sábado, agosto 10, 2013

Desaparecer

Andar por aí?
Desaparecer a pouco e pouco?
Desaparecer, simplesmente?
A vida é feita de encruzilhadas, também,
aparte desafios,  
aparte encontros e desencontros.
Desalentado, injustiçado, descrente
sigo rumo que me leva a lugar incerto.
Desde esse lugar, em catadupa,
ocorrem-me questionamentos múltiplos,
vontade firme de não calcorrear caminhos trilhados.
Nesse ensejo, a dúvida mais presente é se é hora de desaparecer
ou basta-me andar por aí,
diluído em multidões que sempre me desconfortaram.
Desaparecer, sim!

José Cadima

domingo, agosto 04, 2013

Uma noite para esquecer

Uma casa magnífica, um quarto magnífico, um lugar de tranquilidade difícil de igualar, e nem por isso o sono me assiste, isto é, apesar de tudo ou por tudo isso, eis-me desperto, intranquilo, sem jeito, absolutamente perdido a meio da noite. Deitado porquê se nem por isso me sinto descansar mais? Presumo-te a dormir, a meu lado, mas nem por isso a tua quietude aparente me trás o sossego que me falta, nem por isso o teu sono me contagia. Desejava que sim, do mesmo modo que o teu sorriso me contagia, tantas vezes. Noutro dia consegui-lo-á(s). Noutro dia…
Resta-me voltar a mim, aos meios anseios, aos meus problemas não resolvidos, aos meus medos. O medo de não estar ao meu alcance ajudar alguém que me importa muito ajudar a sair do buraco no tempo em que se deixou cair, por razões que não sei descortinar. O temor de desacreditar que vale a pena resistir, ser quem sou. O receio que, nalgum momento, deixe de fazer sentido lutar contra os fantasmas que, tantas vezes, te levam para longe, mesmo caminhado a par comigo ou sabendo-te deitada a meu lado. Sinto a tua respiração mas não me sinto capaz de respirar contigo, embora desejando consegui-lo, embora ansiando fazê-lo, muito, muito…
Porque tem que ser assim? Porque tem que ser este, também, lugar de desencontro? Para já, desde logo, de desencontro de sonos. Pergunto-me sobre os sonhos e não tenho resposta certa, mais claramente dito, não encontro resposta.
De fonte segura, fica-me a vigília. Até quando? Quando soçobrará este corpo cansado perante o sono, esta intranquilidade perante a serenidade da envolvente tranquila desta casa imensa, cheia de memórias, alimentadora de sonhos?.
Não me ficando grande lugar para sonhos, à força de uma travessia longa de desapontamentos – cinquenta e muitos anos creio permitirem já o uso do qualificativo – queria nesta altura encontrar lugar para o sono, paragem no tempo, encontro possível com o vazio de inquietudes, se o pesadelo não se revelar mais forte. Nesse entretanto, poderia até voltar até ao teu abraço, mas o pesadelo é sempre realidade próxima.
Porquê? Porque me falha a resposta para tantas perguntas que me preenchem a mente e me enchem os dias? Porque me escapa o sono num momento em que precisava tanto reencontrá-lo? Porque me escapas tu quando precisava tanto que fosses o meu lugar de encontro?

José Cadima

quarta-feira, julho 31, 2013

De longe, chegam-lhe frases

De longe, muito longe, chegam-lhe frases que lhe aparecem soltas.
Entre elas, julga perceber:
Roubaste estrelas do céu […];
Moveste montanhas […];
Lutaste com dragões […];
És quem eu ambicionava ter […].
Mentalmente, inquire a quem possam ser endereçadas, inquire o nível de generosidade que delas possa transpirar, muita, seguramente, e o nível de retribuição que possam ter.
Porventura, sê-lo-ão em idêntica medida, talvez mais, se tal é concebível. 
Dir-lhe-á quanto a ama?
Quanto sente a sua falta quando ela não está?
Seguramente, mesmo que as palavras possam não ter igual expressividade, mesmo que as palavras possam ceder perante a emoção.
Talvez devesse dizer-lho mais amiúde, de forma mais firme mas o receio de não saber dizê-lo leva-o a preferir calar-se, deixar que sejam os gestos, as atenções, as emoções a falar por si.
Lamenta não saber fazê-lo de outra maneira, lamenta quanto a possa desapontar por ser assim, sabendo que não tem modo de ser diferente. Lamenta sobretudo por ela.
De volta ao primeiro instante, tenta recordar as palavras que escutou, murmuradas.
Mentalmente, inquire a quem possam ser endereçadas e fica a desejar, muito, que, algum dia, alguém lhe destine palavras tão generosas e encorajadoras.
Desperta de seguida lamentando que o que ouviu não tivesse ido além de um sonho.

K

segunda-feira, julho 29, 2013

Quando percebo...

"Quando percebo, não penso o mundo, ele organiza-se diante de mim". 
M. Merleau-Ponty

[citação constante de mensagem recebida de Clara Costa Oliveira]

quinta-feira, julho 25, 2013

Braga "antiga"


[Foto de autor não identificado que nos caiu entretanto na página pessoal do Facebook. Note-se a ausência da fotografia do edifício do Banco do Minho, em especial]

terça-feira, julho 23, 2013

Mensagens curtas, endereçadas

"Precisava de estar contigo, sentir-te junto de mim por fugazes minutos que fosse e isso não aconteceu.
Á noite, era tarde de mais. Para mim, o dia não começa à noite.
Se não vai bem no correr do dia, muito dificilmente se recomporá à noite."

K

quinta-feira, julho 18, 2013

Dinizar Becker, um académico, um amigo e um lutador

«Não sei a data certa em que trocámos as primeiras mensagens postais; não tenho rigorosamente presente em que anos esteve em Braga em fugazes visitas de trabalho, no quadro de um projecto de pós-doutoramento; sei que morreu em Junho de 2003, aos 56 anos de idade, “na plenitude da sua maturidade intelectual”, como escreveram os amigos que lhe organizaram um livro de homenagem póstuma, reunindo o essencial da sua obra escrita, “acabado” de vir a público, e que um amigo comum teve a gentileza de me fazer chegar há poucos dias. Falo de Dinizar Becker, um homem “de tantas faces, polemista por natureza e ofício, indignado, produtivo e combativo … neste momento de agudização de uma crise mundial, que provoca perplexidades sem respostas, sobre a qual Dinizar teria muito a dizer” [Desenvolvimento Contemporâneo e seus (Des)caminhos: a contribuição da obra de Dinizar Becker, Agostini, Bandeira e Dallabrida (Org.), UNIVATES, 2009, Lajeado, Brasil, p.25].   Em boa hora o fizeram. Estou-lhes grato pela homenagem que por essa via lhe prestaram em nome dos muitos amigos que teve em vida, entre os quais julgo poder incluir-me.

J. Cadima Ribeiro»

domingo, julho 14, 2013

Quando a gente sofre

"O silêncio é às vezes o que faz mais mal quando a gente sofre". 

 Florbela Espanca

[citação constante de mensagem recebida de Clara Costa Oliveira]

sexta-feira, junho 28, 2013

De mãos dadas

As tuas mãos macias, quentes.
As minhas mãos quentes, rudes,
rigorosamente do mesmo tamanho.
Dar-te a mão,
apertar-te as mãos macias, quentes.
De mãos dadas, tão iguais,
superaremos montanhas,
venceremos até os nossos medos.
Que bem que se dão as nossas mãos.
Entrelaçadas, dão-nos indicação de caminho seguro
que importa percorrer.
De mãos dadas, seremos baluarte inexpugnável.

K

quinta-feira, junho 27, 2013

Always be yourself

"Always be yourself, express yourself, have faith in yourself, do not go out and look for a successful personality and duplicate it."

Bruce Lee

(citação extraída de SBANC Newsletter, June 35, Issue 773 - 2013, http://www.sbaer.uca.edu)

domingo, junho 23, 2013

segunda-feira, junho 10, 2013

Ai as nossas mãos...

As nossas mãos
são do mesmo tamanho,
uma tal e qual a outra.
As nossas mãos
mantêm uma irreprimível tendência
para se procurarem,
passearem-se de mão-dada.
Do mesmo tamanho, tão iguais,
as nossas mãos 
procuram-se tanto
quanto os meus olhos os teus. 
Tão iguais na vontade de agarrar o mundo,
buscam unidas
manter longe o ar agreste
que nalguns dias teima em chegar-nos,
mesmo nesta ocasião que dizem ser de Primavera,
quase Verão.
As nossas mãos
são tanto o espelho da nossa alma
que nalgumas ocasiões me parecem ser a própria alma,
entrelaçadas, aquecendo-se reciprocamente,
procurando, juntas, agarrar o mundo.
Ai as nossas mãos…

K

quarta-feira, junho 05, 2013

Falando de pôr-do-Sol

«As quatro estações do ano

Tu és como
as quatro estações:
és a minha branca
e linda neve do Inverno;
és a minha suave
e virgem flor de Primavera;
és o meu doce
e suculento fruto de Verão;
és o meu belo
e magnifico pôr-do-sol de Outono
.»

José Pedro Cadima

(POEMAS ou um grito de vida, edição de autor, Braga, 2004, p.83)

quinta-feira, maio 30, 2013

As nossas mãos

As nossas mãos
São idênticas
Do mesmo tamanho
Sentem o mesmo…

No teu colo
Procuro a tua mão
Calejada do tempo
Tão grande quanto a minha

Insistes e dizes
Serem do mesmo tamanho
São os teus olhos
Que o querem ver

Acabo por o sentir
Afinal, só duas mãos idênticas
Poderão amar
Com a força de um Deus

C.P.

sexta-feira, maio 24, 2013

Alegra-me que sejam amarelos

O comboio roda,
balança, apita, corre,
e com ele corre, foge
a paisagem que ladeia a linha.
A velocidade é irregular.
As paisagens sucedem-se,
umas acercando-se rapidamente,
outras tomando mais tempo.
Subitamente, pára.
Pára porquê?
As imagens deixam de ser fugidias.
Fugidia permanece a minha atenção,
saltando entre memórias do ponto de partida
e a realidade que se apresenta a meus olhos.
Formoselha?! Formosa?
Formosa mas não segura?
Mal-me-queres, pelo menos, não faltam,
embora eu prefira papoilas,
o vermelho rubro das papoilas, digo.
Permaneço alerta.
Perscruto o espaço envolvente
e ei-los que surgem
combinados com mal-me-queres amarelos.
Abre-se-me lugar para a esperança,
mesmo que o mais certo sejam os mal-me-queres.
Alegra-me, pelo menos, que sejam amarelos.

K

sábado, maio 18, 2013

Duas Luas

Duas Luas, três Sóis,
assim se me apresentam certos dias,
certas noites, também.
A luz é tanta que me encandeia.
As Luas e os Sóis são o que consigo vislumbrar.
Tudo o resto são sombras, são imagens fantasmagóricas.
Fecho os olhos,
concentro-me na luz que me vem de dentro
e  ensaio o regresso ao tempo
em que via uma só Lua,
um só Sol.
Velhos tempos esses em que era possível mirar a Lua,
repousar os olhos em campos de morangos, para sempre,
assistir, inebriado pelo estonteante das cores formadas, ao pôr-do-sol,
à beira-mar,
abraçar o arco-íris.
Faz-me falta, sobretudo, abraçar o arco-íris.
Eram outros tempos,
tempos que, receio, não voltem mais.
Eram tempos em que havia uma Lua e um Sol, apenas.
E como era rubro o vermelho das papoilas!

K

quinta-feira, maio 16, 2013

Pelo menos, há luar!

Dizem que sou K,
que sou Y.
Dizem, até, que sou J.
Todos dizem saber quem sou.
Só eu continuo sem saber quem sou,
e gostava tanto de sabê-lo.
Procuro, vagueio por lugares incertos,
procuro ainda mais,
e a resposta permanece este vazio de resposta.
Dizem que sou Z.
Z(é) acredito que não sou!
Batem à porta, leve, levemente.
Trar-me-ão a resposta que busco
ou será a chuva que bate leve, levemente,
que a neve não bate assim?
Pelo menos, está luar.
Assim, posso buscar mais longe,
posso procurar perto da Lua,
que me dizem ter todas as respostas que procuro.
Terá?
Pelo menos, há luar!

K

sexta-feira, maio 10, 2013

A arte do silêncio

"Os desgostos da vida ensinam a arte do silêncio".

Séneca

[citação constante de mensagem recebida de Clara Costa Oliveira]

quinta-feira, maio 09, 2013

A natureza sou eu!














(reprodução de imagem, de autor não identificado, que entretanto nos caiu na caixa de correio electrónico)

quarta-feira, maio 08, 2013

Mensagem de alento

De longe,
envias-me uma mensagem de alento.
De longe,
os nossos desencontros.
ficam também mais distantes.
Que bom que era percebê-los epifenómenos
de um dia-a-dia desgastante.
Tento reconduzi-los a essa dimensão.
Tento sublinhar a empatia
que nos torna tão próximos
quando não se nos entrepõem
expressões de percursos passados,
manifestações de trajectórias fracassadas.
Que bom é sentir-te próxima
mesmo quando o reencontro possível
está a algumas horas de distância.

José Cadima

terça-feira, maio 07, 2013

Amor verdadeiro (2)

O Amor verdadeiro
Sempre alcança
Ainda que com sofrimento.
Que melhor solução
do que um Tojo 
Amar uma Urze?!

De qual gosto mais?
Não sei.
Mas sei que um sem o outro
não alcançam o 
Amor Verdadeiro.

C.P.

domingo, maio 05, 2013

Amor verdadeiro

Amar de forma verdadeira
É a mais difícil tarefa
Eu amo-te de forma verdadeira
Mas não quero que seja uma árdua tarefa.

Pensar em ti 
É pensar na vida
Na nossa vida
Onde a urze e o tojo se cruzam
Onde o violeta e o amarelo se mesclam
Na paisagem imbuída de prazer
Onde se consegue buscar 
O amor verdadeiro.

C.P.

terça-feira, abril 30, 2013

Lamento ter que te dizer que...

"Lamento ter que te dizer que... Um abraço muito, muito apertado para um amor que receio estar próximo de perder."

K

sexta-feira, abril 26, 2013

Sofrimento

"Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim". 

M. Proust

[citação constante de mensagem recebida de Clara Costa Oliveira]

sábado, abril 20, 2013

Sofrer intensamente

"Quem é capaz de sofrer intensamente, também pode ser capaz de intensa alegria". 

Clarice Inspector

[citação constante de mensagem recebida de Clara Costa Oliveira]

quinta-feira, abril 18, 2013

quarta-feira, abril 17, 2013

Happiness

"Happiness is not something ready made. It comes from your own actions."

Dalai Lama

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 16, Issue 763 - 2013, http://www.sbaer.uca.edu)

segunda-feira, abril 15, 2013

quarta-feira, abril 10, 2013

In the end…

"In the end, it's not the years in your life that count. It's the life in your years."

Abraham Lincoln

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 9, Issue 762 - 2013, http://www.sbaer.uca.edu)

segunda-feira, abril 08, 2013

Controlar o sofrimento

"Todos podemos controlar o sofrimento excepto aquele que o sente". 

Shakespeare

[citação constante de mensagem recebida de Clara Costa Oliveira]

domingo, abril 07, 2013

"O amor não é razoável"

"O amor não é razoável
É como uma segunda vida
Cresce na alma
Aquece todas as veias."

Adaptado de Joseph Addison (1672-1719) 

quinta-feira, abril 04, 2013

Mensagens curtas, endereçadas

"És um amor, embora haja momentos em que me fazes perder a paciência e a disponibilidade para consentir coisas que vão para além daquilo que acho que devo consentir."

K

quarta-feira, abril 03, 2013

quinta-feira, março 28, 2013

O medo do desespero (2)

Aproxima-se a meia-noite
e com ela afasta-se a sobriedade
de pensamentos.

O desespero
possui uma certa magia,
mas é como a água:
dela ninguém respira.
O que me mete medo
é vir a sonhar com ele.
Quando me vir no sonho,
o desespero fugirá?
Sentirá também o medo
que eu sinto dele?
A passo largo, a meia noite aproxima-se...

José Pedro Cadima

segunda-feira, março 25, 2013

domingo, março 24, 2013

Leiria antiga (e verde)


[reprodução de mensagem que nos caiu há dias na página do Facebook; foto de autor desconhecido]

quarta-feira, março 20, 2013

Sofrimento

"Nunca pertenci a maiorias, e sou especialista em sofrimento: a única maneira de aprender com ele é não o negar."

CCO

domingo, março 17, 2013

Linda, linda

Linda, linda é a vida
que eu gostava de dar-te,
não esta que te dou.
Linda, linda é a vida
que eu gostava de partilhar contigo,
diferente desta que vamos tendo,
nestes dias de ocaso,
nestes dias de amargura.
Lindo, desafiante, cheio de armadilhas
é o caminho que vamos tentando percorrer, juntos.
Hoje, que aqui não estás,
sinto-o mais,
sinto mais a falta que me fazes,
é-me mais presente o sentido de ausência.
Quis que partisses
para que também para ti
fossem mais vivas as armadilhas
que nos tolhem,
que nos deixam a perder,
que nos atiram para o fio da navalha
quando tudo devia convergir para a beleza
de uma vida partilhada em pleno,
linda, linda como é este amor tardio.

José Cadima

sábado, março 16, 2013

Mensagens curtas, endereçadas

"Tem sido um privilégio acompanhar-te no trabalho científico e agora na ´tentativa de mudar o mundo`."

K

quinta-feira, março 14, 2013

domingo, março 10, 2013

Quem sou (hoje aqui)?

Em busca de reconhecimento,
sem nada ter feito.
Em busca de futuro,
tendo-te dado tão pouco.
Hoje aqui,
amanhã num qualquer lugar remoto.

Quero ser tanto na vida
que me esqueço de quem sou.

José Pedro Cadima

quarta-feira, março 06, 2013

segunda-feira, março 04, 2013

Esperando...

"As pessoas vão passando.
Carregam na expressão a determinação
do que as terá trazido a este templo,
em tempo de crise.
Assisto a este movimento, a este frenesim.
Espero por ti."

José Cadima