificam?
Neste turbilhão de desumanidade, prefiro continuar caminho sozinho. Fico melhor só que mal acompanhado.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, fevereiro 23, 2010

domingo, fevereiro 21, 2010

Romagem de saudade

Estou de regresso de Leiria, onde estive outra vez em breve romagem de saudade. A saudade levou-me a lugares emblemáticos: à praia velha, que estava particularmente bela, deserta que se apresentava do muito lixo que a conspurcou durante muitos anos, ao pequeno vale encantado encrostado na mata nacional que ruma à praia velha, a S. Pedro de Moel, ao pinhal do meu avô José Pedro... Terá sido o meu avô que esteve mais presente na minha memória durante esse tempo. O seu/nosso pinhal é inseparável da sua memória. Cruzando-o, não sou capaz de deixar de recordar-me das visitas que lhe fazíamos, juntos, sobretudo no Verão, acompanhados pelo cantar das cigarras.
Estas visitas provocam-me sempre sentimentos múltipos, gratificantes uns, amargos outros. Gostei de reencontrar o meu irmão. Tive dificuldade em transmitir-lhe as palavras de ânimo de que porventura precisa e que tanto merece que lhe sejam ditas. Evitei cruzar-me com os poucos outros familiares que me inspiram boas recordações, talvez receando que me dessem notícias que se sugerissem também elas amargas.
Hei-de lá voltar com mais tempo e com espírito mais liberto, com mais força para combater os múltiplos fantasmas que me assaltam logo que paro o carro, e com maior vontade de trocar abraços com aqueles que estiveram ausentes desta visita. Quando será a próxima visita, não sei, mas hei-de lá voltar!

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

O tempo (2)

Houve tempos em que o tempo passava do frio para o calor, do calor para o frio, sempre a saltitar.
Houve alturas em que o tempo passava para matar ou curar; passava devagar, para nos ver sofrer. Era sádico, esse tempo, o nosso tempo.
Houve tempos em que o tempo saltitava. Às vezes, chegava até o tempo do amor. Esclareça-se: não era o tempo que amava!
Agora, o tempo passa sem razão, quer dizer, passa por passar, dá passos em frente sem saber por onde andar. Parece-me perturbado, este tempo, o nosso tempo.

José Pedro Cadima

domingo, fevereiro 14, 2010

O Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados não é um dia como qualquer outro. Ai não que não é!…
Em primeiro lugar, é um dia em que a maior parte dos casais tenta participar de uma forma ou de outra, sejam namorados recentes, acabadinhos de entrelaçar, sejam o Sr. José e a D. Maria que até já festejaram as bodas de ouro, ainda que a maior parte dos anos tenham discutido afincadamente … Nada que se compare ao dia internacional da mulher, ao dia da árvore ou mesmo da SIDA. Não, o envolvimento no Dia dos Namorados só é comparável à comemoração do Carnaval.
Na realidade, o assédio comercial é tão grande, que é muito difícil não querermos participar num dia que apela ao amor e que relembra o gorduchinho Cúpido, com ar de maroto a atirar flechas que nos acertam em parte conveniente e que passam a química necessária para nos babarmos e passarmos a idolatrar alguém.
Mas, sinceramente, ou é porque já estou a ficar velha ou então o tal Dia tem vindo a perder a piada… Digam-me se não tenho razão! Depois de o cavalheiro ir a correr (se for num dia da semana – felizmente não precisarão de correr hoje, domingo) comprar uma simples flor ou um ramo à florista mais próxima, para a versão mais “pobre” em termos comerciais, claro está, eis que depois do reencontro depara o cavalheiro e a cavalheira com um restaurante (escolhido a dedo e que garantia grande intimidade) cheio de cavalheiros e cavalheiros que procuraram o mesmo. A desilusão só pode ser grande!
Há uns oito anos atrás estava em Lisboa, num destes Dias, e pude presenciar durante quase uma hora a correria em direcção a uma qualquer florista e depois a desilusão e o espreitar para as outras mesas, num restaurante de Lisboa, tentando ver se a prenda era melhor do que…
Mas no Dia de Namorados há várias situações que importa lembrar e sobre as quais não podemos falar de forma cientifica, não em relação a cada situação, mas sim à percentagem de casais que se enquadra em cada uma delas. Se não, vejamos:
1-Uma parte razoável (gosto desta palavra, pois “a maioria” não me parece que seja a realidade) efectivamente ao entregar uma rosa vermelha (alguns com ela cravada nos dentes, para parecer mais romântico) à sua amada e uma prenda qualquer estão na verdade a querer reafirmar o seu amor por outra pessoa.
2-Existirá uma outra parte, também razoável, que enquanto entregou uma rosa vermelha e um colarzito de pérolas à esposa, terá dado um de valor superior à sua amante, para a calar, pois não poderá passar a parte mais romântica do dia com ela ou porque efectivamente é a ela que ama mais…mas por uma qualquer razão pouco emocional não é com ela que estará naquele momento especial…
3-Há uma parcela minoritária que não gozará o Dia, mas que efectivamente não precisa de dias para comemorar o seu amor…
4-Há ainda uma outra parcela minoritária que não gozará o Dia, porque não tem dinheiro para o fazer e/ou porque já não tem nada para festejar e assume publicamente tal facto.
Para mim, o facto da minha filha querer fazer um jantar quase surpresa e querer deixar-me desfrutá-lo só com o meu namorad0 tem muito mais significado... Ainda não tenho a certeza se funcionará, mas revela, pelo menos, que outra pessoa repara e confirma o nosso amor…
.
Leonor

sábado, fevereiro 13, 2010

Afinal, ler os jornais ainda vale a pena

A conjugação de múltiplos afazeres com a percepção de que os jornais só tratavam de assuntos fúteis levou-me nos derradeiros anos a abdicar da respectiva leitura sistemática, coisa que fiz décadas a fio, especialmente do Expresso, apesar do director que tinha (José António Saraiva). Para a dita falta de tempo não concorreu o que me toma a redacção de singelas crónicas de análise do quotidiano como esta, já que, como é sabido, esse foi exercício que não cultivei senão muito esporadicamente no período recente.
Desfolhando fortuitamente o Jornal de Negócios de ontem, vejo agora ter sido pouco fundado o sentimento que alimentei sobre o que se escreve nos jornais ou, pelo menos, nalguns deles. Há, de facto, matéria que vale a nossa atenção e escritos que nos esclarecem e iluminam. É disso exemplo o texto de onde pude extrair passagens como as que reproduzo de seguida:
- “Cá por mim, sempre detestei pregadores moralistas, pelo que descansem os leitores que não vão gramar um sermão da montanha. Vão gramar, sim, o enjoo de quem está cansado de falta de saneamento básico, político-social, nestes tempos em que ´palavra de honra` já só é uma imprecação, não um juramento inabalável” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010);
- “Estamos cada um por si, excepto nas associações de pequenos interesses que é o máximo de agregação social que se consegue vislumbrar, e que tem por finalidade sacar o maior bocado a que se pode deitar mão” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010);
- “Não passam de gente de ejaculação precoce, num frenesim de parecer que chegaram ao fim, em auto-presumido sucesso” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010).
É verdade, trata-se tudo de passagens do mesmo texto. Daí pode inferir-se sobre a respectiva abrangência e riqueza analíticas. Não são sequer as passagens mais significativas posto que outras há que dizem que “Pergunto-me se muito não tem a ver com esses ´post-moderninhos`, de cabeça vazia ou tóxicos na mão que, curiosamente, se encontram em lugares de influência e até predominância […], com esses legisladores que evitam o erro ortográfico (graças ao ´word`), mas não o de sintaxe, e fazem jorrar reformas, leis confusas e contraditórias, sem sedimentação ou ajustamento social” (F. Braga de Matos, JN, 12 de Fev. 2010).
Sendo um artigo de inquestionável interesse, como sublinho, em função da respectiva densidade, acaba por não ser um texto fácil. Essa dificuldade interpretativa sugere-se logo no início, como seguramente os(as) meus(minhas) queridos(as) leitores(as) terão percebido a partir dos excertos que retenho. Na verdade, se S. Agostinho tivesse feito os seus sermões aos peixes “da montanha”, seria muito duvidoso que estes o pudessem escutar. Por outro lado, permito-me também duvidar que o sujeito que sofre de “ejaculação precoce” se sinta satisfeito ou bem sucedido no quadro da cópula almejada. Pode até ejacular sem conseguir ultrapassar as primeiras defesas, o que, para além de frustrante, pode mesmo deixá-lo envergonhado perante a(o) parceira(o), tanto mais se esta(e) for fortuita(o).
Não sendo claros na generalidade dos casos os destinatários da crítica veiculada, de passagens como “fazem jorrar reformas, leis confusas e contraditórias, sem sedimentação ou ajustamento social”, pode inferir-se visar o analista o ministro Silva, ou o outro da justiça, cujo nome não me ocorre nesta ocasião, ou o ministro Gago, que se sabe ser especialista em fazer de conta que é um grande reformador e homem de ciência, ou, quem sabe… Entretanto, quando invoca “associações de pequenos interesses que é o máximo de agregação social que se consegue vislumbrar, e que tem por finalidade sacar o maior bocado a que se pode deitar mão”, será mais fácil perceber a ligação que visará estabelecer aos nomes de Sócrates, Ferreira Leite e Portas, em particular, que, para além de se arrastarem pelas cadeiras do poder há uma eternidade, são useiros e vezeiros em partilharem orçamentos de estado, submarinos e cavalos de Tróia, para além de lugares de administração em empresas públicas e aparentadas.
A passagem sobre os “´post-moderninhos`, de cabeça vazia ou tóxicos na mão” é, todavia, a que mais me intriga, já que não me ocorre quem são os fumadores que o governo ou a actual assembleia da República albergarão. Será o Alegre? Questiono-me porque, a ser fumador, vejo-o mais de charuto cubano na boca e, sendo cubano, não se lhe poderá chamar tóxico. Por sua vez, com todo aquele marketing do “jogging”, o Sócrates não deverá ser fumador, embora se possa admitir que sofra de ejaculação precoce, coitado.
Seja como for, o que importa mesmo aqui sublinhar é que ainda se faz boa análise social nos jornais. Apraz-me constatá-lo. Fico por isso confrontado com a necessidade de retomar velhos hábitos de leitura.

J. C.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

O ser que sou

Entendo-me tão bem com o ser que sou que me causa tédio ver-vos falar daquilo que não sabem.
Porque sou sincero e porque assumo os erros que cometo, sou eu quem erra.
Rejeito a hipocrisia. Não vou ser eu quem fará escolhas pela humanidade, embora as faça para mim. Rejeito quem se arroga decidir sobre a vida de outros quando nem a sua sabe gerir.
Não vou gritar nunca por utopias não realizáveis. Eu cá luto pelas minhas e faço-o em silêncio para ver se se concretizam.
Respeito todas as escolhas, desde que vos façam felizes. Não me obriguem é a aceitar as vossas, porque, como sabem, eu sou o que sou!

José Pedro Cadima

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Ser perfeito

Ai, meu bom amigo, que nem a tua presença me faz sentir melhor. É como se fosse mau ter emoções. Se não sentisse nada, seria deus na terra.
Nesse passo para ser deus, a minha sabedoria é já quase infinita, e as minhas considerações sempre justas.
Neste entretanto, pena tenho eu de não ser perfeito, o que torna isto de viver um grande desafio.

José Pedro Cadima

sábado, fevereiro 06, 2010

Fantasma (2)

Vamos dar as mãos;
vamos apertar-nos um contra o outro
de modo que possamos parecer um só,
mais robusto, mais forte.
Vejo, escondido na noite,
um fantasma
que desaparece por baixo de candeeiros
com formas humanas.
Intimidar-se-ão, também, os fantasmas?

José Pedro Cadima

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Resíduo

O amor é
um elemento residual.
O que nos junta
é o vício e o conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega,
esconde dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Qual deles escolho?

Sentir-te
Amar-te
Adorar-te
Qual deles escolho?
Todos envolvem Riscos
Riscos que quero Correr
Mas que não deixam de atemorizar-me
Correr até não poder mais
Parar para te Beijar
Beijar-te para Sentir-te
Sentir-te e …
Amar-te ou Adorar-te?
Lá estou eu outra vez...
Qual deles escolho?...

C.P.