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quarta-feira, outubro 03, 2012

Recuperando um dos primeiros textos publicados neste "jornal de parede"

Terça-feira, Novembro 20, 2007

Afogo-me em pensamentos

Afogo-me em pensamentos
sobre o que é e o que não é,
e não encontro resposta.

Há tanto tempo que me interrogo
que perdi a pergunta
num monte de respostas falhadas.

José Pedro Cadima

terça-feira, abril 03, 2012

O sábio (2)

Um dia, fui ter com um velho sábio
e perguntei-lhe o que se escondia no céu.
Ao qual ele me respondeu: “o amor”!
Foi então que fiquei a saber que queria ir para o inferno
porque, cá na terra, demasiadas vezes
a dor do amor experimentei.

José Pedro Cadima

sexta-feira, março 19, 2010

A alma que o diabo tentou comprar

O diabo perguntou-me:
- Qual seria o preço da tua alma? O que queres tu por ela?
As lágrimas vieram-me aos olhos. Senti pena deste pobre demónio. Então respondi, alto e bom som:
- Para que queres tu a minha alma? Para a amar? Para a chorar? Para sentir tudo aquilo que sinto e sofri, pois sinto com mil vezes mais força que muitos outros dores, mágoas e repreensões, e até um “não” me faz chorar? Se a tiveres, aviso-te que terás dor, choro e desespero, tal como eu tive. Mas, se a queres, fica com ela! Achas que eu a quero?! Mil “nãos” recebi e cada um deles eu chorei. Fica com ela! Serei eu a beneficiar, e tu chorarás e inundarás o teu inferno de lágrimas que apagarão todos os fogos.

Desci a cabeça. Parei de olhar o diabo nos olhos. As lágrimas desceram na minha face. Foi então que murmurei:
- Fica com ela, por favor!
O diabo afastou-se, entrando na escuridão. No meu último olhar já não o vi. Só vi uma lágrima cair, salpicando o chão.

José Pedro Cadima

domingo, janeiro 24, 2010

domingo, setembro 20, 2009

Abdicar do que não temos

Amigos e todos quantos dizem que me querem bem,
olhem para mim, olhos nos olhos,
e digam-me friamente:
que querem de mim?
Digam-me o que querem que eu demonstre,
que devo fazer para ser melhor,
que querem que faça por vós.
Querem que abdique de quê?
Pois, bem me parecia…
Não posso abdicar de algo que não tenho,
algo como a felicidade.

José Pedro Cadima

terça-feira, julho 14, 2009

Monstros

- Monstros perseguem-me.
Vê-los? Ouve-los?
-Não?
-Mas, sente-los?
-Sinto!
Mas, diz-me:
porque te perseguem?
- Tu persegues-me.
Tu és o monstro!
Tu me falas.
Responde tu a essa pergunta.

José Pedro Cadima

domingo, julho 06, 2008

O que será?

O que será?
Quem será?
Porque será?
Que será que é?
Mil e uma imagens,
cada uma a valer mil palavras,
mil acções, mil ideias,
passam pela minha cabeça,
sobrevoam-me em voo rasante.
Vejo-as passar
e, no entanto, não parecem fazer sentido,
não lhes encontro sentido
e, por assim ser, questiono-me
sobre a sua razão de ser.
Não lhes encontro sentido
e gostava de encontrar.
Talvez a resposta chegue amanhã,
talvez...

José Pedro Cadima

sábado, abril 19, 2008

E se eu morresse agora?

Já pensaste: e se eu morresse agora?
Virias à minha campa chorar?
Rezarias pela minha alma penada?
Acharias alguém para te amar como eu te amo?
Não! Não penses nisso.
Terás assuntos mais interessantes em que pensar
e, eu morrendo ou não morrendo,
não te faltarão homens a quem amar.
Menos seguro será encontrares alguém
que te venha a amar tanto quanto eu.
Não, não rezes por mim.
Não, não irás encontrar alguém
que te venha a amar mais intensamente que eu,
mas talvez possas achar alguém que te faça mais feliz
do que eu consegui que fosses comigo.

José Pedro Cadima

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Querer e não ter

Eu não tenho que querer seja o for,
a não ser aquilo que resultar do meu esforço
e querer,
nem tu, nem ninguém!
Pois tudo querermos,
desde a nossa felicidade
ao sofrimento dos outros,
torna-nos mesquinhos e infelizes.

Somos maus ou julgamo-nos bons.
Num e noutro casos,
só é certa uma frustração sem termo.

José Pedro Cadima

domingo, janeiro 27, 2008

Porque me sinto assim?

Porquê esta angústia
que não me abandona?
Porque me sinto assim,
inseguro, perdido?
Seguramente, por causa do amor.
Mas não serei eu cobarde
por culpar o amor?
Culpar o amor já todo o poeta culpou.
Não devo, antes, culpar-me a mim
por esperar do amor
algo que ele não pode dar-me?
Aconchego. Serenidade.
Porque me sinto assim?

José Pedro Cadima

terça-feira, novembro 20, 2007

Afogo-me em pensamentos

Afogo-me em pensamentos
sobre o que é e o que não é,
e não encontro a resposta.

Há tanto tempo que me interrogo
que perdi a pergunta
num monte de respostas falhadas.

José Pedro Cadima

domingo, outubro 21, 2007

Porque me desfaço eu em lágrimas?

Choro. Desfaço-me em lágrimas.
Olho-me ao espelho e sinto-me ridículo.
Reparo, então, na ironia de me ver chorar
e questiono-me sobre o sentido, o absurdo desse meu gesto.
Porque hei-de eu chorar?
Porque me é tão penoso amar alguém?
Por alma de quem me auto-flagelo?
Pela minha própria alma, que não sei viver a vida sem entrega?
Por alma de quem amo e me faz padecer deste modo?
Mas, se me quer tanto quando diz querer,
porque há-de desejar este meu choro?
Vendo vem as coisas, talvez a dificuldade resida aí mesmo,
na sua insensibilidade para o amor
e, se assim for, o choro perde todo o sentido;
o meu choro não passará de auto-flagelação.
Porque me desfaço eu em lágrimas?

José Pedro Cadima

quinta-feira, setembro 06, 2007

Vida monótona

Porquê eu?
Porquê todos os dias?
Estarei destinado a ter esta vida
monótona e repetitiva?
Como se fosse um clone,
cada dia parece clonado do dia precedente,
mostrando um sorriso que cobre a minha tristeza,
as minhas mágoas,
os meus choros e o meu tédio.

José Pedro Cadima

segunda-feira, maio 28, 2007

O Porto

Neste rio de água suja
dos crimes humanos,
vejo uma cidade de prédios velhos
ou de monumentos?
Neste rio, vejo uma cidade de pedra já podre
ou serão, apenas, os meus olhos a vê-la assim?
Pode dizer-se que é antiga
ou será mais uma velharia de um país velho,
que já foi grande
e agora é pequeno
e velho, como esta cidade?

José Pedro Cadima

sábado, março 10, 2007

Descreve o amor!

– Escreve uma composição descrevendo o amor.
– Não sei!
– Tens que saber!
– Já por mais de mil vezes tentei e nunca o consegui.
Em todos os livros eu procurei e não achei o significado.
Se não existe definição, como posso eu descrevê-lo?
De todas as maneiras como foi descrito o amor,
aquela que melhor interpreta o que sinto é a dor.

José Pedro Cadima

domingo, janeiro 28, 2007

Questiono coisas inquestionáveis

Todos os dias questionamos
coisas sem questionamento,
até que descobrimos
que não é bem assim.
Questionamos o ar.
É possível questionar o ar?
Não é ar!
São sprays e tabaco.
Questionamos a terra.
É possível questionar a terra?
Não é terra.
É lixo! É um aterro!
Questiono os sonhos.
É possível questioná-los?
Não são sonhos,
nem pesadelos.
São a realidade.

José Pedro Cadima