segunda-feira, julho 02, 2012

Gargalhadas amargas (+)

Na mesma medida em que anseio o frémito
desta terra de oportunidades,
rejeito-lhe a iniquidade,
a mesquinhez que grassa.
Daí que sejam amargas
as gargalhadas que por vezes liberto.


José Pedro Cadima

quinta-feira, junho 28, 2012

Sight* (2)

A evolução é um processo de tentativa e erro. Visa a perfeição e é construída tentando contornar defeitos e passos errados múltiplos que se vão dando, continuadamente. É nesse princípio que busco inspiração para o meu crescimento, ensaiando dar passos em frente, aceitando, mal, os passos atrás.

Esta aprendizagem tem momentos penosos, assaz penosos. É o custo da aproximação ao transcendente, que não é já ali, tanto quanto desejava que fosse.
Vou no bom caminho, acredito. Hei-de lá chegar. Vale-me a crença! 

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 25, 2012

Ser perfeito (2)

Ai, meu bom amigo, que nem a tua presença me faz sentir melhor. É como se fosse mau ter emoções. Se não sentisse nada, seria Deus na terra.
Nesse passo para ser Deus, a minha sabedoria é já quase infinita, e as minhas considerações sempre justas.
Neste entretanto, pena tenho eu de não ser perfeito, o que torna isto de viver um grande desafio. Resta-me a consolação de estar no bom caminho.


José Pedro Cadima 

domingo, junho 17, 2012

Distante

Distante, dizes tu.
Distante, concordo eu,
submergido num mar de luz,
abafado por um calor tórrido,
confrontado com uma paisagem
que me desloca para referências tropicais.
Distante, como oportunidade de fuga,
como exigência de auto-regeneração.

Custou-me a tua ausência.
Faltou-me a dimensão encontro,
que não se opõe à dimensão retiro.
Mau teria sido não aproveitar a ocasião.
O quotidiano, se traz conforto,
traz também desgaste,
muito desgaste, tantas vezes.
Por isso, a fuga
se pode configurar tamanhamente regeneradora
de um corpo cansado, de uma mente exausta.
Distantes de nós, estamos nós tantas vezes
quando o escape não é possível.

A coragem, a ousadia de romper
não são indolores.
Ficar, deixar correr
não é garantia de conforto.
Ficar e partir são, assim, pratos de balança
de um equilíbrio precário e difícil de conseguir.
Se ontem estava fora,
hoje estou de regresso.
Vamos celebrar esse regresso!
A distância é um dado de ontem.
A fuga é uma oportunidade para amanhã.

José Cadima

sábado, junho 16, 2012

Destino

O de amanhã não me ocorre qual possa ser.
O de hoje é já ali,
um lugar onde antes estivera
mas que não sei se me vai parecer familiar.
Nestes tempos, quase tudo me parece estranho,
quase tudo se me afigura lugar agreste.
Mesmo assim…
Ainda assim, importa fazer caminho.
Sofia, Lisboa, Tunes
são lugares de passagem.
O meu destino, ignoro qual seja,
o de amanhã, digo.
O de hoje…

José Cadima

sexta-feira, junho 15, 2012

(Novas) Viagens na minha terra

Saí cedo de Braga, rumo ao Sul. Da janela do comboio, olho a paisagem e tento encontrar algo que se me sugira familiar.
Há muito tempo que não fazia este percurso ou, pelo menos, pareceu-me muito tempo. Talvez seja mesmo, que o tempo é uma realidade relativa.
De quando em quando, enquanto a paisagem flui perante os meus olhos, o pensamento  retorna ao ponto de partida. Voltam a configurar-se-me nítidos os cães que, ainda noite, desciam a rua a par, em pose relaxada, o recorte e o tic-tac dos relógios despertadores que, afinal, acabaram por não ser necessários. Quase nunca o são, aliás, nem mesmo quando faziam falta, como numa noite, há poucas semanas, em que precisava acordar a meio da noite, como aconteceu hoje.
Volto a viajar só. Volto a um lugar aonde estive poucas vezes mas a que me apeteceu retornar nesta ocasião.
De repente, no topo de uma casa, vejo uma bandeira que esvoaça. De repente, nos altifalantes da carruagem do comboio, oiço uma voz que enuncia o nome de um lugar (do Portugal profundo) e anuncia nova paragem, bem curta, por sinal.
O comboio prossegue viagem, e eu com ele. Fico a aguardar que a voz que, de quando em quando, anuncia uma nova paragem diga um nome em que reconheça o meu destino de hoje. O de amanhã não me ocorre qual possa ser.

José Cadima

quarta-feira, junho 13, 2012

"Resíduo"

O amor é
um elemento residual.
O que nos junta
é o vício e o conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega,
esconde dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

sábado, junho 09, 2012

Uma lágrima

Todos os dias te vejo adormecer antes de mim… 
Espero sempre que os teus olhos fechem 
e mergulhes nos teus sonhos 
para que eu possa então chorar.
Mergulhas nos teus sonhos 

e os meus olhos ganham brilho. 
Depois, uma lágrima traça um carreiro de água salgada 
até à almofada onde tento desaparecer.


José Pedro Cadima

terça-feira, junho 05, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Chamam-lhes histórias"

Dizem eles que são histórias,
mas eu vi-a gerar uma luz na tempestade.
No solo, essa luz criou vida;
no céu, essa luz criou liberdade.

Dizem eles que são histórias,
mas eu vi-a! Como vejo escrever,
eu vi-a! Olhei para ela até doer.
Ainda dói, mas são saudades.

Dizem eles que são histórias,
e ninguém em mim acredita.
Fundam-se em velhas glórias.
Seja a sorte maldita!

Teimam eles serem histórias,
mas aquela luz era bela
e com ela vinha a mais bela donzela,
que até a lua fazia derreter.

Não! Não são histórias.
São desejos… São fantasias.
Mas havia luz.
Eram meus olhos a brilhar!

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 62

sábado, junho 02, 2012

Ao longe

“Ao longe os barcos de flores”.
Ao longe os barcos do amor.
Ao longe, por dois largos pares de dias,
num lugar remoto,
o meu ponto de encontro,
o meu espaço de fuga.
É irónico que, na mesma data em que te ausentas,
eu parta também, em direção oposta,
como se o nosso espaço de convívio quotidiano
não fizesse sentido
quando não o habitamos juntos.
Coincidência? Destino? Acaso?
Talvez isso seja sinal
de que, doravante, partir só ganha sentido
quando possamos partir ambos.
Juntos pelo acaso?
Juntos pelo destino?
Juntos, contemplando extensos campos de morangos,
para sempre,
ou, algumas vezes, de malmequeres
de diferente coloração,
ora amarelos, ora brancos,
ora verdes, como deviam ser todos.
Deveriam ser todos, sublinho,
ou, pelo menos, os que são carregados
pelos barcos de flores
que, de quando em quando, da costa
enlaçados, perscrutamos  no mar,  ao longe.

José Cadima

quinta-feira, maio 31, 2012

Notícias acabadas de chegar de um outro Continente, e de um lugar remoto

"Conseguimos, finalmente, um computador, que ao fim de várias horas se ligou à net. Adicionalmente, estou sem rede no telemóvel.  Estamos tão isolados que não dá para nada, mas somos 200 pessoas."

K

quinta-feira, maio 24, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Mais um grito"

É noite e está frio.
Sinto mais um arrepio.
Faltam-me palavras para expressar
sentimentos que alguém ousou roubar.

De olhos quase vidrados,
olho lá para fora,
guardo minha alma aos bocados,
que tenta ir-se embora.

De verdade, tenho medo,
não encontro consistência nas palavras,
enquanto perco proximidade a um qualquer conto de fadas.

Então grito
até sair tudo de mim:
frio, medo e pozinhos de perlimpimpim.


José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 38

terça-feira, maio 22, 2012

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Vejo-o em teus olhos"

«Em teus olhos vejo
a próxima resposta.
Nem precisas de falar;
já está tudo dito!

Vejo o que estás a sentir.
Sei-o até melhor que tu.
Vejo o que estás a pensar.
Incrível, não é?

Dói-me ver a tua resposta,
e fico com medo de perguntar.
Dói-me saber em quem tu pensas;
dói-me saber que não é em mim.»

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 72

domingo, maio 20, 2012

Encontros e desencontros


Na vida como nos sonhos,
de olhos fechados ou com eles mantidos bem abertos,
não encontro modo de fugir aos desencontros.
Por isso se lhes chama os desencontros da vida.
Por isso se lhes chama destino.
Por isso lhes chamo má sorte.
Fechando os olhos
ou mantendo-me em rigoroso estado de alerta,
o destino, a sorte ou, porventura, a tua vontade
empurram-me, no quotidiano,
para este espaço onde nunca desejei estar,
que não me desconforta por ficar só,
mas antes por, nele, não me acompanhares.
Não, não fazes diferente do que antes me fizeram.
A minha solidão é proporcional
ao desejo imenso de te sentir perto.
Há hoje quem me fale de saudades.
Saudades tenho eu do tempo
em que até um singelo campo polvilhado por papoilas
se nos oferecia como um campo de morangos para sempre.
Ai que saudades tenho de olhar, sem pressas,
o vermelho rubro das papoilas.

José Cadima

sexta-feira, maio 18, 2012

Memória de passagem pela Nova

(Universidade Nova de Lisboa, 2010-2012)

De volta a ´Sonhos a Um Espelho`: "Um sítio distante de mim"

«Desejaria partir
em busca de isolamento
num lugar bem longe daqui,
num sitio distante de mim,
onde pudesse encontrar
resposta para tudo,
no relativismo absoluto
dos teus e dos meus sentimentos.

Nem em tudo eu meto sentimentos.
Eles é que se metem em mim!
Queria encontrar resposta para problema assim.»

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p. 44 

segunda-feira, maio 14, 2012

Dias infelizes: “remake”(3)

"Queria esconder o que sinto,
abafar o meu protesto,
mas não consigo,
nem talvez deva fazê-lo."
Alegrias,
desapontamento, protesto,
facetas tão distintas de um quotidiano
que desejei sereno,
onde caminhar anónimo me realizaria.
Futuro?
Como podem tempos como estes anunciar futuro?

José Cadima

terça-feira, maio 08, 2012

"Ontem e hoje, mãe"

«"Mãe: a palavra mais bela pronunciada pelo ser humano" - Kahil Gibran

Abraço.

--
Mïr»



(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

quinta-feira, maio 03, 2012

O meu pequeno livro de memórias (9)

Ontem, estive no funeral de alguém que fez parte do primeiro grupo de alunos a quem leccionei no primeiro ano em que cheguei à Universidade do Minho. 
Não, não era mais velho que eu. Tinha a idade comum com que se chegava às universidades em 1982/83. 
Fez-me lembrar outros tempos e outras dores, e também coisas muito boas, como o convívio futebolístico que fazíamos semanalmente nessa altura, alunos e professores, e que conseguimos manter durante vários anos.
Deixa-me saudades...Fez-me questionar uma vez mais porque partem os nossos filhos primeiro que nós. Saí apressado do funeral, porque era muita a dor ... e porque, nos dias que correm, há ocasiões em que nem tempo temos para chorar os nossos mortos.

J. Cadima Ribeiro  

sexta-feira, abril 27, 2012

"Desaparecer"

Deve ser muito angustiante "desaparecer" e não sentir mais o cheiro das flores, o teu cheiro, a lua, o sorriso das crianças, as palermices dos animais, a nossa casa, o nosso amor...

K

quinta-feira, abril 26, 2012

Estou aí!

Vale a pena viver quando não sabemos o que vai ser a morte.
Vale a pena viver quando queremos mudar o mundo.
Quanto mais vejo as incongruências e dureza deste mundo, mais quero viver!
Viva a vida e viva eu!
O mundo que se cuide, pois eu estou aí!



C.P.

terça-feira, abril 24, 2012

"Estou em casa"

«Mïr Silva mirtempo@gmail.com


“Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou.” – Clarice Lispector
Receba e partilhe.
Bom fim de semana e até a um próximo "encontro"»

(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico).

segunda-feira, abril 23, 2012

Ocasionalmente

Ocasionalmente, alguém me diz:
“obrigada por todo o teu apoio e por existires”.
Ocasionalmente, chegam-me mensagens
de reconhecimento e gratidão:
 reconhecimento de desprendimento;
gratidão por reconhecida generosidade.
Mais amiúde, chegam-me sinais
de incompreensão, desagrado, desatenção.
Deixei de relevar, quer dizer, tento lidar com a mágoa
da melhor forma que sei e posso.
Como se pode ser uma e outra coisas?
Como se pode lidar com uma e outra coisas?
Lutando, fazendo, construindo, querendo,
tendo ideias e expressando-as,
a incompreensão, o desconforto, a contestação
são, infelizmente, expressões incontornáveis.
Morto, desaparecido, latente,
é bem mais fácil.
Já reparam nas qualidades reconhecidas
num qualquer falecido? Mesmo que recém-falecido.
Tento lidar com a vida,
 que o mesmo é dizer com a mágoa,
alimentando a esperança
 que alguém, ocasionalmente, me diga
 “obrigada por todo o teu apoio e por existires”.
É daí que vou recolhendo a energia
que me diferencia de um qualquer morto.

José Cadima

segunda-feira, abril 16, 2012

Outros que tivessem olhos para ver...

Face ao que era escrito, poderia deduzir-se que o  meu interlocutor subscreveria a ideia de que, para a economia portuguesa progredir, precisaríamos de acomodar-nos ao modelo de regulação do mercado de trabalho existente na China. Sendo um contra-senso, parece ser isso para que apontam as políticas e as leis recentemente produzidas. 
Neste processo, o que resulta particularmente curioso é ser o próprio FMI a admitir que, como tem sido feito, não vamos lá. Outros que tivessem olhos para ver os resultados das políticas implementadas nos últimos meses deveriam ser capazes de retirar ilação semelhante, mas não são.

J. Cadima Ribeiro 

quarta-feira, abril 11, 2012

Algo impossível de comprar (Uma carta de Natal)

Os poemas que escrevo são o escape,
a fuga que encontro
à hedionda realidade que nos submerge.

Neles, pelo menos, embora nem sempre,
encontro paz, fartura
e, até, um estranho mas pacifico amor.

O maior senão é a dor
que por vezes também encontro 
de lembranças passadas,
com que receio voltar a cruzar-me.

José Pedro Cadima

sexta-feira, abril 06, 2012

[Antiga] Estação de Comboios de Aveiro















[Foto da autoria de C.P.]

A tua(nossa) vida

És complexo, mas o mais simples
És uma doçura quando o queres
Embora a minha autonomia te deixe confuso
Sabes que eu dependo cada vez mais de ti
Aprendeste, nos últimos anos, uma das palavras mais difíceis
A palavra Partilhar
Passaste a partilhar afectos e dificuldades
Passaste a partilhar a nossa vida
Gostas pouco de floreados
A vida ensinou-te a contar apenas contigo
Mas agora vais passar a contar, cada vez mais, comigo


C.P.

quarta-feira, abril 04, 2012

"O trapezista da alma"


«Aqui lhe(s) deixo mais uma partilha, para partilha.
  
 
Boa semana com boa Poesia e até a um próximo 'encontro'. 
 
Mïr»

(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico)
 

terça-feira, abril 03, 2012

O sábio (2)

Um dia, fui ter com um velho sábio
e perguntei-lhe o que se escondia no céu.
Ao qual ele me respondeu: “o amor”!
Foi então que fiquei a saber que queria ir para o inferno
porque, cá na terra, demasiadas vezes
a dor do amor experimentei.

José Pedro Cadima

O meu pequeno livro de memórias (8)

















[Placa inaugural das actuais instalações da Escola de Economia e Gestão e arcadas do edifício da Rua do Castelo onde funcionou a Escola na 2ª metade dos anos 80 e início dos anos 90 do Séc. XX]

domingo, abril 01, 2012

sexta-feira, março 30, 2012

Sameiro, dizes tu.

"Lá em cima, ao fundo: Sameiro. Sameiro, dizes tu, mulher atarefada com a lida da casa, somada aos afazeres do campo. Maria, mulher cada vez mais da cidade, posto que os campos se despovoam a olhos vistos e, na enxurrada, correm risco de ir até as cidades."

J. C. 

domingo, março 25, 2012

O meu pequeno livro de memórias (7)

[Edífícios da UMinho onde funcionou a Escola de Economia e Gestão num certo momento da sua história de 30 anos: em baixo, Rua D. Pedro V; em cima, Rua do Castelo]


sexta-feira, março 23, 2012

Mensagens curtas, endereçadas

"É um gesto de grande generosidade esse teu de ofereceres-te para escrever um livro comigo. Seria incapaz de pedir-te tanto.
Nesta altura, não vou mais longe que, humildemente,  pedir-te um abraço, forte."

José Cadima

segunda-feira, março 19, 2012

Sarau de/sobre Poesia - Dia Mundial da Poesia

«No âmbito da comemoração do Dia Mundial da Poesia, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva convida V. Exa. a participar no sarau de/sobre poesia (resultante da 3ª edição do concurso Encontro de Poesias), no próximo dia 21 de março (quarta-feira), a partir das 21h30, no auditório da Biblioteca. A entrada é livre.

Intervenção musical a cargo de Catarina Araújo.

Será feito um breve ensaio sobre a importância da poesia na literatura, a cargo de Fernando Pinheiro (escritor, editor, ator).

Nesta sessão serão anunciados os vencedores do concurso, referentes aos 4 escalões etários:
crianças até aos 9 anos; crianças dos 10 até aos 13 anos; jovens dos 14 até aos 17 anos; adultos dos 18 anos em diante.

Na 3ª edição deste concurso participaram 179 pessoas.

A todos a BLCS agradece a participação e interesse demonstrados.
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Aida Alves
Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva
Rua de S. Paulo, nº 1 - Cividade
4700-042 Braga – Portugal»

(reprodução de mensagem que nos caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

Poema

Um poema é um estado de espírito, não é expressão de vontade ou exercício simples de escrita. Talvez um dia... Talvez um dia seja capaz de escrever-te um poema.

José Cadima

domingo, março 18, 2012

quarta-feira, março 14, 2012

Revisitando "Tu(Eu)"


Senti-me mal.  Apeteceu-me correr rua abaixo. Não fui capaz! 
Decidi tomar um banho. A água morna acalmou-me. 
Penteei o cabelo para a frente, para me tapar os olhos. Aos poucos, as pontas encaracolaram-se para cima e deixaram-me ver a minha cara no espelho.
Senti de novo necessidade de gritar. Explodi!
É por isso que  não resta de mim senão o que está à vista.

José Pedro Cadima

segunda-feira, março 12, 2012

O meu pequeno livro de memórias (6)

A história das instituições é sobretudo a história das pessoas que lhe dão corpo
Cheguei a Braga a meio de Dezembro de 1982 para iniciar funções docentes pouco depois, em Janeiro de 1983. A entidade funcional em que fui integrado chamava-se UCP (Unidade Científico-Pedagógica) - Economia e Gestão.
Quando cheguei a Braga, conhecia uma única pessoa na cidade e na Universidade do Minho. Conhecêramo-nos enquanto estudantes do Instituto Superior de Economia, da Universidade Técnica de Lisboa (actualmente, ISEG). Por coincidência, trata-se do Presidente da Escola de Economia e Gestão (EEG) em funções (Manuel Rocha Armada).
Fui contratado para a dita “unidade” na mesma altura que 5 outros jovens recém-licenciados, dos quais permanecem ao serviço da Universidade do Minho apenas 2: Luís Gonçalves (Escola de Direito) e Pedro Vasconcelos (Escola de Direito). Um outro, que alguns dos presentes conhecerão, ainda é fácil encontrá-lo por Braga mas há muito enveredou por outro percurso profissional (a banca). Refiro-me a António Marques, actual Presidente da Direcção da Associação Industrial do Minho e, curiosamente, também Presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do AVE (IPCA).
Entre o serviço que me foi distribuído nesse primeiro ano e nos que se seguiram estavam cadeiras como Macroeconomia, Moeda e Crédito, Desenvolvimento Económico Regional e Local, Análise Económica de Projectos e Análise de Projectos. Os destinatários do ensino de que fui encarregue eram alunos de Gestão, de Administração Pública e de Relações Internacionais, se bem que também me tivesse calhado leccionar disciplinas como "Problemas Económicas da Actualidade" em “opções culturais” de cursos de Engenharia.
Entre os alunos que tive logo no meu primeiro ano na UM (a marca UMinho é uma coisa recente) encontravam-se dois(duas) que pouco tempo depois viriam a integrar o corpo docente da “Escola”. Desses(dessas), um(a) aposentou-se entretanto, permanecendo em funções outro(a). Refiro-me a, respectivamente, Elvira Lima e Mª Helena Guimarães.
A UCP-Economia e Gestão era então (Janeiro de 1983), no total, qualquer coisa como 29 docentes e 2 funcionários, todos instalados no último piso de um prédio situado na rua D. Pedro V, construído para servir de habitação. Como local de trabalho, a uns calhou a sala de estar ou os quartos, a outros a cozinha.
Soube algum tempo depois que, até pouco antes, as ditas instalações tinham sidas partilhadas com colegas das Ciências Sociais. Cheguei mesmo a cruzar-me aí com um (Aníbal Alves – Comunicação Social) que, estando no estrangeiro a preparar doutoramento quando a “cisão” se deu, aproveitou uma visita que fez a Portugal mais tarde para recolher livros e outro material que deixara no espaço que usava para trabalhar. Desse processo de emancipação da Economia e Gestão das Ciências Sociais não me chegou mais do que isso. Ouvi falar de nomes, como Lima de Carvalho, que só muito mais tarde conheci.
Foi nesse espaço que travei contacto também com Altamiro Machado (Informática de Gestão/Sistemas de informação). Tal aconteceu numa ocasião em que fez uma visita ao Professor António Vale e Vasconcellos. Ambos, são nesta altura apenas memória, como vários outros professores com que me fui cruzando nos corredores da UMinho e nas ruas das cidades de Braga e de Guimarães, de bastantes dos quais guardo gratas recordações.
A Escola de Economia e Gestão era então apenas um projecto, em todo o caso, partilhado com razoável entusiasmo por muitos de nós.
A fase imediatamente seguinte de materialização desse projecto foi vivida no Edifício da Rua do Castelo, tendo-se constituído num momento particularmente rico em matéria de convívio, tirando proveito da existência logo ao lado de alguns cafés e restaurantes, onde, a meio da tarde, era possível trocar ideias entre um prato de rissóis e algumas cervejas. Tínhamos o futuro pela frente. Sonhar era possível.

J. Cadima Ribeiro 

domingo, março 11, 2012

Monstros marinhos

(Viana do Castelo, praia a Sul)
                                                                                                                                                               [Fotoda Autoriai de C.P.]

sexta-feira, março 09, 2012

De volta a "Sonhos a Um Espelho"

«Na idade dos porquês
Estou outra vez
em mutação,
quer dizer, na idade dos porquês
(se bem que pareça questionar-me em vão).
Não acho resposta para nenhuma pergunta.
Sabes: as folhas no Outono? Eu sinto-me assim!
Nada resulta!
As perguntas ficam por responder
e eu sinto medo das respostas procurar.
Só me apetece esconder…
… e chorar.»

José Pedro Cadima (2009), Papiro Editora, Lisboa, p.48

segunda-feira, março 05, 2012

O meu pequeno livro de memórias (5)

A UCP-Economia e Gestão era então (Janeiro de 1983), no total, qualquer coisa como 29 docentes e 2 funcionários, todos instalados no último piso de um prédio situado na rua D. Pedro V, construído para servir de habitação. A uns, calhou a sala de estar ou os quartos, a outras a cozinha. 

J. Cadima Ribeiro

Candeeiro

(Barcelona)
[Foto da autoria de C.P.]

sexta-feira, março 02, 2012

Mensagens curtas, endereçadas

"Só quando não estás sou verdadeiramente capaz de avaliar a falta que me fazes e o conforto que é saber que posso contar com o teu carinho e dedicação."

José Cadima