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terça-feira, julho 24, 2012

Adoro a chuva (II)

Adoro a chuva, se intensa, se forte
Adoro escutar o som do metal
matraqueado pela água que cai.

Em dias depressivos,
chorar acaba por trazer-me alívio;
chorar permite-me atirar para poças de água turva
os sentimentos que trago enrolados em mim.
É como aquelas músicas pesadas que nos embalam
e, ao mesmo tempo, nos levam para longe do conforto.

Adoro ouvir a chuva cair.
Nessa altura, o mundo lá fora
torna-se  tão real quanto a dor que sentimos.

José Pedro Cadima

terça-feira, fevereiro 14, 2012

De volta a "Sonhos a Um Espelho"

«O meu amor por ti
Se o meu amor por ti
fosse o responsável pelo girar dos planetas,
um ano duraria menos que um segundo.
Se o meu amor por ti
fosse a energia que alimenta as estrelas,
seria sempre dia.
Se o meu amor por ti
fossem apenas palavras,
este poema não teria fim.»


José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p.20

sexta-feira, abril 08, 2011

Anseio

Ensaio seguir caminho,
temeroso do futuro,
desencantado do passado.
Anseio voltar a experimentar o repouso
de uma noite tranquila.

José Pedro Cadima

domingo, dezembro 05, 2010

Noites em claro (II)

Não como.
Não durmo.
Não sinto, nem sonho.
Não vivo.
Deambulo em busca
do que me escapa.
E nas noites em que não durmo,
mato-me;
aos poucos, é certo, mas mato-me.
Arde-me o corpo.
São ácidos do passado.
É a embriaguez do futuro.

José Pedro Cadima

quinta-feira, setembro 16, 2010

Vontade (II)

Vontade é voltar a escrever. Vontade é fugir à rotina; fugir...
Desgraçadamente, vontade de escrever é coisa que não tenho. Pior: não tenho mesmo vontade de outra coisa que não seja partir para longe, fugir…
E vendo a vida correr, sobressaltado, dou um salto: tau – bato com a cabeça no céu, que, não parecendo, estava ali tão perto.
É como ter vontade de voar e não ter asas, ainda que, neste caso, isso pouco importe porque nem essa vontade me assiste.
Fugir? Regressar? Fugir?

José Pedro Cadima

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

O ser que sou

Entendo-me tão bem com o ser que sou que me causa tédio ver-vos falar daquilo que não sabem.
Porque sou sincero e porque assumo os erros que cometo, sou eu quem erra.
Rejeito a hipocrisia. Não vou ser eu quem fará escolhas pela humanidade, embora as faça para mim. Rejeito quem se arroga decidir sobre a vida de outros quando nem a sua sabe gerir.
Não vou gritar nunca por utopias não realizáveis. Eu cá luto pelas minhas e faço-o em silêncio para ver se se concretizam.
Respeito todas as escolhas, desde que vos façam felizes. Não me obriguem é a aceitar as vossas, porque, como sabem, eu sou o que sou!

José Pedro Cadima

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Ser perfeito

Ai, meu bom amigo, que nem a tua presença me faz sentir melhor. É como se fosse mau ter emoções. Se não sentisse nada, seria deus na terra.
Nesse passo para ser deus, a minha sabedoria é já quase infinita, e as minhas considerações sempre justas.
Neste entretanto, pena tenho eu de não ser perfeito, o que torna isto de viver um grande desafio.

José Pedro Cadima

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Vidência

Vejo o amanhã e este assusta-me!
As visões do futuro
fazem com que nos arrependamos
de acções do passado.
A inércia dos erros
corta-me a fome e tira-me o sono.
As capacidades que tenho de nada me servem.
Os meus movimentos sugerem-se presos, vazios,
falhos de eficácia.
Ensaio seguir caminho,
temeroso do futuro,
desencantado do passado.
Anseio voltar a experimentar o repouso
de uma noite tranquila.

José Pedro Cadima

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Momentos felizes: quem os não tem em falta?

É verdade que tenho
muitos momentos felizes.
É verdade que muita da minha tristeza
decorre da falta dos momentos
que simplesmente não tenho
e me fazem uma falta imensa.

Quando me arrependo
de não os ter,
faço mal a mim mesmo.
Faço mal a mim mesmo, digo,
por saber que tenho todos aqueles momentos
que a outros fazem realmente falta.

José Pedro Cadima

quinta-feira, dezembro 31, 2009

2009

2009 foi o ano
Das descobertas e aventuras
De sacho e serrote na mão
Descobri o quanto a natureza
Nos pode surpreender
E tu foste o elo de ligação

2009 foi ano
De grandes tristezas
Que consegui superar
Contigo do meu lado
Dando-me a mão
Quando muitos me empurravam
Para o fundo do poço

2009 foi o ano
Em que te conheci verdadeiramente
O ano em que desabrochaste
O ano em que te tornaste criança outra vez
O ano das grandes surpresas
O ano em que disseste que me amavas


C.P.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Sem cor

Ando vestido de um sentimento sem cor,
como se estivesse impedido de sentir.

Queria compreender o porquê
de tanta coisa que não brilha.
Queria correr em busca da perfeição
que me desse o poder de cativar.

Por trás desta máscara,
finjo todos os dias
que sou alguém com luz própria,
mas apenas reflicto o que quero ver.

Escondendo a fragilidade
daquilo que sinto,
nem arrisco denunciá-lo.
Fico-me por uma contemplação silenciosa.

José Pedro Cadima

terça-feira, dezembro 08, 2009

Vontade

Vontade é: voltar a escrever; fugir à rotina.
Desgraçadamente, vontade de escrever é coisa que não tenho. Pior: não tenho mesmo vontade de nada.
E vendo a vida correr, sobressaltado, dou um salto: tau – bato com a cabeça no céu.
De alguma forma, é como ter vontade de voar e não ter asas.
Entretanto, neste caso, isso pouco importa porque nem essa vontade me assiste.

José Pedro Cadima

terça-feira, novembro 24, 2009

Naturalmente Seduzido (2)

Posso não parecer estar de joelhos na tua presença, mas estou!
O que tu vês é a imagem de alguém que não sou eu. Trata-se de uma máscara que criei e que nem aos que me estão próximos lhes permite entender o meu verdadeiro estado de espírito.
Sou capaz de tudo, a fingir, até que suporto a tua presença sem te desejar!
Vagueio com os olhos pelo espaço que me rodeia, tentando não me focar em ti, tentando não me relembrar do quanto gostava de contemplar os teus traços, os traços pelos quais realmente me tinha apaixonado e que nunca ousei confessar-te.
Perco-me nas palavras. Vou por caminhos que não existem. Tudo para não te dizer o que realmente quero dizer. Busco tema após tema. Finjo-me superior; finjo-me especial. É do nervosismo que me incutes.
Sou incapaz de te magoar. De ti, vinha-me uma paz que me deixava confortável. Porque achas que me conseguia manter calado e carinhoso quando estava na tua presença? Bastava-me um leve mimo teu para me dar conforto num mundo que eu encontro hostil e de que preciso proteger-me.
Afasto também da minha memória o sentimento que nutrias por mim.
.
José Pedro Cadima

domingo, novembro 22, 2009

terça-feira, novembro 17, 2009

Adoro a chuva

Adoro a chuva.
Adoro escutar o som do metal
matraqueado pela água que cai.

Nestas semanas depressivas,
chorar acaba por trazer-me alívio;
chorar permite-me atirar para poças de água turva
os sentimentos que trago enrolados em mim.
É como aquelas músicas pesadas que nos embalam
e, ao mesmo tempo, nos levam para longe do conforto.

Adoro ouvir a chuva cair.
Nessa altura, o mundo lá fora
torna-se tão real quanto a dor que suportamos.

José Pedro Cadima

sexta-feira, novembro 13, 2009

Mimo

Não estás aqui! Vejo através dos teus olhos que te escondes do teu lado do Mundo. Mantenho-me a olhar-te fixamente. Não há reacção. Irei buscar-te a esse lado para que estejas comigo!

Primeira tentativa: aproximo-me (dá-me um beijo!) e pouso a cabeça no teu ombro. Contorno os teus traços com uma mão, desviando com a outra o cabelo do teu pescoço. Beijo-o carinhosamente enquanto forço os teus lábios na minha direcção.
Não resulta. Para onde fugiste que não te consigo alcançar?! Não será por isso que desisto.

Segunda tentativa: encosto a minha face à tua. Sem abrir os olhos, dou-te um primeiro beijo na cara. O frio do meu nariz faz-te arrepiar. Mas o cristal dos teus olhos mantêm-se espelhando o meu olhar... (abraça-me!)

Terceira tentativa: sem desistir, interpelo-te pelo toque que me anuncia: sou eu e quero-te. Devagar, desço o meu dedo com um leve acarinhar na cana do teu nariz. Volto a aproximar os meus lábios de ti para um leve beijo na testa.

Tu acordas. Abres os teus olhos perfeitos - Que se passa?
- Nada meu amor, é só um mimo!
.
José Pedro Cadima

segunda-feira, novembro 09, 2009

Compreensão

É possível que esteja incomodado
pela simples repreensão dos meus actos.
A culpa que me é atribuída
envergonha-me.

Dá-me o desconforto de me olhar ao espelho
e não encontrar o que queria.
Sinto a dificuldade de deixar fluir os meus sentimentos
e, simultaneamente, alcançar a perfeição.

Nessa escolha,
vejo dois caminhos para a felicidade,
sem que compreenda
se realmente, nalgum momento,
serei capaz de olhar no espelho alguém feliz.

Desculpar-me pelo que sinto
não seria mais que cobardia.
Não posso moldar-me ao teu desejo
quando não existe compreensão na alma.

José Pedro Cadima

sexta-feira, novembro 06, 2009

O medo do desespero

Aproxima-se a meia-noite
e com ela afasta-se a sobriedade
de pensamentos.

O desespero
possui uma certa magia,
mas é como a água:
dela ninguém respira.

O que mete medo
é vir a sonhar com ele.
Será que serei eu quem sonha
ou será ele a sonhar comigo?

E quando me vir no sonho,
o desespero fugirá?
Sentirá o medo
que eu sinto dele?

José Pedro Cadima

terça-feira, novembro 03, 2009

O bêbado telepata

Num incomum momento da noite,
um bêbado, aproximando-se, anuncia:
"A ela vou transmitir
pela minha boca os teus pensamentos".

Foi então que o bêbado
revelou mesmo o poder da telepatia:
com maior coragem que a minha,
declamou, com rigor e fluidez,
palavras que gostaria de te dizer.

O poema saía numa voz de experiência feita,
com um encadear de palavras quase perfeito.
E eu que nem sóbrio e apaixonado
passá-las da mente para a minha boca consigo.


José Pedro Cadima