Quando os nossos corpos se separam
Olham-se e desejam ser felizes
Vestem-se apressadamente
Pois o tempo é escasso
Dizes-me que encontre um outro homem
Dizes-me que o apoio é demasiado pesado
Dizes-me que não somos compatíveis
Fico a olhar para ti
Quando deixarás de o dizer?
Sais e fico a pensar
Sinto o coração que esteve adormecido
Tanto tempo… e guardo-o dentro do meu corpo
Quero partilhá-lo contigo
Mas sem sentir que sou demasiado pesada...
C. P.
Imagina só poderes ver os meus sonhos no meu reflexo. "Jornal de Parede" de José Pedro Cadima e de José Cadima
quarta-feira, abril 29, 2009
terça-feira, abril 28, 2009
Sinto que nada tenho (2)
Sinto que nada importa.
Sinto que já não te quero.
Sinto a felicidade mais longe.
Sinto que até uma coisa divertida
se pode tornar em algo muito aborrecido.
Sinto que perco algo.
Sinto que nada tenho.
Sinto...
Sinto e talvez preferisse não sentir.
José Pedro Cadima
Sinto que já não te quero.
Sinto a felicidade mais longe.
Sinto que até uma coisa divertida
se pode tornar em algo muito aborrecido.
Sinto que perco algo.
Sinto que nada tenho.
Sinto...
Sinto e talvez preferisse não sentir.
José Pedro Cadima
domingo, abril 26, 2009
“O liberalismo é o que está a dar - II”
“Falando-se de liberalismo económico, competitividade e vantagens do consumidor, sempre me ocorre o caso da banca em Portugal. Alguns de nós recordarão o fio condutor do argumento subjacente à privatização e abertura do sector à iniciativa privada: «da concorrência haveria de resultar maior eficiência e crédito mais barato».
Estranhamente, dez anos depois, assistimos à situação caricata dos ministros das finanças, ainda por cima conhecidos partidários da corrente neoclássica/liberal, surgirem a criticar o sistema bancário por praticar elevadas taxas de intermediação (quer dizer, elevadas taxas de juro activas).
Um outro exemplo, bem próximo de nós, é o da nossa querida televisão. Não serei o primeiro a afirmar a propósito que, após a entrada no sector de novos operadores, se assistiu, sucessivamente, i) à perda de pluralidade de programação e ii) à deterioração da qualidade dos programas.
Dir-se-ia mesmo que a actual programação tem como únicos destinatários os analfabetos e os atrasados mentais. Se assim é, fica-me entretanto a dúvida sobre a dimensão do mercado alvo. É que, das estatísticas oficiais, sabemos que os analfabetos são uma componente importante, ainda hoje, da população portuguesa, mas creio não existir uma avaliação rigorosa do número de atrasados mentais. É crível, no entanto, que a RTP1, a SIC e a TVI disponham dessa informação.”
J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
Estranhamente, dez anos depois, assistimos à situação caricata dos ministros das finanças, ainda por cima conhecidos partidários da corrente neoclássica/liberal, surgirem a criticar o sistema bancário por praticar elevadas taxas de intermediação (quer dizer, elevadas taxas de juro activas).
Um outro exemplo, bem próximo de nós, é o da nossa querida televisão. Não serei o primeiro a afirmar a propósito que, após a entrada no sector de novos operadores, se assistiu, sucessivamente, i) à perda de pluralidade de programação e ii) à deterioração da qualidade dos programas.
Dir-se-ia mesmo que a actual programação tem como únicos destinatários os analfabetos e os atrasados mentais. Se assim é, fica-me entretanto a dúvida sobre a dimensão do mercado alvo. É que, das estatísticas oficiais, sabemos que os analfabetos são uma componente importante, ainda hoje, da população portuguesa, mas creio não existir uma avaliação rigorosa do número de atrasados mentais. É crível, no entanto, que a RTP1, a SIC e a TVI disponham dessa informação.”
J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
quarta-feira, abril 22, 2009
“O liberalismo é o que está a dar - I”
“Economistas e outros pensadores liberais dos séculos XVIII E XIX mantiveram amiúde visões «ingénuas» do funcionamento dos mercados, antevendo nestes instrumentos de bem-estar social e promotores da eficiência económica.
Com menos idealismo, subsistem nos dias de hoje economistas e outros actores sociais e políticos que continuam a propalar a mesma mensagem. Curiosamente, entre eles encontramos, entre outros, Milton Friedmann, o grande inspirador das reformas económicas no Chile durante o período fascista do general Pinochet.
O economista em referência é, aliás, um dos distinguidos com o Premio Nobel, nisso se equiparando ao seu compatriota Henry Kissinger, sabidamente um dos principais inspiradores do golpe fascista que derrubou o presidente eleito Salvador Allende.
Esta corrente de pensamento (a liberal, digo) tem também os seus seguidores em Portugal, muitos dos quais entre os filiados do partido no Governo. É, no entanto, sabido que na oposição, à direita e à esquerda, há também quem professe a mesma doutrina. Quem professe, refira-se, desde que não esteja em causa a sua posição ou o seu emprego.
E entende-se que assim seja: de facto, são conhecidos os incómodos e as canseiras a que qualquer maduro tem que se sujeitar para aceder a certos cargos, no aparelho do partido e de Estado, nas empresas públicas, e noutros organismos assimilados.”
J.C.
Com menos idealismo, subsistem nos dias de hoje economistas e outros actores sociais e políticos que continuam a propalar a mesma mensagem. Curiosamente, entre eles encontramos, entre outros, Milton Friedmann, o grande inspirador das reformas económicas no Chile durante o período fascista do general Pinochet.
O economista em referência é, aliás, um dos distinguidos com o Premio Nobel, nisso se equiparando ao seu compatriota Henry Kissinger, sabidamente um dos principais inspiradores do golpe fascista que derrubou o presidente eleito Salvador Allende.
Esta corrente de pensamento (a liberal, digo) tem também os seus seguidores em Portugal, muitos dos quais entre os filiados do partido no Governo. É, no entanto, sabido que na oposição, à direita e à esquerda, há também quem professe a mesma doutrina. Quem professe, refira-se, desde que não esteja em causa a sua posição ou o seu emprego.
E entende-se que assim seja: de facto, são conhecidos os incómodos e as canseiras a que qualquer maduro tem que se sujeitar para aceder a certos cargos, no aparelho do partido e de Estado, nas empresas públicas, e noutros organismos assimilados.”
J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
terça-feira, abril 21, 2009
“Ergo aqui a bandeira dos deserdados”
“Ergo aqui a bandeira dos deserdados, como afirmei já, porque sempre me repugnaram as injustiças, todas as injustiças, e este é bem o caso presente, até porque se em tempos os militantes laranja eram certamente os melhores, os mais competentes de entre os portugueses, nada nos pode levar a deduzir que isso não se passe hoje com os do partido da rosa. Não terá sido precisamente por isso que o PS ganhou as eleições? E, se foi, então vai-se agora defraudar desta forma os portugueses?”
J.C.
J.C.
(excerto de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/12/23, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
sábado, abril 18, 2009
As minhas luvas pretas
Uso luvas para não sentir,
para não te sentir:
à tua pele,
ao teu cabelo,
ao teu amor fugidio.
Essas luvas são pretas
para te mostrar que estou de luto,
que o meu coração está de luto.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, p. 20)
para não te sentir:
à tua pele,
ao teu cabelo,
ao teu amor fugidio.
Essas luvas são pretas
para te mostrar que estou de luto,
que o meu coração está de luto.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, p. 20)
quarta-feira, abril 15, 2009
Quando vejo a chuva cair
Quando vejo a chuva cair,
interrogo-me se, com ela,
não vão as minhas próprias lágrimas,
lágrimas de desconsolo e de desencanto.
Olho a chuva, lá fora,
e vejo as minhas próprias lágrimas,
que já foram de amor e, agora, são só de dor.
Olho a chuva lá fora, que cai grossa,
e vejo o meu mundo desfazer-se,
agora que sinto que o amor não alcanço.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, p. 17)
interrogo-me se, com ela,
não vão as minhas próprias lágrimas,
lágrimas de desconsolo e de desencanto.
Olho a chuva, lá fora,
e vejo as minhas próprias lágrimas,
que já foram de amor e, agora, são só de dor.
Olho a chuva lá fora, que cai grossa,
e vejo o meu mundo desfazer-se,
agora que sinto que o amor não alcanço.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, p. 17)
terça-feira, abril 14, 2009
domingo, abril 12, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
"Há ocasiões em que fico completamente sem jeito. Isso acontece, especialmente, quando me dizes certas coisas. Na falta de melhores palavras, repito-te aquilo que já te disse muitas vezes e que é: eu também gosto um bocadinho grande de ti!"
José Cadima
José Cadima
quinta-feira, abril 09, 2009
“No reino da ausência de imaginação - II”
“Já imaginaram com que cara ficariam o Soares, o Cavaco, o Guterres, e o Soares, e o Cavaco se um dia chegassem a uma qualquer parvónia deste país e não encontrassem a recebê-los e a aplaudi-los uma rebanhada dos ditos? Quero dizer, se não tivessem a esperá-los mais do que a família e, eventualmente, o cão.
É óbvio que o cenário é ficção pura. Pois claro que é, mas deixem-me acreditar que verei esse dia.
E, mais: deixem-me sonhar que um dia virá em que os ministros e os secretários de estado em Portugal terão a dignidade de se demitir quando resultar provado que os seus homens de confiança andam a meter a mão nos bolsos dos portugueses ou a fazer «bom uso» dos impostos cobrados; deixem-me crer que assistirei à dignidade de um gesto de demissão quando um ministro ou um secretário de estado é confrontado com a realidade de uma política que, na forma e no conteúdo, se oferece o oposto do que o ministro e o secretário de estado proclamaram.
De que está à espera Sr. Ministro do Planeamento e Administração do Território para se demitir?
Que é preciso mais Sr.ª. Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional para solicitar a demissão?
Que mais será preciso acontecer Sr.ª. Ministra da Educação para que tome a decisão de voltar para casa? De que estão à espera Srs. Ministros, Srs. Secretários de Estado, Srs. Presidentes das Comissões de Coordenação Regional?”
J.C.
É óbvio que o cenário é ficção pura. Pois claro que é, mas deixem-me acreditar que verei esse dia.
E, mais: deixem-me sonhar que um dia virá em que os ministros e os secretários de estado em Portugal terão a dignidade de se demitir quando resultar provado que os seus homens de confiança andam a meter a mão nos bolsos dos portugueses ou a fazer «bom uso» dos impostos cobrados; deixem-me crer que assistirei à dignidade de um gesto de demissão quando um ministro ou um secretário de estado é confrontado com a realidade de uma política que, na forma e no conteúdo, se oferece o oposto do que o ministro e o secretário de estado proclamaram.
De que está à espera Sr. Ministro do Planeamento e Administração do Território para se demitir?
Que é preciso mais Sr.ª. Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional para solicitar a demissão?
Que mais será preciso acontecer Sr.ª. Ministra da Educação para que tome a decisão de voltar para casa? De que estão à espera Srs. Ministros, Srs. Secretários de Estado, Srs. Presidentes das Comissões de Coordenação Regional?”
J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/04/22, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
quarta-feira, abril 08, 2009
segunda-feira, abril 06, 2009
“No reino da ausência de imaginação - I”
“Sem ideias. Totalmente falho de imaginação, é como me sinto. Tanto melhor: há quem viva disso e, mesmo, quem faça disso alarde.
Como é que se disfarça? Foge-se para diante; proclama-se aos sete ventos que quem não tem ideias são os outros.
Se resulta? A prova provada que resulta são o governo e o primeiro-ministro que temos, a maioria e a minoria que nos governam. Olhem o Pacheco Pereira, o Barreto, o Saraiva, o Magalhães. Acham que eles ganhavam a vida da forma que ganham se vivessem num país em que as pessoas têm ideias? Isto é, os homens e as mulheres tivessem mais ambição que chegar ao fim do dia, ao fim da semana, ao fim do mês, àas férias no Algarve, ao fim do ano?
Acham que os Pachecos e os Barretos chegavam a estrelas da rádio e da TV se os homens e as mulheres deste país tivessem mais ambição que chegar a casa a tempo do início do próximo encontro de futebol ou do episódio diário da telenovela?”
J.C.
Como é que se disfarça? Foge-se para diante; proclama-se aos sete ventos que quem não tem ideias são os outros.
Se resulta? A prova provada que resulta são o governo e o primeiro-ministro que temos, a maioria e a minoria que nos governam. Olhem o Pacheco Pereira, o Barreto, o Saraiva, o Magalhães. Acham que eles ganhavam a vida da forma que ganham se vivessem num país em que as pessoas têm ideias? Isto é, os homens e as mulheres tivessem mais ambição que chegar ao fim do dia, ao fim da semana, ao fim do mês, àas férias no Algarve, ao fim do ano?
Acham que os Pachecos e os Barretos chegavam a estrelas da rádio e da TV se os homens e as mulheres deste país tivessem mais ambição que chegar a casa a tempo do início do próximo encontro de futebol ou do episódio diário da telenovela?”
J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/04/22, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
sexta-feira, abril 03, 2009
Urze
Minha Flor de Tojo
Minha flor amarela de tojo
Que sobressai com vivacidade na paisagem
Quero tocar-te, sentir-te
Mas sobressalto-me ao olhar-te
És feito de tojo
És a Natureza
Terei eu que ser também um tojo?
Talvez não…
Serei flor de urze
Mais discreta do que tu
Menos defensiva do que tu
Feliz, por perto de ti estar
Lá em cima na serra
Sinto-te, às vezes, tocar-me
Quando uma brisa passa…
Ainda que diferentes
Poderemos ser almas gémeas?
C.P.
Que sobressai com vivacidade na paisagem
Quero tocar-te, sentir-te
Mas sobressalto-me ao olhar-te
És feito de tojo
És a Natureza
Terei eu que ser também um tojo?
Talvez não…
Serei flor de urze
Mais discreta do que tu
Menos defensiva do que tu
Feliz, por perto de ti estar
Lá em cima na serra
Sinto-te, às vezes, tocar-me
Quando uma brisa passa…
Ainda que diferentes
Poderemos ser almas gémeas?
C.P.
quinta-feira, abril 02, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
"Sinto muito ter-te deixado entristecida ontem à noite. Estou convencido que fiz bem em ter-te dado a oportunidade de dormir descansada. Tu concordarás ou não."
José Cadima
José Cadima
terça-feira, março 31, 2009
Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (IV)
Nestes últimos tempos, não tenho escrito poesia. Tenho tido dificuldades em conciliar os estudos com esta outra ocupação dos meus dias. No entanto, num esforço para conjugar a vertente da escrita com o estudo técnico/científico, tenho, regularmente, escrito artigos de opinião para o Suplemento de Economia do Diário do Minho, do qual o Dr. Ricardo Rio é editor.
Não têm tanto amor e paixão, mas tento sempre que possível escrever os artigos a partir de algum elemento que me inspire, isto é, são textos que exprimem igualmente emoções, de alguma forma.
A Isa é a figura da capa. É uma presença incontornável na minha vida nos últimos anos. Num livro de amor, que melhor capa escolher?
A origem do título é um blogue: o blogue, Sonhos a um Espelho.
Novamente, agradeço-vos muito terem decidido estar aqui presentes, como expressão da vossa simpatia. Espero que tirem prazer do livro e que este vos ajude a fugir ao cinzentismo do quotidiano que vai tolhendo muitos de nós.
Não têm tanto amor e paixão, mas tento sempre que possível escrever os artigos a partir de algum elemento que me inspire, isto é, são textos que exprimem igualmente emoções, de alguma forma.
A Isa é a figura da capa. É uma presença incontornável na minha vida nos últimos anos. Num livro de amor, que melhor capa escolher?
A origem do título é um blogue: o blogue, Sonhos a um Espelho.
Novamente, agradeço-vos muito terem decidido estar aqui presentes, como expressão da vossa simpatia. Espero que tirem prazer do livro e que este vos ajude a fugir ao cinzentismo do quotidiano que vai tolhendo muitos de nós.
Muito obrigado!
José Pedro Cadima
José Pedro Cadima
domingo, março 29, 2009
Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (III)
Finalmente, chegada a altura de me reportar ao último capítulo, e dado que a maioria dos poemas são de amor, como sublinhei, dado que ainda não li nenhum poema especialmente focado nesse tema, decidi escolher ler-vos um texto que, no meu entender, faça justiça ao mesmo:
Poema 4:
Meu achado
Ai Achado!
Meu coração-agulha, bússola
que aponta em ti
Um traço teu,
faz-me amar-te,
como a agulha ao norte.
As tuas sardas-meninas,
luzentes ao sol e à luz,
invisíveis na noite
ou no meu quarto escuro,
Iluminam-tea vergonha
por me pedir um beijo.
Prova-me nos lábios
o amor que lhes tomei.
Este poema foi um dos que me deu mais trabalho a elaborar, porque o quis oferecer de presente aquando da celebração de uma data que me é também ela muito especial. Na altura, cheguei a trocar várias impressões com o meu professor de Português no Secundário, o professor Vasco Silva, também autor do prefácio, que me aconselhou a fazer várias modificações.
sexta-feira, março 27, 2009
Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (II)
Poema 2:
.
Voltar a viver
Apetece-me saltar de tão alto
que voltar ao chão seja impossível.
Apetece-me correr tão rápido
que parar pareça um sonho.
Apetece-me entrar num sono tão profundo
que acordar seja voltar a viver.
.
O segundo capítulo surge, também, informado pelo sentimento de angústia. Ainda assim, nota-se nele uma evolução relativamente ao período anterior. Digamos que as fases apaixonar-se -> rejeição -> desespero evoluem para terminar numa ideia de impossibilidade.
Poema 3:
.
Sentimentos
Sentimentos
Nunca conheci a felicidade.
Também não lhe chamo tristeza.
Fico-me pelo tédio;
mas que é uma miséria de tédio, isso é!
.
Este capítulo, intitulado, "Um amor a voar", continua o tema da paixão, que é mantido até agora. Este texto faz parte do percurso de maturação da minha escrita. Por isso o escolhi.
Este poema representa a altura da minha vida em que a poesia parou de ser forma de exteriorizar emoções relacionados com o amor para passar a ser realmente uma veiculo que me permitiu exprimir todo e qualquer sentimento ou emoção.
*
José Pedro Cadima
quarta-feira, março 25, 2009
Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (I)
«1. Muito Obrigado à Papiro Editora pela colaboração prestada para tornar este projecto real, à [...] pela cedência do espaço para esta apresentação deste meu livro, e a todos os que quiseram associar-se a este acto por estarem aqui presentes.
2. Se dissesse que não pensei no que diria aquando deste momento, estaria a mentir. Especialmente a partir da altura em que comecei a distribuir convites, a minha principal preocupação foi o que dizer a quem decidisse despender algum do seu tempo para estar aqui nesta apresentação promocional. Por isso, vos agradeço e, estando aqui para me incentivar e ouvir, decidi aproveitar o privilégio da vossa presença para vos dizer algo suficientemente elaborado que não defraudasse a vossa expectativa. Vamos ver se o consigo.
Embora possam já ter ouvido noutras cerimónias similares e possa parecer um cliché aquilo que vos vá dizer, não é minha intenção que tal aconteça. Para quem está deste lado, há um sentimento que, de alguma forma, condiciona o número de palavras a usar.
3. Como alguns de vocês saberão, comecei a escrever quando andava no meu nono ano. Hoje, ando no segundo ano da licenciatura em Economia, na Universidade do Minho. O Percurso que fiz não foi de nenhuma forma linear. Vivi com alguma força os sentimentos de paixão adolescente de que o meu livro dá testemunho. Este livro é uma colectânea de vários textos que tenta representar esse percurso, em especial os momentos mais relevantes.
4. Sem pretender maçar-vos, proponho-vos agora que oiçam alguns dos poemas que podem encontrar no livro. Dessa forma, poderão estabelecer a conecção entre o livro e a minha vida de que vos falo. Ainda assim, e dado que a maioria dos poemas no livro são de amor, não querendo tornar este diálogo pesado, decidi ler só um poema focado no amor, do último capitulo deste “Sonhos a Um Espelho”.
Perdoem-me, mas como não consigo decorar absolutamente nada. Terei que ler.
Poema 1:
Poema 1:
Poemas
Queria escrever algo
de corpo e alma,
que ganhasse asas,
que pudesse voar.
Queria escrever algo
que me transportasse para lá do efémero,
mas fui apenas capaz de alimentar pensamentos
que me lembram abandono
e trazem tormento.
.
Este poema não é do tipo dos mais comuns de se encontrar no primeiro capítulo, mas é talvez a primeira vez que coloco dentro da minha concepção de abandono a escrita como sua oposição. Ainda que, nesta fase, o desespero ou a paixão estivessem sempre presentes.
[...]»
José Pedro Cadima
segunda-feira, março 23, 2009
Sonhos a Um espelho: Almedina Braga

"Sonhos a Um Espelho representa um passo – outro passo – que José Pedro Cadima acrescenta num livro em que a palavra ganha espessura.
Alinhados por temas, os poemas deste livro cunham a sua visão do mundo, turbulenta, entretecida pelo tema do amor nas suas variantes: o ciúme, a mágoa – repercutida no despeito e, às vezes, no cinismo –, o capricho, a contenção física, o autodomínio, a celebração do momento amoroso, o peso do tempo, a saudade, o desespero do abandono, o sofrimento de amor, o amor contemplativo, a aspiração ao amor absoluto, o amor ensimesmado, destrutivo e autodestrutivo, o amor masoquista, as contradições do amor..."
Vasco Silva
(excerto do prefácio do livro Sonhos a Um Espelho, cuja apresentação a Papiro Editora vai promover no dia 25 de Março, pelas 16 horas, na Almedina Braga, Campus Universitário de Gualtar, Universidade do Minho)
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