Ó mar salgado
quanto do teu sal…
Ó mar salgado
pressinto-te perto,
ao dobrar da rua,
mas não te enxergo.
Perto de ti,
sinto-me mais eu
mas não menos ameaçado.
Abalas-me as trincheiras
desta fortaleza
feita natureza,
mas nem em razão disso menos frágil,
menos ameaçada.
Ó mar salgado
a tua beleza, a tua força
atraiem-me de modo similar
ao que a gravidade nos prende
à Terra.
A um tempo, essa amarra sossega-nos,
a outro tempo desejávamos
que nos deixasse flutuar
de modo igual
ao que alcançamos nalguns sonhos.
José Cadima
Imagina só poderes ver os meus sonhos no meu reflexo. "Jornal de Parede" de José Pedro Cadima e de José Cadima
quarta-feira, julho 29, 2009
sexta-feira, julho 24, 2009
Lua
De uma noite escura,
de um céu repleto de nuvens
nasceu um luar
tão grande, tão belo e feroz
que as nuvens mandaram afastar.
Ai, lua, que teu brilho
é tão bonito
que jamais poderá ser representado
por algo dito ou escrito.
É como o sorriso
que sai de um choro.
É como o beijo
de um qualquer namoro.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 49)
de um céu repleto de nuvens
nasceu um luar
tão grande, tão belo e feroz
que as nuvens mandaram afastar.
Ai, lua, que teu brilho
é tão bonito
que jamais poderá ser representado
por algo dito ou escrito.
É como o sorriso
que sai de um choro.
É como o beijo
de um qualquer namoro.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 49)
terça-feira, julho 21, 2009
Uma festa de arromba em Braga
Braga viveu 6ª feira pp. uma festa como há muito não se via pela cidade. O S. João, com os seus martelinhos de plástico e as barracas de farturas, não tem como comparar-se-lhe. A grandiosidade da festa decorreu da presença ao vivo e a cores do Presidente da República portuguesa do Rei de Espanha, e, last but not least, dos primeiros ministros de ambos os países promotores do International Nanotechnologies Laboratory (INL) “inaugurado”. A festa também não teria o mesmo importante significado simbólico se não se tivessem juntado nas redondezas uns quantos docentes (manifestantes?) do ensino superior convenientemente escoltados pela polícia de choque que, ao que parece, não gosto nada de manifestantes (?) ou de docentes do ensino superior, como quer que se queira designá-los. Felizmente, havia por perto um campo de futebol e foi possível acantonar os ditos manifestantes (?) ou docentes do ensino superior (como melhor se entenda defini-los – fico na dúvida sobre quais possam ser mais perigosos) no recinto desportivo em causa, mesmo não tendo este a imponência do de Santiago do Chile, onde Pinochet enclausurou os seus oponentes a seguir ao golpe de estado (fascista) que protagonizou.
A festa, além de grandiosa, foi de todo oportuna já que o edifício tem pronto para aí um terço do que está planeado ser, exibindo na parte restante, já de pé, corres garridas e um “look” todo modernaço, em consonância com o fim a que está destinado. Para mais, como declarou alguém da organização à comunicação social, a inauguração do edifício “marca o lançamento da campanha internacional de apresentação do organismo e de promoção do recrutamento dos melhores cientistas, à escala internacional” (cf. Correio do Minho de 2009/07/17). Em tais circunstâncias, fazia lá sentido esperar que o edifício se apresentasse com o aspecto comum das construções acabadas que encontramos por aí pelo comum das nossas cidades?
Ao que parece, o instituto tem também por resolver a questão do estatuto jurídico, mas nisto também se vê a coerência do projecto. Já viram o que seria apostar num edifício modernaço, para investigação de coisas esquisitas, inaugurado com a construção a um terço do resultado final esperado e ter já tudo resolvido em matéria de enquadramento formal? E se acaso (vá de retro Satanás), obra acabada, não fosse mais ministro da ciência e de umas quantas coisas acessórias mais Mariano Gago? E se por acaso, por altura das vindimas, José Sócrates tivesse sido já apeado do poder lisboeta? E se, por manobra do destino, por ocasião do plantio da relva no espaço envolvente, no edifício fronteiro à Praça do Município morasse já outro inquilino? Desgraça! Desgraça! Em tais circunstâncias, o edifício poderia lá ser inaugurado? E ir-se-ia utilizar, lá para 2010, um edifico que tivesse ficado por inaugurar com pompa e circunstâncias como devem ser inaugurados edifícios com nomes tão sugestivos como International Nanotechnologies Laboratory, para mais votado à investigação de ciências ocultas, como dizem ser as Nanotecnologias?
A festa, além de grandiosa, foi de todo oportuna já que o edifício tem pronto para aí um terço do que está planeado ser, exibindo na parte restante, já de pé, corres garridas e um “look” todo modernaço, em consonância com o fim a que está destinado. Para mais, como declarou alguém da organização à comunicação social, a inauguração do edifício “marca o lançamento da campanha internacional de apresentação do organismo e de promoção do recrutamento dos melhores cientistas, à escala internacional” (cf. Correio do Minho de 2009/07/17). Em tais circunstâncias, fazia lá sentido esperar que o edifício se apresentasse com o aspecto comum das construções acabadas que encontramos por aí pelo comum das nossas cidades?
Ao que parece, o instituto tem também por resolver a questão do estatuto jurídico, mas nisto também se vê a coerência do projecto. Já viram o que seria apostar num edifício modernaço, para investigação de coisas esquisitas, inaugurado com a construção a um terço do resultado final esperado e ter já tudo resolvido em matéria de enquadramento formal? E se acaso (vá de retro Satanás), obra acabada, não fosse mais ministro da ciência e de umas quantas coisas acessórias mais Mariano Gago? E se por acaso, por altura das vindimas, José Sócrates tivesse sido já apeado do poder lisboeta? E se, por manobra do destino, por ocasião do plantio da relva no espaço envolvente, no edifício fronteiro à Praça do Município morasse já outro inquilino? Desgraça! Desgraça! Em tais circunstâncias, o edifício poderia lá ser inaugurado? E ir-se-ia utilizar, lá para 2010, um edifico que tivesse ficado por inaugurar com pompa e circunstâncias como devem ser inaugurados edifícios com nomes tão sugestivos como International Nanotechnologies Laboratory, para mais votado à investigação de ciências ocultas, como dizem ser as Nanotecnologias?
Foi bom Braga poder viver este dia de festa de arromba nesta altura em que a festa se sugere tão arredia do semblante do comum dos bracarenses e de todos os outros bracarenses que a cidade acolhe, que são bastantes mais que os bracarenses comuns. Foi muito bom e ainda há-de ser bem melhor quando tivermos por Braga o INL propriamente dito, com cientistas e tudo, que ficam sempre bem nas suas batas brancas. Nisso, tem muita sorte Braga por poder dispor de uma larga reserva de bracarenses (que em tempos chegou a ser bastante maior) no Alto Minho, em Trás-os-Montes e até em sítios mais remotos, como o Brasil, a Ucrânia ou Cabo Verde, para citar só algumas origens. Retida na memória dos bracarenses que a viram, fica agora a expectativa sobre em que ocasião futura terá a cidade direito a festa de equivalente igualha. Que não seja muito lá para diante no tempo, são os votos que formulo com os demais, que para uma boa sardinhada e uns copos de verde tinto arranja-se sempre estômago.
J. C.
J. C.
domingo, julho 19, 2009
Percorro...
Percorro o teu corpo
Deslizo os meus dedos
Um pouco por todos os cantos que encontro
Encontro as tuas mãos que me seduzem
Deslizam devagar pelo meu corpo
Como mais ninguém alguma vez o fez
Às vezes, tornam-se mais firmes
Sinal de que estás comunicando comigo
Hoje, sinto saudades das tuas mãos, da tua voz,
Até do teu olhar de menino
Sinto falta de quase tudo…
C.P.
Deslizo os meus dedos
Um pouco por todos os cantos que encontro
Encontro as tuas mãos que me seduzem
Deslizam devagar pelo meu corpo
Como mais ninguém alguma vez o fez
Às vezes, tornam-se mais firmes
Sinal de que estás comunicando comigo
Hoje, sinto saudades das tuas mãos, da tua voz,
Até do teu olhar de menino
Sinto falta de quase tudo…
C.P.
sexta-feira, julho 17, 2009
Poemas para nada (2)
Sei que já deves estar farta
que te dedique poemas.
Sei que é inútil o meu esforço
para sensibilizar teu coração.
Mesmo assim, devo tentar,
devo mostrar-te esta força
que me impele para ti.
Se achas estranho
que te dedique estes poemas,
imagina a sensação
que será, fundado no que sinto por ti,
criá-los.
José Pedro Cadima
que te dedique poemas.
Sei que é inútil o meu esforço
para sensibilizar teu coração.
Mesmo assim, devo tentar,
devo mostrar-te esta força
que me impele para ti.
Se achas estranho
que te dedique estes poemas,
imagina a sensação
que será, fundado no que sinto por ti,
criá-los.
José Pedro Cadima
quinta-feira, julho 16, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
Cheguei ao fim do dia bastante cansado. A noite de ontem também não foi particularmente boa. Espero sentir-me melhor amanhã.
Que me digas que não és uma fanática das noitadas ainda admito, agora dizeres-me que estás com saudades minhas depois do desgaste que foi para ti os dias que passámos juntos só pode ser por gozo. Eu já me contento que me digas que a minha companhia não foi tão penosa quanto estimavas.
Lamento não te ter levado a um sítio para dançares. Se o tivesse identificado, ter-te-ia levado, embora fosse seguro que me viesse a arrepender disso. Aí sim, terias oportunidade de me ver em agonia...
Um beijo grande,
Que me digas que não és uma fanática das noitadas ainda admito, agora dizeres-me que estás com saudades minhas depois do desgaste que foi para ti os dias que passámos juntos só pode ser por gozo. Eu já me contento que me digas que a minha companhia não foi tão penosa quanto estimavas.
Lamento não te ter levado a um sítio para dançares. Se o tivesse identificado, ter-te-ia levado, embora fosse seguro que me viesse a arrepender disso. Aí sim, terias oportunidade de me ver em agonia...
Um beijo grande,
José Cadima
terça-feira, julho 14, 2009
Monstros
- Monstros perseguem-me.
Vê-los? Ouve-los?
-Não?
-Mas, sente-los?
-Sinto!
Mas, diz-me:
porque te perseguem?
- Tu persegues-me.
Tu és o monstro!
Tu me falas.
Responde tu a essa pergunta.
José Pedro Cadima
Vê-los? Ouve-los?
-Não?
-Mas, sente-los?
-Sinto!
Mas, diz-me:
porque te perseguem?
- Tu persegues-me.
Tu és o monstro!
Tu me falas.
Responde tu a essa pergunta.
José Pedro Cadima
sábado, julho 11, 2009
A meu lado
Pressinto-te
a meu lado,
sei-te a meu lado
e estranho saber-te
tão perto.
É estranha
a forma como a distância
nos torna próximos,
algumas vezes,
ontem, hoje, amanhã, talvez.
Dormes? Sonhas?
Eu também sonho, por vezes,
raramente.
Vezes há, até,
que sonho contigo, creio;
creio que sonho contigo,
digo.
Tão perto…
José Cadima
a meu lado,
sei-te a meu lado
e estranho saber-te
tão perto.
É estranha
a forma como a distância
nos torna próximos,
algumas vezes,
ontem, hoje, amanhã, talvez.
Dormes? Sonhas?
Eu também sonho, por vezes,
raramente.
Vezes há, até,
que sonho contigo, creio;
creio que sonho contigo,
digo.
Tão perto…
José Cadima
sexta-feira, julho 10, 2009
Procura de um esconderijo
Eu esmago quando beijo;
eu enforco quando abraço;
procuro meu esconderijo,
onde me desfaço.
E à procura dele já fui longe,
para um sítio distante;
atrás dele fui longe,
não olhei para trás um instante.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 41)
eu enforco quando abraço;
procuro meu esconderijo,
onde me desfaço.
E à procura dele já fui longe,
para um sítio distante;
atrás dele fui longe,
não olhei para trás um instante.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 41)
terça-feira, julho 07, 2009
Minha Querida Cláudinha
Estas notas são tiradas do teu diário ou da tua memória, propriamente dita? Se são da tua memória, fico profundamente impressionado, não só pela memória dos detalhes como pela forma como viveste e planeaste este teu dia.
Mais uma vez, fico sem saber o que dizer-te, aparte algumas coisas que te digo algumas vezes e que tu não gostas que eu te diga. Preferia dizer-te que te acho um encanto, uma "teenager" que merece que tudo lhe corra bem, uma Cláudinha que me deixa desamparado porque nunca me ocorreu que me aparecesse pela frente a dizer-me que gosta um bocadinho de mim.
Evita atormentar-me mais. Não sei se consigo resistir. É que, por vezes, sinto-me profundamente frágil.
Quando partimos à aventura, precisamos sempre de boa sorte. Aliás, precisamos de boa sorte mesmo quando não partimos. Concluo que a tua amiga acompanhou todos os teus passos. Nem sempre isso é bom. Eu prefiro reservar essa informação para mim, a da aventura, digo.
Está a ser um dia de revelações para mim e um dia de intensas memórias para ti, deduzo. Vamos ver se o final do dia está à altura do que foi emergindo no seu decorrer. Depois de tanta expectativa ...
Um beijo muito grande,
Está a ser um dia de revelações para mim e um dia de intensas memórias para ti, deduzo. Vamos ver se o final do dia está à altura do que foi emergindo no seu decorrer. Depois de tanta expectativa ...
Um beijo muito grande,
José Cadima
segunda-feira, julho 06, 2009
12 meses e mais 3
Doze meses de descobertas
E mais três de caminhadas
Tu não acreditavas
Eu acreditava que eras tu
Abril, Maio, Junho
Sempre a caminhar
E pouco a adiantar
Brainstorming para aqui
Brainstorming para acoli
Que homem tão misterioso
Verdadeiro Adamastor e força da natureza
Depois…
Julho representou o teu medo e o meu deslumbramento
Agosto foi de descoberta para ti e para mim
Setembro de mais descoberta e já amor
Outubro de grande tempestade em que tanto me ajudaste
Novembro de alguma bonança e alguma esperança
Dezembro de arroz doce e com alguns pozinhos de descoberta
Janeiro de reconforto pela tormenta que se avistou
Fevereiro de contacto com parte da tua natureza
Março de renascer e de amor verdadeiro
Abril de trabalho e mais trabalho, mas feito com muito amor
Maio de mais trabalho e muito carinho e saudades
Junho de certeza de amor verdadeiro e já sem “Helena”
Julho à procura de substituta para a “Helena”
Com tanto amor e verdadeiro
Só posso aspirar que neste novo ano
Consigamos partilhar mais sentimentos e coisas simples da vida
Queres continuar a caminhada?
C.P.
E mais três de caminhadas
Tu não acreditavas
Eu acreditava que eras tu
Abril, Maio, Junho
Sempre a caminhar
E pouco a adiantar
Brainstorming para aqui
Brainstorming para acoli
Que homem tão misterioso
Verdadeiro Adamastor e força da natureza
Depois…
Julho representou o teu medo e o meu deslumbramento
Agosto foi de descoberta para ti e para mim
Setembro de mais descoberta e já amor
Outubro de grande tempestade em que tanto me ajudaste
Novembro de alguma bonança e alguma esperança
Dezembro de arroz doce e com alguns pozinhos de descoberta
Janeiro de reconforto pela tormenta que se avistou
Fevereiro de contacto com parte da tua natureza
Março de renascer e de amor verdadeiro
Abril de trabalho e mais trabalho, mas feito com muito amor
Maio de mais trabalho e muito carinho e saudades
Junho de certeza de amor verdadeiro e já sem “Helena”
Julho à procura de substituta para a “Helena”
Com tanto amor e verdadeiro
Só posso aspirar que neste novo ano
Consigamos partilhar mais sentimentos e coisas simples da vida
Queres continuar a caminhada?
C.P.
sexta-feira, julho 03, 2009
O Teu Olhar de Menino
Às vezes olho para ti
E vejo os olhos de um menino
Adoro esse olhar
Que antes não existia
Os teus olhos
Comunicam com os meus
Duma forma que me assusta
Mas, também, que me conforta
Mas, também, que me emociona
Como será possível amar-te tanto?
Como?...
Porque ambos
Andávamos à procura
Do amor verdadeiro?
Do amor que vive de entrega
Mas, também de desafio
De muito brainstorming
Adoro esse teu novo olhar
De menino que quer
Finalmente
Brincar no recreio
De menino que quer
Viver o que não deixaram viver
Faças o que fizeres
Serás sempre o meu herói
Meu olhar de menino…
C. P.
E vejo os olhos de um menino
Adoro esse olhar
Que antes não existia
Os teus olhos
Comunicam com os meus
Duma forma que me assusta
Mas, também, que me conforta
Mas, também, que me emociona
Como será possível amar-te tanto?
Como?...
Porque ambos
Andávamos à procura
Do amor verdadeiro?
Do amor que vive de entrega
Mas, também de desafio
De muito brainstorming
Adoro esse teu novo olhar
De menino que quer
Finalmente
Brincar no recreio
De menino que quer
Viver o que não deixaram viver
Faças o que fizeres
Serás sempre o meu herói
Meu olhar de menino…
C. P.
quinta-feira, julho 02, 2009
Sinto que não sei
Enquanto percorro as estradas
destes variados mundos,
ausente que és,
sinto que não sei já se estas
são as estradas que quero
continuar a percorrer.
Falta-me o entusiasmo
que me compelia a percorrê-las,
a conhecer a excitação
perante um novo desafio.
Faltar-me-ás tu,
que és o ancoradouro
onde me sinto seguro,
quase sempre;
sempre que não exiges
que seja o herói
que não ambiciono mais ser.
Uma coisa é sobreviver, resistir,
deixar-me levar pelo desafio da luta
que só pode ser para vencer,
outra é querer lutar.
Sabes: os guerreiros também anseiam
ganhar o repouso.
Serás tu o meu repouso,
desafio que permaneces para mim?
Sinto a tua falta!
José Cadima
destes variados mundos,
ausente que és,
sinto que não sei já se estas
são as estradas que quero
continuar a percorrer.
Falta-me o entusiasmo
que me compelia a percorrê-las,
a conhecer a excitação
perante um novo desafio.
Faltar-me-ás tu,
que és o ancoradouro
onde me sinto seguro,
quase sempre;
sempre que não exiges
que seja o herói
que não ambiciono mais ser.
Uma coisa é sobreviver, resistir,
deixar-me levar pelo desafio da luta
que só pode ser para vencer,
outra é querer lutar.
Sabes: os guerreiros também anseiam
ganhar o repouso.
Serás tu o meu repouso,
desafio que permaneces para mim?
Sinto a tua falta!
José Cadima
segunda-feira, junho 29, 2009
Quem não tem tema sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo de inventá-lo
Estou de volta às viagens e ao respectivo encanto. Andei um tempo arredado destas lides. É bom estar de volta. É bom porque me faziam falta a horas de espera nos aeroportos, a comida improvisada para viajantes esfomeados, o “glamour” da partida e da chegada e as madrugadas. Faltavam-me sobretudo as madrugadas para que voltasse a ter oportunidade de passar horas atrás de horas nos aeroportos aguardando o voo de ligação ao destino ou à origem, que também é um destino.
Retorno ao encanto das viagens, embora neste entretanto em que estive fora houvesse algo que se tivesse perdido, irreparavelmente, por troca pelo muito que se ganhou. Perdeu-se, particularmente, a pacatez do controlo de passageiros. Perdeu-se isso para se ganhar a emoção que é embarcar no mundo maravilhoso do “strip tease”: primeiro tira-se o casaco, depois o cinto e logo após os sapatos. Imagino já a próxima etapa…
Sorte, sorte têm certas meninas amantes do “piercing”: o apalpanço não fica só pelos preliminares. Passou também a ser bom trabalhar nos serviços de segurança em causa.
Se há coisas que evoluíram, e muito, há outras que permanecem tal e qual: é espectáculo garantido ir olhando as garotas que passam, nos seus preceitos: se umas se equilibram nos seus sapatos altos, outras há que valorizam mostrar as costas desnudas ou os namorados, os rabos ou as roupas e acessórios com que se decoram. Também as há, coitadas, que não têm que mostrar, não lhes valendo sequer os vestidos. Dos homens não falo. Não lhes acho graça, ponto final!
Nesta ocasião em que estou só a 2 horas da chamada para o embarque (reparem na ironia da palavra: “embarque”), fica-me pouco tempo para discorrer sobre o que me trouxe a este lugar. É pena porque teria muito que dizer sobre o destino, quer dizer, o motivo que me levou a fazer este empreendimento. Poderia, nomeadamente, falar sobre a beleza das noites que se tornam rapidamente dias quando faltam as persianas ou os reposteiros escuros nas janelas dos quartos onde é suposto dormirmos. Poderia escrever sobre televisões que se tornam exclusivamente canais promocionais de alguns produtos e serviços a partir de certas horas. Enfim, poderia falar de avenidas que repetem, triplicam, quadruplicam millenios e alinham cartazes de publicidade a empresas multinacionais às centenas. Só pode ser uma avenida grande, de facto. Seria maior, talvez até uma grande avenida, se acolhesse menos cartazes e, porventura, menos millenios, que já foram jardins, também.
Se tivesse tempo, digo, poderia falar de tudo isso e muito mais. Como o tempo me escapa (já só me resta uma hora e cinquenta e cinco minutos de espera), vou ter que deixar esses temas para melhor oportunidade. A vantagem que daí me advém é que assim não me escassearão os temas de análise como me escaparam hoje, como resulta evidente agora que penso nas banalidades que aqui deixei registadas.
Quem não tem sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo do inventar!
J. C.
Retorno ao encanto das viagens, embora neste entretanto em que estive fora houvesse algo que se tivesse perdido, irreparavelmente, por troca pelo muito que se ganhou. Perdeu-se, particularmente, a pacatez do controlo de passageiros. Perdeu-se isso para se ganhar a emoção que é embarcar no mundo maravilhoso do “strip tease”: primeiro tira-se o casaco, depois o cinto e logo após os sapatos. Imagino já a próxima etapa…
Sorte, sorte têm certas meninas amantes do “piercing”: o apalpanço não fica só pelos preliminares. Passou também a ser bom trabalhar nos serviços de segurança em causa.
Se há coisas que evoluíram, e muito, há outras que permanecem tal e qual: é espectáculo garantido ir olhando as garotas que passam, nos seus preceitos: se umas se equilibram nos seus sapatos altos, outras há que valorizam mostrar as costas desnudas ou os namorados, os rabos ou as roupas e acessórios com que se decoram. Também as há, coitadas, que não têm que mostrar, não lhes valendo sequer os vestidos. Dos homens não falo. Não lhes acho graça, ponto final!
Nesta ocasião em que estou só a 2 horas da chamada para o embarque (reparem na ironia da palavra: “embarque”), fica-me pouco tempo para discorrer sobre o que me trouxe a este lugar. É pena porque teria muito que dizer sobre o destino, quer dizer, o motivo que me levou a fazer este empreendimento. Poderia, nomeadamente, falar sobre a beleza das noites que se tornam rapidamente dias quando faltam as persianas ou os reposteiros escuros nas janelas dos quartos onde é suposto dormirmos. Poderia escrever sobre televisões que se tornam exclusivamente canais promocionais de alguns produtos e serviços a partir de certas horas. Enfim, poderia falar de avenidas que repetem, triplicam, quadruplicam millenios e alinham cartazes de publicidade a empresas multinacionais às centenas. Só pode ser uma avenida grande, de facto. Seria maior, talvez até uma grande avenida, se acolhesse menos cartazes e, porventura, menos millenios, que já foram jardins, também.
Se tivesse tempo, digo, poderia falar de tudo isso e muito mais. Como o tempo me escapa (já só me resta uma hora e cinquenta e cinco minutos de espera), vou ter que deixar esses temas para melhor oportunidade. A vantagem que daí me advém é que assim não me escassearão os temas de análise como me escaparam hoje, como resulta evidente agora que penso nas banalidades que aqui deixei registadas.
Quem não tem sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo do inventar!
J. C.
domingo, junho 28, 2009
Como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho?
O Rei do Pop desapareceu...
Fiquei com muita pena, mesmo muita pena. Pergunto-me como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho, tão sozinho nos últimos anos que o acabou por revelar numa entrevista recentemente.
Uns (sobretudo homens) acabam por pagar caro o facto de terem relações conflituosas com as mães, das quais nunca recuperam. Outros não chegam a viver a sua infância e adolescência (este aspecto foi frisado também recentemente por ele numa entrevista).
É impressionante o que um homem muito frágil, tímido conseguia fazer junto de multidões. Mas a vida não é só feita de música e ele por ventura não soube ir além da música!
Uma admiradora que dançou muitos anos ao som da música de Michael Jackson
Fiquei com muita pena, mesmo muita pena. Pergunto-me como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho, tão sozinho nos últimos anos que o acabou por revelar numa entrevista recentemente.
Uns (sobretudo homens) acabam por pagar caro o facto de terem relações conflituosas com as mães, das quais nunca recuperam. Outros não chegam a viver a sua infância e adolescência (este aspecto foi frisado também recentemente por ele numa entrevista).
É impressionante o que um homem muito frágil, tímido conseguia fazer junto de multidões. Mas a vida não é só feita de música e ele por ventura não soube ir além da música!
Uma admiradora que dançou muitos anos ao som da música de Michael Jackson
quinta-feira, junho 25, 2009
A minha explosão
Estoiro só mais uma vez.
Já estava farto de ter tanta coisa dentro de mim.
Destruo tudo à minha passagem,
como uma ogiva nuclear.
Caio em mim e expludo.
Uma nuvem de poeira faço
e tudo em minha volta desfaço.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 25)
Já estava farto de ter tanta coisa dentro de mim.
Destruo tudo à minha passagem,
como uma ogiva nuclear.
Caio em mim e expludo.
Uma nuvem de poeira faço
e tudo em minha volta desfaço.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 25)
terça-feira, junho 23, 2009
Gostei de te ver
"Pese a agitação que vieste encontrar, gostei de te ver ontem. Lamento não ter podido dar-te a atenção que merecias. O teu gesto foi bonito."
José Cadima
José Cadima
domingo, junho 21, 2009
Só me fazem falta ...
"Só me fazem falta as pessoas que me estimam e me aceitam como sou."
José Cadima
José Cadima
Diz-me que choro melhor
Diz-me que escrevo bem.
Diz-me que sou o melhor.
Chama a Camões e Torga amadores.
Faz isso por mim.
Faz de mim o teu herói.
Diz-me que choro bem.
Diz-me que sou o melhor.
Sempre que alguém chora,
chama-lhe amador.
Diz-me que choro,
que escrevo,
que abraço,
que amo,
que me lamento
melhor que toda a gente.
Diz-me que sou alguém!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 45)
Diz-me que sou o melhor.
Chama a Camões e Torga amadores.
Faz isso por mim.
Faz de mim o teu herói.
Diz-me que choro bem.
Diz-me que sou o melhor.
Sempre que alguém chora,
chama-lhe amador.
Diz-me que choro,
que escrevo,
que abraço,
que amo,
que me lamento
melhor que toda a gente.
Diz-me que sou alguém!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 45)
quinta-feira, junho 18, 2009
Minha Querida Helena
Alguém escreveu que “os amantes infelizes precisam de ter coragem para mudar de caminho”. É bem esse o nosso caso. Óbvio que é que o amor, mesmo que fundado em elementos que transcendem a racionalidade comum, não assegura felicidade, a necessidade vital que temos ambos de experienciar alguns assomos de felicidade nos obriga a procurar outros caminhos. Digo-o com profunda emoção, mas com a mesma profundidade de convicção.
Anos atrás de anos de luta, de procura, de desencontro conduziram-me a esta conclusão. Quero eu dizer, pior que romper com este mar de lágrimas em que se transformou o nosso encontro é insistir nele. Porque te amo muito, porque sinto a tua dor, a tua angústia, as tuas lágrimas, para além das minhas, como se fossem minhas, quero dar-te a oportunidade de voltares a ser feliz. Se o virás a ser ou não, se conseguirei sê-lo sem ti, não te sei dizê-lo. Comigo, a tua tranquilidade, o teu gosto pelas coisas e, sobretudo, pela vida esvaiu-se, sem remédio.
Pouco importa a razão. Talvez tenha sido por nos questionarmos demais, por não termos deixado que os nossos sentimentos fluíssem livremente que chegámos a este ponto sem retorno. Não soubemos tirar partido da naturalidade com que as peles dos nossos corpos conviviam e isso basta para que tenhamos que concluir como o faço nesta hora.
Chego a esta convicção tardiamente. Peço-te perdão por isso. A atracção que nos impelia um para o outro, a crença (a esperança) que voltássemos a ser capazes de comunicar por palavras, a falta de coragem que consinto agora ter existido ditou o prolongar desta nossa ligação afectiva sofrida. Arrependo-me profundamente disso, o que não significa dizer que me arrependa do amor que te dediquei, e dedico, ainda.
Foi bonito o nosso amor. Foi muito bom o nosso reencontro tanto tempo depois de, noutra vida, nos termos cruzado brevemente. Fiquemos com essa memória, relevemos esses momentos sobre as contrariedades que emergiram depois, que não soubemos ou não pudemos gerir, e esta despedida ganha um sentido diferente, e esta penosa resolução de separamos mãos suar-nos-á bem mais leve, bem mais aceitável.
Não nos livramos das lágrimas mas, nota, as lágrimas não nos acompanham só nos momentos tristes. Também estão tantas vezes presentes nos melhores momentos. Em razão dessa ambiguidade, olhemo-las como sinal de futuro. No arco-íris que percebo na lágrima que me corre pela face, creio ver-te sorrir de novo, vejo-te esvoaçar ao longe, junto das margens do mesmo rio onde tantas vezes nos refugiámos em busca de nós próprios, e tu esvoaçaste ocasionalmente.
Até sempre meu amor!
Anos atrás de anos de luta, de procura, de desencontro conduziram-me a esta conclusão. Quero eu dizer, pior que romper com este mar de lágrimas em que se transformou o nosso encontro é insistir nele. Porque te amo muito, porque sinto a tua dor, a tua angústia, as tuas lágrimas, para além das minhas, como se fossem minhas, quero dar-te a oportunidade de voltares a ser feliz. Se o virás a ser ou não, se conseguirei sê-lo sem ti, não te sei dizê-lo. Comigo, a tua tranquilidade, o teu gosto pelas coisas e, sobretudo, pela vida esvaiu-se, sem remédio.
Pouco importa a razão. Talvez tenha sido por nos questionarmos demais, por não termos deixado que os nossos sentimentos fluíssem livremente que chegámos a este ponto sem retorno. Não soubemos tirar partido da naturalidade com que as peles dos nossos corpos conviviam e isso basta para que tenhamos que concluir como o faço nesta hora.
Chego a esta convicção tardiamente. Peço-te perdão por isso. A atracção que nos impelia um para o outro, a crença (a esperança) que voltássemos a ser capazes de comunicar por palavras, a falta de coragem que consinto agora ter existido ditou o prolongar desta nossa ligação afectiva sofrida. Arrependo-me profundamente disso, o que não significa dizer que me arrependa do amor que te dediquei, e dedico, ainda.
Foi bonito o nosso amor. Foi muito bom o nosso reencontro tanto tempo depois de, noutra vida, nos termos cruzado brevemente. Fiquemos com essa memória, relevemos esses momentos sobre as contrariedades que emergiram depois, que não soubemos ou não pudemos gerir, e esta despedida ganha um sentido diferente, e esta penosa resolução de separamos mãos suar-nos-á bem mais leve, bem mais aceitável.
Não nos livramos das lágrimas mas, nota, as lágrimas não nos acompanham só nos momentos tristes. Também estão tantas vezes presentes nos melhores momentos. Em razão dessa ambiguidade, olhemo-las como sinal de futuro. No arco-íris que percebo na lágrima que me corre pela face, creio ver-te sorrir de novo, vejo-te esvoaçar ao longe, junto das margens do mesmo rio onde tantas vezes nos refugiámos em busca de nós próprios, e tu esvoaçaste ocasionalmente.
Até sempre meu amor!
José Cadima
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