domingo, maio 01, 2011

A 1 de Maio, apeteceu-me recordar "Gargalhadas amargas"

O mundo agita-se, roda

e o que eu mais quero é sossego

(e vislumbrar no horizonte sinais de esperança).

Se a agitação é própria do prazer que é a vida,

a tranquilidade não o é menos.


Sentir, sofrer, amar!

Eu sou só um,

e se a agitação me estimula

também me embriaga

e me tortura.

Na mesma medida em que anseio o frémito

desta Terra de oportunidades,

rejeito-lhe a inequidade,

a mesquinhez que grassa.

Daí que sejam amargas

as gargalhadas que por vezes liberto.


José Pedro Cadima

sábado, abril 30, 2011

Mau governo e clientelas

Portugal atravessa um dos períodos mais críticos da sua história económica recente, fruto de má gestão macroeconómica, ausência de projecto para o país e vazio de liderança política, entregue que tem estado a agentes cujo compromisso é unicamente com a sua sobrevivência enquanto actores políticos e com a sua corte de seguidores ciosos de protagonismo e de partilha de benesses a que se acede em razão de filiações clubísticas.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, abril 27, 2011

Amor é

Amor é
Ficar a mirar a lua
Por entre o teu abraço
Contar as estrelas
Uma a uma
Perdendo-lhes a conta
É constatar que somos almas-gêmeas com defeitos
Que o tempo se encarregará de amolecer
Que a eternidade do nosso amor esconderá
Um bom-dia para ti!

C.P.

segunda-feira, abril 25, 2011

A esperança passou por aqui

Vai! Vai contar
que um dia a esperança passou por aqui.
Resistindo ao tempo,
resistindo à frustração dos anos passados,
vai para que também tu
não resultes aprisionado
por esta cadeia de fogos fátuos
que anunciam libertadores
que nos deixam cada dia mais prisioneiros
dos seus pequenos interesses,
e das ambições das suas cortes de amigos.
Vai. Foge desta terra de renegados
para que um dia também nós
possamos acordar e gritar liberdade!

José Cadima

segunda-feira, abril 18, 2011

Dias infelizes

Queria alhear-me do que vejo,
queria esconder o que sinto,
neste tempo de turbulência insana,
mas tu existes.
Não fora o teu carinho
me permitir esporádica evasão,
seria tarefa árdua procurar alguma felicidade,
tão árdua quanto procurar agulha em palheiro.
Em contextos passados,
dir-se-ia que nos veríamos gregos.
Nos dias infelizes que correm,
dir-se-á que nos vemos portugueses,
e fica tudo dito.
Que bom é existires!

K

domingo, abril 17, 2011

Sonhar demasiado alto

"Esperançosa seria mesmo a implosão do sistema político-partidário que temos. Daí, sim, poderia resultar alguma renovação e, logo, um renovar de esperança dos portugueses. Será, porventura, sonhar demasiado alto."

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, abril 12, 2011

Desde que te conheço (II)

Desde que te conheço

que sonho contigo.

Desde que te conheço

que te imaginei o grande amor

com que sempre sonhei.


Só algum tempo depois me apercebi

que, se me amavas,

amavas-te muito mais a ti mesma.


Feitos um para o outro,

imaginei-te eu.

Feito para te servir,

tomaste-me tu.


Desde que te conheço,

fez-se-me claro

quão melhor para mim era saber-te longe,

no outro lado do mundo.


José Pedro Cadima

sexta-feira, abril 08, 2011

Anseio

Ensaio seguir caminho,
temeroso do futuro,
desencantado do passado.
Anseio voltar a experimentar o repouso
de uma noite tranquila.

José Pedro Cadima

segunda-feira, abril 04, 2011

O que te quero dizer agora

O nervosismo que tenho ao falar-te
é só suplantado pela necessidade que tenho
em ser-te sincero.
Um sermão que te possa dar
não seria mais que um chamamento
ao quanto te quero.
Perdi a oportunidade de te encontrar
na claridade de um momento
que fosse o certo.
Estando tão longe,
é tão irónico dizer-te hoje
a preferência que te dou.
Como reverso da medalha,
fico muito mais livre do medo
de te contar tudo aquilo que faço,
mesmo estando tão mal.
Se não te levar pela natureza,
não me sentirei capaz de te dar flores
noutro qualquer local.

Se resistir ao impulso
é ter bom senso,
neste assunto, então que o perca todo aqui.

José Pedro Cadima

sábado, abril 02, 2011

Momentos rosa, pores-do-sol laranja

Momentos rosa;
pores-do-sol laranja,
roxos, esverdeados;
arco-íris brancos,
cor-de-rosa, de todas as cores…
Por onde andam?
Onde se escondem?

As abelhas nas flores os procuram,
as toupeiras no solo
e as baleias no fundo do oceano.
E o homem?
Esse, procura-os na lua…
Esse, escapando-lhe a lua,
sonha que uma estrela cadente
algum dia lhe traga luar bastante
para iluminar uma existência
em risco de ruína.

José Pedro Cadima

quarta-feira, março 30, 2011

Marés

“Eras a onda que me embalava.
Eras o meu tormento”.
É expressão corrente que há mais marés que marinheiros.
"Estranguladora e libertadora",
eras a maré que não me deixava marinhar,
a onda que ameaçava submergir-me.
Para ser marinheiro,
ficava-me a opção de cortar amarras
e zarpar.
Eras o meu ponto de encontro
e o meu martírio.
Eras…

José Cadima

terça-feira, março 29, 2011

sábado, março 26, 2011

Maré (II)

Eras a onda que me embalava.
Eras a maré com que me debatia.
Eras o meu tormento
e o derradeiro prémio.
Estranguladora e libertadora,
eras a morte da minha criatividade,
a minha paz eterna.

José Pedro Cadima

quinta-feira, março 24, 2011

É agora que começo a minha campanha eleitoral!

É agora que começo a minha campanha eleitoral!
Slogan: VOTA JC!
O último tipo com estas iniciais (que se dedicou à política) fazia milagres!
.
José (Pedro) Cadima

quarta-feira, março 23, 2011

Velhos são os trapos

Velhos são os trapos
Os teus e os meus
À velhice vou resistir
Ao teu lado sem cair
Quando o nosso amor selámos
Na árvore majestosa
O Lima observava-nos
Acolheu o nosso amor
Selando-o para sempre
Com o sangue dos teus dedos
Longe dos nossos trapos…

C. P.

segunda-feira, março 21, 2011

As tuas mentiras (tão bonitas)

O pior de tudo é saber
que não haveria como sermos um.
Tu és fogo e eu sou lenha.
Daqui só iria sair cinza...

Tanta culpa em mim
de me perder por nada,
em vez de só me perder por um mimo.

Descansa-me saber
que não posso arruinar aquilo de que gosto em ti.
E tu sorris a toda a hora,
preocupando-te sem te perderes.

E descansa-me saber que somos amigos,
que te posso contar sempre a verdade,
sem ter que me confrontar com as tuas mentiras parvas,
que eram tão bonitas...

José Pedro Cadima

sexta-feira, março 18, 2011

Sobressalto

Há momentos em que me ocorre pensar
que tenho tudo o que quero,
pois só te quero a ti.
Há ocasiões em que me parece seguro o teu amor,
a tua paixão.
Certa é a tua beleza, que me fascina e me embala.
Neste torpor, resulta sobressaltado o meu coração,
que, ao invés, queria aquietado.

José Pedro Cadima

domingo, março 13, 2011

Ontem

Dá-me vontade de não respirar,
mas a verdade é que os meus pulmões se enchem em pleno.

Ainda olho para trás,
mas não posso voltar.
Seria razão para tonturas,
algo que seria expressão de um fracasso.

O que ficou, ficou.
Quando não se gosta de alguém,
é mais fácil sentir uma paixão alheia.

José Pedro Cadima

Conceito (errado)

Evito olhar-te de frente para que não penses que te tenho em conta no que faço. É um esforço irónico este de não olhar em frente quando lá estás. Deixar clara a minha intenção é, no entanto, ainda mais importante. Digo-te tudo sem lhe dar entoação para além do que é óbvio e sem sublinhar o que possa realmente ser importante.

Maravilha-me que confundas o meu fascínio com puro gosto, e que me digas que vamos ser bons amigos. Mas enganas-te quando me dizes que sou infantil. Eu sou simplesmente louco. Não sou espontâneo. Sou impulsivo. Não sou curioso. Sou indiscreto.

Dizes que sou um caos, mas encontro padrões no que faço. Tomo decisões baseadas nas fases da lua. Não compreenderás que te diga o que estou a fazer porque falar contigo depende do lado que me sai no dado.

Não te posso olhar de frente. Em razão disso, irei adoptar aquele tipo de olhar de quem está em cobrança. Irei levar-te a mentir-me mais. E cada mentira fica mais feia...

Podes aproximar-te o quão mais quiseres que nada me irá abalar para além da minha própria vontade de ser abalado. Vais passar por mim e aproximar os teus lábios da minha boca, para me enganar, para me ver fechar os olhos. Eu vou respirar a medo, e encher o peito de ar pela medida do que me falta em coragem.

Sinto vontade de te agarrar pela anca e de te puxar contra mim. Sinto quanto condicionas/dominas os meus sonhos. Não obstante isso, sonho derreter os teus desejos na própria medida da minha insanidade.
.
José Pedro Cadima

sábado, março 12, 2011

Afogo-me (II)

Questiono-me,
afogo-me em pensamentos
sobre o que é e o que não é,
e não encontro resposta.

Neste mar de pensamentos encapelados,
de tanto me interrogar,
acabo por perder as perguntas
no monte das respostas falhadas.

José Pedro Cadima

quarta-feira, março 09, 2011

Escrever-te

O teu olhar queima-me a sobriedade.
De tão enfeitiçado que me deixa,
já não sei o que é a razão.

Ver-te cria-me um nervoso miudinho
que me faz perder a fome,
enchendo-me de borboletas.

Neste equilíbrio precário, a consciência
diz-me que comer é superfluo,
que o orgulho é excessivo,
que escrever-te é uníco.

José Pedro Cadima

Mensagens curtas, endereçadas

"Para mim é tudo tão novo!
Sinto uma sensação de eternidade e de vontade de lutar."

C. P.

segunda-feira, março 07, 2011

Curvas e cor





Curvas e cor num cenário que vem sendo, muitas vezes (e crescentemente), de pesadelo.

J. Cadima Ribeiro

Obervação: mandam-se cortar as árvores para que os arbustos possam medrar.

[Foto de autor desconhecido]

sábado, março 05, 2011

Vida & Sanidade

Manda-me a vida embora
para uma cidade assombrada.
Quero ver como ela se safa sem mim,
e eu também sem os seus sermões
pregados de consciência aborrecida.

Leva-me para casa.
Encosta-me à parede.
Destrói-me o juízo com o olhar.
Diz-me as aldrabices que eu te diria a ti
se não te désse o poder da existência.

Vou fingir que nunca mentes.
Vou fingir-me apaixonado.
Quero a tua loucura viva,
para que me mande embora, à vida.

Quero sentir fantasmas.
Quero sentir o espírito, não o corpo.
Intimida-me a sanidade,
já que contigo não há vergonha que valha.

José Pedro Cadima

Foz do Rio Cávado: pôr-do-sol







quarta-feira, março 02, 2011

Esta terra

Não escolheria esta terra
para poiso quotidiano.
Não escolheria esta terra,
não porque não me impressionem
a sua luminosidade, que, de tanta, me fere os olhos,
o espaço aberto, que me permite o fluir do pensamento,
o exotismo da sua arquitectura,
que nos transporta para eras remotas.
Não escolheria esta terra
que, paradoxalmente, nestas visitas fortuitas,
me faz sentir bem.
Não escolheria esta terra
sobretudo porque, aqui, sinto-me longe,
para além do que a minha imensa necessidade de amor
me consente.
Longe, porque este espaço aberto,
deixando-me fluir o pensamento,
rapidamente me transporta para memórias
que me fazem sentir mais só.
Não escolheria esta terra
porque não sou capaz de reconhecer-te
nestas ruas estreitas,
neste cenário encadeante,
nesta ausência de sombra,
especialmente hoje.

José Cadima

terça-feira, março 01, 2011

Na vida: sonhos (II)

Atirando para trás
as insígnias conseguidas,
constata-se que há muitos sonhos
que são muito mais pequenos que a vida.

Reflexos em espelhos sem cantos
permitem a fuga da ilusão.
Tarefa árdua é procurar
agulha em palheiro:
vemo-nos gregos,
Portugueses
dos dias infelizes que correm.

José Pedro Cadima

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Pessoas que nos inspiram

«Há sempre pessoas que nos inspiram na carreira ou na vida que encetamos. No meu caso, em termos universitários, o meu inspirador foi o meu orientador de doutoramento; em termos pessoais, terão sido, sobretudo, o meu avô José Pedro e o meu tio Alberto Cadima. Aqui em Braga, encontrei um empresário e gestor, entre outros, por quem tenho imensa simpatia.
Não é difícil encontrar tais pessoas. Entretanto, cada um de nós tenderá a escolher referências diferentes.»
.
J. Cadima Ribeiro

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Lisboa, Fev. de 2011: as mensagens que vão chegando

«As conferências têm como objectivo levar pessoas a conhecer boas histórias pessoais.
Temos casos de pessoas que abandonaram o emprego que tinham porque lhes tomava tempo excessivo e lhes prejudicava a saúde. Era mais nessa perspectiva que eu queria recolher contributos.
Em boa verdade, tinha(tenho) em perspectiva convidados que entretenham indivíduos como os meus colegas, que vão perdendo a noção da realidade.
O meu interesse no projecto é mesmo o dos balões, da produção de mensagens felizes e de cartazes insipiradores. Mas, como equipa, tenho de me sacrificar um bocado também e encontrar oradores.

Eu não tenho muito tempo. Mas a minha dificuldade não é arranjar tempo, mas sim tirar proveito do que tenho. As minhas decisões pessoais são sempre confusas e intrometem-se no restante. Para já, tenho tentado manter distância em relação a muita coisa que me tira o sossego, tal como tenho estudado e feito os trabalhos que me vão sendo agendados.
Sinto necessidade de me ocupar com actividades diferentes. As que tenho não me ajudam a
espairecer.»
.
José Pedro Cadima

sábado, fevereiro 19, 2011

Gosto pouco de "decoradores"

Gosto pouco de homens decoradores, daqueles que fazem questão de intervir, de forma sistemática, na decoração da casa e que metem o bedelho em tudo o que são tarefas domésticas (em termos de opinião, claro está, pois em termos de acção, até é de louvar quem se preocupa, por exemplo, em ajudar a fazer o jantar). Começam por ter a sua graça e até ouvimos as nossas amigas dizerem bem alto: que sorte a tua! Quem me dera que o meu fosse assim!
No entanto, ao fim de algum tempo, a graça esvanece-se e tudo começa a ser um verdadeiro pesadelo! Além das discussões passarem a ser frequentes, porque tudo é decidido a dois (às vezes até o tipo de papel higiénico), ao fim de algum tempo isso leva-nos a questionar se o homem que vive connosco não terá outras tendências e, aí sim, começa um verdadeiro inferno! Esta é uma experiência de muitos anos que serve de aviso para as minhas amigas em situação semelhante! Sim, porque uma das coisas que aprendi na vida é que não é por acaso que os homens de verdade não ligam à decoração da casa e não andam sempre a intervir na parte estética ou em coisas afins.
Se o seu marido é um desses, cuidado, minha amiga, pois deve haver por aí algo mais...
Arranje um que lhe diga: "tu é que sabes", quando perguntamos algo sobre a casa. Esse sim, ainda que "pouco feminino", revelará ser um verdadeiro homem do tempo das cavernas!

Leonor

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Memórias


Imagens de tempos inclinados, não sei se mais se menos que os tempos que correm.
K

[Fotos da autoria de Eva Soares e de José Cadima, obtidas via Facebook de José Cadima]

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Não vos falo ...

[...] Não vos falo das palavras mansas que se escutam quotidianamente das bocas dos intérpretes destas acções. Não vos falo dos valores que dizem defender e que não se coíbem de ir para a praça pública enunciar. Deixo-vos apenas o meu protesto “público” e a veemência do meu repúdio.
Não é caso único (na sua natureza). Não é só da organização que aqui invoco que vêm esta mesquinhez e esta desconsideração pela saúde e pelas pessoas. A minha revolta e o meu repúdio não são menores, por isso. Pelo contrário, são ainda muito maiores.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Arca de Noé

"Hoje, choveu cá (i.e., em Lisboa) o dia todo. Acho que vi a arca de Noé a descer a avenida!"

José Pedro Cadima

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Vale a pena?

Vale a pena
Todos os dias te dizer
“Amo-te”?
Sim, vale a pena
Pois um dia
Quando eu partir
Terás o meu sussurro recente
Quando meu corpo
À natureza voltar
E não puder mais me declarar…

C.P.

Palavras escritas

Prender um texto ao nosso vocabulário
não é matar a literatura.
Prender um texto ao que sabemos,
mesmo pouco, é dar-lhe um pouco de nós.
Expressar sentimentos,
embora de forma rudimentar,
pode ser mais belo
e ter mais significado
que fazê-lo através de palavras trabalhadas
mas vazias de sentimento.

José Pedro Cadima

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Sonhos com Insónias

Abro os olhos para entender
se estou acordado ou a dormir.
Sinto-me numa repetição imensa.
Sonhei com tudo o que vou fazer;
já sei como acaba.

Tenho tantas dúvidas de que estou a dormir
como dúvidas de que esteja acordado.
Estas insónias corrompem-me a liberdade de escolha:
tudo o que faço foi planeado.

Será que realmente já fiz o que sonhei?
Será que apenas sonhei com isso?
Será que decido alguma coisa?
Cometo uma imensidade de crimes de olhos fechados.

Estas insónias trazem-me cansaço:
ver a realidade durante tanto tempo
dá cabo de um gajo!
Mas, pelo menos a sonhar,
nestas estrofes posso escrever a palavra gajo,
cujo uso comum fica tão mal.

Sinto falta de saber quando me deitei.
Parece que "vivo" as vinte e quatro horas de cada dia.
Sei que há horas em que apenas me confundo.

Abro os olhos para entender.
Tenho insónias porque tenho dúvidas
de que consiga dormir.

José Pedro Cadima

domingo, fevereiro 06, 2011

Sonho Molhado

Os teus doces contornos
chateiam até os meus cabelos.
Não sei o que fazer à imaginação;
não tenho forma da prender!

Observo-te de perto,
à distancia de um toque,
contradizendo todo o desejo,
como num pesadelo.

Queria dizer-te como tudo
me faz tender
para um sonho molhado,
onde tu me dizes o que escrevo.

José Pedro Cadima

Pato curioso ou pato com fome?


sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Lutar até ao fim

Nasci para lutar
Por uma vida que valha a pena
Nem sempre me sorriu
Tive que renascer
Para te poder amar
Para me defender
Hoje sinto-me mulher
Mais corajosa que muitas
Com bastão tento defender-me
Dum mundo tão imperfeito
Como eu gostaria que fosse diferente…
Mais logo vou reencontrar-te
Esquecer tanta imperfeição
Tocar a lua
E gritar ao mundo, bem lá de cima
Vou lutar até ao fim!…
Vou lutar até que a vida me fuja!…

C.P.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

(De volta a)O mundo

Desço suavemente, fazendo festas ao mundo,
não vá ele enfurecer-se.
Pressinto-o zangado,
deixando-me descrente de que tenhamos futuro.

Puxo das forças e da coragem que me restam
e olho-o nos olhos.
Tento dizer-lhe que ele está no centro das minhas preocupações.
Procuro dar-lhe expressão do meu empenho
na construção de um projecto económico
menos delapidador de recursos,
mais respeitador dos equilíbrios naturais.
Falo-lhe com carinho.

Vejo-o rosnar, primeiro, sacudir-se, depois,
e aquietar-se, de seguida.
Questiono-me se acreditou no que lhe disse.
Acreditando ou não,
deixou-me seguir caminho.

José Pedro Cadima

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Navegar (II)

Navegar é preciso, dizes tu. Mas navegar para onde, pergunto eu. Concordarás que, também para navegar, é preciso um rumo e, por esta altura, eu sigo rumo a lugar algum. Aliás, não sei sequer se navego ou se a minha barca balança, simplesmente, ao sabor da ondulação.
Vai forte a brisa. Faltam-me as forças para remar. Desafio imenso já tu és/eras. Alcançar-te com esta minha embarcação sugere-se-me utopia. Navegar sim, mas para onde?
Já não vislumbro a silhueta da tua barca. A tua silhueta há muito que havia deixado da descortinar. Foi utopia sonhar que as nossas barcas podiam seguir juntas. Sem te ter no horizonte, fico sem rumo. Sigo já sem rumo algum, se é que navego e não é antes a ondulação que me transmite esta sensação de navegar.

José Cadima

domingo, janeiro 30, 2011

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Está tudo tão industrial (II)

Está tudo tão sem graça,
tão industrial.
É como se a vida
não passasse de uma peça de maquinaria.
Se assim é, se assim tiver que ser
deixai-me, pelo menos, ser o manobrador desta máquina,
deste engenho que me pertence.
Quero poder rodar manivelas.
Quero ensaiar novos ritmos de rotação.
Quero saltar sobre os maus tempos.
Quero ser o operador desta vida
que é a minha.

José Pedro Cadima

terça-feira, janeiro 25, 2011

O tempo é infinito - pormenor

O tempo é infinito.
A saudade aumenta
sem que deseje um beijo,
sem que precise de te ver.

Não vejo o porquê
de momentos intermédios
que me façam esperar.

Faltam-me apenas os pormenores:
o desacelerar do fecho de pestanas;
o ofegar da respiração;
a forma como podia deitar a cabeça no teu colo,
que me embalava a vida.

José Pedro Cadima

sábado, janeiro 22, 2011

O tempo é infinito - o poço

O tempo é infinito.

Porque não desperdiçar um pouco?

Seja dia, seja noite,

vamos viver o que poderia ter sido.

Respirar, que é daí que se vive.

Ser afectado pelo que não foi!

Meter-se a caminho do que correu mal.

Repetir, repetir,

para saber quanto podemos aguentar.

Nessa altura,

ir ao local onde estive contigo,

onde te namorei discretamente.

Procurar aquele poço e mergulhar.

Descer devagar, sem precipitação,

continuar até ao fundo

e trazer a moeda que lá havia deixado.


José Pedro Cadima

Raiva(II)

Há raiva que nada faz
e me deixa sempre em guerra.
Tropeço num vazo que caiu
do alto dos meios receios.
Pior era ter por lá ficado!

A gravidade é forte
e traz tudo para os meus pés,
excepto os problemas.
Esses teimam em manter-se lá no alto,
ameaçando-me a tranquilidade,
quando não alimentando-me a raiva.

José Pedro Cadima

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Refém+

Procuro, procuro
e não acho nada.
Procuro dentro de mim
e só te acho a ti.
Porquê???
Porque é que me encontro tão sensível?
Porque é que cada palavra dói tanto?
Porque é que cada passo que dou
me traz um temível transtorno da alma?
Anseio ardentemente ter-te
ao alcance dos meus braços.
Anseio…
Porquê?
Porque choro
eu por palavras?

José Pedro Cadima

terça-feira, janeiro 18, 2011

Mensagens curtas, endereçadas

"Farei tudo para corresponder aos teus anseios e dar-te notícia de quanto és importante para mim. Não sei é se o que sou capaz de fazer será bastante. Sinto que me faltam as forças e, algumas vezes, até a vontade de lutar."

K

segunda-feira, janeiro 17, 2011

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Festa


Que festa é esta?
Grande festa
parece não ser.
.
K
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[Foto da autoria de Luis Ferraz, retirada da página de José Cadima no Facebook]

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Filhozes


Foto que vem, ainda,
do Natal pp., e de Leiria.
Contexto: a tarefa árdua
de preparação das filhozes,
por quem o sabe fazer.
E a oportunidade para
deixar um obrigado!
.
José Cadima

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Experiências

Li algures que "All life is an experiment"(R.W.E.).
Aceito que o seja,
sendo que há experiências que resultam
e outras que resultam fracassadas.
Mais discutível é a afirmação:
“The more experiments you make the better"(R.W.E.).
Com dose bastante de experiência,
sei que as há que não vale a pena vivê-las,
sei que há experiências que nos matam,
de desapontamento, de tristeza,
de ansiedade, de desgosto.
Experimentar sim, mas respirar o ar fresco
trazido pela brisa do mar.
Experimentar sim, mas a alegria
de ver-te caminhar rápido ao meu encontro.
Experimentar sim, mas o voo
livre da águia.
“Quem me dera experimentar de novo a embriaguês
dos nossos corpos em rodupio,
pairando sobre campos pejados de malmequeres
ou de lírios dos campos.”
Viver sim…

José Cadima

domingo, janeiro 09, 2011

Resíduo

O amor é
um elemento residual.
O que nos junta
é o vício e o conforto.

O amor é
um sentimento maldito:
reclama de nós entrega;
esconde dor.

Perscrutando o horizonte,
não te enxergo.
Admito que andes por aí,
resíduo…

José Pedro Cadima

(de volta a um texto de 2009)

sábado, janeiro 08, 2011

Fonte


Fonte sim,
mas natural.
Menos natural
é a jante,
que foi à fonte
matar a sede
e acabou
por ficar por lá.
.
K

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Casa



















Infleizmente, não foi possivel captar imagens das fadas e
duendes que habitam esta casa do Gerês.
Porventura, na altura, encontrar-se-iam de férias numa floresta vizinha.

K

quarta-feira, janeiro 05, 2011

2011

2010 foi ano da viragem
2010 viu o amor solidificar
2010 trouxe-te para mais perto de mim
Que trará 2011?
Queres pôr-te a adivinhar?...
Alimentar uma relação de carinho
Alimentar uma maior partilha
Aguentar o dia-a-dia penoso
que os outros nos propõem
Poderei oferecer-te tudo…
Com toda a artilharia possível
enfrentaremos juntos os embates
que poderão surgir…
Por ti até à lua marcharei
a chuva negarei
e ao sol resistirei…

C.P.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Resistindo

Neste dia,
nesta semana,
neste início de ano,
cá estou,
resistindo ao tempo
e resistindo ao desgaste
do ano que passou.
Resistindo, digo,
mesmo que, de quando em quando,
a vontade me falte,
mesmo que, algumas, muitas vezes,
se me ofereça empreendimento de loucos
viver.
Neste dia,
nesta tarde que corre,
neste ano que está lançado,
perscruto o futuro e não acho
alimento bastante para a sede de esperança
que se foi instalando neste corpo que os anos
foram deixando crescentemente maltratado, angustiado.
Viver,
seguir caminho
porquê? Para onde?
Onde está a paz que acreditei merecer?
Resistindo ao tempo,
resistindo ao desgaste do ano que passou, aqui estou!

José Cadima

terça-feira, dezembro 28, 2010

O que deixaste à porta (um breve regresso a 2007)

Se bem o deixaste à porta
escusado é voltar atrás.
Não está lá
nem pensa em depressa voltar.

Em retorno, desejo-te do coração
que não se alongue teu caminho.
Ficarias abandonada neste mundo,
outra vez.

Hás-de iludir-te
para a esperança procurar,
que também lá atrás ficou
pedindo ao bem que te espere.

Aqui, espera-te o mal,
carregando ironia vida adiante,
sempre erguido e com mãos largas,
alardeando alegria a tua expensas.

José Pedro Cadima

segunda-feira, dezembro 27, 2010

A não ser que...

Há ocasiões em que o trabalho, pouco que seja, me esgota. Lembro-me de outras em que o trabalho se esgotava sem que lhe sentisse o peso. Não é, sei-o bem, apenas uma questão de esforço. É, muito mais, um problema de motivação, de crença que valha a pena enfrentar o dia seguinte, estado de espírito que me escapa nesta altura e de que não estou certo de ser capaz de libertar-me. A não ser... A não ser que...
.
José Cadima

domingo, dezembro 26, 2010

Árvore com frutos


Não é uma árvore de Natal
mas não deixa de ser
uma linda árvore
por causa disso.
Para mais,
é uma árvore com frutos.
.
K

sábado, dezembro 25, 2010

quinta-feira, dezembro 23, 2010

terça-feira, dezembro 21, 2010

À chuva

Sempre ao meu lado,
vais à chuva,
sempre à chuva.
E eu, coberto por guarda-chuva
que ora me parece real
ora se me oferece imaginário,
enquanto a minha mente deambula
por paragens eternamente soalheiras,
pergunto-me:
porque vais à chuva?

José Pedro Cadima

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Tempo de festas









Imagem de festa
em tempo de festas.




(Foto da autoria de Báby Vasquez,
extraída da página do Facebook de José Cadima)

sábado, dezembro 18, 2010

Eu também não...

"Eu também não pretendia mudar o mundo, só não era capaz de calar a revolta ou o desconforto que me provocavam certos episódios da vida política e social local e nacional.
Depois disso, continuei a ser, a sentir assim, com a diferença que fui ficando progressivamente mais desencantado e menos esperançoso que as coisas mudassem e, mesmo, que houvesse real vontade de tornar o nosso quotidiano e o nosso futuro, como cidadãos e como portugueses, mais risonhos."

J. Cadima Ribeiro
(22 de Outubro de 2008)

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Teia de aranha


Teia de aranha
incandescente?
Talvez não!
Porventura,
apenas luz
e formas naturais
caprichosas,
no interior de
uma gruta calcária,
algures
na Serra de Aire.
.
K

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Praia Velha


Imagem da Praia Velha
(S. Pedro de Moel)
no Verão pp.,
polvilhada por
gente nova
e muita frescura.
.
K

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A tempestade grande és tu

O tempo passa com o tempo (deveria passar, não deveria?), chuva, sol, neve, nevoeiro, mas a tempestade grande és tu. Sei lá porquê!

José Pedro Cadima

terça-feira, dezembro 14, 2010

Relaxar relaxa-me

Relaxar faz-me bem
Relaxar é o que me falta
Relaxo quando Tlim-Tlão faço
Relaxo quando para ti olho
A linha do horizonte relaxa-me
A humanidade raramente o consegue
Quando é que o ser humano
vai aprender a relaxar?
Quero que me deixem relaxar
Quero ficar a olhar eternamente para ti
Quero fazer Tlim-Tlão tal como uma criança

C.P.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Marcos de correio


Marcos para pôr
cartas.
Será que ainda
se escrevem
cartas de amor?
E, escrevendo-se,
põem-se no
marco vermelho
ou no azul?
Cartas de amor: "quem as não escreve(u)?"
.
K

quinta-feira, dezembro 09, 2010

A tua sensibilidade

A tua sensibilidade
causa-me perplexidade.
Como pode alguém
ser, no mesmo passo, forte e sensível?
O passado persegue-te,
torna-te vulnerável.
Tento ajudar-te,
ajudar-te a renascer
das cinzas que povoaram os teus últimos 20 anos.
Entretanto, vou dizer ao mundo que te amo.
Posso, finalmente, dizer ao mundo que te amo...

C.P.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

A chama que me chama

A chama chama-me.
Ela és tu,
uma chama triste
que eu quero alegrar,
sentir por entre os meus braços,
dando-me conforto,
dando-me serenidade.
Continuarei a tentar alegrar essa chama
pois ela ajuda-me a percorrer a vida,
ajuda-me a saber quem sou.

C.P.

terça-feira, dezembro 07, 2010

O mar

Não sei se estava salgado.
Alterado, bravio,
sem dúvida, estava.
Não deixava, por isso, de ser o mar salgado.
Sei-o e sabem-no as gaivotas,
que, alinhadas, em bando,
se aconchegam junto a uma saliência da praia.
Há outras que preferem tirar partido do vento
que as fustiga
elevando-se no ar,
bailando nos braços do vento.
Como pano de fundo,
têm a imensidão do mar
que se espraia para além do horizonte,
agitado, bravio,
e, seguramente, salgado,
mar salgado.

José Cadima

segunda-feira, dezembro 06, 2010

49 Primaveras (II)


Outra imagem
(de perfil)
do aniversariante.
Quem imaginaria
que consegiriamos
chegar até aqui?
Tantas memórias!
.
José Cadima

49 Primaveras


Tantas memórias:
o meu avô, José Pedro;
o meu irmão, Sérgio Ribeiro;
o vermelho que, de passagem,
foi a sua cor;
a minha filha Joana Catarina;
1975;
o reencontro com o branco original;
os desencontros
e as coincidências.
Celebraremos juntos
quantas Primaveras mais?
.
José Cadima

domingo, dezembro 05, 2010

Noites em claro (II)

Não como.
Não durmo.
Não sinto, nem sonho.
Não vivo.
Deambulo em busca
do que me escapa.
E nas noites em que não durmo,
mato-me;
aos poucos, é certo, mas mato-me.
Arde-me o corpo.
São ácidos do passado.
É a embriaguez do futuro.

José Pedro Cadima

sábado, dezembro 04, 2010

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Rua de Leiria


É uma rua do centro histórico de uma cidade.
Neste caso, é Leiria, mas poderia ser uma qualquer outra cidade.
É, adicionalmente, uma rua com vida.
-
[Foto da autoria do Jornal de Leiria, obtida via Facebook]