quarta-feira, setembro 14, 2011

Ser muito ingénuo ou um grande irresponsável

Como uso dizer – e sou inteiramente sincero nisso – só pensa ter filhos hoje em dia quem não tem nada mais com que se ocupar ou, o que é radicalmente pior, quem é muito ingénuo ou um grande irresponsável. Como sabes, eu encaixo-me na categoria dos ingénuos. Feito o erro, vou ter que viver com ele, mesmo que isso me custe para além do que tenho e posso dar. É uma de entre várias fatalidades com que estou confrontado. Daí a expressão cá vou indo com que quero concluir esta mensagem que decidi endereçar-te.

K

sábado, setembro 10, 2011

O efeito dos telejornais na minha vida

Sigo, a maior parte das vezes, o telejornal da noite, pelas 20 horas, quando toda a família está toda sentada à mesa para jantar. Não será uma interessante solução, mas, pelo menos, ficamos “informados” sobre o que se vai passando um pouco por todo o mundo e os mais novos sempre vão tendo alguma percepção da situação social e económica que se vive! Claro que a informação que recebemos é filtrada, mas, apesar de tudo, penso que os jornalistas são mais do que necessários… Ainda bem que existem, para o bem e para o mal! Não obstante, quando precisamos de nos sentir mais animados, apagamos a televisão e ficamos a ouvir música ou simplesmente a falar!...
Sim, porque isto de estar quase uma hora, depois de um dia estafante de trabalho, a ouvir notícias tão deprimentes (comparem o perfil actual dos telejornais com o dos anos oitenta), só pode dar problemas! Felizmente, não tenho pensamentos suicidas, acreditando que, caso os tivesse, algumas vezes poria em causa a importância da minha existência!
Para nos cativarem, lá vão dando quase no fim do telejornal alguma notícia positiva, que já não consegue contrabalançar tudo o resto que se ouviu durante quase uma hora!
Que raio de sociedade se está a construir, acelerada e em que os benefícios sociais estão a acabar! E o esquecimento de quem está ao nosso lado e passa mal? E a vontade desenfreada de ganhos económicos faz-nos esquecer os valores humanos.
Vi, por acaso, há dias, uma reportagem que falava do Butão, que nas últimas décadas apostou na felicidade das pessoas e parece estar a dar resultado… No entanto, falta-nos a cultura deles para poder enveredar por esse caminho.
Começo a ter a certeza de que a sociedade vai ter mesmo que mudar; mas terá que ser à custa de “revoluções”? Quanto tempo se demorará a ver o que dá felicidade às pessoas e a encontrar outro caminho? Que bom que era assistir à diminuição do número de “chicos espertos”, à injustiça social, e a muitas outras coisas (por exemplo, diminuição do número das depressões), ainda que o seu extermínio seja impossível. Apesar de tudo, somos seres humanos!

Leonor

sexta-feira, setembro 09, 2011

As últimas notícias que chegaram de Lisboa

Via Facebook de

"Next bedroom: Baixa-Chiado ;)"

Bala apontada aos céus de Barcelona


Dias infelizes: “remake”

Queria alhear-me do que vejo,

queria esconder o que sinto,

neste tempo de turbulência insana.

Queria evadir-me desta prisão

em que se tornou o meu dia-a-dia,

mesmo que a evasão

não possa ser senão esporádica e precária.

Sinto tarefa tremenda

esta de procurar alguma felicidade.

Sinto tarefa penosa

esta de viver, nos dias que correm.

Mais do que gregos,

dir-se-á que me vejo (nos vemos, muitos de nós) português(eses),

o que devia ser sinal de esperança

mas não o é!

Melhores dias virão!?


K

domingo, setembro 04, 2011

Sonhos

Procuro em meu redor
e só te encontro a ti,
meu sonho,
meu pesadelo, tantas, demasiadas vezes.
Quando se alimentam sonhos,
dá-se espaço para o pesadelo.
Onde crescem flores,
crescem, também, cardos,
exuberantes, até floridos, espinhosos.
Os rios dos sonhadores
são coloridos de vermelho,
vermelho de sangue, insisto.
Procuro em meu redor
e acho saudades de ti,
anseio ardente de ter-te
ao alcance dos meus braços,
preso que estou na teia
que me faz refém deste amor
muito procurado, temido, louco.

José Pedro Cadima

terça-feira, agosto 30, 2011

Crónicas do quotidiano: "não se pode enganar toda a gente o tempo todo"

Ocupei hoje, dia 29 de Agosto, parte substancial da tarde numa reunião com uma doutoranda de origem brasileira. Surpreendeu-se a dita doutoranda por eu ter agendado a reunião de trabalho com ela para um tempo que ela presumia ser de férias (as minhas férias). Disse-me a propósito que, no Brasil, em tempo de férias, os professores estão ausentes da universidade durante todo período, e, até, nem se prevê que possam aceder aos seus gabinetes de trabalho.
Em resposta, disse-lhe que “as férias” eram para mim a oportunidade de pôr em dia trabalho em atraso e, de quando em quando, ir espreitar o campo ou o mar e, também, de trocar o gabinete de trabalho na Escola pelo que tenho em casa e, ainda, de correr menos do que o habitual. Aceito que outros tenham melhor vida, isto é, melhores férias. Algum mérito ou sorte hão-de ter para o conseguir.
Tendo por certo quanto me custa “ganhar a vida”, é com perplexidade que assisto ao percurso que fazem certas pessoas que conheço, algumas há demasiado tempo, a quem a vida parece custar muito pouco, mesmo não se vislumbrando nelas mérito especial, aparte a facilidade com que alardeiam ser o que nunca foram. E a verdade é que, geralmente, vão fazendo o seu percurso sem grandes atribulações, quando não com inesperado sucesso, aos olhos de quem os conhece um pouco melhor.
Creio que é a elas que se dirige o dito popular que reza qualquer coisa próxima do seguinte: “Pode enganar-se uma pessoa toda a vida, pode enganar-se muita gente durante muito tempo, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo”. Não questiono tal afirmação, fundada que é na sabedoria cozida pelo tempo lento da existência dos povos. Pergunto-me, no entanto, se não haverá alguns que são enganados porque gostam ou não se importam de o ser, posto que, não raras vezes, em nome de projectos e ambições pessoais, ignoram o que está à vista, não digo de todos, mas de muita gente. Sendo de um modo ou de outro, tenho para mim que não pode, depois, quem se coloca em tal posição achar ter sido enganado.
Contrariamente ao que se passará no Brasil, em Portugal, no tempo que corre, é disto que é feito o dia-a-dia de um professor universitário ou, pelo menos, de bastantes deles, mesmo em tempo de férias. Disto, quero dizer, de trabalho e do confronto com muita perplexidade.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, agosto 29, 2011

Mensagens curtas, endereçadas

"Agradeço a tua mensagem. Embora me queixe de receber poucas boas notícias, ainda as há felizmente. Aquela a que te reportas é um desses casos."

José Cadima

sábado, agosto 27, 2011

Problemas ´versus` desafios

Sempre lidei com grande desconforto com o que não era capaz de entender ou com dificuldades que escapavam à minha capacidade de dar contributo para a sua superação. Os problemas só existem quando nos escapam os instrumentos para a sua resolução. Doutro modo, não são problemas; são desafios.

José Cadima

sexta-feira, agosto 26, 2011

quinta-feira, agosto 25, 2011

Festim de rosas (II)

Num festim de rosas,
podes encontrar coisas espantosas,
loucas, inebriantes,
desde um amor estonteante
a um livro que se lê de um folgo, apaixonante
ou, até, uma dor profunda e obscura,
que te aperta tanto o coração que vais percebê-la como tortura.

José Pedro Cadima

domingo, agosto 21, 2011

Quero ser a única

Quero ser a única a olhar o céu
Quero ser a única a tocar as estrelas
Porque não sou a única?
Sinto amor armadilhado
Com teias do passado
Teias muitas vezes presentes
Sei que o tempo as começou a apagar
Mas ainda não me deixam passar
Tocar a única estrela que vejo no céu
É o meu único desejo
Quando serei a única a tocar o céu?

C. P.

sábado, agosto 20, 2011

Há dias em que acordo triste, muito triste

Há dias em que acordo triste, muito triste. Nesse contexto, falham-me, sobram-me as palavras. Mesmo as palavras escritas é com grande esforço que as enuncio.
Hoje foi(é) um desses dias!

José Cadima

domingo, agosto 14, 2011

De quando em quando

“Ainda não partiste e já morro de saudade!”
De quando em quando, apetece-me partir.
De quando em quando, apetece-me voltar às origens,
aos campos de morangos, para sempre.
De quando em quando,
gosto de olhar os lírios do campo,
o mar que se estende para lá do horizonte.
De quando em quando,
sinto que és o meu horizonte,
o meu ponto de encontro,
mesmo quando, louco, te digo o contrário.
De quando em quando,
apetece-me voltar aos campos de morangos,
aos lírios do campo
que tão bem conheci.
De quando em quando, morro de saudades tuas,
mesmo se não partiste,
meu campo de morangos, para sempre.

José Cadima

segunda-feira, agosto 08, 2011

Mensagens curtas, endereçadas

«És muito benevolente na apreciação que fazes das minhas qualidades e defeitos. Isso dá-me indicação de quanto prezas a nossa relação, o que me conforta bastante.
Infelizmente, tenho pouco com que retribuir-te, aparte o meu amor e dedicação.»

K

quarta-feira, agosto 03, 2011

Mar e Rio

Tu és o mar, o sol, a praia.
Sou o rio, a sombra, o bosque.

Areia que se move com o vento,
se fez um dia de uma pedra
para embelezar a fronteira do mar.

As árvores que refrescam,
que nos fazem companhia
e nos dão o ar para respirar.

O sol que brilha,
espalhando alegria
e apagando o escuro do nosso mundo.

A sombra que nos protege
e nos dá poiso para meditar,
trazendo a paz necessária para o repouso.

És o mar, as ondas do caos,
uma força que tudo derruba,
movendo-se em todas as direcções
sem que ninguém te faça jus(tiça).

Sou o rio no seu percurso,
sincero nos meus meios,
sempre confiante no caminho.
Sei que algum dia
te vou encontrar.

José Pedro Cadima

Mensagens curtas, endereçadas

"Pareces não perceber o que sinto, a não ser nos momentos em que fica mais cruelmente exposto o meu enorme sofrimento. Esses são, entretanto, os instantes em que o reencontro fica mais distante."

José Pedro Cadima

domingo, julho 31, 2011

Ninguém compra o boneco foleiro (II)

Nas minhas poucas qualidades,
nos meus imensos defeitos,
ninguém parece quer-me,
nem mesmo eu.
Cresceu em mim
uma imensa raiva de mim.

Tal como te pressinto,
nem sequer te imaginas a meu lado.
Sou simplesmente algo,
como um boneco foleiro,
que ninguém compra.

Em perfeito contraste,
eu sinto que te quero muito,
sinto que me fazes toda a falta do mundo,
mesmo desejando ter força bastante
para te ignorar da próxima vez que nos cruzemos,
rua abaixo, rua acima.
Cresceu em mim uma raiva imensa.
Sinto-me um boneco foleiro.

José Pedro Cadima

sábado, julho 30, 2011

O que gosto em ti

O que gosto em ti
Tudo ou nada posso dizer
Tudo ou nada quero dizer
O que posso dizer que és?
Companheiro és
Dedicado és
Atrevido és
Honesto és
Maduro és
Empreendedor és
Que homem és!
Mas, como quase todos os homens,
tens dificuldade em expressares o que és
Tento ajudar-te
És bom aprendiz
Que homem és!...

C.P.

quarta-feira, julho 27, 2011

" 102nd most networked person in Portugal on Social Networks"

José is the 102nd most networked person in Portugal on Social Networks: José has friends in 23 countries, covering a distance of 362,145 Kilometers [...]»

(excerto de mensagem disponível nesta data no Facebook de José Pedro Cadima)

De volta à minha praia fluvial













Vale-de-Frade (Barosa, Leiria)

sábado, julho 23, 2011

Violeta, meu trevo de 5 folhas

Violeta! Meu trevo de 5 folhas,
minha flor singela:
como é bom contemplar-te;
quanto gosto de ter-te por perto,
de preferência, colada a mim.
Violeta, meu trevo da sorte,
a razão está toda do teu lado
quando me lembras a sorte que tenho.
À força de conviver com a pouca sorte,
acabei descrente da sorte
que me acabou reservada, violeta.
Fico-te reconhecido pelo encanto.
Mais te agradeço o modo inesperado
como te ofereceste a meus olhos,
que, de tão inesperada,
resulta-me ainda hoje difícil de crer.
Fazia-me falta uma flor como tu, ontem, hoje,
particularmente hoje,
Meu trevo de 5 folhas:
és tu me impeles para a vida;
és tu a vida que me resta
e a que, pese isso, me agarro com dificuldade,
sem que, a mais das vezes, entenda porquê.
À força de conviver com a pouca sorte,
acabei descrente,
acabei diminuído na dimensão do sonho
que, apesar de tudo, deveria comandar a vida.
Violeta, minha flor:
não desistas de dar cor à minha vida;
não deixes de ser a minha vida,
mesmo quando, descrente
da capacidade que preservo de te fazer sorrir,
te digo: “Até qualquer dia!”.

José Cadima

quinta-feira, julho 21, 2011

(Re)começar

Começar é abalançar-se a dar os primeiros passos e, sucedidos estes, avançar para os segundos e assim por diante. Amor meu: o amor não é apenas uma emoção nascida de razões que estão para além de racionalidades circunstanciais. O amor cultiva-se como se cultivam as roseiras, os pessegueiros que dão pêssegos grossos (quando dão poucos) ou os dióspireiros: nenhum deles dispensa ser regado; nenhum deles gera flores e/ou frutos bonitos e grossos se deixarmos que as ervas e as silvas as/os minem e envolvam.

José Cadima

sexta-feira, julho 15, 2011

Hoje não te escrevo

Há ocasiões em que o trabalho, pouco que seja, me esgota. Lembro-me de outras em que o trabalho se esgotava sem que lhe sentisse o peso. Não é, sei-o bem, apenas uma questão de esforço. É, muito mais, um problema de motivação, de crença que valha a pena enfrentar o dia seguinte, estado de espírito que me escapa nesta altura e de que não estou certo de ser capaz de libertar-me. A não ser... A não ser que...

Estou sem esperança. Estou sem ânimo. Sinto-me profundamente cansado, a ponto de me falhar a energia sequer para te gritar a falta que me fases. Por isso, hoje não te escrevo.

José Cadima

terça-feira, julho 12, 2011

quinta-feira, julho 07, 2011

Sempre que me quiseres

Sempre que me quiseres
Estarei lá
Para te dar força
Para te amar ainda mais
Sempre que me quiseres
abraçar-te-ei com muita força mais
Até te renderes ao meu abraço
Sempre que me quiseste nestes 3 anos
Estive lá
Dei-te força
Amei-te até não poder mais...

C.P.

quarta-feira, julho 06, 2011

Alegoria (esboço de crónica)

Lá em cima, ao fundo: Sameiro. Sameiro, dizes tu, mulher atarefada com a lida da casa, somada aos afazeres do campo. Maria, mulher cada vez mais da cidade, posto que os campos se despovoam a olhos vistos e, na enxurrada, correm risco de ir até as cidades.
Primeiro, foram as mais pequenas mas agora, ai agora, até algumas maiores experimentam já a hemorragia humana de que se julgavam salvaguardadas.
Escândalo! Escândalo! Nem Guimarães escapa. Se os dados galopantes do desemprego o indiciavam, os dos censos, acabados de anunciar, não parecem deixar margem para dúvida. E os seus actores políticos que se achavam tão certos, tão seguros.
Maria! Maria do Sameiro! E agora? Porque há-de ser uma serra, para mais pequena, a constituir a fronteira entre duas faces de uma mesma realidade económica, social atravessada de forma aguda pela crise, por agudas crises de naturezas múltiplas, digo?
Ai Sameiro, Maria do Sameiro, que vai ser de ti, mulher abandonada à tua (pouca) sorte?

JC

domingo, julho 03, 2011

Um dia

Um dia
plantei uma árvore.
Um dia
tive um(a) filho(a).
Sonhei vê-lo(a) crescer.
Um dia
escrevi um livro
e desejei fazer muitos mais.
Um dia
tive um sonho,
a que se seguiram outros.
Cheguei até a sentir
uma inebriante sensação de liberdade
que me permitiu esvoaçar, por instantes.
Um dia
tive um filho e depois outro.
Não me fizeram esquecer
o sentimento de perda do(a) primeiro(a).
Quis crescer com eles.
Quis brincar com eles
mas não fui capaz.
Plantei uma árvore
e outra, e ansiei plantar uma floresta
(sobretudo depois de ter vista queimada
a que o meu avô me deixou, por herança).
Um dia
escrevi um livro,
e questionei-me se teria forças
para escrever algum mais.
Um dia
desejei ser feliz!

José Cadima

domingo, junho 26, 2011

Quanto por escrever

Ando há tantos dias para escrever
sem que me saia palavra certa
que receio aqui deixar este poema
sem que alguma coisa tenha dito.
São vozes que me gritam
coisas sem sentido,
fontes de vaidade,
direcção para a qual oscilo.
Sinto-me em excesso de liberdade,
sem juízo para escolha,
deixando poder aos outros
para aquilo que se chama futuro.
E já a ansiedade pede por calma,
que a paz é também desejo.
Não me perco nessa luxúria,
todo eu sou electricidade.
Iluminam-se as ruas escuras
por onde passo. Rebentam-se as lâmpadas.
Não vejo fim no horizonte,
só os estilhaços que caem.
Nas casas, apenas existem velas,
não fosse bruta a conta a pagar
de criar uma ligação
tão desperta e instável.
José Pedro Cadima

Sereias encantadas

Repara: lendo Camões ou Bocage (naquilo que deles me recordo), retirava-se a ilação que na génese de cada verso estavam grandes paixões, fossem elas a pátria ou sereias encantadas, também chamadas musas. Mas eu, na minha ingenuidade de então, atrevia-me a pôr sempre uma Helena de carne e osso, a transpirar sensualidade, no corpo de cada uma dessas musas. Vejo agora quão ingénuo era: eram mesmo sereias encantadas que, transportadas para os dias de hoje, não passariam de seres virtuais; perfeitas, sim, mas desprovidas de sentidos e, logo, de sentimentos e de qualquer arremedo de sensualidade.

José Cadima

sexta-feira, junho 24, 2011

A colónia de cegonhas brancas

Durante bastante tempo subsistiu em Portugal grande preocupação com a colónia de cegonhas brancas que demandavam o país em certa altura do ano, que foi diminuindo.
Mais recentemente, é o inverso que se passa, com essa colónia a expandir-se a olhos vistos. Ao que parece, há mesmo uma franja crescente que se terá estabelecido permanentemente no país.
Para entender uma e outra das situações, uma hipótese aventada prende-se estreitamente com o papel cometido àquelas aves de transportarem desde París os bebés que chegam(vam) a Portugal. Com o trabalho imenso que tinham noutros tempos, cedendo à fadiga, não admirará que o respectivo efectivo fosse diminuindo. Agora, que os bebés se podem já encomendar pela INTERNET, sobra-lhes tempo para se alimentarem convenientemente e procriarem, elas próprias.
Não deixa, no entanto, de impressionar o apesar de tudo curto lapso de tempo que decorreu entre uma e outra das situações. Será talvez tempo equivalente àquele que Portugal leva como membro da CEE/UE.

JC

domingo, junho 19, 2011

Sinto...

Sinto que te quero muito.
Sinto que me esgoto em angústia.
Sinto a felicidade mais longe.
Sinto que já nada importa.
Sinto que já não te quero.
Sinto que nada tenho.
Sinto que o amor
é um detalhe nas nossas vidas
repletas de incidentes e frustrações.
Sinto…

José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 17, 2011

Incomoda-me a tua amargura

Incomoda-me a tua amargura; ferem-me as sombras que atravessam o teu olhar e fazem empalidecer o teu rosto. Bonita? Perguntas tu. Bonita, sim, quando o teu rosto desanuvia, quando os teus olhos e os teus lábios consentem uma réstia de ternura. Bonita, fresca quando retornas ao teu corpo de adolescente e te espraias no meu colo ou me apertas para um “xicoração” cúmplice.

José Cadima

segunda-feira, junho 13, 2011

sexta-feira, junho 10, 2011

Notícias de Varsóvia

"O melhor sitio do mundo para sair: WARSAW"
[http://www.youtube.com/watch?v=Rf4IqPe8JfU]

José Pedro Cadima

Violeta

Violeta! Meu trevo de 5 folhas:
quanta surpresa ver-te.
Ainda ontem nem sonhava existires.
Porventura, eras promessa
ou impossibilidade, até,
para os meus olhos cansados.
Quanta surpresa, meu trevo da sorte,
violeta.
Refeito de uma semana sem tempo para descanso,
repostos, em parte, sonos em falta,
terei recuperado a capacidade de te vislumbrar
na tua timidez, na tua formosura.
Violeta, minha flor singela:
fico-te reconhecido pelo encanto,
proporcional à singeleza,
e pela modo tão inesperado
quanto oportuno como te ofereceste aos meus olhos.
Fazia-me falta uma flor como tu, hoje,
particularmente hoje,
que estou a refazer caminho
interrompido por uma semana
que não é já para a energia que me resta.
Violeta! Meu trevo de 5 folhas:
só tu me impeles para a vida.

José Cadima

quarta-feira, junho 08, 2011

A esperança de um sorriso teu

"Li o jornal embora o meu pensamento estivesse centrado em ti, nesta esperança de um sorriso teu, meu amor."

José Cadima

domingo, junho 05, 2011

As mulheres muçulmanas ´versus` as outras

Que o controlo social pode ser tramado, já todos sabemos há muito tempo. Que as mulheres em termos biológicos não diferem muito à escala mundial, também já o sabíamos! Que elas podem diferir muito em termos culturais, também é óbvio!...

Que as mulheres têm todas as suas estratégias de atrair a atenção dos homens, …mesmo as muçulmanas, … talvez não tenhamos reflectido muito sobre o assunto! Habituá-mo-nos a pensar nelas como as que se tapam e se privam dos olhares dos outros, que são poupadas aos olhos dos outros homens. Mas podemos facilmente desmontar a forma inteligente de sedução! O cabelo, que é um dos mais importantes elementos de sedução é tapado, assim como as “curvas” do seu corpo (o que até pode dar jeito). Mas que dizer dos olhos carregados de lápis preto, das pulseiras e anéis reluzentes, dos chinelos com brilhantes?...

Estou num aeroporto e fico impressionada com a multiculturalidade que encontro. Mas o que me surpreende mais é ver um par de mulheres acompanhadas de uma filha de 12 anos e do presumível marido das duas! Ele é o único que se veste de forma ocidental. Porquê?

Elas estão neste momento a comer batatas fritas de pacote, mexendo agilmente os dedos carregados de anéis luminosos. Há 5 minutos atrás usava cada uma o seu telemóvel, logo após a saída, por breves minutos, do presumível marido. Estão vestidas de negro, da cabeça até aos pés. É engraçado constatar que as mulheres do mundo ocidental usam menos acessórios porque têm o cabelo e as “curvas” para mostrar. As muçulmanas usam mais acessórios, porque não tem o cabelo e as “curvas” para mostrar!

Será que são felizes? As que observo deverão sê-lo. Pertencem a uma classe média alta e o telemóvel comprova algum estatuto de mulheres empoderadas. As outras, … não sei…

Leonor

domingo, maio 29, 2011

Resíduo (II)

O amor é
um detalhe,
um quase nada
nas nossas vidas
plenas de incidentes.
O que nos junta é o vício
e a busca, ansiosa, de conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega;
esconde frustração e dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

sexta-feira, maio 27, 2011

Intoxicação noticiosa

"Intoxicação noticiosa e debates entre dirigentes partidários foi coisa que abundou nas derradeiras semanas, de que nunca senti falta"

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, maio 25, 2011

Lua-de-mel

Falas de Lua-de-mel.
Dizes que nunca a tiveste.
Por vezes, sinto que sim,
que deixaste de fazer tanta coisa.
Mantiveste-te inacessível a tantas aventuras.
Finalmente, tentas fazê-las.
Envolves-me em mel,
mesmo que a lua não tenha ainda aparecido.
Sinto-me doce.
Quero a Lua,
mas será que preservarei o mel?

C.P.

domingo, maio 22, 2011

Um breve regresso ao passado

Já lá vai bastante tempo desde a ocasião em que eu frequentava com regularidade os aeroportos deste mundo, particularmente os europeus. Não sendo o momento que atravesso um retorno a esse passado distante, muito longe disso, esta memória não deixou de ocorrer-me quando, há uns dias, passi pelos corredores longos e movimentados do aeroporto de Frankfurt.
Não senti saudade desses tempos. Não fiquei confuso. Simplesmente, reencontrei-me com um ambiente que não deixou de se me oferecer familiar e, talvez por isso, me tenha transportado para outros tempos e outras “esperanças”.
Não se falava ainda da possibilidade de José Sócrates vir um dia a ser primeiro-ministro, para desgraça de Portugal, nem se especulava com a possibilidade de Teixeira dos Santos vir a ser ministro das finanças, para desgraça do país e descredibilização dos professores de Economia, sendo certo que parte destes merecê-lo-á, dada a facilidade com que, por quaisquer 30 dinheiros, se vendem. Na maioria das vezes já nem os 30 dinheiros reclamam. Contentam-se com aparecer na televisão por 10 minutos.
Perdão! Não era da política portuguesa (leia-se: da porca da política portuguesa) que era suposto eu falar aqui, nem sequer da incompetência com que a economia portuguesa vem sendo gerida de há muitos anos a esta parte, estivesse a tutela do governo entregue a Guterres, a Durão Barroso, a Santana Lopes ou a José Sócrates. Dos ministros da finanças e da economia respectivos não falará provavelmente a história, de tantos e tão cinzentos que foram na sua maior parte, se bem possa vir a recordar alguns pelo contributo decisivo que deram para a desgraça da economia do país. Obviamente, fizeram-no sempre pelas melhores razões e assumindo um rosto muito sério.
Sem sombra de dúvida, eram outros tempos aqueles que, neste percurso por aeroportos, recordo. Pensávamos (eu e uns quantos mais) que haveria lugar para uma entrega empenhada às nossas tarefas profissionais mas que havia também lugar para a esperança, e o sentimento do dever cumprido. Hoje, talvez continuemos a prosseguir empenhadamente as nossas tarefas (eu, pelo menos, faço-o) mas é duvidoso que nos sobre o entusiasmo e, seguramente, escapou-se para lugar incerto a esperança, apesar de eu acreditar que nos deveria ser preservado, acima de quase todas as coisas, o direito à esperança.
Na correria própria de um grande aeroporto, continuo a ver pessoas que sorriem, continuo a perceber colorido na expressão cosmopolita das gentes que o frequentam e nas vestes com que se apresentam. Entretanto, em razão das expressões faciais que transportam ou em razão do estado de espírito que me anima, não percebo alegria, entusiasmo, esperança. Entusiasmo, crença existirão porventura nalguns namorados com que ocasionalmente me cruzo. Apetece-me, então, desejar-lhes que os preservem por muito, muito tempo.

JC

domingo, maio 15, 2011

Maré (III)

A maré vai alta.
Ainda há pouco o mar se sugeria sereno.
Foi o vento,
foi um vento que lhe deu.

Eras a maré
contra a qual tinha que lutar.
Eras a corrente
que me arrastava para o mar alto.
Eras o meu tormento
e o meu prémio derradeiro.

Estranguladora e libertadora,
eras a morte da minha criatividade,
a minha paz eterna.

José Pedro Cadima

quarta-feira, maio 11, 2011

Dizer-te (II)

São tantas as saudades
que sinto de ti
que parece que partistes há muito,
muito tempo.
Amor da minha vida,
mar salgado,
deixa-me dizer-te quanta falta me fazes.
Deixa-me dizer-to vezes sem fim.
Liberta-te desses mostrengos
que te atormentam,
e, libertando-te deles,
liberta-me também.
Mar salgado,
deixa-me dizer-te
quanto me és preciosa,
quanto falta me fazes,
para sempre.
Meu amor, liberta-te desses mostrengos,
liberta-te e liberta-me, para sempre!

K

sábado, maio 07, 2011

A cor do mar (II)

Mar verde,
que és tão belo,
que fizeste ao azul
para ele de ti fugir?
Mar verde,
que és imenso e ondulante,
que fizeste ao azul
com que me cruzei há instantes?
Mar verde,
que me enches de esperança,
vem enrolar-te nos meus pés,
vem trazer-me a frescura que me escapa,
vem com tuas conchas segredar-me ao ouvido
que, amanhã, ao raiar da aurora, voltarás a ser azul dourado.

José Pedro Cadima

sexta-feira, maio 06, 2011

É bonito o poema

É bonito o poema.
Transpira emoção e dor,
a dor que se perceberia
mesmo que a tua mão não se sugerisse trémula
e as lágrimas não ameaçassem irromper a cada instante,
ao escrevê-lo.
É bonito o poema,
este poema de amor que escreveste
para denunciar o nosso amor de sempre,
porque existiu mesmo antes de nos encontrarmos,
como bem se percebe quando os nossos olhos se cruzam
ou quando dávamos as mãos.

K

domingo, maio 01, 2011

A 1 de Maio, apeteceu-me recordar "Gargalhadas amargas"

O mundo agita-se, roda

e o que eu mais quero é sossego

(e vislumbrar no horizonte sinais de esperança).

Se a agitação é própria do prazer que é a vida,

a tranquilidade não o é menos.


Sentir, sofrer, amar!

Eu sou só um,

e se a agitação me estimula

também me embriaga

e me tortura.

Na mesma medida em que anseio o frémito

desta Terra de oportunidades,

rejeito-lhe a inequidade,

a mesquinhez que grassa.

Daí que sejam amargas

as gargalhadas que por vezes liberto.


José Pedro Cadima