domingo, junho 26, 2011

Quanto por escrever

Ando há tantos dias para escrever
sem que me saia palavra certa
que receio aqui deixar este poema
sem que alguma coisa tenha dito.
São vozes que me gritam
coisas sem sentido,
fontes de vaidade,
direcção para a qual oscilo.
Sinto-me em excesso de liberdade,
sem juízo para escolha,
deixando poder aos outros
para aquilo que se chama futuro.
E já a ansiedade pede por calma,
que a paz é também desejo.
Não me perco nessa luxúria,
todo eu sou electricidade.
Iluminam-se as ruas escuras
por onde passo. Rebentam-se as lâmpadas.
Não vejo fim no horizonte,
só os estilhaços que caem.
Nas casas, apenas existem velas,
não fosse bruta a conta a pagar
de criar uma ligação
tão desperta e instável.
José Pedro Cadima

Sereias encantadas

Repara: lendo Camões ou Bocage (naquilo que deles me recordo), retirava-se a ilação que na génese de cada verso estavam grandes paixões, fossem elas a pátria ou sereias encantadas, também chamadas musas. Mas eu, na minha ingenuidade de então, atrevia-me a pôr sempre uma Helena de carne e osso, a transpirar sensualidade, no corpo de cada uma dessas musas. Vejo agora quão ingénuo era: eram mesmo sereias encantadas que, transportadas para os dias de hoje, não passariam de seres virtuais; perfeitas, sim, mas desprovidas de sentidos e, logo, de sentimentos e de qualquer arremedo de sensualidade.

José Cadima

sexta-feira, junho 24, 2011

A colónia de cegonhas brancas

Durante bastante tempo subsistiu em Portugal grande preocupação com a colónia de cegonhas brancas que demandavam o país em certa altura do ano, que foi diminuindo.
Mais recentemente, é o inverso que se passa, com essa colónia a expandir-se a olhos vistos. Ao que parece, há mesmo uma franja crescente que se terá estabelecido permanentemente no país.
Para entender uma e outra das situações, uma hipótese aventada prende-se estreitamente com o papel cometido àquelas aves de transportarem desde París os bebés que chegam(vam) a Portugal. Com o trabalho imenso que tinham noutros tempos, cedendo à fadiga, não admirará que o respectivo efectivo fosse diminuindo. Agora, que os bebés se podem já encomendar pela INTERNET, sobra-lhes tempo para se alimentarem convenientemente e procriarem, elas próprias.
Não deixa, no entanto, de impressionar o apesar de tudo curto lapso de tempo que decorreu entre uma e outra das situações. Será talvez tempo equivalente àquele que Portugal leva como membro da CEE/UE.

JC

domingo, junho 19, 2011

Sinto...

Sinto que te quero muito.
Sinto que me esgoto em angústia.
Sinto a felicidade mais longe.
Sinto que já nada importa.
Sinto que já não te quero.
Sinto que nada tenho.
Sinto que o amor
é um detalhe nas nossas vidas
repletas de incidentes e frustrações.
Sinto…

José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 17, 2011

Incomoda-me a tua amargura

Incomoda-me a tua amargura; ferem-me as sombras que atravessam o teu olhar e fazem empalidecer o teu rosto. Bonita? Perguntas tu. Bonita, sim, quando o teu rosto desanuvia, quando os teus olhos e os teus lábios consentem uma réstia de ternura. Bonita, fresca quando retornas ao teu corpo de adolescente e te espraias no meu colo ou me apertas para um “xicoração” cúmplice.

José Cadima

segunda-feira, junho 13, 2011

sexta-feira, junho 10, 2011

Notícias de Varsóvia

"O melhor sitio do mundo para sair: WARSAW"
[http://www.youtube.com/watch?v=Rf4IqPe8JfU]

José Pedro Cadima

Violeta

Violeta! Meu trevo de 5 folhas:
quanta surpresa ver-te.
Ainda ontem nem sonhava existires.
Porventura, eras promessa
ou impossibilidade, até,
para os meus olhos cansados.
Quanta surpresa, meu trevo da sorte,
violeta.
Refeito de uma semana sem tempo para descanso,
repostos, em parte, sonos em falta,
terei recuperado a capacidade de te vislumbrar
na tua timidez, na tua formosura.
Violeta, minha flor singela:
fico-te reconhecido pelo encanto,
proporcional à singeleza,
e pela modo tão inesperado
quanto oportuno como te ofereceste aos meus olhos.
Fazia-me falta uma flor como tu, hoje,
particularmente hoje,
que estou a refazer caminho
interrompido por uma semana
que não é já para a energia que me resta.
Violeta! Meu trevo de 5 folhas:
só tu me impeles para a vida.

José Cadima

quarta-feira, junho 08, 2011

A esperança de um sorriso teu

"Li o jornal embora o meu pensamento estivesse centrado em ti, nesta esperança de um sorriso teu, meu amor."

José Cadima

domingo, junho 05, 2011

As mulheres muçulmanas ´versus` as outras

Que o controlo social pode ser tramado, já todos sabemos há muito tempo. Que as mulheres em termos biológicos não diferem muito à escala mundial, também já o sabíamos! Que elas podem diferir muito em termos culturais, também é óbvio!...

Que as mulheres têm todas as suas estratégias de atrair a atenção dos homens, …mesmo as muçulmanas, … talvez não tenhamos reflectido muito sobre o assunto! Habituá-mo-nos a pensar nelas como as que se tapam e se privam dos olhares dos outros, que são poupadas aos olhos dos outros homens. Mas podemos facilmente desmontar a forma inteligente de sedução! O cabelo, que é um dos mais importantes elementos de sedução é tapado, assim como as “curvas” do seu corpo (o que até pode dar jeito). Mas que dizer dos olhos carregados de lápis preto, das pulseiras e anéis reluzentes, dos chinelos com brilhantes?...

Estou num aeroporto e fico impressionada com a multiculturalidade que encontro. Mas o que me surpreende mais é ver um par de mulheres acompanhadas de uma filha de 12 anos e do presumível marido das duas! Ele é o único que se veste de forma ocidental. Porquê?

Elas estão neste momento a comer batatas fritas de pacote, mexendo agilmente os dedos carregados de anéis luminosos. Há 5 minutos atrás usava cada uma o seu telemóvel, logo após a saída, por breves minutos, do presumível marido. Estão vestidas de negro, da cabeça até aos pés. É engraçado constatar que as mulheres do mundo ocidental usam menos acessórios porque têm o cabelo e as “curvas” para mostrar. As muçulmanas usam mais acessórios, porque não tem o cabelo e as “curvas” para mostrar!

Será que são felizes? As que observo deverão sê-lo. Pertencem a uma classe média alta e o telemóvel comprova algum estatuto de mulheres empoderadas. As outras, … não sei…

Leonor

domingo, maio 29, 2011

Resíduo (II)

O amor é
um detalhe,
um quase nada
nas nossas vidas
plenas de incidentes.
O que nos junta é o vício
e a busca, ansiosa, de conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega;
esconde frustração e dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

sexta-feira, maio 27, 2011

Intoxicação noticiosa

"Intoxicação noticiosa e debates entre dirigentes partidários foi coisa que abundou nas derradeiras semanas, de que nunca senti falta"

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, maio 25, 2011

Lua-de-mel

Falas de Lua-de-mel.
Dizes que nunca a tiveste.
Por vezes, sinto que sim,
que deixaste de fazer tanta coisa.
Mantiveste-te inacessível a tantas aventuras.
Finalmente, tentas fazê-las.
Envolves-me em mel,
mesmo que a lua não tenha ainda aparecido.
Sinto-me doce.
Quero a Lua,
mas será que preservarei o mel?

C.P.

domingo, maio 22, 2011

Um breve regresso ao passado

Já lá vai bastante tempo desde a ocasião em que eu frequentava com regularidade os aeroportos deste mundo, particularmente os europeus. Não sendo o momento que atravesso um retorno a esse passado distante, muito longe disso, esta memória não deixou de ocorrer-me quando, há uns dias, passi pelos corredores longos e movimentados do aeroporto de Frankfurt.
Não senti saudade desses tempos. Não fiquei confuso. Simplesmente, reencontrei-me com um ambiente que não deixou de se me oferecer familiar e, talvez por isso, me tenha transportado para outros tempos e outras “esperanças”.
Não se falava ainda da possibilidade de José Sócrates vir um dia a ser primeiro-ministro, para desgraça de Portugal, nem se especulava com a possibilidade de Teixeira dos Santos vir a ser ministro das finanças, para desgraça do país e descredibilização dos professores de Economia, sendo certo que parte destes merecê-lo-á, dada a facilidade com que, por quaisquer 30 dinheiros, se vendem. Na maioria das vezes já nem os 30 dinheiros reclamam. Contentam-se com aparecer na televisão por 10 minutos.
Perdão! Não era da política portuguesa (leia-se: da porca da política portuguesa) que era suposto eu falar aqui, nem sequer da incompetência com que a economia portuguesa vem sendo gerida de há muitos anos a esta parte, estivesse a tutela do governo entregue a Guterres, a Durão Barroso, a Santana Lopes ou a José Sócrates. Dos ministros da finanças e da economia respectivos não falará provavelmente a história, de tantos e tão cinzentos que foram na sua maior parte, se bem possa vir a recordar alguns pelo contributo decisivo que deram para a desgraça da economia do país. Obviamente, fizeram-no sempre pelas melhores razões e assumindo um rosto muito sério.
Sem sombra de dúvida, eram outros tempos aqueles que, neste percurso por aeroportos, recordo. Pensávamos (eu e uns quantos mais) que haveria lugar para uma entrega empenhada às nossas tarefas profissionais mas que havia também lugar para a esperança, e o sentimento do dever cumprido. Hoje, talvez continuemos a prosseguir empenhadamente as nossas tarefas (eu, pelo menos, faço-o) mas é duvidoso que nos sobre o entusiasmo e, seguramente, escapou-se para lugar incerto a esperança, apesar de eu acreditar que nos deveria ser preservado, acima de quase todas as coisas, o direito à esperança.
Na correria própria de um grande aeroporto, continuo a ver pessoas que sorriem, continuo a perceber colorido na expressão cosmopolita das gentes que o frequentam e nas vestes com que se apresentam. Entretanto, em razão das expressões faciais que transportam ou em razão do estado de espírito que me anima, não percebo alegria, entusiasmo, esperança. Entusiasmo, crença existirão porventura nalguns namorados com que ocasionalmente me cruzo. Apetece-me, então, desejar-lhes que os preservem por muito, muito tempo.

JC

domingo, maio 15, 2011

Maré (III)

A maré vai alta.
Ainda há pouco o mar se sugeria sereno.
Foi o vento,
foi um vento que lhe deu.

Eras a maré
contra a qual tinha que lutar.
Eras a corrente
que me arrastava para o mar alto.
Eras o meu tormento
e o meu prémio derradeiro.

Estranguladora e libertadora,
eras a morte da minha criatividade,
a minha paz eterna.

José Pedro Cadima

quarta-feira, maio 11, 2011

Dizer-te (II)

São tantas as saudades
que sinto de ti
que parece que partistes há muito,
muito tempo.
Amor da minha vida,
mar salgado,
deixa-me dizer-te quanta falta me fazes.
Deixa-me dizer-to vezes sem fim.
Liberta-te desses mostrengos
que te atormentam,
e, libertando-te deles,
liberta-me também.
Mar salgado,
deixa-me dizer-te
quanto me és preciosa,
quanto falta me fazes,
para sempre.
Meu amor, liberta-te desses mostrengos,
liberta-te e liberta-me, para sempre!

K

sábado, maio 07, 2011

A cor do mar (II)

Mar verde,
que és tão belo,
que fizeste ao azul
para ele de ti fugir?
Mar verde,
que és imenso e ondulante,
que fizeste ao azul
com que me cruzei há instantes?
Mar verde,
que me enches de esperança,
vem enrolar-te nos meus pés,
vem trazer-me a frescura que me escapa,
vem com tuas conchas segredar-me ao ouvido
que, amanhã, ao raiar da aurora, voltarás a ser azul dourado.

José Pedro Cadima

sexta-feira, maio 06, 2011

É bonito o poema

É bonito o poema.
Transpira emoção e dor,
a dor que se perceberia
mesmo que a tua mão não se sugerisse trémula
e as lágrimas não ameaçassem irromper a cada instante,
ao escrevê-lo.
É bonito o poema,
este poema de amor que escreveste
para denunciar o nosso amor de sempre,
porque existiu mesmo antes de nos encontrarmos,
como bem se percebe quando os nossos olhos se cruzam
ou quando dávamos as mãos.

K

domingo, maio 01, 2011

A 1 de Maio, apeteceu-me recordar "Gargalhadas amargas"

O mundo agita-se, roda

e o que eu mais quero é sossego

(e vislumbrar no horizonte sinais de esperança).

Se a agitação é própria do prazer que é a vida,

a tranquilidade não o é menos.


Sentir, sofrer, amar!

Eu sou só um,

e se a agitação me estimula

também me embriaga

e me tortura.

Na mesma medida em que anseio o frémito

desta Terra de oportunidades,

rejeito-lhe a inequidade,

a mesquinhez que grassa.

Daí que sejam amargas

as gargalhadas que por vezes liberto.


José Pedro Cadima

sábado, abril 30, 2011

Mau governo e clientelas

Portugal atravessa um dos períodos mais críticos da sua história económica recente, fruto de má gestão macroeconómica, ausência de projecto para o país e vazio de liderança política, entregue que tem estado a agentes cujo compromisso é unicamente com a sua sobrevivência enquanto actores políticos e com a sua corte de seguidores ciosos de protagonismo e de partilha de benesses a que se acede em razão de filiações clubísticas.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, abril 27, 2011

Amor é

Amor é
Ficar a mirar a lua
Por entre o teu abraço
Contar as estrelas
Uma a uma
Perdendo-lhes a conta
É constatar que somos almas-gêmeas com defeitos
Que o tempo se encarregará de amolecer
Que a eternidade do nosso amor esconderá
Um bom-dia para ti!

C.P.

segunda-feira, abril 25, 2011

A esperança passou por aqui

Vai! Vai contar
que um dia a esperança passou por aqui.
Resistindo ao tempo,
resistindo à frustração dos anos passados,
vai para que também tu
não resultes aprisionado
por esta cadeia de fogos fátuos
que anunciam libertadores
que nos deixam cada dia mais prisioneiros
dos seus pequenos interesses,
e das ambições das suas cortes de amigos.
Vai. Foge desta terra de renegados
para que um dia também nós
possamos acordar e gritar liberdade!

José Cadima

segunda-feira, abril 18, 2011

Dias infelizes

Queria alhear-me do que vejo,
queria esconder o que sinto,
neste tempo de turbulência insana,
mas tu existes.
Não fora o teu carinho
me permitir esporádica evasão,
seria tarefa árdua procurar alguma felicidade,
tão árdua quanto procurar agulha em palheiro.
Em contextos passados,
dir-se-ia que nos veríamos gregos.
Nos dias infelizes que correm,
dir-se-á que nos vemos portugueses,
e fica tudo dito.
Que bom é existires!

K

domingo, abril 17, 2011

Sonhar demasiado alto

"Esperançosa seria mesmo a implosão do sistema político-partidário que temos. Daí, sim, poderia resultar alguma renovação e, logo, um renovar de esperança dos portugueses. Será, porventura, sonhar demasiado alto."

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, abril 12, 2011

Desde que te conheço (II)

Desde que te conheço

que sonho contigo.

Desde que te conheço

que te imaginei o grande amor

com que sempre sonhei.


Só algum tempo depois me apercebi

que, se me amavas,

amavas-te muito mais a ti mesma.


Feitos um para o outro,

imaginei-te eu.

Feito para te servir,

tomaste-me tu.


Desde que te conheço,

fez-se-me claro

quão melhor para mim era saber-te longe,

no outro lado do mundo.


José Pedro Cadima

sexta-feira, abril 08, 2011

Anseio

Ensaio seguir caminho,
temeroso do futuro,
desencantado do passado.
Anseio voltar a experimentar o repouso
de uma noite tranquila.

José Pedro Cadima

segunda-feira, abril 04, 2011

O que te quero dizer agora

O nervosismo que tenho ao falar-te
é só suplantado pela necessidade que tenho
em ser-te sincero.
Um sermão que te possa dar
não seria mais que um chamamento
ao quanto te quero.
Perdi a oportunidade de te encontrar
na claridade de um momento
que fosse o certo.
Estando tão longe,
é tão irónico dizer-te hoje
a preferência que te dou.
Como reverso da medalha,
fico muito mais livre do medo
de te contar tudo aquilo que faço,
mesmo estando tão mal.
Se não te levar pela natureza,
não me sentirei capaz de te dar flores
noutro qualquer local.

Se resistir ao impulso
é ter bom senso,
neste assunto, então que o perca todo aqui.

José Pedro Cadima

sábado, abril 02, 2011

Momentos rosa, pores-do-sol laranja

Momentos rosa;
pores-do-sol laranja,
roxos, esverdeados;
arco-íris brancos,
cor-de-rosa, de todas as cores…
Por onde andam?
Onde se escondem?

As abelhas nas flores os procuram,
as toupeiras no solo
e as baleias no fundo do oceano.
E o homem?
Esse, procura-os na lua…
Esse, escapando-lhe a lua,
sonha que uma estrela cadente
algum dia lhe traga luar bastante
para iluminar uma existência
em risco de ruína.

José Pedro Cadima

quarta-feira, março 30, 2011

Marés

“Eras a onda que me embalava.
Eras o meu tormento”.
É expressão corrente que há mais marés que marinheiros.
"Estranguladora e libertadora",
eras a maré que não me deixava marinhar,
a onda que ameaçava submergir-me.
Para ser marinheiro,
ficava-me a opção de cortar amarras
e zarpar.
Eras o meu ponto de encontro
e o meu martírio.
Eras…

José Cadima

terça-feira, março 29, 2011

sábado, março 26, 2011

Maré (II)

Eras a onda que me embalava.
Eras a maré com que me debatia.
Eras o meu tormento
e o derradeiro prémio.
Estranguladora e libertadora,
eras a morte da minha criatividade,
a minha paz eterna.

José Pedro Cadima

quinta-feira, março 24, 2011

É agora que começo a minha campanha eleitoral!

É agora que começo a minha campanha eleitoral!
Slogan: VOTA JC!
O último tipo com estas iniciais (que se dedicou à política) fazia milagres!
.
José (Pedro) Cadima

quarta-feira, março 23, 2011

Velhos são os trapos

Velhos são os trapos
Os teus e os meus
À velhice vou resistir
Ao teu lado sem cair
Quando o nosso amor selámos
Na árvore majestosa
O Lima observava-nos
Acolheu o nosso amor
Selando-o para sempre
Com o sangue dos teus dedos
Longe dos nossos trapos…

C. P.

segunda-feira, março 21, 2011

As tuas mentiras (tão bonitas)

O pior de tudo é saber
que não haveria como sermos um.
Tu és fogo e eu sou lenha.
Daqui só iria sair cinza...

Tanta culpa em mim
de me perder por nada,
em vez de só me perder por um mimo.

Descansa-me saber
que não posso arruinar aquilo de que gosto em ti.
E tu sorris a toda a hora,
preocupando-te sem te perderes.

E descansa-me saber que somos amigos,
que te posso contar sempre a verdade,
sem ter que me confrontar com as tuas mentiras parvas,
que eram tão bonitas...

José Pedro Cadima

sexta-feira, março 18, 2011

Sobressalto

Há momentos em que me ocorre pensar
que tenho tudo o que quero,
pois só te quero a ti.
Há ocasiões em que me parece seguro o teu amor,
a tua paixão.
Certa é a tua beleza, que me fascina e me embala.
Neste torpor, resulta sobressaltado o meu coração,
que, ao invés, queria aquietado.

José Pedro Cadima

domingo, março 13, 2011

Ontem

Dá-me vontade de não respirar,
mas a verdade é que os meus pulmões se enchem em pleno.

Ainda olho para trás,
mas não posso voltar.
Seria razão para tonturas,
algo que seria expressão de um fracasso.

O que ficou, ficou.
Quando não se gosta de alguém,
é mais fácil sentir uma paixão alheia.

José Pedro Cadima

Conceito (errado)

Evito olhar-te de frente para que não penses que te tenho em conta no que faço. É um esforço irónico este de não olhar em frente quando lá estás. Deixar clara a minha intenção é, no entanto, ainda mais importante. Digo-te tudo sem lhe dar entoação para além do que é óbvio e sem sublinhar o que possa realmente ser importante.

Maravilha-me que confundas o meu fascínio com puro gosto, e que me digas que vamos ser bons amigos. Mas enganas-te quando me dizes que sou infantil. Eu sou simplesmente louco. Não sou espontâneo. Sou impulsivo. Não sou curioso. Sou indiscreto.

Dizes que sou um caos, mas encontro padrões no que faço. Tomo decisões baseadas nas fases da lua. Não compreenderás que te diga o que estou a fazer porque falar contigo depende do lado que me sai no dado.

Não te posso olhar de frente. Em razão disso, irei adoptar aquele tipo de olhar de quem está em cobrança. Irei levar-te a mentir-me mais. E cada mentira fica mais feia...

Podes aproximar-te o quão mais quiseres que nada me irá abalar para além da minha própria vontade de ser abalado. Vais passar por mim e aproximar os teus lábios da minha boca, para me enganar, para me ver fechar os olhos. Eu vou respirar a medo, e encher o peito de ar pela medida do que me falta em coragem.

Sinto vontade de te agarrar pela anca e de te puxar contra mim. Sinto quanto condicionas/dominas os meus sonhos. Não obstante isso, sonho derreter os teus desejos na própria medida da minha insanidade.
.
José Pedro Cadima

sábado, março 12, 2011

Afogo-me (II)

Questiono-me,
afogo-me em pensamentos
sobre o que é e o que não é,
e não encontro resposta.

Neste mar de pensamentos encapelados,
de tanto me interrogar,
acabo por perder as perguntas
no monte das respostas falhadas.

José Pedro Cadima

quarta-feira, março 09, 2011

Escrever-te

O teu olhar queima-me a sobriedade.
De tão enfeitiçado que me deixa,
já não sei o que é a razão.

Ver-te cria-me um nervoso miudinho
que me faz perder a fome,
enchendo-me de borboletas.

Neste equilíbrio precário, a consciência
diz-me que comer é superfluo,
que o orgulho é excessivo,
que escrever-te é uníco.

José Pedro Cadima

Mensagens curtas, endereçadas

"Para mim é tudo tão novo!
Sinto uma sensação de eternidade e de vontade de lutar."

C. P.

segunda-feira, março 07, 2011

Curvas e cor





Curvas e cor num cenário que vem sendo, muitas vezes (e crescentemente), de pesadelo.

J. Cadima Ribeiro

Obervação: mandam-se cortar as árvores para que os arbustos possam medrar.

[Foto de autor desconhecido]

sábado, março 05, 2011

Vida & Sanidade

Manda-me a vida embora
para uma cidade assombrada.
Quero ver como ela se safa sem mim,
e eu também sem os seus sermões
pregados de consciência aborrecida.

Leva-me para casa.
Encosta-me à parede.
Destrói-me o juízo com o olhar.
Diz-me as aldrabices que eu te diria a ti
se não te désse o poder da existência.

Vou fingir que nunca mentes.
Vou fingir-me apaixonado.
Quero a tua loucura viva,
para que me mande embora, à vida.

Quero sentir fantasmas.
Quero sentir o espírito, não o corpo.
Intimida-me a sanidade,
já que contigo não há vergonha que valha.

José Pedro Cadima

Foz do Rio Cávado: pôr-do-sol







quarta-feira, março 02, 2011

Esta terra

Não escolheria esta terra
para poiso quotidiano.
Não escolheria esta terra,
não porque não me impressionem
a sua luminosidade, que, de tanta, me fere os olhos,
o espaço aberto, que me permite o fluir do pensamento,
o exotismo da sua arquitectura,
que nos transporta para eras remotas.
Não escolheria esta terra
que, paradoxalmente, nestas visitas fortuitas,
me faz sentir bem.
Não escolheria esta terra
sobretudo porque, aqui, sinto-me longe,
para além do que a minha imensa necessidade de amor
me consente.
Longe, porque este espaço aberto,
deixando-me fluir o pensamento,
rapidamente me transporta para memórias
que me fazem sentir mais só.
Não escolheria esta terra
porque não sou capaz de reconhecer-te
nestas ruas estreitas,
neste cenário encadeante,
nesta ausência de sombra,
especialmente hoje.

José Cadima

terça-feira, março 01, 2011

Na vida: sonhos (II)

Atirando para trás
as insígnias conseguidas,
constata-se que há muitos sonhos
que são muito mais pequenos que a vida.

Reflexos em espelhos sem cantos
permitem a fuga da ilusão.
Tarefa árdua é procurar
agulha em palheiro:
vemo-nos gregos,
…
Portugueses
dos dias infelizes que correm.

José Pedro Cadima

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Pessoas que nos inspiram

«Há sempre pessoas que nos inspiram na carreira ou na vida que encetamos. No meu caso, em termos universitários, o meu inspirador foi o meu orientador de doutoramento; em termos pessoais, terão sido, sobretudo, o meu avô José Pedro e o meu tio Alberto Cadima. Aqui em Braga, encontrei um empresário e gestor, entre outros, por quem tenho imensa simpatia.
Não é difícil encontrar tais pessoas. Entretanto, cada um de nós tenderá a escolher referências diferentes.»
.
J. Cadima Ribeiro

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Lisboa, Fev. de 2011: as mensagens que vão chegando

«As conferências têm como objectivo levar pessoas a conhecer boas histórias pessoais.
Temos casos de pessoas que abandonaram o emprego que tinham porque lhes tomava tempo excessivo e lhes prejudicava a saúde. Era mais nessa perspectiva que eu queria recolher contributos.
Em boa verdade, tinha(tenho) em perspectiva convidados que entretenham indivíduos como os meus colegas, que vão perdendo a noção da realidade.
O meu interesse no projecto é mesmo o dos balões, da produção de mensagens felizes e de cartazes insipiradores. Mas, como equipa, tenho de me sacrificar um bocado também e encontrar oradores.

Eu não tenho muito tempo. Mas a minha dificuldade não é arranjar tempo, mas sim tirar proveito do que tenho. As minhas decisões pessoais são sempre confusas e intrometem-se no restante. Para já, tenho tentado manter distância em relação a muita coisa que me tira o sossego, tal como tenho estudado e feito os trabalhos que me vão sendo agendados.
Sinto necessidade de me ocupar com actividades diferentes. As que tenho não me ajudam a
espairecer.»
.
José Pedro Cadima

sábado, fevereiro 19, 2011

Gosto pouco de "decoradores"

Gosto pouco de homens decoradores, daqueles que fazem questão de intervir, de forma sistemática, na decoração da casa e que metem o bedelho em tudo o que são tarefas domésticas (em termos de opinião, claro está, pois em termos de acção, até é de louvar quem se preocupa, por exemplo, em ajudar a fazer o jantar). Começam por ter a sua graça e até ouvimos as nossas amigas dizerem bem alto: que sorte a tua! Quem me dera que o meu fosse assim!
No entanto, ao fim de algum tempo, a graça esvanece-se e tudo começa a ser um verdadeiro pesadelo! Além das discussões passarem a ser frequentes, porque tudo é decidido a dois (às vezes até o tipo de papel higiénico), ao fim de algum tempo isso leva-nos a questionar se o homem que vive connosco não terá outras tendências e, aí sim, começa um verdadeiro inferno! Esta é uma experiência de muitos anos que serve de aviso para as minhas amigas em situação semelhante! Sim, porque uma das coisas que aprendi na vida é que não é por acaso que os homens de verdade não ligam à decoração da casa e não andam sempre a intervir na parte estética ou em coisas afins.
Se o seu marido é um desses, cuidado, minha amiga, pois deve haver por aí algo mais...
Arranje um que lhe diga: "tu é que sabes", quando perguntamos algo sobre a casa. Esse sim, ainda que "pouco feminino", revelará ser um verdadeiro homem do tempo das cavernas!

Leonor

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Memórias


Imagens de tempos inclinados, não sei se mais se menos que os tempos que correm.
K

[Fotos da autoria de Eva Soares e de José Cadima, obtidas via Facebook de José Cadima]

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Não vos falo ...

[...] Não vos falo das palavras mansas que se escutam quotidianamente das bocas dos intérpretes destas acções. Não vos falo dos valores que dizem defender e que não se coíbem de ir para a praça pública enunciar. Deixo-vos apenas o meu protesto “público” e a veemência do meu repúdio.
Não é caso único (na sua natureza). Não é só da organização que aqui invoco que vêm esta mesquinhez e esta desconsideração pela saúde e pelas pessoas. A minha revolta e o meu repúdio não são menores, por isso. Pelo contrário, são ainda muito maiores.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Arca de Noé

"Hoje, choveu cá (i.e., em Lisboa) o dia todo. Acho que vi a arca de Noé a descer a avenida!"

José Pedro Cadima

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Vale a pena?

Vale a pena
Todos os dias te dizer
“Amo-te”?
Sim, vale a pena
Pois um dia
Quando eu partir
Terás o meu sussurro recente
Quando meu corpo
À natureza voltar
E não puder mais me declarar…

C.P.

Palavras escritas

Prender um texto ao nosso vocabulário
não é matar a literatura.
Prender um texto ao que sabemos,
mesmo pouco, é dar-lhe um pouco de nós.
Expressar sentimentos,
embora de forma rudimentar,
pode ser mais belo
e ter mais significado
que fazê-lo através de palavras trabalhadas
mas vazias de sentimento.

José Pedro Cadima

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Sonhos com Insónias

Abro os olhos para entender
se estou acordado ou a dormir.
Sinto-me numa repetição imensa.
Sonhei com tudo o que vou fazer;
já sei como acaba.

Tenho tantas dúvidas de que estou a dormir
como dúvidas de que esteja acordado.
Estas insónias corrompem-me a liberdade de escolha:
tudo o que faço foi planeado.

Será que realmente já fiz o que sonhei?
Será que apenas sonhei com isso?
Será que decido alguma coisa?
Cometo uma imensidade de crimes de olhos fechados.

Estas insónias trazem-me cansaço:
ver a realidade durante tanto tempo
dá cabo de um gajo!
Mas, pelo menos a sonhar,
nestas estrofes posso escrever a palavra gajo,
cujo uso comum fica tão mal.

Sinto falta de saber quando me deitei.
Parece que "vivo" as vinte e quatro horas de cada dia.
Sei que há horas em que apenas me confundo.

Abro os olhos para entender.
Tenho insónias porque tenho dúvidas
de que consiga dormir.

José Pedro Cadima

domingo, fevereiro 06, 2011

Sonho Molhado

Os teus doces contornos
chateiam até os meus cabelos.
Não sei o que fazer à imaginação;
não tenho forma da prender!

Observo-te de perto,
à distancia de um toque,
contradizendo todo o desejo,
como num pesadelo.

Queria dizer-te como tudo
me faz tender
para um sonho molhado,
onde tu me dizes o que escrevo.

José Pedro Cadima

Pato curioso ou pato com fome?


sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Lutar até ao fim

Nasci para lutar
Por uma vida que valha a pena
Nem sempre me sorriu
Tive que renascer
Para te poder amar
Para me defender
Hoje sinto-me mulher
Mais corajosa que muitas
Com bastão tento defender-me
Dum mundo tão imperfeito
Como eu gostaria que fosse diferente…
Mais logo vou reencontrar-te
Esquecer tanta imperfeição
Tocar a lua
E gritar ao mundo, bem lá de cima
Vou lutar até ao fim!…
Vou lutar até que a vida me fuja!…

C.P.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

(De volta a)O mundo

Desço suavemente, fazendo festas ao mundo,
não vá ele enfurecer-se.
Pressinto-o zangado,
deixando-me descrente de que tenhamos futuro.

Puxo das forças e da coragem que me restam
e olho-o nos olhos.
Tento dizer-lhe que ele está no centro das minhas preocupações.
Procuro dar-lhe expressão do meu empenho
na construção de um projecto económico
menos delapidador de recursos,
mais respeitador dos equilíbrios naturais.
Falo-lhe com carinho.

Vejo-o rosnar, primeiro, sacudir-se, depois,
e aquietar-se, de seguida.
Questiono-me se acreditou no que lhe disse.
Acreditando ou não,
deixou-me seguir caminho.

José Pedro Cadima

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Navegar (II)

Navegar é preciso, dizes tu. Mas navegar para onde, pergunto eu. Concordarás que, também para navegar, é preciso um rumo e, por esta altura, eu sigo rumo a lugar algum. Aliás, não sei sequer se navego ou se a minha barca balança, simplesmente, ao sabor da ondulação.
Vai forte a brisa. Faltam-me as forças para remar. Desafio imenso já tu és/eras. Alcançar-te com esta minha embarcação sugere-se-me utopia. Navegar sim, mas para onde?
Já não vislumbro a silhueta da tua barca. A tua silhueta há muito que havia deixado da descortinar. Foi utopia sonhar que as nossas barcas podiam seguir juntas. Sem te ter no horizonte, fico sem rumo. Sigo já sem rumo algum, se é que navego e não é antes a ondulação que me transmite esta sensação de navegar.

José Cadima

domingo, janeiro 30, 2011

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Está tudo tão industrial (II)

Está tudo tão sem graça,
tão industrial.
É como se a vida
não passasse de uma peça de maquinaria.
Se assim é, se assim tiver que ser
deixai-me, pelo menos, ser o manobrador desta máquina,
deste engenho que me pertence.
Quero poder rodar manivelas.
Quero ensaiar novos ritmos de rotação.
Quero saltar sobre os maus tempos.
Quero ser o operador desta vida
que é a minha.

José Pedro Cadima

terça-feira, janeiro 25, 2011

O tempo é infinito - pormenor

O tempo é infinito.
A saudade aumenta
sem que deseje um beijo,
sem que precise de te ver.

Não vejo o porquê
de momentos intermédios
que me façam esperar.

Faltam-me apenas os pormenores:
o desacelerar do fecho de pestanas;
o ofegar da respiração;
a forma como podia deitar a cabeça no teu colo,
que me embalava a vida.

José Pedro Cadima

sábado, janeiro 22, 2011

O tempo é infinito - o poço

O tempo é infinito.

Porque não desperdiçar um pouco?

Seja dia, seja noite,

vamos viver o que poderia ter sido.

Respirar, que é daí que se vive.

Ser afectado pelo que não foi!

Meter-se a caminho do que correu mal.

Repetir, repetir,

para saber quanto podemos aguentar.

Nessa altura,

ir ao local onde estive contigo,

onde te namorei discretamente.

Procurar aquele poço e mergulhar.

Descer devagar, sem precipitação,

continuar até ao fundo

e trazer a moeda que lá havia deixado.


José Pedro Cadima

Raiva(II)

Há raiva que nada faz
e me deixa sempre em guerra.
Tropeço num vazo que caiu
do alto dos meios receios.
Pior era ter por lá ficado!

A gravidade é forte
e traz tudo para os meus pés,
excepto os problemas.
Esses teimam em manter-se lá no alto,
ameaçando-me a tranquilidade,
quando não alimentando-me a raiva.

José Pedro Cadima

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Refém+

Procuro, procuro
e não acho nada.
Procuro dentro de mim
e só te acho a ti.
Porquê???
Porque é que me encontro tão sensível?
Porque é que cada palavra dói tanto?
Porque é que cada passo que dou
me traz um temível transtorno da alma?
Anseio ardentemente ter-te
ao alcance dos meus braços.
Anseio…
Porquê?
Porque choro
eu por palavras?

José Pedro Cadima

terça-feira, janeiro 18, 2011

Mensagens curtas, endereçadas

"Farei tudo para corresponder aos teus anseios e dar-te notícia de quanto és importante para mim. Não sei é se o que sou capaz de fazer será bastante. Sinto que me faltam as forças e, algumas vezes, até a vontade de lutar."

K

segunda-feira, janeiro 17, 2011

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Festa


Que festa é esta?
Grande festa
parece não ser.
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K
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[Foto da autoria de Luis Ferraz, retirada da página de José Cadima no Facebook]

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Filhozes


Foto que vem, ainda,
do Natal pp., e de Leiria.
Contexto: a tarefa árdua
de preparação das filhozes,
por quem o sabe fazer.
E a oportunidade para
deixar um obrigado!
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José Cadima

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Experiências

Li algures que "All life is an experiment"(R.W.E.).
Aceito que o seja,
sendo que há experiências que resultam
e outras que resultam fracassadas.
Mais discutível é a afirmação:
“The more experiments you make the better"(R.W.E.).
Com dose bastante de experiência,
sei que as há que não vale a pena vivê-las,
sei que há experiências que nos matam,
de desapontamento, de tristeza,
de ansiedade, de desgosto.
Experimentar sim, mas respirar o ar fresco
trazido pela brisa do mar.
Experimentar sim, mas a alegria
de ver-te caminhar rápido ao meu encontro.
Experimentar sim, mas o voo
livre da águia.
“Quem me dera experimentar de novo a embriaguês
dos nossos corpos em rodupio,
pairando sobre campos pejados de malmequeres
ou de lírios dos campos.”
Viver sim…

José Cadima

domingo, janeiro 09, 2011

Resíduo

O amor é
um elemento residual.
O que nos junta
é o vício e o conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega;
esconde dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

(de volta a um texto de 2009)

sábado, janeiro 08, 2011

Fonte


Fonte sim,
mas natural.
Menos natural
é a jante,
que foi à fonte
matar a sede
e acabou
por ficar por lá.
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K

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Casa



















Infleizmente, não foi possivel captar imagens das fadas e
duendes que habitam esta casa do Gerês.
Porventura, na altura, encontrar-se-iam de férias numa floresta vizinha.

K

quarta-feira, janeiro 05, 2011

2011

2010 foi ano da viragem
2010 viu o amor solidificar
2010 trouxe-te para mais perto de mim
Que trará 2011?
Queres pôr-te a adivinhar?...
Alimentar uma relação de carinho
Alimentar uma maior partilha
Aguentar o dia-a-dia penoso
que os outros nos propõem
Poderei oferecer-te tudo…
Com toda a artilharia possível
enfrentaremos juntos os embates
que poderão surgir…
Por ti até à lua marcharei
a chuva negarei
e ao sol resistirei…

C.P.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Resistindo

Neste dia,
nesta semana,
neste início de ano,
cá estou,
resistindo ao tempo
e resistindo ao desgaste
do ano que passou.
Resistindo, digo,
mesmo que, de quando em quando,
a vontade me falte,
mesmo que, algumas, muitas vezes,
se me ofereça empreendimento de loucos
viver.
Neste dia,
nesta tarde que corre,
neste ano que está lançado,
perscruto o futuro e não acho
alimento bastante para a sede de esperança
que se foi instalando neste corpo que os anos
foram deixando crescentemente maltratado, angustiado.
Viver,
seguir caminho
porquê? Para onde?
Onde está a paz que acreditei merecer?
Resistindo ao tempo,
resistindo ao desgaste do ano que passou, aqui estou!

José Cadima