Tão presente te sinto
E tão longe estás… apenas de mim…
Quero sentir-te perto
Perto de mim…
Revelar-te que Te Amo
Que és Tu
Quem eu quero
E Amo
C.P.
Imagina só poderes ver os meus sonhos no meu reflexo. "Jornal de Parede" de José Pedro Cadima e de José Cadima
segunda-feira, agosto 18, 2008
sábado, agosto 16, 2008
Cartas de Amor ou quase
Sublinho: se tens coisas por fazer, dá-lhes prioridade. Eu ficarei sempre para uma 3ª ordem de prioridades. Não levarei a mal.
-
Essa é matéria para ser tratada pessoalmente, de preferência, para que tudo resulte muito bem esclarecido.
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Se achares que não me deves falar mais, aceitarei. Ficarei triste mas aceitarei. Dir-me-ás o que entenderes ou não me dirás nada.
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Estou, de facto, cansado. Neste caso, não foi culpa tua: um beijo trocado às escondidas não desgasta tanto.
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Estou, de facto, cansado. Neste caso, não foi culpa tua: um beijo trocado às escondidas não desgasta tanto.
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Quanto a gostares um bocadinho de mim, não é problema. Eu também gosto um bocadinho de ti.
José Cadima
José Cadima
sexta-feira, agosto 15, 2008
Diário de uma viagem - décimo-segundo dia
Olá,
Já estive a fazer a mala. Ao fim da noite devo acabar de fazê-la. Amanhã volto para Portugal.
"1.1 CADIMA/JOSEMR
1. TP 386 S 03AUG PORTO / LONDRES (LHR) HK1 1620 1835
2. TP 8953 S 03AUG LONDRES (LHR) / MANCHESTER HK1 2050 2155
3. BD 597 E 16AUG MANCESTER / LONDRES (LHR) HK1 1410 1515
4. TP 387 S 16AUG LONDRES (LHR) / PORTO HK1 1925 2135"
No bilhete ainda tem um autocolante da TAP, que tapa a hora. Removo-o ou deixo estar quando o apresentar no check in?
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
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Olá,
Compreendo mas, apesar desse acontecimento, Liverpool é a cidade mais activa em termos de música do Reino Unido. As bandas com origem em Liverpool passaram mais tempo no top musical do que as bandas com origem em qualquer outra cidade, mesmo Londres. Repara que já era uma capital da música.
Agora que me vou embora, não tem importância. Nota que eu não disse que isto foi uma má experiência. Também conheci pessoas interessantes, mas é uma cidade onde tenho dificuldade em ir a lugares onde me possa divertir.
Sim, amanhã também tenho aulas. Já me deram o certificado, mas não diz quanto tempo cá fiquei nem em que nível estou. Apenas diz que estive presente nas aulas na EF, em Manchester.
Um abraço,
JPGCadima
Compreendo mas, apesar desse acontecimento, Liverpool é a cidade mais activa em termos de música do Reino Unido. As bandas com origem em Liverpool passaram mais tempo no top musical do que as bandas com origem em qualquer outra cidade, mesmo Londres. Repara que já era uma capital da música.
Agora que me vou embora, não tem importância. Nota que eu não disse que isto foi uma má experiência. Também conheci pessoas interessantes, mas é uma cidade onde tenho dificuldade em ir a lugares onde me possa divertir.
Sim, amanhã também tenho aulas. Já me deram o certificado, mas não diz quanto tempo cá fiquei nem em que nível estou. Apenas diz que estive presente nas aulas na EF, em Manchester.
Um abraço,
JPGCadima
quinta-feira, agosto 14, 2008
Diário de uma viagem - décimo-primeiro dia
Olá,
Não foi isso que eu disse. O que eu disse foi que a cidade de Liverpool faz mais o meu género, por isso eu devia ter ido para lá ao em vez de vir para aqui (para Manchester). Não falei em nenhuma ERSA e apenas referi aquela data porque tu e o meu irmão estarão lá nessa altura.
Uma das minhas aulas foi sobre um parque florestal a norte de Manchester; outra foi sobre a cidade a Oeste (Liverpool). Vai haver um festival de música quando lá estiveres. O centro da cidade estará fechado - daí a data de 24/25 de Agosto.
Um abraço,
Uma das minhas aulas foi sobre um parque florestal a norte de Manchester; outra foi sobre a cidade a Oeste (Liverpool). Vai haver um festival de música quando lá estiveres. O centro da cidade estará fechado - daí a data de 24/25 de Agosto.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
-
Olá,
São só mais dois dias e estou em Braga!
Estou um pouco desapontado porque pensei que seria uma experiência melhor. Liverpool é bem melhor. Parece que os bares e pubs de lá têm muito melhor ambiente e identificam-se muito mais comigo, além de que passam muita música pop/rock.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
São só mais dois dias e estou em Braga!
Estou um pouco desapontado porque pensei que seria uma experiência melhor. Liverpool é bem melhor. Parece que os bares e pubs de lá têm muito melhor ambiente e identificam-se muito mais comigo, além de que passam muita música pop/rock.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
quarta-feira, agosto 13, 2008
Desaparecer
Desaparecer: quantas vezes não desejamos nós isso?
Um desejo repentino, surgido após uma cena desastrosa. Quando tudo acontecer, não é aqui que quero estar. Quando tudo se revelar, não quero existir.
Querer desaparecer mantém-nos acordados à noite, muitas vezes. Tentar fechar os olhos ao dia de amanhã. Tenho medo, não sei o que me reserva o dia de amanhã.
Um olhar sobre a vida. Memórias que nos fazem ferida, que nos dão vontade de desaparecer.
Vi-te um dia e decidi que te queria. Tu decidiste não me querer, da mesma maneira. Tive então vontade de desaparecer.
Culpo-te a ti e a todos por me terem dado essa vontade. Vi cada dia passar e dizer-me que tinha fracassado. Ou desapareço ou choro! Chorei.
Escolheste outro. Tu e o outro. Eu e a dor.
Todos os dias te vejo adormecer antes de mim… Espero sempre que os teus olhos fechem e mergulhes nos teus sonhos para que eu possa então chorar.
Mergulhas nos teus sonhos e os meus olhos ganham brilho. Depois, uma lágrima traça um carreiro de água salgada até à almofada onde tento desaparecer.
Tenho na memória a rejeição, o dia em que preferiste outro, os carinhos que perdi. Agora, que te tenho, só falta mesmo fazer desaparecer os parágrafos que surgem acima.
Apagá-los será fácil. Difícil será apagar da minha memória os dias tristes, os dias em que faltaste.
José Pedro Cadima
Um desejo repentino, surgido após uma cena desastrosa. Quando tudo acontecer, não é aqui que quero estar. Quando tudo se revelar, não quero existir.
Querer desaparecer mantém-nos acordados à noite, muitas vezes. Tentar fechar os olhos ao dia de amanhã. Tenho medo, não sei o que me reserva o dia de amanhã.
Um olhar sobre a vida. Memórias que nos fazem ferida, que nos dão vontade de desaparecer.
Vi-te um dia e decidi que te queria. Tu decidiste não me querer, da mesma maneira. Tive então vontade de desaparecer.
Culpo-te a ti e a todos por me terem dado essa vontade. Vi cada dia passar e dizer-me que tinha fracassado. Ou desapareço ou choro! Chorei.
Escolheste outro. Tu e o outro. Eu e a dor.
Todos os dias te vejo adormecer antes de mim… Espero sempre que os teus olhos fechem e mergulhes nos teus sonhos para que eu possa então chorar.
Mergulhas nos teus sonhos e os meus olhos ganham brilho. Depois, uma lágrima traça um carreiro de água salgada até à almofada onde tento desaparecer.
Tenho na memória a rejeição, o dia em que preferiste outro, os carinhos que perdi. Agora, que te tenho, só falta mesmo fazer desaparecer os parágrafos que surgem acima.
Apagá-los será fácil. Difícil será apagar da minha memória os dias tristes, os dias em que faltaste.
José Pedro Cadima
Diário de uma viagem - décimo dia
Olá,
Bem, eu acho que vale a pena ver. Mas eu vi-o num IMAX, por isso a experiência é diferente - tem um efeito maior na audiência do que um cinema normal.
Certos pormenores são excessivos, mas eu achei-o um bom filme. E tem tempo suficiente: duas horas e tal. É muito mais completo do que outros filmes baseados na banda desenhada.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
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Olá,
Sim, eu sei. Acho que vou 4 horas antes para ter a certeza que encontro o meu terminal.
Sim, eu sei. Acho que vou 4 horas antes para ter a certeza que encontro o meu terminal.
Fui ver o Batman no ecrã IMAX. Por isso, foi uma boa experiência, já que o ecrã é o maior de Inglaterra.
Um abraço,
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
Seduzir-te (seduz-me)
Sinto o teu carinho
E o sorriso que me fazes chegar.
Tento comunicar contigo
Seduzir-te e ficar a deambular.
As tuas mãos me seduzem
São elo de transmissão.
Mas, às vezes, acordo
E constato que é apenas um sonho
Um sonho que se tornou realidade.
Meu amor, que bom que é voltar a sonhar
Que bom é saber que o amor voltou a brilhar.
C.P.
E o sorriso que me fazes chegar.
Tento comunicar contigo
Seduzir-te e ficar a deambular.
As tuas mãos me seduzem
São elo de transmissão.
Mas, às vezes, acordo
E constato que é apenas um sonho
Um sonho que se tornou realidade.
Meu amor, que bom que é voltar a sonhar
Que bom é saber que o amor voltou a brilhar.
C.P.
terça-feira, agosto 12, 2008
A vida pára (memória)
Não há nada que eu te possa dizer
para que te sintas melhor.
E seria estúpido dizer-te que a vida continua,
pois tu sabes tão bem como eu
que a vida pára
naquele exacto momento
em que se deixa de amar alguém.
José Pedro Cadima
para que te sintas melhor.
E seria estúpido dizer-te que a vida continua,
pois tu sabes tão bem como eu
que a vida pára
naquele exacto momento
em que se deixa de amar alguém.
José Pedro Cadima
Diário de uma viagem - nono dia
Olá,
Penso que dentro de dez anos, com o crescimento de Moçambique, de Angola e do Brasil, serão os franceses a ter de aprender Português. De qualquer forma, não é uma língua que aprecie, tal como não sou fã da cultura francesa.
Hoje vou aos cinemas IMAX (o maior do Reino Unido) para ver o Batman.
Eu tenho dinheiro e tenho um cartão de débito, se necessário. Acho que vou de táxi pelas 10h para ter tempo para procurar o meu terminal.
Um abraço,
Penso que dentro de dez anos, com o crescimento de Moçambique, de Angola e do Brasil, serão os franceses a ter de aprender Português. De qualquer forma, não é uma língua que aprecie, tal como não sou fã da cultura francesa.
Hoje vou aos cinemas IMAX (o maior do Reino Unido) para ver o Batman.
Eu tenho dinheiro e tenho um cartão de débito, se necessário. Acho que vou de táxi pelas 10h para ter tempo para procurar o meu terminal.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
-
Olá,
Sim, poderão ser excessivos, mas há um ou outro dia que só tenho uma ou duas aulas, como é o caso do dia de amanhã. Por isso, vou tentar.
O indigena que partilha o meu quarto é francês e isso já é mau o suficiente. É uma pessoa simpática, mas não consegue parar quieto e o pior é que há aqui tantos franceses que fala-se mais francês do que inglês e o resto do pessoal fica de fora das conversas.
Um abraço,
Sim, poderão ser excessivos, mas há um ou outro dia que só tenho uma ou duas aulas, como é o caso do dia de amanhã. Por isso, vou tentar.
O indigena que partilha o meu quarto é francês e isso já é mau o suficiente. É uma pessoa simpática, mas não consegue parar quieto e o pior é que há aqui tantos franceses que fala-se mais francês do que inglês e o resto do pessoal fica de fora das conversas.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
segunda-feira, agosto 11, 2008
Diário de uma viagem - oitavo dia
Olá,
Acho que o peixe é igual ao que como na cantina da Universidade do Minho. As chips são praticamente iguais, embora um pouco mais gordas que as nossas.
Sim, compreendo isso das coisas diferentes, mas repara que é exactamente a mesma coisa em Portugal. Existem na mesma discotecas e eu já lá fui. Simplesmente não é algo novo.
Sim, a minha mãe parece-me agitada. Metem-se-lhe coisas na cabeça. Deverias conversar um pouco com ela - parece-me preocupada.
Tenho dois enormes projectos para esta semana: vou ler um livro e estava a pensar em escrever uma história. Vamos lá ver se me surge inspiração para o fazer.
Um abraço,
Acho que o peixe é igual ao que como na cantina da Universidade do Minho. As chips são praticamente iguais, embora um pouco mais gordas que as nossas.
Sim, compreendo isso das coisas diferentes, mas repara que é exactamente a mesma coisa em Portugal. Existem na mesma discotecas e eu já lá fui. Simplesmente não é algo novo.
Sim, a minha mãe parece-me agitada. Metem-se-lhe coisas na cabeça. Deverias conversar um pouco com ela - parece-me preocupada.
Tenho dois enormes projectos para esta semana: vou ler um livro e estava a pensar em escrever uma história. Vamos lá ver se me surge inspiração para o fazer.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
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Olá,
Repara que eu em Portugal, no Verão, vou sempre a festivais e a concertos, etc. No entanto, são locais frequentados por pessoas com os quais me associo. Aqui, grande parte dos estudantes não frequentam esse género de locais - são mais de discotecas.
Repara que eu em Portugal, no Verão, vou sempre a festivais e a concertos, etc. No entanto, são locais frequentados por pessoas com os quais me associo. Aqui, grande parte dos estudantes não frequentam esse género de locais - são mais de discotecas.
Claro que há sítios mais apropriados para mim, isto é, onde eu possa ir. Não há é com quem (encontrei um "nightclube" de HardRock, por exemplo).
Eu gostei do fish and chips, mas ficou abaixo das expectativas. Os pratos mais famosos dos países mediterrânicos parecem-me melhores. Certamente são mais complicados e/ou originais.
Um abraço,
Eu gostei do fish and chips, mas ficou abaixo das expectativas. Os pratos mais famosos dos países mediterrânicos parecem-me melhores. Certamente são mais complicados e/ou originais.
Um abraço,
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JPGCadima
domingo, agosto 10, 2008
Diário de uma viagem - sétimo dia
Olá,
Foi um fim-de-semana estranho. Tive aulas no sábado de manhã e fui à cidade dar uma volta.
Foi um fim-de-semana estranho. Tive aulas no sábado de manhã e fui à cidade dar uma volta.
É um bocado difícil divertir-me por aqui já que não tenho sorte em encontrar pessoas com as quais me identifique. Encontro muito é daquele pessoal com o qual não me dou, infelizmente.
Fui a um Take away de comida britânica, mas o fish and chips ficou aquém das expectativas.
Um abraço,
Fui a um Take away de comida britânica, mas o fish and chips ficou aquém das expectativas.
Um abraço,
.
JPGCadima
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Olá,
Não penso voltar mais gordo do que quando vim para cá.
Eu tenho uma eterna fase de pouca eficiência no uso do meu tempo. Nem sempre é mau. Poder-te-á fazer bem!
Eu falei com a Isa ao telemóvel e ela tinha assuntos pendentes por isso não respondeu. Obviamente que estou a gerir o assunto. Ela irá voltar aí para responder numa altura em que tenha mais tempo.
Um abraço,
Não penso voltar mais gordo do que quando vim para cá.
Eu tenho uma eterna fase de pouca eficiência no uso do meu tempo. Nem sempre é mau. Poder-te-á fazer bem!
Eu falei com a Isa ao telemóvel e ela tinha assuntos pendentes por isso não respondeu. Obviamente que estou a gerir o assunto. Ela irá voltar aí para responder numa altura em que tenha mais tempo.
Um abraço,
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JPGCadima
“Onde se fala de Manuela Ferreira Leite e de mau gosto”
“No Notícias do Minho de 9 de Setembro pp., assinado por João Hemingway, surgia um artigo que se reportava a Braga de A a Z, onde, se definia Notícias do Minho do seguinte modo: «sou amigo do director e fica-me mal dizer bem. Faltam algumas coisas, mas sendo o único em Braga que emerge da sociedade civil, é imprescindível que se transforme no jornal de referência».
O leitor mais desatento talvez se questionasse com o que, naquela frase, se queria pôr em destaque na ideia «que faltam algumas coisas», e é por isso que acho louvável a ideia do director de incluir algumas páginas adiante um artigo, na secção «Opinião», que se afigura particularmente esclarecedor. O que é chato, na circunstância, é esse material pecar por excesso ao invés de por defeito, isto é, estar a mais.
A natureza do artigo fica perfeitamente a descoberto logo nos destaques que o editor entendeu fazer, ao enunciar que «o autor lança um olhar sobre questões de fundo do nosso Ministério da Educação» e «gosta de Manuel Ferreira Leite». Tanto bastou para que eu ficasse siderado: eu que me havia convencido que se havia ministério que não tinha fundo nem ponta por onde se lhe pegasse era precisamente o ministério da educação; eu que havia defendido nas páginas deste mesmo jornal que era preciso ser detentor de muito mau gosto para ser atraído pelos olhos ou pelas falas, tudo menos doces, da senhora Manuela Ferreira Leite. Mas é mesmo assim: continua a haver gostos para tudo.
Se os sublinhados do editor são uma obra-prima, que dizer então do conteúdo do artigo propriamente dito?
A resposta não pode deixar de sublinhar: i) o espanto pelo rigor da análise – bem apoiado pela invocação multiplicada de números e índices estatísticos diversos; ii) o espanto e admiração decorrentes do recurso a terminologia técnica identicamente rigorosa, de que retenho especialmente a referência à «revolução da pílula»; iii) o espanto perante a qualidade do discurso literário, bem ilustrado em passagem que se refere às escolas abertas com um só aluno, «este, coitado, sem um condiscípulo para brincar e trocar ideias, dia a dia, ano a ano, acompanhado pelo mostrengo do professor».
E se não fora o espanto, o artigo em epígrafe tocaria pelas perplexidades múltiplas que não podia deixar de despertar no leitor. Já me referi, a propósito, ao fundo do ministério sem fundos, mas que dizer de «caras que não enganam» e de ministros que «devem» ser honestos? Que dizer da expectativa enunciada de virem a ser feitos «edifícios condignos, bem localizados» nos centros urbanos para acolher uma população escolar em franca regressão? Que dizer da notícia sobre o «progressismo» reinante nas repartições e direcções do ministério da educação?
De realçar do conteúdo do artigo a que me venho reportando é ainda a menção que o autor faz à série britânica «Sim, Senhor Ministro». Daí, fica a saber-se que a série não lhe serviu para nada, e mais lhe teria valido continuar a usar o seu tempo assistindo aos concursos e/ou às telenovelas.”
J. C.
O leitor mais desatento talvez se questionasse com o que, naquela frase, se queria pôr em destaque na ideia «que faltam algumas coisas», e é por isso que acho louvável a ideia do director de incluir algumas páginas adiante um artigo, na secção «Opinião», que se afigura particularmente esclarecedor. O que é chato, na circunstância, é esse material pecar por excesso ao invés de por defeito, isto é, estar a mais.
A natureza do artigo fica perfeitamente a descoberto logo nos destaques que o editor entendeu fazer, ao enunciar que «o autor lança um olhar sobre questões de fundo do nosso Ministério da Educação» e «gosta de Manuel Ferreira Leite». Tanto bastou para que eu ficasse siderado: eu que me havia convencido que se havia ministério que não tinha fundo nem ponta por onde se lhe pegasse era precisamente o ministério da educação; eu que havia defendido nas páginas deste mesmo jornal que era preciso ser detentor de muito mau gosto para ser atraído pelos olhos ou pelas falas, tudo menos doces, da senhora Manuela Ferreira Leite. Mas é mesmo assim: continua a haver gostos para tudo.
Se os sublinhados do editor são uma obra-prima, que dizer então do conteúdo do artigo propriamente dito?
A resposta não pode deixar de sublinhar: i) o espanto pelo rigor da análise – bem apoiado pela invocação multiplicada de números e índices estatísticos diversos; ii) o espanto e admiração decorrentes do recurso a terminologia técnica identicamente rigorosa, de que retenho especialmente a referência à «revolução da pílula»; iii) o espanto perante a qualidade do discurso literário, bem ilustrado em passagem que se refere às escolas abertas com um só aluno, «este, coitado, sem um condiscípulo para brincar e trocar ideias, dia a dia, ano a ano, acompanhado pelo mostrengo do professor».
E se não fora o espanto, o artigo em epígrafe tocaria pelas perplexidades múltiplas que não podia deixar de despertar no leitor. Já me referi, a propósito, ao fundo do ministério sem fundos, mas que dizer de «caras que não enganam» e de ministros que «devem» ser honestos? Que dizer da expectativa enunciada de virem a ser feitos «edifícios condignos, bem localizados» nos centros urbanos para acolher uma população escolar em franca regressão? Que dizer da notícia sobre o «progressismo» reinante nas repartições e direcções do ministério da educação?
De realçar do conteúdo do artigo a que me venho reportando é ainda a menção que o autor faz à série britânica «Sim, Senhor Ministro». Daí, fica a saber-se que a série não lhe serviu para nada, e mais lhe teria valido continuar a usar o seu tempo assistindo aos concursos e/ou às telenovelas.”
J. C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/10/07, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
sábado, agosto 09, 2008
Diário de uma viagem - sexto dia
Olá,
De facto, desconhecia que já estavas a fazer o meu diário de viagem!
De facto, desconhecia que já estavas a fazer o meu diário de viagem!
Tentarei não vir daqui mais gordo, mas cozinho muito bem - tenho-me surpreendido!
Já viste algum dos textos da pasta zipada que deixei no meu pc?
Um abraço,
Já viste algum dos textos da pasta zipada que deixei no meu pc?
Um abraço,
.
José Pedro Cadima
-
Olá,
Era um bar, mas era mais de bebidas do que de comidas, em especial, tinha cerveja sul americana e espanhola. Eu tenho comido bem - tenho uma cozinha no apartamento e é lá que, geralmente, faço massa, arroz ou batatas com carne, peixe e vegetais.
Uma boa novidade: finalmente comi o prato tipico, a saber: Fish and Chips!
Não tenho escrito nenhum diário, mas posso fazer uma compilação dos mails que te tenho mandado!
Um abraço,
Era um bar, mas era mais de bebidas do que de comidas, em especial, tinha cerveja sul americana e espanhola. Eu tenho comido bem - tenho uma cozinha no apartamento e é lá que, geralmente, faço massa, arroz ou batatas com carne, peixe e vegetais.
Uma boa novidade: finalmente comi o prato tipico, a saber: Fish and Chips!
Não tenho escrito nenhum diário, mas posso fazer uma compilação dos mails que te tenho mandado!
Um abraço,
.
JPGCadima
-
Olá,
Não me perderia tão facilmente. Sim, digamos que foi uma festa igual. Foi numa discoteca chamada "Copa Cabana", mas não passou música brasileira.
Eu vou sempre dando noticias.
Um abraço,
Não me perderia tão facilmente. Sim, digamos que foi uma festa igual. Foi numa discoteca chamada "Copa Cabana", mas não passou música brasileira.
Eu vou sempre dando noticias.
Um abraço,
.
José Pedro G. Cadima
Tic-Tac do Amor
Muito tempo aguardei
pelo Tic-Tac de um relógio.
Máquina pouco emotiva
que tem o sentido que lhe quisermos dar.
O teu relógio me chamou
e ao teu Tic-Tac me rendi.
Mas quando contigo estou
o Tic-Tac pára.
Que será feito do tempo?
Se eternidade para toda a eternidade for
Contigo ficarei.
Atrai-me esse Tic-Tac
Sinto-o, mas ainda bem que pára
Quando contigo estou...
C.P.
pelo Tic-Tac de um relógio.
Máquina pouco emotiva
que tem o sentido que lhe quisermos dar.
O teu relógio me chamou
e ao teu Tic-Tac me rendi.
Mas quando contigo estou
o Tic-Tac pára.
Que será feito do tempo?
Se eternidade para toda a eternidade for
Contigo ficarei.
Atrai-me esse Tic-Tac
Sinto-o, mas ainda bem que pára
Quando contigo estou...
C.P.
sexta-feira, agosto 08, 2008
Diário de uma viagem - quinto dia
Olá,
Como a minha mãe te deve ter dito, eu falei com ela ontem. Ontem não tive oportunidade de ir à internet porque tive aulas e fui visitar o centro da cidade. De noite, fui a uma festa de estudantes da escola.
Referente aos baldistas, na escola está escrito que precisam de ir a 80% das aulas, mas acho que é só para meter medo porque eles continuam a balder-se. Parece-me mesmo que estão aqui pelo turismo.
Como a minha mãe te deve ter dito, eu falei com ela ontem. Ontem não tive oportunidade de ir à internet porque tive aulas e fui visitar o centro da cidade. De noite, fui a uma festa de estudantes da escola.
Referente aos baldistas, na escola está escrito que precisam de ir a 80% das aulas, mas acho que é só para meter medo porque eles continuam a balder-se. Parece-me mesmo que estão aqui pelo turismo.
Sim, já reparei que é dificil traduzir o texto, mas irei modificar o necessário para manter as ideias.
LOL = Laughing out Loud = Rir alto (sonoramente). Neste caso, sim "isto é uma festa".
Como já te disse, aqui não há televisão, mas sempre vejo um ou outro filme em inglês.
Um abraço,
LOL = Laughing out Loud = Rir alto (sonoramente). Neste caso, sim "isto é uma festa".
Como já te disse, aqui não há televisão, mas sempre vejo um ou outro filme em inglês.
Um abraço,
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JPGCadima
quinta-feira, agosto 07, 2008
Cartas de Amor ou quase
"Não te inibas de comunicar comigo sempre que tiveres vontade. Afinal, eu sou o teu actual psicólogo."
-
"Disse-te, de facto, o que se passava. Não estou seguro que essa seja sempre uma boa política. Em muitas ocasiões, é preferível deixar de lado certos assuntos, sobretudo quando eles nos tornam infelizes."
-
"Obrigado pelas tuas palavras, sempre carinhosas. Confirmo-te que não estarei em condições de te acompanhar esta noite no teu observar das estrelas."
-
"Decididamente, eu não fui feito para isto, como provavelmente não fui feito para muitas outras coisas."
José Cadima
-
"Disse-te, de facto, o que se passava. Não estou seguro que essa seja sempre uma boa política. Em muitas ocasiões, é preferível deixar de lado certos assuntos, sobretudo quando eles nos tornam infelizes."
-
"Obrigado pelas tuas palavras, sempre carinhosas. Confirmo-te que não estarei em condições de te acompanhar esta noite no teu observar das estrelas."
-
"Decididamente, eu não fui feito para isto, como provavelmente não fui feito para muitas outras coisas."
José Cadima
Frases soltas
«Se te estás a referir à "crónica de maldizer" que publiquei hoje no meu blogue (em 2 deles), devo confessar-te que é mesmo da autoria de J. C., e não minha, isto é, não é da autoria do signatário desta mensagem, que, como podes comprovar, não assina assim. Tive o privilégio de aceder a uma cópia dos referidos textos, o que me permite publicar um ou outro, de vez em quando.
Estava longe de imaginar que o comentário era teu. É um comentário perspicaz. Tirando a referência ao António Barreto, poderia subscrevê-lo sem reservas.»
Estava longe de imaginar que o comentário era teu. É um comentário perspicaz. Tirando a referência ao António Barreto, poderia subscrevê-lo sem reservas.»
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J. Cadima Ribeiro
quarta-feira, agosto 06, 2008
Diário de uma viagem - terceiro dia
Olá,
Tive uma aula esta manhã, mas tenho a tarde livre. Preferi vir para aqui para a internet porque os meus colegas de turma têm aulas que eu não tenho (estão em general), e os que se baldaram são demasiado desportivos. O meu parceiro de quarto está também na aula.
Só me restava mesmo fazer isto (estou a aproveitar para traduzir um dos meus textos).
Não tenho televisão! LOL
Não tenho televisão! LOL
Um abraço,
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JPGCadima
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Olá,
Eles têm alguns cozidos e alguns bolos, mas é impossível encontrá-los.
Sim, só fui ao centro uma vez. Manchester é um bocado grande. Eu tenho um bilhete de autocarro que dura uma semana, mas só o usei uma vez porque é um bocado confuso ir de autocarro.
Este fim-de-semana, irei ao centro todos os dias porque sábado de tarde, domingo, e segunda não tenho aulas. Preocupo-me um bocado porque isto não é como em Amesterdão, onde todos os autocarros iam dar ao mesmo local. É um bocado confuso.
Eles têm alguns cozidos e alguns bolos, mas é impossível encontrá-los.
Sim, só fui ao centro uma vez. Manchester é um bocado grande. Eu tenho um bilhete de autocarro que dura uma semana, mas só o usei uma vez porque é um bocado confuso ir de autocarro.
Este fim-de-semana, irei ao centro todos os dias porque sábado de tarde, domingo, e segunda não tenho aulas. Preocupo-me um bocado porque isto não é como em Amesterdão, onde todos os autocarros iam dar ao mesmo local. É um bocado confuso.
Alguns dos meus colegas passam o tempo a ir a Liverpool e a Londres.
Eu já enviei um e-mail à minha mãe. Ela pode não entender, mas para que eu responda é preciso que ela pergunte. De qualquer forma enviar-lhe-ei um em forma de relatório.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
Eu já enviei um e-mail à minha mãe. Ela pode não entender, mas para que eu responda é preciso que ela pergunte. De qualquer forma enviar-lhe-ei um em forma de relatório.
Um abraço,
José Pedro G. Cadima
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Olá,
Só fui à cidade uma vez. Parece-me interessante e tem muitos edifícios magníficos, tal como muitos monumentos. Parece-me uma cidade muito moderna, talvez até demasiado, como venho comprovando pela falta de costumes britânicos, em detrimento de milhares de cafés italianos, indianos, franceses (até há uma Chinatown aqui!). Quando perguntei a um professor onde podia encontrar a verdadeira comida britânica, ele disse-me que não sabia porque ele a fazia em casa e nunca a comprava fora. Talvez todos os britânicos sejam assim.
Um abraço,
JPGCadima
Só fui à cidade uma vez. Parece-me interessante e tem muitos edifícios magníficos, tal como muitos monumentos. Parece-me uma cidade muito moderna, talvez até demasiado, como venho comprovando pela falta de costumes britânicos, em detrimento de milhares de cafés italianos, indianos, franceses (até há uma Chinatown aqui!). Quando perguntei a um professor onde podia encontrar a verdadeira comida britânica, ele disse-me que não sabia porque ele a fazia em casa e nunca a comprava fora. Talvez todos os britânicos sejam assim.
Um abraço,
JPGCadima
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Olá,
Pois, acredito que haja portugueses em todo lado. Há dois que jogam no Manchester United, mas aqui na escola parece que só há um, para além de mim. Talvez haja brasileiros, mas eu não falo com ninguém que comunique em português.
Sim, no meu apartamento existem dois franceses e a minha turma, que é de 15 alunos, tem 6 franceses.
Aprendi francês e não tive necessidade de o usar até hoje. Não aprendo porque até agora nunca senti necessidade do usar. Como tal, mesmo que voltasse a aprendê-lo ou recordar o que aprendi, voltaria a esquecê-lo por falta de uso.
Em relação a este lugar espectacular:
os azulejos da casa de banho estão a cair; quando me sentei no sofá pensei que me ia afogar, porque ele afunda; quando cheguei, uma das cadeiras estava em cima da mesa; temos uma colher para 3 pessoas; o leite tem um sabor esquisito; tive de comprar um conjunto para a minha cama e a almofada tem 1/4 do tamanho normal; as persianas das janelas não funcionam, por isso, quem olhar, consegue ver tudo o que se passa cá dentro; é frio à noite.
Não sei mais nada muito relevante que dizer-te. Quando voltar, contar-te-ei que tipo de aventura isto foi.
Um abraço,
JPGCadima
Pois, acredito que haja portugueses em todo lado. Há dois que jogam no Manchester United, mas aqui na escola parece que só há um, para além de mim. Talvez haja brasileiros, mas eu não falo com ninguém que comunique em português.
Sim, no meu apartamento existem dois franceses e a minha turma, que é de 15 alunos, tem 6 franceses.
Aprendi francês e não tive necessidade de o usar até hoje. Não aprendo porque até agora nunca senti necessidade do usar. Como tal, mesmo que voltasse a aprendê-lo ou recordar o que aprendi, voltaria a esquecê-lo por falta de uso.
Em relação a este lugar espectacular:
os azulejos da casa de banho estão a cair; quando me sentei no sofá pensei que me ia afogar, porque ele afunda; quando cheguei, uma das cadeiras estava em cima da mesa; temos uma colher para 3 pessoas; o leite tem um sabor esquisito; tive de comprar um conjunto para a minha cama e a almofada tem 1/4 do tamanho normal; as persianas das janelas não funcionam, por isso, quem olhar, consegue ver tudo o que se passa cá dentro; é frio à noite.
Não sei mais nada muito relevante que dizer-te. Quando voltar, contar-te-ei que tipo de aventura isto foi.
Um abraço,
JPGCadima
Choro (memória)
Olho-te nos olhos.
Viras-me a cara
e eu choro.
Falo para ti.
Ignoras-me
e eu choro.
Quero-te. Tu recusas ser minha
e eu choro.
Choro. Tu estendes-me a mão
e eu choro apenas por chorar.
José Pedro Cadima
Viras-me a cara
e eu choro.
Falo para ti.
Ignoras-me
e eu choro.
Quero-te. Tu recusas ser minha
e eu choro.
Choro. Tu estendes-me a mão
e eu choro apenas por chorar.
José Pedro Cadima
terça-feira, agosto 05, 2008
Diário de uma viagem - segundo dia
Olá,
Encontraste a pasta com os textos?
Hoje foi o primeiro dia de aulas. Não houve nada demais.
Encontraste a pasta com os textos?
Hoje foi o primeiro dia de aulas. Não houve nada demais.
O tema escolhido foi "Fit and Healthy", por isso é muito à base de vocabulário relacionado com o corpo humano. Nada que me esteja a interessar, para já, mas tenho falado muito inglês, embora as línguas mais faladas por estas bandas sejam o francês e o espanhol.
Um abraço,
JPGCadima
Um abraço,
JPGCadima
segunda-feira, agosto 04, 2008
Diário de uma viagem - primeiro dia
Olá,
Isto é muito caro. Tive de comprar umas coisas para a minha sobrevivência pois no apartamento não há nada, nem utensílios razoáveis; só meia dúzia de coisas quase inúteis - felizmente há um microondas.
Como vês: a Internet não será um problema. Também já tenho uma tomada.
Isto é muito caro. Tive de comprar umas coisas para a minha sobrevivência pois no apartamento não há nada, nem utensílios razoáveis; só meia dúzia de coisas quase inúteis - felizmente há um microondas.
Como vês: a Internet não será um problema. Também já tenho uma tomada.
Fiz hoje o meu exame e estou no antepenúltimo nível de inglês - PRE-ADVANCED.
Há um jogo do Manchester na quarta ou quinta. Talvez vá ver.
Amanhã virei à Internet.
Há um jogo do Manchester na quarta ou quinta. Talvez vá ver.
Amanhã virei à Internet.
Um abraço,
.
JPGCadima
“Idiossincrasias Bracarenses”
“Bracarense que sou vai para uma dúzia de anos (antes, tive, pelo menos, duas outras nacionalidades), ainda não consegui entender porque é que a polícia da cidade não faz férias repartidas, à semelhança do comum dos portugueses. Sucedendo como sucede agora, confrontam-se os habitantes desta urbe periodicamente com o espectáculo do aparcamento em plena Avenida Central, ao lado do parque de estacionamento automóvel ou, como também é muito comum, em segunda fila, Avenida da Liberdade acima. São obviamente apenas dois exemplos, gritantes sem dúvida, do transtorno que a inédita programação de férias que a PSP mantém desencadeia na nossa cidade.
Dir-me-ão a propósito que, no fim de contas, tudo não passaria de um assunto interno da corporação se os cidadãos fossem medianamente educados, detentores de algum espírito cívico. Isso são balelas!
Todos sabemos as economias que sucessivos governos e ministros da educação têm realizado poupando na educação dos portugueses, para investirem em cursos de formação profissional, em centros comerciais de Belém, na Exponorte, e em desfiles de gente fina promovidos pela ANJE; para já não fazer menção dos belos carros e espectaculares vivendas de alguns empresários de maior iniciativa, que vamos tendo.
A Dra. Manuela Ferreira Leite não é desse ponto de vista excepção, embora se tenha que reconhecer que padeceu ela própria da mesma filosofia de investimento na educação, não se podendo por isso exigir-lhe mais. Embora haja quem insinue que, neste caso, um esforço maior de formação também pouco adiantaria.
Uma outra idiossincrasia bracarense refere-se ao respeito sagrado que os meus concidadãos mantêm pelos feriados à segunda-feira. Que eu me recorde, nem uma vez assisti ao cumprimento menos zeloso por parte dos residentes de Braga de um feriado ou dia santo agendado para esse dia. O paralelo que encontro com esta consagração das segundas-feiras será, talvez, a repulsa que lhes suscita feriados ou dias santos à sexta-feira, especialmente se se trata do Natal, do ano Novo ou da Páscoa.
Dentro deste mesmo espírito de proceder ao levantamento sumário das idiossincrasias dos cidadãos desta urbe, poderia ainda trazer outros exemplos, como o hábito de comer «pão-de-rosca» ao Domingo ou a peregrinação do mesmo dia ao Feira Nova. Melhor será, no entanto, fazer delas tema de uma próxima crónica.”
J. C.
Dir-me-ão a propósito que, no fim de contas, tudo não passaria de um assunto interno da corporação se os cidadãos fossem medianamente educados, detentores de algum espírito cívico. Isso são balelas!
Todos sabemos as economias que sucessivos governos e ministros da educação têm realizado poupando na educação dos portugueses, para investirem em cursos de formação profissional, em centros comerciais de Belém, na Exponorte, e em desfiles de gente fina promovidos pela ANJE; para já não fazer menção dos belos carros e espectaculares vivendas de alguns empresários de maior iniciativa, que vamos tendo.
A Dra. Manuela Ferreira Leite não é desse ponto de vista excepção, embora se tenha que reconhecer que padeceu ela própria da mesma filosofia de investimento na educação, não se podendo por isso exigir-lhe mais. Embora haja quem insinue que, neste caso, um esforço maior de formação também pouco adiantaria.
Uma outra idiossincrasia bracarense refere-se ao respeito sagrado que os meus concidadãos mantêm pelos feriados à segunda-feira. Que eu me recorde, nem uma vez assisti ao cumprimento menos zeloso por parte dos residentes de Braga de um feriado ou dia santo agendado para esse dia. O paralelo que encontro com esta consagração das segundas-feiras será, talvez, a repulsa que lhes suscita feriados ou dias santos à sexta-feira, especialmente se se trata do Natal, do ano Novo ou da Páscoa.
Dentro deste mesmo espírito de proceder ao levantamento sumário das idiossincrasias dos cidadãos desta urbe, poderia ainda trazer outros exemplos, como o hábito de comer «pão-de-rosca» ao Domingo ou a peregrinação do mesmo dia ao Feira Nova. Melhor será, no entanto, fazer delas tema de uma próxima crónica.”
J. C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/09/23, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
domingo, agosto 03, 2008
Amar-te
Começo a Amar-te
Verdadeiramente Te Amo, Meu Amor.
Sensação nóbile…
Sabor estonteante, Meu Amor.
Tocar-te
Amar-te até me desfazer
Cair no teu feitiço
Enfeitiçar-me até me perder.
Perder-me de Amor por Ti
Verdadeiramente Te Amo, Meu Amor.
C.P.
Verdadeiramente Te Amo, Meu Amor.
Sensação nóbile…
Sabor estonteante, Meu Amor.
Tocar-te
Amar-te até me desfazer
Cair no teu feitiço
Enfeitiçar-me até me perder.
Perder-me de Amor por Ti
Verdadeiramente Te Amo, Meu Amor.
C.P.
sexta-feira, agosto 01, 2008
“Ainda há esperança - IV”
“3. Em contexto diverso, impressionou-me também um debate que escutei entre o Dr. António Braga e o Dr. Miguel Macedo, não tanto por falarem os dois ao mesmo tempo, mas, sobretudo, pela contundência da acusação feita ao PSD pelo primeiro dos políticos mencionados de que não sabe ser oposição ou, melhor, não consegue ser oposição responsável.
Ouvindo-o, não pude deixar de reflectir sobre a importância que assume o local de trabalho na formação dos indivíduos, e quanto, muitas vezes, essa aprendizagem em exercício deforma e enforma a postura de um trabalhador. No mesmo passo, ocorreu-me a crítica que vem sendo feita à governação do PS de falta de capacidade de inovação, de mimetização do governo de Cavaco, especialmente nos momentos de derradeiro eclipse.
No saldo do balanço mental que encetei, tenho que admitir que não fiquei entusiasmado com as perspectivas que o PS oferece aos portugueses, ou, pelo menos, a versão António Braga do Partido Socialista.”
Ouvindo-o, não pude deixar de reflectir sobre a importância que assume o local de trabalho na formação dos indivíduos, e quanto, muitas vezes, essa aprendizagem em exercício deforma e enforma a postura de um trabalhador. No mesmo passo, ocorreu-me a crítica que vem sendo feita à governação do PS de falta de capacidade de inovação, de mimetização do governo de Cavaco, especialmente nos momentos de derradeiro eclipse.
No saldo do balanço mental que encetei, tenho que admitir que não fiquei entusiasmado com as perspectivas que o PS oferece aos portugueses, ou, pelo menos, a versão António Braga do Partido Socialista.”
J. C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/06/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
quinta-feira, julho 31, 2008
Relógio do Amor (memória)
Tic-tac, tic-tac,
pequeno som que faz o relógio,
pequena máquina de destruição
que me destrói por dentro,
pois és tu que me dizes
há quanto tempo estou sem ela,
sem a minha musa,
sem o meu amor,
sem o meu tudo.
Se tens pena de mim,
faz-me um favor,
um pequeno favor:
pára quando eu com ela estiver.
Pára para toda a eternidade.
José Pedro Cadima
pequeno som que faz o relógio,
pequena máquina de destruição
que me destrói por dentro,
pois és tu que me dizes
há quanto tempo estou sem ela,
sem a minha musa,
sem o meu amor,
sem o meu tudo.
Se tens pena de mim,
faz-me um favor,
um pequeno favor:
pára quando eu com ela estiver.
Pára para toda a eternidade.
José Pedro Cadima
terça-feira, julho 29, 2008
“Ainda há esperança - III”
“4. Para introduzir uma nota dissonante nesta crónica, quero entretanto dizer aos leitores que na ocasião em que a escrevia o dia se apresentava solarengo, e não via razão nenhuma para admitir que fosse o último dia em que isso viesse a acontecer. Ora, se eu fui levado a pensar isso, porque não hão-de os meus leitores, por seu turno, sonhar com o dia em que Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto igualarão em rendimento «per capita» Lisboa e em que os políticos no activo não se chamem todos Mendes, Menezes, Braga, Dias, Lacão, Monteiro ou outros nomes igualmente denunciadores de política praticada ao seu nível mais rasteiro.”
J. C.
J. C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/06/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
domingo, julho 27, 2008
Bela criatividade
Quão bela é a criatividade humana. Chega, até, a questionar o domínio dos deuses.
Assemelhava-se o homem a um chimpanzé. Vivia da colecta de frutos e da captura de animais. Ansiava dar às suas mãos uso e logo agarrou um pedaço do céu.
Doravante, via-se-lhe nos olhos um novo ser. Os deuses eram agora mortais. O poder de criar não morria.
Não fomos expulsos do Éden. Criámo-lo nós próprios. Deitámos por terra a perfeição por se ter tornado coisa antiquada. O horror vinha do instinto animal. O poder de criar, roubámo-lo ao céu.
Fez-se história: criámos o horror e a arte; separámos a vida e a morte; gritámos com a morte. Impusemos-lhe mais anos de vida. Aprendemos que a uma criança não se dá uma tesoura.
Aos deuses restou-lhes arrependerem-se de não serem tão bons pais.
José Pedro Cadima
Assemelhava-se o homem a um chimpanzé. Vivia da colecta de frutos e da captura de animais. Ansiava dar às suas mãos uso e logo agarrou um pedaço do céu.
Doravante, via-se-lhe nos olhos um novo ser. Os deuses eram agora mortais. O poder de criar não morria.
Não fomos expulsos do Éden. Criámo-lo nós próprios. Deitámos por terra a perfeição por se ter tornado coisa antiquada. O horror vinha do instinto animal. O poder de criar, roubámo-lo ao céu.
Fez-se história: criámos o horror e a arte; separámos a vida e a morte; gritámos com a morte. Impusemos-lhe mais anos de vida. Aprendemos que a uma criança não se dá uma tesoura.
Aos deuses restou-lhes arrependerem-se de não serem tão bons pais.
José Pedro Cadima
sexta-feira, julho 25, 2008
Minha Querida Helena
De tão atarefada que estás, fico com um sentimento de culpa por ter-te desafiado para uma breve fuga para o mundo dos sonhos. Sinceramente, se vês que não é possível compatibilizar esse devaneio com a tua agenda pessoal e profissional, diz-mo. Não ficarei de modo algum zangado. Também há a alternativa de mudarmos a data. Se insistires em que fique como está, é de facto ao Minho profundo que me proponho levar-te. Sei de um lugar (há mais que um) que se me sugere bem acolhedor para uma noite mal dormida, eventualmente.
Fazes coisas muito giras com as tuas mensagens electrónicas. Nem imaginei que era possível fazer isso. Talvez te devesses dedicar às artes visuais, sobrando-te tempo.
No que respeita ao trabalho que tinha entre-mãos, já dei conta do recado, felizmente. Os artigos estão prontos, ficando a marinar até 2ª feira pela manhã, altura em que embarcam para o destino.
Já que falo de trabalho, deixa que te diga que não te sabia tão avessa a vassouras. Sinal dos tempos, porventura.
Não acho boa ideia que releias as minhas mensagens. De cada vez que o fazes vens com uma nova interpretação, como se as mensagens fossem ambíguas ou pretendessem dizer mais do que aquilo que dizem. No mais, fico-te eternamente reconhecido pelo teu carinho e atenção, e lisonjeado por me dizeres que a mereço, a atenção, digo.
Nos teus braços, sinto-me quase com os teus 19 anos. Isso perturba-me. Já não estou habituado a ter essa idade. Assim sendo, embora, ou por isso mesmo, anseio voltar para os teus braços.
Fazes coisas muito giras com as tuas mensagens electrónicas. Nem imaginei que era possível fazer isso. Talvez te devesses dedicar às artes visuais, sobrando-te tempo.
No que respeita ao trabalho que tinha entre-mãos, já dei conta do recado, felizmente. Os artigos estão prontos, ficando a marinar até 2ª feira pela manhã, altura em que embarcam para o destino.
Já que falo de trabalho, deixa que te diga que não te sabia tão avessa a vassouras. Sinal dos tempos, porventura.
Não acho boa ideia que releias as minhas mensagens. De cada vez que o fazes vens com uma nova interpretação, como se as mensagens fossem ambíguas ou pretendessem dizer mais do que aquilo que dizem. No mais, fico-te eternamente reconhecido pelo teu carinho e atenção, e lisonjeado por me dizeres que a mereço, a atenção, digo.
Nos teus braços, sinto-me quase com os teus 19 anos. Isso perturba-me. Já não estou habituado a ter essa idade. Assim sendo, embora, ou por isso mesmo, anseio voltar para os teus braços.
Recebe um beijo muito, muito grande.
José Cadima
José Cadima
quinta-feira, julho 24, 2008
Viva a artificialidade!
No inferno, e não somos irmãos.
Juntos vínhamos, e não somos amigos.
Algures, roubei. Ele matou.
Fui preso, com fome.
O que é a fome, nunca soube ele.
Comemore-se este tempo de hipocrisia.
Viva a artificialidade!
Senda nela que nos cruzamos e achamos o nosso caminho,
comemoremo-la, pois. Hurra!
José Pedro Cadima
Juntos vínhamos, e não somos amigos.
Algures, roubei. Ele matou.
Fui preso, com fome.
O que é a fome, nunca soube ele.
Comemore-se este tempo de hipocrisia.
Viva a artificialidade!
Senda nela que nos cruzamos e achamos o nosso caminho,
comemoremo-la, pois. Hurra!
José Pedro Cadima
terça-feira, julho 22, 2008
Alpinista do amor (2)
Tal como um alpinista
escala uma montanha,
eu ensaio escalar teu coração.
A minha vida sem ti carece de sentido,
é solidão imensa;
só contigo se enche de emoção.
José Pedro Cadima
escala uma montanha,
eu ensaio escalar teu coração.
A minha vida sem ti carece de sentido,
é solidão imensa;
só contigo se enche de emoção.
José Pedro Cadima
domingo, julho 20, 2008
Felicidade, essa miragem
A minha cabeça fervilha
com tudo o que me ocorre nesta hora,
com tudo aquilo que sinto e vejo
e com quanto anseio e não alcanço.
...
O silêncio, o choro,
o amor, o ódio, o desespero, a esperança…
…
Quem sabe se um dia, talvez…
Quem sabe se um dia serei capaz de ser feliz.
Tudo o que sinto, tudo o que desejo
parece trazer-me infelicidade.
Aquilo que procuro, não encontro.
Ao invés, algumas vezes encontro o que não procurava.
Choro. Fujo para longe, longe de mim, entenda-se.
Que farias tu no meu lugar?
Chorar, talvez,
tal qual eu faço, quando sou capaz.
José Pedro Cadima
(editado por José Cadima, nesta data)
com tudo o que me ocorre nesta hora,
com tudo aquilo que sinto e vejo
e com quanto anseio e não alcanço.
...
O silêncio, o choro,
o amor, o ódio, o desespero, a esperança…
…
Quem sabe se um dia, talvez…
Quem sabe se um dia serei capaz de ser feliz.
Tudo o que sinto, tudo o que desejo
parece trazer-me infelicidade.
Aquilo que procuro, não encontro.
Ao invés, algumas vezes encontro o que não procurava.
Choro. Fujo para longe, longe de mim, entenda-se.
Que farias tu no meu lugar?
Chorar, talvez,
tal qual eu faço, quando sou capaz.
José Pedro Cadima
(editado por José Cadima, nesta data)
sexta-feira, julho 18, 2008
O destino
Sou eu aquele a quem o diabo vendeu a alma.
Sou eu o terror no medo e o desespero no terror.
Ao desespero deixo-o sozinho.
Sabe deus quanto lhe custou um anjo.
Sei que o comprei por menos.
Sabe o homem o que é a dor
até ao momento imediatamente antes do pós-guerra.
Sei qual é a alegria de a começar.
Cultivam-se e esmagam-se plantas,
das mais feias às mais belas.
Sou eu que o digo, que sei bem do que falo.
Olho o homem nos olhos:
fica-lhe bem a morte!
José Pedro Cadima
Sou eu o terror no medo e o desespero no terror.
Ao desespero deixo-o sozinho.
Sabe deus quanto lhe custou um anjo.
Sei que o comprei por menos.
Sabe o homem o que é a dor
até ao momento imediatamente antes do pós-guerra.
Sei qual é a alegria de a começar.
Cultivam-se e esmagam-se plantas,
das mais feias às mais belas.
Sou eu que o digo, que sei bem do que falo.
Olho o homem nos olhos:
fica-lhe bem a morte!
José Pedro Cadima
terça-feira, julho 15, 2008
Olhar-te
Olhar uma paisagem
Que sempre esteve lá
Mais alucinante que uma nova paisagem
É olhar-te, ver-te lá
Sentir a emoção de explorar-te
Sentir que sempre estiveste por lá
Captar o teu olhar
Olhar-te e perder-me por lá
C.P.
Que sempre esteve lá
Mais alucinante que uma nova paisagem
É olhar-te, ver-te lá
Sentir a emoção de explorar-te
Sentir que sempre estiveste por lá
Captar o teu olhar
Olhar-te e perder-me por lá
C.P.
segunda-feira, julho 14, 2008
Minha Querida Helena
O que eu desconfio é que começas mesmo a gostar de mim e isso deixa-me preocupado. Muito poucas pessoas gostaram verdadeiramente de mim até hoje e, daí, talvez possas perceber quanto isso me soa estranho. Repara: não é que não ache que não tenha algumas qualidades e mereça um pouco de amor. A gente habitua-se a pensar as coisas de um certo modo e depois tem dificuldade em ajustar-se a outro contexto. Até porque já não vou para novo, como é bem evidente.
Não confundas estas confidências íntimas com "brainstorming". Isso é outra realidade. Aí são as questões "técnicas" que emergem. Trata-se de reflectir sobre o nosso quotidiano, confrontar avaliações. Não há grande espaço para emoções a este nível reservado. Aliás, aqui posso até dizer-te coisas que nunca seria capaz de transmitir-te olhos nos olhos, porque, conforme já tiveste oportunidade de constatar, há coisas, acontecimentos que me emocionam muito e que, por isso, dificilmente sou capaz de exteriorizar de viva voz. A escrita é, a esse nível, um instrumento muito mais impessoal, porque ambíguo. Aí pode-se dizer quase tudo, porque cada um fará a sua leitura, isto é, há sempre alguma ficção, ou pode admitir-se que a haja.
Numa tua anterior mensagem, mais profissional mas não menos denunciadora das emoções que te assaltam, davas-me os parabéns pelo trabalho de consultoria em que estive envolvido e que foi muito recentemente apresentado ao público, com alguma pompa e circunstância. É bonito que o tenhas feito e foram bonitos os elogios que a esse respeito me endereçaste. Fico muito contente que tenhas ficado com boa impressão do trabalho. Nota entretanto o seguinte:
i) o essencial do trabalho técnico não foi feito por mim; eu dei-lhe os contornos estruturais, coordenei a composição de algumas peças e participei activamente na componente de elaboração estratégica, incluindo a componente mais imediatamente política (de vender o projecto, à entidade que o contratou e à população);
ii) tratando-se de um projecto na área dos transportes, nem era óbvio o meu envolvimento; aliás, entrei nele contrariado e enfrentei muitos momentos de desmotivação no decurso da sua elaboração;
iii) para minha surpresa, os resultados foram surpreendentemente bons; falo da capacidade que tivemos de vender à CCDR-N uma nova concepção de organização do território e de uso da linha-férrea como peça estruturante desse projecto; finalmente,
iv) lendo os jornais, nomeadamente os de hoje, fico convencido que deixei de ser um técnico de planeamento para ser uma marca que é usada como garantia de qualidade de um projecto; isso é simpático, sem dúvida, mas deixa-me alguns embaraços, conforme imaginas (inclusive, porque isso ofusca o trabalho árduo de outros, que, algumas vezes, mereceria ter maior reconhecimento).
Sobre mudar o mundo, não digo nada, nesta ocasião.
Isto dito, perceberás o sentimento misto que me atravessa e a dificuldade que as tuas palavras simpáticas me provocam. Deixas-me com mais ansiedade ainda em relação ao nosso próximo encontro. Vou lidar com dificuldade com a inviabilidade de te abraçar. Desgraças!
Sobre mudar o mundo, não digo nada, nesta ocasião.
Isto dito, perceberás o sentimento misto que me atravessa e a dificuldade que as tuas palavras simpáticas me provocam. Deixas-me com mais ansiedade ainda em relação ao nosso próximo encontro. Vou lidar com dificuldade com a inviabilidade de te abraçar. Desgraças!
Fico por aqui. Está na hora de me refugiar no trabalho, já que o não posso fazer nos teus braços.
Um xicoração,
.
José Cadima
sábado, julho 12, 2008
Dá-me algo (2)
Dá-me algo para amar.
Dá-me o teu corpo
e, com ele, a tua alma.
Dá-me algo
que vá ao encontro
da minha ânsia de amar,
da minha necessidade profunda
de sentir-me amado.
Dá-me algo que juntos
possamos construir,
enlaçados de corpo e alma.
Naquele dia, caminhando sem destino,
fui dar a ti.
Foi tão inesperado,
tão … Sei lá.
Foi tão bom!
José Pedro Cadima
(editado por José Cadima, nesta data)
Dá-me o teu corpo
e, com ele, a tua alma.
Dá-me algo
que vá ao encontro
da minha ânsia de amar,
da minha necessidade profunda
de sentir-me amado.
Dá-me algo que juntos
possamos construir,
enlaçados de corpo e alma.
Naquele dia, caminhando sem destino,
fui dar a ti.
Foi tão inesperado,
tão … Sei lá.
Foi tão bom!
José Pedro Cadima
(editado por José Cadima, nesta data)
quinta-feira, julho 10, 2008
Procurar-lhe sentido
Mundo: sítio horrível,
em que se encontram Céu e Inferno,
o bem e o mal.
Presos neste vazio,
vasculhamos uma essência
que nos pertença,
que nos dê sentido.
Mundo: sítio horrível,
que nos leva à loucura
de lhe procurar sentido,
para que a nossa existência
não seja só forma
e seja, antes, sentido, essência, vida.
José Pedro Cadima
em que se encontram Céu e Inferno,
o bem e o mal.
Presos neste vazio,
vasculhamos uma essência
que nos pertença,
que nos dê sentido.
Mundo: sítio horrível,
que nos leva à loucura
de lhe procurar sentido,
para que a nossa existência
não seja só forma
e seja, antes, sentido, essência, vida.
José Pedro Cadima
terça-feira, julho 08, 2008
Querida Helena
Devo assumir que estás a despedir-te, mesmo tendo acabado de chegar (se posso afirmar isso, sequer)? Se for o caso, aceito-o, ficando muito triste, embora. É da minha natureza ser triste. Disse-te que era uma personagem muito complexa, sendo sincero nessa afirmação. Há também coisas muito complexas na minha história de vida. As Helenas informam essa dimensão: são um desafio e uma maldição, desde a minha adolescência.
Helena que és, para mim, não fugirás a esse desígnio. Partir ou ficar é decisão tua. Aceitarei a que tomares. Se ficares, terás que conviver com a minha complexidade. Se partires, não digo que sobreviva porque uma parte adicional de mim partirá também. Continuarei com o que de mim restar.
Um beijo grande para a minha Helena,
.
José Cadima
domingo, julho 06, 2008
O que será?
O que será?
Quem será?
Porque será?
Que será que é?
Mil e uma imagens,
cada uma a valer mil palavras,
mil acções, mil ideias,
passam pela minha cabeça,
sobrevoam-me em voo rasante.
Vejo-as passar
e, no entanto, não parecem fazer sentido,
não lhes encontro sentido
e, por assim ser, questiono-me
sobre a sua razão de ser.
Não lhes encontro sentido
e gostava de encontrar.
Talvez a resposta chegue amanhã,
talvez...
José Pedro Cadima
Quem será?
Porque será?
Que será que é?
Mil e uma imagens,
cada uma a valer mil palavras,
mil acções, mil ideias,
passam pela minha cabeça,
sobrevoam-me em voo rasante.
Vejo-as passar
e, no entanto, não parecem fazer sentido,
não lhes encontro sentido
e, por assim ser, questiono-me
sobre a sua razão de ser.
Não lhes encontro sentido
e gostava de encontrar.
Talvez a resposta chegue amanhã,
talvez...
José Pedro Cadima
sexta-feira, julho 04, 2008
Mundo ingrato
Contando as estrelas,
faço vida de passatempo,
aprecio beleza
desobrigado da ver.
Contando estrelas e planetas,
vejo derreter ouro
e fazer moedas,
vejo morrer homens
e fazer festas.
O amor segue descalço.
Anda descalço o amor
a calcar espinhos de rosa,
fugindo de feridas pequenas
que nos pés se aconchegam.
Nunca foi tão pobre.
Deu tudo o que tinha
sem olhar ao que lhe restou.
Não lhe resta nada.
Descalço, ferido
e com os pés em ferida,
só nos resta implorar-lhe que não se vá,
que fique,
que aceite sofrer só um pouco mais.
José Pedro Cadima
faço vida de passatempo,
aprecio beleza
desobrigado da ver.
Contando estrelas e planetas,
vejo derreter ouro
e fazer moedas,
vejo morrer homens
e fazer festas.
O amor segue descalço.
Anda descalço o amor
a calcar espinhos de rosa,
fugindo de feridas pequenas
que nos pés se aconchegam.
Nunca foi tão pobre.
Deu tudo o que tinha
sem olhar ao que lhe restou.
Não lhe resta nada.
Descalço, ferido
e com os pés em ferida,
só nos resta implorar-lhe que não se vá,
que fique,
que aceite sofrer só um pouco mais.
José Pedro Cadima
quarta-feira, julho 02, 2008
Desejar-te
Desejo-te a cada momento
Mesmo ao acordar
És em mim forte sentido
Sentido que quero dar
Sinto-me tua
Antes de o ser
Vem…
Pega na minha mão
E mostra-me o sentido
Que me queres dar
C.P.
Mesmo ao acordar
És em mim forte sentido
Sentido que quero dar
Sinto-me tua
Antes de o ser
Vem…
Pega na minha mão
E mostra-me o sentido
Que me queres dar
C.P.
terça-feira, julho 01, 2008
Escreverei um poema (2)
Deixem-me ficar com ela
e escreverei um poema.
Deixem-me beijá-la
e ela mesmo será o tema
do meu poema.
Deixem-me com o meu amor.
Não peço mais nada, nesta hora.
Deixem-me ficar com ela … beijá-la,
abraçá-la...
Prometo que serei o seu apaixonado amante.
Prometo mover mundos para que o meu amor a encante.
Prometo...
José Pedro Cadima
e escreverei um poema.
Deixem-me beijá-la
e ela mesmo será o tema
do meu poema.
Deixem-me com o meu amor.
Não peço mais nada, nesta hora.
Deixem-me ficar com ela … beijá-la,
abraçá-la...
Prometo que serei o seu apaixonado amante.
Prometo mover mundos para que o meu amor a encante.
Prometo...
José Pedro Cadima
domingo, junho 29, 2008
Sonhos...
Sonhos...
Sonhos? Eu?
Acho que não...
Amiude, nem dormir satisfatoriamente sou já capaz.
Quem me dera...
José Cadima
Sonhos? Eu?
Acho que não...
Amiude, nem dormir satisfatoriamente sou já capaz.
Quem me dera...
José Cadima
Minha Querida Helena
Volvidas que são as conferências e outras urgências, tento voltar para ti. Tento, digo, porque retomar o “romance” não é apenas uma questão de querer; é muito mais uma coisa que releva do ser.
Nessa busca do íntimo, recordo primeiro a troca de palavras sem sentido que ontem mantivemos. Odeio falar contigo ao telefone e, sabendo-o, tu pareces querer que eu odeie cada dia mais: explica-me lá porque misteriosa razão, conhecendo eu alguém, não posso deixar de conhecer a tia desse alguém, a sobrinha e, ainda, o enteado? Não fazendo sentido que essa ideia releve de qualquer encadeado razoável de circunstâncias, quando me atiras com esse arrazoado só poderás estar a querer gozar comigo ou, o que vai dar no mesmo, a pretender irritar-me - sabendo-me ao telefone. É mais um incentivo para que não te ligue. De tanto insistires, acabarás por ser sucedida no teu intento de pôr termo a esse tipo comunicação entre nós.
Do telefone, volto para os meus pensamentos e deles para a sede que me ficou de soltar a raiva resultante. Nessas alturas pode-se fazer qualquer coisa: até achar que não há mais espaço para o romance. Ganhar distância, remeter para o domínio do ficcional palavras trocadas que nunca deveriam tê-lo sido é a outra opção. Não é nunca fácil, não obstante. Só dando tempo ao tempo se viabiliza que o romance se sobreponha à raiva e a saudade emirja, leve, primeiro, com intensidade maior, depois.
Nessa altura, nesta altura já te sinto o rosto pousado sobre o meu colo, já sinto a tua pele sedosa nos meus dedos enquanto a minha mão percorre as tuas costas, encalhando nas costuras das tuas roupas. Estou de volta para ti, mas nem por isso deixo de me questionar se não será hora de partir para sempre de cada vez que a minha mão encalha nas costuras das roupas (ou as minhas palavras trocadas contigo ao telefone na tua obsessão de transformar cada telefonema que te faço num abismo sem fundo). A mão vai fazendo caminho pela pele sedosa; para lá das costuras insinua-se um estremeção de excitação e a resistência quebra-se. Estou de volta ao romance, estou de novo contigo, aconchegando-me no teu peito.
Porque não dura sempre este nosso romance, meu amor?
Braga, 31 de Outubro de 2004
José Cadima
Nessa busca do íntimo, recordo primeiro a troca de palavras sem sentido que ontem mantivemos. Odeio falar contigo ao telefone e, sabendo-o, tu pareces querer que eu odeie cada dia mais: explica-me lá porque misteriosa razão, conhecendo eu alguém, não posso deixar de conhecer a tia desse alguém, a sobrinha e, ainda, o enteado? Não fazendo sentido que essa ideia releve de qualquer encadeado razoável de circunstâncias, quando me atiras com esse arrazoado só poderás estar a querer gozar comigo ou, o que vai dar no mesmo, a pretender irritar-me - sabendo-me ao telefone. É mais um incentivo para que não te ligue. De tanto insistires, acabarás por ser sucedida no teu intento de pôr termo a esse tipo comunicação entre nós.
Do telefone, volto para os meus pensamentos e deles para a sede que me ficou de soltar a raiva resultante. Nessas alturas pode-se fazer qualquer coisa: até achar que não há mais espaço para o romance. Ganhar distância, remeter para o domínio do ficcional palavras trocadas que nunca deveriam tê-lo sido é a outra opção. Não é nunca fácil, não obstante. Só dando tempo ao tempo se viabiliza que o romance se sobreponha à raiva e a saudade emirja, leve, primeiro, com intensidade maior, depois.
Nessa altura, nesta altura já te sinto o rosto pousado sobre o meu colo, já sinto a tua pele sedosa nos meus dedos enquanto a minha mão percorre as tuas costas, encalhando nas costuras das tuas roupas. Estou de volta para ti, mas nem por isso deixo de me questionar se não será hora de partir para sempre de cada vez que a minha mão encalha nas costuras das roupas (ou as minhas palavras trocadas contigo ao telefone na tua obsessão de transformar cada telefonema que te faço num abismo sem fundo). A mão vai fazendo caminho pela pele sedosa; para lá das costuras insinua-se um estremeção de excitação e a resistência quebra-se. Estou de volta ao romance, estou de novo contigo, aconchegando-me no teu peito.
Porque não dura sempre este nosso romance, meu amor?
Braga, 31 de Outubro de 2004
José Cadima
sexta-feira, junho 27, 2008
Humilhado
Nunca acreditei
que um dia te teria.
A magia parecia
passar ao lado da minha vida.
Sonhava ter-te mesmo acordado.
Suspirava só em pensar
quão suave seria a tua pele,
quão especial seria tocar-te.
Amava-te mais que à vida,
Aceitava humilhar-me
como prova de amor.
Os tecidos do meu corpo
transpiravam de cada vez que te via.
O meu estômago remexia.
Entretanto, tu continuaste
a ignorar-me.
Deixaste-me para trás, simplesmente;
humilhado, sim,
mas só!
José Pedro Cadima
quinta-feira, junho 26, 2008
Mostrar-te
Quero mostrar-te
O verdadeiro sentido do amor
Incerteza, partilha...
E muita alegria.
É o sabor de me entregar
Sem esperar receber
É fazer aquilo que nunca fiz
Talvez...
Porque nunca o quis.
C.P.
O verdadeiro sentido do amor
Incerteza, partilha...
E muita alegria.
É o sabor de me entregar
Sem esperar receber
É fazer aquilo que nunca fiz
Talvez...
Porque nunca o quis.
C.P.
terça-feira, junho 24, 2008
Não sou o teu amor (2)
Odeio-me!
Não sou o ser magnífico
que procuras.
Odeio-me!
Não sou o sonho
que buscas.
Odeio-me,
porque o teu amor
talvez pudesse ser o sonho
que, a teus olhos, me tornasse
no ser magnífico que mereces ter.
Odeio-me,
por saber impossível
o teu amor!
José Cadima
(adaptado de José Pedro Cadima, 2005)
Não sou o ser magnífico
que procuras.
Odeio-me!
Não sou o sonho
que buscas.
Odeio-me,
porque o teu amor
talvez pudesse ser o sonho
que, a teus olhos, me tornasse
no ser magnífico que mereces ter.
Odeio-me,
por saber impossível
o teu amor!
José Cadima
(adaptado de José Pedro Cadima, 2005)
segunda-feira, junho 23, 2008
Sentir-te
Sinto-te a cada instante
E agonia constante
Fosso cavo
Muito fundo, dizem eles!
Intransponível, talvez!
A ti, ponte quero lançar
És desafio para mim
Vem...
Segue a ponte até ao fim!...
C.P.
E agonia constante
Fosso cavo
Muito fundo, dizem eles!
Intransponível, talvez!
A ti, ponte quero lançar
És desafio para mim
Vem...
Segue a ponte até ao fim!...
C.P.
domingo, junho 22, 2008
“Ainda há esperança! - II”
“2. Até ao momento da leitura dos jornais do passado fim-de-semana, tinha decidido abandonar definitivamente a regionalização como tema de análise: afinal, depois de múltiplas semanas de debate, não havia já nada de novo que se dissesse. Pensava assim, digo, e reconheço agora que estava enganado. Percebi-o na consulta dos jornais, a que já me referi, e reconheci-o relendo declarações do grande defensor da solidariedade, da democracia e dos direitos humanos que foi o Dr. Mário Soares.
Pude, na altura, alcançar quanto Portugal podia ter ganho se, por ocasião da sua passagem pelo governo e pela Presidência da Republica, o citado cidadão não tivesse já esquecido tudo quanto aprendera na sua passagem pela militância política de oposição ao regime fascista e pelo exílio na estranja.”
J. C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/06/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
Pude, na altura, alcançar quanto Portugal podia ter ganho se, por ocasião da sua passagem pelo governo e pela Presidência da Republica, o citado cidadão não tivesse já esquecido tudo quanto aprendera na sua passagem pela militância política de oposição ao regime fascista e pelo exílio na estranja.”
J. C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/06/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
sexta-feira, junho 20, 2008
Viva a liberdade!
Querem-na? A liberdade,
a primeira motivação da luta humana,
a razão do fracasso das ditaduras
e do sacrifício dos lutadores.
A liberdade contrapõe-se à crença,
alimentada por alguns, na prisão física,
na opressão, no condicionamento das mentes.
Nem a democracia nos faz livres:
dá prisão àquilo em que tocamos.
Corram pelos campos!
Sintam o vento na face,
nas narinas, nos olhos.
Busque-se a liberdade
no intervalo de dois compromissos.
Sejamos livres.
Façamos do mundo coisa nossa.
José Pedro Cadima
a primeira motivação da luta humana,
a razão do fracasso das ditaduras
e do sacrifício dos lutadores.
A liberdade contrapõe-se à crença,
alimentada por alguns, na prisão física,
na opressão, no condicionamento das mentes.
Nem a democracia nos faz livres:
dá prisão àquilo em que tocamos.
Corram pelos campos!
Sintam o vento na face,
nas narinas, nos olhos.
Busque-se a liberdade
no intervalo de dois compromissos.
Sejamos livres.
Façamos do mundo coisa nossa.
José Pedro Cadima
quarta-feira, junho 18, 2008
Vocabulário
Prender um texto ao nosso vocabulário
não é matar a literatura.
Porquê obrigar-nos a todos
a ter um dicionário?
Tantas palavras bonitas,
com tantos significados,
mas sem emoção alguma.
Prender um texto ao que sabemos,
embora pouco, é dar-lhe um pouco de nós.
Quando se escreve, quando se lê,
é com o coração que o fazemos.
Deixemos o linguarejar para trás.
Expressar sentimentos,
embora de forma rudimentar,
pode ser, quem sabe, mais belo
e tem, por certo, todo outro significado.
José Pedro Cadima
não é matar a literatura.
Porquê obrigar-nos a todos
a ter um dicionário?
Tantas palavras bonitas,
com tantos significados,
mas sem emoção alguma.
Prender um texto ao que sabemos,
embora pouco, é dar-lhe um pouco de nós.
Quando se escreve, quando se lê,
é com o coração que o fazemos.
Deixemos o linguarejar para trás.
Expressar sentimentos,
embora de forma rudimentar,
pode ser, quem sabe, mais belo
e tem, por certo, todo outro significado.
José Pedro Cadima
segunda-feira, junho 16, 2008
Dias tristes
Sinto-me profundamente infeliz, hoje.
Não é por falta de amores.
Será, talvez, por falta de amor.
Há dias assim, tristes,
irremediavelmente distantes do lugar mítico
a que alguns chamam arco-íris.
Chove, lá fora.
Cá dentro, é o meu coração que se sugere despedaçado
por dias que correm cada vez mais cinzentos.
De lá de fora, sinto a ameaça
de mais um dia que se anuncia triste, sem esperança.
Não são amores que me faltam.
O que me falta é alegria,
a alegria de quem corre por algo que julga valer a pena:
uma amizade, um sonho, um grande amor.
Por onde andas, amor meu?
Serás tu este ser que se insinua por aqui
ou será esta força que pressinto
apenas a saudade que tenho de ti?
Vem em meu socorro, depressa!
Se demoras em tomar corpo e forma,
corres o risco de, em vez de mim, ser só desespero
o que venhas a encontrar.
Vem depressa, meu amor!
José Cadima
Não é por falta de amores.
Será, talvez, por falta de amor.
Há dias assim, tristes,
irremediavelmente distantes do lugar mítico
a que alguns chamam arco-íris.
Chove, lá fora.
Cá dentro, é o meu coração que se sugere despedaçado
por dias que correm cada vez mais cinzentos.
De lá de fora, sinto a ameaça
de mais um dia que se anuncia triste, sem esperança.
Não são amores que me faltam.
O que me falta é alegria,
a alegria de quem corre por algo que julga valer a pena:
uma amizade, um sonho, um grande amor.
Por onde andas, amor meu?
Serás tu este ser que se insinua por aqui
ou será esta força que pressinto
apenas a saudade que tenho de ti?
Vem em meu socorro, depressa!
Se demoras em tomar corpo e forma,
corres o risco de, em vez de mim, ser só desespero
o que venhas a encontrar.
Vem depressa, meu amor!
José Cadima
sábado, junho 14, 2008
“Ainda há esperança!”
“1. Irremediavelmente, estou impressionado com a preocupação que os lisboetas manifestam com os atrasos de desenvolvimento do Alto-Minho, da Beira interior ou do Alentejo. Mais impressionado me confesso por essa preocupação, tão veemente, ser assumida em termos maioritários por gente tão ilustrada quanto o são os jornalistas e outros intelectuais com espaço reservado no «Expresso» e noutros órgãos de informação que se usa classificar de «grande difusão».
Apraz-me que o digam, e apraz-me tamanha veemência nesta particular ocasião em que se discute a devolução do poder às regiões e as virtualidades da regionalização enquanto instrumento de desenvolvimento. Provoca-me menos impacto esta expressão de solidariedade regional quando é proveniente de alguém do Minho ou de Trás-os-Montes.
Não fora os epítetos de imbecis ou de traidores da pátria que usam para qualificar os defensores da regionalização e nem se perceberia o imenso altruísmo que os faz movimentar.
Também a este respeito, é caso para reconhecer que o país sem Lisboa é uma ficção.”
J. C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/06/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
Apraz-me que o digam, e apraz-me tamanha veemência nesta particular ocasião em que se discute a devolução do poder às regiões e as virtualidades da regionalização enquanto instrumento de desenvolvimento. Provoca-me menos impacto esta expressão de solidariedade regional quando é proveniente de alguém do Minho ou de Trás-os-Montes.
Não fora os epítetos de imbecis ou de traidores da pátria que usam para qualificar os defensores da regionalização e nem se perceberia o imenso altruísmo que os faz movimentar.
Também a este respeito, é caso para reconhecer que o país sem Lisboa é uma ficção.”
J. C.
(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/06/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
quinta-feira, junho 12, 2008
Momentos brancos
Não haja pressa
que o momento aguarda.
Não deixemos o morrer
de ansiedade acompanhar-nos,
sendo nosso par.
Sobretudo, recusemo-nos
a casar com ele para a vida.
Odiosamente, sinto falta
de momentos em branco,
no meio de uma multidão;
momentos apaixonados.
Enrolando o tempo
em amor
que mal me fez,
perdi momentos vazios.
Não tendo sabido parar o tempo,
deixei-os fugir.
José Pedro Cadima
que o momento aguarda.
Não deixemos o morrer
de ansiedade acompanhar-nos,
sendo nosso par.
Sobretudo, recusemo-nos
a casar com ele para a vida.
Odiosamente, sinto falta
de momentos em branco,
no meio de uma multidão;
momentos apaixonados.
Enrolando o tempo
em amor
que mal me fez,
perdi momentos vazios.
Não tendo sabido parar o tempo,
deixei-os fugir.
José Pedro Cadima
segunda-feira, junho 09, 2008
Minha Querida Helena
Hoje não te escrevo. Estou tão cansado que me falta a energia para te exprimir o que sinto e para te gritar quanta falta me fases. No presente estado de alma, recolheria até energia de palavras desagradáveis que me dirigisses - à semelhança de tantas outras no passado, algumas vezes injustas. Daí haveria de retirar a força para dar o próximo passo e, quiçá, contributo para tornar menos doloroso este sentimento de perda que me assiste.
Há ocasiões em que o trabalho, pouco que seja, me esgota. Lembro-me de outras em que o trabalho se esgotava sem que lhe sentisse o peso. Não é, sei-o bem, apenas uma questão de esforço. É, muito mais, um problema de motivação, de crença que valha a pena enfrentar o dia seguinte, estado de espírito que me escapa nesta altura e de que não estou certo de ser capaz de libertar-me. A não ser... A não ser que...
Estou sem esperança. Estou sem ânimo. Sinto-me profundamente cansado, a ponto de me falhar a energia sequer para te gritar a falta que me fases. Por isso, hoje não te escrevo.
Não te farão falta, no entanto, as minhas palavras escritas. Porque se fizessem não te seria indiferente o meu cansaço. Porque se te faltassem, não me deixarias a agonizar. Por contrapartida, eu não tenho dúvida em dizer-te quanta falta me fases. Gritá-lo-ia, até, se tivesse energia para tal.
Hoje não te escrevo. Se recobrar forças para esse empreendimento, escrever-te-ei noutra ocasião, para te dizer quanta falta me fases e quão tamanho é este amor que te devoto. Se recobrar forças para tanto, gritar-te-ei até a falta que me fases, mesmo duvidando que venhas a escutar o meu grito.
Braga, 23 de Agosto de 2004
José Cadima
Há ocasiões em que o trabalho, pouco que seja, me esgota. Lembro-me de outras em que o trabalho se esgotava sem que lhe sentisse o peso. Não é, sei-o bem, apenas uma questão de esforço. É, muito mais, um problema de motivação, de crença que valha a pena enfrentar o dia seguinte, estado de espírito que me escapa nesta altura e de que não estou certo de ser capaz de libertar-me. A não ser... A não ser que...
Estou sem esperança. Estou sem ânimo. Sinto-me profundamente cansado, a ponto de me falhar a energia sequer para te gritar a falta que me fases. Por isso, hoje não te escrevo.
Não te farão falta, no entanto, as minhas palavras escritas. Porque se fizessem não te seria indiferente o meu cansaço. Porque se te faltassem, não me deixarias a agonizar. Por contrapartida, eu não tenho dúvida em dizer-te quanta falta me fases. Gritá-lo-ia, até, se tivesse energia para tal.
Hoje não te escrevo. Se recobrar forças para esse empreendimento, escrever-te-ei noutra ocasião, para te dizer quanta falta me fases e quão tamanho é este amor que te devoto. Se recobrar forças para tanto, gritar-te-ei até a falta que me fases, mesmo duvidando que venhas a escutar o meu grito.
Braga, 23 de Agosto de 2004
José Cadima
domingo, junho 08, 2008
Fez-se história
Fez-se história:
criámos o horror e a arte,
criámos os dois; unimo-los.
Separámos a vida e a morte.
José Pedro Cadima
criámos o horror e a arte,
criámos os dois; unimo-los.
Separámos a vida e a morte.
José Pedro Cadima
sexta-feira, junho 06, 2008
Canibalismo
Que se retorne ao canibalismo.
Que seja hoje e depressa!
Já toda a carne se me sugere saber
àquela que o homem tem.
Com canibal desejo,
devoro aos poucos
a própria consciência.
Sabe-me na boca
e não me sabe mal.
José Pedro Cadima
Que seja hoje e depressa!
Já toda a carne se me sugere saber
àquela que o homem tem.
Com canibal desejo,
devoro aos poucos
a própria consciência.
Sabe-me na boca
e não me sabe mal.
José Pedro Cadima
quinta-feira, junho 05, 2008
Sem apelo
Sem apelo,
sem dó nem piedade,
volto à escrita, como volto ao amor,
mesmo que isso pareça coisa de fracos,
coisa dos que amam uma para sempre.
José Pedro Cadima
sem dó nem piedade,
volto à escrita, como volto ao amor,
mesmo que isso pareça coisa de fracos,
coisa dos que amam uma para sempre.
José Pedro Cadima
segunda-feira, junho 02, 2008
Na vida: sonhos
Jogando em frente
as insígnias conseguidas,
nota-se que há muitos sonhos
que são mais pequenos que a vida.
Reflexos em espelhos sem cantos
permitem a fuga da ilusão.
Tarefa árdua é também procurar
agulha em palheiro:
vemo-nos gregos.
Convirá alertar os homens de ambição
que o mundo não se conquista com talheres,
embora essa conquista possa
não dispensar a mesa.
Pelo menos, não se contam histórias,
em que tal tenha acontecido.
Às mulheres, rosas se oferecem
ao invés de alecrim,
talvez por causa do seu perfume.
Podem ser rosa,
podem ser brancas ou vermelhas,
vermelho-amante;
fazem-nos sempre sonhar
com o seu perfume de rosas,
o seu cheiro de mulher.
José Pedro Cadima
as insígnias conseguidas,
nota-se que há muitos sonhos
que são mais pequenos que a vida.
Reflexos em espelhos sem cantos
permitem a fuga da ilusão.
Tarefa árdua é também procurar
agulha em palheiro:
vemo-nos gregos.
Convirá alertar os homens de ambição
que o mundo não se conquista com talheres,
embora essa conquista possa
não dispensar a mesa.
Pelo menos, não se contam histórias,
em que tal tenha acontecido.
Às mulheres, rosas se oferecem
ao invés de alecrim,
talvez por causa do seu perfume.
Podem ser rosa,
podem ser brancas ou vermelhas,
vermelho-amante;
fazem-nos sempre sonhar
com o seu perfume de rosas,
o seu cheiro de mulher.
José Pedro Cadima
sábado, maio 31, 2008
Sonhos...
Sonhos...
Sonhar? Porque não?
... E a nuvem escura,
tremenda passou,
descarregou toda a água
e a raiva que a movia.
Depois, o sol raiou
e da terra emanou um cheiro suave e perfumado,
o cheiro da terra.
Senti-me leve, então,
capaz de voltar a sonhar.
José Cadima
Sonhar? Porque não?
... E a nuvem escura,
tremenda passou,
descarregou toda a água
e a raiva que a movia.
Depois, o sol raiou
e da terra emanou um cheiro suave e perfumado,
o cheiro da terra.
Senti-me leve, então,
capaz de voltar a sonhar.
José Cadima
quarta-feira, maio 28, 2008
Desespero...
E o momento da morte funde-se com o da vida formando uma camada de desespero incompreensível.
.
José Pedro Cadima
terça-feira, maio 27, 2008
Lábios
Lábios doces, leves;
doces, leves lábios.
Toque apaixonado
por despertar.
Imprevisto gesto de amor.
Flutuo-o levemente,
para lá dos sonhos
impostos pelo desejo de te beijar.
Doces…
Leves…
Lábios…
José Pedro Cadima
doces, leves lábios.
Toque apaixonado
por despertar.
Imprevisto gesto de amor.
Flutuo-o levemente,
para lá dos sonhos
impostos pelo desejo de te beijar.
Doces…
Leves…
Lábios…
José Pedro Cadima
domingo, maio 25, 2008
Minha Querida Helena
Espero que te encontres bem, na companhia dos teus. Eu cá vou indo como posso, umas horas mais fresco outras carregando com esforço óbvio o meu cansaço. Os fins de tarde, de um modo geral, têm-se revelado bastante penosos. O pior é quando ao dia se junta uma noite de sobressalto. Tirando isso – como te dizia – cá vou andando.
Sobre os meninos, dir-te-ei que lá vão indo, também. Tenho andado um pouco preocupado com o José Pedro em razão da indicação que tenho de que algo não vai bem com os seus amores (tal qual se passa com o pai). Na verdade, fiquei algo alvoroçado quando há dias me mandou uma mensagem electrónica (vulgo, e-mail) dando-me indicação que retirasse a dedicatória à Maria do seu livro em projecto. Imaginei-o logo de volta aos seus poemas de desesperança, de que te falei vai para uns tempos, e que tanto desconforto me provocaram. Surpreendentemente, contudo - tanto quanto me apercebi – isso não terá acontecido. Em vez disso, partiu com o avô rumo a Leiria, primeiro, e a Lisboa, depois, de onde me deu notícias razoavelmente descontraídas de Sintra e de Queluz. Faço grande força para que assim continue.
Todavia, a serem válidos os sinais de que te falo no parágrafo precedente, tanta ou mais preocupação que o José Pedro dá-me o João Miguel. Imagina que criou uma espécie de pânico em relação ao regresso à Escola, ao ponto de uma destas madrugadas ter aparecido no quarto da mãe em choro aberto questionando se não podia ter antes aulas em casa. Confirmo assim a ideia com que tinha ficado de que o ano académico passado foi para ele um enorme pesadelo. E até nem me custa entender que como tal o tenha sentido a aquilatar pela impreparação que constatei nos professores que, em má hora, tive que contactar. Mas daí até este vale de lágrimas de um miúdo como aquele vai certa distância. Lá tenho procurado sossegá-lo o melhor que sei, mas a apreensão, essa, ninguém ma tira.
Como uso dizer – e sou inteiramente sincero nisso – só pensa ter filhos hoje em dia quem não tem nada mais com que se ocupar ou, o que é radicalmente pior, quem é muito ingénuo ou um grande irresponsável. Como sabes, eu encácho-me na categoria dos ingénuos. Feito o erro, vou ter que viver com ele, mesmo que isso me custe para além do que tenho e posso dar. É uma de entre várias fatalidades com que estou confrontado. Daí a expressão cá vou indo com que iniciei esta mensagem que decidi endereçar-te.
Ciente, no entanto, que a carta vai longa e que te macei já para além do razoável, mantendo embora presente a tua benevolência, despeço-me até à próxima.
Dá cumprimentos da minha parte ao teu filho, e não te esqueças de lhe dizer que não me julgue mal pela forma como não soube lidar com a sua mãe. Recebe um beijo deste que tanto te quer.
Braga, 31 de Agosto de 2004
José Cadima
Sobre os meninos, dir-te-ei que lá vão indo, também. Tenho andado um pouco preocupado com o José Pedro em razão da indicação que tenho de que algo não vai bem com os seus amores (tal qual se passa com o pai). Na verdade, fiquei algo alvoroçado quando há dias me mandou uma mensagem electrónica (vulgo, e-mail) dando-me indicação que retirasse a dedicatória à Maria do seu livro em projecto. Imaginei-o logo de volta aos seus poemas de desesperança, de que te falei vai para uns tempos, e que tanto desconforto me provocaram. Surpreendentemente, contudo - tanto quanto me apercebi – isso não terá acontecido. Em vez disso, partiu com o avô rumo a Leiria, primeiro, e a Lisboa, depois, de onde me deu notícias razoavelmente descontraídas de Sintra e de Queluz. Faço grande força para que assim continue.
Todavia, a serem válidos os sinais de que te falo no parágrafo precedente, tanta ou mais preocupação que o José Pedro dá-me o João Miguel. Imagina que criou uma espécie de pânico em relação ao regresso à Escola, ao ponto de uma destas madrugadas ter aparecido no quarto da mãe em choro aberto questionando se não podia ter antes aulas em casa. Confirmo assim a ideia com que tinha ficado de que o ano académico passado foi para ele um enorme pesadelo. E até nem me custa entender que como tal o tenha sentido a aquilatar pela impreparação que constatei nos professores que, em má hora, tive que contactar. Mas daí até este vale de lágrimas de um miúdo como aquele vai certa distância. Lá tenho procurado sossegá-lo o melhor que sei, mas a apreensão, essa, ninguém ma tira.
Como uso dizer – e sou inteiramente sincero nisso – só pensa ter filhos hoje em dia quem não tem nada mais com que se ocupar ou, o que é radicalmente pior, quem é muito ingénuo ou um grande irresponsável. Como sabes, eu encácho-me na categoria dos ingénuos. Feito o erro, vou ter que viver com ele, mesmo que isso me custe para além do que tenho e posso dar. É uma de entre várias fatalidades com que estou confrontado. Daí a expressão cá vou indo com que iniciei esta mensagem que decidi endereçar-te.
Ciente, no entanto, que a carta vai longa e que te macei já para além do razoável, mantendo embora presente a tua benevolência, despeço-me até à próxima.
Dá cumprimentos da minha parte ao teu filho, e não te esqueças de lhe dizer que não me julgue mal pela forma como não soube lidar com a sua mãe. Recebe um beijo deste que tanto te quer.
Braga, 31 de Agosto de 2004
José Cadima
sexta-feira, maio 23, 2008
Está tudo tão industrial
Está tudo tão industrial,
como se a vida
fosse mais uma peça de maquinaria.
Se assim é,
deixai-me ser seu manuseador,
deixai-me espaço para manipular
esta máquina que me pertence.
Quero poder rodar manivelas.
Quero saltar sobre os maus tempos.
José Pedro Cadima
como se a vida
fosse mais uma peça de maquinaria.
Se assim é,
deixai-me ser seu manuseador,
deixai-me espaço para manipular
esta máquina que me pertence.
Quero poder rodar manivelas.
Quero saltar sobre os maus tempos.
José Pedro Cadima
Os deuses
Chorei toda a noite,
e hoje chove.
Incrível o que fazem os deuses
para que não me sinta só!
José Pedro Cadima
e hoje chove.
Incrível o que fazem os deuses
para que não me sinta só!
José Pedro Cadima
terça-feira, maio 20, 2008
O precipício no fim da vida
Não há razão para viver
se não se for Colombo.
Não há como dormir
se não se souber como.
De um feixe de luz,
compreender a velocidade.
De uma pedra no chão,
identificar aquela que se é.
Sabereis vós todos
que, na vida, só há vida
se soubermos porquê?
José Pedro Cadima
se não se for Colombo.
Não há como dormir
se não se souber como.
De um feixe de luz,
compreender a velocidade.
De uma pedra no chão,
identificar aquela que se é.
Sabereis vós todos
que, na vida, só há vida
se soubermos porquê?
José Pedro Cadima
sábado, maio 17, 2008
“A saúde está pelas ruas da amargura”
“Alguém que me é próximo sugeriu que me ocupasse numa destas crónicas das temáticas da saúde e da segurança social. Chocou-me a sugestão. Na verdade, é difícil descortinar como é eu poderia trazer para uma rubrica votada à análise política de fundo e à cultura assuntos tão rasteiros.
Rasteiros, digo, pois é bem sabido que saúde e segurança social andam ambas pelas ruas da amargura. Em tempo de triunfo de liberalismos e liberais feitos à pressa, em tempo de glorificação de construtores de auto-estradas e de centros culturais de Belém e da Feira sobra pouco para garantir a assistência na doença e o bem-estar dos cidadãos.
É de certo modo compreensível que assim seja, posto que doença é coisa de que ninguém gosta de falar e que o aproximar da idade da reforma é também o aproximar do termo da vida. Muito mais atractivo é, em época de Verão, deitar o olho às mulheraças em «top less» espraiadas ao sol ou aos programas de férias propostos pelas agências de viagens. Infelizmente, meninas de maminhas ao léu continuam a aparecer pouco aqui pelas praias do Minho e, pelo que se reporta a férias tropicais, falta-nos, à maioria, o conforto dos milhões do Fundo Social Europeu e do PEDIP, versão Mira Amaral.
Há também outra faceta nesta coisa do investimento na saúde dos portugueses que não abona a favor do tema, que tem que ver com a circunstância deste tipo de aplicação de fundos cair na categoria do chamado investimento imaterial. Quer dizer, é dinheiro deitado à rua já que uma vez gasto não fica nem tabuleta comemorativa nem obra para a posteridade. Nisso tem, portanto, muito a perder relativamente a auto-estrada, ponte ou quartel de bombeiros.
Os cidadãos eleitores sabem isso, e é essa a razão profunda porque nutrem um especial desprezo pela vida. Sobretudo pela vida dos outros, como se prova pelas estatísticas de acidentes rodoviários e de trabalho. Outro indicador que vai em idêntico sentido é a forma afável como continuam a acolher nas suas terras os ministros da saúde e do emprego e segurança social.
Tratasse-se dos seus congéneres das obras públicas ou da indústria, por exemplo, e a coisa ficaria bem diferente: «fujam que aqui vai calhau!» .”
J. C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/08/05, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
Rasteiros, digo, pois é bem sabido que saúde e segurança social andam ambas pelas ruas da amargura. Em tempo de triunfo de liberalismos e liberais feitos à pressa, em tempo de glorificação de construtores de auto-estradas e de centros culturais de Belém e da Feira sobra pouco para garantir a assistência na doença e o bem-estar dos cidadãos.
É de certo modo compreensível que assim seja, posto que doença é coisa de que ninguém gosta de falar e que o aproximar da idade da reforma é também o aproximar do termo da vida. Muito mais atractivo é, em época de Verão, deitar o olho às mulheraças em «top less» espraiadas ao sol ou aos programas de férias propostos pelas agências de viagens. Infelizmente, meninas de maminhas ao léu continuam a aparecer pouco aqui pelas praias do Minho e, pelo que se reporta a férias tropicais, falta-nos, à maioria, o conforto dos milhões do Fundo Social Europeu e do PEDIP, versão Mira Amaral.
Há também outra faceta nesta coisa do investimento na saúde dos portugueses que não abona a favor do tema, que tem que ver com a circunstância deste tipo de aplicação de fundos cair na categoria do chamado investimento imaterial. Quer dizer, é dinheiro deitado à rua já que uma vez gasto não fica nem tabuleta comemorativa nem obra para a posteridade. Nisso tem, portanto, muito a perder relativamente a auto-estrada, ponte ou quartel de bombeiros.
Os cidadãos eleitores sabem isso, e é essa a razão profunda porque nutrem um especial desprezo pela vida. Sobretudo pela vida dos outros, como se prova pelas estatísticas de acidentes rodoviários e de trabalho. Outro indicador que vai em idêntico sentido é a forma afável como continuam a acolher nas suas terras os ministros da saúde e do emprego e segurança social.
Tratasse-se dos seus congéneres das obras públicas ou da indústria, por exemplo, e a coisa ficaria bem diferente: «fujam que aqui vai calhau!» .”
J. C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 95/08/05, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
quinta-feira, maio 15, 2008
Voltar a viver
Apetece-me saltar de tão alto
que voltar ao chão seja impossível.
Apetece-me correr tão rápido
que parar pareça um sonho.
Apetece-me entrar num sono tão profundo
que acordar seja voltar a viver.
Apetece-me...
José Pedro Cadima
que voltar ao chão seja impossível.
Apetece-me correr tão rápido
que parar pareça um sonho.
Apetece-me entrar num sono tão profundo
que acordar seja voltar a viver.
Apetece-me...
José Pedro Cadima
segunda-feira, maio 12, 2008
Imaginação
O vazio
escorre-me da mente.
Encho baldes
do que não existe.
De imaginação morta,
Deus só nos teria criado a nós.
José Pedro Cadima
sábado, maio 10, 2008
Algo que só tu sabes
Quando estamos juntos,
sinto que dançamos,
sinto algo no ar,
sinto que algo nos junta.
Quando estamos juntos,
sinto algo que me faz assim,
algo que te faz assim,
algo que...
Sinto algo que só tu sabes.
José Pedro Cadima
sinto que dançamos,
sinto algo no ar,
sinto que algo nos junta.
Quando estamos juntos,
sinto algo que me faz assim,
algo que te faz assim,
algo que...
Sinto algo que só tu sabes.
José Pedro Cadima
quinta-feira, maio 08, 2008
Meu achado(2)
Ai achado!
Meu coração-agulha, qual bússola,
aponta para ti.
Um traço teu
leva-me a amar-te,
como a agulha ao norte.
As tuas sardas-meninas,
luzentes ao sol e à luz,
invisíveis na noite
ou no meu quarto escuro,
iluminam-te a vergonha
por me pedires um beijo.
Prova-me nos lábios
o amor que lhes tomei!
José Pedro Cadima
Meu coração-agulha, qual bússola,
aponta para ti.
Um traço teu
leva-me a amar-te,
como a agulha ao norte.
As tuas sardas-meninas,
luzentes ao sol e à luz,
invisíveis na noite
ou no meu quarto escuro,
iluminam-te a vergonha
por me pedires um beijo.
Prova-me nos lábios
o amor que lhes tomei!
José Pedro Cadima
terça-feira, maio 06, 2008
sábado, maio 03, 2008
O fim do mundo
O tempo é de trovoada:
durmo.
Há sempre um dia
para lá de amanhã.
De futuro, virão tempestades e inundações:
dormirei.
A pior das catástrofes levará vidas
e eu cá ficarei, a dormir.
Não te zangues comigo,
meu mundo, minha vida!
O teu medo não me dá descanso.
José Pedro Cadima
durmo.
Há sempre um dia
para lá de amanhã.
De futuro, virão tempestades e inundações:
dormirei.
A pior das catástrofes levará vidas
e eu cá ficarei, a dormir.
Não te zangues comigo,
meu mundo, minha vida!
O teu medo não me dá descanso.
José Pedro Cadima
quinta-feira, maio 01, 2008
Minha Querida Helena
Depois de um enorme vale de lágrimas vertidas por ti e por mim, sigo neste comboio a caminho de Lisboa. A mente deixei-a contigo. Como é possível que o nosso amor incomode tanta gente? Que tem de especial o nosso amor? O ser muito, muito grande? Mas não é mesmo assim que devem ser os amores?
Percorrendo, em pensamento, as últimas palavras que me dirigistes e revendo tudo o que dissestes antes, pergunto-me, adicionalmente, porque é que o nosso amor tem que ser um amor proibido. Será por ser tão intenso que o desgaste a que estamos sujeitos nos extenua desta maneira? Como posso eu querer-te tanto e penalizar-te tanto?
Meu amor: a cabeça fervilha-me de pensamentos e de dúvidas. A única certeza que tenho é que já não sou capaz de conceber o meu dia-a-dia sem ter-te como refúgio e como ancoradouro. Desgraçada que é a minha vida, perderá o sentido que lhe resta sem as amarras que me lanças.
É irónico que num momento juntemos pertences tão simbólicos como o são um cravo do sul, um loureiro e um jarro roxo e no instante seguinte me digas que o xicoração que me deste, quase roubado, foi o último. Como pode ser o último se o nosso cravo do sul e o nosso loureiro permanecem viçosos? Dás por perdido o jarro roxo e, com ele, as demais plantas, símbolos preciosos da nossa união? Não dês, minha querida. Luta para que vivam, mesmo que seja para que nos sobrevivam. Essa será mais uma prova da força deste amor.
Neste comboio, a caminho de Lisboa e contigo como objecto único de pensamento, pergunto-me como será a seguir, logo, quando chegar ao hotel, ou amanhã à noite, quando regressar. Irei telefonar-te? Atenderás tu o telefone se eu tiver a coragem ou a fraqueza de te ligar? E depois?
E depois? Decidido está que 3ª feira comprarei bilhetes para o espectáculo com o José Mário Branco, a 24 de Abril, havendo bilhetes - ficaria muito frustrado se não os houvesse. Está decidido que comprarei dois bilhetes. Depois logo se verá se te terei a meu lado ou se o banco vizinho ficará vazio durante o espectáculo.
Não, não quero questionar-me sobre como resistirei à emoção daquele momento se não puder ter a força de te sentir a meu lado. Não, não quero imaginar como o nosso cravo do sul poderá resistir à minha ausência. Não, não quero pensar … Helena, minha querida.
José Cadima
Percorrendo, em pensamento, as últimas palavras que me dirigistes e revendo tudo o que dissestes antes, pergunto-me, adicionalmente, porque é que o nosso amor tem que ser um amor proibido. Será por ser tão intenso que o desgaste a que estamos sujeitos nos extenua desta maneira? Como posso eu querer-te tanto e penalizar-te tanto?
Meu amor: a cabeça fervilha-me de pensamentos e de dúvidas. A única certeza que tenho é que já não sou capaz de conceber o meu dia-a-dia sem ter-te como refúgio e como ancoradouro. Desgraçada que é a minha vida, perderá o sentido que lhe resta sem as amarras que me lanças.
É irónico que num momento juntemos pertences tão simbólicos como o são um cravo do sul, um loureiro e um jarro roxo e no instante seguinte me digas que o xicoração que me deste, quase roubado, foi o último. Como pode ser o último se o nosso cravo do sul e o nosso loureiro permanecem viçosos? Dás por perdido o jarro roxo e, com ele, as demais plantas, símbolos preciosos da nossa união? Não dês, minha querida. Luta para que vivam, mesmo que seja para que nos sobrevivam. Essa será mais uma prova da força deste amor.
Neste comboio, a caminho de Lisboa e contigo como objecto único de pensamento, pergunto-me como será a seguir, logo, quando chegar ao hotel, ou amanhã à noite, quando regressar. Irei telefonar-te? Atenderás tu o telefone se eu tiver a coragem ou a fraqueza de te ligar? E depois?
E depois? Decidido está que 3ª feira comprarei bilhetes para o espectáculo com o José Mário Branco, a 24 de Abril, havendo bilhetes - ficaria muito frustrado se não os houvesse. Está decidido que comprarei dois bilhetes. Depois logo se verá se te terei a meu lado ou se o banco vizinho ficará vazio durante o espectáculo.
Não, não quero questionar-me sobre como resistirei à emoção daquele momento se não puder ter a força de te sentir a meu lado. Não, não quero imaginar como o nosso cravo do sul poderá resistir à minha ausência. Não, não quero pensar … Helena, minha querida.
José Cadima
terça-feira, abril 29, 2008
O que deixaste à porta
Se bem o deixaste à porta
escusado é voltar atrás.
Não está lá
nem pensa em depressa voltar.
Em retorno, desejo-te do coração
que não se alongue teu caminho.
Ficarias abandonado neste mundo,
outra vez.
Hás-de iludir-te
para a esperança procurar,
que também lá atrás ficou
pedindo ao bem que te espere.
Aqui, espera-te o mal,
carregando ironia vida adiante,
sempre erguido e com mãos largas,
alardeando alegria a tua expensas.
José Pedro Cadima
escusado é voltar atrás.
Não está lá
nem pensa em depressa voltar.
Em retorno, desejo-te do coração
que não se alongue teu caminho.
Ficarias abandonado neste mundo,
outra vez.
Hás-de iludir-te
para a esperança procurar,
que também lá atrás ficou
pedindo ao bem que te espere.
Aqui, espera-te o mal,
carregando ironia vida adiante,
sempre erguido e com mãos largas,
alardeando alegria a tua expensas.
José Pedro Cadima
sábado, abril 26, 2008
Raiva
Há raiva que nada faz
e me deixa sempre em guerra.
Tropeço num vazo que caiu
do alto dos meios receios.
Pior era ter por lá ficado!
A gravidade é forte
e traz tudo para os nossos pés,
excepto os problemas.
Esses teimam em manter-se lá no alto,
ameaçando-nos a tranquilidade,
quando não alimentando-nos a raiva.
José Pedro Cadima
e me deixa sempre em guerra.
Tropeço num vazo que caiu
do alto dos meios receios.
Pior era ter por lá ficado!
A gravidade é forte
e traz tudo para os nossos pés,
excepto os problemas.
Esses teimam em manter-se lá no alto,
ameaçando-nos a tranquilidade,
quando não alimentando-nos a raiva.
José Pedro Cadima
sexta-feira, abril 25, 2008
Escrito no preto
Escrito no preto
para não se ver;
escrito no preto
para não se perceber;
escrito no preto,
por mim;
escrito no preto,
para ti;
escrito no preto
para ser esquecido;
escrito no preto
para nunca tu dizer.
Que sentimento estranho
este de, ao mesmo tempo,
querer apagar-te da memória
e desejar correr para os teus braços!
José Pedro Cadima
para não se ver;
escrito no preto
para não se perceber;
escrito no preto,
por mim;
escrito no preto,
para ti;
escrito no preto
para ser esquecido;
escrito no preto
para nunca tu dizer.
Que sentimento estranho
este de, ao mesmo tempo,
querer apagar-te da memória
e desejar correr para os teus braços!
José Pedro Cadima
terça-feira, abril 22, 2008
Um sitio distante de mim
Desejaria partir
em busca de isolamento
num lugar bem longe daqui,
num sítio distante de mim,
onde pudesse encontrar
as resposta que me faltam,
no relativismo absoluto
dos teus e dos meus sentimentos.
Nem em tudo eu meto sentimentos.
Eles é que se metem em mim!
Queria encontrar resposta para problema assim.
José Pedro Cadima
em busca de isolamento
num lugar bem longe daqui,
num sítio distante de mim,
onde pudesse encontrar
as resposta que me faltam,
no relativismo absoluto
dos teus e dos meus sentimentos.
Nem em tudo eu meto sentimentos.
Eles é que se metem em mim!
Queria encontrar resposta para problema assim.
José Pedro Cadima
sábado, abril 19, 2008
E se eu morresse agora?
Já pensaste: e se eu morresse agora?
Virias à minha campa chorar?
Rezarias pela minha alma penada?
Acharias alguém para te amar como eu te amo?
Não! Não penses nisso.
Terás assuntos mais interessantes em que pensar
e, eu morrendo ou não morrendo,
não te faltarão homens a quem amar.
Menos seguro será encontrares alguém
que te venha a amar tanto quanto eu.
Não, não rezes por mim.
Não, não irás encontrar alguém
que te venha a amar mais intensamente que eu,
mas talvez possas achar alguém que te faça mais feliz
do que eu consegui que fosses comigo.
José Pedro Cadima
Virias à minha campa chorar?
Rezarias pela minha alma penada?
Acharias alguém para te amar como eu te amo?
Não! Não penses nisso.
Terás assuntos mais interessantes em que pensar
e, eu morrendo ou não morrendo,
não te faltarão homens a quem amar.
Menos seguro será encontrares alguém
que te venha a amar tanto quanto eu.
Não, não rezes por mim.
Não, não irás encontrar alguém
que te venha a amar mais intensamente que eu,
mas talvez possas achar alguém que te faça mais feliz
do que eu consegui que fosses comigo.
José Pedro Cadima
quinta-feira, abril 17, 2008
Lá fora
Olhas o quê, à janela?
Olha antes para mim.
Não repares na gente lá fora.
Fazem-nos mal, sabias?
Muito mal:
limam as arestas dos nossos erros;
lembram-nos desgraças
num nunca mais acabar.
Dá-me a mão!
Junta-te a mim!
Só abraçando-te sou capaz de afastar
o frio que vem lá de fora.
Não olhes quem vai lá fora.
Olha-me a mim.
Aqui também há
gente carente de afecto.
José Pedro Cadima
Olha antes para mim.
Não repares na gente lá fora.
Fazem-nos mal, sabias?
Muito mal:
limam as arestas dos nossos erros;
lembram-nos desgraças
num nunca mais acabar.
Dá-me a mão!
Junta-te a mim!
Só abraçando-te sou capaz de afastar
o frio que vem lá de fora.
Não olhes quem vai lá fora.
Olha-me a mim.
Aqui também há
gente carente de afecto.
José Pedro Cadima
terça-feira, abril 15, 2008
Minha Querida Helena
Se há dias em que não devemos sair de casa, este foi para mim um deles. Só que tudo começou por correr mal em casa, do “periférico” do computador que avaria e que não parece ser possível adquirir em lado algum ao correio electrónico que se revela difícil de visualizar. Para terminar em desgraça completa, até o presente acabado de adquirir veio com defeito. Como saldo do dia, ficou cansaço e irritação e uma mão cheia de nada, se se considerar o trabalho que estava por fazer e o que efectivamente foi feito.
Em consonância com o demais, pelo telefone soube que te sentias doente, o que não se tratando de novidade, infelizmente, também em nada ajudou ao meu dia. Vou ficar a aguardar com ansiedade o dia em que me digas exactamente o oposto, isto é, que te sentes em boa forma e nada te apetece mais que sair à rua e deixar passar para quantos se cruzem contigo a alegria que se te estampa nos olhos e se percebe na leveza dos teus gestos.
Dentro do expectável, a deslocação a Lisboa até nem correu mal: uma noite calma no hotel, quer dizer, razoavelmente dormida; uma reunião com alguns pontos de interesse, sublinhada por duas intervenções na discussão dos dossiês em agenda que não deslustraram; uma viagem de combóio serena e no horário, na ida e no regresso; a comodidade dos novos comboios que circulam na linha renovada Braga-Lisboa (mais renovada em Braga que em Lisboa). Para ser melhor, bem melhor, teria que se ter concretizado a tua “promessa” de me acompanhares. Mas a “promessa”, desgraçadamente, não passou disso, de promessa. Fica para a próxima, não é minha querida?
Pela minha parte, não me esquecerei de te dirigir novamente o convite na vizinha oportunidade, e na oportunidade vizinha da vizinha e nas ocasiões seguintes, até que te canses de recusar os meus convites e decidas aceitar um.
Braga, 16 de Outubro de 2004
José Cadima
Em consonância com o demais, pelo telefone soube que te sentias doente, o que não se tratando de novidade, infelizmente, também em nada ajudou ao meu dia. Vou ficar a aguardar com ansiedade o dia em que me digas exactamente o oposto, isto é, que te sentes em boa forma e nada te apetece mais que sair à rua e deixar passar para quantos se cruzem contigo a alegria que se te estampa nos olhos e se percebe na leveza dos teus gestos.
Dentro do expectável, a deslocação a Lisboa até nem correu mal: uma noite calma no hotel, quer dizer, razoavelmente dormida; uma reunião com alguns pontos de interesse, sublinhada por duas intervenções na discussão dos dossiês em agenda que não deslustraram; uma viagem de combóio serena e no horário, na ida e no regresso; a comodidade dos novos comboios que circulam na linha renovada Braga-Lisboa (mais renovada em Braga que em Lisboa). Para ser melhor, bem melhor, teria que se ter concretizado a tua “promessa” de me acompanhares. Mas a “promessa”, desgraçadamente, não passou disso, de promessa. Fica para a próxima, não é minha querida?
Pela minha parte, não me esquecerei de te dirigir novamente o convite na vizinha oportunidade, e na oportunidade vizinha da vizinha e nas ocasiões seguintes, até que te canses de recusar os meus convites e decidas aceitar um.
Braga, 16 de Outubro de 2004
José Cadima
domingo, abril 13, 2008
Memória de uma data especial
sábado, abril 12, 2008
De mãos dadas
De mãos dadas,
a noite nunca é fria.
As nossas almas
afastam qualquer frialdade.
O sentimento, o amor
são energias fortíssimas,
capazes de gerar calor
tanto mais intenso quanto o sejam os laços
que nos ligam.
O contacto, a proximidade
geram troca de energia e estimulam mais trocas
e a geração de mais calor.
Fria que pareça a noite,
parecer-nos-á sempre amena
se a cruzarmos entrelaçados.
José Pedro Cadima
a noite nunca é fria.
As nossas almas
afastam qualquer frialdade.
O sentimento, o amor
são energias fortíssimas,
capazes de gerar calor
tanto mais intenso quanto o sejam os laços
que nos ligam.
O contacto, a proximidade
geram troca de energia e estimulam mais trocas
e a geração de mais calor.
Fria que pareça a noite,
parecer-nos-á sempre amena
se a cruzarmos entrelaçados.
José Pedro Cadima
quinta-feira, abril 10, 2008
Desenfastiando: “what else”?
Um dia depois de ter passado por Braga e na véspera de rumar às terras geladas da Sibéria, Alexandre Sousa, professor da Universidade de Aveiro e desinquietador de espíritos, perguntava-nos, e perguntava-nos bem (mal), “what else?”. Isso queríamos nós saber! É que os rumos do Ensino Superior Nacional são difíceis de descortinar, guiados por timoneiros tão temerários quanto o são os que temos tido, a começar pelo Zé Mariano, que antes foi Gago e só perdeu quando começou a abusar da palavra ganha.
“Como é que tu és a favor do RJIES?”, perguntava-lhe outro marinheiro. Mas como é que se pode ser marinheiro e, ao mesmo tempo, gostar de águas paradas? Escolhido que tenha sido ser-se marinheiro, há que marear nas águas que o mar traga, que nunca hão-de ser paradas e, muito menos, estagnadas. A escolha é ser-se marinheiro.
Feitos ao mar, pode-se ir a Bolonha? Pois concerteza, mas a Bolonha que se queria era bem condimentada, não esta piza sensaborona que nos calhou. Habilitado com o seu curso intensivo de marketing e imagem, o Zé Mariano nunca mais quis saber o que quer que fosse da qualidade da massa e dos ingredientes. Basta-lhe que a piza pareça luzidia, e se se pouparem uns cobres para ajudar as “reformas” de Sócrates e os coitados dos americanos tanto melhor. Foi assim que Barroso chegou a presidente da Europa e o Zé Mariano não é menos que ele, a não ser talvez no empenho com que Barroso abraçou a militância MRPPista doutros tempos.
E a bisca lambida? Essa é para ser lambida nos senados trazidos pelo RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior) que, fazendo de conta, hão-de aplaudir esta Bolonha e todas quantas os senhores do marketing e da propaganda mandarem lamber, a bem das “reformas”. E se forem muitos, mais biscas lambem. Desde que possam preservar a sua parcela de protagonismo, porque não? A pequena dificuldade que subsiste é que pode restar só o papel de bobo da corte.
Tal qual George Clooney”, dizia-nos Alexandre Sousa, “também eu apareço sempre que posso em anúncios de vacas leiteiras". Pudera! Podendo escolher entre vacas leiteiras e vacas escanzeladas ou esbeltas (como lhes chamava um colega mais imaginativo, vai para pouco menos de uma dezena e meia de anos), quem não fica com as leiteiras. E então agora que o leite está caro. Não é por isso que deixa de haver utopias realizáveis. É preciso é batalhar mais por elas. Bolonha é já ali! Os americanos hão-de se envergonhar desta sopa dos pobres e quando isso acontecer restará ao Zé Mariano fazer outro curso intensivo de marketing e propaganda ou pedir ajuda a Barroso, para que lhe arranje um lugar de chefe de gabinete em Bruxelas. Não seria o primeiro e Barroso já não é o Durão que em tempos foi.
O processo em curso nas universidades e politécnicos não é, nem tem de ser, pacífico. “Processos pacíficos são aqueles que defrontamos com o Ministério da Finanças quando não pagamos o IRS”, retorquia Alexandre Sousa, outra vez. É entretanto diferente haver visões diferentes da universidade (e do politécnico) e uns quantos apresentarem-se como senhores do destino das Instituições de Ensino Superior (IES), para mais, conhecendo nós “a verdade” de que são mensageiros.
Como digo, o problema não são as leituras diversas que se façam das IES e dos caminhos a trilhar. Penoso é, isso sim, constatar o "estado gripal do (des)ensino superior", na caracterização de Vasco Eiriz, professor da EEG/Universidade do Minho, citando alguém que não importa trazer para aqui. Penoso é que haja professores a fazer xixi na tampa da sanita. Penoso é que em reuniões dos órgãos académicos herdados do anterior ordenamento jurídico, a grande maioria dos professores universitários mantenha um silêncio estrondoso em relação a tudo que tenha menos natureza de gestão corrente, porque têm medo.
Face ao beco sem saída do presente, qualquer debate só pode resultar rico, por mais caótico que pareça, desde que exista. Que se dane o Zé Mariano, que, ironicamente, até pode ser louvado por tê-lo provocado, e que se dane o Augustus. Que se dane o Augustus, que ainda por cima é daltónico e viu bandeiras vermelhas onde só havia lenços brancos. Se as vacas são escanzeladas, porque há-de o académico fingir que as achas gordas e leiteiras? Deve achá-lo só porque lhe matraqueiam quotidianamente o espírito com discursos da reforma, e das maravilhas que lhe hão-de chegar de Bolonha?
Vivam as vacas leiteiras! Viva a bisca lambida!
“Como é que tu és a favor do RJIES?”, perguntava-lhe outro marinheiro. Mas como é que se pode ser marinheiro e, ao mesmo tempo, gostar de águas paradas? Escolhido que tenha sido ser-se marinheiro, há que marear nas águas que o mar traga, que nunca hão-de ser paradas e, muito menos, estagnadas. A escolha é ser-se marinheiro.
Feitos ao mar, pode-se ir a Bolonha? Pois concerteza, mas a Bolonha que se queria era bem condimentada, não esta piza sensaborona que nos calhou. Habilitado com o seu curso intensivo de marketing e imagem, o Zé Mariano nunca mais quis saber o que quer que fosse da qualidade da massa e dos ingredientes. Basta-lhe que a piza pareça luzidia, e se se pouparem uns cobres para ajudar as “reformas” de Sócrates e os coitados dos americanos tanto melhor. Foi assim que Barroso chegou a presidente da Europa e o Zé Mariano não é menos que ele, a não ser talvez no empenho com que Barroso abraçou a militância MRPPista doutros tempos.
E a bisca lambida? Essa é para ser lambida nos senados trazidos pelo RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior) que, fazendo de conta, hão-de aplaudir esta Bolonha e todas quantas os senhores do marketing e da propaganda mandarem lamber, a bem das “reformas”. E se forem muitos, mais biscas lambem. Desde que possam preservar a sua parcela de protagonismo, porque não? A pequena dificuldade que subsiste é que pode restar só o papel de bobo da corte.
Tal qual George Clooney”, dizia-nos Alexandre Sousa, “também eu apareço sempre que posso em anúncios de vacas leiteiras". Pudera! Podendo escolher entre vacas leiteiras e vacas escanzeladas ou esbeltas (como lhes chamava um colega mais imaginativo, vai para pouco menos de uma dezena e meia de anos), quem não fica com as leiteiras. E então agora que o leite está caro. Não é por isso que deixa de haver utopias realizáveis. É preciso é batalhar mais por elas. Bolonha é já ali! Os americanos hão-de se envergonhar desta sopa dos pobres e quando isso acontecer restará ao Zé Mariano fazer outro curso intensivo de marketing e propaganda ou pedir ajuda a Barroso, para que lhe arranje um lugar de chefe de gabinete em Bruxelas. Não seria o primeiro e Barroso já não é o Durão que em tempos foi.
O processo em curso nas universidades e politécnicos não é, nem tem de ser, pacífico. “Processos pacíficos são aqueles que defrontamos com o Ministério da Finanças quando não pagamos o IRS”, retorquia Alexandre Sousa, outra vez. É entretanto diferente haver visões diferentes da universidade (e do politécnico) e uns quantos apresentarem-se como senhores do destino das Instituições de Ensino Superior (IES), para mais, conhecendo nós “a verdade” de que são mensageiros.
Como digo, o problema não são as leituras diversas que se façam das IES e dos caminhos a trilhar. Penoso é, isso sim, constatar o "estado gripal do (des)ensino superior", na caracterização de Vasco Eiriz, professor da EEG/Universidade do Minho, citando alguém que não importa trazer para aqui. Penoso é que haja professores a fazer xixi na tampa da sanita. Penoso é que em reuniões dos órgãos académicos herdados do anterior ordenamento jurídico, a grande maioria dos professores universitários mantenha um silêncio estrondoso em relação a tudo que tenha menos natureza de gestão corrente, porque têm medo.
Face ao beco sem saída do presente, qualquer debate só pode resultar rico, por mais caótico que pareça, desde que exista. Que se dane o Zé Mariano, que, ironicamente, até pode ser louvado por tê-lo provocado, e que se dane o Augustus. Que se dane o Augustus, que ainda por cima é daltónico e viu bandeiras vermelhas onde só havia lenços brancos. Se as vacas são escanzeladas, porque há-de o académico fingir que as achas gordas e leiteiras? Deve achá-lo só porque lhe matraqueiam quotidianamente o espírito com discursos da reforma, e das maravilhas que lhe hão-de chegar de Bolonha?
Vivam as vacas leiteiras! Viva a bisca lambida!
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de 08/04/10 do Jornal de Leiria)
terça-feira, abril 08, 2008
Um lugar neste Universo
Somam-se as energias no Universo.
São elas a força que nos une.
A conexão pessoa-lugar-tempo
que nos move
dá sentido à forma,
define-nos a identidade.
Busca-se uma pessoa:
és tu!
Procura-se um lugar:
és tu!
Questiona-se a ocasião:
és tu!
Tu és sempre o meu eu.
José Pedro Cadima
São elas a força que nos une.
A conexão pessoa-lugar-tempo
que nos move
dá sentido à forma,
define-nos a identidade.
Busca-se uma pessoa:
és tu!
Procura-se um lugar:
és tu!
Questiona-se a ocasião:
és tu!
Tu és sempre o meu eu.
José Pedro Cadima
domingo, abril 06, 2008
Conselho a um artista
Qualquer artista que se preze
a extrema miséria deve visar.
A extrema felicidade, aparte inalcançável,
seria indicador seguro
de que nunca veria publicamente reconhecida
a valia da sua obra,
e um meio-termo deixaria o seu trabalho incompleto.
Claro que é o critério
para atingir o reconhecimento público,
facilitada está a vida de qualquer artista
que vise ir além da mediania:
resta-lhe prosseguir arduamente
o caminho da miséria material.
Terá assegurado um grandioso funeral.
José Pedro Cadima
a extrema miséria deve visar.
A extrema felicidade, aparte inalcançável,
seria indicador seguro
de que nunca veria publicamente reconhecida
a valia da sua obra,
e um meio-termo deixaria o seu trabalho incompleto.
Claro que é o critério
para atingir o reconhecimento público,
facilitada está a vida de qualquer artista
que vise ir além da mediania:
resta-lhe prosseguir arduamente
o caminho da miséria material.
Terá assegurado um grandioso funeral.
José Pedro Cadima
quinta-feira, abril 03, 2008
Minha Querida Helena
Nestes altos e baixos de ânimo, por razões próximas que não sou capaz de descortinar, retorno ao ponto mais baixo do ciclo. É o ânimo e é o cansaço, que em mim se apresentam associados. Se a semana decorresse mais intensa em matéria de solicitações de trabalho, não haveria espaço para estes sinais exteriores de debilidade, isto é, teriam que aguardar oportunidade. As coisas são entretanto como são e, por assim ser, volto ao estado de agonia na sua dimensão mais embaraçosa.
Não ligo esta ressaca aos telefonemas (dois) recentes que me fizeste, nem à visita que te fiz. Não digo que não me tenham afectado mas, se concorrem para este meu momento psicológico, fá-lo-ão em adição de razões mais profundas. Aliás, hoje não me telefonaste, embora eu mantivesse a expectativa que o fizesses. Porventura o questionário com que me brindaste ontem ficou então preenchido, pelo que não permanecia justificação para contacto posterior. Tens que conceder, no entanto, que a interrupção abrupta da ligação (por força do esgotamento das moedas) não permitiu que me desses conta do sucesso ou insucesso das respostas.
Neste interregno de comunicação, fui processando os dados que me havias feito chegar. Desses, talvez te surpreenda que o que me mereceu maior ponderação tenha sido o que se exprime na circunstância de me teres visto movimentar em Braga, sendo seguro que eu não te vi. Não mereceria atenção particular não fora a coincidência de tal se ter passado de modo idêntico em diversas outras ocasiões, a crer nas tuas alegações. E, confesso-te: gostaria de te ter visto desta e das outras vezes, particularmente desta vez.
Não te vi - disso não me resta dúvida – e não entendo como pudeste tu ver-me sem que eu te visse. A verdade é que, se a minha vista não é o que já foi, a tua não me parece em melhor estado. Tu mesma o dizes. Resulta então, daqui, um mistério. O mistério adensa-se quando eu sou visto por “A” ou por “B”, acompanhado, neste e naquele sítio, mesmo que não o tenha frequentado em período recente ou lá tenha estado sozinho. Tens que admitir que estes são dados fortes o bastante para me prenderem a atenção. Tanto mais quanto me sabes um cultor da ficção científica e um adepto confesso dos efeitos especiais. Aliás, como costumo afirmar, para ensaio sobre as misérias do quotidiano basta o próprio quotidiano. Disso fazem espectáculo diário os media.
Eis, Helena querida, um retrato do meu estar psicológico. Será bastante fidedigno já que o que está escrito antes foi-o ao sabor do pensamento livre (outros diriam, ao sabor da pena), não antecipando este final de divã de psiquiatra. É bom que assim seja para que o retrato surja bem autêntico, sem maquilhagem e sem acerto de cabelo. Perante ti posso expor-me despido, segundo creio.
Não tenho conselhos para dar ao psiquiatra. Também não lhos peço. De ti também não os pretendo receber. Se fossem beijos...
Braga, 9 de Setembro de 2004
José Cadima
Ps: correndo o risco de ser acusado de uma súbita simpatia pelo Ps. (com um pontinho em vez de dois pontos – o “s” pequeno é para simbolizar o estado em que está o socialismo), que declaro não ter qualquer fundamento, sou obrigado a recorrer outra vez a esta figura para reparar os efeitos de uma gralha que pousou sobre a data da carta de ontem, fazendo aparecer um seis onde, em verdade, estava um oito. Embora a culpa seja toda da gralha, por uma questão de afinidade com aquela, venho assumir a responsabilidade do erro.
Não ligo esta ressaca aos telefonemas (dois) recentes que me fizeste, nem à visita que te fiz. Não digo que não me tenham afectado mas, se concorrem para este meu momento psicológico, fá-lo-ão em adição de razões mais profundas. Aliás, hoje não me telefonaste, embora eu mantivesse a expectativa que o fizesses. Porventura o questionário com que me brindaste ontem ficou então preenchido, pelo que não permanecia justificação para contacto posterior. Tens que conceder, no entanto, que a interrupção abrupta da ligação (por força do esgotamento das moedas) não permitiu que me desses conta do sucesso ou insucesso das respostas.
Neste interregno de comunicação, fui processando os dados que me havias feito chegar. Desses, talvez te surpreenda que o que me mereceu maior ponderação tenha sido o que se exprime na circunstância de me teres visto movimentar em Braga, sendo seguro que eu não te vi. Não mereceria atenção particular não fora a coincidência de tal se ter passado de modo idêntico em diversas outras ocasiões, a crer nas tuas alegações. E, confesso-te: gostaria de te ter visto desta e das outras vezes, particularmente desta vez.
Não te vi - disso não me resta dúvida – e não entendo como pudeste tu ver-me sem que eu te visse. A verdade é que, se a minha vista não é o que já foi, a tua não me parece em melhor estado. Tu mesma o dizes. Resulta então, daqui, um mistério. O mistério adensa-se quando eu sou visto por “A” ou por “B”, acompanhado, neste e naquele sítio, mesmo que não o tenha frequentado em período recente ou lá tenha estado sozinho. Tens que admitir que estes são dados fortes o bastante para me prenderem a atenção. Tanto mais quanto me sabes um cultor da ficção científica e um adepto confesso dos efeitos especiais. Aliás, como costumo afirmar, para ensaio sobre as misérias do quotidiano basta o próprio quotidiano. Disso fazem espectáculo diário os media.
Eis, Helena querida, um retrato do meu estar psicológico. Será bastante fidedigno já que o que está escrito antes foi-o ao sabor do pensamento livre (outros diriam, ao sabor da pena), não antecipando este final de divã de psiquiatra. É bom que assim seja para que o retrato surja bem autêntico, sem maquilhagem e sem acerto de cabelo. Perante ti posso expor-me despido, segundo creio.
Não tenho conselhos para dar ao psiquiatra. Também não lhos peço. De ti também não os pretendo receber. Se fossem beijos...
Braga, 9 de Setembro de 2004
José Cadima
Ps: correndo o risco de ser acusado de uma súbita simpatia pelo Ps. (com um pontinho em vez de dois pontos – o “s” pequeno é para simbolizar o estado em que está o socialismo), que declaro não ter qualquer fundamento, sou obrigado a recorrer outra vez a esta figura para reparar os efeitos de uma gralha que pousou sobre a data da carta de ontem, fazendo aparecer um seis onde, em verdade, estava um oito. Embora a culpa seja toda da gralha, por uma questão de afinidade com aquela, venho assumir a responsabilidade do erro.
quarta-feira, abril 02, 2008
O mundo
Desço docemente, fazendo festas ao mundo,
não vá ele enfurecer-se.
Pressinto-o zangado,
deixando-me descrente de que tenhamos futuro.
Puxo das minhas forças e da coragem que me resta
e olho-o nos olhos.
Tento dizer-lhe que ele está no centro das minhas preocupações.
Procuro dar-lhe expressão do meu empenho
e falar-lhe de carinho.
Vejo-o rosnar, primeiro, sacudir-se, depois,
e aquietar-se, de seguida.
Questiono-me se acreditou no que lhe disse.
Deixou-me seguir o meu caminho.
José Pedro Cadima
não vá ele enfurecer-se.
Pressinto-o zangado,
deixando-me descrente de que tenhamos futuro.
Puxo das minhas forças e da coragem que me resta
e olho-o nos olhos.
Tento dizer-lhe que ele está no centro das minhas preocupações.
Procuro dar-lhe expressão do meu empenho
e falar-lhe de carinho.
Vejo-o rosnar, primeiro, sacudir-se, depois,
e aquietar-se, de seguida.
Questiono-me se acreditou no que lhe disse.
Deixou-me seguir o meu caminho.
José Pedro Cadima
segunda-feira, março 31, 2008
Carregar com palavras
Palavras ditas uma vez magoam para sempre.
É estranho e forte o poder das palavras.
Por isso, amiúde, a sabedoria está em ficar calado.
Produzida a ferida, não há como retroceder.
Permanecer calado pode, mesmo então, ser menos danoso
que voltar a fazer uso da palavra.
Falar, enterra-nos.
Levando ou atirando com palavras, resta-nos depois carregá-las.
É como uma cruz que se carrega pela vida.
É responsabilidade de cada um pôr-se na pele dos outros.
A humanidade de cada indivíduo revela-se também nisso.
José Pedro Cadima
É estranho e forte o poder das palavras.
Por isso, amiúde, a sabedoria está em ficar calado.
Produzida a ferida, não há como retroceder.
Permanecer calado pode, mesmo então, ser menos danoso
que voltar a fazer uso da palavra.
Falar, enterra-nos.
Levando ou atirando com palavras, resta-nos depois carregá-las.
É como uma cruz que se carrega pela vida.
É responsabilidade de cada um pôr-se na pele dos outros.
A humanidade de cada indivíduo revela-se também nisso.
José Pedro Cadima
sexta-feira, março 28, 2008
Querer mais
Há qualquer coisa
que não me deixa descansar.
Garanto-vos ver demónios
passearem-se por meus azares
e seus servos
por linhas do meu destino.
Será por eu querer demais?
É erro ter demais, sei-o.
Sei, também, que mais cansaço
traz mais aflição,
mas eu só corro por ti!
José Pedro Cadima
que não me deixa descansar.
Garanto-vos ver demónios
passearem-se por meus azares
e seus servos
por linhas do meu destino.
Será por eu querer demais?
É erro ter demais, sei-o.
Sei, também, que mais cansaço
traz mais aflição,
mas eu só corro por ti!
José Pedro Cadima
terça-feira, março 25, 2008
Indivíduo
Não peças a César
que te dê Roma
sendo tu exército!
Larga a lâmina
que essa orelha cortada
não te fará original!
Pousa a cruz!
Não podes ser mártir
se a causa for apenas tua.
José Pedro Cadima
que te dê Roma
sendo tu exército!
Larga a lâmina
que essa orelha cortada
não te fará original!
Pousa a cruz!
Não podes ser mártir
se a causa for apenas tua.
José Pedro Cadima
domingo, março 23, 2008
Minha Querida Helena
Fazendo-me falta todos os dias, há dias em que sinto mais a tua falta. Hoje é um desses dias. Será porque lá fora corre um vento gelado? Ou será, antes, porque nos dois dias antecedentes voltei, muito brevemente, aos lugares da minha infância e às memórias de dias menos agrestes, misturadas com as de outros que não gosto de recordar? Interrogo-me e não encontro resposta alguma que não seja que me fazes falta hoje, particularmente hoje, meu amor.
De regresso a memórias e lugares de infância, já aí senti a tua ausência, se bem que a tua memória só longinquamente ecoe por essas paragens. Desejei ter-te lá comigo. Desejei que me ajudasses a reencontrar-me com o lado feliz desse reencontro. Talvez desse modo fosse capaz de deixar de estar por lá de fugida, como vem acontecendo há muitos anos. Porque será que esses lugares me atraem e repelem, simultaneamente? Será porque me sinto aí sem ti? Mas, e aqui, sem ti, como me devo sentir? Queres dizer-mo?
De volta a esta terra, agora também minha, julguei ficar mais próximo de ti. Pura ilusão: quanto mar a separar-nos, quanto vento gelado a tolher-nos os passos. Logo hoje, meu amor, em que só o calor do teu corpo poderia trazer-me algum conforto.
Olho em volta, tento descortinar por entre os raios de sol que rasgam o horizonte o calor que os raios do sol costumam trazer e a minha mente logo foge para ti, ansiando calor, procurando conforto. Olho em volto, vejo sinais teus em cada objecto que me rodeia, mas de ti nem sinal, nem aceno. Por onde andas tu, querida Helena, neste dia tão agreste. Sentirás tu o mesmo desconforto que eu sinto? Correste tu para mim com a mesma energia com que eu corri para ti, de modo a vencer a resistência deste vento de Inverno, quando a Primavera já se fez anunciar? Vou crer que sim. Vou crer que foi este vento que foi mais forte que a urgência que eu tinha que nos apertássemos nos braços.
Hoje, este vento gelado venceu. Amanhã preciso que vençam outras forças da natureza, sob pena que se extinga a réstia de energia que alimenta este meu corpo enregelado, trémulo, carente de ti.
José Cadima
De regresso a memórias e lugares de infância, já aí senti a tua ausência, se bem que a tua memória só longinquamente ecoe por essas paragens. Desejei ter-te lá comigo. Desejei que me ajudasses a reencontrar-me com o lado feliz desse reencontro. Talvez desse modo fosse capaz de deixar de estar por lá de fugida, como vem acontecendo há muitos anos. Porque será que esses lugares me atraem e repelem, simultaneamente? Será porque me sinto aí sem ti? Mas, e aqui, sem ti, como me devo sentir? Queres dizer-mo?
De volta a esta terra, agora também minha, julguei ficar mais próximo de ti. Pura ilusão: quanto mar a separar-nos, quanto vento gelado a tolher-nos os passos. Logo hoje, meu amor, em que só o calor do teu corpo poderia trazer-me algum conforto.
Olho em volta, tento descortinar por entre os raios de sol que rasgam o horizonte o calor que os raios do sol costumam trazer e a minha mente logo foge para ti, ansiando calor, procurando conforto. Olho em volto, vejo sinais teus em cada objecto que me rodeia, mas de ti nem sinal, nem aceno. Por onde andas tu, querida Helena, neste dia tão agreste. Sentirás tu o mesmo desconforto que eu sinto? Correste tu para mim com a mesma energia com que eu corri para ti, de modo a vencer a resistência deste vento de Inverno, quando a Primavera já se fez anunciar? Vou crer que sim. Vou crer que foi este vento que foi mais forte que a urgência que eu tinha que nos apertássemos nos braços.
Hoje, este vento gelado venceu. Amanhã preciso que vençam outras forças da natureza, sob pena que se extinga a réstia de energia que alimenta este meu corpo enregelado, trémulo, carente de ti.
José Cadima
sábado, março 22, 2008
Tempos glaciares
O cansaço enfraquece-me,
empurrando-me para o canto
mais sombrio da minha alma.
A insipidez do local abafa-me.
Já passaram por aqui desejos e sonhos deliciosos,
mas inverosímeis.
Agora, não são senão memórias,
imensos espaços gelados,
glaciares, diria.
Saudade! Arrependimento!
Sim, não os deveria ter deixado gelar!
Sim, acode-me a saudade de tempos menos sombrios,
que me culpo de não ter sabido preservar.
José Pedro Cadima
empurrando-me para o canto
mais sombrio da minha alma.
A insipidez do local abafa-me.
Já passaram por aqui desejos e sonhos deliciosos,
mas inverosímeis.
Agora, não são senão memórias,
imensos espaços gelados,
glaciares, diria.
Saudade! Arrependimento!
Sim, não os deveria ter deixado gelar!
Sim, acode-me a saudade de tempos menos sombrios,
que me culpo de não ter sabido preservar.
José Pedro Cadima
terça-feira, março 18, 2008
Escondido num novelo de lã
Num novelo de lã me quero esconder,
quietinho, aconchegado, a salvo;
a salvo do que vai lá fora,
a salvo do que ficar fora do meu novelo de lã.
Deixem-me procurar um lugar
onde possa permanecer recolhido,
longe da impiedosa lei
que, nos sonhos, traz a luz.
A opressão ataca os pobres
que querem sonhar,
encurrala-os em becos sem saída,
enche-nos a vida de medos.
Pressinto longe o meu novelo de lã.
Quem me dera tê-lo mais perto,
ali, ao alcance de uma mão.
José Pedro Cadima
quietinho, aconchegado, a salvo;
a salvo do que vai lá fora,
a salvo do que ficar fora do meu novelo de lã.
Deixem-me procurar um lugar
onde possa permanecer recolhido,
longe da impiedosa lei
que, nos sonhos, traz a luz.
A opressão ataca os pobres
que querem sonhar,
encurrala-os em becos sem saída,
enche-nos a vida de medos.
Pressinto longe o meu novelo de lã.
Quem me dera tê-lo mais perto,
ali, ao alcance de uma mão.
José Pedro Cadima
sábado, março 15, 2008
Histórias de amor
A cada história que conto,
"Romeu e Julieta" lhe podia chamar.
A forma, o tempo,
as personagens mudam.
O tema é sempre o mesmo:
um amor interdito.
José Pedro Cadima
"Romeu e Julieta" lhe podia chamar.
A forma, o tempo,
as personagens mudam.
O tema é sempre o mesmo:
um amor interdito.
José Pedro Cadima
quinta-feira, março 13, 2008
Carisma
Não sou, de certo, uma figura das mais carismáticas.
Falta-me o “charme” que berra ao mundo.
Ninguém se recordará da minha cara,
salvo quem a reconhecer nas minhas palavras.
José Pedro Cadima
Falta-me o “charme” que berra ao mundo.
Ninguém se recordará da minha cara,
salvo quem a reconhecer nas minhas palavras.
José Pedro Cadima
terça-feira, março 11, 2008
Meu achado
Ai achado!
Meu coração-agulha, qual bússola,
aponta para ti.
Um traço teu
leva-me a amar-te,
à semelhança do modo como a agulha
descobre o seu Norte.
José Pedro Cadima
Meu coração-agulha, qual bússola,
aponta para ti.
Um traço teu
leva-me a amar-te,
à semelhança do modo como a agulha
descobre o seu Norte.
José Pedro Cadima
sábado, março 08, 2008
Minha Querida Helena
Em tempo de confidências, quero falar-te hoje do sentimento que tive na passada semana quando, por feliz acaso, passei a noite em tua casa. O acaso a que me refiro releva dos nossos desencontros recentes, que verbalizei em mensagens anteriores.
Não me deterei sobre a tua receptividade em relação a gestos de carinho matinal; não me alongarei sobre a estranheza que para mim é a gestão que fazes das tuas horas nocturnas, onde parece não haver tempo para o sono – presumo que aches que outro tanto seja válido para os demais ou, pelo menos, para mim; não comentarei a quantidade de comida que sempre pões à minha frente, nem tão pouco a surpresa que sempre enuncias pelo pouco que – dizes tu – eu como. Tal qual digo, pretendo apenas dar-te notícia do sentimento que me invadiu, em tua casa, enquanto aguardava que acabasses de fazer o jantar, primeiro, ou te libertasses das arrumações da cozinha, depois.
Concretizando, digo-te, minha querida, que me vi na condição de um objecto que preenche a casa. Não digo um objecto mais, porque poderia parecer-te ofensivo, mas, em todo o caso, uma peça que ocupa um espaço, porventura preenche um vazio. Curiosamente, no teu dizer, alguém que se move sem ruído e que, por isso, ocasionalmente te surpreende e te assusta. Repara, o meu objectivo era estar contigo – sublinho: estar contigo – mas a ti satisfez-te ter-me no sofá da tua sala, enquanto tu te movimentavas pela cozinha, pela casa; satisfez-te saber-me deitado na tua cama, perdido de sono, enquanto te ocupavas da cozinha, da casa de banho, e do mais que julgaste ajustado para aquela hora tardia.
Em abono da verdade, devo dizer-te que não foi a primeira vez que pensei isto que agora te enuncio. Foi, no entanto, a primeira vez que o senti na sua expressão vivida, na exacta hora. Não to disse na ocasião porque não sabia como reagirias ou, melhor, receei que reagisses mal, e isso era a derradeira coisa que eu desejaria. Digo-to agora, num apelo à sinceridade, na expectativa de que entendas a bondade do que te transmito e me perdoes, nessa mesma medida
Seguramente, te surpreenderei com esta minha confissão. Tu sabes, no entanto, que és o meu único refúgio, pelo que não havia outrem a quem segredar este pensamento íntimo. É também isso que faz a diferença entre ter ou não ter alguém... meu amor.
Braga, 19 de Julho de 2004
José Cadima
Não me deterei sobre a tua receptividade em relação a gestos de carinho matinal; não me alongarei sobre a estranheza que para mim é a gestão que fazes das tuas horas nocturnas, onde parece não haver tempo para o sono – presumo que aches que outro tanto seja válido para os demais ou, pelo menos, para mim; não comentarei a quantidade de comida que sempre pões à minha frente, nem tão pouco a surpresa que sempre enuncias pelo pouco que – dizes tu – eu como. Tal qual digo, pretendo apenas dar-te notícia do sentimento que me invadiu, em tua casa, enquanto aguardava que acabasses de fazer o jantar, primeiro, ou te libertasses das arrumações da cozinha, depois.
Concretizando, digo-te, minha querida, que me vi na condição de um objecto que preenche a casa. Não digo um objecto mais, porque poderia parecer-te ofensivo, mas, em todo o caso, uma peça que ocupa um espaço, porventura preenche um vazio. Curiosamente, no teu dizer, alguém que se move sem ruído e que, por isso, ocasionalmente te surpreende e te assusta. Repara, o meu objectivo era estar contigo – sublinho: estar contigo – mas a ti satisfez-te ter-me no sofá da tua sala, enquanto tu te movimentavas pela cozinha, pela casa; satisfez-te saber-me deitado na tua cama, perdido de sono, enquanto te ocupavas da cozinha, da casa de banho, e do mais que julgaste ajustado para aquela hora tardia.
Em abono da verdade, devo dizer-te que não foi a primeira vez que pensei isto que agora te enuncio. Foi, no entanto, a primeira vez que o senti na sua expressão vivida, na exacta hora. Não to disse na ocasião porque não sabia como reagirias ou, melhor, receei que reagisses mal, e isso era a derradeira coisa que eu desejaria. Digo-to agora, num apelo à sinceridade, na expectativa de que entendas a bondade do que te transmito e me perdoes, nessa mesma medida
Seguramente, te surpreenderei com esta minha confissão. Tu sabes, no entanto, que és o meu único refúgio, pelo que não havia outrem a quem segredar este pensamento íntimo. É também isso que faz a diferença entre ter ou não ter alguém... meu amor.
Braga, 19 de Julho de 2004
José Cadima
quarta-feira, março 05, 2008
Teus caracóis
Caracóis. Caracóis.
Que lindos eram os teus caracóis!
Faziam lembrar um conto de fadas,
onde cavaleiros trepavam por eles
para atingir a tua janela.
Por onde subir
senão mesmo pelos caracóis do teu lindo cabelo?
Por onde subir,
para o céu alcançar,
senão pelos fios enrolados do teu cabelo?
José Pedro Cadima
Que lindos eram os teus caracóis!
Faziam lembrar um conto de fadas,
onde cavaleiros trepavam por eles
para atingir a tua janela.
Por onde subir
senão mesmo pelos caracóis do teu lindo cabelo?
Por onde subir,
para o céu alcançar,
senão pelos fios enrolados do teu cabelo?
José Pedro Cadima
segunda-feira, março 03, 2008
Muitos…
Muitas palavras que não chegaram a sê-lo.
Muitas ideias que não chegaram a realizações.
Muito amor que não encontrou
um coração aberto para o receber.
Muitas promessas de amor por cumprir
e outras que ficaram por fazer.
Muitos corações despedaçados.
Muitas amizades destruídas.
Muitos … Muitas coisas tristes para contar.
Mais seriam se ousasse falar
dos muitos medos que sinto!
José Pedro Cadima
Muitas ideias que não chegaram a realizações.
Muito amor que não encontrou
um coração aberto para o receber.
Muitas promessas de amor por cumprir
e outras que ficaram por fazer.
Muitos corações despedaçados.
Muitas amizades destruídas.
Muitos … Muitas coisas tristes para contar.
Mais seriam se ousasse falar
dos muitos medos que sinto!
José Pedro Cadima
sábado, março 01, 2008
“As meias e as pernas – I”
“Aos meus leitores mais atentos não surpreenderá que lhes diga que escrevi esta crónica na sala de espera de um aeroporto da Europa, nem talvez lhes estranhará que lhes deixe dito que o fiz como forma de usar o tempo (não sei se diga, de passar o tempo) de espera do avião que me deveria trazer de volta a Portugal. Já estou menos certo que se surpreendam se vos disser que me ocorreu fazê-lo a pretexto da leitura de um artigo de um semanário nacional em que o tema era estar ou não na moda o uso de meias brancas.
Para quem não tenha lido a prosa em questão, deixo dito que o articulista se referia ao uso de meias brancas masculinas (se é que as meias têm sexo) e sugeria que era tempo desta cor voltar a estar na moda, por forma a poder dar uso à colecção que o avô lhe foi oferecendo, ao longo dos anos. De uma leitura um pouco mais subtil, poderia o leitor tirar do artigo a sugestão que a moda é feita pelos fazedores de opinião, costureiros de muitos ofícios, ou poderia concluir que o seu autor passava por uma crise de imaginação, o que era, seguramente, o mais verosímil. Aliás, valha a verdade que se assinale que o articulista em causa não fazia qualquer esforço para que quem quer que fosse concluísse de outro modo.
Foi precisamente este último aspecto que mais me chamou a atenção pelo que traduz de honestidade intelectual e pelo que ela revela de personalidade da personagem, porque, concordem comigo, não haverá muitos que se disponham a admitir publicamente que atravessam um momento de crise (crise de imaginação, digo) e, simultaneamente, por dever de ofício e respeito de obrigações contratadas, se disponham ao esforço de persistir no seu trabalho. Louvo-lhe isso e louvo-lhe, ainda, a felicidade da e3scolha: as meias masculinas, um artefacto tão nobre e, eventualmente, tão descurado. Muito menor arrojo seria reter as meias femininas, tema que, para alem de muito badalado, deixaria nos seus leitores a dúvida sobre se seriam as meias ou as pernas que o articulista pretenderia relevar.
Por mim, congratulo-me por não ter sido jamais atingido por crise semelhante, já que receio bem não ter a arte e o saber que aqui exalto para a ultrapassar com a elegância necessária.”
J. C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/10/18, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
Para quem não tenha lido a prosa em questão, deixo dito que o articulista se referia ao uso de meias brancas masculinas (se é que as meias têm sexo) e sugeria que era tempo desta cor voltar a estar na moda, por forma a poder dar uso à colecção que o avô lhe foi oferecendo, ao longo dos anos. De uma leitura um pouco mais subtil, poderia o leitor tirar do artigo a sugestão que a moda é feita pelos fazedores de opinião, costureiros de muitos ofícios, ou poderia concluir que o seu autor passava por uma crise de imaginação, o que era, seguramente, o mais verosímil. Aliás, valha a verdade que se assinale que o articulista em causa não fazia qualquer esforço para que quem quer que fosse concluísse de outro modo.
Foi precisamente este último aspecto que mais me chamou a atenção pelo que traduz de honestidade intelectual e pelo que ela revela de personalidade da personagem, porque, concordem comigo, não haverá muitos que se disponham a admitir publicamente que atravessam um momento de crise (crise de imaginação, digo) e, simultaneamente, por dever de ofício e respeito de obrigações contratadas, se disponham ao esforço de persistir no seu trabalho. Louvo-lhe isso e louvo-lhe, ainda, a felicidade da e3scolha: as meias masculinas, um artefacto tão nobre e, eventualmente, tão descurado. Muito menor arrojo seria reter as meias femininas, tema que, para alem de muito badalado, deixaria nos seus leitores a dúvida sobre se seriam as meias ou as pernas que o articulista pretenderia relevar.
Por mim, congratulo-me por não ter sido jamais atingido por crise semelhante, já que receio bem não ter a arte e o saber que aqui exalto para a ultrapassar com a elegância necessária.”
J. C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/10/18, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
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