segunda-feira, julho 06, 2009

12 meses e mais 3

Doze meses de descobertas
E mais três de caminhadas
Tu não acreditavas
Eu acreditava que eras tu
Abril, Maio, Junho
Sempre a caminhar
E pouco a adiantar
Brainstorming para aqui
Brainstorming para acoli
Que homem tão misterioso
Verdadeiro Adamastor e força da natureza
Depois…
Julho representou o teu medo e o meu deslumbramento
Agosto foi de descoberta para ti e para mim
Setembro de mais descoberta e já amor
Outubro de grande tempestade em que tanto me ajudaste
Novembro de alguma bonança e alguma esperança
Dezembro de arroz doce e com alguns pozinhos de descoberta
Janeiro de reconforto pela tormenta que se avistou
Fevereiro de contacto com parte da tua natureza
Março de renascer e de amor verdadeiro
Abril de trabalho e mais trabalho, mas feito com muito amor
Maio de mais trabalho e muito carinho e saudades
Junho de certeza de amor verdadeiro e já sem “Helena”
Julho à procura de substituta para a “Helena”
Com tanto amor e verdadeiro
Só posso aspirar que neste novo ano
Consigamos partilhar mais sentimentos e coisas simples da vida
Queres continuar a caminhada?

C.P.

sexta-feira, julho 03, 2009

O Teu Olhar de Menino

Às vezes olho para ti
E vejo os olhos de um menino
Adoro esse olhar
Que antes não existia
Os teus olhos
Comunicam com os meus
Duma forma que me assusta
Mas, também, que me conforta
Mas, também, que me emociona
Como será possível amar-te tanto?
Como?...
Porque ambos
Andávamos à procura
Do amor verdadeiro?
Do amor que vive de entrega
Mas, também de desafio
De muito brainstorming
Adoro esse teu novo olhar
De menino que quer
Finalmente
Brincar no recreio
De menino que quer
Viver o que não deixaram viver
Faças o que fizeres
Serás sempre o meu herói
Meu olhar de menino…

C. P.

quinta-feira, julho 02, 2009

Sinto que não sei

Enquanto percorro as estradas
destes variados mundos,
ausente que és,
sinto que não sei já se estas
são as estradas que quero
continuar a percorrer.
Falta-me o entusiasmo
que me compelia a percorrê-las,
a conhecer a excitação
perante um novo desafio.
Faltar-me-ás tu,
que és o ancoradouro
onde me sinto seguro,
quase sempre;
sempre que não exiges
que seja o herói
que não ambiciono mais ser.
Uma coisa é sobreviver, resistir,
deixar-me levar pelo desafio da luta
que só pode ser para vencer,
outra é querer lutar.
Sabes: os guerreiros também anseiam
ganhar o repouso.
Serás tu o meu repouso,
desafio que permaneces para mim?
Sinto a tua falta!

José Cadima

segunda-feira, junho 29, 2009

Quem não tem tema sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo de inventá-lo

Estou de volta às viagens e ao respectivo encanto. Andei um tempo arredado destas lides. É bom estar de volta. É bom porque me faziam falta a horas de espera nos aeroportos, a comida improvisada para viajantes esfomeados, o “glamour” da partida e da chegada e as madrugadas. Faltavam-me sobretudo as madrugadas para que voltasse a ter oportunidade de passar horas atrás de horas nos aeroportos aguardando o voo de ligação ao destino ou à origem, que também é um destino.
Retorno ao encanto das viagens, embora neste entretanto em que estive fora houvesse algo que se tivesse perdido, irreparavelmente, por troca pelo muito que se ganhou. Perdeu-se, particularmente, a pacatez do controlo de passageiros. Perdeu-se isso para se ganhar a emoção que é embarcar no mundo maravilhoso do “strip tease”: primeiro tira-se o casaco, depois o cinto e logo após os sapatos. Imagino já a próxima etapa…
Sorte, sorte têm certas meninas amantes do “piercing”: o apalpanço não fica só pelos preliminares. Passou também a ser bom trabalhar nos serviços de segurança em causa.
Se há coisas que evoluíram, e muito, há outras que permanecem tal e qual: é espectáculo garantido ir olhando as garotas que passam, nos seus preceitos: se umas se equilibram nos seus sapatos altos, outras há que valorizam mostrar as costas desnudas ou os namorados, os rabos ou as roupas e acessórios com que se decoram. Também as há, coitadas, que não têm que mostrar, não lhes valendo sequer os vestidos. Dos homens não falo. Não lhes acho graça, ponto final!
Nesta ocasião em que estou só a 2 horas da chamada para o embarque (reparem na ironia da palavra: “embarque”), fica-me pouco tempo para discorrer sobre o que me trouxe a este lugar. É pena porque teria muito que dizer sobre o destino, quer dizer, o motivo que me levou a fazer este empreendimento. Poderia, nomeadamente, falar sobre a beleza das noites que se tornam rapidamente dias quando faltam as persianas ou os reposteiros escuros nas janelas dos quartos onde é suposto dormirmos. Poderia escrever sobre televisões que se tornam exclusivamente canais promocionais de alguns produtos e serviços a partir de certas horas. Enfim, poderia falar de avenidas que repetem, triplicam, quadruplicam millenios e alinham cartazes de publicidade a empresas multinacionais às centenas. Só pode ser uma avenida grande, de facto. Seria maior, talvez até uma grande avenida, se acolhesse menos cartazes e, porventura, menos millenios, que já foram jardins, também.
Se tivesse tempo, digo, poderia falar de tudo isso e muito mais. Como o tempo me escapa (já só me resta uma hora e cinquenta e cinco minutos de espera), vou ter que deixar esses temas para melhor oportunidade. A vantagem que daí me advém é que assim não me escassearão os temas de análise como me escaparam hoje, como resulta evidente agora que penso nas banalidades que aqui deixei registadas.
Quem não tem sobre que falar só tem que dar-se ao incómodo do inventar!

J. C.

domingo, junho 28, 2009

Como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho?

O Rei do Pop desapareceu...
Fiquei com muita pena, mesmo muita pena. Pergunto-me como é que alguém que tinha tudo acabou por se deixar morrer e ficar sozinho, tão sozinho nos últimos anos que o acabou por revelar numa entrevista recentemente.
Uns (sobretudo homens) acabam por pagar caro o facto de terem relações conflituosas com as mães, das quais nunca recuperam. Outros não chegam a viver a sua infância e adolescência (este aspecto foi frisado também recentemente por ele numa entrevista).
É impressionante o que um homem muito frágil, tímido conseguia fazer junto de multidões. Mas a vida não é só feita de música e ele por ventura não soube ir além da música!

Uma admiradora que dançou muitos anos ao som da música de Michael Jackson

quinta-feira, junho 25, 2009

A minha explosão

Estoiro só mais uma vez.
Já estava farto de ter tanta coisa dentro de mim.
Destruo tudo à minha passagem,
como uma ogiva nuclear.
Caio em mim e expludo.
Uma nuvem de poeira faço
e tudo em minha volta desfaço.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 25)

terça-feira, junho 23, 2009

Gostei de te ver

"Pese a agitação que vieste encontrar, gostei de te ver ontem. Lamento não ter podido dar-te a atenção que merecias. O teu gesto foi bonito."

José Cadima

domingo, junho 21, 2009

Só me fazem falta ...

"Só me fazem falta as pessoas que me estimam e me aceitam como sou."

José Cadima

Diz-me que choro melhor

Diz-me que escrevo bem.
Diz-me que sou o melhor.
Chama a Camões e Torga amadores.
Faz isso por mim.
Faz de mim o teu herói.

Diz-me que choro bem.
Diz-me que sou o melhor.
Sempre que alguém chora,
chama-lhe amador.

Diz-me que choro,
que escrevo,
que abraço,
que amo,
que me lamento
melhor que toda a gente.
Diz-me que sou alguém!

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 45)

quinta-feira, junho 18, 2009

Minha Querida Helena

Alguém escreveu que “os amantes infelizes precisam de ter coragem para mudar de caminho”. É bem esse o nosso caso. Óbvio que é que o amor, mesmo que fundado em elementos que transcendem a racionalidade comum, não assegura felicidade, a necessidade vital que temos ambos de experienciar alguns assomos de felicidade nos obriga a procurar outros caminhos. Digo-o com profunda emoção, mas com a mesma profundidade de convicção.
Anos atrás de anos de luta, de procura, de desencontro conduziram-me a esta conclusão. Quero eu dizer, pior que romper com este mar de lágrimas em que se transformou o nosso encontro é insistir nele. Porque te amo muito, porque sinto a tua dor, a tua angústia, as tuas lágrimas, para além das minhas, como se fossem minhas, quero dar-te a oportunidade de voltares a ser feliz. Se o virás a ser ou não, se conseguirei sê-lo sem ti, não te sei dizê-lo. Comigo, a tua tranquilidade, o teu gosto pelas coisas e, sobretudo, pela vida esvaiu-se, sem remédio.
Pouco importa a razão. Talvez tenha sido por nos questionarmos demais, por não termos deixado que os nossos sentimentos fluíssem livremente que chegámos a este ponto sem retorno. Não soubemos tirar partido da naturalidade com que as peles dos nossos corpos conviviam e isso basta para que tenhamos que concluir como o faço nesta hora.
Chego a esta convicção tardiamente. Peço-te perdão por isso. A atracção que nos impelia um para o outro, a crença (a esperança) que voltássemos a ser capazes de comunicar por palavras, a falta de coragem que consinto agora ter existido ditou o prolongar desta nossa ligação afectiva sofrida. Arrependo-me profundamente disso, o que não significa dizer que me arrependa do amor que te dediquei, e dedico, ainda.
Foi bonito o nosso amor. Foi muito bom o nosso reencontro tanto tempo depois de, noutra vida, nos termos cruzado brevemente. Fiquemos com essa memória, relevemos esses momentos sobre as contrariedades que emergiram depois, que não soubemos ou não pudemos gerir, e esta despedida ganha um sentido diferente, e esta penosa resolução de separamos mãos suar-nos-á bem mais leve, bem mais aceitável.
Não nos livramos das lágrimas mas, nota, as lágrimas não nos acompanham só nos momentos tristes. Também estão tantas vezes presentes nos melhores momentos. Em razão dessa ambiguidade, olhemo-las como sinal de futuro. No arco-íris que percebo na lágrima que me corre pela face, creio ver-te sorrir de novo, vejo-te esvoaçar ao longe, junto das margens do mesmo rio onde tantas vezes nos refugiámos em busca de nós próprios, e tu esvoaçaste ocasionalmente.
Até sempre meu amor!

José Cadima

quarta-feira, junho 17, 2009

O amor sou eu (2)

O que é o amor?
O amor sou eu,
uma maré de sentimentos,
um monte de violentos impulsos.

O que é o amor?
O amor sou eu,
num violento impulso
e num enorme sofrimento.

Sentir…amar…
para quê?
Quem não o faz
sobe mais alto,
vai mais longe,
é mais feliz que o amor.

José Pedro Cadima

segunda-feira, junho 15, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Obrigado pela tua mensagem. Deixaste-me muito preocupado com o teu telefonema. Depois das mensagens que trocámos, não imaginei que persistisse tanto mal-entendido sobre as palavras que disse ontem e quanto és importante para mim.
Espero que tenhas conseguido retornar ao trabalho. Não aceito que a nossa relação afectiva possa prejudicar o teu desempenho quotidiado. Se tal acontecer é porque estamos a fazer uma aposta errada e devemos saber tirar daí as consequências sem nos prejudicarmos mais.
Um beijo muito, muito grande,

José Cadima

sexta-feira, junho 12, 2009

A festa está de regresso. Entretanto, Cristiano Ronaldo vai a caminho de Madrid

1. Os últimos dias foram de alguma animação: i) choveu razoavelmente, o que, nesta época do ano, é sempre bom para regar os campos, combater espíritos incendiários e refrescar algumas mentes; ii) tivemos algum sol, para fazer contraste com os dias de chuva e alimentar as fantasias dos(as) que andam obcecados(as) pelas praias e por reencontrar-se com algumas coisas bonitas que o sol e a beira do mar põem à vista; iii) realizaram-se eleições para o parlamento europeu e, contrariando o pessimismo de bom número de portugueses, o PS e o Zé das Baldrocas tiveram a sorte que mereciam, isto é, perderam estrondosamente as ditas, com um resultado só comparável ao que Soares obteve nas últimas eleições presidenciais, este também um resultado bem merecido. Pena, pena é que não tenha havido mais derrotados, como o arremedo de político tacheriano, fora de prazo, que é Manuela Ferreira Leite mais umas quantas encarnações de autênticos liberais e democratas bem encostados ao aparelho do estado e suas ramificações.
2. No meio de tanta alegria, também se viram coisas tristes, como foi a passagem para segundo plano do “caso freeport” e de um rol infindável de trapalhices a que aparece associado o nome do primeiro-ministro de Portugal, e agora também o de Alberto Costa, de quem soube entretanto ter já um largo historial de envolvimento noutras trapalhices, nomeadamente aquando da sua passagem por Macau, que já teve árvores das patacas e agora ter-se-á transformado em viveiro de casinos. A esta tristeza há que somar a do esfumar definitivo da imagem de lutador e de cultor de valores cívicos elevados de Vital Moreira que, depois de “engenheiro” da reforma do enquadramento jurídico do ensino superior nacional, apareceu agora a dar a cara por uma prática de exercício do poder de que, em nome da sua memória política, deveria envergonhar-se. Num certo sentido, olhando a figura com que se apresentou nas eleições, isso até será verdade. Não chegou foi a tomar consciência disso, coitado.
3. Para fechar um período de não muito má memória, como se dirá daqui por uns tempos, chegou a notícia da transferência do Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. É uma novidade que gera expectativa nalguns sectores e que não deixará de desapontar outros. Nesta última vertente, lembro-me particularmente das meninas de Manchester e arredores que faziam a alegria de Ronaldo e dos seus “compagnons de route” em certos dias em que necessitavam de tirar a barriga de misérias ou de descarregar a carga negativa associada a piores desempenhos noutros campos de jogos. Que Cristiano Ronaldo seja bem-vindo/ido a Madrid é o que lhe desejo. Estou seguro que as madrilenas não deixarão de lhe acudir nos momentos de maior aflição. Não é em vão que se diz delas que são umas grandes malucas. Não serão todas, é óbvio, mas o nosso “herói” também não as quereria todas.

J. C.

quinta-feira, junho 11, 2009

Thinking of you

Comparisons are easily done
Once you’ve had a taste of perfection
Like an apple hanging from a tree
I picked the ripest one
I still got the seed
Cause I’m always thinking of you
Thinking of us
You are the one
I wish that I was looking into your eyes
To tell you that you are the only one
You’re like an Indian summer
In the middle of winter
Like a hard candy
With a surprise center
You kissed my lips
I tasted your mouth
I’liked it very much
I’m always
Thinking of you, of us…

C. P.

(adaptado de “Thinking of you”, de Katy Perry)

Vida monótona (2)

Porquê eu?
Porquê todos os dias?
Porquê esta vida sem graça?
Cada dia parece clonado do dia precedente,
mostrando um sorriso que encobre
as minhas mágoas,
a minha tristeza,
o meu tédio.
Porquê?

José Pedro Cadima


(texto de 2004, editado nesta data por José Cadima)

segunda-feira, junho 08, 2009

Minha Querida Helena

Quando escreves o que deixas dito, resulta claro que as coisas não vão bem connosco, isto é, que acumulas um rol de frustrações em relação ao que esperarias de mim. Lamento que assim seja. Era isto que eu não queria que acontecesse.
Se me desconforta ler o que escreveste e concluir desta forma é porque gosto muito, muito de ti e não queria que isto sucedesse. Teria sido evitado se não tivéssemos ido tão longe na nossa ligação afectiva.
Falas de "escape" como se fosse uma coisa negativa. Nunca pus isso assim. Quando falo de seres o meu refúgio, único, isso tem o sentido oposto de um encontro íntimo profundo, natural, profundamente desejado. É também a oportunidade que tenho de ser frágil, de ser "criança", de me sentir cansado. Se não posso ser isso contigo, uma parte muito importante do que és para mim deixa de existir.
Aprendi a sofrer em silêncio, a mascarar a minha dor. Se necessário, voltarei a fazer isso, mesmo que me seja crescentemente penoso. Continuarei a refugiar-me no meu trabalho.
Por favor, avalia bem se é este eu (José Cadima, "apenas") que queres. Se não for, talvez seja melhor que defiramos o nosso próximo encontro para uma data futura mais longínqua.
Um xicoração apertado,

José Cadima

domingo, junho 07, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Tu és o estímulo quase singular que tenho na vida. Obrigado por o seres. Mesmo assim, como podes constatar amíude, há momentos em que as forças me abandonam e não me resta senão conformar-me com o facto triste de ter acabado. Tenho conseguido ressuscitar, ocasionalmente. Só não sei até quando serei capaz de continuar a fazê-lo.
Um xicoração,

José Cadima

Interrogações

"Quando não se tem condições para votar a favor, há maneira de fugir a votar contra? No presente cenário sociopolítico, alguém pode abster-se de ir votar contra?"

José Cadima

sexta-feira, junho 05, 2009

Inspiração (2)

És a mais bela mulher do mundo.
És a minha inspiração
e motivação de viver.
És o poder que me move,
a força que me derrete.
És tudo o que eu quero.
És a origem dos meus piores
momentos de desespero.
És a minha inspiração!

José Pedro Cadima

(texto de 2004, editado nesta data por José Cadima)

terça-feira, junho 02, 2009

As tuas mãos (2)

As tuas mãos,
que me tocaram
e acariciaram,
eram doces e belas,
tanto quanto o teu carinho.
A memória das tuas mãos,
doces e belas,
soa-me doce
e traz-me sofrimento.
As tuas mãos...

José Pedro Cadima

(texto de 2004, editado nesta data por José Cadima)

quinta-feira, maio 28, 2009

Vai por aí enorme animação

1. Ao que me dizem, vai por aí enorme animação. É que vamos ter eleições europeias a breve prazo e, com candidatos tão ousados e carismáticos como o são Paulo Rangel (dizem-me que é assim que o homem se chama) e Vital Moreira, só podia dar nisso. Só espero que a Manela não resolva aparecer na campanha. Aparecendo, com todo o seu “charme”, acabará por ofuscar o cabeça-de-lista que tão empenhadamente escolheu. Agora que me deparo com a evidência, pergunto-me até como é que foi possível manter longe das luzes da ribalta alguém detentor de tanto talento político e de tão insinuante e máscula figura.
2. Sendo tão grande a animação, como deixo dito, perguntar-se-ão os(as) eventuais leitores(as) [e sei que tenho um(a), a atentar no comentário de incentivo que foi deixado neste blogue a propósito da última crónica publicada] porque é que isso me escapa. A resposta é simples: é que, como estão programadas múltiplas eleições para este ano, tenho evitado sair à rua para não correr o risco de pretenderem recrutar-me para alguma das listas em formação. Se não acharem abusivo o conselho, recomendo-vos que façam outro tanto, não vá o azar bater-vos à porta. Bem diz o povo que, caminhando-se colado às paredes das ruas se corre muito menos riscos.
3. Aliás, em razão do carinho que me merecem os(as) meus(minhas) caros(as) leitores(as), até em razão da sua extrema escassez, não posso deixar passar sem uma sumária resposta o comentário que invoco. Convoco o que o meu(minha) estimado(a) leitor(a) diz para, por um lado, condescender que Zé das Baldrocas seria nome mais apropriado para o nosso “primeiro”. Percebe-se, entretanto, que a família não lhe antecipasse a vocação por altura do seu baptismo. Pese todo o carinho, digo, tenho mesmo assim que discordar veementemente da sua pergunta-insinuação de que “o mundo dos políticos” jamais “ouvirá o comum dos mortais”. Com a invocação que faço acima da campanha eleitoral em curso quero demonstrar precisamente o contrário. Não são gente do povo, de alma conduída com as dificuldades que os portugueses atravessam, os candidatos que por esta altura calcorreiam cada rua, cada beco do país? Não é sinal de imensa sensibilidade social, de espírito cristão (como se poderá dizer) a ajuda que o governo (se a escala no governo calhasse ao PSD, estou certo que faria outro tanto) vem prestando aos infelizes dos banqueiros nacionais e aparentados?
4. Consinto que sentisse enjoo [tê-lo(a) como leitor(a) faz de si a mais estimada pessoa do mundo, para mim] mas vai-me perdoar que duvide que a razão desse mal-estar viesse daí. Não seria antes resultado de alguma coisa menos fácil de digerir que tivesse metido ao estômago entretanto ou, sendo uma senhora, não estaria(estará) por acaso grávida? É que essas coisas acontecem, com bem o saberá, e, muitas vezes, só damos por elas muito tardiamente. Não seja injusto(a) com os “nossos” políticos. Sei que têm permanentemente na cabeça o bem-estar dos portugueses ou, pelo menos, de alguns deles.

J. C.

quarta-feira, maio 27, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"A seguir à Trofa, logo que se atravessa o rio, começa o Minho, isto é, o Minho fica logo acima (do norte).
Até qualquer dia, quando a tua agenda saturada to permitir."

José Cadima

terça-feira, maio 26, 2009

Amor da minha vida

Amor da minha (tua) vida,
sussurras-me ao ouvido,
esperando, reclamando resposta
que não fique aquém da expressão de entrega
que me transmites.
Despojado da capacidade
de exprimir em palavras os sentimentos,
as emoções que me assaltam,
frustro-te na tua ânsia
de escutar da minha boca
expressão de carinho idêntica.
Ficamos num meio caminho
entre o teu desejo e o meu desespero.
Fico encravado entre o abraço apertado
que sinto necessidade de dar-te
e as palavras que não me saem,
não podem escoar-se
porque nunca aprendi a dizê-las
ou, porventura, me desabituei de usá-las.
Amor da minha vida?
Sim, quem alternativamente me transmite
a alegria do reencontro com o jovem, a criança
que nunca fui mas gostaria de ter sido?
Correr para os teus braços
passou a ser um desígnio
que não quero abandonar,
de que não quero mais prescindir,
amor da minha vida.

José Cadima

sábado, maio 23, 2009

Amar

Quando se sofre
aprende-se a amar
quem nos ama.
Nessa altura,
aprende-se também a desculpar
quem não nos amou.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 19)

quinta-feira, maio 21, 2009

Amor da minha vida

Sinto-me mulher
Diferente das outras mulheres
Diferente porque te amo
Diferente porque me fazes sentir mulher
Diferente porque me levas para mundos
Aos quais nunca acedi antes
Sei que és o amor da minha vida
Sei que te amarei até aos meus últimos dias
Mas sei também que
Terei que to provar
Saberei fazê-lo?
O desafio está criado
Tenho apenas que agarrá-lo

C.P.

quarta-feira, maio 20, 2009

Quero

Quero beijar-te ao deitar-me...
Quero sussurar-te ao deitar-me e ao acordar dizendo-te que te amo...
Quero rir-me contigo quando quiser...
Quero abraçar-te sempre que puder e que quisermos...
Quero dar-te a mão na rua sempre que me apetecer...
Quero não ter "vergonha" por te amar...
Quero apoiar-te sempre que for necessário e o quiseres...
Quero sobretudo partilhar sentimentos...

C.P.

segunda-feira, maio 18, 2009

Presente incerto

Como posso eu projectar o futuro
se tenho incerto o presente?
Pode ser auto-flagelação
mas é assim que me sinto
e não sou capaz de transmitir algo diferente
a alguém que é o refúgio que tenho,
mesmo inibindo-me de lho confessar
ou talvez por causa disso.
Pode isso tolher o amor?
Pode isso resultar em falha de comunicação
com quem se deseja comunicar intensamente?
Pois sim, pode, mas como posso eu fugir
a ser o que sou,
a sentir-me como me sinto?
Gostava de te dizer coisas diferentes.
Gostava de dizer-te quanto gosto
de correr para os teus braços,
como me sinto bem apertando-te contra o meu peito.
Gostava, mas...
Acabo a dizer-te coisas que tu não entendes
e te magoam, porque não as entendes.
Se assim o quiseres,
ajudar-te-ei a construir o jardim
que tanto anseias ter.
Se assim o desejares,
estarei contigo amanhã
e depois de amanhã,
sempre…
Como posso eu projectar o futuro
se tenho incerto o presente?

José Cadima

domingo, maio 17, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Gostei muito de ter-te de volta, isto é, recuperar o meu refúgio, aparte dar-te o beijo que te tinha prometido.
.
José Cadima

sexta-feira, maio 15, 2009

Temos ministro!

1. Em data que não sei já precisar com rigor, mas que antecedeu em muitos meses senão mais de um ano a formação do governo em funções, do Zé das Trocas, como alguém muito acertadamente terá decidido chamar-lhe, vivi a experiência de assistir à apresentação, em Braga, na ACB, de um livro escrito por Manuel Pinho, que alguns associarão, vagamente, à figura do actual ministro da economia. O dito personagem havia lançado pouco antes um livro que abordava uma qualquer dimensão da economia portuguesa que não sei precisar nesta ocasião. Quando, mais tarde mas não muito, o vi ser indicado para ministro da economia percebi que o dito sujeito tinha vindo à ACB em digressão no contexto do estágio que estava a fazer para ministro. A dúvida que me ficou nessa altura foi sobre quem teria sido o patrono do estágio, se o seu patrão na altura (Ricardo Espírito Santo) se o PS, que estaria curto de candidatos para essas funções.

2. Este caso veio-me à ideia há poucos dias, quando me chegou às mãos um livro acabado de lançar por Vítor Bento que, ao que sei, também esteve em Braga a apresentá-lo. Do que li na imprensa local, julgo que tal aconteceu na Universidade do Minho. O livro, que me saiu caro, tem por título “Perceber a crise para encontrar o caminho”. Pese o título, da leitura corrida que fiz, fiquei com o sentimento que o autor terá percebido a crise, mas dificilmente dará com o caminho, dado o trilho porque se resolveu aventurar. Descontando isso, como deixo já entrevisto, ficou-me a inquietação própria do “déjà vu”, quer dizer: estará Vítor Bento nesta ocasião em pleno estágio para ministro? Se estiver, acredito que seja para ministro das finanças, ou não seja o dito o presidente da empresa do multibanco.

3. Uma coisa bem curiosa que encontrei no livro foi a reclamação da criação de um “alargado consenso político-social” para a resolução da(s) crise(s) que a economia portuguesa vive. Este conceito deverá ser um eufemismo para identificar a “urgência” do retorno aos governos do “bloco central”, que, não sendo forma de governo há largos anos em Portugal, persiste enquanto tal na divisão de tudo quanto é “tacho” em empresa pública, grupo bancário, empresa do sector de obras públicas ou lugar de cúpula de associação empresarial. Distraído que andava, só então percebi que esse vinha sendo tema quotidiano da comunicação social nacional (ignoro desde há quanto tempo), tratando de preparar os portugueses para o pior, se é que as coisas podem piorar, ainda. Aqui chegado, o sangue deixou de me alimentar o cérebro, fiz-me branco como a cal, e apeteceu-me fugir para o lugar mais remoto possível. Desgraçadamente, o sangue que deixou de alimentar-me o cérebro faltou-me também nas pernas e é essa a razão porque ainda ando por aqui. Levei para mais de uma semana até conseguir verter para o caderno este breve apontamento de memórias. “Atão” não é que …

J. C.

quinta-feira, maio 14, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Que boa desculpa essa para não me ligares nada, hem? E depois ainda tens a lata de escrever que estás a morrer de saudades minhas.
.
José Cadima

segunda-feira, maio 11, 2009

A tua companhia

Sinto-me sozinho
e com falta de carinho.
Só a tua companhia
me acalmaria
e me faria sentir o carinho
que tanta falta me faz.
Por isso, anseio estar contigo;
por isso, anseio reencontrar-te
para me reencontrar.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, 2009, Lisboa, p. 23)

sexta-feira, maio 08, 2009

Minha Querida Helena (Desapontar-te)

Não o desejando, desaponto-te continuadamente. Como tu dizes, não paro de confrontar o amor que tu me dedicas com a minha distância sofredora, a distância de alguém que tem dificuldade em reconhecer-se como objecto de um amor tão dedicado, tão generoso quanto o teu.
Para piorar as coisas, faltam-me palavras, talvez mais do que gestos, que te assegurem que o teu amor é correspondido, dizes-me também tu.
Sinto a dificuldade do momento, angustia-me o teu sofrimento e, no entanto … No entanto, receio não ser capaz de abandonar essa faceta masoquista, essa tristeza estrutural, essa exigência que mantenho em relação a mim que me torna no ser que, desejando desesperadamente os teus braços e a tua atenção, não sabe dizer-to, não é capaz de deixar de desapontar-te, sofrendo com isso e, desse modo, re-alimentando a sua angústia, a sua tristeza, desapontando-te.
Decidirás se aceitas que te penalize (que me penalize desta maneira) e/ou por quanto tempo.
O que é que eu mais desejo? Porventura, perguntar-te-ás. Aí tenho resposta segura: desejo que alcances a felicidade que procuras e a que tens direito, toda quanta se pode desejar a alguém a quem se quer muito, a alguém que será, porventura, o amor da sua vida, almas gémeas em que cada vez mais nos reconhecemos em fugazes deambulações por outros mundos.
Um beijo muito grande,

José Cadima

quarta-feira, maio 06, 2009

Crónicas de Maldizer

Conforme resulta patente, não o tendo pensado ser, acabei por me tornar um colaborador regular deste blogue deste há muitas luas. Pouco criativa, esta foi, talvez, a forma que os seus editores encontraram de preservar a regularidade da publicação num quadro de falta de imaginação e/ou de tempo para produzirem os seus próprios textos, de ficção ou poéticos. Não produzi os textos entretanto reeditados a pensar na respectiva divulgação por um tal canal (como outros lhe chamariam), e sempre me pareceu discutível retomar “hoje” textos de há 14, 15, 16 anos, mas a simpatia que nutro pelos editores do blogue fez-me quebrar resistências e, um a um, lá fui libertando alguns dos textos que tinha em arquivo. Outros, achei por bem não republicar por me parecer poderem dizer muito pouco aos actuais leitores ou por denunciarem em excesso a deriva mental que atravessei por aquela altura.
Pediram-me agora os editores do blogue que retomasse as crónicas, avançando para uma nova série. Sinceramente, não sei o que faça: queria-lhes ser simpático (que também eu o sei ser, de tempos a tempos) mas, em boa verdade, não sei se serei capaz, porque também o tempo passou por mim (e não só pelas crónicas re-editadas), e porque não estou seguro que possa encontrar na sociedade e no evoluir da vida política actual motivos de análise ou, melhor, pretextos suficientemente fortes. Em boa verdade, terão que convir que não será fácil descortinar na cena mundana e política actual objectos analíticos tão interessantes e dignos quanto o eram Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Mesquita Machado ou Aníbal Cavaco Silva. Que magnificas “crónicas de maldizer” me permitiram produzir essas personagens então, passe a imodéstia. Comparados com estes, José Sócrates, Zé Mariano ou Manuela Ferreira Leite, não passam de caricaturas pobres. Vamos ver… Vamos ver se serei capaz. Não queria ser antipático para com os editores. Afinal, só eles poderiam ver algum mérito no meu trabalho já tão antigo e achar que eu teria préstimo ainda como analista da sociedade do presente.
Vamos ver, repito. Não prometo regularidade nem prometo inspiração. Aliás, a inspiração só me pode vir do correr das circunstâncias deste nosso dia-a-dia que, nesta hora, não sou capaz de vislumbrar senão triste, cinzento, enfadonho, povoado dominantemente por gente desinteressante, portanto, sem potencial para se converterem em credíveis objectos das “crónicas de maldizer” que é suposto eu produzir. Que falta me vão a fazer os saudosos Mário Soares, Manuela Ferreira Leite, Aníbal Cavaco Silva, entre outros!

J. C.

segunda-feira, maio 04, 2009

“Fora com os fins-de-semana - II”

“Como indiquei, tenho para mim que o fim-de-semana é a melhor ocasião para avaliar o estado de ânimo e de cultura do comum dos cidadãos e, logo, os grandes desígnios da política cultural dos governos. É, talvez, ocasião única em cada semana. Se não acreditam, experimentem dirigir-se num destes fins-de-semana próximos à zona do Bom Jesus ou do Sameiro e reparem na lixeira em que ficam transformados os largos anexos ao elevador do Bom Jesus e outros lugares de estacionamento, anotem o desprezo pelos outros denunciado pela forma como os carros aparecem aparcados ao longo das vias e áreas envolventes, registem o número de vezes que os automobilistas com que se cruzam não respeitam as prioridades estabelecidas para a circulação automóvel, mudam de direcção sem aviso ou ensaiam ultrapassagens de filas contínuas de veículos.
Mas, grave, grave, que este estado de coisas ameaça estender-se pela semana toda, de segunda a domingo. Imaginem o que é uma semana todinha preenchida com porcaria, excursões, famílias a passear de popó, lixo, carros a atravancar tudo quanto é estrada nacional ou arruamento citadino, porcaria, atropelos aos direitos dos cidadãos e atropelos à integridade física dos cidadãos, e mais lixo.
Nisto, a única coisa que me parece perfeitamente pacífica é que os políticos escolham tais lugares e ajuntamentos humanos para levar por diante as suas campanhas: é tudo uma questão de lixo.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/09/09, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sábado, maio 02, 2009

“Fora com os fins-de-semana - I”

“Os fins-de-semana são sempre períodos difíceis: é a quebra da rotina laboral semanal substituída por outra que não chega a ter tempo para se instalar; é a oportunidade para o encontro com a família (não seriamente com nós próprios) e com a incultura e a estupidez promovidas a projectos nacionais; é a ocasião para acompanhar o exercício dominical de hipocrisia de Marcelo Rebelo de Sousa e de outros menos requintados, de uma legião de comentadores.
Fica-me a dúvida sobre a oportunidade da existência de fins-de-semana, agora que a missa vai perdendo significado na rotina do cidadão comum. Fica-me a dúvida, por outro lado, de quem paga a tantos ilustres comentadores políticos, sabido que nem todos os jornais e demais órgãos de comunicação social abundam em dinheiro. Há, evidentemente,
Que colocar a hipótese de se tratar de uma retribuição desfasada, quer dizer, um investimento a pensar num futuro mais ou menos a médio-prazo. Este argumento dá consistência, por exemplo, à multiplicação de comentadores Cavaco/Nogueiristas. Já é mais difícil entender as vantagens de quem os contrata: uma vez falidos, o jornal ou a rádio, são órgãos de informação falidos, a não ser que lhes valha a igreja universal do reino de deus.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/09/09, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quarta-feira, abril 29, 2009

Quando os nossos corpos se separam

Quando os nossos corpos se separam
Olham-se e desejam ser felizes
Vestem-se apressadamente
Pois o tempo é escasso
Dizes-me que encontre um outro homem
Dizes-me que o apoio é demasiado pesado
Dizes-me que não somos compatíveis
Fico a olhar para ti
Quando deixarás de o dizer?
Sais e fico a pensar
Sinto o coração que esteve adormecido
Tanto tempo… e guardo-o dentro do meu corpo
Quero partilhá-lo contigo
Mas sem sentir que sou demasiado pesada...

C. P.

terça-feira, abril 28, 2009

Sinto que nada tenho (2)

Sinto que nada importa.
Sinto que já não te quero.
Sinto a felicidade mais longe.
Sinto que até uma coisa divertida
se pode tornar em algo muito aborrecido.
Sinto que perco algo.
Sinto que nada tenho.
Sinto...
Sinto e talvez preferisse não sentir.

José Pedro Cadima

domingo, abril 26, 2009

“O liberalismo é o que está a dar - II”

“Falando-se de liberalismo económico, competitividade e vantagens do consumidor, sempre me ocorre o caso da banca em Portugal. Alguns de nós recordarão o fio condutor do argumento subjacente à privatização e abertura do sector à iniciativa privada: «da concorrência haveria de resultar maior eficiência e crédito mais barato».
Estranhamente, dez anos depois, assistimos à situação caricata dos ministros das finanças, ainda por cima conhecidos partidários da corrente neoclássica/liberal, surgirem a criticar o sistema bancário por praticar elevadas taxas de intermediação (quer dizer, elevadas taxas de juro activas).
Um outro exemplo, bem próximo de nós, é o da nossa querida televisão. Não serei o primeiro a afirmar a propósito que, após a entrada no sector de novos operadores, se assistiu, sucessivamente, i) à perda de pluralidade de programação e ii) à deterioração da qualidade dos programas.
Dir-se-ia mesmo que a actual programação tem como únicos destinatários os analfabetos e os atrasados mentais. Se assim é, fica-me entretanto a dúvida sobre a dimensão do mercado alvo. É que, das estatísticas oficiais, sabemos que os analfabetos são uma componente importante, ainda hoje, da população portuguesa, mas creio não existir uma avaliação rigorosa do número de atrasados mentais. É crível, no entanto, que a RTP1, a SIC e a TVI disponham dessa informação.”

J.C.

(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quarta-feira, abril 22, 2009

“O liberalismo é o que está a dar - I”

“Economistas e outros pensadores liberais dos séculos XVIII E XIX mantiveram amiúde visões «ingénuas» do funcionamento dos mercados, antevendo nestes instrumentos de bem-estar social e promotores da eficiência económica.
Com menos idealismo, subsistem nos dias de hoje economistas e outros actores sociais e políticos que continuam a propalar a mesma mensagem. Curiosamente, entre eles encontramos, entre outros, Milton Friedmann, o grande inspirador das reformas económicas no Chile durante o período fascista do general Pinochet.
O economista em referência é, aliás, um dos distinguidos com o Premio Nobel, nisso se equiparando ao seu compatriota Henry Kissinger, sabidamente um dos principais inspiradores do golpe fascista que derrubou o presidente eleito Salvador Allende.
Esta corrente de pensamento (a liberal, digo) tem também os seus seguidores em Portugal, muitos dos quais entre os filiados do partido no Governo. É, no entanto, sabido que na oposição, à direita e à esquerda, há também quem professe a mesma doutrina. Quem professe, refira-se, desde que não esteja em causa a sua posição ou o seu emprego.
E entende-se que assim seja: de facto, são conhecidos os incómodos e as canseiras a que qualquer maduro tem que se sujeitar para aceder a certos cargos, no aparelho do partido e de Estado, nas empresas públicas, e noutros organismos assimilados.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

terça-feira, abril 21, 2009

“Ergo aqui a bandeira dos deserdados”

“Ergo aqui a bandeira dos deserdados, como afirmei já, porque sempre me repugnaram as injustiças, todas as injustiças, e este é bem o caso presente, até porque se em tempos os militantes laranja eram certamente os melhores, os mais competentes de entre os portugueses, nada nos pode levar a deduzir que isso não se passe hoje com os do partido da rosa. Não terá sido precisamente por isso que o PS ganhou as eleições? E, se foi, então vai-se agora defraudar desta forma os portugueses?”

J.C.
(excerto de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/12/23, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sábado, abril 18, 2009

As minhas luvas pretas

Uso luvas para não sentir,
para não te sentir:
à tua pele,
ao teu cabelo,
ao teu amor fugidio.
Essas luvas são pretas
para te mostrar que estou de luto,
que o meu coração está de luto.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, p. 20)

quarta-feira, abril 15, 2009

Quando vejo a chuva cair

Quando vejo a chuva cair,
interrogo-me se, com ela,
não vão as minhas próprias lágrimas,
lágrimas de desconsolo e de desencanto.
Olho a chuva, lá fora,
e vejo as minhas próprias lágrimas,
que já foram de amor e, agora, são só de dor.
Olho a chuva lá fora, que cai grossa,
e vejo o meu mundo desfazer-se,
agora que sinto que o amor não alcanço.

José Pedro Cadima

(poema extraído do livro "Sonhos a Um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, p. 17)

domingo, abril 12, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Há ocasiões em que fico completamente sem jeito. Isso acontece, especialmente, quando me dizes certas coisas. Na falta de melhores palavras, repito-te aquilo que já te disse muitas vezes e que é: eu também gosto um bocadinho grande de ti!"

José Cadima

quinta-feira, abril 09, 2009

“No reino da ausência de imaginação - II”

“Já imaginaram com que cara ficariam o Soares, o Cavaco, o Guterres, e o Soares, e o Cavaco se um dia chegassem a uma qualquer parvónia deste país e não encontrassem a recebê-los e a aplaudi-los uma rebanhada dos ditos? Quero dizer, se não tivessem a esperá-los mais do que a família e, eventualmente, o cão.
É óbvio que o cenário é ficção pura. Pois claro que é, mas deixem-me acreditar que verei esse dia.
E, mais: deixem-me sonhar que um dia virá em que os ministros e os secretários de estado em Portugal terão a dignidade de se demitir quando resultar provado que os seus homens de confiança andam a meter a mão nos bolsos dos portugueses ou a fazer «bom uso» dos impostos cobrados; deixem-me crer que assistirei à dignidade de um gesto de demissão quando um ministro ou um secretário de estado é confrontado com a realidade de uma política que, na forma e no conteúdo, se oferece o oposto do que o ministro e o secretário de estado proclamaram.
De que está à espera Sr. Ministro do Planeamento e Administração do Território para se demitir?
Que é preciso mais Sr.ª. Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional para solicitar a demissão?
Que mais será preciso acontecer Sr.ª. Ministra da Educação para que tome a decisão de voltar para casa? De que estão à espera Srs. Ministros, Srs. Secretários de Estado, Srs. Presidentes das Comissões de Coordenação Regional?”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/04/22, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

segunda-feira, abril 06, 2009

“No reino da ausência de imaginação - I”

“Sem ideias. Totalmente falho de imaginação, é como me sinto. Tanto melhor: há quem viva disso e, mesmo, quem faça disso alarde.
Como é que se disfarça? Foge-se para diante; proclama-se aos sete ventos que quem não tem ideias são os outros.
Se resulta? A prova provada que resulta são o governo e o primeiro-ministro que temos, a maioria e a minoria que nos governam. Olhem o Pacheco Pereira, o Barreto, o Saraiva, o Magalhães. Acham que eles ganhavam a vida da forma que ganham se vivessem num país em que as pessoas têm ideias? Isto é, os homens e as mulheres tivessem mais ambição que chegar ao fim do dia, ao fim da semana, ao fim do mês, àas férias no Algarve, ao fim do ano?
Acham que os Pachecos e os Barretos chegavam a estrelas da rádio e da TV se os homens e as mulheres deste país tivessem mais ambição que chegar a casa a tempo do início do próximo encontro de futebol ou do episódio diário da telenovela?”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/04/22, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sexta-feira, abril 03, 2009

Urze


Esta sou eu...

C.P.
*
Comentário: estás lindissima esta manhã, apesar de te teres levantado muito cedo (José Cadima).

Minha Flor de Tojo

Minha flor amarela de tojo
Que sobressai com vivacidade na paisagem
Quero tocar-te, sentir-te
Mas sobressalto-me ao olhar-te
És feito de tojo
És a Natureza
Terei eu que ser também um tojo?
Talvez não…
Serei flor de urze
Mais discreta do que tu
Menos defensiva do que tu
Feliz, por perto de ti estar
Lá em cima na serra
Sinto-te, às vezes, tocar-me
Quando uma brisa passa…
Ainda que diferentes
Poderemos ser almas gémeas?

C.P.

quinta-feira, abril 02, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

"Sinto muito ter-te deixado entristecida ontem à noite. Estou convencido que fiz bem em ter-te dado a oportunidade de dormir descansada. Tu concordarás ou não."

José Cadima

terça-feira, março 31, 2009

Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (IV)

Nestes últimos tempos, não tenho escrito poesia. Tenho tido dificuldades em conciliar os estudos com esta outra ocupação dos meus dias. No entanto, num esforço para conjugar a vertente da escrita com o estudo técnico/científico, tenho, regularmente, escrito artigos de opinião para o Suplemento de Economia do Diário do Minho, do qual o Dr. Ricardo Rio é editor.
Não têm tanto amor e paixão, mas tento sempre que possível escrever os artigos a partir de algum elemento que me inspire, isto é, são textos que exprimem igualmente emoções, de alguma forma.
A Isa é a figura da capa. É uma presença incontornável na minha vida nos últimos anos. Num livro de amor, que melhor capa escolher?
A origem do título é um blogue: o blogue, Sonhos a um Espelho.
Novamente, agradeço-vos muito terem decidido estar aqui presentes, como expressão da vossa simpatia. Espero que tirem prazer do livro e que este vos ajude a fugir ao cinzentismo do quotidiano que vai tolhendo muitos de nós.
Muito obrigado!

José Pedro Cadima

domingo, março 29, 2009

Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (III)

Finalmente, chegada a altura de me reportar ao último capítulo, e dado que a maioria dos poemas são de amor, como sublinhei, dado que ainda não li nenhum poema especialmente focado nesse tema, decidi escolher ler-vos um texto que, no meu entender, faça justiça ao mesmo:

Poema 4:

Meu achado

Ai Achado!
Meu coração-agulha, bússola
que aponta em ti
Um traço teu,
faz-me amar-te,
como a agulha ao norte.

As tuas sardas-meninas,
luzentes ao sol e à luz,
invisíveis na noite
ou no meu quarto escuro,

Iluminam-tea vergonha
por me pedir um beijo.

Prova-me nos lábios
o amor que lhes tomei.

Este poema foi um dos que me deu mais trabalho a elaborar, porque o quis oferecer de presente aquando da celebração de uma data que me é também ela muito especial. Na altura, cheguei a trocar várias impressões com o meu professor de Português no Secundário, o professor Vasco Silva, também autor do prefácio, que me aconselhou a fazer várias modificações.

sexta-feira, março 27, 2009

Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (II)

Poema 2:
.
Voltar a viver
Apetece-me saltar de tão alto
que voltar ao chão seja impossível.
Apetece-me correr tão rápido
que parar pareça um sonho.
Apetece-me entrar num sono tão profundo
que acordar seja voltar a viver.
.
O segundo capítulo surge, também, informado pelo sentimento de angústia. Ainda assim, nota-se nele uma evolução relativamente ao período anterior. Digamos que as fases apaixonar-se -> rejeição -> desespero evoluem para terminar numa ideia de impossibilidade.
Poema 3:
.
Sentimentos
Nunca conheci a felicidade.
Também não lhe chamo tristeza.
Fico-me pelo tédio;
mas que é uma miséria de tédio, isso é!
.
Este capítulo, intitulado, "Um amor a voar", continua o tema da paixão, que é mantido até agora. Este texto faz parte do percurso de maturação da minha escrita. Por isso o escolhi.
Este poema representa a altura da minha vida em que a poesia parou de ser forma de exteriorizar emoções relacionados com o amor para passar a ser realmente uma veiculo que me permitiu exprimir todo e qualquer sentimento ou emoção.
*
José Pedro Cadima

quarta-feira, março 25, 2009

Sonhos a Um Espelho: texto base das sessões de apresentação do livro (I)

«1. Muito Obrigado à Papiro Editora pela colaboração prestada para tornar este projecto real, à [...] pela cedência do espaço para esta apresentação deste meu livro, e a todos os que quiseram associar-se a este acto por estarem aqui presentes.
2. Se dissesse que não pensei no que diria aquando deste momento, estaria a mentir. Especialmente a partir da altura em que comecei a distribuir convites, a minha principal preocupação foi o que dizer a quem decidisse despender algum do seu tempo para estar aqui nesta apresentação promocional. Por isso, vos agradeço e, estando aqui para me incentivar e ouvir, decidi aproveitar o privilégio da vossa presença para vos dizer algo suficientemente elaborado que não defraudasse a vossa expectativa. Vamos ver se o consigo.
Embora possam já ter ouvido noutras cerimónias similares e possa parecer um cliché aquilo que vos vá dizer, não é minha intenção que tal aconteça. Para quem está deste lado, há um sentimento que, de alguma forma, condiciona o número de palavras a usar.
3. Como alguns de vocês saberão, comecei a escrever quando andava no meu nono ano. Hoje, ando no segundo ano da licenciatura em Economia, na Universidade do Minho. O Percurso que fiz não foi de nenhuma forma linear. Vivi com alguma força os sentimentos de paixão adolescente de que o meu livro dá testemunho. Este livro é uma colectânea de vários textos que tenta representar esse percurso, em especial os momentos mais relevantes.
4. Sem pretender maçar-vos, proponho-vos agora que oiçam alguns dos poemas que podem encontrar no livro. Dessa forma, poderão estabelecer a conecção entre o livro e a minha vida de que vos falo. Ainda assim, e dado que a maioria dos poemas no livro são de amor, não querendo tornar este diálogo pesado, decidi ler só um poema focado no amor, do último capitulo deste “Sonhos a Um Espelho”.
Perdoem-me, mas como não consigo decorar absolutamente nada. Terei que ler.
Poema 1:

Poemas
Queria escrever algo
de corpo e alma,
que ganhasse asas,
que pudesse voar.
Queria escrever algo
que me transportasse para lá do efémero,
mas fui apenas capaz de alimentar pensamentos
que me lembram abandono
e trazem tormento.
.
Este poema não é do tipo dos mais comuns de se encontrar no primeiro capítulo, mas é talvez a primeira vez que coloco dentro da minha concepção de abandono a escrita como sua oposição. Ainda que, nesta fase, o desespero ou a paixão estivessem sempre presentes.
[...]»
José Pedro Cadima

segunda-feira, março 23, 2009

Sonhos a Um espelho: Almedina Braga


"Sonhos a Um Espelho representa um passo – outro passo – que José Pedro Cadima acrescenta num livro em que a palavra ganha espessura.
Alinhados por temas, os poemas deste livro cunham a sua visão do mundo, turbulenta, entretecida pelo tema do amor nas suas variantes: o ciúme, a mágoa – repercutida no despeito e, às vezes, no cinismo –, o capricho, a contenção física, o autodomínio, a celebração do momento amoroso, o peso do tempo, a saudade, o desespero do abandono, o sofrimento de amor, o amor contemplativo, a aspiração ao amor absoluto, o amor ensimesmado, destrutivo e autodestrutivo, o amor masoquista, as contradições do amor..."

Vasco Silva


(excerto do prefácio do livro Sonhos a Um Espelho, cuja apresentação a Papiro Editora vai promover no dia 25 de Março, pelas 16 horas, na Almedina Braga, Campus Universitário de Gualtar, Universidade do Minho)

sexta-feira, março 20, 2009

Sonhos a Um Espelho: 2º acto do lançamento promocional do livro



O autor José Pedro Cadima e a Papiro Editora têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente no lançamento promocional do livro Sonhos a Um Espelho, que terá lugar no dia 25 Março (4ª feira), pelas 16,00 horas, na Almedina em Braga, no Campus Universitário de Gualtar.

Papiro Editora
Lisboa
Rua Virgílio Martinho, nº3 D, escritório F, 1600-821 Lisboa
t 218 931 620 * f 218 931 629 * infolisboapapiroeditora.com

quinta-feira, março 19, 2009

“Da minha janela - II”

“Discute-se Braga, critica-se a gestão da cidade e, amiúde, esquecemo-nos que a construção da cidade é obra de todos; esquecemo-nos de nos questionar sobre o caos do tráfego urbano que ajudamos a cultivar, a falta de limpeza resultante de tantos pequenos gestos denunciadores de pouco espírito cívico, a mesquinhez de atitudes que desfiguram, desqualificam o ambiente e o ordenamento urbanos.
Indignamo-nos com a «praia das Sapatas» e alheamo-nos da evolução da construção do Museu D. Diogo de Sousa; criticamos a construção de silos automóveis no centro histórico e ignoramos a sustentabilidade da vida económica, social e a própria potencialidade de salvaguarda do mesmo centro histórico; questionamos a intervenção pública a nível de equilíbrio entre espaço construído e espaço lúdico e a qualidade da manutenção deste no nosso bairro e vamos despejar os nossos lixos na estrada do Picoto, nos acessos à Falperra ou ao Bom Jesus.
Claramente, falta-nos ser bons cidadãos; falta-nos começar por saber questionar-nos a nós antes de nos arrogarmos o direito de criticar os outros. E os políticos, a gestão camarária, a oposição? Perguntar-se-á.
Esses são também cidadãos, iguais aos restantes, e não espantará por isso que façam e/ou defendam os mamarrachos. No final, face à crítica, existe sempre disponível o argumento da subjectividade do valor estético.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/03/04, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

terça-feira, março 17, 2009

“Da minha janela - I”

“Da minha janela avisto ao longe o Picoto; avisto ao longe o Picoto e vejo, mais perto, um amontoado de construções urbanas de discutível valor estético. É verdade que a beleza e o gosto são discutíveis.
Mesmo uma baleia é bela; é bela(o) desde que não se trate de uma mulher (ou um homem) deformada(o) por uma dieta deficiente ou pela doença. E é precisamente nesse sentido que podemos questionar a estética urbana ou, tão simplesmente, dos edifícios: mamarrachos são sempre mamarrachos, caixotes são toda a vida caixotes.
Discute-se muito a qualidade estética da edificação em Braga. Talvez se devesse discutir a qualidade estética (e de construção) dos edifícios de todas as cidades portuguesas, sabido que é que há bons e maus exemplos em Braga como noutros lugares. Mas, seja: discute-se a qualidade da construção em Braga, e devia discutir-se a construção da cidade, quer dizer, a qualidade da vivência urbana que Braga oferece aos seus cidadãos e aos que a visitam. E é bom que assim seja; melhor: era bom que assim fosse. Era bom que assim fosse porque isso quereria dizer que não bastavam para nos alegrar os males de outros (se além se faz pior…).”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/03/04, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sábado, março 14, 2009

Sexta-feira 13

Que podemos esperar
De uma sexta-feira 13?
Sentir pele de galinha
Ao vermos um gato preto
Ao partirmos um espelho…
Mas também podem dois corpos
Entregarem-se de forma única
Mas também podem dois seres
Sentirem-se almas gémeas
Mas também podem dois corpos
Desabrocharem ignorando o mundo lá fora
No contrariar é que está o ganho…

C.P.

quinta-feira, março 12, 2009

Sonhos a Um Espelho: lançamento promocional do livro


O autor José Pedro Cadima e a Papiro Editora têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente no lançamento promocional do livro Sonhos a Um Espelho, que terá lugar:
i) no dia 14 de Março de 2009 (Sábado), pelas 16,00 horas, na FNAC Braga Parque;
ii) no dia 25 Março (4ª feira), pelas 16,00 horas, na Almedina em Braga, no Campus Universitário de Gualtar.

Papiro Editora
Lisboa
Rua Virgílio Martinho, nº3 D, escritório F, 1600-821 Lisboa
t 218 931 620 * f 218 931 629 * infolisboapapiroeditora.com

quarta-feira, março 11, 2009

“A favor de que se enterrem os mortos - I”

“1.Tenho por hábito proceder periodicamente a um balanço da minha participação nas páginas deste jornal, à semelhança do que faço em relação à minha vida. Nem sempre me agrada o resultado dessa observação (introspecção), confesso, mas todos aprendemos que a vida não é feita só de coisas boas. Em todo o caso, pelo que se refere às crónicas, senão é para falar de coisas boas que existem, têm pelo menos na sua génese causas boas.
Obviamente que admito que há causas e causas. Assim como tenho que admitir que ainda hoje não estou plenamente convencido que é uma boa causa perder o meu tempo (se fosse noutra época, deveria dizer o meu latim) com o Eng. Guterres. Por contrapartida, nunca dei por mal empregue qualquer vergastada que dirigi ao Prof. Cavaco.
Aliás, o que mais admirava no homem era, precisamente, o jeito especial que tinha para pôr-se a preceito: quando não eram pacotes políticos eram as inaugurações de última hora; quando não era a ausência de dúvidas era o nunca se enganar; se não eram as portagens da ponte eram os desacatos da polícia de choque; quando não era…
E se fizera falta algum argumento para justificar a justeza do uso das farpas, aí está ainda hoje o mesmo Cavaco Silva a ajeitar o corpo a pretexto de mais uma jantarada, da regionalização ou de qualquer outro assunto que lhe ocorra, e que se lhe sugira que fará a comunicação social falar de si.”

J.C.

(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/09/06, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

segunda-feira, março 09, 2009

Emoções

"Perdoa que não te diga mais nada. Não esperava esta tua mensagem tão forte, tão emotiva."

José Cadima

sexta-feira, março 06, 2009

“A favor de que se enterrem os mortos - III”

“3. De retorno ao mundo dos vivos (salve seja), gostaria de assinalar a curiosidade, que me foi revelada não vai para muito tempo, de contar entre os meus mais fiéis leitores alguns universitários da academia minhota. É claro que me sinto lisonjeado. Tanto mais quanto nunca pus a menor pretensão nesta crónica, como muito bem o podem testemunhar os leitores mais assíduos.
Posta fora a erudição, considerando o número mais do que escasso de análises em que tomei por objecto a causa universitária ou os seus agentes, este interesse com que os académicos parecem considerar as minhas crónicas causa-me estranheza, confesso. Tanta mais estranheza, digo, quanto a agitação que terão provocado no meio as duas ou três incursões a que me habilitei até à presente data.
Atentando nos frutos alcançados, fica-me o estímulo bastante para novas abordagens.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/09/06, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quinta-feira, março 05, 2009

“A favor de que se enterrem os mortos - II”

“2. Já que falo de mortos, permitam-me os meus caros leitores o desabafo, mas se há coisa que me irrita é, exactamente, o desaforo que têm certos defuntos de recusarem a santa paz que a morte, e só a morte, lhes pode proporcionar.
Concedo a antiguidade da tradição (segundo alguns, a remontar a J. Cristo) mas, como é bem conhecido, a tradição já não é o que era. E já não sendo o que era, como se assinala, entendo que é talvez tempo de voltar a fazer escola a prática sadia de enterrar os mortos e cuidar dos vivos. Mais a mais, num tempo e num mundo em que os empregos escasseiam mesmo para os vivos e se perdeu a velha sabedoria egípcia de embalsamar os mortos de forma a não cheirarem mal.”

J.C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/09/06, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

segunda-feira, março 02, 2009

Aqueles momentos

Há aqueles momentos
sem nada que escrever,
sem nada para dizer.
Pois bem, este não é um deles,
e, mais do que nunca,
apetece-me escrever,
correr, saltar, delirar
e, sobretudo, estar
a teu lado e abraçar-te.
Apetece-me inspirar
e expirar muito lentamente,
ouvir a tua respiração
em sincronia com a minha.
E apetece-me
chegar os meus lábios
ao teu ouvido, lentamente,
e dizer-te: amo-te!

José Pedro Cadima

(poema extraído de "Sonhos a Um espelho", Papiro Editora, Lisboa, 2009 - com lançamento público agendado para 14 de Março pf., pelas 16,00 horas, na FNAC Braga, Braga Parque)

sábado, fevereiro 28, 2009

O orgulho

O orgulho de te ver
A tentar mudar o mundo
A tentar escalar montanhas
A tentar dobrar Cabos de alguma Esperança
A tentar mudar o ser humano
A tentar fazê-lo ser humano
A tentar jogar frontal e directo
A tentar ser honesto
A tentar jogar certo
A tentar ajudar os outros a crescer
A tentar libertar os outros
Fazes ideia do orgulho que tenho por tentares?
Acredito que não.
Sou apenas uma pequerrucha…

C.P.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

“O gato e o sapato”

“Devo confessar a perplexidade que me assiste ao constatar a facilidade com que algumas pessoas, de um momento para o outro, abdicam de metas por que lutaram durante décadas ou aceitam que se chame sapato ao gato.
Talvez seja ingenuidade minha mas continuo a acreditar que há coisas e princípios de que não se abre mão por dinheiro nenhum, isto é, não têm preço. Dantes, ia-se mesmo mais longe e era usual dizer-se que havia «coisas» que não se emprestavam: por exemplo, a mulher e o carro. Temos no entanto que consentir que os tempos são outros.
Vem tudo isto a propósito, como certamente já terão alcançado, do abuso de linguagem que por aí vai, que tem expressão acabada no chamado Plano de Desenvolvimento Regional 1994/99.
Então não é que alguém, não sei se ministro ou secretário de estado, resolveu chamar «Plano de Desenvolvimento Regional» a um documento de planeamento que: primeiro, de quatro objectivos específicos que consagra, só um comporta intervenções territorializadas; segundo, e decorrente dos muitos milhões de ECUs que consigna, reserva uma percentagem de cerca de 20% para a correcção dos desequilíbrios existentes no território nacional; terceiro e último, tem na Expo 98 lisboeta um dos seus projectos estruturantes (e, obviamente, um soberbo sorvedor de recursos financeiros).
Incrível, não acham?! Diria mais: quase tão incrível quanto a falta de interesse ou percepção com que isso passou junto da opinião pública, e dos próprios actores sociais e políticos. Que eu saiba, com a honrosa excepção de um professor universitário de Évora (mal intencionado?) e de meia dúzia de presidentes de Câmara, ninguém mais reparou nisso ou lhe concedeu qualquer atenção.
Para sossegar os leitores, devo informar que o professor universitário em questão teve o destino que merecia em razão da ousadia: a comunicação em que cometia a heresia foi ignorada, por um lado; além disso, de seguida foi designado vice-reitor da referida universidade, como único meio de expiar o pecado. Relativamente aos autarcas não vale a pena falar; no final, eles são também participantes do mesmo jogo político e, portanto, não lhes faltará oportunidade para se pagarem na mesma moeda.
E sabem que mais? Tenho para mim como mais incrível ainda que ministros, secretários de estado e o próprio primeiro-ministro consigam referir-se ao «PDR» nas suas deambulações pelo Alto Minho, Trás-os-Montes, Beira Interior e Alentejo, enaltecendo as virtualidades redentoras dos meios financeiros que consagra, sem que, a meio do discurso, desatem a rir a “bandeiras despregadas”.
Parolos! Que bem nos achamos na figura de parolos.”

J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/17, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sábado, fevereiro 21, 2009

Minha Querida Helena

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem” (B. B.). Sendo assim embora, tenho que agradecer a benevolência com que apreciaste os breves momentos que passámos juntos e pedir-te desculpa por te ter tratado de forma tão rude.
Fico muito desconfortável quando alguém penetra no meu mundo e ainda mais quando, simultaneamente, pressinto “estranhos” a tentar cercar-me. Nessas circunstâncias, sou obrigado a pôr armadura e a rechaçar quem quer que se aproxime. Tu foste vítima disso. Pode ser que numa próxima vez tenhas mais sorte. Não posso dizer-te mais nada, isto é, não sou capaz de garantir-te que isso não volte a acontecer.
Fazes-me falta, é certo. Disso te falei já noutra ocasião. Também te dizia que é da minha natureza sentir falta de quem me faz sorrir. Não te disse, no entanto, que a natureza sou eu e tu sabes quanto a natureza é caprichosa e injusta, porque lhe escapa o sentido comum de justiça.
Sinto falta de ti, mas, amiúde, não deixo de perceber-te como uma ameaça. Ameaça-me a incerteza de ser teu porto seguro ou, melhor, a certeza de saber que nos mares por onde navego raramente há águas calmas e se, com engenho, algumas vezes, a pulso, na maior parte dos casos, vou conseguindo manter o barco à tona da água, receio que o teu peso altere este frágil equilíbrio que me permite marear.
Fazes-me falta sobretudo nestes dias amargos. As tuas ausências ocupam-me o pensamento e, no entanto, não me deixo convencer que não sejas uma ameaça ao meu mundo. Balanço entre baixar defesas e deixar-te entrar ou manter-me em estado de alerta, protegido por muralhas que nem tu saberás galgar.
Querida Helena, perdoa-me por, nestes breves momentos que passámos juntos, não ter sido capaz de deixar de ser natureza para ser tão só o amor que anseias ter, suave e doce.
Um beijo muito grande,

José Cadima

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Que é amar?

É sentir esta vontade de correr para ti
Correr e correr sem parar
Fazeres-me rir
Fazer-te sorrir
Baloiçar-me
Baloiçar-te
Fazer Dlim, Dlão
Esquecendo o mundo lá fora
Fazer versos apenas para ti
Senti-los e alimentá-los
Sentir de forma intensa os teus Xi-Corações
Que nunca tive antes
Permitires que me revele
Que seja eu própria, finalmente
Mimares-me
Mimar-te
Ter a certeza de que te vou amar até ao fim

C.P.

sábado, fevereiro 14, 2009

Falta de ti

Fazes-me falta.
Fazes-me muito falta,
e não é por ser dia de namorados.
É, antes, porque é da minha natureza
sentir falta de quem me faz sorrir,
de quem me faz sentir relevante,
num tempo de datas e gestos gratuitos.
É bom sentirmo-nos desejados.
Sinto falta de ti,
amor de anos tardios,
quando o amor parecia
não estar mais ao meu alcance.
Fazes-me falta sobretudo nestes dias amargos,
em que a tua ausência sofrida
te torna mais presente no meu pensamento.
Fico a desejar que amanhã queira dizer regresso.
Fico a ansiar que as circunstâncias infelizes
que te mantiveram longe, nestes dias sofridos,
sejam apenas tempo de espera de dias risonhos.
Sinto falta de ti,
uma desesperante falta de ti.


José Cadima

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Beijar-te

Era capaz de beijar o teu corpo todo,
e depois voltar a fazê-lo.
Era capaz de te olhar nos olhos,
e contemplar a beleza que deles irradia,
durante horas.
Era capaz de te abraçar,
e sonhar que esse momento durasse para
sempre…

José Pedro Cadima

(poema extraído de "Sonhos a Um espelho", Papiro Editora, Lisboa, 2009 - conferir data de lançamento público na mensagem imediatamente abaixo)

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Sonhos a Um Espelho


O autor José Pedro Cadima e a Papiro Editora têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente no lançamento promocional do livro Sonhos a Um Espelho, que terá lugar no dia 14 de Março de 2009, pelas 16 horas na Fnac Braga Parque.

Papiro Editora
Lisboa
Rua Virgílio Martinho nº3 D escritório F 1600-821 Lisboa
t 218 931 620 * f 218 931 629 * infolisboapapiroeditora.com

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Passar a Ponte

Foi há cerca de oito meses
Que uma ponte te quis lançar
Não sabias na altura
Que ta queria entregar
Para passares
Sem perigo de baloiçares
Eras então um grande desafio
Ainda bem que o abracei
Pois sei que o serás para todo o sempre
Hoje como então
Continuo a sentir-te a todo o instante
Mas já sem agonia constante
Alegria sinto
Sempre que estou contigo
Mas continuo a perguntar-me
Como posso merecer um homem assim?

C. P.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Minha Querida Helena

Pese o carinho com que me tratas, pese as palavras doces que me diriges, sinto em ti alguma amargura quando reclamas da forma como te trato. Reclamas que me escuso a usar a palavra amor. Queixas-te de que o amor que me dedicas é maior que aquele com que te (não) correspondo.
Desculpa que questione esse teu modo de pensar o amor. Para mim, o amor não é coisa de palavras ou, pelo menos, de grandes declarações, até porque facilmente tropeço nelas; sobretudo se de palavras ditas se trata. A palavra escrita já me dá mais conforto e, por isso, nela me refugio amiúde, como faço agora. O amor, minha querida Helena, é para mim uma coisa do domínio exclusivo das emoções, das emoções fortes, digo, tal qual a raiva, o desprezo, a recusa assumida de algo que me é imposto. O amor, sinto-o bem vivo, aos pulos, quando te acolho nos meus braços, quando te aperto contra mim, querendo tornar esse abraço mais forte mas receando, ao mesmo tempo, esmagar-te. Sim, isso é amor mesmo, mesmo se fico no limiar de te magoar fisicamente.
Aceito, amor meu, que te exprimas de forma distinta da minha. Aceita, por seu turno, que eu me exprima à minha maneira. Não sei ser senão à minha maneira, mesmo quando isso é razão de desconforto para outros e, nessa medida, para mim. Não sei ser de outra maneira… Não sei e, confesso-te, também já não quero.
No passado, cheguei, amiúde, a encarar teatralizar os meus gestos, as minhas palavras. Conclui logo que não tinha jeito para o teatro. Aparte isso, a minha vida tinha já drama suficiente. Pena tenho que me tenha feito amargo em expressão desse drama. Se me tivesse sido possível escolher, teria preferido vestir o fato do actor de comédia, sem me tornar comediante.
Não sei ser diferente do que sou. Percebendo-o, talvez consigas que fiquem menos amargas as minhas palavras e pensamentos. Sonho que sim. Sonho que sim, como sonho contigo, meu amor.
Recebe um xicoração muito grande,

José Cadima

terça-feira, fevereiro 03, 2009

"A dinâmica económica internacional pode ser vista como a maior de todas as olimpíadas"

"A dinâmica económica internacional pode ser vista como a maior de todas as olimpíadas, isto é, uma enorme competição.
Para sustentar a ideia de competição basta procurar alguns indicadores económicos e perceber que todos os anos há uma enorme corrida onde todos os países são pontuados com melhores ou piores classificações. Qualquer competidor quer, obviamente, o ouro, mas dificilmente se verá Portugal, como candidato, receber o diploma de participação, quanto mais uma verdadeira medalha."
José Pedro Cadima
*
(excerto de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, integralmente reproduzido em Economia Portuguesa, sob o título Guia para a competição)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Obrigado pelo esforço que fizeste para dar encaminhamento atempado à nossa encomenda.
Imaginei que gostasses de ler o texto. É um texto para descontrair. Gostava de ter tempo e espírito para retomar aquele tipo de trabalho. O J.C. tem entretanto andado perdido por aí e não sei se alguma vez mais o reencontrarei.

José Cadima

sexta-feira, janeiro 30, 2009

“Quando eu for grande”

“O meu sonho, quando for grande, é ser analista político. Não é o máximo? Vou também ter o meu clube de «fans» e receber imensas cartas e postais ilustrados. Só não decidi ainda se vou morar na Quinta da Marinha ou em Cascais. A seu tempo se verá.
É um trabalho bem árduo o de «fazedor de opinião» e que deixa muito pouco tempo livre para outros trabalhos menos nobres, mas o paizinho acha que é muito gratificante e, além disso, permite-nos dar notas aos políticos, ao Mário Soares, ao Guterres, ao Nogueira, ao Joãozinho, ao Fernandinho e à Sónia, e aos outros todos. Depois é que eles vão ver: não hei-de ser como o Marcelo que usa uma escala que começa em 15 e acaba em 18 (só para os amigos do peito).
Já comecei a treinar-me: o paizinho inscreveu-me no «karaté», onde a gente aprende a gritar forte, e, sempre que posso, vou com a mãe ao mercado do peixe e das hortaliças. A mãe não fica muito entusiasmada com a minha companhia por causa, como diz, da língua porca que lá se usa; mas eu já lhe fiz ver que quanto mais cedo eu começar a minha aprendizagem política mais hipóteses tenho de fazer figura na televisão. Só espero que na altura ainda se faça o «Flash Back», para eu poder substituir o Pacheco Pereira ou o Magalhães. Adoro aquela confusão, com todos a falarem ao mesmo tempo.
É gente muito sábia aquela, não acham? Não há nada que lhes escape: a retoma económica, as polícias, as escapadelas do Felisberto, a política de defesa baixa do Fernando, eu sei lá que mais. O que me deixa pouco à-vontade é aquela mania dos livros, do Marcelo. Porque raio é que o tipo acha que tem que meter livros na política?! Se os outros se lembram do imitar lá estou eu tramado também, e tenho que reduzir a dose diária de televisão. A não ser que eu constitua um escritório de fazedores de opinião política, e ponha os outros a lerem os livros. É uma ideia…
Há uma coisa que me preocupa no imediato: em que partido devo eu inscrever-me? Com a confusão que aí vai desde que o Cavaco se pôs ao fresco, a gente não sabe para quem é que há-de virar-se e, francamente, como é que se pode fazer análise política isenta quando não se sabe de que lado é que se deve estar?! Felizmente, sou ainda pequeno e posso esperar que a situação política se clarifique.”

J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/05/06, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Sonhos a Um Espelho

O autor José Pedro Cadima e a Papiro Editora têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente no lançamento promocional do livro Sonhos a Um Espelho, que terá lugar no dia 14 de Março de 2009, pelas 16 horas na Fnac Braga Parque.

Papiro Editora
Lisboa
Rua Virgílio Martinho nº3 D escritório F 1600-821 Lisboa
t 218 931 620 f 218 931 629 e infolisboapapiroeditora.com

domingo, janeiro 25, 2009

“A arte de tapar o sol com uma peneira”

“Morreu recentemente um professor universitário e economista português por quem nutria simpatia. Não uma simpatia forjada no convívio pessoal ou na afinidade ideológica mas, antes, pelo culto da irreverência e da incomodidade que ele sempre soube manter.
Morreu vítima de atropelamento, não estando confirmado que tenha sido a mando do Prof. Cavaco Silva, seu colega de Faculdade, e alvo preferencial das crónicas de crítica económica que fez publicar durante os últimos anos.
Soube já depois da sua morte que fora militante do PPD, senão mesmo sócio fundador. A confirmar-se essa circunstância mais relevada sai a sua memória num tempo em que na Universidade sobressai o culto do cinzentismo e da mediocridade.
Da derradeira conferência do Prof. Alfredo Sousa a que assisti recordo uma frase que dá bem conta da forma como estava na vida e na política.
Estava-se então em 1993. Haviam-se esgotado os fundos postos ao dispor de Portugal pela Comunidade Europeia no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio 1989/93, e o Governo não cessava de publicitar o lançamento de novos programas de apoio a que chamava «pacotes». A dado passo da sua intervenção, o Prof. Alfredo Sousa reportar-se-ia a estas políticas nos termos seguintes: «os pacotes, que como sabem são conjuntos vazios…». A plateia rompeu em riso aberto.
Antes e depois, por múltiplas ocasiões, teve o citado economista oportunidade de reclamar doutras políticas do Prof. Cavaco que, similarmente, não passavam de tentativas de tapar o sol com a peneira, como é uso dizer-se. Terá sido pouco ouvido ou, melhor, pouco lido, o que também não espanta: os jornais têm cada vez menos leitores e o Prof. Cavaco faz questão que se saiba que, pela sua parte, não despende mais de 10 minutos (ou serão cinco?) do seu tempo diário com a leitura da imprensa.
Talvez seja por isso que o Primeiro-Ministro está em via de completar o seu décimo ano à frente do Governo do país. E talvez seja por ter compreendido isso que tem nomeado para o Ministério da Educação quem tem nomeado.
A dúvida maior que me assiste, entretanto, reside em saber se é o mesmo propósito que o move no projectado regresso à Universidade.
Os desígnios de «Deus» são verdadeiramente insondáveis.”

J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/03, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Num dia "dificil", é sempre bom ter quem nos faça chegar um ombro amigo ou um beijo. Obrigado por isso.
.
José Cadima

segunda-feira, janeiro 19, 2009

És a minha luz

És a minha luz
A que surge atrás do sopro
Que já foi tímida na minha vida
Agora tem força fogosa
Que luz tão luminosa
Que me ajuda a distinguir
O Amar e Ser Amada
Mais do que um fado
Aumenta a minha paixão
Pela vida, por ti
E ilumina o meu coração
Apaixona-me essa luz
Será apenas fruto da minha imaginação?

C.P.

sábado, janeiro 17, 2009

Luz…

Luz da minha paixão,
desce do céu,
vem iluminar meu coração,
sufoca-me com beijos,
enche-me de desejos.
Ah luz como és bela!
Quão reconfortante é olhar para ti.
Apetece-me abraçar-te, beijar-te,
deixar-te penetrar meu coração.
Não sei, no entanto, se não me cegarias
de ilusão.

José Pedro Cadima

(texto retirado do livro "Sonhos a Um Espelho", com lançamento agendado para o dia 14 de Março pf., pelas 16,00 horas, na FNAC de Braga, Braga Parque; edição de Papiro Editora, Lisboa)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Lançamento do livro "Sonhos a Um Espelho"

Agendado o lançamento do livro "Sonhos a Um Espelho",
de José Pedro Cadima,
Papiro Editora,
Lisboa, 2009:

FNAC BRAGA,
Braga Parque:
dia 14 de Março, às 16h00.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Mensagens curtas, endereçadas

Que os homens amam, não está em causa. Vê o meu caso. Isso não quer dizer que o amor lhes traga grande felicidade.
Relativamente ao brilho nos olhos, encontraste a justificação mais óbvia, se bem que me faça confusão a hipótese de te dar um xicoração com óculos pelo meio. Num xicoração autêntico não há espaço para interpor rigorosamente seja o que for entre os dois.
Uma guerra entre os dois? De modo algum. Eu sou pacífico por natureza. Além disso, acho-te uma doçura, uma doçura tamanha que me confunde e que me obriga a defender-me dentro dos limites daquilo que posso.
Um xicoração,

José Cadima

domingo, janeiro 11, 2009

“A derrota dos comentadores”

“Houve uma fase na história portuguesa recente em que a pugna política foi amiúde confundida com o desfiar de argumentos por parte dos comentadores políticos. Recordo-me, a propósito, de ter assistido ao caricato de uma contabilização de ganhos e perdas políticas em vésperas de sufrágio para a Assembleia da Republica a partir do alinhamento político dos comentadores de maior saída no panorama jornalístico e radiofónico nacional.
Escutando um destes dias um desses comentadores, veio-me à memória este episódio na precisa altura em que o personagem em questão admitia ter passado o mês precedente a pregar no deserto, isto é, admitia que o discurso que vinha mantendo se revelara inconsistente com a realidade. O que neste caso quer dizer que, posto o libelo de ingénuo político atirado ao Eng.º. Guterres, afinal o único anjinho tinha sido o próprio comentador.
Tratava-se da confissão da derrota poucas semanas após ter tido que engolir um sapo ou, melhor, um engenheiro vivo. Nesta última situação deparava-se, entretanto, com uma agravante: não tinha as sondagens eleitorais para se desculpar.
Isto dito, deduzirão os leitores que invoco aqui estes episódios para afirmar que os comentadores também são humanos, quer dizer, erram ou, noutro sentido, para lhes louvar a humildade que repassa de gestos como o que ilustro. Nada mais errado! Pelo contrário, o que quero aqui sublinhar é a indignidade de tais gestos, que os negam enquanto comentadores e arrastam para a lama toda a classe.
Sim, porque se o seu negócio é a mistificação, que sentido fará voltar atrás e admitir que a mensagem não passou? Em boa coerência, o que haverá que fazer é persistir no dislate, no exercício de retórica, no branqueamento da ideia que a imagem que se quis fazer passar não ia além de uma mistificação. Doutro modo, o que importa fazer crer é que não foi o analista que se enganou mas, antes, que a realidade estava possuída de comportamentais desviantes, sobre que urgia actuar.
É nesse sentido que me preocupa a viabilidade do exercício do comentário. É nesse sentido que falo na derrota, na morte definitiva, porventura, dos comentadores, e que faço bem presente a minha mágoa.
É uma mágoa profunda, que alguns dos meus leitores talvez não alcancem. Entendê-lo-ão, seguramente, aqueles mais assíduos na leitura destas crónicas que tenham por isso notado a sensibilidade ecológica que perpassa muitas delas. Alguns destes comover-se-ão comigo, mesmo, perante a perspectiva de uma perda irreparável, um atentado mais à diversidade faunística do nosso querido Portugal.
Fica-me a esperança que esta crónica não tenha chegado demasiado tarde.”

J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/12/31, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Neve

“[…]
Já reparaste que está a nevar lá fora? É tímida, a neve, mas desde, pelo menos, as 8h20m que está a nevar…
[…]”
-
“ […]
É verdade. Vejo-a cair da janela do meu gabinete. Há muito tempo que o campus não estava tão bonito e não havia no ar tanta alegria.
[…]”
*
(excertos de mensagens de correio electrónico de há minutos)

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Uma caricatura

A alguns, a presente crise compara-se ao crash de 1929. A outros, com um sentido mais proporcional, lembra-lhes a crise de 1982. A mim, em especial, e se calhar porque não vivi nenhuma das duas anteriores, lembra-me o 11 de Setembro. Passo a explicar:
Recordar-se-ão das reportagens que apareceram nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas e em que se documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas. Acontece que todas tinham algum tipo de pista quanto à existência de terroristas, de planos de atentados, do envolvimento da Al-Qaeda, de dinheiro desconhecido vindo do médio Oriente. Mas como aquelas nunca se juntaram para conversar e comparar indícios, foi impossível prever que uma dúzia de terroristas com ligações à Al-Qaeda tinham tido aulas de pilotagem tendo como objectivo desviar aviões para destruir variados símbolos de poder americanos.
Também nesta crise isso aconteceu. Uma data de fragmentos de informação só fizeram sentido aquando do acontecimento. Praticamente todos os economistas sabiam que haveria necessidade de introduzir correcções nos mercados (alguns apenas sabiam porque alguém lhes tinha dito que tal viria a acontecer), mas as restantes pistas para o efeito da mesma estavam separadas. Havia economistas que entendiam que os níveis de consumo estavam demasiado altos. Havia economistas que não acreditavam na legislação em vigor. Havia outros que perceberam que o sistema financeiro vivia sob um enorme desequilíbrio. E havia quem visse cada vez menos pessoas a pagar as suas prestações de crédito.
No final, antecipar a crise e o seu tamanho provou-se impossível para a generalidade dos economistas. Talvez tudo tivesse sido diferente caso dois economistas com diferentes fragmentos da informação se tivessem encontrado num café. Imaginemo-los a conversar:
“Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
“ Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!”
“Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
“ Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
“Espera lá!”
Obviamente, e apesar da caricatura simplista, a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol.
No entanto, de nenhuma forma os economistas são os únicos culpados nesta situação. Houve enormes falhas por parte de todos os sectores da sociedade, começando por uma sociedade cujo consumismo a levou a um endividamento absurdo, aos bancos que emprestavam o dinheiro dos depositantes sem grande preocupação com o risco que representavam muitos clientes, às instituições financeiras que aglomeravam as hipotecas sob a forma de fundos de capitais que depois eram generosamente classificados por instituições de “rating” globais.
Mas o mais “engraçado” ficou para os investidores. Alguns deles perderam tudo porque não foram capazes de sair à rua para ver as pessoas serem despejadas das casas que haviam adquirido com recurso ao crédito. Outros, contudo, apercebendo-se disso, compraram todo o tipo de seguros para os activos que no futuro iriam destruir o sistema financeiro, fazendo dinheiro à custa da falência das seguradoras que iriam ser salvas pelo dinheiro dos endividados contribuintes.
.
José Pedro Cadima

segunda-feira, janeiro 05, 2009

És o meu sopro

És o meu sopro
Aquele que me faz andar
Aquele que me faz voar
E até baloiçar
Que me faz estremecer
E até elevar para além de mim
Atrás do sopro
Aparece a tua luz
Que me faz sentir radiosa
Brava e doce
Apenas para ti…

C. P.

domingo, janeiro 04, 2009

“Revisitar o passado”

“Hoje gostava de vos propor um exercício: nada mais nada menos que recuperar algumas passagens de uma crónica de há um ano, sujeita às necessárias actualizações. Vamos então ver como resulta:
«O grande evento político do fim de ano de 1995 foi a notícia/especulação sobre o abandono da vida política por parte do Prof. Cavaco Silva, ex-primeiro ministro de Portugal e ex-presidente do PSD. Rivalizou esta notícia com a enxurrada de asneiras que levaram o governo do Engº. António Guterres, recém-empossado, a abrir algumas portagens de auto-estrada nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Felizmente, o ministro foi substituído e reina a esperança que o Sol volte a brilhar.
Na primeira ocasião que me falaram disso (do abandono da vida política por parte de Cavaco Silva, quero dizer), a minha reacção foi de descrédito. Afinal o homem também já tinha prometido isso faz um ano, e foi o que se viu. Todavia, passado o impacto dos primeiros momentos, convenci-me que não seria desadequado aproveitar o ensejo para lhe reafirmar um pedido já feito há algum tempo para que se retire, de facto. Isto é, se lhe assistem dúvidas, mande-as às malvas e volte mesmo à sua Universidade.
Não é que eu pense que a sua Universidade (a Nova, de Lisboa) tenha muito a ganhar com isso, mas cada instituição tem os professores, e os alunos, que merece, tal qual os países têm os políticos que merecem.
Indo entretanto ao que realmente importa, e não sendo questão de fazer aqui enumeração exaustiva, passo a indicar de seguida duas razões que me levam a recomendar ao doutor Cavaco Silva o seu abandono definitivo da cena política:
1º) Para mostrar o seu profundo sentido cristão de vida, dando oportunidade a outros de mostrarem, também, o seu valor e, porventura, governarem-se;
2º) Para mostrar apreço pelo trabalho e levar os jovens, e os seus admiradores em geral, a libertarem-se de uma cultura de dependência do orçamento do Estado e dos fundos financeiros europeus.
É bom que fique bem presente junto dos jovens que o trabalho é fonte de acesso a bens e serviços e factor de realização pessoal. Acresce que, na própria medida em que o próprio Prof. Cavaco Silva labutou tanto para a actual situação de trabalho mal pago vigente para os professores universitários, ele tem oportunidade de, duplamente, dar mostra de sentido cristão de vida: i) ao deixar espaço para outros; e ii) ao dar expressão explícita de desapego dos bens materiais deste mundo.
Nesse passo da sua vida, o dito político não pode sequer queixar-se de não ter tido já suficiente expressão de apreço pelas populações do seu labor de dez anos à frente dos destinos do país. Se bem me recordo, os resultados das eleições parlamentares de Outubro pp. foram unicamente tidos como um tributo à governação cavaquista.
Entretanto, como deixei dito antes, estas são apenas duas das múltiplas razões que poderia invocar com a finalidade de assistir o Prof. Cavaco Silva na sua decisão de regressar à Universidade Nova de Lisboa. São bem ponderosas, todavia, pelo que fico a aguardar que decida bem, no interesse dos portugueses (que sei que preza acima de tudo)».”

J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/01/12, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Que sou eu?

Que sou eu
senão um eterno apaixonado,
um bêbado de amor,
um embriagado de angústia e de esperança.
Eu sou o poeta
que beijou uma bêbada
ou foi ela que me beijou a mim
(pois ela negou o meu beijo)?
Aqui, eu sou o romântico,
o antigo romântico,
o novo gótico
ou talvez seja, apenas,
o pós-caótico.

José Pedro Cadima

(texto extraído de "Sonhos a um Espelho", Papiro Editora, Lisboa, 2009, no prelo)