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sábado, abril 02, 2011

Momentos rosa, pores-do-sol laranja

Momentos rosa;
pores-do-sol laranja,
roxos, esverdeados;
arco-íris brancos,
cor-de-rosa, de todas as cores…
Por onde andam?
Onde se escondem?

As abelhas nas flores os procuram,
as toupeiras no solo
e as baleias no fundo do oceano.
E o homem?
Esse, procura-os na lua…
Esse, escapando-lhe a lua,
sonha que uma estrela cadente
algum dia lhe traga luar bastante
para iluminar uma existência
em risco de ruína.

José Pedro Cadima

sábado, outubro 09, 2010

Foi tarde

A Lua-cheia acordou cedo
e a Primavera correu para chegar a tempo.
Mesmo assim, foi tarde:
agora, tenho pouco,
quase nada para te dar.
Tempos houve
em que poderias ter tido a Lua.

José Pedro Cadima

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Tu e eu

Teu contacto era tão distante;
tuas palavras, afónicas;
teu toque, inexistente…

Meu pensamento, frustrado;
minhas lágrimas, dolorosas;
meu sentimento, tristeza…

Tu e eu!

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 67)

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Podias ter tido a lua (2)

A lua cheia acordou cedo
e a primavera correu para chegar a tempo
mas, mesmo assim, foi tarde:
quando chegou, já tu tinhas destruído tudo.

Para trás pouco ficou:
fiquei eu e não muito mais;
eu, que gostava tanto, mas tanto de ti.
Percebo agora que investi demais
na nossa relação,
mesmo julgando ser tão pouco.

Agora, tenho pouco para te dar.
Podias ter-me tido como escravo.
Podias ter-me tido como teu amante,
dedicado e carinhoso.
Podias ter tido a lua, o sol e, até, o meu amor!

A lua cheia acordou mais cedo
e a primavera correu para chegar a tempo
mas, mesmo assim, foi tarde:
agora, tenho pouco para te dar!


José Pedro Cadima

sexta-feira, maio 23, 2008

Os deuses

Chorei toda a noite,
e hoje chove.
Incrível o que fazem os deuses
para que não me sinta só!

José Pedro Cadima

sexta-feira, outubro 05, 2007

Fazer da vida uma ideia

Não usarei a minha vida
como se usasse o palco de um teatro.
Recuso-me!
Viver tudo de novo,
repetir gestos, esperanças, desilusões.
Sobretudo, repetir desilusões.
Recuso-me!
Quero viver mais.
Quero descobrir novos caminhos.

Passou-me pela cabeça essa ideia.
Um pensamento, enquanto for pensamento,
não faz mal a ninguém.
É como o fogo:
o que dói é cair nele.

Não usarei a minha vida
como se usasse um palco!

José Pedro Cadima

terça-feira, outubro 02, 2007

Escrever algo belo

De costume,
padeço bastante quando escrevo.
Doí-me em razão das emoções que me acodem
e dói-me porque fico com o sentimento
de que é muito mau o que escrevo,
tal qual algo que tivesse sido regurgitado.
Isso sucede-me mesmo quando escrevo bem,
se a modéstia me permite dizê-lo deste modo.
Só muito depois do texto ter sido escrito,
quando está já esquecido,
é que sou capaz de voltar a lê-lo e perceber-lhe a forma.
Então, leio com certo prazer,
e a dúvida maior
de ter sido o seu autor.

José Pedro Cadima

quarta-feira, setembro 26, 2007

Sentimentos mistos

Dói-me um pouco
por todo o lado.
Ninguém diria que vivo
em pleno paraíso, no lugar de Miguel.
Na minha cabeça,
o inferno, o centro da terra.

Chamas que ardem cá fora
em forma de silêncio.
E, por dentro, um vulcão que ameaça explodir
em cinzas e chamas.

Anseio deixar entrar a paz
mas a pressão interior
persiste forte,
no limite da minha capacidade de controlar
as emoções que me assaltam.

José Pedro Cadima

sábado, setembro 01, 2007

Fotografias

Estive a ver fotos tuas,
tentando escrutinar as razões
pelas quais me apaixonei por ti.
Esse percurso levou-me até possiveis definições de beleza
e ao que me pode inspirar sensações de bem-estar.

São múltiplas as definições de beleza
que agora tenho,
tantas quantas as expressões de doçura
que descortinei em cada foto tua
que tenho em minha posse.

É certo que não sei se os traços que aí encontrei
são originariamente teus
ou se foram os meus olhos
que os desenharam no teu rosto,
mas isso pouco importa.

José Pedro Cadima

quinta-feira, agosto 30, 2007

Biografia de um apaixonado

Levei algum tempo a percebê-lo.
Estive a ler poesia
e o que li em tudo se assemelha
à história da minha vida:
porque é que a felicidade
se sugere tão esquiva
a quem só é capaz de pensar a vida
com paixão?

José Pedro Cadima

quarta-feira, agosto 08, 2007

Abraçar-te, qual naufrago

Abraço-te
como me agarro à ideia de depender de algo exterior.
Será esse, talvez, o consagrar da minha ruína.

Faço-o do mesmo modo que outros se entregam à sua fé.
Fica-me a esperança
que os meus medos mais profundos se não confirmem
e tu sejas mesmo só a doçura
que aparentas ser
e que me induz a abraçar-te,
qual naufrago.

José Pedro Cadima

sexta-feira, agosto 03, 2007

Sementes

As sementes da humanidade
são, pois claro, os olhos.
Plantamos olhares
e depois colhemos os frutos.

José Pedro Cadima

sexta-feira, julho 27, 2007

A Lua

Para onde foi a lua
que me passeou,
que me iluminou o espírito?

Terá ido, porventura, passear outro alguém,
encontrar-lhe um caminho
e, quem sabe, …
provocar também nele
saudades daquele passeio que fizemos juntos,
eu, a lua e tu.

José Pedro Cadima

quarta-feira, julho 25, 2007

Pérfido

Destituída minha alma,
ficou um vazio
que me penaliza mais a mim que aos outros.
Nenhum clarão me invade,
mas também nada me detém.
Fico um passo à frente.

Porque se dantes tudo era mentira,
agora também o é…
mas, agora, é-o
porque estou um passo à frente da verdade.

José Pedro Cadima

segunda-feira, julho 23, 2007

Outono…

As folhas têm tantas cores
e caem tão depressa…
Noutra estação,
vi-as cair mais devagar.
Talvez a gravidade
ache estas mais bonitas…

José Pedro Cadima

segunda-feira, julho 02, 2007

quinta-feira, junho 21, 2007

Amores deste dia

A água quente está em falta.
Tenho as cuecas favoritas por lavar.
O pão da manhã estava frio
e, pior ainda, tinha chovido e estava molhado.
Morreu-me o cão!
Não me fujas tu também,
senão perco amores a mais, num dia…

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 18, 2007

Pensei que existisse!

Pensei que existisse.
Cheguei a ver em mim alguém.
Subitamente, percebi que não o era,
estava longe do ser;
o sentimento que de ti vinha
era mais por ele do que por mim. Não era?
Quis o demónio dar-me esta penitência
para ver quanto aguentava eu
sem renunciar à minha crença no amor.
Viverei, também eu, para lá dos cem anos?
Às vezes penso que sou inútil,
outras vezes aceito o facto…
Pensei que existisse.
Cheguei a ver em mim alguém.

José Pedro Cadima

terça-feira, junho 12, 2007

Vejo-o em teus olhos

Em teus olhos vejo
a próxima resposta.
Nem precisas de falar;
já está tudo dito!

Vejo o que estás a sentir.
Sei-o até melhor que tu.
Vejo o que estás a pensar.
Incrível não é?

Dói-me ver a tua resposta,
e fico com medo de perguntar.
Dói-me saber em quem tu pensas;
dói-me saber que não é em mim.

José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 08, 2007

Amor, mas não por mim

O mal-estar aproxima-se.
Apresenta-se mais forte que um vendaval.
Até as lágrimas se escondem.
Os momentos, esses, não valem nada,
pelo menos os meus.
És tu que me fazes sentir mal.
Falas de amor, mas não será por mim.
O mal-estar aproxima-se, célere.

José Pedro Cadima