sábado, outubro 16, 2010

sexta-feira, outubro 15, 2010

Pequeno curso de água e vegetação associada



Foto sem título,
sem referenciação de lugar
e de autor.
Foto, apenas,
de um pequeno curso de água
que não se sabe onde desagua,
mesmo presumindo que vá desaguar a algum lado.
Ainda assim,
uma pequena ribeira
cheia de vegetação.

K

quinta-feira, outubro 14, 2010

Vale a pena?

Há ocasiões em que me interrogo
sobre se vale a pena este labor, esta luta.
Há ocasiões em que me questiono
se é avisado o caminho que trilho
e, mais ainda, se valeu a pena
fazer o caminho que aqui me trouxe.
Há momentos em que me pergunto
se a valia da vida pode mesmo
ser avaliada "by the moments that take our breath away",
ao invés de ser " measured by the number of breathes we take”,
de penoso que é respirar.
Há momentos em que me interrogo
sobre o significado da palavra destino,
dando por certo que o meu destino
é fazer caminho, mais penosamente, numas ocasiões,
com maior alívio noutras,
sempre convencido de quão estreita
é a margem que tenho de auto-determinação.
De permeio, tento recordar-me
das ocasiões em que senti a respiração faltar-me
em razão da emoção do momento.
São estreitas as margens
do leito em que corre este rio.

José Cadima

São estreitas as margens

São estreitas as margens do leito em que corre este rio.

José Cadima

quarta-feira, outubro 13, 2010

sábado, outubro 09, 2010

Foi tarde

A Lua-cheia acordou cedo
e a Primavera correu para chegar a tempo.
Mesmo assim, foi tarde:
agora, tenho pouco,
quase nada para te dar.
Tempos houve
em que poderias ter tido a Lua.

José Pedro Cadima

sexta-feira, outubro 08, 2010

Auto-citação

Escassas, escassas mesmo em Portugal são a ousadia, a iniciativa, o sentido de projecto e a conformação de lideranças sociais e políticas que não sejam circunstanciais, que não olhem só para o umbigo.

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, outubro 07, 2010

Nazaré, meu amor!


Primeiro, fomos rumo acima,
em busca do Sítio.
A vista era arrebatadora.
Depois, rumámos abaixo,
e da Nazaré mirámos o cume.
Encontrámo-la cheia de gente simples,
cheia de gente cantante,
de sete saias rodadas.
O vento corria leve,
agitando-te o chapéu de abas largas.
Pena foi que nos faltasse o tempo
para nos deixarmos fluir por entre os veraneantes.
Pena foi que nos faltasse o tempo
para desfrutar do teu sítio, Nazaré.

K

terça-feira, outubro 05, 2010

Da Nazaré e do seu Sítio (II)





Por esta encosta acima,


lá vai o elevador.


Vai em busca do seu sítio,


logo estará de volta.


A Nazaré fica já ali,


a seus pés.



K

sexta-feira, outubro 01, 2010

Mais coisas do arco-da-velha

Cortes de cabos electrónicos, quadros eléctricos que disparam, isto é, que cortam o fornecimento de energia a certos corredores do edifício, controladores de aparelhos de ar condicionado que aparecem colados com colas rápidas, garrafas de água e de sumos espalhados pelos corredores do edifício, moedas de 5 cêntimos e papelinhos invocando certos direitos constitucionais atapetando corredores, portas que se fecham do exterior com professores dentro do gabinete e chaves mestras que desaparecem de portas onde ficaram esquecidas, funcionários que são atendidos de urgência no hospital apresentando quadros clínicos depressivos, bolas de vidro colorido que desaparecem de gabinetes de trabalho, pedaços enrolados de cabos electrónicos (recém-cortados de caixa multibanco instalada na instituição), que chegam a uma caixa de correio postal... Assim têm sido os derradeiros 15 dias numa Escola da UMinho bem perto de si. Que virá a seguir?
.
J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, setembro 29, 2010

segunda-feira, setembro 27, 2010

Jonkoping: pássaro
















Acordo e penso em ti, pássaro de fogo.
Acordo e penso em nós, aves negras.
Acordo e imagino-me bater asas e partir ao teu encontro, pássaro amarelo, azul, de todas as cores.

K

quinta-feira, setembro 23, 2010

Quero parar

Quero parar!
Quero seguir o meu caminho,
caminho distinto
do que me trouxe a estas paragens.
Quero parar, parar, parar
mas a inércia arrasta-me, impele-me,
deixando-me cada vez mais estreito
o umbral de arbítrio.
Anseio seguir por onde quero,
percorrendo estrada ampla,
liberta de sinais vermelhos.
Quero parar!
Quero retornar à utopia
que me trouxe a estes lugares,
que já não são de encontro,
antes são de desassossego.
Quero parar
para procurar caminho retemperador.

José Pedro Cadima

segunda-feira, setembro 20, 2010

Frases soltas, pensamentos soltos

Há ocasiões em que preciso estar só, para pensar, para ganhar ânimo, para me encontrar. Sobretudo, há ocasiões em que não quero que outros pensem que é a sua presença ou alguma coisa que fizeram ou disseram que me deixou com um estado de espírito que não entendem. Isso é o que me incomoda mais.

José Cadima

sábado, setembro 18, 2010

Um homem “de tantas faces, polemista por natureza e ofício [...]"

«Não sei a data certa em que trocámos as primeiras mensagens postais; não tenho rigorosamente presente em que anos esteve em Braga em fugazes visitas de trabalho, no quadro de um projecto de pós-doutoramento; sei que morreu em Junho de 2003, aos 56 anos de idade, “na plenitude da sua maturidade intelectual”, como escreveram os amigos que lhe organizaram um livro de homenagem póstuma, reunindo o essencial da sua obra escrita, “acabado” de vir a público, e que um amigo comum teve a gentileza de me fazer chegar há poucos dias. Falo de Dinizar Becker, um homem “de tantas faces, polemista por natureza e ofício, indignado, produtivo e combativo … neste momento de agudização de uma crise mundial, que provoca perplexidades sem respostas, sobre a qual Dinizar teria muito a dizer” [Desenvolvimento Contemporâneo e seus (Des)caminhos: a contribuição da obra de Dinizar Becker, Agostini, Bandeira e Dallabrida (Org.), UNIVATES, 2009, Lajeado, Brasil, p.25]. Em boa hora o fizeram. Estou-lhes grato pela homenagem que por essa via lhe prestaram em nome dos muitos amigos que teve em vida, entre os quais julgo poder incluir-me.»
.
J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, setembro 16, 2010

Vontade (II)

Vontade é voltar a escrever. Vontade é fugir à rotina; fugir...
Desgraçadamente, vontade de escrever é coisa que não tenho. Pior: não tenho mesmo vontade de outra coisa que não seja partir para longe, fugir…
E vendo a vida correr, sobressaltado, dou um salto: tau – bato com a cabeça no céu, que, não parecendo, estava ali tão perto.
É como ter vontade de voar e não ter asas, ainda que, neste caso, isso pouco importe porque nem essa vontade me assiste.
Fugir? Regressar? Fugir?

José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 14, 2010

Quem sou? (II)

Em busca de reconhecimento
sem nada ter feito.

Em demanda da linha do horizonte
não ousando apressar o passo.

Em busca do Olimpo
descrendo dos deuses.

Quero ser tanto na vida
que me esqueço de quem sou.


José Pedro Cadima

segunda-feira, setembro 06, 2010

Pelo mar dentro

Pelo mar dentro
tentámos ir.
Fomos até à ilha das pedrinhas,
ilha repleta de sonhos,
ilha repleta de símbolos.
Havemos de lá voltar um dia.
Um dia, havemos de lá voltar...

K

quinta-feira, setembro 02, 2010

Ele há coisas do arco-da-velha

Os leitores habituais terão sentido a minha ausência de vários meses das “páginas” deste jornal de parede. Não foi por vontade, já que sei bem a saudade que tal deixa nos meus leitores e, especialmente, nas muitas fãs que felizmente tenho, nem por falta de insistência dos seus editores no sentido de que eu vertesse aqui mais amiúde o que me vai na alma, que, lembro, são meus amigos de longa data. Faltou-me tempo e faltou-me, sobretudo, tema de análise, posta a acalmia, quase clima de romance, que se vive na sociedade portuguesa de há um par de anos a esta parte. É como se aquilo que alguns usam designar de “silly season”, referindo-se a certo período de cada ano (Julho/Agosto), se tivesse estendido por este período todo.
Conto, uma vez mais, com a benevolência dos meus caros leitores e queridas leitoras, à semelhança do que fazem os portugueses sempre que, em período eleitoral, acabam a referendar todo o rol de asneiras feito pelo governo em funções e pelos outros, tal e qual, que os antecederam.
Pois, dizia eu, a persistir este ambiente de romance que se vive na sociedade portuguesa, continuaria sem motivo de análise social. Não deixando de ser assim, por puro acidente, entrou-me hoje pelos olhos dentro um título que se encontrava na primeira página de um jornal de Braga e que, grosso modo (não memorizei rigorosamente as palavras empregues no jornal), dizia assim: “Sócrates inaugura Hotel Meliã”.
E o que é que isto tem de relevante a ponto de fazer o cronista saltar para esta trincheira? Perguntarão os meus caros leitores e as minhas queridas leitoras. Pois, o que tem de singular é o facto do referido hotel ter entrando em funcionamento há bem mais de um mês, conforme é bem notório perscrutando-o a partir da avenida que lhe é fronteira.
Incontestável que o hotel se encontre em plena operação há várias semanas, ocorre perguntar como é possível que tal aconteça sem que tenha sido previamente e solenemente inaugurado? Será que possível que tenhamos todos, os portugueses digo, ficado doidos? Ou isso aconteceu porque o hotel é parte de uma cadeia hoteleira espanhola e, portanto, estranha aos nossos bons costumes? E, a ser assim, ocorre-me adicionalmente questionar: e que costumes tem eles, os espanhóis? Não são gente civilizada e dada à bonomia, também?
Dito isto, perceberão os leitores e leitoras deste jornal de parede que eu não pudesse deixar de lavrar umas linhas dando expressão do meu desconforto e indignação. Bem diz o nosso povo, que ele há coisas do arco-da-velha. Pelo menos, que não fiquem sem registo, digo eu.

J. C.

terça-feira, agosto 31, 2010

Choro o que tenho que chorar (2)

Sinto que nada importa.
Sinto que tudo importa.
Por momentos,
apago-me do mundo.
Não choro muito,
nem choro pouco.
Choro só o que tenho que chorar.

José Pedro Cadima

quinta-feira, agosto 26, 2010

Tons preto e branco (II)

Cresce-se a pouco e pouco,
com saltos de permeio.
Viver é vibração, intensidade,
tontura, frustração, desapontamento,
muita frustração e alguma expectativa.
Momentos há, ainda, em que se sente
e não se entende
o porquê da música no ar.

É assim que eu vejo a vida,
embora talvez seja só eu que entenda as coisas assim.
Neste alvoroço,
vou aprendendo a abraçar as diversas almas
que me vão assombrando.

Em razão dos olhos que tenho,
é assim que eu vejo a vida.
Porventura, por serem tão escuros,
levam-me a que veja tudo ao som de música
e em tons preto e branco.

Se as imagens me chegam a preto e branco,
já a música é corrida,
“alegro” poucas vezes,
melancólica noutras vezes
e triste em muitas ocasiões.
Momentos há em que sinto
e não entendo
o porquê da música no ar.

José Pedro Cadima

segunda-feira, agosto 23, 2010

Longe e perto

Longe, outra vez,
fico mais perto de mim,
e com mais espaço para deixar fluir o pensamento.
Longe e perto, outra vez.
Que bom é partir!
Que bom é regressar!

Noutros tempos, partir era certeza
de evasão do quotidiano,
ânsia de chegar,
onde a sensação de diferente, de novo,
me permitia alcançar a serenidade
que o dia-a-dia me roubava.
Hoje, perdi essa capacidade de abstracção
e, talvez, a vontade de começar de novo.
Nos tempos que correm, encontro-me a espaços,
ausento-me esparsamente,
e sorrio mais episodicamente, ainda.

Talvez o sorriso que me reste sejas tu.
Talvez sejas tu a razão que me ficou para regressar
e, porventura, também para partir,
fazendo da viagem um ponto de encontro.
Longe e perto, outra vez.


José Cadima

quinta-feira, agosto 19, 2010

Pensamento do dia

É intrigante como, na Suécia, se vêem tão poucas "suecas". Porventura, nesta altura do ano, estarão mais a sul, a banhos.
.
José Cadima

sexta-feira, agosto 13, 2010

A impotência dos homens

Meus caros leitores, já todos sabemos que os homens são inferiores às mulheres, pelo menos, no que diz respeito à maturidade em termos emocionais e no facto de não conseguirem fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Recordo-me agora que o facto de não ligarem o hemisfério direito ao esquerdo do seu cérebro explica porque têm tanta dificuldade em fazer várias tarefas ao mesmo tempo, coisa simples para grande parte das mulheres, devido à facilidade com que fazem essa ligação.
Tudo isto a propósito de quê? Que coisa me passou pela cabeça, hoje, para me lembrar de tal insinuação?
É que já me sinto saturada de ver tanto fogo por todo o lado em tão pouco tempo! E nem se fala da saturação da impotência dos homens! Sim, porque ainda são eles que fazem as leis e dirigem o nosso país, de trela de rédea curta puxada pelo Engenheiro Sócrates!
Quase ao mesmo tempo da abertura dos saldos, eis que começou a época dos incêndios. Sei que não foram encomendados pelo nosso Governo, mas, que raio, porque carga de água, eu ouvi dizer há alguns meses atrás que os reclusos iriam limpar o mato lá para Agosto!? Sim, meus caros leitores, leram bem, em Agosto. E os que estão em casa a receber o Rendimento de Inserção Social, não poderiam ser obrigados a despender um dia por semana na limpeza das matas? Em Abril, Maio, claro está!?
Neste preciso momento, vejo que no telejornal da tarde, nos seus primeiros 28 minutos, só falam de incêndios! E o Governador Civil de Aveiro a dizer que há incendiários profissionais. Ora aí está uma bonita profissão de ser ter! E parte deles, mais amadores, até pegam fogo e depois vão ajudar a apagá-lo!
Caramba, ao fim de tantas décadas com fogos, só posso pensar que é grande a impotência dos homens!
No intervalo do telejornal, eis que vejo a campanha: Portugal sem fogos depende de todos nós! E num dos avisos aparece: Não lance foguetes! Mas o Governo Civil ou a autarquia não tem que dar o seu aval para eles serem lançados (os foguetes)?
Claro que só com impedimento formal os homens deixam de lançar foguetes! Não há festa que se preze no Norte de Portugal que não tenha uma festola em Julho ou Agosto e que a anuncie através dos foguetes! É que há que animar a malta e que outra coisa mais interessante se poderia fazer do que lançar foguetes às 9 horas da manhã de um Domingo ou à meia-noite de um Sábado?
Sabem o que fazia se mandasse? Prisão perpétua ou pena de morte para os incendiários!
Ainda assim não se conseguiria remediar a aflição espelhada na cara das pessoas, a perda de tantos bens e a morte das pessoas a que se tem assistido! Se eu mandasse…
.
Leonor

segunda-feira, agosto 09, 2010

Já valeu a pena!

Fecho os olhos
e, mentalmente, procuro os teus.
Fazem-me falta os teus olhos.
Faz-me falta sentir-te por perto.
Valeu a pena,
já valeu a pena
atravessar esse deserto
que se entrepunha entre nós.
É bom sentir esse teu olhar,
mesmo interrogativo, algumas vezes,
mesmo inseguro, outras tantas,
reconfortante, quase sempre.
Já valeu a pena
ousar questionar certezas incertas.
Já valeu a pena
deixar que me resgatasses à minha tristeza,
à minha segurança de muitos dias sombrios.
Já valeu a pena
cobrir-te de beijos,
ainda que só em vontade,
ainda que só em delírio mental.
Sentir-me amado faz diferença.
A vida assim vale a pena.
Fecho os olhos
e tento perceber-te para além das minhas lucubrações mentais.
Procuro imaginar-te tão real quanto o desespero
que algumas, muitas vezes me atinge.
Anseio o conforto das tuas palavras,
da tua presença.
Já valeu a pena!

k

sábado, agosto 07, 2010

Há muitos dias à espera…(2)

Há dias
em que não te vejo.
São dias tristes.
Há dias
em que te vejo só de fugida.
São dias que valem a pena.
Há dias
em que te tenho por perto.
São dias felizes.
Há dias
em que não te beijo.
São dias de espera.

José Pedro Cadima

terça-feira, agosto 03, 2010

Caramba!

"Caramba! Adoras malucas e estão cheio(a)s de inveja!!!!", comentava-me alguém, não vai para muito tempo, confrontado(a) com as reacções que encontrou às últimas mensagens publicadas neste jornal de parede.
Mas, a ser inveja, seria inveja de quê? Afinal, trata-se de um modesto jornal de parede, este. Vaidosas são só as palmeiras apresentadas abaixo, e outras que reproduzirei em data futura.

José Cadima

quarta-feira, julho 28, 2010

A proximidade do mundo real

Queria ver-te,
na irracionalidade do ser
que sou, sem direito
de contemplação da mera imagem.

É tamanha a proximidade
que não te alcanço.

Repreendo-me de olhar
para o inalcançável.
É pena de tortura
auto-infligida.

Distancio-me do real,
para um mundo solitário.

Afasto-me alheio a quem sou,
atormentado da impotência
daquilo que sinto.

Afasto-me,
respondendo ao chamamento da arte,
lapidando o sentimento bruto.

José Pedro Cadima

Flores da Madeira: sumaúma




domingo, julho 25, 2010

2 dias, 2 anos, 20 anos

Os homens são todos iguais, dizem as mulheres.
Todos iguais, mas todos diferentes, digo eu,
que, sendo natureza, sou chuva, sou sol,
sou tempestade, sou brisa suave,
sou mar encapelado, sou…, conforme o dia.
Como eu, também cada dia é portador de singularidade,
mesmo parecendo igual a tantos outros.
Tal qual eu, assim cada dia,
sendo diferente dos demais,
também tem muito em comum com outros dias.
2 dias, 2 anos, 20 anos, sejam mais ou menos,
a vontade de prosseguir caminho
não há-de esmorecer,
como não esmoreceu o apelo que me trouxe até ti
há 2 dias, há 2 anos, há 20 anos, creio,
não estando seguro de crer bem,
mas dando por certo querer-te muito.
Dois dias, “dois anos e continuo a subir”.
“Perto do cume”, sentir-te-ás mais tu,
“mais mulher”, dizes.
Perto do cume, serei natureza mais agreste,
vento mais tumultuoso.
Perto do cume, far-te-ei rodopiar, esvoaçar,
para te deixar pousar, depois, suavemente,
nos meus lençóis feitos de neve.
A partir do cume, havemos de formar riacho,
depois rio,
para, finalmente, virarmos oceano.

K

quinta-feira, julho 22, 2010

Rachar lenha

"Quem está (de) fora racha lenha!"

(dito popular escutado no início da manhã de hoje algures, em Braga)

terça-feira, julho 20, 2010

Saudades…

Ainda há pouco partiste
e a saudade já me assiste,
insistente, penosa.
Não devia dizer-to.
Não mereces, sequer, saber-me em sofrimento.
Que dizer-te, alternativamente?
Melhor seria não dizer-te nada,
mas não sei, não o quis calar,
porque é da minha natureza
não dizer nem mais nem menos do que sinto;
e não consigo dizer algo que não sinto.
Sinto que devo brindar à vida.
Sinto que a vida faz(ia) sentido contigo.
Sinto que tu eras um desafio para mim,
algo por descobrir, algo que me desafiava
a embrenhar-me floresta adentro.
Sentia tanto…
que, nalgumas ocasiões, mais parecia um explorador
de novos mundos.
Partiste.
Coortas-te a minha avidez
de me aventurar por mundos nunca antes navegados.
Foste, porventura, mais “maluca” do que te imaginei.
Queria-te maluca por me beijar,
maluca por me abraçar.
Queria-te a Cláudinha com que sonhei,
maluca por mim.
Falo-te da minha saudade,
crente que a saudade de mim
acabará também por tocar-te,
cedo ou tarde,
mas seguramente tarde de mais.

José Cadima

segunda-feira, julho 19, 2010

Sinto …

Sinto que nada importa.
Sinto que tudo importa.
Sinto que te quis muito.
Sinto que já não te quero.
Sinto que a tua ausência me deixa mais desamparado.
Sinto que perdi algo que me era precioso.
Sinto que nada tenho.
Sinto que nada importa.
Sinto…

José Pedro Cadima

sábado, julho 17, 2010

terça-feira, julho 13, 2010

Paranóia

A paranóia pega-se
como uma doença infecciosa.
É surpreendente o receio que tens
de quem olha para ti,
de quem te vê como és.
No que me diz respeito, ver-te
é bastante para me inspirar
expressões de carinho,
para me levar a querer acariciar-te.

Mas a paranóia pega-se,
e o meu receio
não é o teu
mas sinto-o como tu.
Aquilo que imaginas dos outros
quando te olham sem sentir
vejo-o em mim
quando marcas o silêncio.
#
Urge que acredites
que o arco-iris é mais que ilusão óptica.
Distante que pareça,
é possível abraçá-lo.
.
José Pedro Cadima

segunda-feira, julho 05, 2010

Expectativas

Nesta madrugada de insónia,
o piar dos pássaros nocturnos
dá bem sinal do meu desespero.

Sei de um futuro que não é o meu.
Acobardo-me perante a paranóia
que me leva a ter medo de ti.

Sou assim pelo insucesso
ou o sucesso é que me faz assim?
Sou assim pelo mal que me faz
o medo que esta situação me traz.

Existirá responsabilidade
quando tenho mais medo
de fazer algo que me dá gozo
do que de dar-me a luxos?


José Pedro Cadima

domingo, julho 04, 2010

Que sentimento estranho!

Escrito no Preto
[Que sentimento estranho
este de, ao mesmo tempo,
querer apagar-te da memória
e desejar correr para os teus braços!]

José Pedro Cadima

quinta-feira, julho 01, 2010

A menina dos cachos

Vou aqui contar uma história que para ti aparecerá como ficção. Os personagens sou eu, tu e todos os que nos rodeiam, pois não queria que fosse uma história em que tudo fosse mera especulação.
#
A multidão é um corpo cinzento onde os gestos se repetem até à linha do horizonte. As mesmas vivencias são assuntos de conversa entre os mais variados grupos que se espalham pela avenida. E lá no fundo vai a menina dos cachos, que saltita alheia às repetitivas histórias contadas nas esplanadas da avenida.
Os seus cabelos negros encaracolados caem-lhe pelos ombros de forma doce e fazem perfeita sintonia com o ar jovial que transporta. O dia é de sol nos seus olhos, mesmo que não o seja no céu, e o seu sorriso é quase ingénuo, tamanha a graça que carrega consigo para onde quer que vá.
Quando a menina dos cachos vira para a direita no fim da avenida, um rapaz que saía do café reconhece-a ao longe. Apetece-lhe correr para ela. Não corre. Podia confrontar-se com a vergonha de ficar, sem palvras, à sua frente; podia correr o risco de não ser capaz de lhe dizer o que quer que fosse. E logo num dia como aquele, igualzinho aos outros, em que ela parecia ter decido que o dia seria perfeito.
A menina continuou o seu caminho. Apressando um pouco o passo, desiste de sujeitar-se a tamanha vergonha. Ela tinha desaparecido da sua vista e podia assumir que não a voltaria a encontrar. Chegado à curva, não a vê. Era como se nunca lá tivesse estado. Perdeu então a oportunidade de a ouvir dizer “olá”. O olá que ele mais desejava ouvir nesse dia. Voltou a correr pela rua. Continuou a não a ver.
A menina dos cachos tinha virado à direita para dentro de uma loja três números a seguir à morada da porta da esquina. Tinha entrado para comprar chá. Procurava uma infusão em particular, uma infusão de uma flor de sabor doce.
O rapaz voltou então para trás, desiludido com o objectivo inseguro que a si mesmo tinha proposto. E se o coração alguma vez tinha batido por ela, batia agora pela desesperada corrida que tinha feita até ao final da rua. Não a encontraria na sua saída da loja. Ele olhava para o chão e ela retomara o seu percurso, agora em direcção ao outro lado da avenida.
A menina dos cachos entraria logo depois noutra loja do outro lado. Tratava-se de uma pequena loja de chávenas, onde procurava um par, um par de chávenas bonito, rústico, característico do que é habitual encontrar num palacete, mas de traço simples. Enquanto as comprava ao balcão, o rapaz passava por essa mesma rua, não olhando senão para o chão, alheado das coisas que os outros faziam.
O rapaz virou à esquerda na esquina seguinte, descendo a rua mais calmamente. Parou para ver a montra de uma loja de roupa, roupa já de adulto. Afinal, a sua juventude aparente nas acções desta história provinha do sentimento e não da idade.
A menina dos cachos desceria entretanto a mesma rua sem o ver. A multidão cinzenta distrai-a. Cruzou-se com um amigo, e logo depois com outro. Vê meia dúzia de desconhecidos, no meio dos quais julga reconhecer alguém, mas não era o seu companheiro de carteira do infantário, não era o seu vizinho, não era ninguém que reconhecesse. Segue caminho sem reconhecer mais alguém. Volta a virar à esquerda para ver se costureira havia acabado o seu vestido.
O rapaz fazia entretanto o caminho inverso. Vai em direcção à avenida. Olha o sol que aponta para horas de retornar a casa. Está sem saudades de casa. Resolve então ir para um café a meio da avenida. Fica-se pela esplanada, aproveitando a brisa que passa.
Entretanto, a menina retoma também o caminho de retorno. Ao passar em frente da loja das chávenas, volta a olhar certificando-se da sua escolha e desce a avenida.
...
...
...

[Na lógica dos enredos dos filmes europeus de há uns tempos, deixo-te a escolha do final desta história]

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 28, 2010

Inconsciência

Caminho ziguezagueando por entre os corpos intoxicados da multidão. O cenário com que me deparo é sinistro. Cruzo-me com seres cheios de poucas boas intenções e com muita substância ilícita na mente, nos olhos e nos bolsos.
Vem-me à memória a pouca consciência de indivíduos que afogam a sua sobriedade numa toca longe deste local. São os habitantes desses buracos na terra que transportam a mágoa até outros indíviduos, seres perdidos na vida, à procura do seu passado, um passado sem drogas nem alucinações.
Sobressalta-me este pensamento. Questiono-me se dêvo vertê-lo aqui e, por essa via, levar o sobressalto a outros. Aproveitando sentir-me leve, transporto ainda mais coisas. Se calhar é nisso que falho. Deveria ter feito um buraco no jardim e deixado lá tudo quanto me atormenta. Terrível momento este. Como é que a inconsciência dos actos pode ser fonte de conforto?
.
José Pedro Cadima

Agradeço-te

Agradeço-te o carinho e compreensão com que me tens tratado. Sei que não sou capaz de competir nisso contigo, nem um bocadinho.

K

sexta-feira, junho 25, 2010

Querer

Se alguém está contigo
é porque quer estar.

Naquelas noites em que estive com alguém,
esse alguém esteve comigo
porque não teve ninguém melhor
com quem partilhar a cama.

Não há melhor razão
do que a de querer.
Quem quer porque quer
vai ainda mais além.


José Pedro Cadima

quarta-feira, junho 23, 2010

Pesos e distâncias

Carrego todos os teus erros.
Transporto a inconsciência dos teus actos,
que hipoteca qualquer futuro.

E cada razão que me dás
para de ti desconfiar
é mais um peso que se junta
ao fardo que carrego dia após dia.

Quando me dizias
algo com cheiro de verdade
era apenas perfume.

Encoberta estava uma hipocrisia
que me dava direito a sermão.
Agora digo-te sem mentira
o quão hipócrita sou.

Entre nós dois
há um enorme salto.
Se da hipocrisia fizéssemos combustível
eu teria descoberto a América
e tu dado o primeiro passo na Lua.


José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 21, 2010

Predestinar

Acreditava que o que nos unia
era tanto quanto a distância
que prescutavamos olhando o horizonte longinquo.
Acreditava que respirávamos como um só,
que o mesmo coração nos movia!

Agora que a nuvem
que me toldava a visão se afastou,
dou murros nas paredes
com a fúria do ódio
que sinto por mim.
Preferia ter queimado
estes olhos com que te vi.
Será o orgulho parvo
que te levará para longe de mim.

Nas estrelas não há mais eternidade
que pareça alcansável.
A escuridão do céus
delimita apenas o que podemos ver.


José Pedro Cadima

domingo, junho 20, 2010

Memória: saudades ...

"Como é que te podiam vir as saudades a meio da tarde se estavas no trabalho? Não seria fome, antes? Provavelmente, confundiste uma e outra coisas."
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José Cadima

quinta-feira, junho 17, 2010

Espécime: apaixonado

Para um apaixonado,
os dias são tonturas,
deslumbramento
da quase-doença
que é a vida.

Veja-se no espécime
a esperança-desespero,
pão de cada dia,
um errante do destino
curvado por um peso
que carrega sem objectivo.
Comem-lhe as borboletas
de tudo o que se alimenta.
Não o visita o pestana
com medo que se pegue.

Seja ou não falha
na teoria da evolução,
o apaixonado ...
continua entre nós.


José Pedro Cadima

Lamento...

Lamento profundamente... Nunca tive uma vida fácil. Fui sobrevivendo com trabalho, muito esforço e espírito de sacrifício... Criei mecanismos de defesa. Obviamente que criei...
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K

terça-feira, junho 15, 2010

Consciência

As tuas palavras de amor
são tudo aquilo
em que sou incapaz de acreditar.

Desejo levado ao coração
sem fundo de verdade.
Uma força de vontade
que ilude o julgamento.

Até o teu olá me soa a mentira.
Não tens consciência
do que dizes.


José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 11, 2010

Esperar

Mais um momento à espera.
Logo a mim cuja paciência
não me apareceu com a vida
nem há-de aparecer-me com a paixão!

Talvez não me fizesse falta.
Se não faltasses tu,
não me restaria ninguém por quem aguardar!

Poderia navegar nos pensamentos
(independentemente do poder fazer agora),
mas feitios são feitios
e eu não fui feito para esperar!


José Pedro Cadima

quinta-feira, junho 10, 2010

O poder da vuvuzela!?

Meus caros leitores, venho falar-vos da tão badalada vuvuzela… Sim, daquela que nos tem entrado pelos tímpanos dentro nas últimas semanas, sempre que ligamos os televisores. Sim, as vuvuzelas que também já vamos ouvindo, aqui e acolá, nas ruas!
Depois do Scolari, que tanto pediu aos portugueses para colocarem nas varandas e janelas das suas casas a bandeira portuguesa, e de vários milhares de mulheres terem, em 2006, batido um record num dos estádios portugueses construindo uma enorme bandeira humana, eis que chega a mais recente descoberta – a vuvuzela.
Nós já sabemos que os portugueses são muito amigos do futebol, mas o que não adivinhámos é que eles iriam adoptar uma invenção de há vários anos, dos Sul Africanos, e que iriam esquecer tão facilmente a bandeira portuguesa.
Convenhamos que o acenar com a bandeira sempre era mais patriótico, mais colorido e o tocar/cruzar de duas bandeiras poderia até revelar-se promissor de um namoro entre dois donos de bandeiras. É que o encontro de duas vuvuzelas, convenhamos, não causa grande ambiente de romance, pois pior do que uma vuvuzela, são duas vuvuzelas tentando cada uma “tocar” mais alto do que a outra.
Ora, ficámos a saber esta semana que as vuvuzelas, mais especificamente, o som emitido por elas (se é que algum som emitem), pode causar diminuição da capacidade auditiva e já vários jogadores afirmaram publicamente que sentiram dificuldade em perceber a informação passada pelos colegas de equipa devido, pasme-se, ao barulho das vuvuzelas em campo!
Enquanto tento escrever esta crónica, ouvi, entretanto, mais uma vuvuzela a tocar na televisão. Gostava mais das bandeiras a esvoaçar nas janelas das casas e algumas até colocadas nos telhados das mesmas. Ou até do Quim Barreiros ou o Roberto Leal a cantar!
Como é que vamos aturar as vuvuzelas até ao fim do Mundial de Futebol? E se todos fizerem como a Galp Energia, que tanto a apregoa na rádio e na televisão? Carregar bem na vuvuzela antes do início de cada jogo!?... Por favor tirem-me deste filme!...

Leonor

terça-feira, junho 08, 2010

(In)transparência

O meu verdadeiro medo
esconde-se para lá do que compreendo.
Vejo como se comportam
e detalho sinais do ser.

Cada gesto que analiso
é uma futura visão
de um acto que toma lugar
para lá do que o tempo deixa transparecer.

Não fosses tu
barreira a qualquer vidência,
podia aperceber-me
dos sinais que gostarias de enviar.


José Pedro Cadima

domingo, junho 06, 2010

Círculo de horizontes

Corre para mim
que ver-te no horizonte
por altura do sol nascente
só me faz confusão.

Estás tão longe
e, ainda assim, visível.

Atormentas-me, rapariga.
Moves-te em circunferência.
Por não tombares para um lado,
empurras-me para longe.

Anseio cair,
esperando que dês a volta
no teu circular caminho...
e me encontres,
no horizonte do sol poente.


José Pedro Cadima

sexta-feira, junho 04, 2010

Um toque

Não tenho paz que me apazigúe a alma.
Resta-me esperar que me tragam algum conforto.

Por isso deambulo numa busca
de quem precise de ajuda.

Uso o tempo para encher de esperança
quem só dela se socorre.

Talvez um dia
me venham tocar na alma
e ela se transforme.


José Pedro Cadima

terça-feira, junho 01, 2010