domingo, agosto 05, 2012

Sonhei

Sonhei.
Sonhei alto
e o meu sonho levou-me a ti.
Somos circunstância.
Somos acaso.
Somos flor de laranjeira.
Já fomos tojo.
Já fomos urze.
Talvez possamos ser
campo de morangos, para sempre.
Trevo de 5 folhas já és.
Trevo de 3 folhas sou,
buscando, ansioso, sorte
que tão fugidia me tem sido.
Depois de tanto desencontro,
pode ser a hora do encontro.
Somos acaso.
Somos flor de laranjeira.
Somos campo de morangos
acabado de plantar.

José Cadima

sábado, agosto 04, 2012

Viagens fora da minha terra

Estafado da caminhada e do Sol escaldante, jogo o corpo na cama e tento alhear-me do desconforto que me assalta os pés, as pernas e, logo depois, o corpo por inteiro. Mais tarde retornará o desgaste da viagem recentemente realizada e o desacerto das horas. Em razão disso, quatro dias volvidos, ainda almoço na hora em que devia tomar o café da manhã e janto na hora em que devia lanchar. Neste trocar de horas, escapam-me o pequeno-almoço e o lanche, propriamente ditos.
Encontrei um Brasil diferente daquele de que me recordo: confiante, agitado mas não socialmente menos contrastado. Se não me deparei ainda com favelas e expressões extremas de pobreza, choquei-me com o multiplicar de condomínios fechados e cercas elétricas e/ou de arame farpado a rodear cada condomínio, cada prédio, cada casa, mesmo em pleno centro da cidade.
Uberlândia, nome de parque temático e imagem aérea noturna de surpreendente beleza em razão da regularidade e formas do seu alinhamento na paisagem. Uberlândia, ponto primeiro de passagem nesta jornada que há-de levar-me a outras terras sobre cujas surpresas que me possam estar reservadas me interrogo.
A Universidade da Uberlândia está em greve, à semelhança das demais universidades federais, em greve de professores há mais de dois meses, digo, por razões que me escapam mas que hão-de ser bem menores que as que achacam os professores e as universidades portuguesas nesta altura. É a relatividade das coisas. De momento, no entanto, a UMinho e Portugal estão distantes. Sobram-me as notícias da desgraça que me são trazidas pelos comentários colocados no Facebook e pelos títulos disponíveis no Twitter. De momento, digo, são esses os laços que mantenho com a minha terra. Para mágoa, já me bastam.

José Cadima

Arte (marinha) abstracta (III)





[Foto da autoria de C.P.]

terça-feira, julho 31, 2012

Ainda: "Vermelho-consequência"

De vermelho-consequência
cobre-se quem dá importância
à própria ilusão da imagem.

São seres marcados nas pernas
com queimaduras de cera
e com os braços cobertos
de pêlos grossos, lilases.

Confundem-se com o real!
Confundem o real.

São seres de olhos vermelho-verde,
de lábios vermelho-rosa,
de faces num tom vermelho-azul,
e sem noção da relação causa-consequência.

Confundem-se com o real!

José Pedro Cadima

domingo, julho 29, 2012

O meu Carpélio

És o meu Carpélio
Feito de moléculas quentes
e de átomos radiantes
És o meu Carpélio
Que me aquece nas noites longas
Que me protege
Quando a minha pele cai
Quando fico à deriva
Procurando calor
És o meu Carpélio
E sempre o serás
Eu sou a tua pele
Que se entrelaça
No teu Carpélio

C.P. 

sábado, julho 28, 2012

terça-feira, julho 24, 2012

Adoro a chuva (II)

Adoro a chuva, se intensa, se forte
Adoro escutar o som do metal
matraqueado pela água que cai.

Em dias depressivos,
chorar acaba por trazer-me alívio;
chorar permite-me atirar para poças de água turva
os sentimentos que trago enrolados em mim.
É como aquelas músicas pesadas que nos embalam
e, ao mesmo tempo, nos levam para longe do conforto.

Adoro ouvir a chuva cair.
Nessa altura, o mundo lá fora
torna-se  tão real quanto a dor que sentimos.

José Pedro Cadima

quinta-feira, julho 19, 2012

Recordando um texto de 23 de Julho de 2011

Violeta, meu trevo de 5 folhas

Violeta! Meu trevo de 5 folhas,
minha flor singela:
como é bom contemplar-te;
quanto gosto de ter-te por perto,
de preferência, colada a mim.
Violeta, meu trevo da sorte,
a razão está toda do teu lado
quando me lembras a sorte que tenho.
À força de conviver com a pouca sorte,
acabei descrente da sorte
que me acabou reservada, violeta.
Fico-te reconhecido pelo encanto.
Mais te agradeço o modo inesperado
como te ofereceste a meus olhos,
que, de tão inesperada,
resulta-me ainda hoje difícil de crer.
Fazia-me falta uma flor como tu, ontem, hoje,
particularmente hoje,
Meu trevo de 5 folhas:
és tu me impeles para a vida;
és tu a vida que me resta
e a que, pese isso, me agarro com dificuldade,
sem que, a mais das vezes, entenda porquê.
À força de conviver com a pouca sorte,
acabei descrente,
acabei diminuído na dimensão do sonho
que, apesar de tudo, deveria comandar a vida.
Violeta, minha flor:
não desistas de dar cor à minha vida;
não deixes de ser a minha vida,
mesmo quando, descrente
da capacidade que preservo de te fazer sorrir,
te digo: “Até qualquer dia!”.

José Cadima

segunda-feira, julho 16, 2012

"Amor incondicional"


«O amor incondicional é como o pólen lançado ao vento, sem destino, sem morada, livre nos caminhos deixados em trilhos onde este se deixa conduzir, permitindo que o fluir desse vento o encaminhe aonde é necessário. A planta de onde emanou nunca saberá o lugar do seu pouso, as consequências da sua acção, nem conhecerá as novas plantas por ele fertilizadas. De si, apenas se pede que se abra e se entregue, para que esse pólen possa expressar-se em liberdade, cumprindo a sua função. »

Lei-a o texto completo aqui:
http://anuea.org/ver-todos/entry/amor-incondicional.html»

(reprodução parcial de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

quinta-feira, julho 12, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Em teus olhos eu mergulho"

«Em teus olhos eu mergulho
para achar a razão
de meu coração se sentir engulho
se de ti ouvir um não.

Em teus lábios os meus querem mergulhar,
tão belo e doce é seu contorno.
Mais doce deve ser seu paladar.
Em teus olhos eu mergulho…»


José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 40

domingo, julho 08, 2012

Estado de alma ou alma sem estado?

"Estado de alma ou alma sem estado, sem estância segura, sem lugar onde viver em paz?
Há ocasiões em que sinto, acredito que a quietude, o repouso de espírito, a paz exterior e interior são possíveis. Há ocasiões em que sinto que há-de haver razão para esta travessia que faço, quer dizer, que o caminho que percorro tem razão de ser, que o meu esforço, a minha entrega valem a pena, que a paz que tão ansiosamente procuro não é apenas uma miragem, como têm sido os oásis que, ocasionalmente, tenho perscrutado no horizonte."

K

sexta-feira, julho 06, 2012

És um amor!

"Escrevo-te para te exprimir a minha surpresa e alegria por te ter visto aparecer na hora do embarque. Fiquei deveras sensibilizado.
És um amor!"


José Cadima

segunda-feira, julho 02, 2012

Gargalhadas amargas (+)

Na mesma medida em que anseio o frémito
desta terra de oportunidades,
rejeito-lhe a iniquidade,
a mesquinhez que grassa.
Daí que sejam amargas
as gargalhadas que por vezes liberto.


José Pedro Cadima

quinta-feira, junho 28, 2012

Sight* (2)

A evolução é um processo de tentativa e erro. Visa a perfeição e é construída tentando contornar defeitos e passos errados múltiplos que se vão dando, continuadamente. É nesse princípio que busco inspiração para o meu crescimento, ensaiando dar passos em frente, aceitando, mal, os passos atrás.

Esta aprendizagem tem momentos penosos, assaz penosos. É o custo da aproximação ao transcendente, que não é já ali, tanto quanto desejava que fosse.
Vou no bom caminho, acredito. Hei-de lá chegar. Vale-me a crença! 

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 25, 2012

Ser perfeito (2)

Ai, meu bom amigo, que nem a tua presença me faz sentir melhor. É como se fosse mau ter emoções. Se não sentisse nada, seria Deus na terra.
Nesse passo para ser Deus, a minha sabedoria é já quase infinita, e as minhas considerações sempre justas.
Neste entretanto, pena tenho eu de não ser perfeito, o que torna isto de viver um grande desafio. Resta-me a consolação de estar no bom caminho.


José Pedro Cadima 

domingo, junho 17, 2012

Distante

Distante, dizes tu.
Distante, concordo eu,
submergido num mar de luz,
abafado por um calor tórrido,
confrontado com uma paisagem
que me desloca para referências tropicais.
Distante, como oportunidade de fuga,
como exigência de auto-regeneração.

Custou-me a tua ausência.
Faltou-me a dimensão encontro,
que não se opõe à dimensão retiro.
Mau teria sido não aproveitar a ocasião.
O quotidiano, se traz conforto,
traz também desgaste,
muito desgaste, tantas vezes.
Por isso, a fuga
se pode configurar tamanhamente regeneradora
de um corpo cansado, de uma mente exausta.
Distantes de nós, estamos nós tantas vezes
quando o escape não é possível.

A coragem, a ousadia de romper
não são indolores.
Ficar, deixar correr
não é garantia de conforto.
Ficar e partir são, assim, pratos de balança
de um equilíbrio precário e difícil de conseguir.
Se ontem estava fora,
hoje estou de regresso.
Vamos celebrar esse regresso!
A distância é um dado de ontem.
A fuga é uma oportunidade para amanhã.

José Cadima

sábado, junho 16, 2012

Destino

O de amanhã não me ocorre qual possa ser.
O de hoje é já ali,
um lugar onde antes estivera
mas que não sei se me vai parecer familiar.
Nestes tempos, quase tudo me parece estranho,
quase tudo se me afigura lugar agreste.
Mesmo assim…
Ainda assim, importa fazer caminho.
Sofia, Lisboa, Tunes
são lugares de passagem.
O meu destino, ignoro qual seja,
o de amanhã, digo.
O de hoje…

José Cadima

sexta-feira, junho 15, 2012

(Novas) Viagens na minha terra

Saí cedo de Braga, rumo ao Sul. Da janela do comboio, olho a paisagem e tento encontrar algo que se me sugira familiar.
Há muito tempo que não fazia este percurso ou, pelo menos, pareceu-me muito tempo. Talvez seja mesmo, que o tempo é uma realidade relativa.
De quando em quando, enquanto a paisagem flui perante os meus olhos, o pensamento  retorna ao ponto de partida. Voltam a configurar-se-me nítidos os cães que, ainda noite, desciam a rua a par, em pose relaxada, o recorte e o tic-tac dos relógios despertadores que, afinal, acabaram por não ser necessários. Quase nunca o são, aliás, nem mesmo quando faziam falta, como numa noite, há poucas semanas, em que precisava acordar a meio da noite, como aconteceu hoje.
Volto a viajar só. Volto a um lugar aonde estive poucas vezes mas a que me apeteceu retornar nesta ocasião.
De repente, no topo de uma casa, vejo uma bandeira que esvoaça. De repente, nos altifalantes da carruagem do comboio, oiço uma voz que enuncia o nome de um lugar (do Portugal profundo) e anuncia nova paragem, bem curta, por sinal.
O comboio prossegue viagem, e eu com ele. Fico a aguardar que a voz que, de quando em quando, anuncia uma nova paragem diga um nome em que reconheça o meu destino de hoje. O de amanhã não me ocorre qual possa ser.

José Cadima

quarta-feira, junho 13, 2012

"Resíduo"

O amor é
um elemento residual.
O que nos junta
é o vício e o conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega,
esconde dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

sábado, junho 09, 2012

Uma lágrima

Todos os dias te vejo adormecer antes de mim… 
Espero sempre que os teus olhos fechem 
e mergulhes nos teus sonhos 
para que eu possa então chorar.
Mergulhas nos teus sonhos 

e os meus olhos ganham brilho. 
Depois, uma lágrima traça um carreiro de água salgada 
até à almofada onde tento desaparecer.


José Pedro Cadima

terça-feira, junho 05, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Chamam-lhes histórias"

Dizem eles que são histórias,
mas eu vi-a gerar uma luz na tempestade.
No solo, essa luz criou vida;
no céu, essa luz criou liberdade.

Dizem eles que são histórias,
mas eu vi-a! Como vejo escrever,
eu vi-a! Olhei para ela até doer.
Ainda dói, mas são saudades.

Dizem eles que são histórias,
e ninguém em mim acredita.
Fundam-se em velhas glórias.
Seja a sorte maldita!

Teimam eles serem histórias,
mas aquela luz era bela
e com ela vinha a mais bela donzela,
que até a lua fazia derreter.

Não! Não são histórias.
São desejos… São fantasias.
Mas havia luz.
Eram meus olhos a brilhar!

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 62

sábado, junho 02, 2012

Ao longe

“Ao longe os barcos de flores”.
Ao longe os barcos do amor.
Ao longe, por dois largos pares de dias,
num lugar remoto,
o meu ponto de encontro,
o meu espaço de fuga.
É irónico que, na mesma data em que te ausentas,
eu parta também, em direção oposta,
como se o nosso espaço de convívio quotidiano
não fizesse sentido
quando não o habitamos juntos.
Coincidência? Destino? Acaso?
Talvez isso seja sinal
de que, doravante, partir só ganha sentido
quando possamos partir ambos.
Juntos pelo acaso?
Juntos pelo destino?
Juntos, contemplando extensos campos de morangos,
para sempre,
ou, algumas vezes, de malmequeres
de diferente coloração,
ora amarelos, ora brancos,
ora verdes, como deviam ser todos.
Deveriam ser todos, sublinho,
ou, pelo menos, os que são carregados
pelos barcos de flores
que, de quando em quando, da costa
enlaçados, perscrutamos  no mar,  ao longe.

José Cadima

quinta-feira, maio 31, 2012

Notícias acabadas de chegar de um outro Continente, e de um lugar remoto

"Conseguimos, finalmente, um computador, que ao fim de várias horas se ligou à net. Adicionalmente, estou sem rede no telemóvel.  Estamos tão isolados que não dá para nada, mas somos 200 pessoas."

K

quinta-feira, maio 24, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Mais um grito"

É noite e está frio.
Sinto mais um arrepio.
Faltam-me palavras para expressar
sentimentos que alguém ousou roubar.

De olhos quase vidrados,
olho lá para fora,
guardo minha alma aos bocados,
que tenta ir-se embora.

De verdade, tenho medo,
não encontro consistência nas palavras,
enquanto perco proximidade a um qualquer conto de fadas.

Então grito
até sair tudo de mim:
frio, medo e pozinhos de perlimpimpim.


José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 38

terça-feira, maio 22, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Vejo-o em teus olhos"

«Em teus olhos vejo
a próxima resposta.
Nem precisas de falar;
já está tudo dito!

Vejo o que estás a sentir.
Sei-o até melhor que tu.
Vejo o que estás a pensar.
Incrível, não é?

Dói-me ver a tua resposta,
e fico com medo de perguntar.
Dói-me saber em quem tu pensas;
dói-me saber que não é em mim.»

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 72

domingo, maio 20, 2012

Encontros e desencontros


Na vida como nos sonhos,
de olhos fechados ou com eles mantidos bem abertos,
não encontro modo de fugir aos desencontros.
Por isso se lhes chama os desencontros da vida.
Por isso se lhes chama destino.
Por isso lhes chamo má sorte.
Fechando os olhos
ou mantendo-me em rigoroso estado de alerta,
o destino, a sorte ou, porventura, a tua vontade
empurram-me, no quotidiano,
para este espaço onde nunca desejei estar,
que não me desconforta por ficar só,
mas antes por, nele, não me acompanhares.
Não, não fazes diferente do que antes me fizeram.
A minha solidão é proporcional
ao desejo imenso de te sentir perto.
Há hoje quem me fale de saudades.
Saudades tenho eu do tempo
em que até um singelo campo polvilhado por papoilas
se nos oferecia como um campo de morangos para sempre.
Ai que saudades tenho de olhar, sem pressas,
o vermelho rubro das papoilas.

José Cadima

sexta-feira, maio 18, 2012

Memória de passagem pela Nova

(Universidade Nova de Lisboa, 2010-2012)

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Um sítio distante de mim"

«Desejaria partir
em busca de isolamento
num lugar bem longe daqui,
num sitio distante de mim,
onde pudesse encontrar
resposta para tudo,
no relativismo absoluto
dos teus e dos meus sentimentos.

Nem em tudo eu meto sentimentos.
Eles é que se metem em mim!
Queria encontrar resposta para problema assim.»

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 44 

segunda-feira, maio 14, 2012

Dias infelizes: “remake”(3)

"Queria esconder o que sinto,
abafar o meu protesto,
mas não consigo,
nem talvez deva fazê-lo."
Alegrias,
desapontamento, protesto,
facetas tão distintas de um quotidiano
que desejei sereno,
onde caminhar anónimo me realizaria.
Futuro?
Como podem tempos como estes anunciar futuro?

José Cadima

terça-feira, maio 08, 2012

"Ontem e hoje, mãe"

«"Mãe: a palavra mais bela pronunciada pelo ser humano" - Kahil Gibran

Abraço.

--
Mïr»



(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

quinta-feira, maio 03, 2012

O meu pequeno livro de memórias (9)

Ontem, estive no funeral de alguém que fez parte do primeiro grupo de alunos a quem leccionei no primeiro ano em que cheguei à Universidade do Minho. 
Não, não era mais velho que eu. Tinha a idade comum com que se chegava às universidades em 1982/83. 
Fez-me lembrar outros tempos e outras dores, e também coisas muito boas, como o convívio futebolístico que fazíamos semanalmente nessa altura, alunos e professores, e que conseguimos manter durante vários anos.
Deixa-me saudades...Fez-me questionar uma vez mais porque partem os nossos filhos primeiro que nós. Saí apressado do funeral, porque era muita a dor ... e porque, nos dias que correm, há ocasiões em que nem tempo temos para chorar os nossos mortos.

J. Cadima Ribeiro  

sexta-feira, abril 27, 2012

"Desaparecer"

Deve ser muito angustiante "desaparecer" e não sentir mais o cheiro das flores, o teu cheiro, a lua, o sorriso das crianças, as palermices dos animais, a nossa casa, o nosso amor...

K

quinta-feira, abril 26, 2012

Estou aí!

Vale a pena viver quando não sabemos o que vai ser a morte.
Vale a pena viver quando queremos mudar o mundo.
Quanto mais vejo as incongruências e dureza deste mundo, mais quero viver!
Viva a vida e viva eu!
O mundo que se cuide, pois eu estou aí!



C.P.

terça-feira, abril 24, 2012

"Estou em casa"

«Mïr Silva mirtempo@gmail.com


“Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou.” – Clarice Lispector
Receba e partilhe.
Bom fim de semana e até a um próximo "encontro"»

(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico).

segunda-feira, abril 23, 2012

Ocasionalmente

Ocasionalmente, alguém me diz:
“obrigada por todo o teu apoio e por existires”.
Ocasionalmente, chegam-me mensagens
de reconhecimento e gratidão:
 reconhecimento de desprendimento;
gratidão por reconhecida generosidade.
Mais amiúde, chegam-me sinais
de incompreensão, desagrado, desatenção.
Deixei de relevar, quer dizer, tento lidar com a mágoa
da melhor forma que sei e posso.
Como se pode ser uma e outra coisas?
Como se pode lidar com uma e outra coisas?
Lutando, fazendo, construindo, querendo,
tendo ideias e expressando-as,
a incompreensão, o desconforto, a contestação
são, infelizmente, expressões incontornáveis.
Morto, desaparecido, latente,
é bem mais fácil.
Já reparam nas qualidades reconhecidas
num qualquer falecido? Mesmo que recém-falecido.
Tento lidar com a vida,
 que o mesmo é dizer com a mágoa,
alimentando a esperança
 que alguém, ocasionalmente, me diga
 “obrigada por todo o teu apoio e por existires”.
É daí que vou recolhendo a energia
que me diferencia de um qualquer morto.

José Cadima

segunda-feira, abril 16, 2012

Outros que tivessem olhos para ver...

Face ao que era escrito, poderia deduzir-se que o  meu interlocutor subscreveria a ideia de que, para a economia portuguesa progredir, precisaríamos de acomodar-nos ao modelo de regulação do mercado de trabalho existente na China. Sendo um contra-senso, parece ser isso para que apontam as políticas e as leis recentemente produzidas. 
Neste processo, o que resulta particularmente curioso é ser o próprio FMI a admitir que, como tem sido feito, não vamos lá. Outros que tivessem olhos para ver os resultados das políticas implementadas nos últimos meses deveriam ser capazes de retirar ilação semelhante, mas não são.

J. Cadima Ribeiro 

quarta-feira, abril 11, 2012

Algo impossível de comprar (Uma carta de Natal)

Os poemas que escrevo são o escape,
a fuga que encontro
à hedionda realidade que nos submerge.

Neles, pelo menos, embora nem sempre,
encontro paz, fartura
e, até, um estranho mas pacifico amor.

O maior senão é a dor
que por vezes também encontro 
de lembranças passadas,
com que receio voltar a cruzar-me.

José Pedro Cadima

sexta-feira, abril 06, 2012

[Antiga] Estação de Comboios de Aveiro















[Foto da autoria de C.P.]

A tua(nossa) vida

És complexo, mas o mais simples
És uma doçura quando o queres
Embora a minha autonomia te deixe confuso
Sabes que eu dependo cada vez mais de ti
Aprendeste, nos últimos anos, uma das palavras mais difíceis
A palavra Partilhar
Passaste a partilhar afectos e dificuldades
Passaste a partilhar a nossa vida
Gostas pouco de floreados
A vida ensinou-te a contar apenas contigo
Mas agora vais passar a contar, cada vez mais, comigo


C.P.

quarta-feira, abril 04, 2012

"O trapezista da alma"


«Aqui lhe(s) deixo mais uma partilha, para partilha.
  
 
Boa semana com boa Poesia e até a um próximo 'encontro'. 
 
Mïr»

(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico)
 

terça-feira, abril 03, 2012

O sábio (2)

Um dia, fui ter com um velho sábio
e perguntei-lhe o que se escondia no céu.
Ao qual ele me respondeu: “o amor”!
Foi então que fiquei a saber que queria ir para o inferno
porque, cá na terra, demasiadas vezes
a dor do amor experimentei.

José Pedro Cadima

O meu pequeno livro de memórias (8)

















[Placa inaugural das actuais instalações da Escola de Economia e Gestão e arcadas do edifício da Rua do Castelo onde funcionou a Escola na 2ª metade dos anos 80 e início dos anos 90 do Séc. XX]

domingo, abril 01, 2012