terça-feira, outubro 06, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Lamento muito se não fores capaz de perdoar-me estas faltas graves, ainda que involuntárias! Tu ajuizarás o que achares mais adequado.

José Cadima

segunda-feira, outubro 05, 2009

O amor (2)

O amor
não se define.
Pode ser um beijo,
uma palavra,
um abraço.

O amor
não tem tempo.
Pode ser num dia,
numa noite
ou - quem me dera – sempre!

José Pedro Cadima

domingo, outubro 04, 2009

Desapontamentos

Estou desapontado: as previsões do tempo prometiam chuva intensa para hoje e só vi ainda uns chuviscos ontem à noite. Para desapontamento já me bastavam os resultados das recentes eleições para o parlamento nacional.
.
J. Cadima Ribeiro

Uma surpresa…ontem…

Ontem fizeste-me uma surpresa
Ontem comunicaste tão bem comigo!...
Ontem entrelaçaste-te de surpresa
Ontem adormeceste-me e namoraste comigo
Ontem até a Lua decidiu ser uma surpresa!...
Ontem disseste “pronto, já passou”
Ontem senti-me ainda mais presa para minha surpresa
Ontem era quase Lua cheia
Ontem o nosso amor esteve perto da Lua
Ontem, Ontem, Ontem…
Parece que ainda estou tonta da surpresa…
Meu feiticeiro, foi tramada essa tua surpresa…

C.P.

sábado, outubro 03, 2009

Erasmus: percalços e atribulações


Ocorreu mais uma alteração - juro por deus que esta é a última. (Isto de participar no Programa Erasmus é de loucos).
O plano de estudos original parece que se perdeu (o tal enviado pela
UMinho à Carlos III). Vou enviar uma cópia do original criado cá por fax ou por e-mail. O original será enviado por correio ou poderei até entregá-lo pessoalmente dentro de duas semanas.

José Pedro G. Cadima

sexta-feira, outubro 02, 2009

Misto-Vida

Quero paz e caos.
Quero passado e futuro.

Experimento rodopios embriagados
que atravessam o vento
e marcam as paredes.

Misto de vontade e de esforço;
misto de tinta e de sangue.

É o esforço que faço
para me erguer na escrita,
combatendo, penosamente, a preguiça.

José Pedro Cadima

quarta-feira, setembro 30, 2009

Here you have your fucking lesson

We live in a double capital system:
the one of those who know;
the one of those who have.

You can have always both
if you study to know,
if you work to have.

The way things work is simple:
you are the one
who needs to be smart.

José Pedro Cadima

domingo, setembro 27, 2009

sexta-feira, setembro 25, 2009

Madrid: posar para a foto num ambiente de "família"


As notícias que de Leiria chegam a Madrid

Porque raio me telefonou a tua mãe? Passo a citar:
"A Rita faz anos para a semana. Como já acabou o curso, telefono-lhe a dar-lhe os parabéns e a dizer-lhe que passo a dar-te a ti a mesada dela."
Permite-me chamar a isto, o verdadeiro sentido de oportunidade ou o melhor presente de sempre.
Se bem que eu goste de receber mais dinheiro, como toda a gente, nem sei bem o que lhe responder. Nao faço ideia do valor que será, mas suponho que a tua mãe o deveria usar para ir viajar e expandir um pouco horizontes, em vez de o querer dar ao neto. Além disso, vou COMEÇAR a receber uma mesada no último ano de curso?
Vá lá, tem uma certa piada. Dado que não vejo nem o meu primo nem o meu irmão a entrar para a Universidade tão cedo, ainda ficava a receber a tal mesada o resto da minha vida.
De qualquer forma, prefiro a nota de 50 euros (ou as três de 20, como parece ter sido o caso) quando a vou visitar. É algo mais informal, algo mais "coisa de avós".
Um abraço,

José Pedro G. Cadima

quinta-feira, setembro 24, 2009

Melhor é impossível…

Toco-te
Tocaste-me
Toquei-te
Muito fundo
Cada vez mais fundo
Hoje fomos
Mais uma vez
Almas gémeas
Melhor é impossível…

C.P.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Maré

Eras a maré
contra a qual tinha que lutar.

Uma força a remar
contra os meus maiores objectivos.

E, no entanto, ali estavas,
derradeiro tormento e prémio.

Estranguladora e libertadora,
eras a minha morte criativa,
a minha paz eterna.

José Pedro Cadima

Encantos e desencantos de Madrid

Apesar de vir para Madrid ter sido a melhor decisão que eu fiz na minha vida, ter escolhido vir para a Residência deve ser realmente a pior de sempre. Se eu sair de tarde para dar uma volta pelo centro da cidade, o mais provável é depois não chegar a tempo de conseguir jantar na cantina. Tenho de me levantar ás 6h30 da manhã para assistir às aulas das 9 horas!
Estou seriamente a pensar mudar-me porque fazer 3 horas em transporte público todos os dias é impossivel. Repara, isto não é Madrid. Isto é eu viver em Valença e estudar em Braga.
Acho que nem me importo de ir viver para debaixo de uma ponte no próximo mês só para poder acordar 1 hora antes das aulas começarem e para poder estar e conviver com os meus colegas Erasmus. Isso é algo que eu não estou a fazer porque moro a 60 km do meu campus.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima

segunda-feira, setembro 21, 2009

Os "Xulos" e os narizes de Palhaço

Nesta campanha eleitoral todos os principais partidos têm investido a fundo nos outdoors, de dimensões cada vez maiores... Tão grandes que a continuar assim ainda algum dia vou a fazer uma rotunda e cai-me um em cima do carro! Já lá vai o tempo em que se viam uns quantos a colar cartazes!!! Estão fora de moda! Agora o que está a dar são as caras dos candidatos em tamanho XXL que dificilmente nos podem passar despercebidas...
Mas o que parece ser novidade, é que alguém decidiu chamar de Xulos (leia-se Tchulos) a todos os candidatos às eleições. Penso que apenas acontecerá em Braga e de certeza que foi algum(a) homem/mulher do Norte, bem intencionado(a), pois como todos sabemos a palavra correcta é "Chulos". Só alguém com a pronúncia do Norte poderia ter sentido a certeza do que estava a escrever!...
Acredito que alguns até o devem ser, não no verdadeiro sentido da palavra, mas andarão por lá perto...
Mas o que me chamou mais a atenção e me parece ser mais subtil e corre menos riscos de se cometerem erros ortográficos, foi a dedicação de outro homem/mulher que resolveu decorar os narizes dos nossos políticos com a variante "Palhaço" na cidade do Porto. Provavelmente, alguém das Belas-Artes do Porto!
Na realidade o fim é o mesmo, mas menos "malcriado". Reparei que ficava muito bem o nariz de Palhaço ao Rui Rio e à Elisa Ferreira (encaixava-lhes mesmo bem, porque os cartazes eram mais pequenos), mas convenhamos, o mesmo não posso dizer do Sócrates. Depois de reflectir, percebi que o problema está no tamanhão da cara dele no outdoor e no tamanhão do respectivo nariz, facto que é incontornável. Caramba, e logo a ele que se esperava poder cair como uma luva!!Vamos esperar por domingo para ver se alguns se livram dos narizes de Palhaço... Boa sorte para todos os Palhaços!

Leonor

Madrid em imagens


domingo, setembro 20, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Também eu tenho vontade de te dar um abraço forte. Aliás, nesta altura estou a precisar muito disso."

José Cadima

Abdicar do que não temos

Amigos e todos quantos dizem que me querem bem,
olhem para mim, olhos nos olhos,
e digam-me friamente:
que querem de mim?
Digam-me o que querem que eu demonstre,
que devo fazer para ser melhor,
que querem que faça por vós.
Querem que abdique de quê?
Pois, bem me parecia…
Não posso abdicar de algo que não tenho,
algo como a felicidade.

José Pedro Cadima

sábado, setembro 19, 2009

Agora...

Cá estou por Leiria. Já fiz o que me trouxe a esta terra. A minha deslocação não era suposto ter significado especial. O único problema que tenho nesta altura é que não tenho nada mais para fazer aqui, isto é, agora resta-me aguardar pela hora de voltar a Braga.
.
José Cadima

quinta-feira, setembro 17, 2009

Fantasma

Vamos dar as mãos!
Vejo,
escondido na noite,
um fantasma
que desaparece
por baixo de candeeiros
com formas humanas.

José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 15, 2009

À chuva

Sempre a meu lado,
vais à chuva,
sempre à chuva!

E eu, pelo guarda-chuva
coberto e liberto
e, no entanto, preocupado.
Porque vais à chuva?

José Pedro Cadima

segunda-feira, setembro 14, 2009

Não sou dos que...

Não sou dos que, chegado Agosto, vai a correr fazer as malas e ruma ao Algarve. Em vez disso, aproveito para fazer as tarefas que ficaram para trás e correr menos. Assim, estou seguro de iniciar o ano funcional seguinte com a agenda em dia. Assim fazendo, liberto-me de filas de trânsito, de filas de gente nos restaurantes, de serviços de restauração de má qualidade e de muita outra confusão. Com mais tempo, posso olhar para o que vai ocorrendo e, mesmo, retornar a documentos que vou arquivando para memória futura.
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J. Cadima Ribeiro

sábado, setembro 12, 2009

O passo seguinte

Não é por caminharmos
que se dá a nossa evolução.

É porque imaginamos
o passo seguinte.

Sentir medo
mas sentir-lhe o apelo.

Evoluímos
para poder dá-lo!

José Pedro Cadima

quarta-feira, setembro 09, 2009

Madrid: estou a gostar!

Estou a gostar imenso de Madrid.
A Carlos III é uma Universidade com 5000 alunos, mas envia como Erasmus 600 alunos e recebe pelo menos uns 300. Já conheço à volta de uns 50 e tenho convivido com alguns numa base diária.
As minhas aulas começam na segunda-feira e posso frequentar as disciplinas que desejar de forma a formar opinião sobre as mesmas.
Devido a alguns problemas na adaptação de Bolonha nesta universidade, terei de reescrever o plano de estudos. Irei marcar uma hora com a coordenadora Erasmus de Economia da Carlos III para melhor compreensão dos métodos de aprendizagem e para recolher informações sobre as cadeiras.
.
José Pedro G. Cadima

Quem era eu?

Lembraste de quem era eu?
Agora multiplica por dois
e saberás quem sou.

Vais olhar de longe
para ver um monte e um fosso,
duas vezes mais fundo,
duas vezes mais alto.

Sou duplamente livre,
com pensamento voador.
Mas sou o dobro do caos,
com chamas na água.

Possuo, em boa sorte,
dez vezes mais álcool,
quem sabe, duas vezes o vício
que representaste para mim.

José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 08, 2009

O nosso jardim

No nosso jardim
Cabem milhares de plantas
Algumas tuas primas directas
Outras encontradas por acaso
Falas com elas quase diariamente
São especiais as nossas plantas
Um loureiro que tenta fugir do sol
Um limoeiro que se aguenta firme
Um azevinho que dá luta ao sol
Uma alfazema muito viçosa...
E mais outras tantas senhoras plantas desconhecidas
Todas plantadas com o teu suor
Fazem-me reflectir
Fazem-me pensar
Nas flores espinhosas que tinha antes
Na dificuldade que tinha em vê-las crescer
O nosso jardim
Construído com amor e suor
Sabe ao melhor aroma
Sabe ao melhor cheiro
É o nosso jardim…

C. P.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Quem sou?

Em busca de tanto reconhecimento
sem nada ter feito.

Em busca de equiparação
estando já melhor.

Quero ser tanto na vida
que me esqueço quem sou.


José Pedro Cadima

terça-feira, setembro 01, 2009

Madrid: chegada

Olá,
Comprei agora o cabo Ethernet e já posso estabelecer contacto por este meio.
No disco "Alternativo" do meu computador, dentro da Pasta "Escrita" ->"Poemas" -> "2009", estão os meus últimos poemas.
Procederei à criação de um blogue sem características literárias para descrever o meu percurso por Madrid.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima

O feitiço de um feiticeiro

Já me reportei recentemente, neste “Jornal de Parede”, ao efeito que os outdoors podem ter na imaginação das pessoas! E sobre a dedicação das “senhoras”ao nosso querido Sócrates!
Neste fim-de-semana constatei, para meu espanto, que a saga ainda está no início. E que promete até Outubro, até às nossas eleições!...
Não é que o outdoor que colocava o feiticeiro rodeado de jovens senhoras e outras menos jovens que mal se viam foi substituído por outro onde surge apenas o Sócrates (sempre com o e-mail para contacto, que deve deliciar qualquer senhora, mesmo as mais bem intencionadas e até alguns senhores), que quase se confunde com o Brad Pitt!... Confesso que, por momentos, fiquei desatenta da condução do veículo e que na segunda passagem até me pareceu que o homem me estava a tentar enfeitiçar, tal era o seu olhar penetrante! Não me pareceu ver as brancas no cabelo, mas os olhos de sedutor estavam lá e um sorriso que nunca lhe vi antes… Vejam lá os milagres que se conseguem fazer! E continua a dizer “Juntos vamos conseguir”, que me deixa sempre muito embaraçada!...
Quem o convenceu a parecer em tamanho XL, super retocado pelo Photoshop e com um olhar à matador, foi bem esperto(a). Será uma mulher que estará por detrás desta campanha?...
Quer queiramos ou não, o homem ficou bem na fotografia e, claro, a namorada de longa data deve andar muito apreensiva com os resultados que tal ousadia poderá vir a provocar!...

Leonor

sábado, agosto 29, 2009

Sinto-me assim (2)

Só.
Abandonado.
Amargurado.
Esmagado em tristeza,
sabendo-me não amado.
Sinto-me assim.
Só.

José Pedro Cadima

sexta-feira, agosto 28, 2009

Introspecção: notas soltas, que farão sentido ou não

O que escrevo é, muitas vezes, uma fuga à realidade, percebida a partir dessa mesma realidade complexa. Os textos que leste são, por isso, peças literárias. É a esse título que são peças públicas. Aliás, as personagens que aparecem no jornal de parede também o são, quero dizer, são personagens ficcionadas, aparte o José Pedro.
Não sou poeta. Gosto de poesia e escrevo pontualmente uns textos poéticos. O José Pedro é que, porventura, será um poeta, com todos os custos que isso tem.
Obviamente, todos cometemos erros. Há é erros que nos marcam para sempre. Eu convivo com dois ou três. Ainda agora, nestas últimas semanas, aconteceram coisas que não deviam ter acontecido. Falámos sobre algumas.
Numa coisa tens razão: a minha vida afectiva (e pessoal) tem sido um completo desastre. Nisso, os textos são boa ilustração, de uma forma ou de outra.
Como posso ser o porto de abrigo de alguém se há tantos anos vivo desabrigado. Quem julgas que sou? Alguém que sobrevive a todas as contrariedades, só, em alto mar? "O monstro também precisa de amigos!"
Se te refugiaste numa concha, eu tive que ir para o mar alto lutar, e estive quase sempre só, mesmo que, em muitas ocasiões, precisasse desesperadamente de apoio. Há muitos anos que vivo insatisfeito com a minha pessoal, como deixo dito. Cheguei aqui com muito esforço. Vou tentar seguir o meu caminho.

José Cadima

quarta-feira, agosto 26, 2009

Irra que são teimosos(as)!

1. Já há uns anos largos escrevi sobre isso mas parece que não me levam a sério: então, não é que continuam a confundir o autor destas humildes crónicas com um dos editores deste jornal de parede, tudo só porque se dá uma parecença muito parcial de assinaturas e porque, para maior coincidência, o dito faz o favor de ser meu amigo. De permeio, parece esquecido que este vosso servo anda nisto há década e meia e pela altura em que começou a publicar os seus textos no saudoso Notícias do Minho (nem sempre com grande conforto do respectivo director), a internet estava a dar os primeiros passos e não se falava de blogues, nem de “Gmails”, e muito menos de “Facebooks”, “Twitters” e quejandos. Jornais de parede havia, de facto, mas eram mesmo de parede, hoje dir-se-ia de “wall”, para os diferenciar de outras “walls”, mais conhecidas por ecrans de computador.
2. Esta coisa de nos confundirem tem, em todo o caso, vantagens e desvantagens: vantagens para o meu amigo, que percebido como “charmoso” passou a ter muito mais sorte com as “garotas”; desvantagens para mim, que o sendo de facto, conforme resulta óbvio do que deixei enunciado em crónica anterior, acabo sem os favores das queridas leitoras que tanto apreciam as minhas crónicas. Por sorte, tive a oportunidade de travar conhecimento ultimamente com uma caríssima leitora assídua, que se veio a revelar uma agradável surpresa. A princípio, suspeitei do seu empenho em esgrimir comigo razões, cara a cara. Face a tamanho empenho, imaginei-a um daqueles estafermos que se vê muito nesta altura por aí, nas praias, exibindo ousados biquínis, ou até nalguns cartazes de propaganda eleitoral. Para minha grande alegria, a caríssima leitora assídua revelou-se ser mesmo uma leitora muito interessante, tanto que até acordámos já trocar uns textos. Quero eu dizer, nem sempre as coisas são o que parecem à primeira vista.
3. Por falar em estafermos, não resisto a deixar de fazer aqui referência a um “objecto” insólito com que me deparei quando num destes dias quentes de Agosto, para desenfastiar, fui dar uma volta a pé pela Universidade do Minho, em Gualtar. Então, não é que me deparei lá com um Monstrengo, em construção adiantada. É mesmo ao Monstrengo dos Lusíadas que quero referir-me. Fiquei sem perceber o simbolismo da homenagem que seguramente se pretenderá fazer a Camões ou a alguém mais ou menos conhecido daquele, mas que apanhei um valente susto lá isso apanhei. Desta forma insólita, pude entender bem melhor o temor que os marinheiros portugueses dos Descobrimentos lhe tinham e, daí, a enorme ousadia do seu empreendimento. Bem hajam!

J. C.

Amesterdão: breve balanço de uma visita

Correu tudo bem. Realmente não deu para que trocasse mais mensagens porque o meu acesso à internet estava um bocado limitado. No entanto, isso ajudou-me a manter a distância a Braga e a tudo o que ela representa para mim.
Um Abraço,
.
José Pedro Cadima

terça-feira, agosto 25, 2009

Não sou o teu amor

Odeio-me!
Não sou o ser magnífico
que procuras.

Odeio-me!
Não sou o sonho
que buscas.

Odeio-me,
por não me amares!

José Pedro Cadima


(poema extraído do livro Sonhos a Um Espelho, Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 41)

domingo, agosto 23, 2009

Avançar com o PS – juntas, só nós e ele, vamos conseguir!

“Avançar Portugal” e “Juntos Conseguimos”, têm-me suscitado muito interesse. Claro que me estou a referir aos belíssimos e apelativos slogans dos outdoors que o PS tem espalhado por várias cidades de Portugal. Na de Braga, tenho que reconhecer, estão estrategicamente espalhados pela cidade! Mal viro uma esquina dou sempre de caras com um do tamanho do mundo!
São apelativos, pois ver o nosso querido Sócrates rodeado de, pelo menos, 5 mulheres (as que se conseguem contar, porque aparecem desfocadas na imagem para não ofuscarem o Mestre) é coisa muito bem preparada. É a chamada “caça ao eleitorado feminino”! As catraias e senhoras escolhidas estão muito sorridentes e todas à volta do Mestre e algumas delas até parece que estão com “um ar de malucas”, expressão que é usada frequentemente por um amigo meu, quando se quer referir às mulheres que, neste caso, esperam algo mais do Mestre do que simples promessas eleitorais e que estão prontas para soltar as garras se o Mestre assim o desejar!
O homem (o Sócrates) até está com ar um pouco tímido (só para disfarçar, porque até aparece o contacto dele logo por baixo, http://www.socrates2009.pt/, sítio onde surge muito bem retocado pelo Photoshop), mas não entendo a relação que haverá entre ele e estas mulheres e o “Avançar Portugal” ou o “Juntos conseguimos”! Será que, neste momento, depois de uns quatro anos miseráveis, cheios de arrogância e prepotência, haverá alguém que queira avançar mais com o PS?
Ainda entendo o “Juntos conseguimos”, e parece-me que o homem desta vez está a ser esperto, pois se todas as mulheres votarem naquele homem “charmoso”(?), que ainda corre e mostra as pernocas nas maratonas (eu ainda não tive oportunidade de as ver, mas parece que ainda mexem corações), deverá ter uma votação muito confortável.
É que as mulheres dificilmente votarão numa mulher e muito menos numa tão pouco interessante como a Manuela Ferreira Leite! As mulheres queixam-se muito que não as deixam chegar ao poder mas, na hora da verdade, grande parte das vezes, acabam por votar num homem, porque consideram que será mais competente. Se acrescentarmos que o homem em causa além de homem tem as pernas direitinhas e é “charmoso” (característica que eu não consigo descortinar, talvez porque não sou maluca!), o caldo está mesmo entornado para as mulheres concorrentes!

Leonor

sábado, agosto 22, 2009

O teu colinho

Ao fim de um dia esgotante
Dás-me o teu colinho
Pressiono as tuas pernas
E colo-me ao teu corpo
Sinto a tua mão deslizando nas minhas costas
E abraço-me a ti
De repente, avanço e devoro-te com beijos
Alguns que mais parecem de criança
De criança que pouco colinho teve
Mas que depressa aprendeu a querê-lo
Não te esqueças de me dar o teu colinho
Sempre ao fim de um dia
Esgotante ou não…

C.P.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Poema (2)

Não quero voltar a ler-te,
porque me fazes recordar
mágoas que calam fundo.
Tenho a opção de rasgar-te
que hesito tomar,
por seres memória
de momentos que também foram de felicidade.
Não quero mais ver-te,
nem ao longe,
senão queimo-te.
Meu nobre poema,
quão incertos são os nossos humores,
e, sobretudo, os amores.
Não te corrijo, senão perco-te.
Não volto a ler-te,
senão rasgo-te.

José Pedro Cadima

(texto de 2004, editado por José Cadima nesta data)

sábado, agosto 15, 2009

Crónicas de Maldizer: o benefício de ter uma leitora assídua (II)

Caro J.C.
Fiquei surpreendida por ter reagido ao meu comentário e muito mais por se ter sentido magoado com algumas das minhas palavras.
Claro que deveria ter dado o benefício da dúvida, relativamente ao altruismo, mas...
Mas, Altruista tem um significado muito próprio, relacionado com caridade, com a preocupação com o próximo...
É entendido como sinónimo de solidariedade e dedicação aos outros.
Ainda poderei entendê-lo, ao J.C., no domínio da solidariedade, mas no da dedicação aos outros...terei que comprovar, pois só pessoas como a Madre Teresa de Calcutá é que enveredaram por esse caminho...
Por este motivo e porque não quero de modo algum ser injusta para consigo, aceito o convite que me dirigiu para o conhecer pessoalmente. Fico dependente de um sinal seu...
Uma leitora assídua
***
Caríssima Leitora assídua,
Se era um privilégio tê-la como leitora, a minha admiração por si e o meu agradecimento saem significativamente acrescentados por se mostrar disponível para que lhe exponha pessoalmente as minhas razões. Se o exercício da escrita perde grande parte da sua razão de ser se lhe faltam os leitores, crónicas que versam a problemática complexa da sociedade actual, como as que escrevo, correm o risco de roçar a abstracção se não forem capazes de mexer com os eventuais leitores. É uma oportunidade com que não sonhava.
Interpretou que fiquei magoado consigo do que deixei dito sobre o altruísmo que me anima. Não diria tanto. Detentor de uma personalidade sensível, como terá entendido, fiquei sensibilizado, apenas. De outro modo, não faria justiça à atenção do comentário da caríssima Leitora assídua, agora reforçada com essa sua aceitação do convite que lhe fiz para que esclareçamos as nossas diferenças e, quiçá, aprofundemos eventuais comunhões de pensamento.
Sobre a Madre Teresa de Calcutá não acrescentarei nada, em respeito pela sua memória, aparte dizer-lhe que me condoía a sua fraca figura dos últimos tempos. Porventura, aquando do seu tempo de menina e moça, teria sido mais interessante. Pela irrequietude que deixa transparecer, pelo arrojo das observações que me fez chegar, estou seguro que a caríssima Leitora assídua não me desapontará também nessa dimensão. Note: não é que isso me levasse a menor abertura ao aprofundamento da nossa comunicação. Para mim, um(a) leitor(a) é um(a) leitor(a).
Como modo de agilizar o agendamento do nosso “brainstorming” (desculpe o recurso a este termo estrangeiro; falta-me nesta altura o seu correspondente em português), sugiro que me faça chegar o seu contacto pessoal para o endereço de correio electrónico de um dos editores do blogue. Dessa forma, preservamos ambos a nossa reserva, de que sou muito cioso, confesso-lhe (não gostaria de modo algum de ver cair no domínio público o meu número de telemóvel, particularmente nesta altura de agitação eleitoral; sabe-se lá se algum putativo candidato não tentaria recrutar-me para dar algum brilho à respectiva lista). Fico cheio de esperança de ter notícias suas a muito breve prazo.
Desculpar-me-á que tenha pedido aos editores deste jornal de parede para publicarem esta minha resposta ao seu comentário na página principal. Dada a respectiva extensão, involuntária, não cumpria os requisitos para aparecer como comentário, propriamente dito. Por uma questão de equidade de tratamento e de maior inteligibilidade por parte dos eventuais leitores, vi-me também na obrigação de recuperar para este mesmo espaço o comentário da minha caríssima Leitora assídua.

J. C.

Ps: não tome o que lhe digo acima como indicação de que não apreciarei a sua vinda a terreiro neste fórum, para comentar o que analiso ou outro tema de maior relevância social que deseje versar. Aliás, salvaguardei isso junto dos editores do blogue desde o primeiro momento.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Crónicas de Maldizer: o benefício de ter uma leitora

Caro J.C.
Nunca pensei que tivesse coragem para contar publicamente momentos tão íntimos da sua vida, que, pela leitura que faço, foi muito pouco interessante até há algum tempo atrás.
Muito menos o sabia altruista. A verdade é que o conheço muito mal, apenas das crónicas com que nos premeia, mas "altruismo" não parece casar com "mal dizer"! Não lhe parece?!... E altruistas há muito poucos neste mundo! Não concorda?
Quanto aos seus dotes intelectuais não dúvido nada deles. Mas quanto ao facto de se ter tornado interessante, não me poderei pronunciar, pois não é "visível" através da sua escrita, mas acredito que a escrita seja um dos seus maiores dotes e que o torna verdadeiramente interessante.
Fiquei, não obstante, admirada por ter tido (ter) interesses tão diversificados quando era mais jovem e mesmo nesta fase madura da sua vida. Não será uma mistura explosiva?! Louras, morenas e ruivas, ainda que pareça ter preferência pelas louras (louraças como as apelida).
Pois é bom que o avise que as louraças que vai vendo por aí, são falsas louras. Existem dois motivos para passarem, mais tarde ou mais cedo, a serem louraças:
1-Têm quase sempre sucesso assegurado junto dos homens, porque entre outros motivos, são a encarnação dos anjos que estão lá longe no céu;
2-Necessitam de encobrir as "brancas" que vão aparecendo um pouco por todo o cabelo e essa cor é seguramente a que melhor camufla as atrevidas "brancas".
Desculpe o meu atrevimento em lhe contar estas misérias, mas sendo eu morena por natureza, senti-me na obrigação de lhe contar!
Leitora assídua das suas crónicas
***
Comentário (breve):
i) Antes de produzir um breve comentário de reacção ao comentário da Leitora assídua das (minhas) crónicas, cumpre-me deixar-lhe um sentido agradecimento. Na verdade, poucas vezes o esforçado cronista tem o benefício de receber comentários dos seus leitores(as) ou sequer tem indicação de tê-los(as), isto é, leitores ou leitoras. Além disso, o comentário é lisongeiro para o esforçado cronista que, mesmo não sendo vaidoso, não deixa de ser sensível ao reconhecimento dos seus poucos méritos.
ii) Na componente reacção ao que a cara Leitora assídua das (minhas) crónicas releva, gostaria de lhe dizer que a minha vida sempre foi e continua a ser um livro aberto. Não é por isso grande ousadia deixar passar algum aspecto de reflexão mais intimista, aparte o facto de, tendo tão poucos(as) leitores(as), isso se oferecer mais como um desabafo para o próprio naqueles momentos pontuais que todos temos de avaliação crítica do que tem sido a nossa via. Admito que não terá dados para confirmar o meu altruísmo. Já me custa mais que deixa a pairar a dúvida sobre ter-me tornado um homem muito interessante. As minhas próprias crónicas, que teve a gentileza de vir comentar, não lhe deixam desde logo transparecer inequivocamente essa dimensão? Sei que não é revelador de humildade vir dizer uma tal coisa publicamente mas, por um lado, todos temos os nossos momentos de fraqueza e, por outro, conforme disse já, escrever neste jornal de parede é sobretudo um exercício íntimo, qual diário pessoal que nunca será publicitado. Foi ,aliás, a essa luz que aceitei o repto dos editores deste jornal de parede de, ocasionalmente, voltar a produzir umas crónicas para serem aqui publicadas.
iii) Termino, porque prometi um comentário breve, que já corre o risco de o não ser (os editores do blogue perdoar-me-ão, desta vez, a falta de parcimónia no uso do espaço): querida Leitora assídua das (minhas) crónicas - renovo agradecimentos pelo privilégio de ter um seu comentário, mesmo não me fazendo ele justiça; não quer fazer-me chegar entretanto o seu contacto pessoal? Terei todo o gosto de, em conversa pessoal, trocar consigo impressões sobre dimensões menos esclarecidas do modesto texto que teve a simpatia de comentar.
J.C.

terça-feira, agosto 11, 2009

As surpresas que nos esperam com o correr da vida

1. Descobri há poucos anos que sou um homem muito interessante, quer dizer, interessante para as mulheres, aparte todos os dotes intelectuais e o altruísmo com que a natureza me prendou, o que não me parece pretensiosismo admitir nesta hora. Os meus leitores e as minhas leitoras de crónicas passadas já sabiam destes últimos dotes mas talvez não suspeitassem do primeiro. Imaginem lá como me posso sentir eu nesta ocasião, convencido que sempre estivera de não deter atributos físicos que agarrassem as garotas por quem tanto tempo suspirei, louras, morenas, ruivas mas, sobretudo, autênticas gatas de garras afiadas. Vista a coisa agora, tenho que concluir que talvez o problema estivesse ainda assim em mim, ao não saber, digamos assim, segredar-lhes ao ouvido as palavras belas que mereciam escutar. Tenho, por outro lado, que verberar a educação que recebi, que não me preparou convenientemente para a vida, como agora sai provado, e chorar os afectos de que não beneficiei e que fizeram de mim o homem carente e triste em que me tornei, até recentemente, digo.
2. Ser um homem “charmoso”, mesmo não sendo o Cristiano Ronaldo, tem imensas coisas boas: alimenta-nos o ego, permite-nos fazer inveja a amigos, a conhecidos e a desconhecidos quando nos passeamos de louraça pela mão (com as morenas também resulta mas menos), e torna-nos muito mais queridos para outras louraças e, sobretudo, para morenas e ruivas (tanto mais quanto mais pesado tenham o respectivo rabo). Tem entretanto sérios inconvenientes, não querendo mesmo assim seguir o Cristiano Ronaldo na mania que tem de dar presentes caros às namoradas. Um dos maiores inconvenientes que venho sentindo resulta da obrigação de manter prestações impecáveis em todos os momentos, trate-se de levar o gato à rua, acompanhar as crianças ou as amigas da nossa “mais que tudo” ou fazer abdominais. É preciso também ter muito cuidado quando se bebe uma boa cerveja (e não abundam, as boas cervejas), não vá a espuma correr-nos pelo canto da boca ou, quando nos recostamos no sofá lá da casa, parecer que deixámos que se gerassem umas gorduritas na barriga. Tudo pesado, ainda assim vale a pena. Sabe bem voltar a ter um colo onde nos acolhermos.
3. Demorei um bocado a adaptar-me, isto é, a reconhecer-me no “gato” que afinal era sem disso me dar conta mas, como é sabido, é da nossa natureza ajustarmo-nos mais rapidamente às coisas boas que às menos boas. Se sempre me custou não me poder chegar às garotas que me alegravam a vista na minha passagem pelo liceu, em pouco tempo acabei por aceitar ser o alvo da cobiça de algumas delas mais sensíveis ao desgaste do tempo e das vidas menos recomendáveis porque enveredaram (professoras do ensino secundário, empregadas de escritório, donas de casa, mães de miúdos e garotas intratáveis, entre variadas profissões). Há ocasiões até em me custa já perceber como puderam aquelas minhas amigas de antanho resistir a todo o meu encanto. Vendo-as agora, no entanto, alegra-me constatar a força de vontade que me permitiu resistir aos seus cantos de sereia.

J. C.

domingo, agosto 09, 2009

Eclodir de dor (2)

Escrevo como modo de evasão;
escrevo para desabafar;
escrevo para dar notícia de protesto;
escrevo para me encontrar,
para te reencontrar, em memória fugidia.
Sim, porque o que vejo
me dá motivo que pensar,
falar, gritar,
lavrar o meu protesto,
correr ao teu encontro.
Escrevo para dizer o que sinto,
dizer a verdade ou, até, mentir,
mas, sobretudo, deixar sair tudo...
Só assim sou capaz de impedir
que a dor
ou o desejo de felicidade
ecludam dentro de mim.

José Pedro Cadima

sexta-feira, agosto 07, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Foi bom que tivesses podido ir às amoras ontem. Provavelmente, eu também estou a precisar de ir às amoras. Talvez o faça um destes dias."

José Cadima

quarta-feira, agosto 05, 2009

Ó mar salgado…(2)

Ó mar salgado
sei-te bem para lá do dobrar da rua, hoje,
mas nem por isso te pressinto longe.
Perto, perto tive-te ontem,
ao mesmo tempo salgado e doce,
como mo sugeriram os teus lábios
Ameaçado?
Ameaçado, sim, de certo modo,
por saber não serem suficientemente altas
as trincheiras que quis erguer
para me proteger
das tuas investidas
envoltas em veludo,
em abraços meigos,
em beijos que transpiram paixão.
Confesso-te: achaste-me impreparado
para uma luta
feita com tais armas.
Receio não me restar solução
outra que não seja render-me,
por mais que me custe,
por mais que, sem o querer,
querendo-o, me sinta fluir para ti.

José Cadima

segunda-feira, agosto 03, 2009

O presente que eu quero (2)

Daqui a algumas semanas faço anos
e quero um presente teu,
aquele que me negaste
no ano precedente:
sim, um, dois,
um milhão de beijos!
Se os mereço?
Pois claro que mereço:
não te dediquei eu
muitas dezenas de poemas?
Mais: para quem foi o meu pensamento
neste tempo todo de encontros
e de desencontros, também?
Será que é agora que sou capaz
de sensibilizar o teu coração,
na aparência duro como uma rocha?
Permites que alimente
essa esperança?
Permites que sonhe?
Se achas estranho
que te dedique tantos poemas,
porque não posso eu achar estranha
a tua forma de amar?

José Pedro Cadima

sábado, agosto 01, 2009

Minha Querida Cláudinha

Obrigado pelas tuas mensagens e pelo carinho com que me trataste nestes últimos dias. Fico contente com as notícias que me dás sobre as tuas coisas. Agradeço-te também, uma vez mais, a compreensão que revelaste no que respeita às minhas dificuldades. Não te peço que o sejas sempre, quero dizer, compreensiva.
Não sei quando terei condições para rever-te. Amanhã? 2ª feira? Seguramente, estarei contigo na 3ª feira pf. Dir-me-ás também que agenda tens para os dias seguintes.
Desculpa ter-te abandonado a partir de 4ª feira pf. Entendi que não podia deixar de vir a Braga. O resto não o previ.
Finalmente, agradeço as reflexões que produzistes sobre a minha vida pessoal. Num certo sentido, ajudam-me, mas não te esqueças que há coisas sobre que não gosto de falar e que saio sempre magoado dessas conversas (e normalmente não só eu).
Eu já te disse que és um amor?
Desejo-te um bom dia e um óptimo fim-de-semana.
Um beijo muito grande,

José Cadima

quarta-feira, julho 29, 2009

Ó mar salgado…

Ó mar salgado
quanto do teu sal…
Ó mar salgado
pressinto-te perto,
ao dobrar da rua,
mas não te enxergo.
Perto de ti,
sinto-me mais eu
mas não menos ameaçado.
Abalas-me as trincheiras
desta fortaleza
feita natureza,
mas nem em razão disso menos frágil,
menos ameaçada.
Ó mar salgado
a tua beleza, a tua força
atraiem-me de modo similar
ao que a gravidade nos prende
à Terra.
A um tempo, essa amarra sossega-nos,
a outro tempo desejávamos
que nos deixasse flutuar
de modo igual
ao que alcançamos nalguns sonhos.

José Cadima

sexta-feira, julho 24, 2009

Lua

De uma noite escura,
de um céu repleto de nuvens
nasceu um luar
tão grande, tão belo e feroz
que as nuvens mandaram afastar.

Ai, lua, que teu brilho
é tão bonito
que jamais poderá ser representado
por algo dito ou escrito.

É como o sorriso
que sai de um choro.
É como o beijo
de um qualquer namoro.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 49)

terça-feira, julho 21, 2009

Uma festa de arromba em Braga

Braga viveu 6ª feira pp. uma festa como há muito não se via pela cidade. O S. João, com os seus martelinhos de plástico e as barracas de farturas, não tem como comparar-se-lhe. A grandiosidade da festa decorreu da presença ao vivo e a cores do Presidente da República portuguesa do Rei de Espanha, e, last but not least, dos primeiros ministros de ambos os países promotores do International Nanotechnologies Laboratory (INL) “inaugurado”. A festa também não teria o mesmo importante significado simbólico se não se tivessem juntado nas redondezas uns quantos docentes (manifestantes?) do ensino superior convenientemente escoltados pela polícia de choque que, ao que parece, não gosto nada de manifestantes (?) ou de docentes do ensino superior, como quer que se queira designá-los. Felizmente, havia por perto um campo de futebol e foi possível acantonar os ditos manifestantes (?) ou docentes do ensino superior (como melhor se entenda defini-los – fico na dúvida sobre quais possam ser mais perigosos) no recinto desportivo em causa, mesmo não tendo este a imponência do de Santiago do Chile, onde Pinochet enclausurou os seus oponentes a seguir ao golpe de estado (fascista) que protagonizou.
A festa, além de grandiosa, foi de todo oportuna já que o edifício tem pronto para aí um terço do que está planeado ser, exibindo na parte restante, já de pé, corres garridas e um “look” todo modernaço, em consonância com o fim a que está destinado. Para mais, como declarou alguém da organização à comunicação social, a inauguração do edifício “marca o lançamento da campanha internacional de apresentação do organismo e de promoção do recrutamento dos melhores cientistas, à escala internacional” (cf. Correio do Minho de 2009/07/17). Em tais circunstâncias, fazia lá sentido esperar que o edifício se apresentasse com o aspecto comum das construções acabadas que encontramos por aí pelo comum das nossas cidades?
Ao que parece, o instituto tem também por resolver a questão do estatuto jurídico, mas nisto também se vê a coerência do projecto. Já viram o que seria apostar num edifício modernaço, para investigação de coisas esquisitas, inaugurado com a construção a um terço do resultado final esperado e ter já tudo resolvido em matéria de enquadramento formal? E se acaso (vá de retro Satanás), obra acabada, não fosse mais ministro da ciência e de umas quantas coisas acessórias mais Mariano Gago? E se por acaso, por altura das vindimas, José Sócrates tivesse sido já apeado do poder lisboeta? E se, por manobra do destino, por ocasião do plantio da relva no espaço envolvente, no edifício fronteiro à Praça do Município morasse já outro inquilino? Desgraça! Desgraça! Em tais circunstâncias, o edifício poderia lá ser inaugurado? E ir-se-ia utilizar, lá para 2010, um edifico que tivesse ficado por inaugurar com pompa e circunstâncias como devem ser inaugurados edifícios com nomes tão sugestivos como International Nanotechnologies Laboratory, para mais votado à investigação de ciências ocultas, como dizem ser as Nanotecnologias?
Foi bom Braga poder viver este dia de festa de arromba nesta altura em que a festa se sugere tão arredia do semblante do comum dos bracarenses e de todos os outros bracarenses que a cidade acolhe, que são bastantes mais que os bracarenses comuns. Foi muito bom e ainda há-de ser bem melhor quando tivermos por Braga o INL propriamente dito, com cientistas e tudo, que ficam sempre bem nas suas batas brancas. Nisso, tem muita sorte Braga por poder dispor de uma larga reserva de bracarenses (que em tempos chegou a ser bastante maior) no Alto Minho, em Trás-os-Montes e até em sítios mais remotos, como o Brasil, a Ucrânia ou Cabo Verde, para citar só algumas origens. Retida na memória dos bracarenses que a viram, fica agora a expectativa sobre em que ocasião futura terá a cidade direito a festa de equivalente igualha. Que não seja muito lá para diante no tempo, são os votos que formulo com os demais, que para uma boa sardinhada e uns copos de verde tinto arranja-se sempre estômago.

J. C.

domingo, julho 19, 2009

Percorro...

Percorro o teu corpo
Deslizo os meus dedos
Um pouco por todos os cantos que encontro
Encontro as tuas mãos que me seduzem
Deslizam devagar pelo meu corpo
Como mais ninguém alguma vez o fez
Às vezes, tornam-se mais firmes
Sinal de que estás comunicando comigo
Hoje, sinto saudades das tuas mãos, da tua voz,
Até do teu olhar de menino
Sinto falta de quase tudo…

C.P.

sexta-feira, julho 17, 2009

Poemas para nada (2)

Sei que já deves estar farta
que te dedique poemas.
Sei que é inútil o meu esforço
para sensibilizar teu coração.
Mesmo assim, devo tentar,
devo mostrar-te esta força
que me impele para ti.

Se achas estranho
que te dedique estes poemas,
imagina a sensação
que será, fundado no que sinto por ti,
criá-los.

José Pedro Cadima

quinta-feira, julho 16, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Cheguei ao fim do dia bastante cansado. A noite de ontem também não foi particularmente boa. Espero sentir-me melhor amanhã.
Que me digas que não és uma fanática das noitadas ainda admito, agora dizeres-me que estás com saudades minhas depois do desgaste que foi para ti os dias que passámos juntos só pode ser por gozo. Eu já me contento que me digas que a minha companhia não foi tão penosa quanto estimavas.
Lamento não te ter levado a um sítio para dançares. Se o tivesse identificado, ter-te-ia levado, embora fosse seguro que me viesse a arrepender disso. Aí sim, terias oportunidade de me ver em agonia...
Um beijo grande,

José Cadima

terça-feira, julho 14, 2009

Monstros

- Monstros perseguem-me.
Vê-los? Ouve-los?
-Não?
-Mas, sente-los?
-Sinto!
Mas, diz-me:
porque te perseguem?
- Tu persegues-me.
Tu és o monstro!
Tu me falas.
Responde tu a essa pergunta.

José Pedro Cadima

sábado, julho 11, 2009

A meu lado

Pressinto-te
a meu lado,
sei-te a meu lado
e estranho saber-te
tão perto.
É estranha
a forma como a distância
nos torna próximos,
algumas vezes,
ontem, hoje, amanhã, talvez.
Dormes? Sonhas?
Eu também sonho, por vezes,
raramente.
Vezes há, até,
que sonho contigo, creio;
creio que sonho contigo,
digo.
Tão perto…

José Cadima

sexta-feira, julho 10, 2009

Procura de um esconderijo

Eu esmago quando beijo;
eu enforco quando abraço;
procuro meu esconderijo,
onde me desfaço.

E à procura dele já fui longe,
para um sítio distante;
atrás dele fui longe,
não olhei para trás um instante.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 41)

terça-feira, julho 07, 2009

Minha Querida Cláudinha

Estas notas são tiradas do teu diário ou da tua memória, propriamente dita? Se são da tua memória, fico profundamente impressionado, não só pela memória dos detalhes como pela forma como viveste e planeaste este teu dia.
Mais uma vez, fico sem saber o que dizer-te, aparte algumas coisas que te digo algumas vezes e que tu não gostas que eu te diga. Preferia dizer-te que te acho um encanto, uma "teenager" que merece que tudo lhe corra bem, uma Cláudinha que me deixa desamparado porque nunca me ocorreu que me aparecesse pela frente a dizer-me que gosta um bocadinho de mim.
Evita atormentar-me mais. Não sei se consigo resistir. É que, por vezes, sinto-me profundamente frágil.
Quando partimos à aventura, precisamos sempre de boa sorte. Aliás, precisamos de boa sorte mesmo quando não partimos. Concluo que a tua amiga acompanhou todos os teus passos. Nem sempre isso é bom. Eu prefiro reservar essa informação para mim, a da aventura, digo.
Está a ser um dia de revelações para mim e um dia de intensas memórias para ti, deduzo. Vamos ver se o final do dia está à altura do que foi emergindo no seu decorrer. Depois de tanta expectativa ...
Um beijo muito grande,

José Cadima

segunda-feira, julho 06, 2009

12 meses e mais 3

Doze meses de descobertas
E mais três de caminhadas
Tu não acreditavas
Eu acreditava que eras tu
Abril, Maio, Junho
Sempre a caminhar
E pouco a adiantar
Brainstorming para aqui
Brainstorming para acoli
Que homem tão misterioso
Verdadeiro Adamastor e força da natureza
Depois…
Julho representou o teu medo e o meu deslumbramento
Agosto foi de descoberta para ti e para mim
Setembro de mais descoberta e já amor
Outubro de grande tempestade em que tanto me ajudaste
Novembro de alguma bonança e alguma esperança
Dezembro de arroz doce e com alguns pozinhos de descoberta
Janeiro de reconforto pela tormenta que se avistou
Fevereiro de contacto com parte da tua natureza
Março de renascer e de amor verdadeiro
Abril de trabalho e mais trabalho, mas feito com muito amor
Maio de mais trabalho e muito carinho e saudades
Junho de certeza de amor verdadeiro e já sem “Helena”
Julho à procura de substituta para a “Helena”
Com tanto amor e verdadeiro
Só posso aspirar que neste novo ano
Consigamos partilhar mais sentimentos e coisas simples da vida
Queres continuar a caminhada?

C.P.

sexta-feira, julho 03, 2009

O Teu Olhar de Menino

Às vezes olho para ti
E vejo os olhos de um menino
Adoro esse olhar
Que antes não existia
Os teus olhos
Comunicam com os meus
Duma forma que me assusta
Mas, também, que me conforta
Mas, também, que me emociona
Como será possível amar-te tanto?
Como?...
Porque ambos
Andávamos à procura
Do amor verdadeiro?
Do amor que vive de entrega
Mas, também de desafio
De muito brainstorming
Adoro esse teu novo olhar
De menino que quer
Finalmente
Brincar no recreio
De menino que quer
Viver o que não deixaram viver
Faças o que fizeres
Serás sempre o meu herói
Meu olhar de menino…

C. P.

quinta-feira, julho 02, 2009

Sinto que não sei

Enquanto percorro as estradas
destes variados mundos,
ausente que és,
sinto que não sei já se estas
são as estradas que quero
continuar a percorrer.
Falta-me o entusiasmo
que me compelia a percorrê-las,
a conhecer a excitação
perante um novo desafio.
Faltar-me-ás tu,
que és o ancoradouro
onde me sinto seguro,
quase sempre;
sempre que não exiges
que seja o herói
que não ambiciono mais ser.
Uma coisa é sobreviver, resistir,
deixar-me levar pelo desafio da luta
que só pode ser para vencer,
outra é querer lutar.
Sabes: os guerreiros também anseiam
ganhar o repouso.
Serás tu o meu repouso,
desafio que permaneces para mim?
Sinto a tua falta!

José Cadima

segunda-feira, junho 29, 2009

Quem não tem tema sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo de inventá-lo

Estou de volta às viagens e ao respectivo encanto. Andei um tempo arredado destas lides. É bom estar de volta. É bom porque me faziam falta a horas de espera nos aeroportos, a comida improvisada para viajantes esfomeados, o “glamour” da partida e da chegada e as madrugadas. Faltavam-me sobretudo as madrugadas para que voltasse a ter oportunidade de passar horas atrás de horas nos aeroportos aguardando o voo de ligação ao destino ou à origem, que também é um destino.
Retorno ao encanto das viagens, embora neste entretanto em que estive fora houvesse algo que se tivesse perdido, irreparavelmente, por troca pelo muito que se ganhou. Perdeu-se, particularmente, a pacatez do controlo de passageiros. Perdeu-se isso para se ganhar a emoção que é embarcar no mundo maravilhoso do “strip tease”: primeiro tira-se o casaco, depois o cinto e logo após os sapatos. Imagino já a próxima etapa…
Sorte, sorte têm certas meninas amantes do “piercing”: o apalpanço não fica só pelos preliminares. Passou também a ser bom trabalhar nos serviços de segurança em causa.
Se há coisas que evoluíram, e muito, há outras que permanecem tal e qual: é espectáculo garantido ir olhando as garotas que passam, nos seus preceitos: se umas se equilibram nos seus sapatos altos, outras há que valorizam mostrar as costas desnudas ou os namorados, os rabos ou as roupas e acessórios com que se decoram. Também as há, coitadas, que não têm que mostrar, não lhes valendo sequer os vestidos. Dos homens não falo. Não lhes acho graça, ponto final!
Nesta ocasião em que estou só a 2 horas da chamada para o embarque (reparem na ironia da palavra: “embarque”), fica-me pouco tempo para discorrer sobre o que me trouxe a este lugar. É pena porque teria muito que dizer sobre o destino, quer dizer, o motivo que me levou a fazer este empreendimento. Poderia, nomeadamente, falar sobre a beleza das noites que se tornam rapidamente dias quando faltam as persianas ou os reposteiros escuros nas janelas dos quartos onde é suposto dormirmos. Poderia escrever sobre televisões que se tornam exclusivamente canais promocionais de alguns produtos e serviços a partir de certas horas. Enfim, poderia falar de avenidas que repetem, triplicam, quadruplicam millenios e alinham cartazes de publicidade a empresas multinacionais às centenas. Só pode ser uma avenida grande, de facto. Seria maior, talvez até uma grande avenida, se acolhesse menos cartazes e, porventura, menos millenios, que já foram jardins, também.
Se tivesse tempo, digo, poderia falar de tudo isso e muito mais. Como o tempo me escapa (já só me resta uma hora e cinquenta e cinco minutos de espera), vou ter que deixar esses temas para melhor oportunidade. A vantagem que daí me advém é que assim não me escassearão os temas de análise como me escaparam hoje, como resulta evidente agora que penso nas banalidades que aqui deixei registadas.
Quem não tem sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo do inventar!

J. C.

domingo, junho 28, 2009

Como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho?

O Rei do Pop desapareceu...
Fiquei com muita pena, mesmo muita pena. Pergunto-me como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho, tão sozinho nos últimos anos que o acabou por revelar numa entrevista recentemente.
Uns (sobretudo homens) acabam por pagar caro o facto de terem relações conflituosas com as mães, das quais nunca recuperam. Outros não chegam a viver a sua infância e adolescência (este aspecto foi frisado também recentemente por ele numa entrevista).
É impressionante o que um homem muito frágil, tímido conseguia fazer junto de multidões. Mas a vida não é só feita de música e ele por ventura não soube ir além da música!

Uma admiradora que dançou muitos anos ao som da música de Michael Jackson

quinta-feira, junho 25, 2009

A minha explosão

Estoiro só mais uma vez.
Já estava farto de ter tanta coisa dentro de mim.
Destruo tudo à minha passagem,
como uma ogiva nuclear.
Caio em mim e expludo.
Uma nuvem de poeira faço
e tudo em minha volta desfaço.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 25)

terça-feira, junho 23, 2009

Gostei de te ver

"Pese a agitação que vieste encontrar, gostei de te ver ontem. Lamento não ter podido dar-te a atenção que merecias. O teu gesto foi bonito."

José Cadima

domingo, junho 21, 2009

Só me fazem falta ...

"Só me fazem falta as pessoas que me estimam e me aceitam como sou."

José Cadima

Diz-me que choro melhor

Diz-me que escrevo bem.
Diz-me que sou o melhor.
Chama a Camões e Torga amadores.
Faz isso por mim.
Faz de mim o teu herói.

Diz-me que choro bem.
Diz-me que sou o melhor.
Sempre que alguém chora,
chama-lhe amador.

Diz-me que choro,
que escrevo,
que abraço,
que amo,
que me lamento
melhor que toda a gente.
Diz-me que sou alguém!

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 45)

quinta-feira, junho 18, 2009

Minha Querida Helena

Alguém escreveu que “os amantes infelizes precisam de ter coragem para mudar de caminho”. É bem esse o nosso caso. Óbvio que é que o amor, mesmo que fundado em elementos que transcendem a racionalidade comum, não assegura felicidade, a necessidade vital que temos ambos de experienciar alguns assomos de felicidade nos obriga a procurar outros caminhos. Digo-o com profunda emoção, mas com a mesma profundidade de convicção.
Anos atrás de anos de luta, de procura, de desencontro conduziram-me a esta conclusão. Quero eu dizer, pior que romper com este mar de lágrimas em que se transformou o nosso encontro é insistir nele. Porque te amo muito, porque sinto a tua dor, a tua angústia, as tuas lágrimas, para além das minhas, como se fossem minhas, quero dar-te a oportunidade de voltares a ser feliz. Se o virás a ser ou não, se conseguirei sê-lo sem ti, não te sei dizê-lo. Comigo, a tua tranquilidade, o teu gosto pelas coisas e, sobretudo, pela vida esvaiu-se, sem remédio.
Pouco importa a razão. Talvez tenha sido por nos questionarmos demais, por não termos deixado que os nossos sentimentos fluíssem livremente que chegámos a este ponto sem retorno. Não soubemos tirar partido da naturalidade com que as peles dos nossos corpos conviviam e isso basta para que tenhamos que concluir como o faço nesta hora.
Chego a esta convicção tardiamente. Peço-te perdão por isso. A atracção que nos impelia um para o outro, a crença (a esperança) que voltássemos a ser capazes de comunicar por palavras, a falta de coragem que consinto agora ter existido ditou o prolongar desta nossa ligação afectiva sofrida. Arrependo-me profundamente disso, o que não significa dizer que me arrependa do amor que te dediquei, e dedico, ainda.
Foi bonito o nosso amor. Foi muito bom o nosso reencontro tanto tempo depois de, noutra vida, nos termos cruzado brevemente. Fiquemos com essa memória, relevemos esses momentos sobre as contrariedades que emergiram depois, que não soubemos ou não pudemos gerir, e esta despedida ganha um sentido diferente, e esta penosa resolução de separamos mãos suar-nos-á bem mais leve, bem mais aceitável.
Não nos livramos das lágrimas mas, nota, as lágrimas não nos acompanham só nos momentos tristes. Também estão tantas vezes presentes nos melhores momentos. Em razão dessa ambiguidade, olhemo-las como sinal de futuro. No arco-íris que percebo na lágrima que me corre pela face, creio ver-te sorrir de novo, vejo-te esvoaçar ao longe, junto das margens do mesmo rio onde tantas vezes nos refugiámos em busca de nós próprios, e tu esvoaçaste ocasionalmente.
Até sempre meu amor!

José Cadima

quarta-feira, junho 17, 2009

O amor sou eu (2)

O que é o amor?
O amor sou eu,
uma maré de sentimentos,
um monte de violentos impulsos.

O que é o amor?
O amor sou eu,
num violento impulso
e num enorme sofrimento.

Sentir…amar…
para quê?
Quem não o faz
sobe mais alto,
vai mais longe,
é mais feliz que o amor.

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 15, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Obrigado pela tua mensagem. Deixaste-me muito preocupado com o teu telefonema. Depois das mensagens que trocámos, não imaginei que persistisse tanto mal-entendido sobre as palavras que disse ontem e quanto és importante para mim.
Espero que tenhas conseguido retornar ao trabalho. Não aceito que a nossa relação afectiva possa prejudicar o teu desempenho quotidiado. Se tal acontecer é porque estamos a fazer uma aposta errada e devemos saber tirar daí as consequências sem nos prejudicarmos mais.
Um beijo muito, muito grande,

José Cadima

sexta-feira, junho 12, 2009

A festa está de regresso. Entretanto, Cristiano Ronaldo vai a caminho de Madrid

1. Os últimos dias foram de alguma animação: i) choveu razoavelmente, o que, nesta época do ano, é sempre bom para regar os campos, combater espíritos incendiários e refrescar algumas mentes; ii) tivemos algum sol, para fazer contraste com os dias de chuva e alimentar as fantasias dos(as) que andam obcecados(as) pelas praias e por reencontrar-se com algumas coisas bonitas que o sol e a beira do mar põem à vista; iii) realizaram-se eleições para o parlamento europeu e, contrariando o pessimismo de bom número de portugueses, o PS e o Zé das Baldrocas tiveram a sorte que mereciam, isto é, perderam estrondosamente as ditas, com um resultado só comparável ao que Soares obteve nas últimas eleições presidenciais, este também um resultado bem merecido. Pena, pena é que não tenha havido mais derrotados, como o arremedo de político tacheriano, fora de prazo, que é Manuela Ferreira Leite mais umas quantas encarnações de autênticos liberais e democratas bem encostados ao aparelho do estado e suas ramificações.
2. No meio de tanta alegria, também se viram coisas tristes, como foi a passagem para segundo plano do “caso freeport” e de um rol infindável de trapalhices a que aparece associado o nome do primeiro-ministro de Portugal, e agora também o de Alberto Costa, de quem soube entretanto ter já um largo historial de envolvimento noutras trapalhices, nomeadamente aquando da sua passagem por Macau, que já teve árvores das patacas e agora ter-se-á transformado em viveiro de casinos. A esta tristeza há que somar a do esfumar definitivo da imagem de lutador e de cultor de valores cívicos elevados de Vital Moreira que, depois de “engenheiro” da reforma do enquadramento jurídico do ensino superior nacional, apareceu agora a dar a cara por uma prática de exercício do poder de que, em nome da sua memória política, deveria envergonhar-se. Num certo sentido, olhando a figura com que se apresentou nas eleições, isso até será verdade. Não chegou foi a tomar consciência disso, coitado.
3. Para fechar um período de não muito má memória, como se dirá daqui por uns tempos, chegou a notícia da transferência do Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. É uma novidade que gera expectativa nalguns sectores e que não deixará de desapontar outros. Nesta última vertente, lembro-me particularmente das meninas de Manchester e arredores que faziam a alegria de Ronaldo e dos seus “compagnons de route” em certos dias em que necessitavam de tirar a barriga de misérias ou de descarregar a carga negativa associada a piores desempenhos noutros campos de jogos. Que Cristiano Ronaldo seja bem-vindo/ido a Madrid é o que lhe desejo. Estou seguro que as madrilenas não deixarão de lhe acudir nos momentos de maior aflição. Não é em vão que se diz delas que são umas grandes malucas. Não serão todas, é óbvio, mas o nosso “herói” também não as quereria todas.

J. C.

quinta-feira, junho 11, 2009

Thinking of you

Comparisons are easily done
Once you’ve had a taste of perfection
Like an apple hanging from a tree
I picked the ripest one
I still got the seed
Cause I’m always thinking of you
Thinking of us
You are the one
I wish that I was looking into your eyes
To tell you that you are the only one
You’re like an Indian summer
In the middle of winter
Like a hard candy
With a surprise center
You kissed my lips
I tasted your mouth
I’liked it very much
I’m always
Thinking of you, of us…

C. P.

(adaptado de “Thinking of you”, de Katy Perry)

Vida monótona (2)

Porquê eu?
Porquê todos os dias?
Porquê esta vida sem graça?
Cada dia parece clonado do dia precedente,
mostrando um sorriso que encobre
as minhas mágoas,
a minha tristeza,
o meu tédio.
Porquê?

José Pedro Cadima


(texto de 2004, editado nesta data por José Cadima)

segunda-feira, junho 08, 2009

Minha Querida Helena

Quando escreves o que deixas dito, resulta claro que as coisas não vão bem connosco, isto é, que acumulas um rol de frustrações em relação ao que esperarias de mim. Lamento que assim seja. Era isto que eu não queria que acontecesse.
Se me desconforta ler o que escreveste e concluir desta forma é porque gosto muito, muito de ti e não queria que isto sucedesse. Teria sido evitado se não tivéssemos ido tão longe na nossa ligação afectiva.
Falas de "escape" como se fosse uma coisa negativa. Nunca pus isso assim. Quando falo de seres o meu refúgio, único, isso tem o sentido oposto de um encontro íntimo profundo, natural, profundamente desejado. É também a oportunidade que tenho de ser frágil, de ser "criança", de me sentir cansado. Se não posso ser isso contigo, uma parte muito importante do que és para mim deixa de existir.
Aprendi a sofrer em silêncio, a mascarar a minha dor. Se necessário, voltarei a fazer isso, mesmo que me seja crescentemente penoso. Continuarei a refugiar-me no meu trabalho.
Por favor, avalia bem se é este eu (José Cadima, "apenas") que queres. Se não for, talvez seja melhor que defiramos o nosso próximo encontro para uma data futura mais longínqua.
Um xicoração apertado,

José Cadima

domingo, junho 07, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Tu és o estímulo quase singular que tenho na vida. Obrigado por o seres. Mesmo assim, como podes constatar amíude, há momentos em que as forças me abandonam e não me resta senão conformar-me com o facto triste de ter acabado. Tenho conseguido ressuscitar, ocasionalmente. Só não sei até quando serei capaz de continuar a fazê-lo.
Um xicoração,

José Cadima

Interrogações

"Quando não se tem condições para votar a favor, há maneira de fugir a votar contra? No presente cenário sociopolítico, alguém pode abster-se de ir votar contra?"

José Cadima

sexta-feira, junho 05, 2009

Inspiração (2)

És a mais bela mulher do mundo.
És a minha inspiração
e motivação de viver.
És o poder que me move,
a força que me derrete.
És tudo o que eu quero.
És a origem dos meus piores
momentos de desespero.
És a minha inspiração!

José Pedro Cadima

(texto de 2004, editado nesta data por José Cadima)

terça-feira, junho 02, 2009

As tuas mãos (2)

As tuas mãos,
que me tocaram
e acariciaram,
eram doces e belas,
tanto quanto o teu carinho.
A memória das tuas mãos,
doces e belas,
soa-me doce
e traz-me sofrimento.
As tuas mãos...

José Pedro Cadima

(texto de 2004, editado nesta data por José Cadima)

quinta-feira, maio 28, 2009

Vai por aí enorme animação

1. Ao que me dizem, vai por aí enorme animação. É que vamos ter eleições europeias a breve prazo e, com candidatos tão ousados e carismáticos como o são Paulo Rangel (dizem-me que é assim que o homem se chama) e Vital Moreira, só podia dar nisso. Só espero que a Manela não resolva aparecer na campanha. Aparecendo, com todo o seu “charme”, acabará por ofuscar o cabeça-de-lista que tão empenhadamente escolheu. Agora que me deparo com a evidência, pergunto-me até como é que foi possível manter longe das luzes da ribalta alguém detentor de tanto talento político e de tão insinuante e máscula figura.
2. Sendo tão grande a animação, como deixo dito, perguntar-se-ão os(as) eventuais leitores(as) [e sei que tenho um(a), a atentar no comentário de incentivo que foi deixado neste blogue a propósito da última crónica publicada] porque é que isso me escapa. A resposta é simples: é que, como estão programadas múltiplas eleições para este ano, tenho evitado sair à rua para não correr o risco de pretenderem recrutar-me para alguma das listas em formação. Se não acharem abusivo o conselho, recomendo-vos que façam outro tanto, não vá o azar bater-vos à porta. Bem diz o povo que, caminhando-se colado às paredes das ruas se corre muito menos riscos.
3. Aliás, em razão do carinho que me merecem os(as) meus(minhas) caros(as) leitores(as), até em razão da sua extrema escassez, não posso deixar passar sem uma sumária resposta o comentário que invoco. Convoco o que o meu(minha) estimado(a) leitor(a) diz para, por um lado, condescender que Zé das Baldrocas seria nome mais apropriado para o nosso “primeiro”. Percebe-se, entretanto, que a família não lhe antecipasse a vocação por altura do seu baptismo. Pese todo o carinho, digo, tenho mesmo assim que discordar veementemente da sua pergunta-insinuação de que “o mundo dos políticos” jamais “ouvirá o comum dos mortais”. Com a invocação que faço acima da campanha eleitoral em curso quero demonstrar precisamente o contrário. Não são gente do povo, de alma conduída com as dificuldades que os portugueses atravessam, os candidatos que por esta altura calcorreiam cada rua, cada beco do país? Não é sinal de imensa sensibilidade social, de espírito cristão (como se poderá dizer) a ajuda que o governo (se a escala no governo calhasse ao PSD, estou certo que faria outro tanto) vem prestando aos infelizes dos banqueiros nacionais e aparentados?
4. Consinto que sentisse enjoo [tê-lo(a) como leitor(a) faz de si a mais estimada pessoa do mundo, para mim] mas vai-me perdoar que duvide que a razão desse mal-estar viesse daí. Não seria antes resultado de alguma coisa menos fácil de digerir que tivesse metido ao estômago entretanto ou, sendo uma senhora, não estaria(estará) por acaso grávida? É que essas coisas acontecem, com bem o saberá, e, muitas vezes, só damos por elas muito tardiamente. Não seja injusto(a) com os “nossos” políticos. Sei que têm permanentemente na cabeça o bem-estar dos portugueses ou, pelo menos, de alguns deles.

J. C.

quarta-feira, maio 27, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"A seguir à Trofa, logo que se atravessa o rio, começa o Minho, isto é, o Minho fica logo acima (do norte).
Até qualquer dia, quando a tua agenda saturada to permitir."

José Cadima

terça-feira, maio 26, 2009

Amor da minha vida

Amor da minha (tua) vida,
sussurras-me ao ouvido,
esperando, reclamando resposta
que não fique aquém da expressão de entrega
que me transmites.
Despojado da capacidade
de exprimir em palavras os sentimentos,
as emoções que me assaltam,
frustro-te na tua ânsia
de escutar da minha boca
expressão de carinho idêntica.
Ficamos num meio caminho
entre o teu desejo e o meu desespero.
Fico encravado entre o abraço apertado
que sinto necessidade de dar-te
e as palavras que não me saem,
não podem escoar-se
porque nunca aprendi a dizê-las
ou, porventura, me desabituei de usá-las.
Amor da minha vida?
Sim, quem alternativamente me transmite
a alegria do reencontro com o jovem, a criança
que nunca fui mas gostaria de ter sido?
Correr para os teus braços
passou a ser um desígnio
que não quero abandonar,
de que não quero mais prescindir,
amor da minha vida.

José Cadima

sábado, maio 23, 2009

Amar

Quando se sofre
aprende-se a amar
quem nos ama.
Nessa altura,
aprende-se também a desculpar
quem não nos amou.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 19)

quinta-feira, maio 21, 2009

Amor da minha vida

Sinto-me mulher
Diferente das outras mulheres
Diferente porque te amo
Diferente porque me fazes sentir mulher
Diferente porque me levas para mundos
Aos quais nunca acedi antes
Sei que és o amor da minha vida
Sei que te amarei até aos meus últimos dias
Mas sei também que
Terei que to provar
Saberei fazê-lo?
O desafio está criado
Tenho apenas que agarrá-lo

C.P.

quarta-feira, maio 20, 2009

Quero

Quero beijar-te ao deitar-me...
Quero sussurar-te ao deitar-me e ao acordar dizendo-te que te amo...
Quero rir-me contigo quando quiser...
Quero abraçar-te sempre que puder e que quisermos...
Quero dar-te a mão na rua sempre que me apetecer...
Quero não ter "vergonha" por te amar...
Quero apoiar-te sempre que for necessário e o quiseres...
Quero sobretudo partilhar sentimentos...

C.P.

segunda-feira, maio 18, 2009

Presente incerto

Como posso eu projectar o futuro
se tenho incerto o presente?
Pode ser auto-flagelação
mas é assim que me sinto
e não sou capaz de transmitir algo diferente
a alguém que é o refúgio que tenho,
mesmo inibindo-me de lho confessar
ou talvez por causa disso.
Pode isso tolher o amor?
Pode isso resultar em falha de comunicação
com quem se deseja comunicar intensamente?
Pois sim, pode, mas como posso eu fugir
a ser o que sou,
a sentir-me como me sinto?
Gostava de te dizer coisas diferentes.
Gostava de dizer-te quanto gosto
de correr para os teus braços,
como me sinto bem apertando-te contra o meu peito.
Gostava, mas...
Acabo a dizer-te coisas que tu não entendes
e te magoam, porque não as entendes.
Se assim o quiseres,
ajudar-te-ei a construir o jardim
que tanto anseias ter.
Se assim o desejares,
estarei contigo amanhã
e depois de amanhã,
sempre…
Como posso eu projectar o futuro
se tenho incerto o presente?

José Cadima

domingo, maio 17, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Gostei muito de ter-te de volta, isto é, recuperar o meu refúgio, aparte dar-te o beijo que te tinha prometido.
.
José Cadima

sexta-feira, maio 15, 2009

Temos ministro!

1. Em data que não sei já precisar com rigor, mas que antecedeu em muitos meses senão mais de um ano a formação do governo em funções, do Zé das Trocas, como alguém muito acertadamente terá decidido chamar-lhe, vivi a experiência de assistir à apresentação, em Braga, na ACB, de um livro escrito por Manuel Pinho, que alguns associarão, vagamente, à figura do actual ministro da economia. O dito personagem havia lançado pouco antes um livro que abordava uma qualquer dimensão da economia portuguesa que não sei precisar nesta ocasião. Quando, mais tarde mas não muito, o vi ser indicado para ministro da economia percebi que o dito sujeito tinha vindo à ACB em digressão no contexto do estágio que estava a fazer para ministro. A dúvida que me ficou nessa altura foi sobre quem teria sido o patrono do estágio, se o seu patrão na altura (Ricardo Espírito Santo) se o PS, que estaria curto de candidatos para essas funções.

2. Este caso veio-me à ideia há poucos dias, quando me chegou às mãos um livro acabado de lançar por Vítor Bento que, ao que sei, também esteve em Braga a apresentá-lo. Do que li na imprensa local, julgo que tal aconteceu na Universidade do Minho. O livro, que me saiu caro, tem por título “Perceber a crise para encontrar o caminho”. Pese o título, da leitura corrida que fiz, fiquei com o sentimento que o autor terá percebido a crise, mas dificilmente dará com o caminho, dado o trilho porque se resolveu aventurar. Descontando isso, como deixo já entrevisto, ficou-me a inquietação própria do “déjà vu”, quer dizer: estará Vítor Bento nesta ocasião em pleno estágio para ministro? Se estiver, acredito que seja para ministro das finanças, ou não seja o dito o presidente da empresa do multibanco.

3. Uma coisa bem curiosa que encontrei no livro foi a reclamação da criação de um “alargado consenso político-social” para a resolução da(s) crise(s) que a economia portuguesa vive. Este conceito deverá ser um eufemismo para identificar a “urgência” do retorno aos governos do “bloco central”, que, não sendo forma de governo há largos anos em Portugal, persiste enquanto tal na divisão de tudo quanto é “tacho” em empresa pública, grupo bancário, empresa do sector de obras públicas ou lugar de cúpula de associação empresarial. Distraído que andava, só então percebi que esse vinha sendo tema quotidiano da comunicação social nacional (ignoro desde há quanto tempo), tratando de preparar os portugueses para o pior, se é que as coisas podem piorar, ainda. Aqui chegado, o sangue deixou de me alimentar o cérebro, fiz-me branco como a cal, e apeteceu-me fugir para o lugar mais remoto possível. Desgraçadamente, o sangue que deixou de alimentar-me o cérebro faltou-me também nas pernas e é essa a razão porque ainda ando por aqui. Levei para mais de uma semana até conseguir verter para o caderno este breve apontamento de memórias. “Atão” não é que …

J. C.

quinta-feira, maio 14, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Que boa desculpa essa para não me ligares nada, hem? E depois ainda tens a lata de escrever que estás a morrer de saudades minhas.
.
José Cadima

segunda-feira, maio 11, 2009

A tua companhia

Sinto-me sozinho
e com falta de carinho.
Só a tua companhia
me acalmaria
e me faria sentir o carinho
que tanta falta me faz.
Por isso, anseio estar contigo;
por isso, anseio reencontrar-te
para me reencontrar.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 23)

sexta-feira, maio 08, 2009

Minha Querida Helena (Desapontar-te)

Não o desejando, desaponto-te continuadamente. Como tu dizes, não paro de confrontar o amor que tu me dedicas com a minha distância sofredora, a distância de alguém que tem dificuldade em reconhecer-se como objecto de um amor tão dedicado, tão generoso quanto o teu.
Para piorar as coisas, faltam-me palavras, talvez mais do que gestos, que te assegurem que o teu amor é correspondido, dizes-me também tu.
Sinto a dificuldade do momento, angustia-me o teu sofrimento e, no entanto … No entanto, receio não ser capaz de abandonar essa faceta masoquista, essa tristeza estrutural, essa exigência que mantenho em relação a mim que me torna no ser que, desejando desesperadamente os teus braços e a tua atenção, não sabe dizer-to, não é capaz de deixar de desapontar-te, sofrendo com isso e, desse modo, re-alimentando a sua angústia, a sua tristeza, desapontando-te.
Decidirás se aceitas que te penalize (que me penalize desta maneira) e/ou por quanto tempo.
O que é que eu mais desejo? Porventura, perguntar-te-ás. Aí tenho resposta segura: desejo que alcances a felicidade que procuras e a que tens direito, toda quanta se pode desejar a alguém a quem se quer muito, a alguém que será, porventura, o amor da sua vida, almas gémeas em que cada vez mais nos reconhecemos em fugazes deambulações por outros mundos.
Um beijo muito grande,

José Cadima

quarta-feira, maio 06, 2009

Crónicas de Maldizer

Conforme resulta patente, não o tendo pensado ser, acabei por me tornar um colaborador regular deste blogue deste há muitas luas. Pouco criativa, esta foi, talvez, a forma que os seus editores encontraram de preservar a regularidade da publicação num quadro de falta de imaginação e/ou de tempo para produzirem os seus próprios textos, de ficção ou poéticos. Não produzi os textos entretanto reeditados a pensar na respectiva divulgação por um tal canal (como outros lhe chamariam), e sempre me pareceu discutível retomar “hoje” textos de há 14, 15, 16 anos, mas a simpatia que nutro pelos editores do blogue fez-me quebrar resistências e, um a um, lá fui libertando alguns dos textos que tinha em arquivo. Outros, achei por bem não republicar por me parecer poderem dizer muito pouco aos actuais leitores ou por denunciarem em excesso a deriva mental que atravessei por aquela altura.
Pediram-me agora os editores do blogue que retomasse as crónicas, avançando para uma nova série. Sinceramente, não sei o que faça: queria-lhes ser simpático (que também eu o sei ser, de tempos a tempos) mas, em boa verdade, não sei se serei capaz, porque também o tempo passou por mim (e não só pelas crónicas re-editadas), e porque não estou seguro que possa encontrar na sociedade e no evoluir da vida política actual motivos de análise ou, melhor, pretextos suficientemente fortes. Em boa verdade, terão que convir que não será fácil descortinar na cena mundana e política actual objectos analíticos tão interessantes e dignos quanto o eram Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Mesquita Machado ou Aníbal Cavaco Silva. Que magnificas “crónicas de maldizer” me permitiram produzir essas personagens então, passe a imodéstia. Comparados com estes, José Sócrates, Zé Mariano ou Manuela Ferreira Leite, não passam de caricaturas pobres. Vamos ver… Vamos ver se serei capaz. Não queria ser antipático para com os editores. Afinal, só eles poderiam ver algum mérito no meu trabalho já tão antigo e achar que eu teria préstimo ainda como analista da sociedade do presente.
Vamos ver, repito. Não prometo regularidade nem prometo inspiração. Aliás, a inspiração só me pode vir do correr das circunstâncias deste nosso dia-a-dia que, nesta hora, não sou capaz de vislumbrar senão triste, cinzento, enfadonho, povoado dominantemente por gente desinteressante, portanto, sem potencial para se converterem em credíveis objectos das “crónicas de maldizer” que é suposto eu produzir. Que falta me vão a fazer os saudosos Mário Soares, Manuela Ferreira Leite, Aníbal Cavaco Silva, entre outros!

J. C.

segunda-feira, maio 04, 2009

“Fora com os fins-de-semana - II”

“Como indiquei, tenho para mim que o fim-de-semana é a melhor ocasião para avaliar o estado de ânimo e de cultura do comum dos cidadãos e, logo, os grandes desígnios da política cultural dos governos. É, talvez, ocasião única em cada semana. Se não acreditam, experimentem dirigir-se num destes fins-de-semana próximos à zona do Bom Jesus ou do Sameiro e reparem na lixeira em que ficam transformados os largos anexos ao elevador do Bom Jesus e outros lugares de estacionamento, anotem o desprezo pelos outros denunciado pela forma como os carros aparecem aparcados ao longo das vias e áreas envolventes, registem o número de vezes que os automobilistas com que se cruzam não respeitam as prioridades estabelecidas para a circulação automóvel, mudam de direcção sem aviso ou ensaiam ultrapassagens de filas contínuas de veículos.
Mas, grave, grave, que este estado de coisas ameaça estender-se pela semana toda, de segunda a domingo. Imaginem o que é uma semana todinha preenchida com porcaria, excursões, famílias a passear de popó, lixo, carros a atravancar tudo quanto é estrada nacional ou arruamento citadino, porcaria, atropelos aos direitos dos cidadãos e atropelos à integridade física dos cidadãos, e mais lixo.
Nisto, a única coisa que me parece perfeitamente pacífica é que os políticos escolham tais lugares e ajuntamentos humanos para levar por diante as suas campanhas: é tudo uma questão de lixo.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/09/09, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sábado, maio 02, 2009

“Fora com os fins-de-semana - I”

“Os fins-de-semana são sempre períodos difíceis: é a quebra da rotina laboral semanal substituída por outra que não chega a ter tempo para se instalar; é a oportunidade para o encontro com a família (não seriamente com nós próprios) e com a incultura e a estupidez promovidas a projectos nacionais; é a ocasião para acompanhar o exercício dominical de hipocrisia de Marcelo Rebelo de Sousa e de outros menos requintados, de uma legião de comentadores.
Fica-me a dúvida sobre a oportunidade da existência de fins-de-semana, agora que a missa vai perdendo significado na rotina do cidadão comum. Fica-me a dúvida, por outro lado, de quem paga a tantos ilustres comentadores políticos, sabido que nem todos os jornais e demais órgãos de comunicação social abundam em dinheiro. Há, evidentemente,
Que colocar a hipótese de se tratar de uma retribuição desfasada, quer dizer, um investimento a pensar num futuro mais ou menos a médio-prazo. Este argumento dá consistência, por exemplo, à multiplicação de comentadores Cavaco/Nogueiristas. Já é mais difícil entender as vantagens de quem os contrata: uma vez falidos, o jornal ou a rádio, são órgãos de informação falidos, a não ser que lhes valha a igreja universal do reino de deus.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/09/09, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)