Imagina só poderes ver os meus sonhos no meu reflexo. "Jornal de Parede" de José Pedro Cadima e de José Cadima
domingo, janeiro 24, 2010
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Sight*
Tem momentos penosos esta aprendizagem. É o custo da aproximação que prossigo ao transcendente, que não é já ali, tanto quanto desejava que fosse.
Vou no bom caminho, acredito. Vale-me a crença!
José Pedro Cadima
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Vidência
As visões do futuro
fazem com que nos arrependamos
de acções do passado.
A inércia dos erros
corta-me a fome e tira-me o sono.
As capacidades que tenho de nada me servem.
Os meus movimentos sugerem-se presos, vazios,
falhos de eficácia.
Ensaio seguir caminho,
temeroso do futuro,
desencantado do passado.
Anseio voltar a experimentar o repouso
de uma noite tranquila.
José Pedro Cadima
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Minha Querida Cláudinha
Sabendo-te uma doçura, custa-me mais deixar-te entregue a ti mesma e a toda a hostilidade que por aí grassa. Esse é, provavelmente, o nosso maior problema ou, pelo menos, o meu. Por outro lado, não desejo que te convertas no sobrevivente em que me constitui, mesmo porque, por esse caminho, haverias de perder muita da doçura que me atrai em ti. Talvez o escuro, a solidão, a mesquinhez, o vento, a chuva te assustassem menos mas que aconteceria à tua doçura? Prefiro-te assim, mesmo sabendo que a tua doçura é, provavelmente...
Um xicoração,
José Cadima
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Mensagens curtas, endereçadas
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Choraste
Lá se foi toda a minha raiva
e as palavras cruéis
que tanto queria atirar-te.
Lá se foi o pânico
que me suscitava a ideia de perder-te.
Porque me sinto vivo
quando cuido de ti?
Porque sou eu segundo
neste mundo em que tu habitas?
José Pedro Cadima
segunda-feira, janeiro 11, 2010
O nosso jardim
É o teu jardim
É o nosso jardim
Onde não vamos saltar
Não andamos de baloiço
Muito menos jogamos à caçadinha
No nosso jardim
Aventuramo-nos a apanhar lagartixas
A alimentar porquinhos famintos
A cortar a relva manhosa
E a observar os pardalitos que por lá passam
E divertimo-nos, sobretudo, a mirar
A mirar as Nossas plantas e flores
Uma das minhas prendas para o ano de 2010
É oferecer-te um jardim
Cheio de coisas com significado
Onde poderás ser o que tu quiseres
Menino outra vez, talvez…
C.P.
domingo, janeiro 10, 2010
Doente
e nem sei bem que doença me aflige.
Será o meu mal-estar resultante das emoções
que vou experimentando quotidianamente,
amargas, muitas delas?
Será porque erro quando julgo estar próximo do sucesso?
Ou vem-me a dor de sentir-me dilacerado?
Que estou doente, isso é certo!
José Pedro Cadima
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Momentos felizes: quem os não tem em falta?
muitos momentos felizes.
É verdade que muita da minha tristeza
decorre da falta dos momentos
que simplesmente não tenho
e me fazem uma falta imensa.
Quando me arrependo
de não os ter,
faço mal a mim mesmo.
Faço mal a mim mesmo, digo,
por saber que tenho todos aqueles momentos
que a outros fazem realmente falta.
José Pedro Cadima
domingo, janeiro 03, 2010
Gargalhadas amargas
e o que eu mais quero é sossego.
Se a agitação é própria do prazer que é a vida,
a tranquilidade não o é menos.
Sentir, sofrer, amar!
Eu sou só um,
e se a agitação me estimula
também me embriaga
e me tortura.
Na mesma medida em que anseio o frémito
desta Terra de oportunidades,
rejeito-lhe a inequidade,
a mesquinhez que grassa.
Daí que sejam amargas
as gargalhadas que por vezes liberto.
José Pedro Cadima
sábado, janeiro 02, 2010
Olhem para mim!
Amanhã vou partir tudo.
Vou desfazer a própria instituição que vos come.
Comer-vos-ei eu!
Olhem para alguém
que nem sabe o que tem.
Vejam o paradoxo
de quem sabe do que precisa.
É preciso ultrapassar a convencionalidade,
abraçar doenças deste século
como se de amor se tratasse.
Não foram senão os doentes
quem criou tudo isto.
José Pedro Cadima
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Enfarte em pleno Natal
Eu própria quase que senti um e os “outdoors” espalhados pela cidade até me ajudaram a fazer o diagnóstico, pois desde dor no peito até náuseas e dormência no braço esquerdo eu senti tudo nos dias anteriores ao Natal.
Claro que a azáfama do Natal foi a principal determinante. A correr para ali para comprar a prenda para a Helena…a correr para acoli a comprar as prendas para os filhotes… e mais para não sei onde para comprar as prendas para a Lili, a Zuzu, a Pipi e a Matri.
Tudo para que o dia 24 de Dezembro, junto do nosso marido e filhos corresse da melhor forma. Impecável, sem uma migalha no chão e dando um ar de dona-de-casa com o qual não nascemos, mas que os homens gostam sempre que vá no pacote, quando transmitem aos nossos pais que os vão aliviar do fardo.
E tudo para um momento que dura 5 minutos, o da troca de prendas. Prendas que, soube este ano, acabam, em grande parte dos casos, por serem trocadas. No dia 26 de Dezembro telefonou-me uma amiga dizendo que estava num Centro Comercial com a filha a trocar prendas e que era uma multidão de pessoas e fazer o mesmo!... Ou seja, o relógio que dei à Lili acabou por ser trocado por uma pulseira… Bem poderei estar à procura do mesmo quando estiver com ela que jamais o encontrarei… E o colar que com tanto carinho dei à Matri, será que já foi substituído?
Será o Natal um fiasco? Pensando bem, não o é. O ser humano necessita de ter momentos predestinados em que tem que ser bonzinho, pensar nos outros e dizer-lhes que gosta deles. Se calhar é o último reduto dos períodos bons.
O meu Natal foi especial este ano, pois tive maridão (que conheço há muitos anos) e filhotes que não reivindicaram muito. Até ajudaram a fazer os mexidos (que iam saindo sem sabor) e as rabanadas. O maridão, que não está habituado a estas lides, foi para a cozinha supervisionar as batatas e o bacalhau.
Que mais se pode esperar do Natal, esse período mágico que só pode ser ultrapassado pela passagem do ano?... Sim, daqui a pouco libertaremos energias quando entrarmos no novo ano, que se espera melhor do que o que está a findar.
Depende muito de nós torná-lo melhor… Um excelente 2010 e não se esqueça de se ir lembrando dos “outros” antes do próximo Natal…
Leonor
2009
Das descobertas e aventuras
De sacho e serrote na mão
Descobri o quanto a natureza
Nos pode surpreender
E tu foste o elo de ligação
2009 foi ano
De grandes tristezas
Que consegui superar
Contigo do meu lado
Dando-me a mão
Quando muitos me empurravam
Para o fundo do poço
2009 foi o ano
Em que te conheci verdadeiramente
O ano em que desabrochaste
O ano em que te tornaste criança outra vez
O ano das grandes surpresas
O ano em que disseste que me amavas
C.P.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Balanço de um ano sem história
2. Sem histórias para relatar, como pode o cronista cumprir o ritual do balanço do ano? Diferente seria se o cronista vivesse em Itália, onde o 1º ministro, para além de televisões e de dinheiro, tem bom gosto. É verdade que houve quem não lhe gabasse o gosto, mas sabe-se como há gente invejosa em todo lado; homens e mulheres não são nisso muito diferentes, embora o sejam noutras coisas, sobretudo quando se apresentam ainda bem frescos(as). Não merecia o nosso país ter um 1º ministro assim? Claro que merecia … Um país com uma história tão grandiosa …
3. É triste, de facto, que o cronista se confronte com a realidade de um ano que não deixa que recordar. Obviamente, um cronista que se preze tem que recusar-se a admiti-lo e, à falta de objecto, resta-lhe objectar, nem que para tal tenha que presumir que, em Portugal, há árbitros que têm simpatias clubísticas que lhes vão saindo, raramente ao acaso, juntamente com o sopro do apito. Mais grave seria, todavia, que se reduzissem encargos com salários de funcionários públicos para contratar no sector privado serviços que importam em idêntico montante financeiro. Porém, sabe-se que isso não ocorre em Portugal, nem poderia alguma vez passar-se dada a pobridade de ministros e demais dignitários de Estado que, com alguma sorte, hão-de chegar a administradores de empresas públicas ou administradores de grupos privados que têm como principal cliente o Estado ou na respectiva administração gente de boas famílias, isto é, comprometida com Portugal.
4. Vergado pelo peso da evidência, na iminência de fracassar na nobre missão de elaborar o balanço de 2009, resta ao cronista equacionar se é hora de deitar a pena ao chão (neste caso, não é necessária a toalha porque a haver alguma coisa para limpar são suores frios, que usualmente correm com pouca abundância) ou se, num golpe de asa, consegue descortinar uma qualquer coligação negativa da oposição, apostada em fazer fracassar um governo que se pretende de homens bons, já que é difícil aplicar idêntico qualificativo às mulheres que circulam pelos gabinetes ministeriais. Tarde que seja para chegar a tempo com o balanço do ano, importa acreditar que a segunda opção seja materializável. Que o cronista sofre, isso não oferece dúvida!
J. C.
terça-feira, dezembro 29, 2009
Vermelho-consequência
cobre-se quem dá importância
à própria ilusão da imagem.
São seres marcados nas pernas
com queimaduras de cera
e com os braços cobertos
de pêlos grossos, lilases.
Confundem-se com o real!
Confundem o real.
São seres de olhos vermelho-verde,
de lábios vermelho-rosa,
de faces num tom vermelho-azul,
e sem noção da relação causa-consequência.
Confundem-se com o real!
José Pedro Cadima
domingo, dezembro 27, 2009
O preto
É a ausência dela.
Mais um retrato de perfeição!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 74)
sexta-feira, dezembro 25, 2009
Sem cor
como se estivesse impedido de sentir.
Queria compreender o porquê
de tanta coisa que não brilha.
Queria correr em busca da perfeição
que me desse o poder de cativar.
Por trás desta máscara,
finjo todos os dias
que sou alguém com luz própria,
mas apenas reflicto o que quero ver.
Escondendo a fragilidade
daquilo que sinto,
nem arrisco denunciá-lo.
Fico-me por uma contemplação silenciosa.
José Pedro Cadima
terça-feira, dezembro 22, 2009
Noites em claro
Não como.
Não durmo.
Não sinto, nem sonho.
Queimo as pontas dos pés.
Rasgo as costas
numa superfície áspera.
Não vivo.
Deambulo.
E na noite,
na noite que não durmo,
mato-me;
aos poucos, é certo, mas mato-me.
Arde-me o corpo.
São ácidos do passado.
É a embriaguez do futuro.
José Pedro Cadima
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Tons preto e branco
enquanto viver é intensidade!
Sente-se e não se entende
o porquê da música no ar!
Talvez seja só eu que entenda as coisas assim.
Vou aprendendo a abraçar as diversas almas
que me assombraram até aqui.
É dos olhos que tenho, porventura,
que, por serem tão escuros,
levam-me a que veja tudo ao som de música
e em tons preto e branco.
José Pedro Cadima
quarta-feira, dezembro 16, 2009
Tu e eu
tuas palavras, afónicas;
teu toque, inexistente…
Meu pensamento, frustrado;
minhas lágrimas, dolorosas;
meu sentimento, tristeza…
Tu e eu!
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 67)
domingo, dezembro 13, 2009
Hora da escrita
comecei a escrever os meus textos
com horas de registo.
Não interessa, não importa
em que dia foi.
Não importa os dias já que são iguais,
um após outro.
Interessa-me sim a hora
porque, assim, lembrar-me-ei
aonde se situava o Sol e a Lua
no momento da escrita,
especialmente da Lua.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 89)
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Apreciação
Fecho os olhos para deixar o vento acarinhar-me!
Hoje não se encontram deuses ou deusas no céu...
Vou dormir sem pesadelos
porque as nuvens se enrolam
umas nas outras com naturalidade e paz.
Lá fora cheira a frio!
- como refresco de maus momentos.
No interior cheirará a quente,
como o próprio desejo.
Aproprio-me de um sorriso
que algum deus deixou para trás.
Ninguém pode roubar
a beleza simples da noite.
José Pedro Cadima
terça-feira, dezembro 08, 2009
Vontade
Desgraçadamente, vontade de escrever é coisa que não tenho. Pior: não tenho mesmo vontade de nada.
E vendo a vida correr, sobressaltado, dou um salto: tau – bato com a cabeça no céu.
De alguma forma, é como ter vontade de voar e não ter asas.
Entretanto, neste caso, isso pouco importa porque nem essa vontade me assiste.
José Pedro Cadima
sábado, dezembro 05, 2009
Erasmus Madrileño
A minha escolha foi a Universidade Carlos III, em Madrid (UC3M). Sem sombra de dúvidas, uma das Universidades mais prestigiadas e internacionais que um aluno de Economia da Universidade do Minho poderia escolher para fazer um intercâmbio Erasmus.
Dia 1 de Setembro saí de Braga, que possui 176 154 habitantes, e fui para Madrid, que possui 3 232 463 (tendo a província aproximadamente 6 milhões, no seu todo)! Caminhei pelo longo aeroporto para apanhar o metro, para poder de seguida apanhar um comboio que me levaria até ao autocarro que podia apanhar para, finalmente, ir até ao local onde iria viver durante o período de estudos em Madrid.
Dias depois realizava-se o evento de boas-vindas aos alunos Erasmus. Estava muito bem organizado. Aí foram distribuídos os documentos necessários, como o guia da instituição, documentos comprovativos do estatuto académico, formulário com o plano de estudos e o cartão de estudante. Seguimos logo após para uma sala onde nos explicaram todos os serviços que tínhamos ao nosso dispor, em caso de necessidade. Foi nessa ocasião, também, que nos inscrevemos para termos aulas de espanhol e que acedemos a alguns dados sobre a Universidade.
Ao que consta, a Carlos III enviou este ano, no âmbito do programa Erasmus, 600 alunos! E, pelo tamanho do auditório, recebia pelo menos uns 300. Depois do breve momento de saudação do Reitor, subiram a palco estudantes que faziam parte da ESN (Erasmus Student Network), que nos falaram um pouco dos seus Erasmus e de tudo o que iríamos ver e fazer com eles durante o semestre todo, incluindo as festas que organizavam.
Ao sair do auditório, fizeram-nos uma visita guiada, onde ninguém queria saber o que realmente estavam a dizer porque toda a gente dava preferência a travar conhecimento com os seus novos colegas internacionais: de onde vinham; porque tinham escolhido Madrid para fazer o seu Erasmus; em que curso estavam.
No contexto do intercâmbio Erasmus, toda a gente vem com vontade de conhecer novas pessoas. Basta meter conversa para descobrirmos o quão interessante pode ser a comunidade que nos rodeia. No fim-de-semana seguinte foi organizada uma “gincana” onde percorremos a cidade, competindo em diferentes provas e, claro, conhecendo mais e mais pessoas na mesma situação.
Desde então conheci muitos alunos que assistem às aulas comigo. Por outro lado, fui sempre conhecendo novas pessoas nas festas que ocorrem em metade dos dias da semana, e até conheci outros estudantes na própria cantina da Universidade. Devo até confessar que fiz bons amigos, dalguns dos quais vou sentir a falta quando regressar a Portugal. Entretanto, para que estes laços criados não se percam com a distância, combinámos já coisas para depois do términos do nosso programa Erasmus.
Aqui estão algumas ideias sobre aquilo que eu considero importante para quem está a pensar participar no programa Erasmus:
i) é importante escolher um sítio que nos fascine minimamente, isto é, que queiramos conhecer, para além de querer aprender a língua local;
ii) o grau de reconhecimento internacional da Universidade é igualmente de levar em linha de conta, porque há que lembrar que o período de estudos Erasmus faz parte do nosso plano de estudos e é preferível usar esta oportunidade para aprender com alguns dos maiores especialistas da área; faço notar que isso também terá peso no nosso curriculum;
iii) há que escolher uma cidade com alguma dimensão internacional, já que temos de aproveitar para conhecer uma quantidade vasta de culturas e pessoas com as mais variadas vivências;
iv) para enfrentar os desafios que nos coloca o programa Erasmus, é preciso sempre ter algum espírito aventureiro e ser sociável; isto vai permitir conhecer muita gente interessante, fazer amigos, ter experiências totalmente novas, propiciar diversão quanto baste e aprender alguma coisa!
José Pedro G. Cadima
quinta-feira, dezembro 03, 2009
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Voando sobre um ninho de "locos"
Já vai longe o tempo em que as viagens de avião eram sonhadas com algumas semanas de antecedência. Já vai longe o tempo em que a experiência de voar era excitante. Até o check-in se fazia de forma pausada e descontraída.
O que vos vou contar a seguir é, no mínimo, surrealista. E estou vivendo-o neste preciso momento. Estou fazendo uma viagem de avião de mais de 12 horas de voo no total. Primeiro reservaram-me uma belíssima surpresa quando ia embarcar de regresso a Portugal e, julgava eu, regressar para a minha adorável casinha. Depois de 3 horas na bicha para o check-in e de 5 horas sem comer, eis que fico a saber que sou a feliz contemplada com 600 euros, porque já não havia lugar no avião para mim. Não sei como reagirá uma mulher obesa a tamanha afirmação...
Eu, apenas perguntei como era possível saberem que havia peso a mais no avião! Responderam-me que os americanos levavam muita bagagem de regresso. Claro que era um dos muitos truques usados para não proferir a palavra "overbooking", tão em moda na actualidade e que revela uma dedicação muito sentimental da companhia aérea para com os passageiros...
Hoje, ao embarcar, depois de ter insistido que era umas das do "delay" de ontem, acabou ocorrendo o mesmo com vários outros estrangeiros. Um grupo de 27 franceses tinha sido separado, tendo ficado 10 deles em terra. Mais outro overbooking, mas desta vez fiquei sem saber se o problema seria do "peso" do avião. Engraçado foi ir de volta para o
mesmo hotel (a 20m do aeroporto) e ver as mesmas caras de 3 horas antes, desta vez, surpreendidas com o meu regresso.
O bónus foi de uma dormida, um pequeno-almoço e um almoço, pois voo só no dia seguinte, dali a 24 horas de distância.
São 22h30m do dia seguinte e depois de ter comido um requintado jantar a bordo, igual ao habitual (juro que já começo a ter um fetiche por estas comidas a bordo), eis que sou brindada com um ressonar, no quadrante sudoeste, que sei que me vai acompanhar até Madrid.
Olhando para o homem, juro que me apetece meter-lhe uma rolha naquela boca aberta, que vai manter desperta grande parte da gente que vai a bordo. Depois são as interessantes bichas para a casa-de-banho, pois ninguém quer fazer chichi nas calças em pleno voo e durante a noite.
Algum tempo após reparo nalgumas jovens alemãs, de pés ao alto e deslindo alguns olhares masculinos fixados nos pés descalços das mesmas. Até às 23h30m ainda achei graça a tanto entusiasmo, mal eu sabia do martírio a que estaria sujeita. Até às 3 e trinta da manhã passaram o tempo rindo, falando e andando… Depois de um “Shuuuu” que não deu resultado, eis que ganho coragem e vou ter com elas e, em tom ameaçador, digo-lhes para se calarem. Deu resultado, mas mal eu sabia que dali a 25m as hospedeiras iriam ligar as luzes, na sua maior intensidade, e perguntar-me que pequeno-almoço desejava. Dali a 1h30m chegaríamos a Madrid e teríamos que adiantar os relógios 7 horas. Que dizer? Nada, infelizmente não havia nada a fazer!... São os tempos pós-modernos que temos! As cobiças dos que vivem nos países menos desenvolvidos. "Carai", que também quero ser menos desenvolvida!...
Leonor
segunda-feira, novembro 30, 2009
Introspecções…
Entre sermos nós, autênticos, com as nossas qualidades e defeitos, ou sermos outros, para consumo externo, para sermos "agradáveis" e convenientes com terceiros, prefiro a primeira opção, sob pena de nos sentirmos insatisfeitos connosco, o que resulta na maior das amarguras que se pode enfrentar. Sendo assim, importa apenas que estejamos atentos à sensibilidade dos nossos interlocutores, sem deixar de sermos nós, o que é um exercício muito difícil.
José Cadima
domingo, novembro 29, 2009
Atitudes
com que cubro os meus defeitos,
a máscara que esconde quem verdadeiramente sou.
Viste a brincadeira que faço das coisas mais sérias
e me abstrai das muitas coisas que me magoam.
Porque faço de mim um ser descontraído
quando até no coração sinto um aperto?
Porque mostro tanta felicidade
mesmo quando estou deveras preocupado?
A resposta não me vem da mente
nem do coração.
É como um medo instintivo que não controlo.
Quero dizer coisas que não digo.
Quero não deixar transparecer impulsos que não controlo.
Quero alimentar impulsos que me protejam.
Ando a proteger-me de quê?
Do mundo? De ti? De mim?
José Pedro Cadima
sexta-feira, novembro 27, 2009
Já valeu a pena
E procuro os teus
Sinto-os no olhar de menino
Ainda tão presente em mim
Já valeu a pena
Sentir esse olhar
E olhá-lo com alegria
Já valeu a pena
Sentir as tuas mãos
Cada vez mais ousadas
Alimentando-se do meu corpo
Resgatando-o só para ti
Já valeu a pena
Cobrires-me de beijos
Sentir-me amada assim
A vida vale a pena
É pena é que tenha um fim
Saberia condimentá-la
Saberia conduzi-la
Até ao teu amor sem fim
Que tanto vale a pena...
C.P.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Será já amanhã!
pergunto ao silêncio que me rodeia,
por onde andas tu
que não te enchergo.
E o vento diz-me
que andas longe,
longe dos meus braços,
muito para lá da urgência
que tenho de te apertar contra o meu peito.
Escutando o silvo do vento que corre,
vem-me à lembrança
a tristeza do teu rosto
no instante do adeus,
que não era maior que a minha,
que talvez se sugerisse melhor escondida.
São as voltas das nossas vidas,
que nos juntam
mas também nos apartam, por vezes,
muitas vezes, mesmo quando achamos
que não é tempo de partir.
Fica-nos a esperança do regresso.
Fica-nos a ânsia de um abraço
e, sobretudo, dos teus abraços.
Será amanhã, meu amor,
já amanhã!
José Cadima
quarta-feira, novembro 25, 2009
Amo!
Amo!
E de repente todo o sangue,
todas as lágrimas
formam lindos rios
de palavras e frases
que até então eu não conhecia.
Os mortos já não andam...
Pelo menos, os mortos com coração,
pois sem coração todos andam,
até mesmo os mortos.
José Pedro Cadima
(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 51)
terça-feira, novembro 24, 2009
Naturalmente Seduzido (2)
O que tu vês é a imagem de alguém que não sou eu. Trata-se de uma máscara que criei e que nem aos que me estão próximos lhes permite entender o meu verdadeiro estado de espírito.
Sou capaz de tudo, a fingir, até que suporto a tua presença sem te desejar!
Vagueio com os olhos pelo espaço que me rodeia, tentando não me focar em ti, tentando não me relembrar do quanto gostava de contemplar os teus traços, os traços pelos quais realmente me tinha apaixonado e que nunca ousei confessar-te.
Perco-me nas palavras. Vou por caminhos que não existem. Tudo para não te dizer o que realmente quero dizer. Busco tema após tema. Finjo-me superior; finjo-me especial. É do nervosismo que me incutes.
Sou incapaz de te magoar. De ti, vinha-me uma paz que me deixava confortável. Porque achas que me conseguia manter calado e carinhoso quando estava na tua presença? Bastava-me um leve mimo teu para me dar conforto num mundo que eu encontro hostil e de que preciso proteger-me.
segunda-feira, novembro 23, 2009
Imagens de um passado tão longínquo que se duvida ter existido: Maio de 1974
?, ?, Gabriela Cadima, Rafaela Santos, José Cadima,?, Fernanda Gonçalves (Gita)
Fonte: http://semprealunosdeleiria.blogs.sapo.pt/
domingo, novembro 22, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
sexta-feira, novembro 20, 2009
Manual do Doentio
É cera quente que se deixa cair de velas acesas. São chapadas dadas na pele tenra. São as nódoas negras de socos nas costas. São marcas de cordas com que se envolvem os pulsos. Acresce o sangue que escorre de lábios mordidos, de agulhas espetadas nas solas dos pés. Soma-se, ainda, as coxas pisadas por joelhos de outros ou a água gelada vertida nos órgãos sexuais, capaz de levar às lágrimas. Soma-se um sem fim de coisas, de raízes de cabelo irritadas por puxões e outros maus-tratos até às privações de oxigénio, por asfixia.
Até que ponto pode ser-se…
José Pedro Cadima
quarta-feira, novembro 18, 2009
Novas de Madrid que não falam de Cristiano Ronaldo
Vou fazer uma viagem a Praga aproveitando um feriado de 2 dias que vai haver aqui em Espanha. No período de 2 a 8 de Dezembro, irei visitar uma amiga que está lá no programa Erasmus. Os gastos em que incorrerei serão mínimos.
Eu tenho 6 dias de fim-de-semana nessa semana! Nunca tenho aulas nas quintas e sextas. No sábado e domingo também não, e depois vêm os tais dois dias de feriado!
Vou praticamente a todas as aulas. Raras vezes falto.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
terça-feira, novembro 17, 2009
Adoro a chuva
Adoro escutar o som do metal
matraqueado pela água que cai.
Nestas semanas depressivas,
chorar acaba por trazer-me alívio;
chorar permite-me atirar para poças de água turva
os sentimentos que trago enrolados em mim.
É como aquelas músicas pesadas que nos embalam
e, ao mesmo tempo, nos levam para longe do conforto.
Adoro ouvir a chuva cair.
Nessa altura, o mundo lá fora
torna-se tão real quanto a dor que suportamos.
José Pedro Cadima
sábado, novembro 14, 2009
Histórias de carteiristas
“Um grande empresário português marca uma audiência com José Sócrates, na Residência Oficial do Primeiro-Ministro.
Enquanto aguarda, encontra Armando Vara que o recebe com muitos abraços.
Quando é recebido pelo Primeiro-Ministro, sente falta da carteira e resolve abordar o assunto com o PM:
- Não sei como lhe hei-de dizer, Senhor Primeiro-Ministro, mas a minha carteira acabou de desaparecer!
E continuou: …”.
2. Esta “estória” é elucidativa do sentido do humor de que falo, não é? Depois de escutá-la, quem não comungando da mesma idiossincrasia colectiva seria capaz de suspeitar que o PS foi ainda há poucas semanas o partido mais votado pelos eleitores nacionais? Concordo que a circunstância de o cidadão eleitor se confrontar com a alternativa de votar numa avozinha sem graça e sem sentido de humor também ajudou, mas que é preciso ser muito masoquista para rir com desgraça tamanha lá isso é.
3. É essa mesma peculiaridade de que vos falo que faz com que a comunicação social se refira a Teixeira dos Santos como constituindo um dos maiores “esteios” do governo em funções depois de não há muitos meses ter sido classificado pelo jornal “Finantial Times”, segundo creio, como um dos piores ministros das Finanças da União Europeia, e o pior da Zona Euro. Vale aqui o carácter independente da avaliação, porque se se fosse a atender aos 4 anos de discurso da tanga do dito e ao respectivo contributo para que a economia portuguesa mantivesse o rumo que lhe vinha de trás, desde os anos iniciais da década, de inquestionável anemia e ausência de orientação, a classificação do dito ministro só poderia ser bem pior; porventura, 69 lugares mais abaixo. Os portugueses são gente piedosa, entretanto, e dotada de um peculiar sentido de humor.
4. E já que falo de sentido de humor, deixem que vos conte uma “estória” que me chegou por via electrónica nos últimos dias e que fala de carteiristas. É assim:
“… Reconhecendo a sua carteira, o empresário comenta:
- Espero não ter causado nenhum problema pessoal entre o Senhor Primeiro-Ministro e o Dr. Armando Vara.
Ao que José Sócrates responde:
- Não se preocupe! Ele nem percebeu!...”
J. C.
sexta-feira, novembro 13, 2009
Mimo
Primeira tentativa: aproximo-me (dá-me um beijo!) e pouso a cabeça no teu ombro. Contorno os teus traços com uma mão, desviando com a outra o cabelo do teu pescoço. Beijo-o carinhosamente enquanto forço os teus lábios na minha direcção.
Não resulta. Para onde fugiste que não te consigo alcançar?! Não será por isso que desisto.
Segunda tentativa: encosto a minha face à tua. Sem abrir os olhos, dou-te um primeiro beijo na cara. O frio do meu nariz faz-te arrepiar. Mas o cristal dos teus olhos mantêm-se espelhando o meu olhar... (abraça-me!)
Terceira tentativa: sem desistir, interpelo-te pelo toque que me anuncia: sou eu e quero-te. Devagar, desço o meu dedo com um leve acarinhar na cana do teu nariz. Volto a aproximar os meus lábios de ti para um leve beijo na testa.
Tu acordas. Abres os teus olhos perfeitos - Que se passa?
- Nada meu amor, é só um mimo!
quinta-feira, novembro 12, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
Numa escala
quanto te assustaria
se te escrevesse um poema?
Achar-me-ias tolo?
Ver-me-ias como obsessivo
ou chamar-me-ias “poeta”?
Numa escala de zero a vinte,
quanto te afastarias
se te escrevesse um romance?
Incomodar-te-iam os meus mimos?
Ser-te-ia pesada a minha presença
ou acharias “romântico”?
Numa escala só tua,
quanto te intimida o meu contacto físico?
E quanto temes um beijo meu?
José Pedro Cadima
segunda-feira, novembro 09, 2009
Compreensão
pela simples repreensão dos meus actos.
A culpa que me é atribuída
envergonha-me.
Dá-me o desconforto de me olhar ao espelho
e não encontrar o que queria.
Sinto a dificuldade de deixar fluir os meus sentimentos
e, simultaneamente, alcançar a perfeição.
Nessa escolha,
vejo dois caminhos para a felicidade,
sem que compreenda
se realmente, nalgum momento,
serei capaz de olhar no espelho alguém feliz.
Desculpar-me pelo que sinto
não seria mais que cobardia.
Não posso moldar-me ao teu desejo
quando não existe compreensão na alma.
José Pedro Cadima
domingo, novembro 08, 2009
Pergunto e não encontro resposta
pergunto ao silêncio que me rodeia,
pergunto aos meus pensamentos que se atropelam
de tão velozes correrem,
porquê? Porquê? Porquê?
E como resposta recebo
o silvo do vento que corre,
o alvoroço do silêncio que me envolve,
um atropelo maior dos meus pensamentos.
De tão perto que quase lhe toco,
chega-me a tua angústia,
a tua dúvida de ser correspondida
num amor que te apanhou de surpresa,
mesmo se a tua surpresa
acabou por não exceder a minha.
Que fazer com esse amor?
Que fazer com este silêncio
que tantas vezes me acalma
e noutras se me oferece tão violento?
Pergunto ao vento que passa,
porquê? Porquê? Porquê?
E o vento não me dá resposta.
E o vento não me traz de volta
o amor sereno com que sonhei.
E o vento não te traz de volta para mim.
José Cadima
sexta-feira, novembro 06, 2009
O medo do desespero
e com ela afasta-se a sobriedade
de pensamentos.
O desespero
possui uma certa magia,
mas é como a água:
dela ninguém respira.
O que mete medo
é vir a sonhar com ele.
Será que serei eu quem sonha
ou será ele a sonhar comigo?
E quando me vir no sonho,
o desespero fugirá?
Sentirá o medo
que eu sinto dele?
José Pedro Cadima
quarta-feira, novembro 04, 2009
Dificuldade
que o poeta deseja sentir
é paixão.
O amor controla-se,
mas a paixão
queima até a ponta da caneta.
A última coisa
que o poeta deseja
é ser como pedra de calçada
em pleno inverno.
A última coisa
que o poeta deseja …
José Pedro Cadima
terça-feira, novembro 03, 2009
O bêbado telepata
um bêbado, aproximando-se, anuncia:
"A ela vou transmitir
pela minha boca os teus pensamentos".
Foi então que o bêbado
revelou mesmo o poder da telepatia:
com maior coragem que a minha,
declamou, com rigor e fluidez,
palavras que gostaria de te dizer.
O poema saía numa voz de experiência feita,
com um encadear de palavras quase perfeito.
E eu que nem sóbrio e apaixonado
passá-las da mente para a minha boca consigo.
José Pedro Cadima
sábado, outubro 31, 2009
Ingénuo
Reparo, em especial,
naquilo que não posso compreender
mas julgo entender o que é,
como funciona.
Mas sou ingénuo:
colocado que estou
do lado de fora da caixa,
ignoro por completo
a sua dimensão interior,
quer dizer,
a razão de ser das coisas.
José Pedro Cadima
quarta-feira, outubro 28, 2009
Demónio vazio
vazio,
retirada que me foi a alma
por uma queda dada de uma altura
que só de nela pensar já assusta.
Estou, assim, sem espaço
para sentir aquele sofrimento miúdo
que me podia despertar para a vida.
José Pedro Cadima
segunda-feira, outubro 26, 2009
Existência
que estou aqui e respiro.
Ela responde-me
que não sou ninguém.
Digo-lhe que em frente
sempre tenho caminho.
Ela diz-me que coragem
me falta para o percorrer.
- Pois então irei conquistá-la!
A existência admite:
- Pois, não tens nada a perder.
José Pedro Cadima
sábado, outubro 24, 2009
O silêncio
O silêncio pode marcar-nos
O silêncio pode deixar-nos confusos
O teu silêncio é atraente
Quando me beijas
Quando me seguras na mão
Quando me tocas
Mas o teu silêncio
Não me diz para onde queres ir
Não me diz que caminho queres trilhar
Gosto e não gosto do teu silêncio
Quando deixarás de ser tão silencioso?...
C.P.
quinta-feira, outubro 22, 2009
Andar
Um passo para a frente,
dois passos para trás.
O cansaço é uma constante,
sempre a baralhar-me o dia-a-dia,
distanciando-me de ser livre,
afastando-me do ser.
Cinquenta para a frente,
mil para trás,
maldita a hora em que comecei a andar!
José Pedro Cadima
Louco
Encontro-me perdido em Madrid
por alguém
que só por mero acaso conheci.
Não é normal
sentir este desejo:
querer agarrar-te pela cintura;
querer sentir-te contra mim...
Não me imaginava
a sentir nada disto.
Nem preparado vim:
deixei a coragem em casa.
José Pedro Cadima
terça-feira, outubro 20, 2009
A hell of a night
we do friends stuff.
When I was with my girlfriend,
we did relation stuff.
When I’m with you,
we don’t do nothing amazing:
we don’t fuck;
we don’t make love;
we just talk or dance.
But it’s always
a hell of a night!
José Pedro Cadima
domingo, outubro 18, 2009
O rosário e o santinho
José Cadima
sábado, outubro 17, 2009
Equivalência/Equilíbrio
A equivalência existe
e não se pode ter tudo.
É a justiça,
macabra, mas é.
Era viver para ti
ou viver por mim.
Ter memórias contigo
ou ter memórias próprias.
Atingir o caos
que é viver
ou saborear a paz
que é a inércia.
ou não fazer nada e ser feliz.
Ambas, presas a mim mesmo,
uma com vontade,
outra sem vontade.
Mas, com ou sem vontade,
há a equivalência da paz e do caos
e, no fundo, é só isso que eu sou.
José Pedro Cadima
sexta-feira, outubro 16, 2009
Quando a realidade ainda é capaz de surpreender
2. Falando-se do deitar por terra de “dinossauros”, o contraponto a Barcelos esteve num seu município vizinho, onde porventura a falta de uma barba de tonalidade branca poderá ter feito alguma diferença. As más companhias de que “o candidato da oposição” se rodeou também não terão ajudado muito. Permanece a esperança que a renovação dos modelos de governação e de construção de cidade não tenham que aguardar mais 4 anos. Confirma-se assim que o povo ser sereno nem sempre é uma grande virtude.
3. Um pouco mais acima, em Viana do Lima, que depois foi do Castelo (mesmo não o tendo), também houve mudança, felizmente. O que é curioso neste caso é que foi o partido do homem que estava no poder que não esteve mais para aturar as birras e o umbiguismo de quem havia colocado na Câmara Municipal há uns quantos anos. É a excepção que confirma a rega. A excepção exprimiu-se no gesto de bom-senso do partido, coisa que se sabe bem arredia da prática política das estruturas partidárias nacionais, de um modo geral.
4. Já fora do Minho, na sua fronteira sudeste, também houve novidade bastante: nada mais nada menos que a queda da Fátima de Felgueiras, especialista em sacos azuis, fugas para o Brasil e penteados armados (não confundir com armaduras). Era uma heroína “do povo”, verdadeira Maria da Fonte dos nossos tempos, armada de varapau e truques de magia. Ficou a saber-se que as heroínas também se abatem, à medida que, expostos ao sol, os sacos vão perdendo a sua tonalidade original e os penteados armados se vão desmanchando.
5. Dizem-me entretanto que a verdadeira festa está guardada para daqui a 4 anos, quando a lei do limite de mandatos começar a produzir os seus efeitos. Não sei se estarei cá para festejar, mas que gostava de festejar, gostava.
J. C.
quinta-feira, outubro 15, 2009
Os meus defeitos
que me colocaram neste pedestal,
olhando de cima o mundo.
E é dele que vos vejo a todos
aí, abaixo do que é a vida.
Pobres miseráveis
que se juntaram a Atlas!
José Pedro Cadima
quarta-feira, outubro 14, 2009
Ver-te partir
Faz-me sentir
Faz-me pensar
Faz-me calar
A vontade que eu tenho
Cada vez mais vontade
Uma vontade que não te conto
Mas que tu sentes em mim
Partes com um ar incomodado
Não sei se o entendo
Tens vontade de ficar, mas tens que partir?
Ou tens que partir, porque não queres ficar?...
C.P.
terça-feira, outubro 13, 2009
Ponderando movimentos
mas pondero o momento.
Sei o que sentes e compreendo-o.
Não faz muito tempo, sentia algo idêntico.
Por isso me demoro.
Demoro por saber que não te fará melhor
a entrada em palco
nesta história complicada.
Espécie de vidas “Shakespeareanas”,
repletas da tragédia de cada um:
tu presa numa paixão passada;
eu ponderando movimentos,
restringindo-me neste novo impulso,
abstenho-me de te dizer o quanto és especial.
José Pedro Cadima
domingo, outubro 11, 2009
Agora que a Manuela é já definitivamente passado
2. A invocação das figuras que indico terá ocorrido à mesa, no intervalo de umas provas académicas públicas em que participavam professores universitários de diversas proveniências do país, incluindo dois que terão sido alunos do Prof. Cavaco Silva na instituição em causa. O facto relevante a reter é que Cavaco Silva tinha na ocasião uma Assistente, que não era outra senão Manuela Ferreira Leite, que alguns/algumas recordarão por ter sido até há poucos dias, interinamente, presidente do PSD. E que tinha de especial nessa ocasião a dita senhora? Pois bem, segundo os dois ex-alunos do Prof. Cavaco Silva, distinguia-se por já então ser tão velha e tão feia quanto é hoje.
3. A conversa mantida à mesa, porventura estimulada pelo calor alentejano, que provocaria imensa sede, terá passado por outros temas. Um que valerá a pena invocar, igualmente, tem como protagonista um antigo reitor da Universidade da Madeira, que na altura se propunha assumir um lugar no quadro de professores catedráticos da Universidade de Évora, por transferência. No que a este tópico de conversa se oferece relevante contar é que o professor em causa estaria na cidade nesse dia, onde se deslocara para tomar posse do lugar. Essa posse acabou por não acontecer em razão de um pequeno detalhe: a oposição declarada da larga maioria dos professores da universidade da terra à decisão do reitor de atribuir o lugar da forma como se propunha fazê-lo. Supostamente, o conselho científico a quem cumpriria a decisão não havia sido consultado em devido tempo para o efeito.
4. A segunda dimensão curiosa deste episódio prendia-se com a circunstância do candidato a professor da Universidade de Évora se ter apresentado na cidade acompanhado pelo seu “lulu”. Ao que parece, era hábito daquele passear-se de cãozinho ao colo. O termo “lulu” prestava-se entretanto a outras interpretações, e daí que, na sequência do relato do caso, houvesse quem tivesse deixado escapar a dúvida se seria a cão ou a pessoa que o seu interlocutor estaria a referir-se.
5. É claro que Manuela Ferreira Leite não terá tido nada que ver com este último episódio, que porventura a deixaria chocada, mas que terá acabado por “conviver” com ele, isso terá sido um facto. Talvez daí derive a expressão popular bem conhecida “quem anda à chuva molha-se”, que só não se aplicaria aos militares, já que “chuva civil não molha militares”.
J. C.
sábado, outubro 10, 2009
Medo de ter medo
que ter medo é natural.
Basta que cruzes o teu olhar no meu
e me vejas pela transparência dos meus olhos.
Verás que não sou mais
do que o que te digo
ou do que te escrevo.
Verás que partilho
dos mesmos medos.
Madrid, 10 de Outubro
José Pedro Cadima
sexta-feira, outubro 09, 2009
Naturalmente seduzido
Disfarço o meu olhar mas continuo torcendo os olhos para contemplar esses teus lábios. A sua forma toma de surpresa a minha ilimitada imaginação, que sente desde o toque mais simples e puro até a imensidão de formas que um beijo pode tomar. De novo, estou a incomodar. Quererás realmente saber aquilo que me vai na mente? Pelas palavras que embalas na tua voz, diria que sim. Se ao menos tivesse eu voz que te conseguisse conquistar. A ser assim, diria que desejo provar o carinho que pressinto nesses olhos profundos, diria que desejo passar a ponta dos meus dedos e sentir esses teus traços, diria que estou louco por sentir o toque dos teus formosos lábios.
Gostaria de poder olhar para ti com este desejo sem que achasses que estava só a ser estranho. Porque me sinto atraído tão naturalmente como quando pousei a caneta para escrever esta confissão!
Madrid, 5 de Outubro de 2009
José Pedro Cadima
quarta-feira, outubro 07, 2009
Agora que a chuva chegou
O amor…
define-se facilmente.
É querer estar sempre contigo.
É querer partilhar muita coisa contigo.
É plantar flores e vê-las crescer estando tu a meu lado.
Pode ser uma palavra, um xi-coração
ou até um abraço muito forte,
que se dá apenas a quem queremos e desejamos.
O amor
tem sempre tempo,
se o quisermos…
Pode ser sempre,
se o desejarmos e alimentarmos.
Pode ser apenas momentos de felicidade,
mas que se eternizam.
Eu amo-te,
e sei definir o meu amor,
que não cabe nestas parcas palavras…
C.P.
terça-feira, outubro 06, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
segunda-feira, outubro 05, 2009
O amor (2)
não se define.
Pode ser um beijo,
uma palavra,
um abraço.
O amor
não tem tempo.
Pode ser num dia,
numa noite
ou - quem me dera – sempre!
José Pedro Cadima
domingo, outubro 04, 2009
Desapontamentos
Uma surpresa…ontem…
Ontem comunicaste tão bem comigo!...
Ontem entrelaçaste-te de surpresa
Ontem adormeceste-me e namoraste comigo
Ontem até a Lua decidiu ser uma surpresa!...
Ontem disseste “pronto, já passou”
Ontem senti-me ainda mais presa para minha surpresa
Ontem era quase Lua cheia
Ontem o nosso amor esteve perto da Lua
Ontem, Ontem, Ontem…
Parece que ainda estou tonta da surpresa…
Meu feiticeiro, foi tramada essa tua surpresa…
C.P.
sábado, outubro 03, 2009
Erasmus: percalços e atribulações
O plano de estudos original parece que se perdeu (o tal enviado pela
UMinho à Carlos III). Vou enviar uma cópia do original criado cá por fax ou por e-mail. O original será enviado por correio ou poderei até entregá-lo pessoalmente dentro de duas semanas.
José Pedro G. Cadima
sexta-feira, outubro 02, 2009
Misto-Vida
Quero passado e futuro.
Experimento rodopios embriagados
que atravessam o vento
e marcam as paredes.
Misto de vontade e de esforço;
misto de tinta e de sangue.
É o esforço que faço
para me erguer na escrita,
combatendo, penosamente, a preguiça.
José Pedro Cadima
quarta-feira, setembro 30, 2009
Here you have your fucking lesson
the one of those who know;
the one of those who have.
You can have always both
if you study to know,
if you work to have.
The way things work is simple:
you are the one
who needs to be smart.
José Pedro Cadima
terça-feira, setembro 29, 2009
domingo, setembro 27, 2009
Alegra-me saber que a festa foi uma festa
sexta-feira, setembro 25, 2009
As notícias que de Leiria chegam a Madrid
José Pedro G. Cadima
quinta-feira, setembro 24, 2009
Melhor é impossível…
Tocaste-me
Toquei-te
Muito fundo
Cada vez mais fundo
Hoje fomos
Mais uma vez
Almas gémeas
Melhor é impossível…
C.P.
quarta-feira, setembro 23, 2009
Maré
contra a qual tinha que lutar.
Uma força a remar
contra os meus maiores objectivos.
E, no entanto, ali estavas,
derradeiro tormento e prémio.
Estranguladora e libertadora,
eras a minha morte criativa,
a minha paz eterna.
José Pedro Cadima
Encantos e desencantos de Madrid
terça-feira, setembro 22, 2009
segunda-feira, setembro 21, 2009
Os "Xulos" e os narizes de Palhaço
Leonor
domingo, setembro 20, 2009
Mensagens curtas, endereçadas
José Cadima
Abdicar do que não temos
olhem para mim, olhos nos olhos,
e digam-me friamente:
que querem de mim?
Digam-me o que querem que eu demonstre,
que devo fazer para ser melhor,
que querem que faça por vós.
Querem que abdique de quê?
Pois, bem me parecia…
Não posso abdicar de algo que não tenho,
algo como a felicidade.
José Pedro Cadima
sábado, setembro 19, 2009
Agora...
quinta-feira, setembro 17, 2009
Fantasma
Vejo,
escondido na noite,
um fantasma
que desaparece
por baixo de candeeiros
com formas humanas.
José Pedro Cadima
terça-feira, setembro 15, 2009
À chuva
vais à chuva,
sempre à chuva!
E eu, pelo guarda-chuva
coberto e liberto
e, no entanto, preocupado.
Porque vais à chuva?
José Pedro Cadima
segunda-feira, setembro 14, 2009
Não sou dos que...
sábado, setembro 12, 2009
O passo seguinte
que se dá a nossa evolução.
É porque imaginamos
o passo seguinte.
Sentir medo
mas sentir-lhe o apelo.
Evoluímos
para poder dá-lo!
José Pedro Cadima
sexta-feira, setembro 11, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
Madrid: estou a gostar!
Quem era eu?
Agora multiplica por dois
e saberás quem sou.
Vais olhar de longe
para ver um monte e um fosso,
duas vezes mais fundo,
duas vezes mais alto.
Sou duplamente livre,
com pensamento voador.
Mas sou o dobro do caos,
com chamas na água.
Possuo, em boa sorte,
dez vezes mais álcool,
quem sabe, duas vezes o vício
que representaste para mim.
José Pedro Cadima
terça-feira, setembro 08, 2009
O nosso jardim
Cabem milhares de plantas
Algumas tuas primas directas
Outras encontradas por acaso
Falas com elas quase diariamente
São especiais as nossas plantas
Um loureiro que tenta fugir do sol
Um limoeiro que se aguenta firme
Um azevinho que dá luta ao sol
Uma alfazema muito viçosa...
E mais outras tantas senhoras plantas desconhecidas
Todas plantadas com o teu suor
Fazem-me reflectir
Fazem-me pensar
Nas flores espinhosas que tinha antes
Na dificuldade que tinha em vê-las crescer
O nosso jardim
Construído com amor e suor
Sabe ao melhor aroma
Sabe ao melhor cheiro
É o nosso jardim…
C. P.
segunda-feira, setembro 07, 2009
sexta-feira, setembro 04, 2009
Quem sou?
sem nada ter feito.
Em busca de equiparação
estando já melhor.
Quero ser tanto na vida
que me esqueço quem sou.
José Pedro Cadima
quinta-feira, setembro 03, 2009
terça-feira, setembro 01, 2009
Madrid: chegada
O feitiço de um feiticeiro
Neste fim-de-semana constatei, para meu espanto, que a saga ainda está no início. E que promete até Outubro, até às nossas eleições!...
Não é que o outdoor que colocava o feiticeiro rodeado de jovens senhoras e outras menos jovens que mal se viam foi substituído por outro onde surge apenas o Sócrates (sempre com o e-mail para contacto, que deve deliciar qualquer senhora, mesmo as mais bem intencionadas e até alguns senhores), que quase se confunde com o Brad Pitt!... Confesso que, por momentos, fiquei desatenta da condução do veículo e que na segunda passagem até me pareceu que o homem me estava a tentar enfeitiçar, tal era o seu olhar penetrante! Não me pareceu ver as brancas no cabelo, mas os olhos de sedutor estavam lá e um sorriso que nunca lhe vi antes… Vejam lá os milagres que se conseguem fazer! E continua a dizer “Juntos vamos conseguir”, que me deixa sempre muito embaraçada!...
Quem o convenceu a parecer em tamanho XL, super retocado pelo Photoshop e com um olhar à matador, foi bem esperto(a). Será uma mulher que estará por detrás desta campanha?...
Quer queiramos ou não, o homem ficou bem na fotografia e, claro, a namorada de longa data deve andar muito apreensiva com os resultados que tal ousadia poderá vir a provocar!...
Leonor



