terça-feira, outubro 18, 2011

Conversas por concretizar (5)


«Tens razão se pensas que o mundo está perigoso, mas a resposta não é isolares-te. É, antes, enfrentá-lo com inteligência e tudo fazer para sair vitorioso.»

José Cadima

sábado, outubro 15, 2011

Os últimos comentários que chegaram de Lisboa

«Qualquer dia, os alunos da Universidade do Minho até vão ser capazes de criar negócios e usar o seu tempo de forma útil. Não que não os haja, mas têm só uma expressão residual face aqueles que são fãs devotos de Harry Potter.
[...]
Sabes [...], eu vivo no Chiado. Por isso, posso sair até esta hora! Só vi agora a noticia de que na UMinho se iam proibir as praxes! Questiono-me se os alunos passarão agora a ser capazes de se organizar por clubes ou organizações que contribuam para expandir a diversidade de actividades por lá existentes.»

José Pedro Cadima

(comentários originalmente produzidos no Facebook)

quinta-feira, outubro 13, 2011

Conversas por concretizar (4)

Continuo a aguardar o momento em que tenhas vontade de falar comigo.
Sabes: lembro-me muito bem daquela situação, há pouco mais de 2 anos, em que me apareceste no estúdio, muito perturbado, dizendo-me que não querias continuar a frequentar as aulas onde tinhas acabado de te inscrever. Dizias-me tu que precisavas de um tempo (um ano sabático) para recuperares a motivação e a vontade de estudar e fazer coisas. Mais me dizias que o que tinhas em mente era, futuramente, ter um negócio. Entretanto, tencionavas procurar um trabalho que te désse algum dinheiro, que te poderia servir também para ajudar a montar esse negócio.
Sei que depois, com a minha ajuda e a do teu avô, chegaste a procurar emprego. Eu cheguei mesmo, mercê da ajuda de um amigo e de grande insistência minha, a identificar uma empresa que aceitava ter-te lá como estagiário. Fomos lá, ambos, falar com um dos responsáveis e, depois, deixaste-me uma semana a secar para, com desculpas esfarrapadas, acabares por recusar o estágio. Foi pena. Estou certo que tinhas começado aí um projecto de vida, ainda que depois quisesses fazer outra coisa.
Insisto: o tens feito não faz sentido, quer dizer, não te leva a lado algum. Peço-te que te interrogues sobre tudo isto e concluas, como só podes concluir, que o que estás a fazer é errado, e o primeiro e maior prejudicado és tu, mesmo que com a tuas atitudes me queiras penalizar igualmente a mim e a mais não sei quem.

José Cadima

terça-feira, outubro 11, 2011

Solidão

A solidão é:
um estado de alma;
ausência e presença;
uma angústia que perdura;
uma presença ausente;
uma promessa cumprida,
segura.

A solidão é:
um existir sofrido,
algumas vezes sereno,
como só o sabem ser as coisas serenas;
um estado de alma;
uma alma sem estado,
perdida,
por vezes, à procura de paz,
algumas vezes, sem quietude possível.

A solidão
sou eu,
és tu,
é um ponto de encontro
por encontrar.

K

segunda-feira, outubro 10, 2011

Conversas por concretizar (3)

"Falei este fim de semana com a tua avó. Também ela está muito preocupada contigo e desejosa de te rever. Ela e o teu primo estão a equacionar vir a Braga em Outubro para estarem contigo.
Há quanto tempo não vais a Leiria? Tenho pena que estejas há tanto tempo sem te deslocares lá, tanto mais que no passado gostavas imenso de ir a Leiria, de conviver com os teus primos e de te envolver naquela realidade tão diferente da que tens em Braga. Porque é que deixaste de gostar de ir a Leiria. Sinceramente, ainda não percebi o porquê disso."

José Cadima

Árvores com muletas (S. Pedro de Moel)















[Foto da autoria de C.P.]

domingo, outubro 09, 2011

A cada passo

"Procuro, procuro em meu redor
e não acho nada."
"A cada passo, os pesadelos
entrepõem-se-me nos sonhos."

K
(a partir de "sugestão" de José Pedro Cadima)

sábado, outubro 08, 2011

Conversas por concretizar (2)

"Falando de ser teu amigo e preocupar-me com o teu bem estar, pergunto-te: lembras-te de quando eu te levava ao cinema? Lembras-te que o fiz desde que eras muito pequeno? Lembras-te de quando te levava ao baloiço e até de quando te levava comigo para o trabalho, em tempo de férias? Não achas que isso era expressão de quanto eu gostava de ti e de quanto queria ver-te crescer e ser feliz? Achas que alguma vez deixou de ser assim?
Sei que tinha pouco tempo para vós, o que lamento. Porventura, dei demasiada atenção ao trabalho. Isso nunca foi resultado de me preocupar menos convosco. O trabalho foi sempre um elemento de equilíbrio da minha vida, mesmo quando as coisas me corriam pior em dimensões privadas da minha existência; sobretudo nesses momentos."

José Cadima

quarta-feira, outubro 05, 2011

Conversas por concretizar

"Naturalmente, há coisas que sempre fazemos que te não agradarão. Todos nós temos as nossas limitações, mas nada disso justifica descortesias e atitudes menos avisadas.
Uma coisa que me incomoda e me suscita dúvidas é o porquê de teres desistido de projectos em que parecias tão empenhado. És capaz de me explicar essa tua atitude? Já te questionas-te do porquê de desistires de algo que desejavas ter ou fazer? Até quando vais desistir de lutar por coisas que já desejaste ter e fazer?
Nota o seguinte: o que tens vindo a fazer é adiar a tua vida, alimentar frustrações, tornar-te ´pesado`, quando era o inverso que deveria estar a acontecer, isto é, deveríamos poder ter a tua ajuda para vivermos melhor este momento muito difícil das nossas vidas.
Fiquei contente por ver que tens um gato. Achei o gato engraçado, se bem que entenda que os gatos não são para estar permanentemente fechados em casa."

José Cadima

segunda-feira, outubro 03, 2011

Rede natural, colorida

















[Foto da autoria de C.P.]

Mágoas indeléveis

Na minha vida aconteceram muitas coisas que me afectaram muito, e em primeiro lugar, a morte da minha filha, Joana Catarina. Tentei ultrapassar as mágoas que tal circunstancia provocou em mim mas acredito que, em grande medida, não fui capaz. Não foi por isso que alguma vez deixei de dar o apoio e o acompanhamento que os meus filhos que nasceram depois precisavam mas, seguramente, isso fez com que eu ficasse aquém do que eles precisariam e desejariam de mim.
Talvez um dia possa ter a sua compreensão para esta realidade que me penaliza até aos dias de hoje, e que, porventura, me acompanhará até aos últimos dias da minha vida.

José Cadima

domingo, outubro 02, 2011

quarta-feira, setembro 28, 2011

O meu mundo

O mundo funda-se em muita coisa. Porquê? Porque é o mundo de muita gente: o meu mundo; o teu mundo; o mundo dele; o mundo dos outros. Não há o nosso mundo, pois o meu sou incapaz de partilhá-lo seja com quem quer que seja, ou talvez tente partilhá-lo, talvez consiga partilhá-lo, mas facilmente me refugio num sítio aonde ninguém consegue penetrar.

José Pedro Cadima

sábado, setembro 24, 2011

Humor

"Como estava a envergar o meu manto da invisibilidade, não contava que dessem por mim!"

José Cadima

Mensagens curtas, endereçadas

"O trabalho, como tu sabes, é uma componente essencial do meu equilíbrio. Algumas vezes, é mesmo todo o suporte do meu equilíbrio psicossomático, o que, contraditoriamente, não deixa de ser uma circunstância infeliz."

José Cadima

quarta-feira, setembro 21, 2011

Teus olhos (II)

Em teus olhos vejo meu reflexo,
Em teus olhos me afundo.
Em teus olhos me afogo.
De meus olhos escorrem lágrimas, abundantes.
Nelas não sei nadar.

Cria-te meu salva-vidas.
Cria-te meu anjo da guarda.
Achei-te predadora de meus olhos.
Num último gesto, peço-te:
comigo vem acabar.

José Pedro Cadima

sábado, setembro 17, 2011

Suportado em poucas qualidades

Suportado em poucas qualidades,
penalizado pelos meus imensos defeitos,
cá vou eu,
fazendo este exercício difícil quotidiano que é viver,
alimentado por uma ténue esperança, às vezes,
com imensa raiva, na maior parte do tempo.

De quando em quando,
sempre que as circunstâncias mo permitem,
questiono-me sobre o porquê desta sorte,
deste tamanho azar,
interrogo-me sobre que erros cometi
que me condenaram a este destino.
Terão sido graves os erros cometidos.
A imensidão dos defeitos
esteve muito para lá das poucas qualidades
que me assistiram(assistem).
Sobrevi. Sobrevi até aos dias de hoje,
acumulando achaques físicos e desgaste mental.

Em pleno contraste,
desejo a melhor sorte a todos
os que falharam na missão de fazer das suas
e da minha vida algo aprazível.
Os meus imensos defeitos tê-los-ão tolhido
na afirmação das suas imensas qualidades.
Libertos de mim, talvez tenha chegado o momento
de verem triunfar essas qualidades.
Pudera que sim!

José Cadima

quarta-feira, setembro 14, 2011

Ser muito ingénuo ou um grande irresponsável

Como uso dizer – e sou inteiramente sincero nisso – só pensa ter filhos hoje em dia quem não tem nada mais com que se ocupar ou, o que é radicalmente pior, quem é muito ingénuo ou um grande irresponsável. Como sabes, eu encaixo-me na categoria dos ingénuos. Feito o erro, vou ter que viver com ele, mesmo que isso me custe para além do que tenho e posso dar. É uma de entre várias fatalidades com que estou confrontado. Daí a expressão cá vou indo com que quero concluir esta mensagem que decidi endereçar-te.

K

sábado, setembro 10, 2011

O efeito dos telejornais na minha vida

Sigo, a maior parte das vezes, o telejornal da noite, pelas 20 horas, quando toda a família está toda sentada à mesa para jantar. Não será uma interessante solução, mas, pelo menos, ficamos “informados” sobre o que se vai passando um pouco por todo o mundo e os mais novos sempre vão tendo alguma percepção da situação social e económica que se vive! Claro que a informação que recebemos é filtrada, mas, apesar de tudo, penso que os jornalistas são mais do que necessários… Ainda bem que existem, para o bem e para o mal! Não obstante, quando precisamos de nos sentir mais animados, apagamos a televisão e ficamos a ouvir música ou simplesmente a falar!...
Sim, porque isto de estar quase uma hora, depois de um dia estafante de trabalho, a ouvir notícias tão deprimentes (comparem o perfil actual dos telejornais com o dos anos oitenta), só pode dar problemas! Felizmente, não tenho pensamentos suicidas, acreditando que, caso os tivesse, algumas vezes poria em causa a importância da minha existência!
Para nos cativarem, lá vão dando quase no fim do telejornal alguma notícia positiva, que já não consegue contrabalançar tudo o resto que se ouviu durante quase uma hora!
Que raio de sociedade se está a construir, acelerada e em que os benefícios sociais estão a acabar! E o esquecimento de quem está ao nosso lado e passa mal? E a vontade desenfreada de ganhos económicos faz-nos esquecer os valores humanos.
Vi, por acaso, há dias, uma reportagem que falava do Butão, que nas últimas décadas apostou na felicidade das pessoas e parece estar a dar resultado… No entanto, falta-nos a cultura deles para poder enveredar por esse caminho.
Começo a ter a certeza de que a sociedade vai ter mesmo que mudar; mas terá que ser à custa de “revoluções”? Quanto tempo se demorará a ver o que dá felicidade às pessoas e a encontrar outro caminho? Que bom que era assistir à diminuição do número de “chicos espertos”, à injustiça social, e a muitas outras coisas (por exemplo, diminuição do número das depressões), ainda que o seu extermínio seja impossível. Apesar de tudo, somos seres humanos!

Leonor

sexta-feira, setembro 09, 2011

As últimas notícias que chegaram de Lisboa

Via Facebook de

"Next bedroom: Baixa-Chiado ;)"

Bala apontada aos céus de Barcelona


Dias infelizes: “remake”

Queria alhear-me do que vejo,

queria esconder o que sinto,

neste tempo de turbulência insana.

Queria evadir-me desta prisão

em que se tornou o meu dia-a-dia,

mesmo que a evasão

não possa ser senão esporádica e precária.

Sinto tarefa tremenda

esta de procurar alguma felicidade.

Sinto tarefa penosa

esta de viver, nos dias que correm.

Mais do que gregos,

dir-se-á que me vejo (nos vemos, muitos de nós) português(eses),

o que devia ser sinal de esperança

mas não o é!

Melhores dias virão!?


K

domingo, setembro 04, 2011

Sonhos

Procuro em meu redor
e só te encontro a ti,
meu sonho,
meu pesadelo, tantas, demasiadas vezes.
Quando se alimentam sonhos,
dá-se espaço para o pesadelo.
Onde crescem flores,
crescem, também, cardos,
exuberantes, até floridos, espinhosos.
Os rios dos sonhadores
são coloridos de vermelho,
vermelho de sangue, insisto.
Procuro em meu redor
e acho saudades de ti,
anseio ardente de ter-te
ao alcance dos meus braços,
preso que estou na teia
que me faz refém deste amor
muito procurado, temido, louco.

José Pedro Cadima

terça-feira, agosto 30, 2011

Crónicas do quotidiano: "não se pode enganar toda a gente o tempo todo"

Ocupei hoje, dia 29 de Agosto, parte substancial da tarde numa reunião com uma doutoranda de origem brasileira. Surpreendeu-se a dita doutoranda por eu ter agendado a reunião de trabalho com ela para um tempo que ela presumia ser de férias (as minhas férias). Disse-me a propósito que, no Brasil, em tempo de férias, os professores estão ausentes da universidade durante todo período, e, até, nem se prevê que possam aceder aos seus gabinetes de trabalho.
Em resposta, disse-lhe que “as férias” eram para mim a oportunidade de pôr em dia trabalho em atraso e, de quando em quando, ir espreitar o campo ou o mar e, também, de trocar o gabinete de trabalho na Escola pelo que tenho em casa e, ainda, de correr menos do que o habitual. Aceito que outros tenham melhor vida, isto é, melhores férias. Algum mérito ou sorte hão-de ter para o conseguir.
Tendo por certo quanto me custa “ganhar a vida”, é com perplexidade que assisto ao percurso que fazem certas pessoas que conheço, algumas há demasiado tempo, a quem a vida parece custar muito pouco, mesmo não se vislumbrando nelas mérito especial, aparte a facilidade com que alardeiam ser o que nunca foram. E a verdade é que, geralmente, vão fazendo o seu percurso sem grandes atribulações, quando não com inesperado sucesso, aos olhos de quem os conhece um pouco melhor.
Creio que é a elas que se dirige o dito popular que reza qualquer coisa próxima do seguinte: “Pode enganar-se uma pessoa toda a vida, pode enganar-se muita gente durante muito tempo, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo”. Não questiono tal afirmação, fundada que é na sabedoria cozida pelo tempo lento da existência dos povos. Pergunto-me, no entanto, se não haverá alguns que são enganados porque gostam ou não se importam de o ser, posto que, não raras vezes, em nome de projectos e ambições pessoais, ignoram o que está à vista, não digo de todos, mas de muita gente. Sendo de um modo ou de outro, tenho para mim que não pode, depois, quem se coloca em tal posição achar ter sido enganado.
Contrariamente ao que se passará no Brasil, em Portugal, no tempo que corre, é disto que é feito o dia-a-dia de um professor universitário ou, pelo menos, de bastantes deles, mesmo em tempo de férias. Disto, quero dizer, de trabalho e do confronto com muita perplexidade.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, agosto 29, 2011

Mensagens curtas, endereçadas

"Agradeço a tua mensagem. Embora me queixe de receber poucas boas notícias, ainda as há felizmente. Aquela a que te reportas é um desses casos."

José Cadima

sábado, agosto 27, 2011

Problemas ´versus` desafios

Sempre lidei com grande desconforto com o que não era capaz de entender ou com dificuldades que escapavam à minha capacidade de dar contributo para a sua superação. Os problemas só existem quando nos escapam os instrumentos para a sua resolução. Doutro modo, não são problemas; são desafios.

José Cadima

sexta-feira, agosto 26, 2011

quinta-feira, agosto 25, 2011

Festim de rosas (II)

Num festim de rosas,
podes encontrar coisas espantosas,
loucas, inebriantes,
desde um amor estonteante
a um livro que se lê de um folgo, apaixonante
ou, até, uma dor profunda e obscura,
que te aperta tanto o coração que vais percebê-la como tortura.

José Pedro Cadima

domingo, agosto 21, 2011

Quero ser a única

Quero ser a única a olhar o céu
Quero ser a única a tocar as estrelas
Porque não sou a única?
Sinto amor armadilhado
Com teias do passado
Teias muitas vezes presentes
Sei que o tempo as começou a apagar
Mas ainda não me deixam passar
Tocar a única estrela que vejo no céu
É o meu único desejo
Quando serei a única a tocar o céu?

C. P.

sábado, agosto 20, 2011

Há dias em que acordo triste, muito triste

Há dias em que acordo triste, muito triste. Nesse contexto, falham-me, sobram-me as palavras. Mesmo as palavras escritas é com grande esforço que as enuncio.
Hoje foi(é) um desses dias!

José Cadima

domingo, agosto 14, 2011

De quando em quando

“Ainda não partiste e já morro de saudade!”
De quando em quando, apetece-me partir.
De quando em quando, apetece-me voltar às origens,
aos campos de morangos, para sempre.
De quando em quando,
gosto de olhar os lírios do campo,
o mar que se estende para lá do horizonte.
De quando em quando,
sinto que és o meu horizonte,
o meu ponto de encontro,
mesmo quando, louco, te digo o contrário.
De quando em quando,
apetece-me voltar aos campos de morangos,
aos lírios do campo
que tão bem conheci.
De quando em quando, morro de saudades tuas,
mesmo se não partiste,
meu campo de morangos, para sempre.

José Cadima

segunda-feira, agosto 08, 2011

Mensagens curtas, endereçadas

«És muito benevolente na apreciação que fazes das minhas qualidades e defeitos. Isso dá-me indicação de quanto prezas a nossa relação, o que me conforta bastante.
Infelizmente, tenho pouco com que retribuir-te, aparte o meu amor e dedicação.»

K

quarta-feira, agosto 03, 2011

Mar e Rio

Tu és o mar, o sol, a praia.
Sou o rio, a sombra, o bosque.

Areia que se move com o vento,
se fez um dia de uma pedra
para embelezar a fronteira do mar.

As árvores que refrescam,
que nos fazem companhia
e nos dão o ar para respirar.

O sol que brilha,
espalhando alegria
e apagando o escuro do nosso mundo.

A sombra que nos protege
e nos dá poiso para meditar,
trazendo a paz necessária para o repouso.

És o mar, as ondas do caos,
uma força que tudo derruba,
movendo-se em todas as direcções
sem que ninguém te faça jus(tiça).

Sou o rio no seu percurso,
sincero nos meus meios,
sempre confiante no caminho.
Sei que algum dia
te vou encontrar.

José Pedro Cadima

Mensagens curtas, endereçadas

"Pareces não perceber o que sinto, a não ser nos momentos em que fica mais cruelmente exposto o meu enorme sofrimento. Esses são, entretanto, os instantes em que o reencontro fica mais distante."

José Pedro Cadima

domingo, julho 31, 2011

Ninguém compra o boneco foleiro (II)

Nas minhas poucas qualidades,
nos meus imensos defeitos,
ninguém parece quer-me,
nem mesmo eu.
Cresceu em mim
uma imensa raiva de mim.

Tal como te pressinto,
nem sequer te imaginas a meu lado.
Sou simplesmente algo,
como um boneco foleiro,
que ninguém compra.

Em perfeito contraste,
eu sinto que te quero muito,
sinto que me fazes toda a falta do mundo,
mesmo desejando ter força bastante
para te ignorar da próxima vez que nos cruzemos,
rua abaixo, rua acima.
Cresceu em mim uma raiva imensa.
Sinto-me um boneco foleiro.

José Pedro Cadima

sábado, julho 30, 2011

O que gosto em ti

O que gosto em ti
Tudo ou nada posso dizer
Tudo ou nada quero dizer
O que posso dizer que és?
Companheiro és
Dedicado és
Atrevido és
Honesto és
Maduro és
Empreendedor és
Que homem és!
Mas, como quase todos os homens,
tens dificuldade em expressares o que és
Tento ajudar-te
És bom aprendiz
Que homem és!...

C.P.

quarta-feira, julho 27, 2011

" 102nd most networked person in Portugal on Social Networks"

José is the 102nd most networked person in Portugal on Social Networks: José has friends in 23 countries, covering a distance of 362,145 Kilometers [...]»

(excerto de mensagem disponível nesta data no Facebook de José Pedro Cadima)

De volta à minha praia fluvial













Vale-de-Frade (Barosa, Leiria)

sábado, julho 23, 2011

Violeta, meu trevo de 5 folhas

Violeta! Meu trevo de 5 folhas,
minha flor singela:
como é bom contemplar-te;
quanto gosto de ter-te por perto,
de preferência, colada a mim.
Violeta, meu trevo da sorte,
a razão está toda do teu lado
quando me lembras a sorte que tenho.
À força de conviver com a pouca sorte,
acabei descrente da sorte
que me acabou reservada, violeta.
Fico-te reconhecido pelo encanto.
Mais te agradeço o modo inesperado
como te ofereceste a meus olhos,
que, de tão inesperada,
resulta-me ainda hoje difícil de crer.
Fazia-me falta uma flor como tu, ontem, hoje,
particularmente hoje,
Meu trevo de 5 folhas:
és tu me impeles para a vida;
és tu a vida que me resta
e a que, pese isso, me agarro com dificuldade,
sem que, a mais das vezes, entenda porquê.
À força de conviver com a pouca sorte,
acabei descrente,
acabei diminuído na dimensão do sonho
que, apesar de tudo, deveria comandar a vida.
Violeta, minha flor:
não desistas de dar cor à minha vida;
não deixes de ser a minha vida,
mesmo quando, descrente
da capacidade que preservo de te fazer sorrir,
te digo: “Até qualquer dia!”.

José Cadima

quinta-feira, julho 21, 2011

(Re)começar

Começar é abalançar-se a dar os primeiros passos e, sucedidos estes, avançar para os segundos e assim por diante. Amor meu: o amor não é apenas uma emoção nascida de razões que estão para além de racionalidades circunstanciais. O amor cultiva-se como se cultivam as roseiras, os pessegueiros que dão pêssegos grossos (quando dão poucos) ou os dióspireiros: nenhum deles dispensa ser regado; nenhum deles gera flores e/ou frutos bonitos e grossos se deixarmos que as ervas e as silvas as/os minem e envolvam.

José Cadima

sexta-feira, julho 15, 2011

Hoje não te escrevo

Há ocasiões em que o trabalho, pouco que seja, me esgota. Lembro-me de outras em que o trabalho se esgotava sem que lhe sentisse o peso. Não é, sei-o bem, apenas uma questão de esforço. É, muito mais, um problema de motivação, de crença que valha a pena enfrentar o dia seguinte, estado de espírito que me escapa nesta altura e de que não estou certo de ser capaz de libertar-me. A não ser... A não ser que...

Estou sem esperança. Estou sem ânimo. Sinto-me profundamente cansado, a ponto de me falhar a energia sequer para te gritar a falta que me fases. Por isso, hoje não te escrevo.

José Cadima

terça-feira, julho 12, 2011

quinta-feira, julho 07, 2011

Sempre que me quiseres

Sempre que me quiseres
Estarei lá
Para te dar força
Para te amar ainda mais
Sempre que me quiseres
abraçar-te-ei com muita força mais
Até te renderes ao meu abraço
Sempre que me quiseste nestes 3 anos
Estive lá
Dei-te força
Amei-te até não poder mais...

C.P.

quarta-feira, julho 06, 2011

Alegoria (esboço de crónica)

Lá em cima, ao fundo: Sameiro. Sameiro, dizes tu, mulher atarefada com a lida da casa, somada aos afazeres do campo. Maria, mulher cada vez mais da cidade, posto que os campos se despovoam a olhos vistos e, na enxurrada, correm risco de ir até as cidades.
Primeiro, foram as mais pequenas mas agora, ai agora, até algumas maiores experimentam já a hemorragia humana de que se julgavam salvaguardadas.
Escândalo! Escândalo! Nem Guimarães escapa. Se os dados galopantes do desemprego o indiciavam, os dos censos, acabados de anunciar, não parecem deixar margem para dúvida. E os seus actores políticos que se achavam tão certos, tão seguros.
Maria! Maria do Sameiro! E agora? Porque há-de ser uma serra, para mais pequena, a constituir a fronteira entre duas faces de uma mesma realidade económica, social atravessada de forma aguda pela crise, por agudas crises de naturezas múltiplas, digo?
Ai Sameiro, Maria do Sameiro, que vai ser de ti, mulher abandonada à tua (pouca) sorte?

JC

domingo, julho 03, 2011

Um dia

Um dia
plantei uma árvore.
Um dia
tive um(a) filho(a).
Sonhei vê-lo(a) crescer.
Um dia
escrevi um livro
e desejei fazer muitos mais.
Um dia
tive um sonho,
a que se seguiram outros.
Cheguei até a sentir
uma inebriante sensação de liberdade
que me permitiu esvoaçar, por instantes.
Um dia
tive um filho e depois outro.
Não me fizeram esquecer
o sentimento de perda do(a) primeiro(a).
Quis crescer com eles.
Quis brincar com eles
mas não fui capaz.
Plantei uma árvore
e outra, e ansiei plantar uma floresta
(sobretudo depois de ter vista queimada
a que o meu avô me deixou, por herança).
Um dia
escrevi um livro,
e questionei-me se teria forças
para escrever algum mais.
Um dia
desejei ser feliz!

José Cadima